03 novembro 2015

Varoufakis, o anti-capitalista em business class

Só como curiosidade.
Após ter sido demitido do papel de Ministro da Economia na Grécia, Yanis Varoufakis começou um verdadeiro tour dentro e fora da Europa. Congressos, artigos, conferências, entrevistas... Varoufakis explica a crise e como resolve-la.

O que até seria bom, não fosse por um pormenor: o dinheiro que ele recebe.

60 mil dólares no caso de conferências fora da Europa.
5.000 Dólares para um discurso na Europa.
1.500 Dólares para uma lição universitária.
Nada mal.

No passado dia 17 de Setembro, Varoufakis transitou na televisão italiana: 24 mil Euros. Considerando que a aparição durou 22 minutos, fazem mais de 1.000 Euros por cada minuto. E temos que acrescentar alguns extras: viagem em business class, alojamento, transferências de e para o aeroporto, comida.
Nada mal mesmo.

Varoufakis é assistido pela multinacional da comunicação London Speaker Bureau, chefiada pelo ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Joschka Fischer, na qual encontramos também o Nobel da Paz Muhammad Yunus, o ex-secretário da NATO George Robertson, o ex-Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, Roger Fisk (o director das campanhas presidenciais de Obama), o outro Nobel da Paz Lech Walesa, outro ex-Presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, e muita outra gente simpática.

Podemos pensar: "Bom, se encontra pessoas dispostas a paga-lo...".
Sim, verdade. Mas é um pouco esquisito ver um dos paladinos anti-capitalistas totalmente absorvido pela lógica do dinheiro. Ou talvez não, talvez seja perfeitamente normal. Talvez sejamos nós que temos de acordar. Os tempos em que os "heróis" dos povos frequentavam as praças acabou: agora é altura de business class e retribuições tipo rock star.

Escreveu Costantino Lazzari, figura histórica do primeiro Socialismo italiano, colega de Filippo Turati e Anna Kuliscioff (primeira década de 1900): 
Em breve atingirei setenta anos de vida. Cheguei no último período da vida pobre e proletário tal como nasci, sem possuir mais riqueza do que a consciência limpa e a fé no futuro do Socialismo (...). Como consegui essa fé em mim e como comprei essa tranquilidade de consciência? Não é possível responder a estas perguntas sem ter conhecimento do ambiente social em que cresci e cujo caráter teve certamente uma fundamental influência em determinar em mim o pleno entendimento das modernas doutrinas igualitárias.
E foi mesmo assim: Lazzari morreu pobre, após ter sido o sétimo secretário do Partido Socialista Italiano e ter dedicado toda a vida a um valor.
Na óptica de hoje: um autêntico idiota.


Ipse dixit.

Fontes: The Telegraph

4 comentários:

  1. Está aí uma coisa que, quando não tenho muita coisa para fazer, eu vou atrás por mera curiosidade: o que acontece com os administradores públicos e figuras políticas depois de passarem por esses cargos. E percebo que, independente do que fizeram ou deixaram de fazer, independente do matiz ideológico com o qual posaram para o retrato, o tal cargo rendeu um bilhete premiado em fama e dividendos. Lembro de um, lá no RS - o Olívio Dutra - que depois de ter sido prefeito de Porto Alegre mais de uma vez, continua pobre, no mesmo apartamento em que morava com a família...e, curioso, até a família permanece a mesma. Lembro de outro que ganhou fama internacional - o Pepe Mujica - que continua distribuindo o dinheiro que ganha em palestras pelo mundo afora, como fazia com 90% do seu salário de presidente da República do Uruguai.E continua morando na mesma fazendola, com o mesmo carrinho fusca, com a mesma cadelinha de 3 patas, com a mesma esposa e tal. Raros...raríssimos!!

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    1. Bem lembrado Maria, Olivio Dutra e Pepe Mujica são figuras exemplares!

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    2. Quem são estes dois? Ah, outros dois idiotas... lolololol
      Aves bem raras, sem dúvida. Ainda há pessoas que vêm o dinheiro como instrumento e não como ponto de chegada. São poucas mas há. E bem faz Maria a lembrar que existem.

      Obrigado!!!

      Grande abraçooooo!!!!

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  2. Chaplin4.11.15

    Devemos nos preocupar é com a nossa enorme capacidade de ficarmos "surpresos". Vivemos numa civilização onde "deus' é o dinheiro, e o temos como algo comum a praticamente todos, quando não "deus", nosso "melhor amigo". Quantos ismos advém disso? Portanto, não há chances de dar certo quando não conseguimos nem mesmo reconhecer a primeira conseqüência dessa realidade: nossa própria corrupção. Vivemos relacionados a debates reducionistas que discutem, não a origem das mazelas civilizatórias, mas seus desdobramentos. A questão é estritamente conceitual: REFAZER A HIERARQUIA DE VALORES!!!! Mas para isso há de se combater a dominância que jamais reconhecerá tal situação, pois o status quo existente é o que produz a riqueza de tão poucos.

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