05 fevereiro 2015

A Croácia apaga as dívidas

Eis uma manobra interessante e teoricamente "impossível". O governo da Croácia eliminou a dívida de cerca 60 mil cidadãos, nomeadamente os mais pobres.

 Como "eliminou"? É isso mesmo: eliminou. A iniciativa, cujo nome é Novo Começo, tem como objectivo ajudar alguns dos 137.000 croatas cuja conta bancária foi bloqueada devido ao não pagamento de facturas.

Condições para aceder ao programa Novo Começo:
  • ter dívidas inferiores a 35.000 Kuna (cerca de 5.100 Dólares)
  • um rendimento mensal não superior a 1.250 Kuna (138 Dólares)
  • não possuir qualquer propriedade
  • não possuir outras contas bancárias com activos e/ou poupanças.
Quanto custa esta iniciativa ao Estado?
O governo croata reuniu autarquias, empresas públicas e privadas, os principais provedores de telecomunicações bem como nove bancos privados e convenceu todos a apoiar o plano para a absorção da dívida: no total, os custos do Estado serão de 30 milhões de Dólares (27 milhões de Euros), mas parte das dívidas não serão pagas pelo governo, simplesmente serão apagadas.

O vice-primeiro-ministro Milanka Opacic estima que será cerca de 60 mil os cidadãos a solicitar a intervenção:
Assim, terão uma chance para um novo começo sem o peso da dívida.
No geral, a dívida dos privados croatas atinge 4.110 milhões de Dólares e a parte que vai ser "cancelada" é inferior a 1% do valor global, alcançando, como afirmado, os 30 milhões de Dólares. No entanto, isso significa livrar das suas obrigações quase 20% dos que têm dívidas no País.

A Croácia é o terceiro País mais pobre da União Europeia, após Roménia e Bulgária: o ordenado médio é de 750 Euros mensais, a reforma média é de 300 Euro, o desemprego é elevado (quase 20%).

O Primeiro Ministro Zoran Milanovic:
E uma medida excepcional, o sistema não pode recorrer de forma constante a este tipo de soluções. Mas vamos fazer todo o possível para facilitar a vida das pessoas que sofrem esta crise.
Obviamente, logo apareceram as vozes contrárias.

O economista Dean Baker, co-director do Centro de Pesquisa Económica e Política (Estados Unidos) afirmou "não poder imaginar algo assim" e expressou preocupação com a possibilidade de que com esta operação os credores comecem a exigir juros mais altos no caso de devedores com rendimentos mínimos.

Segundo Timothy Ash, chefe economista do banco Standard Bank Plc, este “é um clássico exemplo de populismo antes das eleições parlamentares".

Será: mas as dívidas que não podem ser pagas não serão pagas e é bom ver um governo que admite isso. Claro, a medida assusta tanto os outros governos, quantos os economistas que defendem o actual sistema e os bancos privados.

Simples agora falar de "populismo". No entanto, milhares de cidadãos poderão ré-organizar as suas vidas, tendo novamente acesso a uma série de serviços que antes tinham-lhes sido cortados. É a oportunidade dum novo começo. Desculpem se for pouco...


Ipse dixit.

Fontes: The Washington Post, Il Sole 24 Ore, La Repubblica

5 comentários:

  1. Anónimo5.2.15

    Isso é para países pobres, nos países ricos é mais requinte:
    Projeto de lei na Noruega proíbe mendicância e doação a mendigos

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    Respostas
    1. Lolololol....boa.

      Mas atenção: a Noruega tem um sistema de assistência social de luxo, não como aqui no burgo. E apresenta uma taxa de emprego que é a 3ª no mundo, após Islândia e Suíça.

      Fica também em 6º lugar na classificação da distribuição do rendimento entre a população (isso é, os Países onde há menos desigualdade).

      Quase não trabalha quem não quer...

      Abraço!!!

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  2. Anónimo5.2.15

    ...Na Noruega, claro. É um caso à parte. Mas mesmo muito.
    Na maioria do globo: sobrevivem ou morrem de fome.
    Interessante os dados/previsões da Oxfram para o ano que vem.
    N

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  3. Anónimo5.2.15

    http://www.oxfam.org/es/sala-de-prensa/notas-de-prensa/2015-01-19/el-1-mas-rico-tendra-mas-que-el-resto-de-la-poblacion

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  4. Anónimo5.2.15

    É uma medida muito interessante. Penso que os romanos fizeram isto, mas em larga escala.

    Krowler

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