30 dezembro 2014

Zac! A tesoura e o "Plano de Paz" do Oriente Médio

- Queridos Leitores do blog, eis uma entrevista muito especial: temos connosco Pai Natal, que acaba de trazer uma incrível prenda para todo o povo da Síria. Bem vindo Senhor Pai Natal.
- Uh? Ah, sim, bom dia e Boas Festas para todos.
- Então, Senhor Pai Natal, ouvimos dizer que entre as prendas deste ano também há um plano de Paz para a Síria, é verdade?
- Yep, verdade. Estava aí na minha cabana, perto do fogo, quando pensei "Epá, aqueles gajos da Síria mereceriam um bonito plano de Paz, não é? Afinal há mais de dois anos que estão em guerra", um pouco de descanso nem seria mal.
- Fantástico! Então?
- Então chamei as renas e juntos pensámos em algo. Algo simples, claro está, mas algo que vai satisfazer todos. Ou quase.
- "Ou quase"?
- Sabe como é , há sempre alguém que ralha, nem eu posso evita-lo, mas enfim...Olhe, até fizemos um mapa com o mar, as fronteiras e tudo...
- Mas é maravilhoso! Assim, Senhor Pai Natal, pode explicar em que consiste este plano?
- Com certeza. Tome, este é o mapa, não sei se deseja publica-lo para os Leitores...
- Óptima ideia, aqui está:


- Senhor Pai Natal, este mapa parece um pouco confuso...
- Nada disso: olhem, pega-se na Síria e corta-se em três partes. Depois pega-se no Iraque e corta-se em três partes também. Depois pega-se na parte mais pequena, aquela perto do Mar Mediterrâneo, está a ver?
- Aquela parte minúscula?
- Isso mesmo: aquela é a nova Síria de Bassad. Só que agora passa a chamar-se Alawitestan.
- E porquê?
- Porque sim. Depois pega-se no Norte, está a ver?
- Sim...
- E junta-se ao outro pedaço que tínhamos retirado do Iraque: isso vai formar o Kurdistan.
- De facto os Curdos merecem um País deles mas...
- Ora bem! Depois o Iraque. Para que serve um Iraque tão grande? Cortar, cortar tudo. Agora passa a chamar-se Shiitestan e fica bem mais pequeno, o que facilita nas limpezas de Primavra também. O que sobra? Simples, esta parte, a maior, que é o Sunnistan.
- Onde fica o petróleo todo...
- Sim, mas este é um pormenor. Aí vão viver os rebeldes moderados.
- O que são estes rebeldes "moderados"?
- ...são...são aqueles que atiram bolas de neve em vez que balas de chumbo.
- Bolas de neve? No deserto?
- Bom, meus meninos, isso agora não interessa: o que conta é o espírito do Natal!
- Mas Senhor Pai Natal, acha mesmo que este plano vai resultar?
- Claro que sim! É por isso que preparei outros planos também!
- Outros?
- Óbvio! Olhem este: a nova Líbia. Quer publicar?
- Sim, obrigado:


- Vê? Aqui é ainda mais simples. Zac, zac e zac!
- "Zac, zac e zac"?
- Exacto: antes uma Líbia, agora a Tripolitánia, a Cirenáica e o Fezzan. Querem ver mais? Olhem o Yemen:


- Senhor Pai Natal...
- Zac e zac! Publique, publique que a gente gosta!
- Senhor Pai Natal, uma pergunta...
- Mais? Aqui está, olhem a Arábia Saudita: tão grande, cheia de areia, nem se sabe onde começa e onde acaba. Zac, zac, zac e zac! Eis cinco Estados novinhos em folha! Publique, publique!


- Senhor Pai Natal...
- Diga, quer que corte o Irão também? Custa nada...
- Não, acalme-se, não quero que corte mais nada. Diga uma coisa, Senhor Pai Natal: você não fez este trabalho, pois não?
- Que dizer...
- E nem foi a rena Rodolfo, justo?
- Eu...
- De quem são estas ideias?
- Não é culpa minha, juro! Eu não queria, eu queria só levar umas prendas mas eles disseram "Ou levas isso ou vamos retirar-te a licença de voo"!
- "Eles" quem?
- Os falcões de Washington.
- E deram-lhe estes mapas?
- Sim, este é o plano que querem apresentar na Conferência de Paz de Moscovo, em Janeiro. Olha, até foi publicado no ano passado no New York Times, vês? Mas agora insistem, querem dividir tudo, eu não queria, queria levar só uns brinquedos mas eles são maus!
- Espere, não chore, deixe ver na internet...ehi, é verdade: também Thierry Meyssan diz o mesmo...
- Claro, eu sou Pai Natal, nunca minto! Que dizer, só se alguém quiser retirar-me a licença de voo...
- Senhor Pai Natal, olhe, eu acho que pode ficar descansado: estes planos são demasiado estúpidos para poder tornar-se realidade.
- Pois, foi o que disse Rodolfo também. Mas o ponto é outro. Olhe o que diz o Meyssan no diário Al-Watan desta semana.
- Está tudo em árabe, não entendo...
- Não faz mal, eu traduzo: "Claro, alguns dirão que os "falcões liberais" não podem esperar de alcançar este plano como um todo. Mas mesmo realizar apenas a centésima parte dele tornaria inevitável uma nova guerra".
- Pois, é bem capaz de ter razão... 


Ipse dixit.

Fontes: Thierry Meyssan - O incrível plano de paz EUA para a Síria (Al-Watan via Megachip), The New York Times

2 comentários:

  1. Anónimo30.12.14

    Quando vi o primeiro mapa achei que era uma piada.
    E a piada maior, é apresentar esta proposta na Conferência de Paz em Moscovo.

    Krowler

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  2. Anónimo30.12.14

    Admito que ja me causavam alguma preocupação mas ao ler isto ainda mais. Quere-me parecer que quem manda nos eua perdeu por completo a noção da realidade e de bom censo. Estão completamente tresloucados e com redea solta, o limite dos seus delirios é directamente proporcional á quantidade de cocaina que consomem. Poucos os conseguem segurar, o que é preocupante devido ao poder bélico daquela nação. Achava eu que o Alex Jones era exagerado em relação á brutalidade e prepotencia policial e qual não é o meu espanto apos assistir a mais de 50 videos no youtube que um ate um pacato cidadão, branco de cabelo loiro , com boa aparencia que nada de errado fez e apenas esta a seguir a sua vida por ter o azar de estar no sitio errado a hora errada se cruza com um policia que lhe grita, mente das leis, inventa contra ordenacoes para o multar, intimida o algema e que acaba por se ver rodeado por um bando de 20 policias. Ou o caso de outro cidadão que estava estacionado no seu carro e sofre o embate de um carro da policia e depois é algemado e vai preso. Ou uma mulher gravida que é atirada contra o chão e acaba por abortar. Ou os agentes da TSA (segurança nos aeroportos) que se aproveitam para apalpar e roubar durante as revistas. Isto é autoritarismo no seu explendor, a policia la incita o conflito. Moral da historia: se são assim para os seus sob as suas leis imagine-se como serão eles para os outros.

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