30 dezembro 2014

Zac! A tesoura e o "Plano de Paz" do Oriente Médio

- Queridos Leitores do blog, eis uma entrevista muito especial: temos connosco Pai Natal, que acaba de trazer uma incrível prenda para todo o povo da Síria. Bem vindo Senhor Pai Natal.
- Uh? Ah, sim, bom dia e Boas Festas para todos.
- Então, Senhor Pai Natal, ouvimos dizer que entre as prendas deste ano também há um plano de Paz para a Síria, é verdade?
- Yep, verdade. Estava aí na minha cabana, perto do fogo, quando pensei "Epá, aqueles gajos da Síria mereceriam um bonito plano de Paz, não é? Afinal há mais de dois anos que estão em guerra", um pouco de descanso nem seria mal.
- Fantástico! Então?
- Então chamei as renas e juntos pensámos em algo. Algo simples, claro está, mas algo que vai satisfazer todos. Ou quase.

29 dezembro 2014

Bem vindo o colapso (e Bom Ano Novo!)

Olá queridos Leitores do blog!

Que dia é hoje? 29 de Dezembro.
Isso significa que em breve o ano vai acabar. Paciência, costuma haver outro. E parece que o novo terá o nome de 2015. Bonito, sem dúvida.

Então, vamos aos votos? Isso, os votos.
O que podemos dizer como voto? Bom Ano? Feliz 2015?

Olhem, vou ser sincero: estou farto. Não do blog, não da vida, ora essa. Estou farto de nós, que vivemos como idiotas. E que podemos viver só como idiotas, ao que parece. Acho ser preciso um reset, um Ctrl+Alt+Delete.

Perdi a esperança? Sim, mas não no Futuro: no Presente. Estamos longe dum sistema que possa ser definido minimamente "inteligente", "são", "justo"...demasiado longe. E acho também que isso não vai endireitar-se. Não é apenas a sociedade podre, são os alicerces que foram estragados.

Pegamos na política. É uma coisa aborrecida a política? Não, não é: nós, todos nós fazemos política continuamente. Ligar o carro é um acto político, comprar o pão é um acto político. Mas há um outro nível político que desapareceu, totalmente.  

26 dezembro 2014

2015: as previsões de Gerald Celente

Previsões! Previsões!

O ano de 2015 se aproxima (ou "aproxima-se"...ainda não entendi esta coisa) e eis que chegam as previsões.

Aqui vão as previsões de Gerald Celente que, lembramos, não é um astrólogo ou algo do género: é um "futurólogo", alguém que analisa a sociedade para individuar as tendências do futuro.

Como? Lendo as estrelas? Entrando em trance? Nada disso: utilizando, por exemplo, as análises de pessoas como o economista Paul Craig Roberts, o jornalista económico Nomi Prins, o escritor Bennett Davis e outros especialistas ainda.

Então vamos ver as nove tendências individuadas pelo simpático Gerald em ocasião de 2015, tais como foram apresentadas no Academy Building em Kingston, pertinho de New York.

23 dezembro 2014


Reabrimos no dia 26 de Dezembro!

Queridos irmãos e irmãs,

aproxima-se o Natal e, como do costume, o blog retira-se em meditação ao longo de um par de dias.
Serão poucos, mas suficientes para profundos pensamentos acerca do nosso destino e, sobretudo, para almoços e jantares requintados.

Sejam bons. Este é o verdadeiro espírito do Natal. Eu sei que é uma seca, mas tenham paciência, são apenas poucos dias, a partir do dia 6 de Janeiro já poderão deixar de ser bons para voltar à normalidade.

Fugiam do materialismo, não abram presentes custosos, não deixem que o Demónio possa entrar nos vossos corações! Peguem nas prendas mais caras e enviem-as todas para mim, que eu sou imune às tentações e saberei como utiliza-las (vou atira-las para uma fogueira santa, prometo).

Fechem o gás antes de sair.
E fiquem bem.

Para todos os Leitores do blog:
Um Grande Obrigado e Votos de Feliz Natal!

Ipse Dixit!

Fonte: Pai Natal

22 dezembro 2014

Afeganistão, Nato e droga: mais do mesmo

O que traz Pai Natal? O que traz de bom?
No Afeganistão traz um monte de heroína.

Não "muita", mas um monte mesmo: o País acaba de alcançar um novo recorde na produção de ópio. E agora temos também a cannabis, que não é cultivada par fins médicos de certeza...

Surpresa? Nenhuma.
Desde 2002, cada ano marcou um novo aumento da produção de ópio no País: quanto mais os Talibans recuarem, quanto mais território for "libertado", tanta mais heroína aparece. Não é a primeira vez que o blog trata deste assunto (ver links no final do artigo), mas é sempre para dar a mesma notícia, todos os anos: a produção de droga no Afeganistão aumentou.

19 dezembro 2014

Os dois lados da Justiça

...e depois dizem: "Já não há justiça!".
Claro que há, é só saber vê-la.

Tomamos os Estado Unidos, por exemplo: na semana passada o juiz Carmen Mullen, da Carolina do Sul, decidiu anular a condenação que tinha sido infligida a um rapaz preto, George Stinney de 14 anos.

George tinha sido condenado à morte por causa do assassinato de Maria Emma Thames e Betty June Binnicker, respectivamente de 7 e 11 anos.

Maria e Betty tinham sido espancadas com uma barra de ferro na pequena cidade de Alcou e apenas algumas semanas depois George foi preso após ter sido visto a colher flores (o que é sempre suspeito, de facto). Levado até a esquadra de polícia, George nem teve a permissão de ver os seus pais até as autoridades afirmarem que o jovem tinha confessado.

Os 33 segundos da Amazon

O que faz um jornalista da BBC infiltrado num armazém da Amazon com uma câmara ao longo dum mês?

Simples: documenta as condições de trabalho. Foi isso que fez o repórter Adam Littler há um ano: 30 dias nos bastidores da Amazon, para ver como funcionam as coisas.

E não, trabalhar na Amazon não é bem o Paraíso...

O jornalista foi equipado com um mini computador e um carrinho no qual a recolher os produtos que era encarregado da recuperação. Tinha que encontrá-los antes do termo de uma contagem regressiva de 33 segundos e, em caso de erro, tocava o alarme (parte dum identificador associado a cada trabalhador). Obviamente, mais alarmes significam um desempenho escasso, o que é passível de acção disciplinar.

18 dezembro 2014

Cuba: a História não pára

Outro pedaço de História que desaparece.

Mesmo não compartilhando os ideais políticos (é o caso deste blog), é preciso reconhecer o importante papel desenvolvido por Cuba ao longo das décadas. A ilha conseguiu ser um ponto de referência para todos aqueles que tentavam procurar um farol que conseguisse distinguir-se no meio da normalização "democrática" e liberal em parte imposta e em parte escolhida pela nossa sociedade. Foi positivo até ter durado.

Mas o tempo passa, Cuba tinha atingido os seus objectivos e agora arriscava ficar como um corpo estranho na actualidade, aquela feita do choque entre os novos sistemas. Lógico, portanto, iniciar o processo de reabsorção, que demorará anos, mas que uma vez começado não pode ser travado.

Obama encaixa um ponto importante na luta contra a Rússia e, uma vez ultrapassada a vazia e cenográfica oposição dos Republicanos, poderá apresentar-se ao resto do planeta como "homem de paz" (o único a ganhar o Nobel por méritos futuros) em contraposição com os representantes de Moscovo e Pequim.

Só tenho pena do Che, que nesta altura estará a revoltar-se no caixão; talvez a luta dele teria merecido um outro desfecho.


Ipse dixit.

17 dezembro 2014

Quem são so Talibans?

O massacre de Peshawar, onde um commando taliban invadiu a escola militar local, matando 141pessoas incluindo 130 jovens estudantes, chamou a atenção internacional acerca desta comunidade.

Afinal quem são os Talibans? Qual a origem deles? Em que diferem dos restantes Muçulmanos?

Começamos pela origem.
Os Talibans (também escrito Taleban, Talibã ou Talebã) nascem como movimento de resistência do Afeganistão no período da invasão soviética (1979-1989); mais tarde, com a retirada dos Russos, abriu-se uma altura de transição e de luta entre as várias etnias e grupos políticos/religiosos do País, no final da qual emergiram os Talibans.

Da CIA, das torturas e do 9/11

Não sou um grande apreciador do jornalista Thierry Meyssan.

Será pelo facto dele ter feito parte do grupo de Bernard Tapie, um indivíduo no mínimo suspeito (2 anos de cadeia por corrupção, 18 meses por fraude fiscal, 3 anos por falsificação de documentos), ou por ter apoiado Christiane Taubira (ministra da justiça com Sarkozy).

Mas estes são pareceres pessoais: Meyssan não deixa de ser um bom jornalista que tem no seu activo algumas investigações importantes, como aquela do Opus Dei, aquela acerca da Direita francesa ou sobre o 11 de Setembro de 2001.

E hoje até fica ainda mais simpático, pois deu-se o trabalho de ler todas as 525 páginas do relatório que a Comissão do Senado americano publicou acerca da tortura. Fica assim mais simples ir e espreitar o documento para realçar as partes mais importantes, sem esquecer que a secção pública, aquela desclassificada, corresponde a apenas um duodécimo do relatório inicial (a restante parte continua sob sigilo).

16 dezembro 2014

O dia da vergonha

O que aconteceu no Paquistão não tem descrição.

Nem falamos aqui de justificação: é difícil até descrever aquilo que se passou, falta o termo. "Horror" não chega, "massacre" não dá a ideia. Foi um daqueles actos que envergonham a raça humana, toda ela. 141 mortos, dos quais mais de 100 crianças e rapazes entre 10 e 20 anos, assassinados a sangue frio, com um golpe na cabeça.

Responsável do ataque um commando de Tehreek-e-Taliban (TTP), grupo talibans.
Os terroristas entraram na escola, atiraram gasolina contra os professores, deram-lhes fogo, obrigaram os estudantes a observar. Depois começou a matança.

No Ocidente começou a aparecer a palavra Al-Qaeda. Nada disso: o TTP é uma organização que recolhe 20 grupos extremistas, enraizada nas áreas tribais do Paquistão. Tem como objectivos a aplicação da lei da Sharia nas áreas que fazem fronteira com o Afeganistãoa Jihad defensiva contra o exército paquistanês e a libertação de dezenas de militantes em prisão. 

Ricardinho e a propaganda

Abrimos o diário Expresso e o que encontramos?
Um editorial do Director, o simpático Ricardo Costa.

Assunto: o atentado da Austrália.
Uhi, o terrorismo está de regresso...vamos ler alguns excertos, faz sempre bem ficarmos informados:
De Sydney a Kobane são mais de 14 mil quilómetros. Mas a proximidade entre a mais importante cidade australiana e a localidade mais disputada pelo Estado Islâmico é imensa, como muita gente começou a perceber nas últimas horas. A ação terrorista que tomou de assalto um café no centro de Sydney é surpreendente, mas não é uma surpresa. Há algum tempo que as autoridades australianas tinham subido o seu nível de risco para ataques terrorista para "muito alto". [...]

15 dezembro 2014

Drogas e guerra: o Captagon

Tinha sido Lord Palmerston, o grande arquiteto da política britânica a serviço da Rainha Victoria, a apoiar o desenvolvimento do comércio das drogas, para o qual o Grão-Mestre do Rito Escocês da Maçonaria até inventou duas guerras: a primeira e a segunda Guerra do Ópio contra a China.

A partir daquela altura, a Grã-Bretanha foi capaz de controlar mais de três quartos do enorme comércio chinês da droga.

As mesmas famílias de ascendência escocesa que exerceram o comércio de ópio no Oriente, também exerceram o comércio de escravos e de algodão nos Estados Unidos, juntamente com os banqueiros Rothschild e os sionistas Kuhn e Lehman em New York,.

E esta não é conspiração: é História. O binómio droga-guerra não é novo, portanto.

A guerra do Vietnam viu soldados americanos moralmente desfeitos com a heroína, que se tornou um verdadeiro costume entre as tropa em busca de coragem. Quantos soldados voltaram da frente viciados? Provavelmente 25%, como mais tarde aconteceu com os veteranos soviéticos no Afeganistão.

Se na Primeira Guerra Mundial as bebidas alcoólicas eram abundantemente distribuídas nas trincheiras, na Segunda foram a cocaína e as anfetaminas (surgidas na década dos anoso '20) a vencer a fadiga e medo.

E nos nossos dias? A arma secreta do Isis tem um nome: Captagon.

14 dezembro 2014

Desigualdade canina

- Leo? Vens aqui!
- Como se diz?
- Ok, ok, desculpa...vens aqui se faz o favor.
- Ah, bem me parecia. E a bolacha?
- As bolachas acabaram.
- !!!!!!!!!!!!!
- É Domingo, onde queres que vá comprar as bolachas?
- No centro comercial.
- Perto do Natal? Estás a brincar, não é?
- Um bom dono faria isso e muito mais para o seu cão.
- Isso, é por causa disso que te chamei.
- Queres que vou eu? Sozinho? Um cão no meio da rua, com a chuva, a neve e o frio?
- Mas qual neve? Está o sol e vives perto do mar...
- Nunca se sabe, a entropia sempre ameaça o destino dos cães.
- Sim, tá bom, a entropia...olha, preciso de ajuda. Estamos perto do Natal, é Domingo e gostava de propor aos Leitores do blog algo positivo.
- Escreve a receita do pesto.
- Isso ao longo da semana, hoje é Domingo, queria algo especial...
- Escreve que acabaram as minhas bolachas.
- Isso não interessa.
- Eu estou interessado.
- Leo, por favor...
- Está bem. Olha, escreve que a desigualdade no mundo está a diminuir.
- O quê?
- Vais ver na página do Niú Iorc Táims.
- O New York Times?
- Exacto.
- Deixa ver...ehi, é verdade!
- Claro, eu sou cão informado dos factos.

12 dezembro 2014

Solidão

Segundo o filósofo escocês Thomas Hobbes, no estado natural das coisas, antes do surgimento duma autoridade que pudesse exercer o controle, estávamos todos em guerra "um contra os outros". 

Homo homini lupus, o homem é o lobo do homem tinha já dito Plauto (254-184 d.C.) e Hobbes deu popularidade à expressão.


Todavia, ao mesmo tempo, o homem é um animal social: desde o início foi um criatura que necessitava dos outros para sobreviver. E agora? Somos mais lupus ou mais sociais? Nem uma nem outra coisa: estamos sozinhos.

A doença da solidão

Um estudo do britânico The Independent observa que a doença da solidão grave aflige 700.000 homens e 100.000 mulheres por cada milhão de pessoas com mais de 50 anos, e a coisa está a desenvolver-se a um ritmo impressionante. Também porque os jovens adultos sofrem do mesmo mal.

A solidão mata duas vezes mais do que a obesidade: demência, hipertensão arterial, alcoolismo, acidentes, depressão, paranóia, ansiedade e suicídio ocorrem mais frequentemente quando os relacionamentos com os outros ficam interrompidos. Não somos capazes de ficar sozinhos, esta é a verdade.

Greenpé

A intenção nem era má.

Enviar uma mensagem para os grandes do mundo reunidos em Lima, no Peru, para discutir das mudanças climáticas.

Devem ter pensado muito, exprimindo todos os neurónios, até encontrar a maneira melhor. E encontraram, mais ou menos: uma mensagem escrita no local emblemático das linhas de Nazca, património da Humanidade.

O kit de sobrevivência federal

Notícia esquisita que mereceu um controlo ainda mais acurado.

Segundo o site Zero Hedge (que costuma ser de confiança), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos gastou 200.000 Dólares em kits de sobrevivência para os funcionários que supervisionam o sistema bancário federal.

O montante de 200 mil Dólares não é uma fortuna: pouco mais de 161.000 euros ou 517.000 Reais.
Pouca coisa, mas suficiente para os mais de 3.000 dependentes da agência Comptroller of the Currency (OCC).

A óbvia pergunta é: mas porque raio o Departamento do Tesouro entrega aos dependentes um kit de sobrevivência?

11 dezembro 2014

Referendo: sair do Euro


Começa hoje em Italia a recolha de assinaturas para que seja realizado o referendo para sair do Euro. É organizado pelo Movimento 5 Stelle numa altura delicada: as últimas sondagens evidenciam como a maioria absoluta dos Italianos estão fartos da moeda única.

Haverá assim um referendo para que os cidadãos possam escolher se ficar ou não na Zona NEuro?
A resposta é negativa: não acredito que haverá este referendo, a classe política não está minimamente intencionada a concede-lo, mesmo com a apresentação do número de assinaturas requeridas (500 mil que, acho, serão recolhidas sem muitos problemas) haverá "algo" que impedirá a consulta popular. Provavelmente será o Tribunal Constitucional a chumbar a iniciativa, agarrado a uma migalha burocrática qualquer.

Mas não é isso que importa agora. O que conta é que estamos perante da primeira iniciativa de voto popular contra o Euro organizada por um movimento parlamentar (inclusivamente, o segundo partido em Italia).

Monsanto: o algodão que mata

Jeffrey Smith não gosta de Organismos Geneticamente Modificados. Entrevistado pela emissora Russian Today, Smith avisa que a Monsanto conseguiu forçar os agricultores indianos para estes comprem as sementes OGM: o resultado é que está a espalhar em todo o mundo organismos alterados para que no futuro ninguém possa competir com sementes puras.

O objectivo, portanto, é obter um monopólio das sementes e, portanto, da produção.

Mas há pior: em média, por causa da Monsanto, a cada 30 minutos na Índia um agricultor comete suicídio. De acordo com o Center of Human Rights and Global Justice (Centro de Direitos Humanos e Justiça Global, CHRGJ) nos últimos 16 anos mais de 250 mil agricultores indianos suicidaram-se.
A razão é simples: tornaram-se incapazes de sustentar as suas famílias.

O problema principal reside num produto em particular da Monsanto, o Algodão Bt.

10 dezembro 2014

A Vida


Música: Peter McBrearty

Ipse dixit.

A ONU e a estranha ligação

Novo bombardeio de israel em território sírio.
É normal: Tel Avive é uma das duas capitais que em qualquer altura podem ordenar ataques contra Países soberanos sem que nada aconteça.

O exército da estrela de David tem bombardeado algumas posições militares na Síria, supostamente para destruir mísseis e armas destinadas do Hezbollah, o movimento de resistência xiita libanês que luta contra as milícias islâmicas.

Não é a primeira vez que nos últimos três anis as forças militares israelitas realizaram ataques em território sírio. A última ocasião ocorreu em Março, quando os alvos tinham sido algumas posições militares do governo sírio na região de Quneitra, perto das Colinas de Golã ocupadas por israel em 1967.

Após o bombardeio, as autoridades sírias informaram que "o inimigo israelita atacou a Síria tendo como alvo duas regiões na província da capital: o sector de Dimas, perto da fronteira com o Líbano, e o aeroporto internacional de Damasco". O governo sírio denunciou também a agressão "que mostra o envolvimento directo de israel em apoio, junto com outros países ocidentais e outros países da região, ao terrorismo na Síria".

09 dezembro 2014

Torturas da CIA: o relatório do Senado

Até que chegou: o tão temido relatório acerca das torturas praticadas pelos Estados Unidos revela o que já era sabido.

Alguns pormenores inéditos, justo para poder fazer o mea culpa, depois em frente: novas aventuras estão à espera.

Demorou 5 anos, foram consultados seis milhões de documentos. Nada menos. E a CIA colaborou. Eis o detalhe verdadeiramente importante: assumiu toda a responsabilidade, a Casa Branca e o Congresso foram enganados. É a admissão: os serviços secretos dos EUA não respondem aos governantes, percorrem um outro caminho, com objectivos que não são dados a conhecer.

O resumo é simples: a tortura foi amplamente utilizada e com escassos resultados.

Noves pontos contra a fome no mundo

A Etiópia, sede da histórica de fome, de guerras, de secas e de devastações humanas indescritíveis,
acaba de colocar nos mercados uma oferta de Títulos de Estado, um valor de 1 bilião de Dólares.

Mas quem raio iria comprar 1 bilião de Dólares de Títulos da Etiópia? Qual investidor seria tão louco de gastar o seu dinheiro num País em pleno desespero?

Resposta: os abutres que frequentam o elegante mundo da Alta Finança. Estes correram a comprar os títulos do governo etíope, ao ponto que a procura atingiu não 1 bilião mas 2.6 biliões de Dólares.

Há algo que não bate certo, não é? De repente, todos dispostos a ajudar quem mais precisa? Todos com as lágrimas nos olhos pensando naquela pessoas que morrem de fome, sem um mínimo de assistência médica?
Não é bem assim.

08 dezembro 2014

EUA: certas coisas nunca mudam (quando a inteligência é 2%)

O dia 04 de Dezembro de 2014 poderá muito bem ser lembrado como uma das datas significativas no percurso que levará até uma futura (e por enquanto apenas possível) guerra mundial.

As 16 páginas da Resolução aprovada pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América, com 410 votos a favor e 10 contra (quatro deputados republicanos e seis democratas), são um passo decisivo naquela direcção.

Escreve o sempre óptimo Pepe Escobar nas páginas de Facebook:
Não vou conseguir realçar suficientemente quanto terrificante e estúpido seja tudo isso.
E tem razão, não é simples.

O Congresso dos EUA apela ao Presidente para "examinar" a "prontidão" e a "responsabilidade" das forças armadas dos Estados Unidos, mas também aquelas dos aliados da Nato, para saber se serão "suficientes" ao fim de "cumprir as obrigações de defesa colectiva nos termos do artigo 5º do Tratado do Norte Atlântico". Não é uma declaração de guerra, mas o sentido é claro, também porque toda a resolução é dedicada à Rússia.

07 dezembro 2014

Premiação!!!

E chegou ao fim o Grande Concurso "Ganha o Molho do Pescador!".

O painel de juízes composto por mim e mais ninguém reuniu-se e, após ter examinado todos os comentários, votou em unanimidade.

O melhor comentário foi aquele publicado no dia 5 de Dezembro pelo Leitor Max: um comentário muito bem escrito e particularmente profundo, o que realça a inteligência do Leitor, que deve ser pessoa simpática também.

Ehi, mas este Max...sou eu! Ahi minha nossa!

Grande surpresa meus senhores!!!
E esta surpresa demonstra além de qualquer dúvida a minha imparcialidade: ganhei e não estava à espera disso!

Mas, como sou geneticamente bom, eis a outra grande surpresa do dia: vou partilhar com todos os Leitores a misteriosa receita do Molho à Pescadora.
Aplausos!

Molho à Pescadora

Esta, meus senhores, é uma das duas receitas que costumo preparar na cozinha (a outra é arroz cozido sem nada, prémio dum próximo concurso) quando não tiver muito tempo e o desejo for comer algo quente, saboroso e rápido. De facto, o tempo de preparação é de 10 minutos mais ou menos. Muuuuito rápido. E muuuuuuito simples também.

Chama-se "à Pescadora" porque é algo que originariamente é preparado nos barcos dos pescadores da Liguria (a região de Genova) ao ficar no mar durante alguns dias.

Ingredientes:
  • 4 colheres de azeite
  • cebola q.b. (depende do gosto) 
  • 4 anchovas (de preferência aquelas sob sal)
  • 4 colheres de polpa de tomate
  • esparguetes q.b. (calculem que o molho feito com 4 anchovas dá para duas pessoas 
Acessórios (não indispensáveis mas ficam bem):
  • algumas alcaparras
  • um quarto de copo de vinho branco
  • alho
Prontos? Ok, vamos com a preparação.

Preparação:

Peguem numa panela e ponham a aquecer a água (meio litro chega) da massa.
Num tigela, ponham a aquecer o azeite e, quando estiver quente (mas não a ferver! Nunca deixar ferver o azeite!), juntar as cebolas.

A água da massa está a aquecer? Muito bem. Entretanto as cebolas já começaram a dourar, pelo que acrescentamos as anchovas: não é preciso corta-las, desfazem-se sozinhas (magia!) e rapidamente no meio do azeite, por isso misturar mas não com as mãos (usem uma colher).

Quando as anchovas estiverem desfeitas, podemos juntar a polpa de tomate. Baixem o fogo e deixem ferver sem cobrir (assim o líquido evapora e o molho fica mais denso).

A água da massa ferve? Ora bem, vamos juntar os esparguetes, a "pasta" em italiano.

Quanto tempo têm que ficar na água? Olhem, façam o favor: ignorem o que estiver escrito nas embalagens e deixem 5 minutos, não mais. A "pasta" não tem que ficar tipo argamassa para encher as ranhuras das paredes, o esparguete tem que ficar rijo, orgulhoso de ser um esparguete, tem que olhar para nós e dizer "Eu sou um senhor esparguete, rijo, saudável e agora parto tudo!". O molho denso serve mesmo para isso, para ser atirado por cima da cabeça do esparguete e acalma-lo antes que parta tudo.

Passaram 5 minutos? Desliguem tudo, água e molho. Não passem a massa por água fria, por nenhuma razão, nem se forem ameaçados! Isso retira o amido que é exactamente o que dá a virilidade ao esparguete.

Ponham num prato e, antes dos esparguetes saírem, mergulhem tudo com o molho. E comam. Queijo ralado? Com um molho de peixe? Mas estão a brincar ou quê?

Vamos ver os acessórios.

O vinho branco: aconselho, fica sempre bem com o peixe. Um quarto ou um terço de copo é suficiente, mas então deixem ferver uns 10 minutos para que evapore bem.

Alho: também fica bem (mas não muito). Muitas pessoas queixam-se de não conseguir digerir o alho. O que é falso: o que não digerem é a "alma" do alho, a parte central verde (ou amarelada) que deve ser removida. Partam o dente do alho ao meio, retirem a alma e conseguirão digerir tudo. Eu não costumo acrescentar porque assusta os vampiros e não me parece educado, mas se gostam então juntem.

Alcaparras. Boas as alcaparras, mas com sabor forte e muitas vezes salgadas: já temos as anchovas salgadas, pelo que juntem 3 ou 4 só se quiser sofrer.

Prepararam? Comeram? Gostaram? Mas onde encontram um blog de informação alternativa que até prenda so seus Leitores com molhos como estes? Realmente, vocês têm muita sorte.

Ok, então se calhar vamos começar a falar de puericultura.
Ou será "permacultura"?
Deve ser isso, permacultura...


Ipse dixit.

Pssssssssssst! Aconselho espreitar os comentários do concurso: há ideias bem interessantes que andam por aí... a permacultura é uma destas. Eu bem tentei ignorar até hoje, mas já vejo que mais não se pode...

Desejo, Prazer & Felicidade

Sabemos como é: o Capitalismo não funciona, é injusto etc., etc... Sabemos isso, estamos fartos de ler estas coisas e todos mais ou menos concordamos.

Mas abandonemos por um momento o dinheiro, a Finança, as desigualdades, as injustiças, e perguntamos: o que deveria proporcionar uma sociedade "boa"? O bem estar de todos cidadãos, parece evidente: promover a saúde e a independência económica, estas são as bases.

Mais: a possibilidade dos cidadãos verem realizadas as suas aspirações. Criar um família, crescer os filhos num ambiente confortável; ou cultivar os relacionamentos interpessoais, ter acesso à cultura; ou ainda ter os instrumentos para escolher e gerir as suas vidas segundo as exigências pessoais. Ou tudo isso junto.

Resumindo: conseguir viver duma forma que possa dar um sentido à nossa vida. Podemos definir esta como "felicidade"? Talvez, não sei. Mas por comodidade utilizamos este termo: felicidade.
A nossa é uma sociedade "feliz"? Não, pelo contrário: é profundamente infeliz. E não é por causa das guerras ou dos malabarismos das Bolsas: são as bases que estão erradas.

Longe do Capitalismo original, a actual sociedade vive num estado muito particular, que do Capitalismo teve origem, no qual o lema parece ser "possuir".

05 dezembro 2014

IURD: a fábrica de dinheiro



Nos últimos tempos, quem em Portugal ligar Rádio Record terá reparado numa série de programas de carácter religioso, emitidos sob o auspício da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Não sei com precisão "quanto tempo", pois reparei nisso uma noite em que estava a ouvir a auto-rádio e quase fui bater pelas gargalhadas.

Fui espreitar na internet e descobri que a IURD é brasileira (já dava para perceber pelo sotaque dos locutores): aliás, é nada menos de que o maior e principal grupo neopentecostal do Brasil.

Agora, meus senhores: este blog respeita todas as fés religiosas (realçando como respeitar não signifique não apontar os erros). Mas há limites, além dos quais uma religião torna-se uma palhaçada ou, pior, uma burla. É exactamente este o caso da IURD.

O Diabo da IURD: uma pessoazinha educada 

É difícil resumir o que ouvi ao longo de alguns programas: alucinados que falavam duma Fogueira Santa, outros que glorificavam a Água do Mar Morto, desesperados que tinham recebido "milagres", dízima (não poderia ter faltado, não é?). Eu estou habituado a escrever, dá para ver, mas as absurdidades ouvidas foram tantas que seria uma empresa épica conseguir lista-las todas.

04 dezembro 2014

...e os nossos (olha o prémio!!!)

...e ainda não acabou.
Continuando do artigo anterior, surge uma pergunta dirigida aos Leitores. Todos os Leitores.
A pergunta é esta: qual o sentido dum blog como este?

Tranquilos, Informação Incorrecta não fecha. Só que após 4 anos e meio online talvez seja a altura de olha para trás e tentar perceber qual pode ser o futuro, o que calha bem após um artigo no qual é realçado como as soluções até agora apresentadas não funcionem.

Este é apenas um das muitas páginas internet que enfrentam temas de actualidade conhecidos como "informação alternativa". Não é nem o melhor nem o pior, simplesmente é um deles. O que fazem blogues e sites destes? Tentam propor aos Leitores uma visão da realidade diferente daquela fornecida pelo órgãos de comunicação oficiais. Até aqui tudo bem.

Alguns apostam no sensacionalismos, outros querem ganhar dinheiro com isso, outros simplesmente visibilidade, outros ainda querem só fazer informação. Seja como for, o resultado é substancialmente negativo. Negativo???

Isso mesmo: negativo. Porque o que fazem (aliás, o que fazemos) é realçar os aspectos menos conseguidos ou até "maus" da sociedade. Mas todas estas páginas têm fortes limites: não vão além da denuncia. É raro poder encontrar elementos "propositivos" e quando estes aparecem, muitas vezes seria melhor que não aparecessem de todo.

Blogues e sites de informação alternativa sofrem do mesmo mal que podem ser encontrados na sociedade: a falta de propostas alternativas que possam ser implementadas. Normal, internet não passa do espelho da sociedade. Mas ao mesmo tempo é frustrante: quem, como nós, é habituado a observar o que de errado por aí anda, deveria ter mais facilidade em individuar os males e os eventuais remédios.

Não é uma questão de inteligências ou de capacidades superiores, nada disso, é só o hábito.
Todavia isso não acontece. Ou, como afirmado, quando acontece os resultados são limitados, negativos ou até penosos.

Pessoalmente vejo como negativas e até um pouco penosas as páginas que defendem uma sociedade sem crescimento. Que fique claro: entendo perfeitamente que o crescimento vivido até hoje tenha que acabar, isso é patente: pelo que, a intenção é digna de louvores, não há dúvida. Mas actualmente não passa duma ilusão. Ainda espero que alguém explique como é suposto funcionar uma sociedade do decrescimento.

Entre os Leitores há sem dúvida pessoas que apoiam a decrescimento (a maioria, provavelmente): então alguém pode explicar-me coisas simples, como por exemplo qual tipo de energia utilizar, como obtê-la, com quais meios, quem é suposto construir os tais meios, com que dinheiro, quem é que decide quanta energia extrair, quem decide para quais fins deve ser aplicada e quais não merecem. Como afirmado: uma coisa simples (mais ou menos...) e ao mesmo tempo básica, porque toda a nossa sociedade está baseada na energia.  

Não quero links, (aliás, excepcionalmente os comentários com links desta vez vão ser apagados), quero que tal como discutimos muitas vezes do funcionamento da nossa sociedade, desta vez seja possível discutir duma alternativa que, em princípio, é simpática. Porque a pergunta "o que fazer agora?" não e do Leitor, é de todos (eu incluído!).

Não gostam do decrescimento? Muito bem, então falemos de outra alternativa. O espaço não falta, a área dos comentários está totalmente à vossa disposição (sempre sem links desta vez).

Voltando à informação alternativa: esta parece não ter a capacidade de influenciar a opinião da maioria. Uma questão de meios? Sim, sem dúvida seria absurdo pensar de competir com os colossos mediáticos de regime. Mas alguém pode trazer um exemplo de blog ou site que tenha conseguido influenciar as escolhas da sociedade?

Não se trata de mudar o mundo com um blog, como é óbvio. Todavia, esperar num mínimo (mas mínimo mesmo!) resultado poderia ser lícito, dada a grande quantidade de informação que circula nesta era digital: quantos são os blogues de informação alternativa no mundo? Provavelmente milhares ou dezenas de milhares. Resultados? Zero (e inútil iludir-se: se o resultado mudasse, Blogger começaria a mudar a sua política de "tolerância" que, paradoxalmente, demonstra a total inutilidade dos blogues alternativos), estamos sempre aqui a dizer quantos são maus os Estados Unidos, quanto mau é israel (este basicamente é Chaplin lolol)...mas depois? Depois desliga-se o computador e tudo volta como antes.

Faz sentido? Qual a finalidade em difundir um conhecimento se depois este não tiver uma consequência prática?

Depois haveria também um assunto que já foi tratado nestas páginas: a informação alternativa pode não apenas ser inútil mas até prejudicial. Esquisito? Acho que não: muitos blogues repetem notícias sem conferir as fontes ou até distorcem ou inventam a realidade. Isso deslegitima a informação alternativa e, ao mesmo tempo, gera uma confusão no meio da qual os órgãos de comunicação oficiais surgem aos olhos dos cidadãos como faróis de clareza. Mas este assunto é complexo e não é o cerne da questão agora.

Como referido, Informação Incorrecta não fecha e nem vai mudar (digo disso só porque alguém poderia interpretar as dúvidas aqui apresentadas como uma possível esperança, tipo "até que enfim, o homem se cala..."). Podem surgir um par de coisas ao longo do tempo (gostaria de publicar um podcast bem feito, de vez em quando, com tanto de música e convidados...mas o tempo é o que é), mas as bases ficam.

Simplesmente, gostaria de ouvir a voz dos Leitores.
Saber:
  1. porque lêem este como outros blogues ou páginas do mesmo género
  2. o que esperam duma publicação online deste tipo
  3. quais alternativas acham serem viáveis na nossa sociedade
  4. qual o futuro do mundo
Só isso, coisinhas simples, nada mais.
Sejam bons e participem.

Lembro, para evitar dissabores:
  • nada de links
  • nada de parabéns ao blog (se frequentam este blog é porque supostamente gostam: se não gostam e frequentam, então têm problemas).
Como prémio para as melhores respostas: a receita do Molho à Pescadora (sério!!!).

Obrigado :)


Ipse dixit.

Os limites dos -ismos...

Admitimos: a nossa condição não é alegre.

Todos concordamos: o Capitalismo (ou aquela coisa que ainda alguém insiste em definir assim) falhou e é destinado a desaparecer.

O que não faltam são cantos fúnebres dedicados ao Capitalismo. Que na verdade morreu há muito: hoje estamos refém de algo que junta o corporativismo fascista, uma Finança desligada da realidade e uma classe política ao serviço do capital de papel.

Alternativas? Infelizmente, todas as tentativas até hoje falharam miseravelmente, por causa de limites subjectivos daqueles que tentaram ou pela dificuldade objectiva da empresa.

Sim, verdade: aquele que por conveniência, rapidez ou ignorância chamamos de Capitalismo chegou ao fim. Este pode ainda orgulhar-se de alguns sucessos temporários em algumas áreas do mundo, pode festejar o super-crescimento de 0,2% do Produto Interno Bruto (sem explicar como foi obtido este "estrondoso" resultado, é melhor), mas sabemos que o poço esta vazio, esgotou-se.

Chegou ao fim porque depois de cerca de três séculos apareceu a conta: os limites. Limites na possibilidade do crescimento desta forma, limites da exploração dos recursos e do meio ambiente, limites do enriquecimento desenfreado duma minoria em detrimento da grande maioria, limites da pressão demográfica, limites duma frenética dinâmica mercantilizadora que tudo atropela e destrói (mentes incluídas); em última análise, limites naturalmente presentes em qualquer sistema organizado que não pode tolerar os excessos.

Chegou ao fim porque falhou na resolução dos graves problemas que sempre afligiram e continuam a afligir os Homens: a pobreza, a fome, a injustiça, a desigualdade.

Por outro lado, todos os modelos alternativos ao Capitalismo ou estão falidos ou ficam relegados a um passado que ninguém quer reviver.

O que tem sido chamado de Comunismo era apenas a variante social, política e económica que Marx chamou de "modo de produção asiático": um Estado omnipotente, encarnado pela figura de um rei-imperador deificado até ser embalsado num mausoléu após sua morte, um poder concentrado num restrito círculo de oligarcas, sacerdotes e burocratas, com cereais e géneros alimentícios guardados pelo Estado como garantia de sobrevivência nos anos de carestia. Na União Soviética ou na China ninguém ostentava o título de Faraó, "Secretário do Partido" era mais do que suficiente para desenvolver as mesmas funções.

A URSS e a China de Mao foram as mais recentes manifestação desse "Comunismo" (aspas necessárias), que agora sobrevive apenas no grotesco da Coreia do Norte.

Paradoxalmente, o único e verdadeiro Comunismo apareceu no Ocidente, nos mosteiros medievais. Aí não era apenas oração e transmissão de cultura, era produção, consumo e um modesto comércio: a propriedade da terra em torno do mosteiro e as ferramentas dos laboratórios eram da comunidade. Os produtos do trabalho eram partilhados. Centros de auto-produção e consumo. Algo que foi possível encontrar, ao longo dum curto período de tempo, também nos kibbutz israelitas.

Óbvio que tanto o sistema dos mosteiros quanto o dos kibbutz não tinham hipóteses de resistir perante a avançada do Capitalismo: afinal, eram as únicas experiências "comunistas" dignas deste termo, centros de auto-regulação, auto-produção e consumo, onde o dinheiro e o comércio tinham um papel limitado.

Mas isso não deixa de ser sintomático: enquanto procuramos o futuro nos ícones, enquanto glorificamos empresas que raramente aconteceram tais como são contadas, esquecemos de procurar a inspiração na realidade mais humilde. 

E chegamos aos nossos dias: dias duma condição não alegre, como afirmado, porque falta uma alternativa. Estamos aqui, a com o cadáver do pseudo-Capitalismo em rápida decomposição, e não sabemos o que fazer.

Essa é a verdadeira tragédia da nossa época, ver que o sistema global chegou ao fim mas sem ser capazes de conceber uma alternativa realista. Condenados a afundar na lama de uma decadência monstruosa, o máximo que conseguimos fazer é pronunciar palavras que acabam em -ismo, como se a solução dos nossos problemas estivesse apenas nas prateleiras duma biblioteca.

Qualquer força de renovação, qualquer movimento que deseje verdadeiramente mudar o actual rumo, terá em primeiro lugar que abandonar todos os -ismos em circulação e contar apenas com as pessoas e as ideias delas. Ouvi-las, falar com elas, perceber quais as necessidades, eliminar as divisões fictícias criadas para manter-nos escravos, olhar para os mecanismos da Natureza, procurar novas soluções, porque as velhas receitas já demonstraram estar esgotadas.

Nada de ilusões: qualquer outra força que insista em esconder-se atrás dum saudoso -ismo (sim, também o "Ambientalismo") tentará só e sempre adiar a mudança. Só uma nova maneira de encarar o mundo, a vida, nós, o conceito de sociedade, poderá mudar alguma coisa. Tudo o resto servirá apenas para prolongar a agonia.

Mas isso significa também outra coisa: que a mudança dificilmente virá "de cima".


Ipse dixit.

O castelo de papel dourado

Fazem descer o preço do ouro para proteger o Dólar, atingindo assim as poupanças de milhões de pessoas.

Quem controla este mercado? Inútil esperar num milagre, controladores e controlados são as mesmas pessoas: JP Morgan, HSBC, ScotiaMocatta, Barclays, UBS e Deutsche Bank.

Provavelmente actuam em nome da Federal Reserve, com a intenção de manter sistematicamente baixo o preço do ouro para proteger a moeda americana.

Como funciona? Parece complicado, mas não é.

Praticamente todas as apostas feitas no mercado dos produtos derivativos (os futures) são pagas em moeda corrente e não em ouro (papel em vez que metal). Assim, o pagamento em dinheiro destes contratos "desloca" o lugar onde é determinado o preço do metal do físico para o monetário: o valor do ouro é determinado de forma indirecta, através da moeda. É o terreno perfeito para poder manipular de forma indiscriminada.

A Fed, por exemplo, depois de anunciar o fim do Quantitative Easing (isso é: já não irá imprimir notas para apoiar o preço das obrigações), mandou os bancos reduzir o preço do ouro com novas vendas naked (literalmente: nuas, descobertas, sem um real contra-valor).

Funciona assim: enormes quantidades de contratos a prazo naked (que são só papel, nada mais do que isso), são imprimidas e atiradas todas duma vez no mercado dos derivativos na altura em que este mercado tende a subir.

03 dezembro 2014

Alimentação: o super-frango

Seis multinacionais da alimentação investigadas pelo Procuradoria de Turim, em Italia. A dúvida: a
presença de estrogénios em produtos homogeneizados destinados às crianças.

Mellin, Plasmon, Dieterba, Milupa, Nestlé e Nipiol podem "enriquecer" a comida dos mais jovens com elementos que podem causar a síndrome de telarca, ou seja, a manifestação precoce das características típicas da puberdade.

Não apenas teriam sido encontrados, como algo mais parece ter sido detectado: etiquetas com informações incorrectas ou incompletas, substâncias proibidas na carne, resultados dos testes sobre a qualidade dos produtos feitos de forma incompletas ou nunca realizados. Em particular, os estrogénios estariam presentes  nas embalagens que contêm carne de frango, de peru e de bovino.

A investigação começou no ano passado, mas não é simples: muitos indícios, mas é preciso encontrar provas específicas para que o Público Ministério possa actuar. Nos casos de crianças atingidas pela síndrome há também algumas que já não consomem alimentos homogeneizados há muito: podem ter entrado em contacto com carne comprada por outros canais (um talho, um supermercado...) e a investigação uma "missão impossível"

Vida de blog: o regresso do Blogroll

Após o problema que levou à interrupção do blog por decisão unilateral de Google (já foi há alguns
meses), o blogroll está a ser reconstruído.

É visível na coluna de direita mas vai levar alguns dias antes de estar completo. Por isso, se o vosso blog não aparecer, fiquem descansados: vai aparecer. Ou se calhar não (sou distraído, é só por isso).

Caso o Leitor tenha um blog que não trata dos assuntos usualmente encontrados em Informação Incorrecta mas que mesmo assim gostaria de ver inserido, é só enviar o link que será depois acrescentado a uma secção especial com o título "Blogues inúteis" (lololol).

Ok, ok, não será este o nome, mas a ideia é mesmo criar duas listas separadas: uma para assuntos masoquistas (como os deste blog), outra para pessoas normais.

Agradeço desde já pela atenção, com os melhores cumprimentos da casa, com licença, sff.


Ipse dixit.

02 dezembro 2014

Em busca de Atlântida - Parte III

O gelo da Gronelândia não é apenas fresquinho e escorregadio. É muito, mas muito mesmo: na parte interior da ilha, a camada de gelo atinge os 3.000 metros.

Obviamente, este é gelo que acumulou-se ao longo de bastante tempo, que não derrete ao passar das estações: quando o clima do planeta era mais frio, a neve caída não derretia mas transformava-se numa nova camada de gelo. O processo continuava, anos após anos, até atingir a actual altura.

Mas isso significa uma coisa interessante: as camadas que ficam mais em baixo devem ter-se formado em épocas antiquíssimas, há centenas de milhões de anos atrás. E se fosse possível espreitar estas camadas mais profundas e analisa-las num laboratório, talvez algo ainda mais interessante poderia ser encontrado: não costumamos pôr a comida no congelador para que não se estrague?

De facto é assim: o gelo conserva, e se algo tivesse ficado preso no meio de gelo, ao extrai-lo das camadas profundas da Gronelândia seria possível descobrir um pouco mais acerca do passado do nosso planeta.

Ikea, a obra pia


A Ikea. E quem não conhece a Ikea?
Os Leitores que viverem no Brasil, por exemplo.

Então preparem-se porque cedo ou tarde também aí chegará: Europa, Ásia, Oceânia, África e América do Norte já estão colonizados pelo gigante dos móveis.

Lembro de quando a primeira loja Ikea abriu na minha cidade, em Italia. Grande, clara, com muitos serviços (parque, zona crianças, restaurante, loja de produtos alimentares, alugueres de furgões), até os lápis dava. E depois muitos móveis, um mar de móveis e acessórios. Era possível entrar na Ikea sem uma única cadeira e sair com a casa completamente mobilada. Uma espécie de fast-food dos móveis, mas com qualidade e até preços interessantes.

Os anos passaram e a Ikea permanece igual a si mesma. Só que entretanto começou a despertar os interesses dos mais curiosos. E assim descobre-se que a Ikea também tem o seu lado "escuro".

01 dezembro 2014

Síria: de como "corroer a confiança do público no jornalismo de guerra" e de outras minúcias

Chegado a um certa altura, o autor dum blog como este poderia limitar-se a fazer copia-cola dos velhos artigos, mudar a data, algumas palavras e depois ir a passear com o cão. Ninguém daria por nada e o Leo agradeceria.

O vídeo. Ah, pois o vídeo. O novo vídeo-shock de Internet, que tantas lágrimas fez correr.
Este vídeo:

ATENÇÃO!!!
Este vídeo é falso mas contém imagens falsas que podem abalar a sensibilidade do espectador verdadeiro.


Sim, exacto: é um falso. Mais um.
Não houve nenhum menino, nenhum franco-atirador. E não é uma ideia "conspiracionista": é o realizador que admite isso. O norueguês Lars Klevberg informa o público: um dos objectivos declarados era "ver como os media iriam reagir perante um vídeo falso".

A guerra dos preços do petróleo

"Ah, pois, o preço agora é demasiado elevado, mas esqueçam o petróleo abaixo dos 80 Dólares..."
Esta a ideia há poucos anos. Hoje o barril fica abaixo dos 70 Dólares (abriu a 67 em New York).
É bom? É mal? Quem ganha com isso?

Comecemos pela última pergunta: não ganha ninguém.

Não ganham os consumidores porque, por alguma misteriosa razão que deve ter a ver com o delicado Equilíbrio Quântico, quando o petróleo aumentar 5 Dólares a gasolina dispara, quando o petróleo cair de 20 ou 30 Dólares a gasolina baixa 1 cêntimo (e ainda temos que agradecer).

Não ganham os produtores, que vêem as margens de lucro reduzidas e os investimentos limitados.

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