10 dezembro 2014

A ONU e a estranha ligação

Novo bombardeio de israel em território sírio.
É normal: Tel Avive é uma das duas capitais que em qualquer altura podem ordenar ataques contra Países soberanos sem que nada aconteça.

O exército da estrela de David tem bombardeado algumas posições militares na Síria, supostamente para destruir mísseis e armas destinadas do Hezbollah, o movimento de resistência xiita libanês que luta contra as milícias islâmicas.

Não é a primeira vez que nos últimos três anis as forças militares israelitas realizaram ataques em território sírio. A última ocasião ocorreu em Março, quando os alvos tinham sido algumas posições militares do governo sírio na região de Quneitra, perto das Colinas de Golã ocupadas por israel em 1967.

Após o bombardeio, as autoridades sírias informaram que "o inimigo israelita atacou a Síria tendo como alvo duas regiões na província da capital: o sector de Dimas, perto da fronteira com o Líbano, e o aeroporto internacional de Damasco". O governo sírio denunciou também a agressão "que mostra o envolvimento directo de israel em apoio, junto com outros países ocidentais e outros países da região, ao terrorismo na Síria".

Exagero? Não. A situação pode parecer confusa: israel que ataca um movimento que luta contra os radicais islâmicos? israel não deveria ser contra os radicais islâmicos?
A explicação é simples: israel apoia uma franja dos radicais islâmicos. Aliás, apoia os mais radicais. Que, como sinal de agradecimento, nunca atacaram os interesses ou objectivos israelitas.

E o último ataque aconteceu no dia em que um relatório detalhado das Nações Unidas certifica que "israel manteve um relacionamento constante durante meses e contactos regulares com os grupos militantes rebeldes sírios que lutam contra o regime do presidente Bashar al-Assad".

Tanto para não esquecer: após ter combatido na Líbia, os voluntários de Al-Qaeda foram para a Síria, contra Assad; o grupo Al-Nusra também; e o Isis saiu daí, dos "revoltosos" que lutam na Síria.

De acordo com os chefes das forças militares da missão ONU conhecida como Undof, estacionados
na fronteira entre Síria e israel e várias vezes alvo de ataques dos jihadistas de Al Nusra, os militares de Tel Aviv e os fundamentalistas islâmicos nos últimos 18 meses "têm colaborado directamente ", permitindo o trânsito de pessoas, de feridos levados até israel para ser tratados e "de caixas entregues aos combatentes" em território sírio.

Desde o ano passado, cerca de 70 sírios foram tratados oficialmente nos hospitais israelitas, mas o governo recusou-se a indicar as suas identidades, porque, obviamente, não eram cidadãos comuns mas militantes islâmicos.

No passado Outurbo, num artigo publicado no Washington Institute for Near East Policy, o analista israelita Ehud Yaari falou da estreita relação entre Tel Aviv e grupos armados anti-Damasco da Síria. De acordo com Yaari:
Dado que a região tem campos de treino e um grande número de islamitas armados não-combatentes e grupos tribais no Lajaa, seria necessário que Tel Aviv juntasse as suas forças militares com aquelas dos Estados Unidos e da Jordânia, de modo a transformar a área numa base para treinar os rebeldes moderados.
Moderados? Definir "moderados" grupos armados muito próximos da ideologia radical de Al Nusra e do Estado islâmico (o Isis) e que muitas vezes passaram directamente para as fileiras dos radicais requer uma boa dose de fantasia ou de sentido de humor....

Mais: expoentes da chamada oposição síria (como Kamal al-Labwani, fundador da Coligação Nacional da Síria) afirmaram repetidamente a vontade de ceder todo o Golan a Israel em troca de apoio militar para as milícias rebeldes da Síria. Aquela que começou como uma trégua não declarada, um pacto de não-agressão entre Tel Aviv e as milícias "rebeldes", nos últimos tempos parece ter-se tornado uma colaboração eficaz no nome do inimigo comum.

Tudo isso é contrário às afirmações oficiais, segundo as quais os rebeldes da Síria são milícias que ganharam experiência militar na Síria, têm armas sofisticadas e preocupam israel mais do que o Isis.

No entanto, como já lembrado, em muitos anos os jihadistas nunca atacaram o exército israelense ou os seus interesses. Simples esquecimento?


Ipse dixit.

Fonte: Near East News Agency, La Stampa (1, 2)

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