11 março 2015

UFO: os Clássicos - Roswell

Não é possível falar de UFO's sem falar de Roswell. Só que falar de Roswell é absolutamente inútil.

Um paradoxo? Aparentemente sim.
O facto é que Roswell é um caso "queimado". É provável que um dia será conhecida a verdade acerca deste episódio, mas até hoje foi publicado tudo e o contrário de tudo: teorias, contra-teorias, confirmações e desmentidas, acerca de Roswell há de tudo um pouco. Até temos um boneco submetido a uma autopsia, mesmo para não nada falte.

Seria possível notar como "queimar" um caso, torna-lo "inútil", seja uma óptima maneira para ocultar a verdade e afastar os curiosos. Esta pode ser uma explicação, mas de certezas no caso de Roswell não há muitas. E é uma pena, pois teremos que ficar na dúvida: o melhor caso da história ufológica ou uma cadeia de más interpretações e de erros?

Pelo que, melhor limitar-se aos factos.

Roswell: os factos

A história começa na noite de 03 de Julho de 1947, com um acidente numa localidade a cerca de 120 km ao noroeste de Roswell (New Mexico, EUA), pequena cidadela isolada, povoada por apenas 27 mil habitantes, a maioria dos quais criadores e soldados da próxima base aérea.

Na manhã seguinte, William Ware Mac Brazel encontra no seu rancho "algo". No dia 6 de Julho, Mac Brazel vai para o Crown e informa o xerife, George Wilcox, mostrando também os restos encontrados na sua propriedade: Max Brazel tinha decidido informar as autoridades locais quando já na cidade havia rumores sobre "discos voadores", como no caso da observação de duas pessoas, os casal Wilmot, acontecido na noite de 2 de Julho.

Mac Brazel leva o xerife, provavelmente acompanhado por um militar ("um homem em trajes civis",
nos relatórios) no lugar da descoberta para reunir material. O primeiro relatório fala de "pedaços de borracha, papel alumínio, papel bastante resistentes, varas de madeira e um fio de nylon" pertencentes aos restos de um objecto de origem desconhecida.

Em 08 de Julho, o Departamento de Informação ao Público do Roswell Army Air Field (RAAF), emite um comunicado de imprensa, publicado pelo jornal Roswell Daily Record, no qual descreve a recuperação de um objecto voador não identificado por parte dos militares do campo, objecto encontrado num rancho perto de Roswell, acendendo assim o interesse dos meios de comunicação nacionais.

Eis o comunicado, redigido no dia 8 pelo tenente Walter Haut, sob as ordens directas do comandante da base, coronel William Blanchard:
Os muitos rumores sobre os discos voadores tornaram-se finalmente realidade ontem, quando o Departamento do 509th grupo do bombardeio da VIII Força Aérea do campo de Aviação Roswell teve a sorte de entrar na posse dum disco em colaboração com um agricultor local e o xerife do condado de Chaves. A Força Aérea entrou imediatamente em acção e o disco foi retirado da casa do agricultor, depois examinado no Campo de Aviação Roswell e, finalmente, enviado pelo Major Marcel para o quartel geral.
No dia seguinte, chega a primeira desmentida da aeronáutica, segundo a qual o pessoal RAAF tinha recuperado um balão meteorológico e não um "disco voador".

Depois

Até aqui o episódio em si: para ter algumas novidades é preciso esperar alguns anos.

The Roswell Incident

Em 1978, o físico nuclear e pesquisador ufologico Stanton T. Friedman entrevista Jesse Marcel, o Major que em 1947 tinha sido fotografado com os restos dum balão meteorológico para demonstrar que, de facto, era aquele o objecto caído em Roswell.

Na entrevista, o Major disse que a versão da Força Aérea tinha feito uma tentativa para encobrir a verdade e esconder o que realmente tinha caído no Novo México, em Julho de '47. Dois anos depois, Friedman, William Moore e Charles Berlitz publicam o livro The Roswell Incident, apresentando uma nova hipótese, baseada nas declarações de Marcel: o UFO teria explodido e alguns fragmentos teriam caído no rancho de Mac Brazel (na noite entre os dias 2 e 3 de Julho), enquanto o corpo principal da aeronave seria precipitado nas planícies de San Augustin, cerca de 200 quilómetros ao noroeste de Roswell, onde também teriam sido recuperados os corpos de alguns humanóides, a alegada tripulação do disco.

O vídeo 

Em 1991, Ray Santilli (produtor cinematográfico britânico) afirmou estar na posse de alguns rolos de filmes que retravam a autopsia dum dos alienígenas caídos em Roswell. Um pouco mais tarde, o vídeo foi transmitido mas uma análise até nem muito aprofundada permitiu descobrir o falso.

Após disso, o mesmo Santilli admitiu que o vídeo era um realizado com um amigo, mas afirma estar na posse da versão original, apesar desta estar demasiado danificada.

Mogul

Em 15 de Fevereiro de 1994, em resposta a um inquérito parlamentar sobre o caso Roswell, a Força Aérea dos Estados Unidos abriu um inquérito interno para esclarecer a questão. Os frutos foram o relatório Roswell: Fact vs. Fiction n the New Mexico Desert, publicado em 1995, e um segundo e último relatório de 1997.

Segundo a Força Aérea, em Roswell não caiu um balão meteorológico, assim como repetidamente afirmado ao longo de 50 anos, mas um módulo pertencente ao Mogul Project, uma operação top secret da Força Aérea dos Estados Unidos dedicada a monitorizar as actividades da União Soviética e os possíveis avanços no desenvolvimento das bombas atómicas.

Pouco depois, Earl Fullford (sargento da base aérea de Roswell e empenhado no levantamento dos restos no rancho de Mac Brazer) e Jesse Marcel Jr. (filho do Major Jesse Marcel), ambos os quais afirmaram tem visionado os detritos do dia 8 de Julho, foram submetidos a um teste para analisar alguns materiais, entre os quais o mylar (o PET), utilizado nas sondas do projecto Mogul. Todavia, ambos indicaram uma folha de acetileno como algo que mais fazia lembrar o material encontrado.

Corso

Em 1997, Philip Corso publicou o livro The Day After Roswell, no qual revelava ter gerido, a partir de 1961, o material recolhido em Roswell, em 1947. Corso, de facto, era militar na altura (deixou o exército só em 1963, com o grau de tenente-coronel) e em 1961 tornou-se chefe do Research and Development Department, sob as ordens do general Arthur Trudeau.

No livro, o Corso escreveu que ter conseguido, no contexto dum projecto que visava utilizar a engenharia reversa sobre artefactos não terrestres, adquirir tecnologias a partir das quais teriam nascido objectos tais como os transístores e as lentes de contacto.

Estes são os factos.

Então? Nada.

Opinião pessoal? Nenhuma.

300 testemunhas, algumas das quais oculares, outras não de confiança. Só uma dezena realmente em contacto com objectos ou outro material alegadamente extra-terrestre. Muitas deposições e retratações ou mudanças de versão.

Mac Brazel era uma pessoa simples e séria, tal como o xerife Wilcox, mas sem conhecimentos científicos que pudessem ajudar na identificação dos objectos encontrados. A Aeronáutica Militar mentiu ao longo de 50 anos, mas o Projecto Mogul existiu de verdade e as experiências decorriam numa localidade bem perto de Roswell.

A realidade é bastante simples: todos os materiais encontrados em Roswell e no alegado acidente de Sant Augustin nunca foram analisados por laboratórios apenas militares e não estão disponíveis para o público. Na verdade, nunca foram apresentados, o que não deixa de ser estranho: restos dum balão ou duma sonda, mesmo que após 50 anos, poderiam pôr um ponto final na questão.

Sem as provas, temo que confiar apenas e exclusivamente nas testemunhas. Alguma das quais (é o caso de Corso) nem a confiança dos ufologos conseguem.

Para tornar tudo ainda mais ridículo, faltava só o idiota de Santilli com o seu vídeo "exclusivo". E Santilli é apenas um dos muitos que tentaram explorar o caso Roswell para um pouco de visibilidade.

Hoje os protagonistas morreram e temos apenas informações de segunda mão, velhas de 50 anos, nem uma prova fotográfica, nem um vídeo, apenas informações. Como aquela de Edgard Mitchell, 82 anos, engenheiro aeronáutico e ex-astronauta da Nasa:
Fui contactado por pessoas ligadas aos observadores dos factos originais, como a pessoa que entregou os caixões de minúsculas dimensões para os corpos dos alienígenas recuperados. [...] Lembro o que disse o Presidente Eisenhower no seu discurso final: "Desconfiem da estrutura da industria militar", acho ser este o centro da questão.
Se alguém for capaz de dizer uma palavra definitiva acerca de Roswell, faça o favor de avançar.
Eu passo.


Ipse dixit.

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6 comentários:

  1. Anónimo12.3.15

    Este post é um resumo muito bem feito do caso em apreço. A maioria dos blogues dedicados ao tema não o consegue fazer tão bem. está aqui tudo o que é essencial.
    O dr Edgar Mitchell afirma numa entrevista que o pai que residia na área falou com o rancheiro que descobriu os destroços e este confirmou-lhe que seria uma nave supostamente alienígena.
    A grande confusão é estabelecida propositadamente. A Força Aérea fez desinformação como é explicado por Corso, cujo livro tem também algumas inexactidões como o próprio confessaria mais tarde, por cedência aos editores que queriam apimentar um pouco o caso para aumentar as vendas.
    Não sei se um dia vamos ter a possibilidade de conhecer os factos objectivos. Temo que não seja liberado senão daqui por muitos anos. Este assunto continua tabu e tudo o que é realmente imoportante é abafado.
    Os militares americanos, acredito, protegem o acesso priveligiado à tecnologia extraterrestre, tal como fizeram no Roswell mexicano. http://www.taringa.net/comunidades/conspiranoicos-t/1582463/Roswell-Mexicano.html ou em video http://www.dailymotion.com/video/x2ecw1a_o-caso-roswell-mexicano-hd_school

    Parabéns por esta série dedicada aos OVNI. Um bom trabalho.

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  2. Poxa.. escrevi um texto enorme sobre o assunto e ao clicar em publicar ele evaporou!

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    Respostas
    1. recomeçando...

      Olá Max!

      Tua postagem é um registro histórico, gostava de saber também a tua opinião de forma mais aberta. Tenho a minha sobre extraterrestres e ufologia.
      Em princípio não sairia de braços abertos em direção a um ser que saísse de um disco vindo dos céus. Ia perguntar antes de qualquer atitude - "Qual sua missão aqui?" - e ia avaliar resposta e atitudes pois não quero ser cobaia de laboratório.
      Ah os militares norte americanos... e pensar que compartilhamos o mesmo DNA e molécula de carbono... mesmo assim eles negociam com os extraviados do universo, permitem que eles se acomodem montanhas adentro, subsolo e ainda usem seus concidadãos para pesquisas...
      Já refletistes na questão de que estamos num planeta dum modesto sistema solar que roda dentro de um braço da Via Láctea e que essas naves devem estar nos visitando estas paragens a eras? Se for para fazer contato do 3° ou 4° grau só se for com quem nos colocou aqui e que tem o mesmo DNA e origem. Sem essa de confraternizar com reptilianos, greys etc, não sou racista, apenas tenho instinto de auto-preservação desenvolvido.

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    2. Olá GI!

      Olha, não sei o que dizer. Sério. Esta de Roswell é uma história que foi confundida até os limites. Mas vamos ver.

      Se (o condicional é obrigatório) a lista dos materiais encontrados pelo agricultor estiver correcta (pedaços de borracha, papel alumínio, papel bastante resistentes, varas de madeira e um fio de nylon) então é difícil acreditar numa origem extraterrestre. Se estes alienígenas ainda constroem as naves com madeira e fios de nylon então estão piores do que nós.

      Parece duvidoso que algo possa ter acontecido no rancho do Mac Brazel. Mas diferente é o discurso da planície de San Augustin: aí pode ter existido algo. Mas repara: não temos nada de nada. Como é possível afirmar algo quando nem sabemos em quais testemunhos acreditar? Muitos desfrutaram Roswell apenas para enriquecimento pessoal e para alcançar a notoriedade: a autopsia de Santilli é a prova mais evidente.

      Pessoalmente não tenho dúvidas de que exista vida fora do nosso planeta. Também penso que o nosso planeta tenha recebido visitas de "estrangeiros" no passado (há indícios para todos os gostos: é só querer ver), pelo que não vejo qual o problema em imaginar que ainda hoje seja alvo de pesquisa por parte de outros seres.

      Isso significa que os UFOs são veículos de raças de outros planetas? Não sei, a coisa não é automática. Pode existir vida fora da Terra (e acredito que exista), mas isso não significa que esta passeie pelo cosmos com naves espaciais. Temos também que ter em conta fenómenos naturais que ainda não conhecemos (não sabemos tudo!) ou o mesmo conceito de vida: uma pedra é viva? Não? E porque não? Não está viva segundo o nosso conceito de vida.

      Há muitas coisas que não sabemos e a História mostra como as conclusões às quais chegamos muitas vezes têm os dias contados. Antigamente os UFOs eram sinais dos Deuses; na Era Espacial tornaram-se "naves de outros mundos". E amanhã, serão o quê?

      Voltando ao caso Roswell: como afirmado, acho que no rancho em si não aconteceu nada (considerados os materiais, parece-me que a ideia da sonda do Projecto Mogul possa ser uma explicação), na planície de San Augustin não pedir-me uma opinião porque não tenho mesmo!

      Em qualquer caso, o fenómeno UFO é muito mais do que Roswell. Ao longo das décadas temos observações efectuadas por cientistas, astrónomos, pilotos, pessoas bem preparadas para avaliar. Temos fotografias e vídeos que, após analises forenses, foram julgadas como autênticas. É triste que o assunto UFO seja 1. algo constantemente ridicularizado 2. algo ignorado pela maioria das pessoas 3. algo ignorado pela Ciência oficial.

      "Em princípio não sairia de braços abertos em direção a um ser que saísse de um disco vindo dos céus. Ia perguntar antes de qualquer atitude - "Qual sua missão aqui?"

      Eu iria! E diria "Tirem-me daqui, já!" :)

      Abraçoooooo!!!!!!!!!!!!!!!!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Anónimo12.3.15

    Acredito que algo "em grande" aconteceu por lá, digo pelo facto de tantos recursos, entidades envolvidas, mas principalmente pela "autópsia" efectuada, que ainda me lembro de ter passado em "directo" na RTP com comentários à medida que ia sendo feita. Porquê descredibilizar entidades com um boneco?
    Só conheço duas formas de "ocultar" algo: ridicularizar ou colocoar à vista de todos.

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