07 dezembro 2014

Premiação!!!

E chegou ao fim o Grande Concurso "Ganha o Molho do Pescador!".

O painel de juízes composto por mim e mais ninguém reuniu-se e, após ter examinado todos os comentários, votou em unanimidade.

O melhor comentário foi aquele publicado no dia 5 de Dezembro pelo Leitor Max: um comentário muito bem escrito e particularmente profundo, o que realça a inteligência do Leitor, que deve ser pessoa simpática também.

Ehi, mas este Max...sou eu! Ahi minha nossa!

Grande surpresa meus senhores!!!
E esta surpresa demonstra além de qualquer dúvida a minha imparcialidade: ganhei e não estava à espera disso!

Mas, como sou geneticamente bom, eis a outra grande surpresa do dia: vou partilhar com todos os Leitores a misteriosa receita do Molho à Pescadora.
Aplausos!

Molho à Pescadora

Esta, meus senhores, é uma das duas receitas que costumo preparar na cozinha (a outra é arroz cozido sem nada, prémio dum próximo concurso) quando não tiver muito tempo e o desejo for comer algo quente, saboroso e rápido. De facto, o tempo de preparação é de 10 minutos mais ou menos. Muuuuito rápido. E muuuuuuito simples também.

Chama-se "à Pescadora" porque é algo que originariamente é preparado nos barcos dos pescadores da Liguria (a região de Genova) ao ficar no mar durante alguns dias.

Ingredientes:
  • 4 colheres de azeite
  • cebola q.b. (depende do gosto) 
  • 4 anchovas (de preferência aquelas sob sal)
  • 4 colheres de polpa de tomate
  • esparguetes q.b. (calculem que o molho feito com 4 anchovas dá para duas pessoas 
Acessórios (não indispensáveis mas ficam bem):
  • algumas alcaparras
  • um quarto de copo de vinho branco
  • alho
Prontos? Ok, vamos com a preparação.

Preparação:

Peguem numa panela e ponham a aquecer a água (meio litro chega) da massa.
Num tigela, ponham a aquecer o azeite e, quando estiver quente (mas não a ferver! Nunca deixar ferver o azeite!), juntar as cebolas.

A água da massa está a aquecer? Muito bem. Entretanto as cebolas já começaram a dourar, pelo que acrescentamos as anchovas: não é preciso corta-las, desfazem-se sozinhas (magia!) e rapidamente no meio do azeite, por isso misturar mas não com as mãos (usem uma colher).

Quando as anchovas estiverem desfeitas, podemos juntar a polpa de tomate. Baixem o fogo e deixem ferver sem cobrir (assim o líquido evapora e o molho fica mais denso).

A água da massa ferve? Ora bem, vamos juntar os esparguetes, a "pasta" em italiano.

Quanto tempo têm que ficar na água? Olhem, façam o favor: ignorem o que estiver escrito nas embalagens e deixem 5 minutos, não mais. A "pasta" não tem que ficar tipo argamassa para encher as ranhuras das paredes, o esparguete tem que ficar rijo, orgulhoso de ser um esparguete, tem que olhar para nós e dizer "Eu sou um senhor esparguete, rijo, saudável e agora parto tudo!". O molho denso serve mesmo para isso, para ser atirado por cima da cabeça do esparguete e acalma-lo antes que parta tudo.

Passaram 5 minutos? Desliguem tudo, água e molho. Não passem a massa por água fria, por nenhuma razão, nem se forem ameaçados! Isso retira o amido que é exactamente o que dá a virilidade ao esparguete.

Ponham num prato e, antes dos esparguetes saírem, mergulhem tudo com o molho. E comam. Queijo ralado? Com um molho de peixe? Mas estão a brincar ou quê?

Vamos ver os acessórios.

O vinho branco: aconselho, fica sempre bem com o peixe. Um quarto ou um terço de copo é suficiente, mas então deixem ferver uns 10 minutos para que evapore bem.

Alho: também fica bem (mas não muito). Muitas pessoas queixam-se de não conseguir digerir o alho. O que é falso: o que não digerem é a "alma" do alho, a parte central verde (ou amarelada) que deve ser removida. Partam o dente do alho ao meio, retirem a alma e conseguirão digerir tudo. Eu não costumo acrescentar porque assusta os vampiros e não me parece educado, mas se gostam então juntem.

Alcaparras. Boas as alcaparras, mas com sabor forte e muitas vezes salgadas: já temos as anchovas salgadas, pelo que juntem 3 ou 4 só se quiser sofrer.

Prepararam? Comeram? Gostaram? Mas onde encontram um blog de informação alternativa que até prenda so seus Leitores com molhos como estes? Realmente, vocês têm muita sorte.

Ok, então se calhar vamos começar a falar de puericultura.
Ou será "permacultura"?
Deve ser isso, permacultura...


Ipse dixit.

Pssssssssssst! Aconselho espreitar os comentários do concurso: há ideias bem interessantes que andam por aí... a permacultura é uma destas. Eu bem tentei ignorar até hoje, mas já vejo que mais não se pode...

7 comentários:

  1. Olá Max.

    Vou fazer, também sou "metido" a cozinhar.
    Não sou o que se pode dizer: " Ah, como esse cara entende de peixe", mas a denominação de anchova no Brasil, refere-se a um peixe de médio porte. Alguns chegam a pesar vários quilos.
    Certamente o seu molho não leva tudo isso. O equivalente brasileiro não seria a sardinha ? Ou algo mais salgado, como a aliche ?

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    Respostas
    1. Uhi...esta foi mesmo imprevista.

      A anchova é o Engraulis encrasicolus, diz Wikipedia, que acrescenta: "é um peixe pertencente à família Engraulidae".

      Muito útil. Agora é suficiente ir ao mercado e pedir 4 Engraulis encrasicolus bem fresquinhas.

      Vamos ver..."Alice"...sim, é ela: em italiano é este o outro nome da anchova! E de facto é um peixe pequenino.

      Fogo, nunca acabamos de aprender na vida...

      Obrigado Sergio! :)

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    2. OK.
      A nossa "anchova", faz-se assim:

      http://wp.clicrbs.com.br/cozinhasentimental/2014/03/13/anchova-grelhada-perfeita-para-qualquer-epoca-do-ano/?topo=52,2,18,,159,e159

      Abraço!

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  2. Chaplin8.12.14

    Já que o assunto é culinária, um belo prato da puerilcultura é aquela máxima: Nunca leve um homem à sério...hehe

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  3. Olá Max,

    para falar de permacultura eu sugiro que fales com o Hélder Valente.
    Tens aqui uma entrevista dele, no blog dele:

    http://sublimart.blogspot.pt/2011/04/helder-valente-fala-sobre-permacultura.html

    Acho que uma entrevista por Skype, ou algo semelhante seria muito giro e muito interessante mesmo ver o blog com outra dinâmica.
    Se quiseres entrar em contacto com ele, posso facilitar-te esse contacto.


    Um abraço Max,
    --
    R. Saraiva

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  4. Com pastas se toma vinho tinto... segundo a etiqueta francesa, que é a oficial, mesmo que lhe digam que anchovas é peixe, ela faz parte do molho ...e o prato é pasta com molho (deve ter ficado muito bom, já que ganhou premio!). Ademais... em peixes nunca se colocam alhos, não sei que regra gourmet é essa, pois se eu topo com peixes e alhos na cozinha também os junto... e já vi muito bacalhau com alho para entender quem foi o chef que disse que alho não se põe em peixes. (não deve ter sido um portugues, com certeza)

    Mas... se um dia estiveres a acampar e for um acampamento modesto, no lugar das anchovas, experimente abrir uma lata de sardinhas e improvisar o molho com elas, todos vão querer repetir o prato. (este prato, também premiado, é de autoria de meu pai).

    Ah...! como é bom falar de amenidades depois de tanta conspiração mundial contra a natureza humana do viver pacatamente!

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  5. Anónimo9.12.14

    Max, saber como se faz o verdadeiro molho pesto à italiana é que dava jeito...pode ensiná-lo?
    A propósito: quem não tem anchovas nem sardinhas, usa atum em lata...

    E quanto a sugestões para discussão de políticas e práticas de mudança, começo por sugerir que se visitem estes sites:
    http://cidadania-europeia.blogspot.pt/
    https://www.thevenusproject.com/
    http://www.mrb.pt/
    http://www.apodrecetuga.blogspot.pt/
    http://www.libertar.in/
    http://greensavers.sapo.pt

    E já que falaram em permacultura, eu falo noutra coisa:
    http://www.thehorticulturalchannel.info/
    https://www.youtube.com/user/thehortchanneltv/videos

    Para além disso, acho que cultivar alimentos dentro de casa é possível, mas esta deve estar já de si construída de raiz com uma configuração que assim o permita. Acho que se deviam construir bairros inteiros destinados à microprodução, quer alimentícia, quer energética. Frank Lloyd Wright sugeriu casas que tivessem espaço para as pessoas se poderem mexer, e também para cultivar coisas. No entanto, vamos na era dos microapartamentos. Daqui a abocado vamos viver como o taxista de "O 5º. elemento" vivia...

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