22 agosto 2015

As demissões de Tripas (texto e pensamento!)

A seguir, o discurso das demissões de Tripas, o líder do movimento Syriza e Primeiro Ministro da
Grécia.

O texto encontra-se dividido em duas partes: as palavras pronunciadas em directo televisivo e o real pensamento do líder grego, obtido com instrumentação psicotrónica molecular de vanguarda.

Trata-se, como é óbvio, duma exclusiva de Informação Incorrecta. 

Discurso das demissões
Gregas e Gregos, nos últimos meses todos passamos os nossos momentos difíceis e dramáticos.
Gregas e gregos, são 5 anos que o País está de rastos.

As duras negociações com os credores foram um grande teste para o governo e para o país. Pressões, chantagens, ultimatos, asfixia do crédito levaram a uma situação sem precedentes. Todos vivemos isso.
Em vez da luta que tinha prometido, comecei uma série de negociações e compromissos que levaram o País para uma situação de caos completo, entregando-o à chantagem dos credores.

Mas todos mostrámos a paciência, a calma, a resistência do nosso povo.
Mesmo assim, os eleitores não me enforcaram, o que julgo ter sido positivo. 

A determinação que registou o referendo popular. A decisão de mudar as coisas, para mudar o país, mudar tudo o que nos trouxe para a crise e a fragmentação social.
O País continua de rastos.

Vamos ser claros: sem esta determinação popular, os credores teriam imposto a vontade deles ou teriam nos levado definitivamente ao desastre. Esta determinação tem estado presente em todas as fases das negociações. Esta determinação tem dado força para a nossa resistência, para a nossa batalha do dia-a-dia contra as exigências às vezes absurdas e as ameaças dos credores.
Os credores conseguiram impor a vontade deles. Nem uma reestruturação da Dívida conseguimos, apesar do Fundo Monetário Internacional pedir isso mesmo.

Hoje, essa fase difícil termina permanentemente com a ratificação do acordo e o pagamento da primeira tranche de 23 mil milhões de euros e o pagamento das obrigações do país, no exterior e no interior. A economia respira. O mercado será normalizado. Os bancos vão lentamente encontrar o seu ritmo normal.
Agora tudo fica adiado. Conseguimos pagar um empréstimo com um novo empréstimo. Isso significa mais juros e os bancos agradecem.

Este não é, é claro, o fim da situação difícil que vivemos durante cinco anos.
A vossa difícil situação vai continuar, exactamente como aconteceu ao longo dos últimos cinco anos.

Mas confio que pode ser demonstrado, pelo trabalho e pela coerência de todos nós, o início do fim dessa situação difícil: o passo decisivo para a normalização do financiamento da nossa economia. Um início que não é fácil, mas que nos dá perspectivas e oportunidades. É suficiente que a sociedade permaneça de pé e presente. Calma e exigente como até agora.
A vossa perspectiva é simples: trabalhar para pagar os juros. Nada mais.

Gregas e Gregos, eu quero ser absolutamente franco com vocês.
Gregas e gregos, vou fazer algo nunca tentado até agora: dizer a verdade. Pelo menos algo que seja parecido com ela, tanto para não exagerar.

Não encontrámos o acordo que queríamos antes das eleições de Janeiro. Não temos encontrado, no entanto, a reação que eu esperava. Nesta batalha fizemos concessões.
Nesta batalha fizemos muitas, mas mesmo muitas concessões. Exactamente o contrário de quanto prometido nas eleições de Janeiro.

Mas conseguimos um acordo que, dadas as circunstâncias negativas na maior parte da Europa e dado que herdámos do governo anterior uma ligação absoluta do país às condições do memorando, era o melhor que poderia ter sido.
Em vez que aproveitar a falta de rumo político e o descontentamento que vigora na Europa, assinámos um péssimo acordo. E agora vou ser original: não foi culpa nossa, foi toda culpa do governo anterior.
 
Este acordo somos obrigados a respeitá-lo, mas, ao mesmo tempo, vamos lutar para minimizar as consequências negativas. No interesse de muitos. A fim de recuperar a nossa soberania, logo que possível perante os credores. Sem aceitar como verdade infalível as suas interpretações. Sem aceitar cortes horizontais, atrocidades sobre os direitos laborais, o sangramento das cada vez mais fracas forças sociais.
Não tenham ilusões: todos terão que respeitar o acordo que assinámos.

Bla, bla, bla.
Bla, bla, bla.

Por isso decidi ir mais cedo para o Presidente da República para apresentar a minha demissão e a demissão do governo.
Bom, pessoal, fiz o que me tinham mandado fazer, agora o problema é convosco.

O mandato popular que eu tomei em 25 de janeiro esgotou os seus limites.
Melhor ir-se embora antes que alguém acorde e venha procurar-me.

E agora o povo soberano tem que tomar a palavra novamente.
Agora podem ir para as urnas, bem depressa assim as forças anti-Euro nem têm o tempo para se organizar.

Vocês, com o vosso voto, decidirão se representemos o país com a determinação e a coragem exigidas pelas difíceis negociações com os credores. Vocês, com o vosso voto, decidirão se o acordo alcançado prevê as condições para superar o impasse actual, para recuperar a economia, para tomar finalmente a estrada para deixar para trás o memorando e as crueldades envolvidas. Vocês, com o vosso voto, irão decidir quem e como pode conduzir a Grécia neste percurso difícil, mas em última análise, positiva estrada que se desdobra diante de nós. Quem e como poderá melhor negociar a redução da dívida. Quem e como poderá prosseguir com passo seguro e constante nas necessárias profundas reformas progressistas das quais necessitamos.
Já consegui partir Syriza e mesmo assim, que ganhe ela, o Centro de Neo Demokratia ou os Socialistas pouco importa: o acordo está assinado, será aplicada a mesma política de rigor que tem sangrado a Grécia e os juros vão tirar até os trocos dos vossos bolsos.

E, finalmente, com o vosso voto, vocês julgarão todos.
Doutro lado, em quem querem votar? Nos nazistas da Alba Dourada? Mas por favor... simplesmente: vocês não têm alternativa.

Gregas e Gregos, vou submeter-me ao vosso julgamento com a minha consciência tranquila.
Claro, se fosse uma pessoa séria deveria agora explicar a todos vocês a verdadeira razão da incrível reviravolta da noite do referendo. Lembram-se? Aquela que deveria ter sido a noite do triunfo da democracia e da vontade popular, quando demiti o meu Ministro da Economia Varoucoiso ou como se chama. E explicar porque, no dia seguinte, fiz exactamente o oposto do que as pessoas tinham escolhido com esmagadora maioria.

Orgulhoso pela batalha que eu e o meu governo enfrentámos. Eu tentei esse tempo todo respeitar o que prometemos. Temos negociado duro e de forma persistente ao longo de muito. Temos resistido à pressão e à chantagem. 
Sim, definitivamente deveria explicar isso porque assim seria possível para vocês entender como funcionam as coisas, compreender quais os métodos utilizados nos bastidores para subverter a vontade popular.

Chegamos, é verdade, a umas situações extremas para as pessoas e para a economia. Fizemos, no entanto, do caso da Grécia, uma questão global. Fizemos da resistência a nossa bandeira e incentivámos as pessoas a lutar pelos outros povos europeus. E Europa não é a mesma depois destes difíceis seis meses.
Seria importante explicar tudo porque o que aconteceu connosco é o mesmo que se passa nos outros Países: os métodos são sempre idênticos, nada muda.

As diferenças entre as forças democráticas e progressistas na Europa são cada vez mais sentidas.
Mas pouco importa e depois nem iriam acreditar. Continuem com o joguinho Esquerda e Direita, continuem a pensar que haja diferenças, continuem e sorriam: está tudo bem.

Gregas e Gregos, apesar das dificuldades, eu continuo otimista.
E enquanto vocês jogam, eu vou-me embora.

Acho que não vivemos os melhores dias, presos dentro da pinça das negociações.
Não foi fácil, mas consegui fazer o contrário daquilo que tinha prometido.

Peço o voto do povo grego, para governar e para exibir todos os aspectos do nosso programa de governo.
E que não vos passe pela cabeça de eleger-me outra vez ou serei obrigado a fazer novas promessas e depois novas marchas atrás.

Mais experientes, mais preparados, mais com o pé no chão, mas sempre comprometidos com o objectivo final duma Grécia livre, democrática e com direitos socialmente justos, estaremos em pé e consistentes com as novas condições e desafios.
Adeus.

Garanto-vos que não irei entregar o escudo das nossas ideias e dos nossos valores.
Fiquem bem.

A ninguém e perante nenhuma dificuldade.
E fechem o gás antes de sair.

E convido vocês, todos juntos, com calma e de forma decidida a combater a difícil batalha para colocar o nosso país de pé.
Ah! Não se esqueçam de pagar os juros, ok? Eu avisei.

Ipse dixit.

Fonte: Lista Tsipras

7 comentários:

  1. Vai longe este rapaz , com um discurso destes. Encarna um verdadeiro "político" dos nossos tempos. Capaz de afirmar com a maior desfaçatez a verdade ao revés. Já um presidente do Equador, por exemplo, Rafael Corrêa que instaurou um processo de auditoria das supostas dívidas externas do seu país, e parou com o permanente estelionato dos bancos internacionais sob a forma de juros sobre uma "dívida" no mínimo suspeita, já um cidadão assim jamais chegará a premio nobel. Já um Tsipras é bem provável, porque não?

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    1. Anónimo22.8.15

      Rafael Corrêa :)
      Ora ai esta um Homem, um Estadista como poucos há.
      E com um valente par de tomates, fez o que mais ninguem ousou fazer , desafiar o imperio e dar asilo ao Julian Assange.
      E com estas acções que se destinguem os Homens dos "homens"

      EXP001

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  2. Anónimo23.8.15

    Pois ... o tripas o syriza as suas voltas , reviravoltas, pinotes, mortais encarpados a retaguarda.
    Ca por Portugal temos o nosso equivalente o bloco de esguelha , ou bloco de esquerda como lhe chamam não sou nada apreciador destas palhaçadas.
    Mas muito importante, ponto a reter... nesta Europa ficou bem visto que quem ousa desafiar o establishment é trucidado. Mesmo que alguem queira mudar as coisas e tenha a legitimidade do voto maioria da população tera grandes dificuldades para romper a teia mafiosa de corrupcao, compadrios , interesses que não vão largar o osso sem rosnar , ladrar e morder.
    Vamos por tese colocar a hipotese que um verdadeiro partido, muito bem organizado, de ideologia forte, ideias bem defenidas, influencia em algumas areas da sociedade, com forte sentido de ruptura perante o actual sistema e uma maquina bem oleada ganha as eleiçoes e quer mudar as coisas . Vai ter o seu programa totalmente sabotado em todo o espectro , a nivel politico, na comunicacao social privada , nas grandes empresas com os administradores a criarem condiçoes de instabilidade e insatisfacao, toda a teia mafiosa de maçonarias e interesses a funcionar como células stay-behind. Seria uma verdadeira guerra que so poderia ser ganha se a maioria da populacao interiorizasse que esta realmente em guerra e que vai ser longa e constante. Vieram com conversas da 3a via, que a luta de classes era um disparate , paninhos quentes para amolecer a maioria.
    Conclusão da minha exposição : A situação da Grecia é um exemplo extremo da realidade em que vivemos, da ingenuidade da maioria que mesmo numa situcao muito dificil nao acordou para a guerra . Sera que e por isto que os comunistas sao tao odiados ;) Bem... nunca os apanhei a mentir e repetem-se vezes sem conta , ate os chamam de cassete e tudo o que dizem a mais de 20 anos bate certo com o que esta a acontecer. Serao melhores? Serao piores ? Nao sei , mas a analise deles esta bem certa.

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  3. Chaplin23.8.15

    Podemos sintetizar em poucas palavras: é mais do mesmo.

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    1. Anónimo29.8.15

      Podia não ser, mas deve ter sido avisado que uma pequena deslocação de avioneta...
      Mecher no establishment é um bilhete sem retorno.

      Nuno

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  4. E eu, que por momentos, na altura do referendo, cheguei a acreditar nele........a que aprender com os erros...

    Como diz "Chapin" acima, "É mais do mesmo", e isso é preocupante.
    Não que esteja surpreendido (Tripas politico é) mas, isto demonstra a comodidade a que as pessoas chegaram. Uma oportunidade tão boa para tentar mudar algo......

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