14 janeiro 2015

UK: espiar os cidadãos é justo, é bom e aumenta a segurança

Theresa May
Pescado no Twitter (ver box ao lado): a Secretária de Estado do Reino Unido, Theresa May, afirmou
perante o Parlamento que o governo deve ter acesso a dados dos telefones e de internet dos cidadãos, ao fim de impedir um ataque terrorista em solo britânico.
É muito provável que os dados das comunicações foram utilizados nos ataques de Paris para localizar os suspeitos e estabelecer as ligações entre os dois ataques [...] Se queremos que os serviços policiais e de segurança possam proteger o público e salvar vidas, precisam dessa capacidade.
Óbvio. Uma vez espalhado o medo, agora é altura de recolher os frutos.

A Secretária acrescentou que quase metade dos cerca 600 cidadãos britânicos que viajaram para lutar ao lado de grupos extremistas na Síria e no Iraque voltaram para o Reino Unido (evidentemente porque alguém deixou que entrassem, acrescento eu), observando que as forças de segurança britânicas tinham conseguido evitar três ataques terroristas nos últimos meses.

E já que estamos a falar disso, seria simpático conhecer mais pormenores acerca destes acontecimentos. Mas a Secretária não tem tempo para estas banalidades e lança o aviso:
Isso significa que um ataque terrorista no nosso país é altamente provável e poderia ocorrer sem aviso prévio.
O curioso é que, como confirmam os documentos divulgados por Edward Snowden, esta vigilância de dados já existe e não desde ontem. A central das comunicações do governo britânico (o GCHQ) tem sido implicada em vários casos de espionagem, no mês passado, por exemplo, sobre um funcionário sénior da chancelera alemã Angela Merkel.

A existência de espionagem massiva e de interceptação de dados on-line por parte do Reino Unido e dos serviços de inteligência dos Estados Unidos não é um segredo: o que a Secretária deseja agora é legitimar esta prática aos olhos do público. Trata-se da melhor maneira para fechar duma vez por todas a questão das escutas ilícitas: afinal, tudo sempre foi "para o nosso bem".

Relembramos as afirmações da Secretária relativas ao caso Charlie Hebdo: "É muito provável que os dados das comunicações foram utilizados nos ataques de Paris para localizar os suspeitos e estabelecer as ligações entre os dois ataques".

Não importa o facto destas afirmações serem falsa (os "terroristas" foram identificados com o bilhete de identidade "esquecido" no carro da fuga; os dois conseguiram ir ao monte ao longo de dois dias, a poucos quilómetros da capital; tinha sido o terceiro "terrorista" a afirmar - via FM estéreo! - que os dois ataques testavam sincronizados), o que conta é cavalgar o medo e fazer passar a ideia de que mais restrições da liberdade são o inevitável preço para viver com mais segurança.

Um passo neste sentido já tinha sido feito no início do passado Dezembro, quando o Investigatory Powers Tribunal (IPT, que avalia as queixas contras organismos públicos, incluídos os serviços secretos) de Londres decidiu que a vigilância das comunicações de dados por parte do governo do Reino Unido não constitui uma violação às leis de direitos humanos.

Justo: a tortura é uma violação dos direitos humanos. Ser espiado quando navegamos na internet ou telefonamos para alguém, pelo contrário, é um dever de qualquer bom cidadão que não tenha "nada para esconder".


Ipse dixit.

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Fontes: Sputnik News, Reuters

6 comentários:

  1. Caro Max
    Estou repetindo minha teoria só para confirmar a convicção desta minha tese de que a "demoníaca" agenda NWO segue incólume seu canibalismo.

    "Paz e estabilidade" dos cemitérios com extermínios em massa. Reduzir as senzalas para uma "nova" ordem mundial. Genocídio. Um mar de ratos e dejetos. Afundamos... Extermínio global para drástica redução das unidades prisionais desnecessárias ao 4º Reich. Faxina. Escravizados como burros de moinho vamos sendo descartados aceitando como verdade tudo que vem pela onipresente TV, em oráculos da deusa hipnotizadora, a poderosíssima Taligada.

    Sinto muito, me perdoe. vos amo, sou grato. Um fraterno abraço.

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  2. Olha, nem sei onde vou vomitar!!!

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  3. Então depois de ter "vomitado",
    Eis que subitamente, voltam a pisar na mesma tecla. A Chantagem mais óbvia e que a vários anos os neo-cons adoram: "Eternal vigilance is the price of liberty." -- Wendell Phillips, (1811-1884) ou "Maybe I did well and maybe I led the battle but nobody ever said we were going to win this thing at any point in time. Eternal vigilance is required and there have to be people who step up to the plate, who believe in liberty, and who are willing to fight for it." -- Milton Friedman

    Eu prefiro estas:
    "They that can give up essential liberty to obtain a little temporary safety deserve neither liberty nor safety." -- Benjamin Franklin
    ou
    "The greatest tyrannies are always perpetrated in the name of the noblest causes." -- Thomas Paine
    ou
    "The attempt to make heaven on earth invariably produces hell." -- Karl Popper
    ou
    "The tyranny of a principal in an oligarchy is not so dangerous to the public welfare as the apathy of a citizen in a democracy." --Montesquieu, 1748
    ou
    "The issue today is the same as it has been throughout all history, whether man shall be allowed to govern himself or be ruled by a small elite." -- Thomas Jefferson
    e estas tão óbvias quanto antigas:
    "An oppressive government is much worse than a man-eating tiger." -- Kong Fu-Dzuh ("Confucious")

    "The more corrupt the state, the more numerous the laws." -- Tacitus, Roman senator and historian (A.D. c.56-c.115)

    Nuno

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  4. Parece que afinal como escreviam aqui no blog a algum tempo parece que vem algo aí, resta saber o quê? Mas decerto que terá a ver com dinheiro e colapsos, e umas guerras(sem bombas daquelas que matam milhões), porque infelizmente e em parte o sistema em que económico em que vivemos é uma fraude.
    E arranjar claro uns bodes expiatórios.

    Vou ser claro: Espero estar redondamente e enganado...

    Nuno

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  5. Chaplin15.1.15

    A lógica não se altera. Educa-se precariamente o escravo e sob essa condição, desorientado e idiotizado, exige-se rigor para seu controle. Ou seja, cria-se o "problema" e acha-se a "solução"...

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