13 janeiro 2015

5.000 irmãos Kouachi

Estes são os "moderados"...
Os Estados Unidos e alguns aliados começarão a treinar 5.000 milicianos "moderados" a partir da
próxima Primavera.

Isto foi confirmado pelo porta-voz do Pentágono, o almirante John Kirby. Washington espera começar o treino em estreita coordenação com a Turquia, o Qatar e a Arábia Saudita.

Afirma Kirby, acrescentando que Doha e Riad fazem parte do grupo:
Continuamos a trabalhar com Ancara para planear esforços conjuntos a fim de treinar e equipar as forças moderadas da oposição síria.
A este respeito, o Ministério das Relações Exteriores da Turquia anunciou que "o acordo final sobre o programa está muito próximo".

A tarefa de seleccionar o pessoal para ser treinado foi entregue ao general Michael Nagata, à frente das forças especiais do Comando Central, que nos últimos meses contactou uma série líderes da oposição moderada da Síria.

Michael Nagata
Uma tarefa aparentemente delicada quando se considera que a maioria dos milicianos moderados
anti-Assad treinados e armados pelo Ocidente e os árabes confluíram nas formações do Estado Islâmico (o Califado ou Isis, nas cujas fileiras também lutaram os irmãos Kouachi, alegados responsável pelo massacre de Charlie Hebdo) e na formação de Al-Nusra.

Nesta altura o Leitor pode ter algumas dúvidas, nomeadamente as seguintes:
  1. qual a diferença entre um miliciano "moderado" e um "não moderado"?
  2. porque Washington combate a Síria que é, com o Iraque, o principal inimigo do Estados Islâmico?
A primeira resposta é simples. O miliciano "não moderado" é aquele que utiliza as armas fornecidas pelo Ocidente e alguns Países árabes para disparar contra o exército regular da Síria e todos aqueles que apoiam o Presidente Bassad. O miliciano "moderado" faz exactamente o mesmo, só que depois de ter disparado diz "Lamento".

Mais complicado (mas só em aparência) responder à segunda pergunta.
Os objectivos de Washington continuam confusos, pois os novos milicianos treinados pelas forças especiais dos EUA deveriam ajudar a combater o Califado e, ao mesmo tempo, as forças regulares de Damasco que, como vimos, são o principal inimigo do mesmo Califado.

É uma confusão que a Administração Obama prefere ignorar e não explicar, pois simplesmente não pode. Para fazê-lo, deveria admitir que
  • o Isis nasceu com o objectivo de se tornar uma força de desestabilização da região, tendo em vista uma intervenção directa do Ocidente no teatro de guerra nos territórios do Iraque, da Síria e perto das fronteiras do Irão.
  • por esta razão, o Isis foi desde logo fornecido economicamente e militarmente com os meios ocidentais e de alguns Países árabes ligados ao Ocidente e a israel.
Obviamente Washington não pode admitir um tal panorama, pelo que o paradoxo procede alegremente sem que ninguém avance com perguntas incómodas.

Entretanto, na área da cidade de Mosul já deve haver entre 30 mil e 50 mil milicianos do Isis
(daqueles "maus", portanto), enquanto no Junho passado o total mal chegava às 3.000 unidades.

Duas as razões do aumento exponencial.

A primeira é que os líderes jihadistas têm encontrado facilidade em espalhar a mensagem jihadista entre habitantes pobres da região enquanto, ao mesmo tempo, não tem parado o afluxo de estrangeiros.

A segunda está relacionada com a ofensiva de terra realizadas por parte das forças de segurança iraquianas, apoiadas por conselheiros militares internacionais liderados pelos Estados Unidos. Mosul é vista como a "capital" do Califado no Iraque, o mesmo papel da cidade de Raqqa na Síria.

Perder Mosul provocaria prejuízos de enormes proporções, não só do ponto de vista geoestratégico mas também, e acima de tudo, psicológico.

No futuro, portanto, teremos a batalha de Mosul, com milicianos que dum lado estão equipados e financiados pelos ocidentais e do outro lado soldados que...também.
Vais ser engraçado.


Ipse dixit.

Fontes: Analisi Difesa,  

2 comentários:

  1. Após o atentado, não iria me assustar se os EUA invadissem a Síria e o Norte do Iraque, com o pretexto de acabar com o Estado Islâmico.

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  2. Chaplin14.1.15

    Financiar ambos os lados e acirrar a lógica do "todos contra todos" remonta aos tempos do século XVIII...

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