09 novembro 2015

O Verdadeiro Poder - Parte V

Mais um capítulo na descrição do Verdadeiro Poder segundo os estudos do ISGP.

Após as vertentes Liberal e aquela Conservadora, encontramos o Vaticano e a Rede Paneuropeia.

O Vaticano pode parecer uma espécie de Cindarella no meio dos outros Poderes: já não há um clássico poder temporal (aquele feito de territórios) e a penetração dos valores religiosos na sociedade civil está cada vez mais fraca nos Países ocidentais.

Todavia seria um erro subestimar as suas potencialidades: em parte porque, se for verdade que no Ocidente os cidadãos estão cada vez mais longe da igreja, é também verdade que as coisas não estão bem assim em outras áreas do planeta; em parte porque a face visível do Vaticano, feita de padres e paroquias, é apenas uma parte do poder eclesiástico. Este permanece forte, com a sua rede de influências que actua em campos tão distantes como o social, o político ou a Finança.

As recentes (e ainda em curso) investigações criminais acerca do Vaticano por parte da polícia italiana bem demonstram quão profunda seja a teia de interesses gerida pelos "andares de cima" clericais: tão poderosa que até o Papa encontra séria dificuldades em enfrenta-la.

Na verdade, a figura do Pontífice não deve ser confundida com aquela do "dono" e do decisor máximo do Vaticano. Tal como acontece no relacionamento entre política e economia, o Papa desenvolve o papel de figura pública, o lado visível do Vaticano; mas as eminências pardas, as quem gerem a enorme riqueza da Igreja e que determinam até a mesma eleição do Papa, são outras.

Quem: o Vaticano

Elemento incontornável do poder do Vaticano é a Opus Dei.

Opus Dei

A Opus Dei é uma Prelazia Pessoal (desde 1982, por escolha de João Paulo II), uma estrutura institucional da Igreja Católica que compreende elementos que se dedicam a actividades pastorais específicas; e a Opus Dei é a única Prelazia existente no seio do Vaticano, sendo possível imagina-la como uma espécie de igreja dento da mesma Igreja.

De facto, à diferença das dioceses, que têm jurisdição sobre territórios, a Prelazia se encarregam de pessoas em função de alguns objetivos pastorais, independentemente do território onde elas residem ou se encontrem. Isso confere à estrutura uma enorme importância, pois a Opus Dei pode actuar em todos os cantos do planeta, independentemente do facto de estar fisicamente presente in loco ou não.

Mas esta particularidade é apenas uma das características da Opus Dei e nem a mais importante.
Fundada em 1928 por Josemaría Escrivá (depois Santo), a partir do final da Segunda Guerra Mundial conheceu uma grande expansão, tendo iniciado a sua obra apostólica em vários Países: Portugal, Italia, Reino Unido, Irlanda e França em 1946; Estados Unidos em 1949; Chile e Argentina em 1950; Venezuela e Colômbia em 1951; Alemanha em 1952, Peru e Guatemala em 1953, Equador em 1954, Suécia e Uruguay em 1956, Áustria, Brasil e Canada um ano mais tarde. Hoje a Opus Dei está presente em todos os Continentes.

Provavelmente, a melhor descrição da Opus Dei foi feita por Włodzimierz Ledóchowski, padre dos Jesuítas (tradicionais inimigos da instituição) que considerava a organização como tendo claros "sinais de secretismo" e com uma "inclinação disfarçada para dominar o Mundo com uma forma particular de maçonaria cristã".

De facto, entrar na Opus Dei não é para todos: a admissão é um processo que demora, no mínimo, um ano e meio; mas são precisos 5 anos para que esta admissão possa ser considerada definitiva. A Opus Dei dava um livro. Aliás: já deu vários. Por enquanto, ficamos com os nomes dos mais importantes responsáveis da organização, aqueles que são os pesos pesados, sem esquecer as tais ramificações de níveis mundial que caracterizam a organização.

Javier Echevarria
Prelado (o chefe supremo da organização) é Mons. Javier Echevarria.
Bispo espanhol, Echevarria é membro do Opus Dei desde 1948, foi ordenado sacerdote em 1955 e colaborou estreitamente com o fundador da organização, Josemaría Escrivá, de quem foi secretário desde 1953 até à morte em 1975. Tanto para entender o homem, é bom lembrar o que declarou:
Uma sondagem afirma que 90 por cento das pessoas com deficiência são filhos de pais que não chegaram puros ao casamento.
Um génio, mais nada.
Outras figuras em destaque no seio da Opus Dei são:
  • o Vigário Auxiliar, Monsenhor Fernando Ocariz.
  •  o Vigário Geral, Mons. Mariano Fazio.
  •  o Vigário Secretário Central, Mons. José Javier Marcos.

Jesuítas

Os Jesuítas viveram o seu período "dourado" no passado: fundados em 1534 por um grupo de
estudantes da Universidade de Paris liderados pelo basco Inácio de Loyola, foram reconhecidos por bula papal em 1540. Podem ser considerados como a tropa de elite do Papa, ao qual são particularmente fiéis; e, em quanto tais, foram decisivos na difusão da palavra do Vaticano durante a época do Colonialismo, conseguindo em breve tornar-se na congregação mais potente da Cristandade.

Todavia, o excessivo poder do Jesuítas foi também motivo da supressão deles: em 1759 Portugal deu ordem para prender todos os Jesuítas e confiscar os bens deles, seguido em breve por outros Países colonialistas e não. Até que em 1773 o Papa Clemente XIV aceitou apagar a congregação com a bula Dominus ac Redemptor. Mas os Jesuítas, embora muito enfraquecidos, voltaram a existir poucos anos mais tarde, com a bula da restauração encíclica Sollicitudo omnium ecclesiarumaos, de 1814: mudava só o nome, agora tornado Companhia de Jesus.

Adolfo Nicolás Pachón
Hoje a Companhia de Jesus, que é a natural "inimiga" da Opus Dei, é liderada Prepósito-Geral, o espanhol Adolfo Nicolás Pachón, o qual responde directamente ao Papa (sendo que o mesmo Papa Francisco I é também um jesuíta); é o instituto religioso masculino mais numeroso na Igreja Católica, com 18.516 membros sendo que 13.112 são sacerdotes, 1.675 são irmãos, 2.920 são jesuítas em formação e 809 são noviços. A sua distribuição faz-se por 127 países dos cinco continentes, sendo os Estados Unidos e a Índia os Países com maior número de jesuítas.

A Companhia caracteriza-se pela sua forte ligação à educação, com numerosos estabelecimentos de ensino, incluindo ensino superior. No Brasil, por exemplo, as universidades Católica do Rio de Janeiro, Católica de Pernambuco, do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, Centro Universitario FEI, em São Paulo e a Escola de Direito Dom Helder, em Belo Horizonte, pertencem a Ordem.


Ordem Soberana e Militar de Malta

A Ordem de Malta (oficialmente Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta) é sem dúvida curiosa. Trata-se duma organização internacional católica com origem antiquíssima (foi fundada no século XI na Palestina durante as Cruzadas) é uma organização humanitária soberana internacional, reconhecida como entidade de direito internacional.

A ordem dirige hospitais e centros de reabilitação, tem 12.500 membros, 80.000 voluntários permanentes e 20.000 profissionais da saúde associados que actua em cinco continentes do mundo.

A Ordem não tem a sede no País de mesmo nome (a ilha de Malta), mas sim no minúsculo território de apenas 6 km² que consiste num prédio em Roma. Apesar disso, tem relacionamentos diplomáticos com a maior parte dos Estados do Mundo e é reconhecida como organização internacional, tal como a ONU ou a Cruz Vermelha. A soberania da ordem permite que esta imprima os seus próprios selos e emita os seus próprios passaportes: é um Estado com oficialmente três habitantes permanentes, cuja chefia é identificada em Raymond Leo Burke, Bispo dos EUA nomeado por Papa Francisco I.

O Poder exercido por estas três organizações (Opus Dei, Jesuítas e Ordem de Malta) é grande e obscuro: afastado dos holofotes, encontra na Opus Dei e na Ordem de Malta a matriz mais conservadora da Igreja, enquanto os Jesuítas estão mais vinculados às escolhas do Papa.

Raymond Leo Burke
Tanto para ter uma ideia: as famílias Rothschild, Rockefeller e Morgan têm fortes relacionamentos tanto com a Ordem de Malta quanto com os Jesuítas. Além disso, há fortes suspeitas de que a Maçonaria (pelo menos uma parte das principais lojas) esteja também envolvida no establishment da Igreja. Papa Pio XII instituiu uma comissão para investigar a presença da Maçonaria na Igreja via Ordem de Malta, mas a iniciativa foi travada pelo seu sucessor, Papa João XXIII (que tinha simpáticas maçónicas).

Infelizmente, o Poder do Vaticano é também aquele que melhor sabe defender-se das intrusões dos curiosos. E uma das vertentes melhor defendidas é sem dúvida aquela ligada à Finança. Seguir as pistas que do Vaticano saem para chegar até Wall Street e as principais Bolsas do planeta é dificílimo. Mesmo nestas última semanas está em curso uma sangrenta batalha interna ao Vaticano, que tem como assunto o controlo das finanças: dum lado o Papa (que, lembramos, é um jesuíta), do outro a rede que afunda os seus interesses no mercado.

Quem: a rede paneuropeista 

Le Cercle

O ISGP inclui nesta secção da rede pan-europeia uma entre as organizações mais misteriosas: Le
Cercle.

Oficialmente, Le Cercle é um think tank especializado em segurança internacional. Fundado logo após a Segunda Guerra Mundial, o grupo costuma reunir-se a cada dois anos em Washington, sendo que até 2008 o líder era Norman Lamont (ex-Chancellor of the Exchequer. e colaborador do banco Rothschild & Sons), enquanto o actual é Michael Ancram (13º Marquês de, Barão Kerr de Monteviot), membro da Câmara dos Lordes.

Mas os dados mais interessante são aqueles saídos do diário de Jonathan Aitken, líder do grupo entre 1990 e 1996. Ele descreve Le Cercle como uma sociedade de Direita, fundada pela CIA e ligada à NATO.

Entre os objectivos da organização:
  • Transações financeiras encobertas para fins políticos;
  • Campanhas internacionais com o objectivo de desacreditar personalidades ou eventos hostis
  • Criação de serviços de espionagem privados especializados
  • Implementação de escritórios sob cobertura adequada, cada um gerido por um coordenador em contacto com a sede central. Sedes conhecidas: Londres (Reino Unido), Washington (EUA), Paris (França), Munich (Alemanha) e Madrid (Espanha).

Entre os membros, presentes e passados:

  • Sir Percy Cradock, antigo embaixador do Reino Unido na China e conselheiro de Margaret Thatcher.
  • Geoffrey Tantum, antigo oficial dos serviços secretos britânicos.
  • David Burnside, antigo chefe das relações públicas da British Airways e fervente Unionista (questão do Ulster)
  • Brian Crozier, escritor, com fortes ligações com MI6 e CIA.
  • Bill Casey, antigo chefe da CIA.
  • Henry Kissinger, que não precisa de apresentações.
  • Edwin Feulner, ex-presidente do think tank da Direita EUA Heritage Foundation
  • Richard Nixon, que começou a frequentar Le Cercle após ter abandonado a Casa Branca.

Le Cercle, tem elementos de contacto com Zbigniew Brzezinski, David Rockefeller, família Rothschild, Opus Dei, Freedom Association, Grupo Bilderberg e a antiga rede Gladio. No passado, Le Cercle recebeu financiamentos da petrolífera Shell (38 mil Euros) e da Fundação Ford (26 mil Euros).


União Pan-Europeia

Última nota acerca da União Pan-Europeia.
À primeira vista pode parecer algo folclórico, com os seus valores conservadores e fortemente anti-semitas. Na verdade, a União é mais do que isso.

Comecemos pelos membros mais notáveis do passado: Winston Churchill (oficialmente nunca membro da organização mas apoiante externo), Albert Einstein, Thomas Mann, Sigmund Freud, Benedetto Croce, Georges Pompidou. 

Os objectivos:
  1. União dos Estados europeus, com uma garantia de delegação mútua da soberania. Os governos devem, em outras palavras, certificar-se de que a transferência de soberania ocorrerá em igual medida em todos os Países.
  2. Para gerir os conflitos entre os Estados membros, vai ser exigida a existência dum tribunal federal europeu.
  3. Constituição dum exército europeu, uma aliança militar que reúne elementos de vários Países para garantir a paz continental.
  4. Uma união aduaneira progressiva.
  5. A unificação das colónias.
  6. O projecto duma moeda única.
  7. O respeito da diversidade das culturas nacionais europeias.
  8. O respeito e a protecção das minorias nacionais.
  9. A cooperação eficaz no âmbito da ONU.

Excluindo os pontos 5, 7 e 8, o resto pode ser sintetizado em duas palavras: Zona Euro.
E voltando atrás no tempo, até 1989, é possível encontrar o importante papel desenvolvido pela União Pan-Europeia nas revoluções que determinaram a queda dos regimes nos Países do Pacto de Varsóvia: Polónia, Hungria, Alemanha Oriental, Checoslováquia, Bulgária, Albânia, Jugoslávia são os exemplos.

Figuras de ponta do movimento foram no passado:
  • Richard Nicolaus Coudenhove-Kalergi, político e filósofo austríaco (e fundador da União em 1923), que pertencia à Maçonaria e lançou (com a colaboração de Robert Schuman, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, e Jean Monnet, primeiro presidente) o projecto da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (que sucessivamente deu vida à CEE - Mercado Comum Europeu - e finalmente à União Europeia).
  • Otto von Habsburg, Príncipe do Império Austro-húngaro entre 1916 e 1918; também líder do movimento até o ano de 2004, fervoroso católico, anti-nazista e anti-comunista.

Alain Terrenoire
Actualmente, o movimento é liderado pelo sucessor de Otto von Hasburg, o político francês Alain Terrenoire, antigo membro do partido (UNR, agora dissolvido), ex-deputado da Assembleia Nacional de Paris.

É o filho de Louis Terrenoire, em-ministro do Governo de Charles de Gaulle.

Resumindo, podemos encarar a Rede Pan-Europeista como a tentativa de fazer renascer o Sacro Império Romano através da manipulação da União Europeia, embora esta agenda encontre a feroz resistência feroz da vertente do Poder Liberal.

No futuro, será preciso aprofundar a questão da União Europeia e das suas ligações com a União Pan-Europeia.


Ipse dixit.

Relacionados:
O Verdadeiro Poder - Parte I
O Verdadeiro Poder - Parte II
O Verdadeiro Poder - Parte III
O Verdadeiro Poder - Parte IV
O Verdadeiro Poder - Parte V
O Verdadeiro Poder - Parte VI
O Verdadeiro Poder - Parte VII

Fontes: ISGP, no texto.

4 comentários:

  1. Bela análise sobre os poderosos e seu pertencimento cruzado a diversas instituições de comando no planeta. Um pormenor eu gostaria de acrescentar: o poder de circulação e reprodução do poder na sociedade me parece que varia bastante. Algumas instituições se especializaram em assimilar fatias significativas da população anônima, o que lhes garante a eternização dos seus princípios e modos vivendi. Posso citar a opus dei no município onde moro (20mil habitantes) que se perpetua através da estratégia dos cursilhos onde os mais velhos introduzem os mais novos nas práticas morais, sociais, políticas e econômicas, ou seja, ditas religiosas, em aproximadamente metade da população que abertamente se diz participante ou simpatizante do "movimento". Trata-se de um lugarzinho sui generis, principalmente em se tratando de Brasil, esse onde moro e observo a vida vivendo. "Curiosamente" não temos aqui negros, prostitutas de profissão, homossexuais, pobres, sem teto, sem escola. Prefeitos,cartórios, magistrados que permanecem no local mais de um ano, assim como párocos e diáconos, conselho tutelar, associação comercial, todos ligados à opus dei, desde que o município se emancipou em 1954.Naturalmente todos moralmente estúpidos, dir-se-ia o suprasumo do conservadorismo, políticamente conservadores, economicamente neo-liberais, com um viés filantrópico para a Igreja Católica absolutamente notável. As famílias "de bem" competem entre si para organizar festas cujo lucro líquido que varia de 100 a 500 mil reais reverte para a congregação. Essa fatia social se diz participante ou simpatizante da opus dei. Querem que eu desenhe, ou é suficiente!?

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  2. Anónimo10.11.15

    Tal qual o cachorro que caiu do caminhão de mudanças, ao ler: "União Pan-Europeia ...com os seus valores conservadores e fortemente ANTI-SEMITAS. ...membros mais notáveis do passado: ...Albert Einstein, ...Sigmund Freud," É ou não é para o cachorro nunca mais encontrar o caminho de casa? Tentar entender o que de fato ocorre neste hospício é coisa para contorcionista de circo.

    Max, por mais que tentemos minimizar ou relativizar o papel de Rotschilds e Rockefellers no contexto global, a tarefa é complicada. Estes personagens são recorrentes. Repare quantas vezes estes nomes aparecem nesta pesquisa do ISGP.

    Expedito.

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  3. Chaplin11.11.15

    A primeira e principal constatação é a de que não é nenhuma novidade. Poderíamos começar por discorrer sobre uma atividade que é tida como não secreta, mas que os povos não sabem absolutamente nada sobre ela: a diplomacia internacional entre Estados Nacionais. Quanto ao Vaticano, não esqueçamos que desde o surgimento da normatização da “fé”, maior virtude do cristianismo, que a origem dos clérigos era a nobreza, com raras exceções, até a ascensão judaico/maçônica/burguesa/republicana, que viabilizou infiltrações ou cooptações de seus membros na política, nas armas e na Igreja. Ah, como seria bom se pensássemos mais os significados do que os eventos históricos, pois só assim poderíamos encontrar, não apenas o que o povo fez, mas o que gostaria de fazer, o que acreditava estar fazendo e o que agora pensa que fez...

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  4. Anónimo19.12.15

    Olá, gostei dos seus textos, realmente são uma análise minuciosa do poder global entretanto me impressiona que este poder,pelo menos até este ponto,seja quase que exclusivamente ocidental. Até este texto,não vi menção a nenhuma instituição chinesa,russa ou até mesmo socialista,independente do país de origem.Você acha que a queda da união soviética não deixou nenhum resquício,tal como um grupo político, ideológico ou militar,de expressividade no poder global?Como você vê a perda da hegemonia econômica norte americana no cenário do poder mundial?
    Bem,de qualquer forma,lerei os próximos textos. :)

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