18 dezembro 2014

Cuba: a História não pára

Outro pedaço de História que desaparece.

Mesmo não compartilhando os ideais políticos (é o caso deste blog), é preciso reconhecer o importante papel desenvolvido por Cuba ao longo das décadas. A ilha conseguiu ser um ponto de referência para todos aqueles que tentavam procurar um farol que conseguisse distinguir-se no meio da normalização "democrática" e liberal em parte imposta e em parte escolhida pela nossa sociedade. Foi positivo até ter durado.

Mas o tempo passa, Cuba tinha atingido os seus objectivos e agora arriscava ficar como um corpo estranho na actualidade, aquela feita do choque entre os novos sistemas. Lógico, portanto, iniciar o processo de reabsorção, que demorará anos, mas que uma vez começado não pode ser travado.

Obama encaixa um ponto importante na luta contra a Rússia e, uma vez ultrapassada a vazia e cenográfica oposição dos Republicanos, poderá apresentar-se ao resto do planeta como "homem de paz" (o único a ganhar o Nobel por méritos futuros) em contraposição com os representantes de Moscovo e Pequim.

Só tenho pena do Che, que nesta altura estará a revoltar-se no caixão; talvez a luta dele teria merecido um outro desfecho.


Ipse dixit.

12 comentários:

  1. Nunca e sempre não existem. Táticas e estratégias de sobrevivência entre as casas grandes e suas senzalas. Cuba sabe jogar bem o jogo. Estou certo que o admirável Che não concordaria com sua condolência.

    Gostei do que li. Sou grato.

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  2. Anónimo18.12.14

    depois que dilma subsidiou o porto cubano Obama ficou com medo de Putin mandar navios cargueiros com misseis e resolveu ficar de bem de Cuba para desgraçar com os Bric's. E já que o petroleo esta caindo junta-se a fome com a vontade de comer. Alias um bom artigo seria sobre a queda do preço do petroleo, logo agora que a Russia parece que virou a esquina da rua da amargura, que a Petrobras quebrou e a Unasul inaugurou sua sede no Equador....o que sera que a OPEP esta planejando?

    João Sem Braço

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  3. Uma das justificativas dos revolucionários foi acreditarem que Cuba se transformaria numa ilha casino dos norte americanos.
    Deixando de lado as questões ideológicas, acredito que a revolução não foi nada proveitosa para seu povo.

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  4. Passeando pela internet hoje li as coisas mais curiosas: "Vitória de Cuba", "Os EUA não reconheceram as razões da Revolução mas hoje dobraram-se perante a dignidade do povo cubano", "Após meio século da política de isolamento que falhou", etc. etc.

    Começamos com o dizer que hoje Cuba fez um grande favor aos Estados Unidos: escolheu normalizar os relacionamento numa altura complicada na óptica de Moscovo. Na partida de xadrez entre EUA e Rússia, hoje Washington ganhou um ponto. E seria interessante reflectir acerca das razões que levaram Cuba a apoiar os EUA.

    Quanto o resto: difícil ver um "desdobramento" dos EUA perante Cuba. A ilha teve um papel histórico, muito bem definido em particular a partir da crise dos mísseis. Mas hoje aquele papel está fora de jogo: já não serve. Não serve aos EUA, que já não querem jogar ao "olha o Comunista " (pois as prioridades são outras), não serve à Rússia (que há muito tirou a camisola vermelha), não serve aos BRICS (que precisam do livre mercado para crescer, não dum museu da cera).

    Paradoxalmente, servia apenas à Cuba, que desta forma conservava e reiterava diariamente a primogenitura moral do anti-imperialismo. Mas Havana hoje decidiu ao mesmo tempo ajudar os EUA e abrir (pouco, por enquanto) a porta ao inimigo histórico, o centro daquele imperialismo que sempre afirmou combater.

    Não tenham ilusões: este é o início do fim de Cuba. Demorará alguns tempos, como é óbvio, mas uma vez deixada entrar a célula capitalista, esta multiplica-se como um cancro, começando o seu meticuloso trabalho até o corpo todo estar pronto para ser devorado. Os EUA não deixarão fugir uma ocasião como esta.

    Pena. Mesmo não partilhando os ideais de Cuba, como escrito no artigo, sei que a ilha representava um ponto firme para muitos. Mas sobretudo era a prova de que é possível existir fora dos dois esquemas que agora imperam e que cedo ou tarde (mais cedo do que tarde) terão que resolver a questão duma vez por toda: um Capitalismo à moda dos EUA ou um Capitalismo à moda da China?

    De "diferentes" sobram só o Irão (que já está a "normalizar" parte dos seus relacionamentos com o Ocidente; mas também neste caso é preciso tempo e, sobretudo, há limites intransponíveis de outra natureza) e a Coreia do Norte (que todavia não vive mas sobrevive).

    Pouco, demasiado pouco para ser unicamente optimista.

    Abraço!!!

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  5. Anónimo18.12.14

    Já estive em cuba.
    Não fiz o turismo clássico. Aluguei um carro e andei por lá, dormi e comi em casas particulares, e em hotéis também algumas vezes.
    Acredito que o grande derrotado nesta história é o povo cubano. Compreensivelmente, os cubanos das novas gerações têm a avidez do consumismo ocidental. Os turistas mostram-lhes diariamente tudo aquilo que eles gostariam de ter mas que não podem comprar.
    Mas eles têm algo que nós já perdemos há muito: as relações humanas, a inocência, o valorizar o momento, o diálogo, a cultura, a salsa, etc.
    Falei com pessoal mais novo e com os mais velhos, e a visão é bem diferente. Os mais novos facilmente seduzidos pelas maquinas fotográficas, telemóveis e cª, aspiram à mudança. Já os mais velhos nem por isso. Ainda se lembram dos tempos do Fulgêncio Batista e de como era duro viver nessa altura.
    Se Cuba sucumbir ao modelo ocidental como é bem provável, no futuro os cubanos serão como nós: consumistas, egoistas, stressados, endividados, etc. etc.
    Perderão umas características mas ganharão outras.
    E termino com a minha frase favorita: E no final tudo não passará de uma piada!

    Krowler

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  6. Chaplin19.12.14

    O mundo parece conseguir sempre ficar pior...este foi mais capítulo...

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  7. Amarildo19.12.14

    O fim do embargo seria uma resposta indireta ao vazamento de emails da Sony por um grupo de hackers, que ao que tudo indica, tem ligações com a Coreia do Norte?

    Os EUA sentindo-se pressionados por esses terroristas antecipam a liberação do embargo, numa tentativa de amenizar a situação internacional com o eixo Pequim-Moscow-Irã e Coreia do Norte e virar o jogo diplomático a seu favor?

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    1. Anónimo19.12.14

      Oi Amarildo, os hackers e o vazamento de mails da sony é só o topo do icebergue. Desde à uns dias a própria net e o que está associado(telecomunicações)
      tem tido um comportamento estranho. Depende da localização geográfica. Na Suécia o principal provedor foi abaixo, o aeroporto principal de Londres ficou "cego".
      Certos serviços atm's não funcionavam ou estavam lentos.
      Para já e para não utilizar armas talvez mas talvez...pode tet começado uma guerra informática (hipótese), o grande problema é que grandes infraestruturas estão ligadas "ou mesmo sendo intranets" podem ser pirateadas desde que utilizem dados informáticos. Os ataques é uma constante 24h por 7 dias, mas agora parece que está a aumentar. O ataque de bsod a telia sonera, Heathrow, atm's.
      Isso explica até o que se passou na última sexta e parte de sábado.
      Peço desculpa pelo off topic.
      Nuno

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  8. Anónimo19.12.14

    Lamento, mas Cuba não terá muito tempo para usufruir deste capitalismo decrépito. Os alicerces do capitalismo estão ruindo e o que virá só Deus sabe, mas pelo desenhar, e se permitirmos, os terafinancistas se tornarão nossos imperadores. Quero entender apenas como se sairão desta patranha nuclear que se aproxima.

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  9. Nada disso, os EUA é que "ganharam" mais um fornecedor de matéria prima barata em troca de suas bugigangas, por isso o fim do bloqueio, fazem tudo por um bom fornecedor seja de petróleo, ópio, açucar, desde que haja bom preço.

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  10. Anónimo19.12.14

    https://www.youtube.com/watch?v=1qh-ZzjbvJc

    A Fiesp e os comunas. Estes caras seriam pitonisas? "Suspeitavam" sobre o fim do embargo. Só quem definitivamente não sabe de nada do que acontece neste mundo cão é o populacho.

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  11. Anónimo19.12.14

    Já tinha lido à meses, a net é útil quando se consegue separar o trigo do joio.
    É por isso que não irá durar muito nestes parâmetros. Saudades da anarquia de à 10 anos com uma ligação actual.
    Quanto a Cuba, ainda bem que acabou este bloqueio estúpido. Agora está nas mãos deles se querem ser mais em peão estúpido ou
    muito pelo contrário uma ilha de "luz".
    Sei que é romântico ou uma visão que pouco tem a ver com a realidade. Mas desejo a segunda hipótese, existem outras vias como a Islândia, o Equador...
    Abraços
    Nuno

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