04 novembro 2015

O Brasil em crise

Depois de anos de crescimento, o Brasil parou de repente e começou uma descida que tem como direcção a recessão. A moeda, o Real, desvaloriza em relação ao Dólar e ao Euro, as agências de rating cortam o grau de confiança no País, os investimentos param e a produção industrial perde quase 7% só neste ano.

E como as desgraças nunca chegam sozinhas, eis que o governo de Dilma Rousseff é dominado pela tema da corrupção que envolve políticos e empresários ligados à Petrobras.

Quão profunda é a crise brasileira? Eis uma análise do Brasil visto "de fora". Pode parecer um sem sentido comentar "de fora", mas isso tem as suas vantagens: pode-se contar com a ajuda dos Leitores, correcto? Então vamos.


A crise

O Brasil nos últimos anos tem surgido cada vez mais como uma potência regional, capaz de reviver o projecto de integração político-económica da América do Sul, produzir metade da riqueza do continente e fazer parte do G7 alternativo, o grupo dos BRICS. De repente, uma queda do PIB de -2,55% em 2015 (estas as previsões), pior do que qualquer País da Zona Euro (que já não ri). Isso após uns vinte anos de relativa estabilidade macroeconómica, é um verdadeiro duche de água fria.

Explicação? Sim, uma: o sistema brasileiro ainda vive em grande parte com os investimentos estrangeiros, e, portanto, fica potencialmente propenso a grandes picos de crescimento e recaídas súbitas. E isso não é normal. Não é normal porque o Brasil é terrivelmente rico, tendo sido a Natureza particularmente benigna com esta região.

Paul Krugman afirma que é possível gerir a crise brasileira sem dramas. O que bem pode ser verdade, mas não resolve o paradoxo de fundo: um País enormemente rico que depende dos outros.

Em 2008, quando a crise começou, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social, Luciano Coutinho, falou da teoria do "descolamento" económico, segundo a qual as economias da periferia se tornariam independentes do centro da crise. Mas a crise veio e é difícil entender como tenha sido possível afirmar tamanho disparate: num mundo cada vez interconexo, no qual um espirro na Bolsa do Bangladesh provoca arrepios em Wall Street, achar o Brasil uma ilha feliz, protegida pelos Deuses da Economia, pode passar só pela cabeça duma alienígena. Ou dum vendedor de banha de cobra.

E mesmo a particular situação brasileira, a tal dependência dos investimentos estrangeiros, deveria ter feito tocar algumas campainhas: se o País depende do dinheiro investido pelos outros e se estes outros encontrarem dificuldades até nas casas deles, é inevitável que mais cedo ou mais tarde a economia brasileira seja atingida. Por isso Krugman fala duma crise que pode ser gerida mas que veio para durar. Quanto? Alguns anos.

O Brasil tem a capacidade para ultrapassar a crise: tem boas reservas, tem uma moeda que pode ser desvalorizada, só para fazer um par de exemplos. Todavia, esta é a altura em que o trabalho dos últimos anos mostra os seus limites.

O Real é negociado a cerca de 4,50 por Euro em Setembro deste ano e já passou os 4,00 Reais por Dólar: as previsões admitem que a desvalorização possa continuar.

Como sabemos, uma moeda débil desfavorece as importações mas facilita, e muito, as exportações. E é aqui que encontramos um ponto muito importante: o Brasil produz e exporta pouco, sobretudo exporta "mal". Nos últimos anos a economia brasileira tem-se focado na exportação do sector das commodities, mas estas entre 2012 e 2015 perderam entre 30% - 50% do valor. Também isso deveria ter feito tocar algumas campainhas.

Brasília afirma agora que irá apresentar, pela primeira vez na história do País, um défice orçamental negativo, com uma perda de 30 bilhões de Reais, o equivalente a 8% do PIB. As consequências são inevitáveis: além da desvalorização do Real, o governo liderado pelo PT deverá tomar uma série de medidas de austeridade para que o orçamento de 2016 possa apresentar outros valores. Dito de forma diferente: Dilma quer seguir a estrada dos cortes, em alguns casos drásticos até mas que, para boa sorte, deixam de fora as faixas mais pobres da sociedade e a Bolsa Família.

No total, será um corte nos gastos públicos entre 20 e 25 bilhões de Reais. Não é pouco e isso deita mais gasolina na fogueira do descontentamento e da oposição. Também porque os números não são nada simpáticos: só a indústria do aço perdeu 10.000 trabalhadores no ano passado.

A conta

"Não queremos acabar como a Grécia, não é?" diz a presidente Dilma na frente duma plateia de jornalistas pouco antes de anunciar a necessária reforma da Segurança Social. Uma comparação infeliz, pois o Brasil encontra-se numa situação totalmente diferente. E os riscos também são diferentes.

O que o País arrisca não é uma crise da Dívida ou apenas cortes brutais no Estado Social: o risco é pior do que isso. O Brasil arrisca ver chegar a conta e toda ao mesmo tempo. O que há nesta conta?

Na conta há os erros económicos (pelos quais não é possível culpar só a Rousseff, como é óbvio) mas também uma insatisfação de amplas faixas da população que hoje são conhecidas como a nova classe média. Paradoxalmente, aquela nova classe média que teve a oportunidade de surgir com o bem estar macroeconómico assinado também por Lula e Dilma.

Na conta há uma oposição primitiva, que cavalga a insatisfação popular, gritando "impeachment " à moda americana ou até apelando para a intervenção das Forças Armadas contra a corrupção.

Na conta há também os maus costumes que nenhum governo até hoje decidiu encarar duma vez por todas: fala-se aqui da Operação Lava Jato e das mais antigas ainda, fala-se da Petrobras, que não é uma excepção mas sim o sintoma da profunda corrupção que alastra pelo País.

Na conta há também um fanatismo político que impede de olhar de forma imparcial para uma política económica errada: gritar ao golpe é tão idiota como espalhar a ideia dum governo PT como se dum regime comunista se tratasse. Mas a cegueira política é muito mais subtil e ataca directamente as bases do assunto: é aí que a cor partidária impede encarar as questões que estão na origem da crise. E aqui temos que abrir uma parênteses.

Chama-se "Capitalismo"

Escreve o ex-Ministro Roberto Amaral:
Setores da esquerda brasileira afirmam que a defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff depende da mudança de sua política econômica. A estratégia de cabo de esquadra embute a avaliação segundo a qual não é possível defender o seu mandato porque sua política econômica é indefensável.

E aí, como quase sempre, graças à leitura primitiva de antigos catecismos, o esquerdismo se encontra com a direita na oposição à Presidente e por razões distintas joga água no moinho já caudaloso do impeachment do qual, se esse ocorrer, será ao mesmo tempo coadjuvante secundário e vítima a médio prazo.

A História não se repete, mas, sabidamente, é recorrente entre nós: nos idos de 1954 direita e esquerda, lacerdistas e comunistas saíram às ruas em um coro uníssono pela deposição de Vargas. Deu no que deu: o governo conservador de Café Filho, comandado por Eugênio Gudin, Juarez Távora e Eduardo Gomes.
O que está em jogo nos dias correntes não é o governo Dilma, mas a legitimidade de um mandato ungido pela soberania popular, até aqui incontestada. Neste caso, trata-se de uma questão de princípio: a defesa da soberania popular como fonte única de poder. [...]
A defesa do mandato de Dilma – um imperativo histórico – não exige a concomitante defesa de sua política econômica, tanto quanto a crítica ao ‘reajuste’ – e não só a ele – em nada impede a defesa do mandato, até porque essa política econômica não será alterada com a eventual deposição da presidente.

Ao contrario, o caminho para a mudança de política – apartando-a do neoliberalismo e do rentismo – depende do fortalecimento do governo. Em outras palavras: nas circunstâncias, a sucessão de Dilma – qualquer que seja ela – imporá ao país uma política econômica ainda mais conservadora.

Explica-se.

Só uma nova correlação de forças – que passa pelas ruas, pelos movimentos sociais – poderá assegurar a mudança da política econômica, ainda no governo Dilma.

Só uma nova correlação de forças na sociedade – caminhando, portanto, para além da infiel base governista no Congresso – poderá assegurar a retomada do desenvolvimento econômico e da distribuição de renda, a taxação das grandes fortunas (5% ao ano sobre as fortunas acima de R$ 50 milhões de reais nos dariam um ganho de receita da ordem de R$ 90 bilhões), a taxação dos lucros sobre capital próprio, a alteração das alíquotas do Imposto sobre a Renda, fazendo-o incidir progressivamente sobre renda e patrimônio.

Só um governo política e socialmente forte pode enfrentar o rentismo, reduzir a taxa de juros, controlar o câmbio e adotar uma arrojada política de combate à sonegação de impostos, sobre o que, compreensivelmente, não falam nem a FIESP, nem a FIRJAN, nem a CNI, menos ainda a CNC e quejandas.

É preciso ter em mente que a defesa da ordem democrática, da legitimidade do voto, da soberania popular como única fonte de poder, é o ponto de partida, mas não encerra a história toda, pois o que está em jogo em nosso país ultrapassa a preservação do mandato da presidente Dilma. Trata-se de barrar o avanço das conquistas conservadoras, que teriam o campo livre na era pós-Dilma.

O que seria esse pós-Dilma, senão o fortalecimento das forças conservadoras e reacionárias que hoje, sob o comando de Eduardo Cunha, já promovem uma virtual revisão da Constituição de 1988, dela retirando as principais conquistas sociais? [...]

Nestas linhas está toda a esquizofrenia da situação brasileira: a ilusão dum Capitalismo socialmente "bom". Uma Democracia que, para ser defendida, recorre até a "imperativos históricos".

Mas o que está em causa aqui não é a legitimidade do mandado de Dilma, este é apenas um chamariz para apelar a um cerrar as fileiras partidárias dum lado e do outro da barricada (como o impeachment da oposição). O Brasil não está em crise por causa da legitimidade do governo, está em crise por razões meramente e unicamente económicas: desviar o olhar deste problema significa só adiar a solução.

É nas escolhas económicas que encontramos o core da questão. Amplas franjas da Esquerda continuam a viver na ilusão dum Capitalismo Humano, ilusão bem alimentada pelas chefias do PT.
Mas a História (e o cérebro) demonstram que não existe nenhum Capitalismo Humano, nem alguma vez poderá existir por causa das lógicas intrínsecas do modelo económico. Há só o Capitalismo, ponto final, com os seus mecanismos idênticos em todos os cantos do planeta. E após quase três séculos, mais ou menos, todos deveríamos ter entendido como funciona, até um ex-Ministro.

Afinal, a questão é bastante simples e pode ser resumida nas palavras do meu avô: "Quiseste a bicicleta? Agora pedala". Mais nada. O que significa isso? Significa que se o Brasil deseja participar no grande circo do Capitalismo mundial (e os BRICS são a porta de entrada para este Capitalismo), com um papel de relevo até, então tem uma única estrada: aquela que o mesmo Capitalismo indica. Dúvidas? Peguem nos livros de História e vejam o que aconteceu em todos os outros Países, até naqueles que em princípio recusavam o sistema do "livre mercado". O Capitalismo não perdoa, as suas lógicas são férreas: se deixado entrar, mesmo pela porta de fundo, mesmo em quantidades limitadas, no longo prazo conseguirá ocupar toda a cadeia do comando.

Triste? Sim, sem dúvida. Mas é assim que as coisas funcionam e não importa qual partido estiver no governo. Este é um "pormenor" (entre aspas, óbvio) porque é claro que um executivo de Esquerda (qual é o PT) terá sempre mais atenção perante as questões sociais. Mas, além deste "pormenor", os mecanismos macroeconómicos que deverão ser adoptados numa economia Capitalista serão sempre os mesmos, esteja no governo o PT ou qualquer outra força política. Recusar esta ideia significa abandonar-se à ilusão dum inexistente e impossível Capitalismo Humano.

Podemos pintar o Capitalismo, apresenta-lo como sensível, simpático, até adorna-lo com motivos floreais, mas tudo isso pouco importa: sempre ele é. Vender a crise brasileira como um problema de legitimidade de Dilma é insultuoso perante os cidadãos que, antes de mais, deveriam ser informados e postos em condição de poder escolher entre as duas únicas opções que realmente deveriam estar em cima da mesa: ou continuar com o regime Capitalista envergado com decisão nas últimas décadas ou desfrutar este único momento histórico para experimentar uma segunda via.

É claro que nunca haverá uma tal possibilidade de escolha, porque o caminho já foi escolhido, não desde hoje e não com Dilma. Portanto, a estrada é só uma: adaptar o Brasil às condições que o "livre mercado" exige. E seria bem melhor fazer isso sem cair no mais truculento (e até ridiculamente primitivo) neo-liberalismo da Direita, como também sem enganar os cidadãos acerca da natureza das escolhas efectuadas (com o conto do Capitalismo "bom" ou dos "imperativos históricos"). O resto é ar frito, bom para encher as capas dos diários. 

Solução? Só uma

O Brasil paga uma democracia ainda jovem, erros de inexperiência e presunção, maus hábitos antigos
e a escolha duma estrada já batida por outros, com os relativos obstáculos. É este a mistura que fica atrás da crise.

Solução? Por enquanto há a crise que terá de ser combatida não apenas com os cortes mas também com a subida dos impostos (mais gasolina ainda na dita fogueira...). Mas seria um erro ver neste período algo totalmente negativo.

Pelo contrário, tendo o Brasil escolhido e seu futuro (e, repito, não desde hoje) tem o dever de explorar a crise para implementar aquelas reformas que são precisas. Dado que o País escolheu actuar no palco do "Capitalismo" mundial com um papel de primária importância, o Brasil terá que mudar os seus hábitos: a re-industrialização é agora uma prioridade (e isso não significa privatizar tudo à bruta), a exportação de manufactos e não apenas de matérias primas é uma necessidade. É esta a única maneira para libertar-se de investimentos estrangeiros tão condicionante.
Mas há mais do que isso.

O combate à excessiva burocracia e à praga da corrupção (sobretudo esta) são outras duas chaves indispensáveis para recuperar a credibilidade internacional, ainda antes do que o valor do Real. E tudo isso sem esquecer a ajuda para as classes mais desfavorecidas: um Brasil capitalista economicamente independente precisa de eliminar a maior parte da pobreza e criar uma cada vez maior classe média que, com a sua procura de bens, possa impulsionar a produtividade (para depois sair para as ruas e manifestar contra o governo que a criou!). Espantem-se: não são os Valores da Esquerda que pedem isso, é assim que pretende o Capitalismo.

Porque, contrariamente a quanto afirma Krugman, o problema não é apenas gerir a crise mas saber ir muito além disso, retomando e corrigindo (na óptica do "livre mercado") aquele caminho que o Brasil já tinha iniciado. Se a escolha for esta, um País votado às lógicas do tal "livre mercado", não há outras alternativas.

Pode não ser uma perspectiva maravilhosa, e não é pois o Brasil poderia talvez propor-se como algo diferente (na América do Sul é este o melhor País que - tendo em conta aspectos quais a riqueza, a demografia, a conjuntura histórica, etc. - apresenta condições tais que permitiriam a exploração de novos territórios). Mas continuar assim, com a ilusão dum Capitalismo com o rosto humano, significa continuar com um País híbrido: capitalista sim, mas dependente do dinheiro dos outros e, portanto, nunca totalmente autónomo.


Ipse dixit.

Fontes: no texto.

20 comentários:

  1. Ou seja, dadas as condições culturais do brasileiro, e ao caotico sistema político e judiciário, não tem solução a vista, e nem mesmo a prazo, rumemos para a África!

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  2. Lololololol...não Ivan, pelo contrário!

    O Brasil tem tudo para ultrapassar a crise e sair desta reforçado. Só que são precisas escolhas. Uma vez escolhido o rumo (e o Brasil parece ter escolhido o seu não desde hoje), é ir em frente seguindo as regras do jogo. Depois é normal que existam problemas: falamos dum País com mais de 8 milhões de km2 e 204 milhões de habitantes: qualquer País deste tamanho teria problemas.

    Ultrapassar a crise é um círculo vicioso, tal como entrar numa crise, só que funciona ao contrário: melhora-se o sistema judicial (este é um exemplo banal) e como consequência o cidadão ganha confiança nas instituições, consome mais, investe mais, etc.

    O sistema político... bom, aqui a coisa é mais complicada porque Democracia e Capitalismo não se dão bem um com o outro, portanto é preciso abdicar dum dos dois. Ninguém diz isso, continua-se com o conto do povo que manda nas urnas, mas a realidade é que se a escolha for o Capitalismo, então é óbvio que o sistema político será absorvido pelo jogo e no médio-longo prazo a Democracia será apenas simbólica. É a mesma situação dos Países ocidentais, sem excepção alguma.

    Eu vejo o Brasil "de fora" e estou confiante. Acho que o País está a atravessar aquela que podemos definir como uma "crise de crescimento". O que é bom sinal, pois significa que o País avança.

    Depois podemos discutir acerca do rumo ao longo do qual avança: como afirmo no artigo, o Brasil poderia tentar ser muito mais do que um outro entre os muitos Países no "livre mercado". Seria um caminho difícil, não há dúvida: mas o Brasil teria as condições para tornar-se uma força agregadora no Continente sul-americano.

    Mas este é outro discurso, não é?

    Abraçoooooooooo!!!!!

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  3. Caro Max,

    Concordo que o capitalismo tem sua lógica e que é totalmente descasado de qualquer espírito humanista.

    Por isso, tal sistema coaduna muito com o Estado Policial que está em fase de implantação a nível global.

    Quanto ao Brasil, acredito, como tu mesmo falas, devemos seguir o dinheiro, e este está engordando as finanças (banqueiros e rentistas), pois no Orçamento Federal de 2014, o governo destinou 45,11% (978 bilhões de reais) para o pagamento de JUROS e AMORTIZAÇÕES DA DÍVIDA( Fonte: http://www.auditoriacidada.org.br/e-por-direitos-auditoria-da-divida-ja-confira-o-grafico-do-orcamento-de-2012/). A previsão para 2016, é de 47%.

    A lógica do centro de Poder anglo-americana é que sejamos apenas uma nova colônia exportadora de produtos primários e precarização das condições econômicas e sociais para a população. É a lógica capitalista.

    Nas palavras de Adriano Benayon:

    Há que colocar os pingos nos is. A LRF não passa de instrumento destinado a acelerar o empobrecimento do Brasil, assegurando a perpetuação de sua condição de economia primarizada e de zona de extração de recursos naturais, para entregá-los a preço vil aos carteis transnacionais.

    Fonte: http://www.diarioliberdade.org/opiniom/opiniom-propia/58142-cair-na-real-%E2%80%93-lrf-e-juros.html
    LRF - Leis de Responsabilidade Fiscal.

    Acredito que o Estado é um grande gerente do capital.

    Concordo quanto a questão partidária, pois a cor do partido (esquerda, direita ou centro, como queira) é apenas para despistar a população de quem realmente controla o poder Estatal.

    E por fim, a corrupção é intrínseca ao sistema capitalismo.

    Abraços


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  4. Pois é Max, em princípio concordo com a tua análise, mas atenuando a tal da crise econômica.
    Não me parece que um país subdesenvolvido, das proporções territoriais e de população daquelas do Brasil, que conseguiu empregar, a ponto de obter índices de desemprego menores que nos países desenvolvidos, mereça ser taxado de estar em tamanha crise econômica. Também com as reservas que dispõe, e conseguindo alimentar praticamente toda esta imensa população, além de possuir a mais promissora empresa de petróleo do mundo em produção e tecnologia de águas profundas, onde começa a ser explorado um Iraque inteiro de combustível, ainda majoritariamente em mãos estatais,decididamente não padece de tamanha crise econômica.
    O que me parece cíclico neste país, são as sucessivas tentativas de golpe de Estado (governo Vargas, Jango, Dilma, só para citar os mais fortes e últimos) cada vez que se pretende nesta terra reforçar a autonomia estatal e um mínimo de bem estar social. Aí "o mundo vem abaixo" porque aos podres poderes de dentro e fora do país (empresariado, incluindo os donos das mídias, poder legislativo e judiciário, parte da intelectualidade, detentores de grandes heranças, parte da hierarquia militar e eclesiástica), que justamente são os maiores corruptos, sonegadores fiscais e desviadores de divisas para o exterior, a eles não interessa um Estado minimamente forte para exercer o poder regulador, e muito menos uma população que coma e, comendo tenha condição de trabalhar e, trabalhando tenha condição de estudar e, estudando tenha condição de reinventar-se com um pingo de cultura, discernimento e auto determinação.

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  5. Em tempo: que crise econômica é esta, Max!?
    A balança comercial brasileira teve um superávit de US$ 2,944 bilhões em setembro, divulgou nesta quinta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Esse é o melhor resultado para o mês desde 2011, quando o saldo foi de US$ 3,074 bilhões.
    O resultado foi puxado por uma queda maior das importações do que das exportações.
    Em setembro deste ano, foram US$ 16,148 bilhões em exportações e US$ 13,204 bilhões em importações. Desta maneira, o superávit no ano chegou a US$ 10,246 bilhões, o melhor desde 2012, quando o saldo acumulado foi de US$ 15,7 bilhões. Nos primeiros nove meses do ano passado, a balança acumulava um déficit de US$ 742 milhões.
    Somente na quarta semana, o superávit da balança comercial brasileira foi de US$ 879 milhões. As exportações no período somaram US$ 3,985 bilhões e as importações US$ 3,106 bilhões.

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    1. Maria, se estes dados estiverem certos (e não tenho razão de duvidar, como é óbvio) então não percebo eu: por qual razão Dilma fala de cortes? Não é só a oposição que fala de crise, é a mesma Presidente que agita o espectro da Grécia.

      Todavia atenção: a queda das importações significa uma queda nos consumos, o que não é um bom sinal. Vou ver se encontro mais dados além daqueles que mostraste.

      Grande abraçooooooo!!!!!

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  6. Anónimo4.11.15

    Max,

    A queda nas importações é devido a alta do dólar.

    Fereira

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  7. Olha Max, a origem dos dados é aquela que está apontada no comentário e que suponho que seja fidedigna (claro que não se jura por nada que é dito, escrito, reportado...bem sabes).
    Quanto à história dos cortes orçamentais, é mais fruto da opção "capitalista conservadora", vamos dizer assim, do ministério da fazenda cuja política a presidente se vê pressionada a sancionar na tentativa de "acalmar a oposição" (estratégia totalmente errada do meu ponto de vista) do que causada por suposta crise econômica

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  8. Anónimo5.11.15

    De tudo obviamente correto que li, o mais óbvio e mais correto se refere ao rumo que o país escolheu. O país abraçou o capitalismo e todo seu fraseado de privatizações e livre concorrência. Vê seu endividamento, mesmo que ainda baixo em referência à demais nações, crescer. E vai crescer muito com o tal rentismo praticado pelo Copom. Assiste pacificamente a sangria de 45% de tudo o que produz ser destinada ao sistema financeiro internacional. O Estado abocanha, desde priscas eras em forma de impostos dos mais variados, mais de 40% do que aqui se produz. Retorno em serviços!? Um desrespeito, e com cortes vai piorar. Nióbio e demais minerais, tudo de bandeja. Nosso projeto para o futuro? Petróleo cru extraído e encaminhado para o exterior, e lá refinado. Mais bosta de vaca e mais soja OGM. Um pouco mais de desindustrialização, um pouco mais de desemprego. Hospitais imprestáveis, escolas destruídas com professores sempre mal formados e mal remunerados, como também, alunos pessimamente formados. Há quem enxergue nisso um projeto petista, mas na verdade se trata de um projeto do Estado brasileiro, seja lá quem for seu timoneiro. Se o Brasil tem algo de moderno na visão de um cenário global, esta modernidade pode ser observada em duas ocasiões: nas facilidades ao rentismo e na desindustrialização. Nestas águas o Brasil surfa em grande companhia. O Brasil trilha o caminho que até mesmo o sistema financeiro sairá prejudicado. Este é o projeto praticado por todo o planeta. E me faz crer piamente que o capitalismo irá de fato desabar. As perguntas que devemos fazer são: quem vai sair no lucro? Seriam aqueles que se aproximam da China? E a China estará imune? O que vai sobrar? O que vem a seguir? Será que viajei na maionese?

    Expedito.

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  9. Excelente visão, Max.
    Ao começar a ler pensei que ia ver repetida as mesmas ladainhas que induzem ao erro sobre o que se passa aqui no Brasil. Teve a competência de buscar boas informações e dados reais. Só gostaria que completasse o bom texto com o principal motivo do pessimismo econômico que vivemos agora. Ele é fruto de um discurso programado para nesses anos finais do mandato da Dilma criar um clima recessivo na população. Por isso a queda nas vendas do comércio interno seguido de desemprego. Todos os dias a grande mídia prega essa ideia ao povo, que acredita.
    Mas porque fazem isso se são empresas que deveriam querer o bem da economia?
    Simples: o Supremo Tribunal Federal tornou ilegal doações de empresas aos partidos políticos! E o PT apoia essa proibição, mesmo que tenha se aproveitado dela ultimamente.
    Assim, os empresários temem não conseguir eleger seus lobistas, ou melhor, políticos que defendam os interesses de suas empresas. Como retaliação a isso, somando o que as investigações citadas no seu post estão fazendo, os empresários estimulam a crise demitindo pessoas e aumentando os preços sem razão só pra fazer valer suas vontades de controlar políticos. Bom ressaltar que a maior parte dos brasileiros gostaram dessa decisão do STF.

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  10. Anónimo5.11.15

    Excelente blog, o nível dos comentários é fantástico.

    Concordo completamente com Anjjos e Maria, e minha humilde visão é que estamos vivendo uma tentativa de mudanca de regime à la primavera colorida, iniCIAda em junho de 2013. Apesar de sermos uma república bananeira não somos a Ucrânia ou a Síria, então os métodos são um tanto mais soft, mas as consequencias cruéis da mesma maneira.

    Não basta sermos limitados a um lugar subalterno da ordem mundia por dispositivos como mencionados por Anjjos, temos de dar mais sempre. Agora foi ou é nosso petróleo e nossa soberania na realizacao de servicos de arquitetura.

    Faltausername

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  11. Caro Max:

    A raiz do problema brasileiro chama-se Banco Central do Brasil. Ao invés de um Banco Nacional do Brasil, capaz de emitir moeda na forma de crédito soberano, temos um vassalo de Basiléia que só serve para manter o país acorrentado aos interesses nacionais e estrangeiros anti-populares. Dilma não compreende isso, a esquerda brasileira, salvo raríssimas excessões, também não.

    A propósito, um artigo de F. William Engdahl sobre como a Rússia poderia "dar a volta por cima", poderia servir de modelo para o Brasil também. No referido artigo, basta trocar a palavra "Rússia" por "Brasil" e tudo o que nele está escrito se encaixa perfeitamente num discurso lógico sobre uma solução plausível para a crônica crise brasileira. O artigo pode ser lido aqui: http://journal-neo.org/2015/11/03/russia-can-solve-all-economic-problems-itself/

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  12. Chaplin7.11.15

    Quem conhece a verdadeira história do Brasil sabe o que acontece quando o país ensaia algo além do que foi e é programado pelo poder maior e paralelo, leia-se sionismo maçônico bucheiro, que sempre agita e tumultua o país em momentos que é sinalizado algo minimamente diferente. Assim foi com a guerra do Paraguai, pensada estrategicamente para fragilizar economicamente a nação e abrir o caminho para a queda do Império e a ascensão dos banqueiros sionistas através dos maçons revolucionários, sob a falsa bandeira da "filantropia e liberdade". Agora, o sionismo retira grande parte de seu capital externo, numa economia que responde por mais de 80%. E por que? Pela disputa da maior riqueza da história. O pré-sal. O governo atual não privilegiou quem sempre é privilegiado. As quatro irmãs querem vingança. E de quem são as gigantescas indústrias petrolíferas? A chamada crise é mera conseqüência disso, ficando os media responsáveis por propagar uma sensação ainda maior da situação. Exemplo: o câmbio, a moeda, obviamente se super-desvalorizará pela redução de dólares no país. E o ganha-ganha continuará se repetindo sempre em favor dos mesmos. Os preços e impostos sobem, os salários ficam estagnados, tudo pelo pretexto da "crise" criada pelos "conquistadores" do mundo, e avalizados pelo instituto da servilidade reinante.

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  13. Pois é Chaplin, é por isso que eu acho que não há solução, pois cabe ao governo (independente de partido) defender a nação desses ataques, o mundo é assim, esse é o sistema e quando o país não tem poder de ração, acaba como muitos países da África que nunca se desenvolvem, estão sempre em revoluções e guerras.
    O que entristece é a divisão do povo em opiniões totalmente contrárias e uma completa falta de autocrítica.

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    1. Chaplin7.11.15

      Acho que você não entendeu. Existe um governo dentro do governo, e os interesses do povo sempre ficarão em segundo ou terceiro plano. Não é uma questão de mera opinião, são os fatos históricos não contados e muito menos ensinados. Entendimento zero.

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  14. Anónimo9.11.15

    Uma pequena opinião de
    Quem assiste de fora e ainda à pouco esteve aqui com familiares daí: exactamente um governo dentro do governo.
    Mandam para lá os John Perkins do costume, que fazem o que costumam fazer e com bastante subtileza arranjam un$ amigo$ bem colocados lá dentro. Criam instabilidade. A ideia é favorecer o controlo dos vossos bens adquiridos (e não são poucos não é só o pré-sal, é muito, mas muito mais
    um engodo) como cidadãos de um país muito rico mas mal administrado à séculos com o intuito de privatizar (a pior solução possível ) o que é vosso e passará a ser das corporações sem fronteiras que controlam este mundo. E para usar o que é vosso ao contrário pois pagam para usar recursos dentro das vossas fronteiras ao contrário de servir para melhorar o vosso nível de vida.
    Isto é o que fazem pelo mundo fora e depois resultado têm vos na mão.
    É sempre a mesma história o problema é que ninguém vai depois responder (países lol)por nada pois são multinacionais com capital disseminado pelo mundo assim como os próprios donos, pura e simplesmente não têm ou existem fronteiras.
    Os erros cometidos no presente pagarão as gerações futuras.

    Nuno

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  15. Anónimo9.11.15

    Pobre Brasil! aqui não se pode ter opinião própria e vejo que este blog está entrando nessa roubada também de sencurar postagens! lamentável.

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    1. Anónimo, este blog não censura nenhum comentário e qualquer Leitor, seja "aficionado" seja ocasional, pode tranquilamente escrever a opinião dele com a absoluta certeza de que esta será publicada.

      Os únicos comentários que são apagados por mim são aquele definidos como spam, isso é, que nada têm a ver com o blog. Exemplo prático, o último comentário removido (e ainda presente na pasta do spam):

      "Eu sou tão grata por xxxxxxxxx, eu estou tão feliz estou vivo para testemunhar o bom trabalho do óleo de cannabis e sua cura milagrosa, Meu nome é xxxxxxxxxxx da Espanha. Eu estava diagnosticar com câncer de mama há 3 anos, e desde então eu fiz um monte de quimio e radioterapia que não me ajudou, mas apenas danificado meu sistema imunológico e tornar-me fraco e indefeso. Me deparei com as lágrimas xxxxxxxxxx e eu li sobre o óleo de xxxxxxxxxx e viu que ele poderia me fornecer o óleo aqui na Espanha. Etc., etc".

      Sendo esta publicidade (as xxxxxxx escondem também o nome do produtor) e não uma opinião, fica logo eliminada.

      Agora, se o Leitor não conseguir enviar um comentário, o problema não é meu. É por isso que às vezes o mesmo comentário aparece duas ou até três vezes: na dúvida, alguns Leitores preferem envia-lo mais do que uma vez. Serei depois eu a apagar as cópias redundantes, desde que sejam perfeitamente idênticas entre elas.

      Mais nada.

      Abraço.

      Eliminar
  16. Anónimo9.11.15

    Obrigado, pela consideração de responder, talvez tenha ocorrido isso mesmo. Seu blog serve como uma "válvula de escape", a mídia brasileira esta infectada, toda voltada para o mesmo interesse, alienada e, pior, esses que tanto criticavam a censura e a ditadura, agora no poder não aceitam críticas, nos caluniam e chamam de conservadores?! eu que sou um trabalhador, que vim de baixo e que fiz faculdade pública sem depender da política do "pão e circo" do PT.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tranquilo Anónimo, já perdi comentários meus também: clico em "Publicar " e chega uma mensagem de erro. Tudo o que escrevi fica perdido. E eu fico histérico :)
      Mas acontece.

      Abraço!

      Eliminar

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