15 abril 2015

A ONU não é apenas inútil

Comunicado da ONU:
O Conselho de Segurança aprovou nesta terça-feira uma resolução contra a onda de violência no Iêmen, país árabe vizinho à Arábia Saudita.
Rebeldes houthis tentam tomar o controle do Iêmen e ao lado de combatentes ligados ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh, lutam contra grupos que apoiam o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi. Recentemente, forças da coalizão liderada pela Arábia Saudita iniciaram ataques aéreos no país.
Mais uma confirmação: a ONU não passa dum instrumento nas mãos dos Estados Unidos. Não é apenas inútil: é perigosa enquanto prejudicial.

A obra de expansão sunita, perpetrada com o braço armado das monarquias do Golfo (isso é: com os atentados "jihadistas" do ISIS), tem agora o completo apoio da organização liderada por Ban Kim Moon, que faz uma escolha de campo inequívoca: entra numa guerra de cariz político-religioso, apoiando o terrorismo radical. O mesmo terrorismo que tem o suporte financeiro da Arábia Saudita, o logístico do Ocidente e o silencioso de israel.

É uma escolha particularmente grave e cujas consequências serão possivelmente devastadoras.
Descartada a ideia duma mediação pacífica, a ONU opta para o caminho mais simples: desarmar os xiitas, apoiar a maioria sunita e a política imperialista do eixo Washington-Riad-Tel Avive.

Isso significa um carpete vermelho debaixo dos pés do ódio e do ressentimento; viabilizar uma possível intervenção de forças estrangeiras (estilo ex-Jugoslávia ou Iraque); arrastar o País para uma sangrenta guerra civil sem fim à vista.
Armas
A resolução aprovada impõe um embargo de armas ao líder dos houthis, Abdul Malik al-Houthi, ao ex-presidente iemenita Ali Abdullah Saleh, ao filho dele, Ahmed Saleh e a indivíduos ligados a eles. A medida proíbe venda ou transferência de armamentos.
O documento demanda a todos os lados em conflito no Iêmen, em especial aos houthis, que evitem qualquer ação que possa minar a transição política do país. Ao grupo rebelde, o Conselho de Segurança pede que pare imediatamente com a violência e retire todos os seus combatentes do país, incluindo da capital Sanaa.
Esta passagem tem sabor de anedota. A ONU "demanda a todos os lados" que haja paz e depois tenciona retirar as armas só dum dos dois lados, por acaso a minoria xiita. Falta-lhe entregar t-shirt brancas com círculos vermelhos concêntricos nas costas.
Crianças
A resolução pede ainda que sejam entregues todos os armamentos, incluindo mísseis, que foram apreendidos das forças militares. Outro apelo é feito aos rebeldes, para que evitem qualquer provocação ou ameaça aos países vizinhos e para que deixem de recrutar crianças-soldado e libertem todos os menores envolvidos no combate.
Segundo o alto comissário da ONU de Direitos Humanos, pelo menos 364 civis foram mortos no país desde 26 de março e entre as vítimas estão 84 crianças. Sobre o total de feridos, Zeid Al Hussein falou em 681 pessoas, mas destacou que o número real deve ser bem maior.
As crianças, claro, as fofinhas crianças. A ONU é sensível neste aspecto, até tem a UNICEF.
E a ONU sabe que as crianças do Yemen estão ameaçadas pelas armas xiitas. Não são os drones americanos que caem do céu, não são as bombas do ISIS nas mesquitas e nem as armas sunitas nas ruas: o que as crianças temem mais são os Xiitas.
Destruição
O alto comissário está pedindo investigação imediata dos ataques que resultaram na morte de civis e pediu aos lados em conflito respeito total à lei internacional de direitos humanos.
Zeid [Príncipe Zeid Ra’ad Zeid Al-Hussein dos Direitos Humanos, ndt] lamentou que os ataques aéreos destruíram prédios públicos, hospitais, escolas, aeroportos e mesquistas. Na última semana, houve aumento dos confrontos nas ruas, principalmente em Áden, a segunda maior cidade do país.
O alto comissário citou relatos de crianças recrutadas para o combate nas cidades de Áden, Dhale e Mareb e disse que a cada hora, seu escritório recebe "relatos perturbadores e profundos sobre o peso do conflito na vida dos civis".
Zeid Al Hussein apelou a todos os lados para negociarem o fim do "conflito e da devastação no Iêmen, lamentando que a maior parte do país está sofrendo com os efeitos dos confrontos armados, levando a uma situação humanitária que viola seriamente os direitos humanos.
Pois. São coisas que acontecem num País incomodo, acusado antes de ser campo de treino de Al-Qaeda, depois atacado pelas bombas dos EUA, agora massacrado pelos radicais do ISIS com o apoio dos petrodólares. Só a total ignorância do público ocidental pode engolir alegremente este autêntico nonsense.

Mas num mundo de banda desenhada como o nosso, a hipocrisia não ganha desprezo mas aplausos e capas de diários.


Ipse dixit.

11 comentários:

  1. Chaplin15.4.15

    A ONU é um instrumento nas mãos dos Estados Unidos, ok. E os Estados Unidos é um instrumento nas mãos de quem? Eu sei, mas acho que muita gente não sabe...

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  2. Anónimo15.4.15

    Chaplin, boa questão.
    Pode-se debater este assunto. Seria muito interessante.

    Krowler

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  3. Chaplin!

    Acho que vou escrever um e-book só para Chaplin: "A Vida além do Sionismo" :)

    Como sempre: não concordo.
    Tenho sempre dificuldades em acreditar em teorias onde alguém domina o mundo. Como o NWO: faz-me lembrar a Spectra de 007.

    Continuo a achar que quem manda é o dinheiro. Depois há várias "correntes". Há os Sionistas, de certeza, mas há também mais do que isso. Penso que o Sionismo represente uma maneira de entender o Estado e os seus relacionamentos com o resto do mundo basicamente ultrapassada. O colonialismo praticado, por exemplo, além de cruel é patético. Mas se olharmos para o que acontece fora de israel, podemos ver como em Tel Avive estejam parados no tempo.

    Nos outros continentes os Países tendem a aglutinar-se: podemos gostar ou não (e eu não gosto), mas a tendência é aquela. Neste sentido, israel está sozinha: tem os Estados Unidos (com um relacionamento de amor-ódio), mas depois fica condenada a permanecer isolada. E no futuro não poderá haver mudanças até Tel Avive não mudar de rumo.

    Mas também nos EUA há resistências. O simpático Obama não enviou tropas para a Síria e isso apesar das pressões israelitas. Não quis? Não, não tinha dinheiro (e tinha também razões políticas internas). Os EUA não atacaram o Irão, aliás, com este irão assinar um acordo no próximo Junho. É verdade que entretanto foi inventado o ISIS, mas esta é uma manobra muito muito mais cara e financeiramente apoiada pela Arábia Saudita.

    Atacar o Irão teria sido muito mais rápido e teria feito a felicidade de israel (e da Arábia). Mas teria significado também a III Guerra Mundial: e ninguém está disposto a entrar em guerra por causa de israel. A guerra com o Irão é só adiada, mas acontecerá só quando os EUA estarão prontos para isso, não quando israel assim desejar.

    Se o Sionismo fosse tão poderoso como imaginado, a Palestina nem teria posto o pé na Unesco: mas agora a Palestina aí está, após uma votação na qual apenas os do costume votaram contra (israel, EUA, Alemanha, Canadá). E este foi o prelúdio da entrada na ONU, como País observador. Por qual razão os Sionistas não impediram isso? Porque conceder tanta visibilidade?

    A mesma existência da Palestina é a demonstração de que quem manda no mundo não é o Sionismo. A Palestina é um problema para israel, mas também para a Arábia Saudita: porque não livrar-se dela e ocupar finalmente os territórios? Porque não controlar os media, criar uma false flag e acabar com isso duma vez por todas? Como é que uma Turquia tem o poder de voltar as costas ao ex-aliado israelita? Como é que ainda Hezbollah continua alegremente a bombardear as fronteiras com israel sem que o Sionismo militar consiga pôr fim a isso? Como é que a Suécia reconhece o Estado da Palestina, fazendo enfurecer israel (que fez regressar o seu embaixador)? Onde estava o Sionismo em tudo isso?

    Voltando: o Sionismo é um movimento velho que opera segundo lógicas velhas. Não "antigas", mas velhas mesmo. Por isso irá acabar (o Sionismo, não israel). Até quando existirem interesses em comum com os EUA e as monarquias do Golfo (e os interesses são muitos), o Sionismo continuará a ter uma assinalável força, a maior entre as lobbies mundiais. Mas depois?

    Abraço para Chaplin!!!

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  4. Chaplin16.4.15

    Caro Max! Primeiro posso te dizer que nossas divergências fazem bem para o blog. Quanto ao sionismo, penso que os processos históricos que os envolve é de espectro muito mais amplo do que aqui abordado. Como já citei em outros comentários, é óbvio que o sionismo não poderia exercer tamanha dominação sem a participação de inúmeros outros segmentos, usados e manipulados, e que tornaram-se seus vassalos modernos, inconscientemente até.
    Domina quem pensa e domina quem domina quem pensa...ou seja, grandes pensadores, o universo científico e os serviços de inteligência nas suas mais variadas nuances foram cooptados e passaram a serem serviçais do poder econômico/financeiro sionista. Mas para chegar-se a tal entendimento é preciso penetrar fundo na história não oficialista e identificar o quanto os acontecimentos históricos tem interdependência entre si...O sionismo usa os Estados Unidos, usa Israel, assim como seus povos como ora como escudo, ora como máscara. A Palestina está em processo de desaparecimento Max! E você mesmo já comentou essa realidade. E serve como um pretexto para o armamento de Israel. Os bombardeios do Hezbollah tem consequências insignificantes para Israel, muito menos para o sionismo... Faz uma pesquisa e vais constatar a proporção de mortos/feridos entre israelenses e palestinos. Aliás, quanto gentios valem a vida de um judeu? Nada sinaliza que o sionismo irá acabar. O establishment sionista está aí, presente e forte como nunca para provar.

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    1. "Primeiro posso te dizer que nossas divergências fazem bem para o blog"

      Sem dúvida nenhuma!

      Aliás, nem seria mal Chaplin escrever algo com as suas ideias para que possa ser publicado aqui no blog. Acho que os Leitores gostariam e eu também.

      Grande abraçooooo!!!!

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  5. Chaplin17.4.15

    O que tenho não são idéias, mas um entendimento expandido que relaciona direta ou indiretamente fatos e contextos históricos, desprezados pelo oficialismo educacional, com acontecimentos presentes, e perspectivas futuras. Mas posso te confessar que esta busca dá trabalho...mas vale a pena, como vale! Isso, pelo menos, dá um sentido diferente à vida e possibilita reduzir a tamanha "contaminação" oriunda das relações de poder e dominação. Abração.

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    1. Chaplin acho que a educação faz parte da consciência, não só a educação, mas o conhecimento real e não o "ideal"... portanto seria importante que você divulgasse esses conteúdos... eu por exemplo tenho "curiosidades"... sou ávido pelo conhecimento e não aceito nenhuma verdade como absoluta...

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