14 novembro 2015

O massacre em França

Sábado de manhã, dá para ficar acordado até tarde e tentar perceber o que aconteceu em França.

Por enquanto fala-se de 126 mortos, mas o total pode subir. Todos os terroristas islâmicos mortos também, ou suicidas ou abatidos pela polícia.

A primeira coisa que passa pela cabeça é false flag.
Normal, assim somos estados habituados. O que aconteceu com Charlie Hebdo no princípio do ano, com as fortíssimas dúvidas, as incongruências e, por fim, o segredo oficial acerca das investigações, é uma recordação demasiado recente.

Mas algo não bate certo desta vez.


False flag americana? Talvez não

Os Estados Unidos precisam de aliados para abater o regime da Síria. E a França já tem sido um dos Países que mais têm contribuído em termos militares. Aliás, o recente aumento dos efectivos franceses no conflicto é uma das causas do ataque, como reivindicado pelo comunicado do Isis. Se a ideia tivesse sido "provocar" um País ocidental para força-lo a empenhar-se mais na guerra no Oriente Médio, o objectivo deveria ter sido outro.

Neste contexto, não é possível esquecer que já no dia anterior, na Sexta-feira, um rabbi tinha sido assassinado em Milano e a polícia tinha executado uma série de operações contra células do Isis em território italiano: também neste caso, estamos perante um País que recentemente tem aumentado a sua presença na guerra contra a Síria.

Este ataque irá favorecer de forma pesada os partidos da Direita francesa, em particular a Frente
Nacional de Le Pen. Já no topo das preferências nas sondagens, após o massacre de ontem verá o número de eleitores subir de forma consistente.

Não é uma boa notícia do ponto de vista de Washington: o status quo na Zona Euro tem sido baseado no controle efectuado pela Alemanha, com a França de Hollande em evidente dificuldade para contrastar a chancelera Angela Merkel. Com a Frente Nacional no governo (hipótese ainda mais provável após o ataque) a situação fica muito mais complicada: as reivindicações da Le Pen assustam Berlim que, até hoje, tem seguido as ordens americanas.

O ataque contra a França lança sombras sobre a política de acolhimento dos imigrantes varada pela União Europeia e bem vista pelos Estados Unidos. Sem dúvida serão apresentadas aos cidadãos as diferenças entre os muçulmanos e os radicais islâmicos, mas o clima ficará mais "pesado" em volta dos imigrantes e o acolhimento será encarado cada vez mais de forma negativa.

Uma manobra para atingir Moscovo? Muito difícil. A Europa tem aderido às sanções contra a Rússia: e todos sabem que Putin decidiu intervir contra o Isis. E nem podemos esquecer o recente atentado do Isis contra o avião russo: o massacre na França não mexe duma milímetro o relacionamento entre Europa e Rússia. Eventualmente, põe Europa e Rússia do mesmo lado da barricada, aquele das vítimas. Não é isso que Washington deseja.

Mais um fase da "política do medo" muitas vezes assinada pelos EUA? Também esta explicação não é suficiente pois, contas feitas, os contras ultrapassam os prós do ponto de vista de Washington.

Outras hipóteses

É difícil ver este como um false flag. E ainda mais difícil é vê-lo como um false flag de matriz estadounidense, pois há outro pormenor que deve ser considerado: os atentadores de hoje nada parecem ter a ver com os de Charlie Hebdo. Aqui estamos perante indivíduos realmente prontos a morrer, pessoas que não hesitaram em rebentar-se no meio da multidão. Segundo as primeiras notícias (que devem ser confirmadas), os terroristas vinham da Síria, onde combateram nas fileiras do Isis: cidadãos franceses muçulmanos, bem treinados nos combates contra as tropas governamentais.

Haverá tempo para tentar analisar os factos. Eventualmente poderão surgir provas que desmentem quanto escrito até agora. Há também a possibilidade de que possa ser um false flag não americano. Mas até agora temos que considerar uma outra hipótese: que seja mesmo uma operação do Isis.

Contrariamente a quanto acontecia com Al-Qaeda, entidade imaterial e cujas acções sempre podiam
ser interpretadas à luz da geopolítica americano-hebráica, o Isis é um verdadeiro Estado, e se armas e financiamento são ocidentais ou de origem filo-ocidental (as monarquias do Golfo), o exército dele é real, os fanáticos ideológicos são reais.

Do que precisa o Isis? De mão de obra, para acabar com uma guerra (aquela contra o regime sírio) que está a perder, tal como acontece com os exércitos ocidentais. O massacre em França é a melhor maneira que o Isis tem para recrutar pessoal.

Neste aspecto, e provavelmente pela primeira vez, um ataque contra israel não faria sentido. Mesmo discurso em relação às monarquias do Golfo, pois não se morde a mão de quem oferece a comida. A Europa, pelo contrário, é o objectivo perfeito; e a França é a primeira escolha, com os seus 6 milhões de islâmicos e uma taxa de desemprego que atinge em particular os jovens (muito dos quais muçulmanos). Esta acção de cariz militar pode ser o sinal de que o Isis está a "crescer": não em termos quantitativos mas qualitativos.

Um atentado que, de certeza, não será tão mal-visto em israel. O governo de Tel Avive está bem ciente de que o nível de simpatia que consegue no Velho Continente está cada vez mais baixo: o massacre reforça a ideia do hebraico qual Estado ponta de lança democrática e ocidental no Vizinho Oriente.

As monarquias do Golfo? Também ganham com o recrutamento de novos jovens que casam a causa whabbista.

Repito quanto já afirmado: estas são apenas as primeiras ideias, escritas enquanto a polícia presidia as ruas de Paris e as forças especiais estão ainda empenhadas em operações contra bases dos jihadistas.
As observações feitas até aqui vale o que valem: será preciso esperar os próximos dias, e sem dúvida seguiremos os eventos com particular atenção, para tentar decifrar quanto acontecido hoje.

Se é que há algo para decifrar.
Porque, como escreve o jornalista Paolo Barnard:
O governo dos Estados Unidos, no final de 2014, na tentativa de matar 41 supostos terroristas tinha assassinado 1.147 pessoas. Há cerca de 28 mortes inocentes que nada tinham a ver com isso por cada suspeito que Washington queria matar (sem julgamento).

Com este tipo de «precisão», o Isis ontem teria assassinado 2.800 pessoas na França.
Felizmente, os do Isis são mais precisos. Felizmente por assim dizer, como é óbvio. Mas é um facto.
Não é uma justificação, como é claro.
Mas não deixa de ser algo que não podemos esquecer, tal como os muçulmanos não se esquecem.
É um facto.
Ipse dixit.

29 comentários:

  1. Quem espalha vento, colhe tempestade!

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    1. Olá Adir!

      O problema é entender de que lado chega a tempestade.
      No caso da Rússia, por exemplo: aumenta o seu envolvimento contra o Isis e lhe abatem um avião cheio de turistas. Foi o Isis? Talvez, mas os indícios apontam para outros.

      Mas hoje já não é suficiente não empenhar-se contra a Síria para ficar em paz: há também quem deseje um maior empenho dos vários Países e um massacre terrorista é óptimo para empurrar a opinião pública.

      Realmente não sei como interpretar este atentado...

      Abraçooooooo!!!!!

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  2. Anónimo14.11.15

    ^^Exacto^^
    Mas quem financia este(s) grupos dá as ordens o tal como no 11/9, Madrid, Londres, Mumbai o estanho caso de Janeiro em Paris e novamente em Paris. O objectivo é preciso criar ódios e divisão além de instalar o medo. Para isso foi criado o Patriot Act nos EUA e agora na Europa algo semelhante, pouco a pouco no nome de 1 ou 2 malucos em 1000 vamos começar a ver as liberdades cada vez mais limitadas. Restrições das liberdades adquiridas no fim do século passado...a resposta será sempre controlo e porquê esse aumento de controlo...a resposta daqueles que dizem ver para crer tem um nome a******o(*).
    Quem ganha ou lucra é quem ao longo da história sempre criou situações iguais para desviar o curso da mesma para satisfazer os seus propósitos, ou imediatos ou a médio prazo. Na segunda feira e próximos dias é ver as empresas de/ e ligadas à indústria de armamento ter um aumento súbito nas bolsas de valores.
    Mesmo sem guerras lucram, mas se criarem o atrito necessário ganham mais.
    É o mundo que vivemos, os meios justificam os fins sejam um avião cheio de Russos ou Franceses a gozar o princípio do final de semana. Podia ser qualquer um.
    Um mundo dominado não pelo humanismo mas pelo deus capital, onde vale tudo para fazer o lucro.

    Nuno
    (*)

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    1. Olá Nuno!

      "Mas quem financia este(s) grupos dá as ordens o tal como no 11/9, Madrid, Londres, Mumbai o estanho caso de Janeiro em Paris e novamente em Paris. "

      Sim, este é um dado importante, verdade. Mesmo que esta tenha sido uma operação realmente do Isis, os financiamento têm a mesma origem de sempre.

      "Quem ganha ou lucra é quem ao longo da história sempre criou situações iguais para desviar o curso da mesma para satisfazer os seus propósitos, ou imediatos ou a médio prazo."

      O que é bem verdade também...

      "Um mundo dominado não pelo humanismo mas pelo deus capital, onde vale tudo para fazer o lucro."

      É preciso um reset. Mas não há forças suficientes para implementa-lo. Por enquanto é só ficar alerta, tentando entender o que se passa para não cair num desenho que não é nosso. Não é uma grande satisfação, mas os tempos são que são...

      Abraçoooooo!!!!!

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  3. Maquiavel14.11.15

    Algumas notas e opiniões pessoais:

    - Fala-se que um dos terroristas era Sirio porque, foi encontrado com o passaporte (os terroristas, como já sabemos, levam sempre os documentos consigo nas suas missões)

    - A palavra comum que esta a ser utilizada pelos média: "ESTADO DE GUERRA"

    - Um dos objectivos dos ataques poderá ser acabar com o Espaço Schengen, já vários países europeus começaram a fechar as suas fronteiras. Curioso que um dia antes, Donald Tusk tenha dito que iriam fazer de tudo para segurar o acordo, apesar de ser uma corrida contra o tempo.

    - O ódio em relação aos muçulmanos vai aumentar, é inevitável

    - Hoje, um dia depois dos atentados, temos a segunda ronda de conversações em Viena acerca da guerra civil Síria. Não será este um ataque para pressionar alguém?

    - A coordenação, detalhe, e eficácia dos ataques são demasiado perfeitos para terem sido executados sem a cumplicidade de algumas instituições. Não foi um ataque, foram 6 em sítios diferentes. Incrível........

    Agora uma opinião:

    Provavelmente veremos nas próximas semanas, vários países da NATO a entrar na guerra da Siria, não só de forma aérea mas terrestre. Certamente irao se juntar na luta contra o ISIS mas, no final, irao querer a recompensa e a Siria tem muito para oferecer. O problema é que teremos provavelmente uma Siria ao estilo Alemanha da guerra fria. De um lado os aliados do ocidente e do outro a Rússia e companhia. Depois só teremos que rezar porque, só a ajuda divida nos poderá salvar da desgraça.......infelizmente não acredito no divino

    Estarei a fazer um filme demasiado grande?

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    1. Maquiavel14.11.15

      E esqueci-me de mencionar a hipocrisia do ocidente.

      Um ataque em Paris da direito a 2 semanas a falar do assunto. Um ataque em Bairute, da direito a 20 segundos no telejornal no dia após o acontecimento. Um ataque em Paris faz com que as pessoas gritem em coro "#PrayForParis"...... um ataque em Paris da direito a minutos de silencia em eventos desportivos. Em Bairute, e em outros países insignificantes as vidas humanas tem menos valor e não merecem tamanha atenção e respeito........que raio de mundo este em que vivemos.....

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    2. Olá Maquiavel!

      Não me parece um "filme demasiado grande": nesta altura todas as hipóteses estão em cima da mesa. Só com o avançar das investigações é que costumam aparecer as falhas.

      Só algumas notas, tanto para debater o assunto:

      - não me parece um trabalho tão profissional: afinal, os terroristas precisaram das armas e dum relógio. Aliás, se for verdade quanto dito (o grupo que matou no restaurante depois atacou o seu alvo principal) parece-me uma acção com demasiados riscos de insucesso (perigo de ser interceptados pela polícia já no decorrer da primeira acção).

      - fecho do espaço de Schenghen: não entendo qual a vantagem dos EUA ou de israel/monarquias do Golfo.

      - reunião em Viena: este sim que é um argumento muito, muito forte. O ministro alemão que tinha expressado dúvidas acerca da presença de Berlim na Síria (e da táctica que está a ser seguida), ontem estava sentado ao lado de Hollande no estádio...

      "que raio de mundo este em que vivemos....."
      Subscrevo na integra. Estamos perante acções de guerra contra cidadãos e nem sabemos qual a verdadeira razão.

      Abraçoooooooo!!!!

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    3. Maquiavel15.11.15

      6 sítios diferentes, pelo menos 6 terroristas eram, armados com metralhadores e bombas numa das cidades mais vigiadas do planeta......não me parece que seja trabalho para jovens "problemáticos".

      Mas o mais evidente é a data e o local dos incidentes: Nas redondezas do Stade de France (onde se iniciou o ataque), onde se disputava um França vs Alemanha com o Presidente francês e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier a assistir. No dia seguinte tínhamos a segunda ronda de negociações em Viena sobre o conflito na síria. Para não falar de todos os outros acontecimentos que aconteceram durante a semana.....

      Como já disse, não me parece que seja trabalho para jovens "problemáticos", eles certamente não dariam atenção a certos detalhes.....

      E corpos dos "terroristas" nem belos, só passaportes. Até agora fala-se num sírio e num egípcio (ainda por confirmar). As nacionalidades dos terroristas ainda poderão dizer mais sobre o ataque......se não houver franceses evolvidos, há varias questão que ganham mais relevo......

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    4. Olá Maquivael!

      Paradoxalmente, quanto mais notícias procuro, quanto menos parece um trabalho profissional.

      O explosivo, por exemplo, é mesmo caseiro: água oxigenada, ácido clorídrico e acetona, todos ingredientes que qualquer pessoa pode encontrar numa mercearia para a "Mãe de Satanás", explosivo muito instável.

      O comunicado do Isis está errado: anunciava um atentado também no 18º Bairro onde nada aconteceu.

      Dois atentadores fizeram-se explodir porque descobertos:
      - um deles enquanto tentava entrar no estádio de futebol. Imaginem, esperar entrar no Estádio onde está o Presidente da República com explosivo, é preciso ser um génio
      - o outro também se fiz explodir matando 1 transeunte. Um "mini-atentado".

      Estes não são profissionais.

      As armas chegaram talvez via Bélgica ou via Alemanha: no passado dia 5 de Novembro a polícia da Baviera prendeu um indivíduo que transportava um verdadeiro arsenal: bombas, kalashnikov, pistolas. O homem era do Montenegro, pista muito interessante: se queres comprar armas, vais nos Balcães e encontras tudo.

      Mas tudo isso não invalida nem a hipótese dum false flag nem aquela dum atentado "autêntico". Provavelmente os terroristas não eram profissionais mas pessoas ligadas à França com experiência em combates (Síria). O importante é entender que forneceu o dinheiro: uma operação assim custa por via das armas.

      Um kalashnikov no mercado negro custa entre 4 mil e 8 mil Euros (17mil - 34mil Reais; nas lojas são muito mais baratos, claro), um por cada 7 pessoa dá no mínimo 28 mil Euro. Juntamos algumas outras armas, munições, um mínimo de equipamento paramilitar, o custo das deslocações, os carros, talvez documentos falsos... não é um montante assustador, mas nem são trocos.

      Acho que seguir a identidade dos terroristas não vai dar em nada. Explico: mesmo que seja um false flag, estes são piões e será muito complicado descobrir ligações que não sejam com o Isis. Mas isso não significa nada: tanto no caso dum atentado "autêntico" quanto no caso dum false flag, é óbvio que a mão de obra saiu daí.

      Pessoalmente fiquei curioso com a pista dos Balcães. É que aí podes encontrar tudo: facções islâmicas, nacionalistas sérvios, albaneses, a Nato, a ONU... Mas é difícil que, mesmo se for descoberto algo, alguém venha a contar algo.

      Seja como for: a hipótese do false flag começa a ganhar adeptos. E talvez não sem razões. Os atentados em Paris foram algo muito diferente daqueles de Charlie Hebdo: mas é provável que alguém tenha explorado o fanatismo de alguns para atingir muitos.

      Abraçooooooo!!!!!

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    5. Maquiavel15.11.15

      Sim Max mas, eu nunca disse que foi executado por profissionais o que eu disse foi o seguinte:

      "A coordenação, detalhe, e eficácia dos ataques são demasiado perfeitos para terem sido executados sem a cumplicidade de algumas instituições"

      sublinho "......sem a cumplicidade de algumas instituições"

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    6. Maquiavel15.11.15

      Quanto aos "jovens problemáticos" só não acho que seja na cave de um apartamento de Paris que se crie "artistas" dispostos a suicidar-se.....

      É melhor esperar por mais detalhes......

      Cumprimentos

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    7. Não acho que irão utilizar tropas terrestres, pelo menos não os EUA. Dependendo dos EUA eles vão seguir a mesma receita de guerra que no passado ajudou a criar o próprio Estado Islâmico, vão armar e financiar exércitos que já lutam na região para não se expor politicamente, já que as eleições são em 2016. Depois vão reclamar que nasceu outro grupo extremista.

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  4. Me surpreende um pouco não teres mencionado a possibilidade (já que estamos no plano das hipóteses, nós pobres cidadãos comuns) do governo francês ter altos interesses no fechamento das fronteiras para imigrantes, refugiados etc (os guetos muçulmanos em Paris, cercados com muros pela polícia já dão bastante trabalho, digamos), além de também convencer as multidões que completar as estratégias de Estado policial em França serve aos interesses por segurança desta mesma população. Concordo com a vantagem de juntar militância à Isis, mas acrescento os meus pitacos que, tudo junto incluído, beneficia a todos os sistemas de poder, menos naturalmente as eternas vítimas incautas de sempre. A bem da verdade, do meu ponto de vista, nada de novo no front, reedição do 11 de setembro, agora na França, com algumas diferenças de objetivo claro, antes terror, comoção e medo contra os terroristas e necessidade de acabar com o Iraque. Hoje, terror, comoção e medo contra os terroristas e consequente necessidade de proteger a gloriosa nação francesa (sou filha de francês) contra a "invasão de hordas selvagens".
    A propósito, e justamente porque respeito as verdadeiras vítimas, gente comum, tanto do 11 de setembro (os sionistas e seu dinheiro já haviam saído das Torres quando estas ruíram), como da sexta-feira, 13 de novembro da França, gostaria de sugerir àquele anônimo comentarista da II, que considera não haver limites para a sátira, que acompanhasse os próximos movimentos do Charlie, a ver se fica comprovada a sua hipótese.
    E, por falar em comprovações, ontem enquanto esperava a transmissão do jogo Brasil-Argentina (o Brasil esteve abaixo da crítica), as notícias do sinistro começavam a pipocar e, aqui em casa, o Bernd me traduzia do alemão e eu do francês para ele. Tudo igual, e eu procurando palavras, sentidos, nas declarações aqui e ali, que me permitissem elaborar alguma conjectura. Até aqui...cheguei onde estou.

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    1. Olá Maria!

      Sim, pode ser: como afirmado, nesta altura tudo é possível.

      Só não concordo muito com a ideia da França que pode ter armado tudo isso só para fechar as fronteiras. A França é terra de confrontos entre comunidade muçulmana e cristã, não desde hoje: talvez alguns agentes provocadores no interior teriam obtido o mesmo efeito com menos riscos. Agora, pelo contrário, terão que lidar com a oposição interna de não quer mais envolvimento na Síria porque isso provoca problemas. Além, como afirmado, de fazer o jogo do partido da Direita radical.

      Interessante, pelo contrário, uma notícia encontrada hoje: John Kerr, secretário de Estado dos EUA, sugere um desempenho ocidental como nova maneira de encontrar uma solução na Síria. Isso surpreendeu-me e põe o atentado sob uma nova luz.

      Também Pepe Escobar (que é uma das minhas "guias") por enquanto casa a hipótese dum atentado real. Por enquanto, claro.
      Mas não deixa de sublinear:
      - o enorme fracasso da inteligência francesa e do Ministro do Interior.
      - as razões duma vingança, acumuladas ao longo dos anos: Líbia, Mali, Síria...
      - o "timing" da operação, mesmo no dia anterior dos EUA anunciar a possível morte de Jihad John e antes que desde a reunião Viena fosse possível difundir alista dos 10 maiores terroristas na Síria.

      Eu não sei, desta vez não consigo ter certezas. É muito cedo.
      Mas pensámos a mesma coisa: estou curioso de ver como aqueles "divertidos " de Charlie Hebdo vão reagir.

      Grande abraçooooooooo!!!!!!

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    2. Também não concordo, não iriam criar um false flag apenas com o intuito de fechar fronteiras. Posso até concordar que o fato de achar um passaporte Sírio (passaporte esse feito de material anti-bomba rsrsrs) pode ter sido para utilizar para este fim, assim como justificar os bombardeios franceses. Sobre o anônimo do Charlie Hebdo que você fala, deve estar falando de mim apesar de eu nunca ter postado em anônimo. E sim, vale a sátira e provavelmente eles vão fazer, e estou esperando porque vai ser um dos melhores assim como foi após o atentado contra eles.

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  5. Sim é muito cedo. Mas é geralmente na altura antes e depois que se sucedem "os movimentos".
    Vou tentar ir por partes isto realmente é como disseste não é um trabalho "profissional" o que houve foi coordenação e algum treino possivelmente militar.No CHebdo o que vi foram paramilares. Aqui são o fruto de certas "organizações" que alimentam partes descontentes de parte das populações que levam com o Al Corão ou a Bíblia ou outro na cabeça. A juventude é problemática, descontentamento+ indoutrinacao o que provoca jovens com poucas perspectivas a motivação para fazer algo não em seu nome mas de algo divino (mas muito e irroneamente interpretado).
    São células, aqui vai a pior parte semi-autonomas/autónomas.
    Como combater algo assim? É a minha dúvida é tu sabes a resposta.
    Nada é ao acaso, existem mais por aí, prontinhas a actuar.
    Não queria entrar em campos estranhos mas decerto já ouviste algo como Full Spectrum Dominance e outra coisa que coloquei em cima *automatização de algo nas próximas décadas.
    São ideias soltas de como vejo o que pouco a pouco se desenvolve. Espero estar errado.

    Abraço
    Nuno
    ps: desculpa o divagar, mas é só uma ideia

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    1. "No CHebdo o que vi foram paramilitares".

      Exacto Nuno: nada a ver com aqueles desgraçados que depois mataram ou capturaram; na redacção do jornal eram profissionais, sabiam o que estavam a fazer: tempo, locais, alvos, hábitos, vias de fuga, tudo conheciam antes de atacar. Um trabalho "perfeito". Demasiado "perfeito" para ser apenas "rapazes fanáticos".

      Aqui o que precisaram foi bombas, metralhadoras e relógios, nada mais: não havia fuga programada, foi encarado como sacrifício desde o princípio. Qual profissional faz isso? Aqui sim, pegas em 8 fanáticos, esperas um evento mediático (o jogo França - Alemanha) para obter a máxima eco e o jogo está feito.

      "A juventude é problemática, descontentamento+ indoutrinacao o que provoca jovens com poucas perspectivas a motivação para fazer algo não em seu nome mas de algo divino (mas muito e irroneamente interpretado)."

      "Curiosamente", os alvos escolhidos eram na maioria jovens franceses à procura de diversão numa Sexta à noite. Nenhum alvo político, nenhum media. Significativo.

      "São células, aqui vai a pior parte semi-autonomas/autónomas. [...] Nada é ao acaso, existem mais por aí, prontinhas a actuar."

      Existem e a operação do dia anterior em Italia demonstra como muitas vezes as mesquitas sejam os centros (conscientes ou não) de coordenação.

      E a Full Spectrum Dominance? É o sonho de qualquer estratega americano, sem dúvida. Pode ser este atentado fruto desta estratégia? Sim, claro que sim. Mas pode também ser a tentativa de demonstrar o contrário: que o Ocidente não conseguiu obter a tal dominação total, nem num forte aliado dos EUA como é a França.

      As estradas abertas nesta segunda hipótese são imensas. Se não foi uma false flag dos EUA e não foi um ataque autêntico do Isis, quem pode ser ter vantagem em enfraquecer a figura do Ocidente perante os muçulmanos? A Rússia? Não, acho que ninguém pode seriamente pensar nisso. Mas não há só a Rússia, há outros Países: lembramos do avião russo cheio de turistas abatido apenas há duas semanas...

      Esperemos que os próximos dias possam entregar novos elementos, porque aqui a situação é bem confusa....

      Abraçooooooo!!!!!

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  6. E porque não a Rússia? Foi neste país em que eu pensei nos primeiros cinco minutos e no qual voltei a pensar três horas depos ao saber que a dimensão foi idêntica ao da "queda" do avião civil.

    É o único país que beneficia com esta acção pois agora a França vai ajudar a destruir o Isis e vai deixar de obedecer à Alemanha.

    Acreditar que oito desgraçados são capazes de planear sozinhos um semelhante morticínio? Só as pessoas cujo pensamento foi modificado pela TV é que podem aceitar como verosímil semelhante hipótese...

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    1. Anónimo15.11.15

      Não faz parte da forma de pensar na Russia recorrer a estes metodos e la nisso eles são bem coerentes

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  7. A Arábia Saudita tem diminuído uma parte do poder da Rússia, ao vender petróleo a baixo preço... O Isis é uma aventura expansionista da Arábia Saudíta, A Rússia não pode aumentar os recursos alocados à guerra com o isis pois precisa deles para responder ao cerco dos EUA. Os EUA vão saindo do Oriente Médio e a Rússia não quer que a Arábia Saudita aproveita este vácuo de poder para crescer...

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    1. Anónimo15.11.15

      A monarquia da Arábia Saudita tambem nao pode continuar a vender o petroleo a preços destes pois vive totalmente dependente dele se bem que com a estrategia de preco baixo tenha matado o negocio de petroleo de xisto nos eua. Tambem ja olha com desconfiança para o parceiro americado que a mantem no poder a decadas e sente que o eixo do mundo esta a deslocar-se para a asia

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  8. Anónimo14.11.15

    Advogado do diabo:
    À Rússia o que interessa é provavelmente estar integrada com os EUA, UK França para dar cabo ou reduzir o poder de um ISIS financiados por produtores de petróleo, Is**l, e fundos monetários de certos lobbies do outro lado do Atlântico.
    Quantos perderam a vida é ainda mais que em Paris, os que iam à bordo do avião.
    Ou são cidadãos de 2a? ....

    Nuno

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  9. No Brasil... (...) “Houvesse atenção para esses cuidados e de há muito a empresa SAMARCO deveria ter providenciado a desocupação das áreas potencialmente mais vulneráveis, com o deslocamento de seus ocupantes para áreas próximas garantidamente seguras. Essas áreas então desocupadas, e que coincidem hoje com a mancha de lama que pode ser vista em imagens aéreas pós-rompimento, seriam então utilizadas para funções de baixa presença humana, como bosques florestados e parques. Ou seja, inaceitável que nessas áreas de extremo risco tenha-se convivido todo esse tempo com a instalação urbana de residências, escolas, comércio, etc."
    ... A França é linha de frente (entre outras) neste “lamaçal” da inacreditável 3ª guerra mundial. É a nova ordem mundial e seus genocídios eugenistas. As religiões e as politicalhas não passam de cortinas de fumaça para nos desviar a atenção; são ainda mais eficientes que o futebol e outras competições. Genocídios e depopulação. A 3ª guerra mundial segue acelerando... Esta é a nova ordem mundial (terrorista) avançando seus tentáculos exterminadores da humanidade...
    "A Bandeira Nacional da França simboliza a Revolução Francesa (1789), sendo que o azul representa o poder legislativo, branco o poder executivo e o vermelho o povo, os três “dividindo” igualmente o poder."
    Nada é por acaso. Escravidão é isso. 1789 /2015. E muito antes. Ainda temos dúvidas? Ao invés de pintar minha foto com azul, branco e vermelho vou passar lama na minha cara... Não é o mesmo, mas é igual... Sinto muito, sou grato.

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  10. Anónimo15.11.15

    Tanta espionagem, tanta treta, interceptam o emails, sms, chamadas telefonicas e estas coisas acontecem na mesma. Ou são uns perfeitos incompetentes, ou andam a espiolhar-nos ate ao osso com outras intenções.
    Agora e como ja foi referido atras por varios comentadores, isto muito provavelmente nao foi um acto isolado mas sim um acontecimento integrado em algo bem maior que ainda nao temos conhecimento. Neste momento estão a desenrolar-se muitos processos em simultaneo, a queda do chamado mundo ocidental e seu colapso financeiro, a crise economica e trafulhices dos bancos que sao mantidos com os dinheiros do estdo (contribuintes) e a nova lei aprovada na Uniao Europeia que quando o banco for ao charco pode surripiar o dinheiro dos depositantes (investidores nao assegurados como eles dizem) a mudança do eixo do mundo para a Asia, a guerra na Siria e Ucrania, a crise fabricada dos refugiados, as tensões no mar da China, o ttip que esta prestes a ser ratificado. Parece-me que o imperio esta a afundar a estrebuchar e a ver quem consegue arrastar com ele. Os paises da America Latina bem vacinados que estao com as politicas do imperio (Venezuela, Argentina, Bolivia, Equador, Brasil) estão sob fogo do imperio, a europa de vassalos esta convertida como arma proxy de arremesso e a ter de optar pela velha ordem Mundial ou a Nova que vem a caminho. A China, Russia e India que ate nem se davam muito bem acharam melhor juntarem-se.
    Bem ... vou dormir , ja e tarde, o sono nao da treguas e sao demasiados pensamentos ao mesmo tempo.

    EXP001

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    1. Anónimo15.11.15

      Uma coisa é certa EXP, independentemente destes atentados serem legítimos ou não, a recolha da Big Data ganhou mais uma razão para ser aplicada. Em suma, a erosão da liberdade de expressão e da privacidade...

      Phi

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  11. Anónimo15.11.15

    O mundo islâmico e quem com ele travou qualquer tipo de contato, ganhou vários golpes nestes últimos dias. Temos o caso Benzema/Valbuena. Temos a tendência de criminalizar o governo russo no caso de dopping de seus atletas, onde me parece que há um esforço de envolver o Estado neste contexto, inclusive, tenta-se um impedimento da delegação russa nas olimpíadas do próximo ano (e não ficarei surpreso de um boicote direto à copa do mundo na Rússia). O dopping como propaganda para dar mais valor às sanções. Rússia um país do mal, que dopa atletas até na competição de curling. Agora esta desgraça em Paris. Rússia e islã entidades a serem riscadas do mapa. Aqui mesmo já temos aqueles a apontar a Rússia pelo ocorrido. Estava realmente a aguardar a mídia "investigueira" a fazer o serviço, mas já apareceram outras vozes mais apressadas.

    Franceses, ingleses. Botas no solo para combater ISIS? ISIS!? Se isso ocorrer, o que não creio, Assad que abra o olho.

    Expedito.

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  12. Um ataque desse na Russia, seria o estopim para a investida de tropas terrestres da Russia, algo que acredito que o ISIS não deseja nesse momento.
    Foi um ataque terrorista, sim, mas também politico, ao se escolher a França ao invés da Russia ocorrera duas situações:
    - Pressão publica maior em cima dos refugiados e dos árabes
    - O governo atual está por um fio

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  13. É assim que funciona, portanto não é curioso, nem anormal, mas o comentário é sempre uma forma de desabafo. Nem é para tentar convencer este ou aquele porque a maioria quase absoluta que frequenta e comenta em II tem opiniões semelhantes a grosso modo. Ainda assim, observemos; os 200 libaneses mortos em atentado terrorista recente...nem uma palavra, sobre os milhares de campos de refugiados espalhados pelo mundo antes das "famosas" migrações em massa rumo à Europa...nem uma palavra, sobre o já incontável número de pessoas destroçadas na África,Ásia e Oriente Médio pelo poder invasor do império terrorista sediado no Pentágono e pseudo serviços de defesa norte americanos...nem uma palavra, sobre a recente derrocada das forças do Estado Islâmico (que não é estado nem islâmico) em território Sírio...nem uma palavra, sobre a estratégia tecnológica financeira que sustenta e alimenta a exploração do petróleo sobre a dominação do Isis...nem uma palavra, sobre a origem e destino do pesadíssimo e avançadíssimo arsenal militar e de transporte que ostenta o Isis...nem uma palavra, sobre os guetos miseráveis de muçulmanos cercados por muros erguidos pelo governo francês...nem uma palavra, sobre a história da brutal colonização francesa na Algéria, só para citar um lugar, e suas consequências para o povo argelino...nem uma palavra, sobre o que significa manter um estado de emergência em França, com todos os direitos individuais suprimidos, sem habeas corpus, com possibilidade de invasão domiciliar e arrestamento a qualquer momento por uma polícia xenófoba, brutal, bem equipada e ainda assim ineficiente...nem uma palavra. Sugestão, Max: que tal uma história das migrações forçadas pós segunda guerra...pode até começar pela migração de milhares de alemães em desesperada e faminta fuga pela Europa, logo após das vitoriosas invasões russa, americana e que tais em solo alemão, continuar pelos campos de concentração para japoneses e também campos de trabalho para chineses em solo norte americano...daí para refugiados oriundos das invasões na Coréia, etc, etc...tu saberás fazer isso com parcimônia. Que tal um post sobre as implicações reais do estado de emergência, estado de sítio, estado policial? Penso que seria oportuno, embora talvez não gerasse tanta comoção bleu, blanc, rouge.

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  14. Anónimo16.11.15

    simples: http://youtu.be/ld8AX_UBtEI

    Nuno
    ps: o que é que se passa com essa treta dos passaportes id's desde o mahomeed atta! neste um passaporte falso sírio, antes no hebdo deixam o id ou passaporte no carro continuo....terroristas vão fazer m****a não esqueçam identificação!!?

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