05 novembro 2014

Sondagem: Europa, a queda dos partidos europeistas

"Ops!" pensam em Bruxelas.
É que as últimas sondagens não são nada simpáticas na óptica da União.
Bem pelo contrário.

As pessoas começam a estar fartas? Talvez.
Já nas últimas eleições europeias era possível vislumbrar algo:
  • a extrema-direita da Frente Nacional na França em primeiro lugar com 25% (hoje fica no 28%)
  • o UKIP primeiro no Reino Unido (30%)
  • o Movimento 5 Stelle e outros euro-cépticos em Italia (total: 30 %).
Uma campainha que deveria ter tocado como um alarme nas salas de Bruxelas. Onde, todavia, parecem ser todos surdos: portanto, eis as últimas sondagens realizadas em alguns Países da União, que não apenas confirmam como também tornam mais escuras as nuvens no horizonte da UE.

Vamos ver os dados comparados com as eleições de 2011 (clicar nas imagens para ampliar).

Irlanda


Os Euros-cépticos do Sinn Fein (em verde), formação da esquerda nacionalista, em primeiro lugar com 26%. Populares (azul) e Socialistas em (vermelho) queda vertical.


Holanda

A Direita euro-céptica do PVV (azul escuro) em primeiro lugar. Os populares do VVD (laranja), no governo, perdem metades dos votos; os parceiro de ligação, os socialistas do PvdA, triturados.


Áustria
Os euro-cépticos do FPO (Direita nacionalista, em azul) são o primeiro partido. 


Espanha

A formação "Podemos", de Esquerda e não próxima da Europa (cor de viola), em primeiro lugar com 27.7%. Os partidos historicamente euro-entusiastas (Partido Popular e Partido Socialista) em queda (a queda do Partido Popular, actualmente no governo, é brutal: de 44.6 para 20.7).

Lembramos também do sucesso dos euro-cépticos na Finlândia, na Dinamarca e na Suécia (onde nas recentes eleições dobraram o número de votos). E lembramos também da Grécia, com um partido de extrema-direita que atinge 10% e a lista Tsipras acima do 30%.

Mesmo na Alemanha os euro-cépticos de Direita da AFD estão estavelmente no 10%. Já para não falar da Europa Oriental, onde as formações anti-Euro ou recolheram amplas aprovação (Polónia e República Checa) ou até conquistaram o governo (Hungria).

A crise do Euro está a produzir a maior reviravolta política desde o fim da II Guerra Mundial. Um estado de crise permanente, com as classes políticas que limitam-se a executar as ordens do FMI e do Banco Central Europeu, incapazes de encontrar uma saída que seja diversa duma "austeridade" que não dá os frutos esperados.

É interessante realçar como no geral não haja uma direcção ideológica nestas escolhas dos eleitores: não há uma viragem em prol da Direita, da Esquerda ou do Centro. Simplesmente, os eleitores apoiam forças euro-cépticas. Mais: na maior parte dos casos são forças novas, sinal da desconfiança em relação aos clássicos partidos e do definitivo enterro das ideologias históricas.

Sejam Socialista, Liberais ou Populares, os defensores da Europa estão num estado de dificuldade e em claro regresso em quase todos os lados.

Verdade seja dita: há mais de 24 anos alguém tinha previsto exactamente isso. Foi insultado, até pelos colegas de partido e obrigado a demitir-se. Agora estará a rir-se no túmulo.
O seu nome era Margaret Thatcher.


Ipse dixit.

Fonte: Guard of Angels, Rischio Calcolato, Scenari Economici

4 comentários:

  1. Anónimo5.11.14

    Com uma europa destas gerida pela gente do calibre da que lá está, os resultados até pecam por defeito. Penso que os adormecidos/entorpecidos ainda continuam fieis à sua camisola senão era o descalabro total para os partidos do costume/europeistas.
    Gostei particularmente da subida do UKIP em Inglaterra.
    Numa europa de cariz fascista como esta, talvez um dia o véu lhes caia de vez.
    Mas eles insitem na linha dura. Sai Durão, entra Juncker, e a musica continua no mesmo compasso.
    Eu prefiro a multipolaridade à unipoaridade. O mundo está neste caminho multipolar e a europa talvez siga o exemplo e se desintegre.
    Só de ouvir nomes como Draghi, Juncker, Van Rompuy, Barroso, Ashton e Schultz, fico com dor de dentes. Viva o Nigel Farage!

    Krowler


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  2. Chaplin6.11.14

    Matéria irrelevante pois os conceitos que envolvem a política internacional ou nacionais são manipulados visando simples projetos de poder, e nada mais. Impossível traduzir qualquer informação num contexto assim...

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  3. Bem pelo contrário Chaplin! Há uma Guerra entre os que são donos do mundo e quase todas as pessoas, como Chomsky cita, entre a plutonomia e o precariado.
    Uma das armas é simplesmente a hierarquia, como estas construcções inverosímeis para qualquer análise racional, mas ao mesmo tempo dolorosamente reais, como a UE. A sua desintegração só pode ser saudada, pois garante maior liberdade a cada um de nós...

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    1. Chaplin7.11.14

      Desculpe, mas não há qualquer indicativo sobre alguma guerra entre os donos do mundo, quanto a Chomsky, uma sumidade, mas não vai ao âmago das questões, ao princípio dos princípios, regente do poder maior e sua dominação...abraço.

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