27 outubro 2014

Insólito (e secreto!): X-37B

Começamos com o ver o lado positivo: a missão do X-37B acabou bem.

O "coiso", uma espécie de enorme supositório com 9 metros de comprimento, no passado dia 17 de Outubro acabou a missão de voo orbital da durada de dois anos.

A missão não tripulada, conhecida como OTV-3, foi a mais longa já enfrentada pelo veículo e, como as duas anteriores, nada é sabido acerca dela.

A missão inaugural do programa espacial militares tinha ocorrido em Abril de 2010, com a duração de 225 dias. A segunda missão durou 469 dias.
Diz o comandante Keith Balts, do 30º Space Wings:
Estou extremamente orgulhoso da nossa equipa pelo sucesso desta missão.
Também nós estamos extremamente orgulhosos: é bom saber que no espaço viaja este coiso sem saber o que raio faça. E o facto de tudo estar nas mãos dos militares norte-americanos é ainda mais reconfortante.

A propósito: mas que raio faz aí em cima o X-37B?
Na internet hipóteses não faltam. É que por cada uma dela há problemas.
Tentamos perceber.

Vigilância

Embora os militares dos EUA tenham já muitos satélites de vigilância em órbita, alguns pensam que o X-37B foi projectado para monitorizar as regiões de alta tecnologia de alguns Países.

O X-37B está equipado com ferramentas para espionar o Oriente Médio e outras regiões "sensíveis", como escreve Extremetech.com? Business Week explica que o X-37B pode mover-se muito mais rapidamente quando comparado com um satélite.

O que é verdade, mas não podemos esquecer um pormenor: dois anos de manobras no espaço implicaria uma quantidade de combustível proibitiva. Então, seria muito mais prático enviar novos satélites especializados na observação em que de que este supositório de 5.000 kg.

Interferir com outros satélites

Outra ideia é que o X-37B possa perturbar ou interferir com outros satélites hostis ao governo dos Estados Unidos. Uma espécie de 007 ao serviço de Washington.

Problema: os outros governos do mundo têm a tecnologia para monitorizar os movimentos da aeronave secreta e tomar as contra-medidas necessárias. Além de que, saltitar de satélite em satélite custaria uma quantidade enorme de combustível.

Espiar a estação espacial chinesa

Pouco antes do lançamento do X-37B, a BBC e a revista Space Flight Magazine tinham publicado alguns relatos segundo os quais a órbita do veículo estava perto o suficiente para espiar o que se passava na estação espacial chinesa Tiangong-1.

O analista Jim Oberg, no entanto, explicou à BBC que esta missão é impossível:
Os dois objectos estão em órbitas que se cruzam sobre o equador com cerca de 90 graus, viajando a milhares de metros por segundo. Qualquer tipo de observação seria praticamente impossível.
Bombardeios

E se o X-37B fosse utilizado para bombardeio objectos no planeta?
O site Popular Mechanics, com o professor Mark Lewis (Universidade de Maryland, ex-cientista-chefe da Força Aérea), explica que, mais uma vez, o problema seria o combustível:
Bombardear alvos na superfície da Terra a partir do espaço exigiria continuas mudanças de órbita, com um enorme consumo de combustível
Observação da superfície da Terra (mais sondas)

Talvez o X-37B possa ser mais um meio de observação da superfície do planeta.

A hipótese decorre do facto de que muitos observadores notaram como a aeronave passou várias vezes sobre algumas partes do mundo, da mesma forma como fazem os satélites, talvez lançando sondas ou algo parecido.

Uma reportagem do New York Times explica que vários observadores amadores viram o coiso voar sobre a mesma aérea no planeta a cada quatro dias, como se fosse um satélite de reconhecimento.

Parece a hipótese melhor.
Mas então seria interessante saber quais instrumentos secretos poderia transportar o X-37B.

Para acabar: o projecto X-37B é um trabalho de equipa entre a Darpa (departamento da defesa dos EUA), Nasa, Air Force e Boeing.
Na primeira fase do programa (1999-2003) o X-37B chupou algo como 192 milhões de Dólares; na segunda parte (2003), outros 301 milhões. Depois não se sabe, mas é claro que o supositório espacial dos militares é um brinquedo bem caro.

Entretanto, já se fala do X-37C, capaz de transportar tripulantes até a estação espacial.


Ipse dixit.

Fontes: Space.com, Extremetech, Popular Mechanics, BBC, The New York Times, Il Navigatore Curioso

1 comentário:

  1. Talvez seja apenas um "ralo" espacial, atravez do qual é possível escoar + alguns milhõe$ para financiar outros "blackops". É outra hipótese...ou não. Só perguntando aos donos do binquedo caro.

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