30 junho 2015

Grécia: para onde foi o dinheiro?

Enquanto Tripas pede um novo resgate e um prolongamento do programa de assistência (tinha jurado que não, nem pensar, mas enfim, sempre político é...), surge uma dúvida: para onde foi o dinheiro que até agora foi "dado" (por assim dizer) à Grécia?

A resposta está aqui:
Notas:
  • o Deficit Primário são as despesas do Governo não cobertas pelas receitas (tanto para simplificar).
  • o PSI foi uma operação do Eurogrupo para cortar parte da Dívida
  • o EMS é o Mecanismo Europeu de Estabilidade, pensado para ajudar os Países em dificuldades. E a Grécia tem que pagar o EMS...

Eu nem comento.
Façam duas contas para ver quanto do dinheiro emprestado foi utilizado em favor dos Gregos e quanto para que os "investidores" (mas quem serão estas pessoas? Mah...) não sofressem perdas.
Vamos fazer as contas juntos? Ok, vamos:
  • 66% foi utilizado directamente para a Dívida (Pagamentos de juros, Pagamentos da Dívida, Participação no PSI, Recompra da Dívida).
  • 19% foi utilizado para salvar os bancos privados.
  • 4% foi utilizado para pagar instituições (FMI e EMS)
  • 11% para ajudar o Governo grego
Isso para quem pensa que os Gregos desejem fazer a boa vida à custa dos outros.
E este dinheiro todo não é "dado", é emprestado, isso é, deve ser devolvido com tanto de juros.
Esta é a "bondade" da Zona Euro.


Ipse dixit.

Fonte: Macropolis

6 comentários:

  1. HenryWallace1.7.15

    Max, há aqui uma coisa que eu não estou a perceber. Emprestaram dinheiro à Grécia para pagar uma dívida, originando assim outra dívida, é isso?

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    Respostas
    1. Anónimo1.7.15

      Isso mesmo, é a chamada escravatura via dívida monetária. Não esquecer que a dívida é o motor do desenvolvimento capitalista.

      Phi

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    2. Olá Henry!

      Phi já disse tudo.

      Neste caso, os cidadãos da Zona Euro pagam os impostos, uma parte dos quais são enviados para os cofres da Zona Euro, a qual empresta dinheiro à Grécia para que os "investidores" (leia-se "bancos privados" e "fundos de investimentos") recebam de volta o dinheiro investido com juros.

      Mas o País precisa de outro dinheiro (os juros são a verdadeira tragédia), pede outro empréstimo e o círculo recomeça.

      Entretanto, para tentar reduzir a dependência da Dívida (esta a explicação oficial), é vendido o património do País aos privados (empresas estratégicas como electricidade, transportes, etc.).

      Geralmente, os adquirentes não têm o dinheiro suficiente para a compra total e imediata, então entram em cenas os bancos que financiam a operação (quando não entram directamente na administração do património adquirido).

      Portanto, os bancos emprestam dinheiro às grandes empresas que adquirem os bens dos Países que são obrigados a vender por causa dos empréstimos dos bancos.

      Eu acho tudo isso muito bonito.

      Abraçooooo!!!!!

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  2. Chaplin1.7.15

    A lógica entre Estados Nacionais e banqueiros privados sionistas ou parceiros no restante do mundo é a mesma. O que diferencia a Grécia do mundo é apenas uma oportunidade para reduzir o abismo entre a população e a questão, tão despercebida pelo grande público. Mas não irá longe pois os media irão "sensibilizar" a opinião pública explorando seu temor e sua total falta de visão e entendimento real sobre os fatos e interesses.

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  3. Anónimo1.7.15

    Falta o factor que vem complementar e que vem por acréscimo a especulação financeira, o Pastos Conejo p/ex acha que Portugal se safa porque tem o suporte do bce/fmi. Nada mais errado a médio/longo prazo, aqui entra esse factor:
    http://m.euronews.com/pt/308982/
    Nuno

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  4. Anónimo1.7.15

    Em uma tacada, sob a justificativa de necessidade de “preservar a estabilidade
    financeira na Europa”, medidas ilegais foram tomadas em Maio de 2010, a fim de
    garantir o aparato que permitiria aos bancos privados livrar-se da perigosa “bolha”, isto
    é, da grande quantidade de ativos tóxicos – em sua maioria títulos desmaterializados e
    não comercializáveis - que abarrotava contas “fora de balanço”ii em sua escrituração
    contábil. O objetivo principal era ajudar os bancos privados a transferir tais ativos
    tóxicos para os países europeus.
    Uma das medidas adotadas para acelerar a troca de ativos de bancos privados e
    acomodar a crise bancária foi o programa SMPiii, mediante o qual o Banco Central
    Europeu (BCE) passou a efetuar compras diretas de títulos públicos e privados, tanto no
    mercado primário como secundário. A operação relativa a títulos públicos é ilegal, pois
    fere frontalmente o Artigo 123 do Tratado da União Europeiaiv. Tal programa constitui
    apenas uma entre várias outras “medidas não-padronizadas” adotadas na época pelo
    BCE.

    http://www.auditoriacidada.org.br/wp-content/uploads/2015/06/Trag%C3%A9dia-Grega-esconde-segredo-de-banco-privados.pdf

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