12 dezembro 2015

Bíblia: os Elohim

Aproxima-se o Natal? Somos mais bons.
Eu não, sinto-me enervado. Então: Religião.

Ok, ok...falar mal da Religião é simples, mas antes de ser acusado de disparar contra a Cruz Vermelha, deixem-me dizer uma coisa: se for verdade que acusar a Igreja de crimes é demasiado fácil (Inquisição, Cruzadas, etc.), mais complicado é ir à raiz do problema.

Aí é preciso conhecimento, não apenas lugares comuns (mesmo que baseados em factos históricos). Por exemplo: é preciso basear-se num texto de confiança, não duma Bíblia qualquer. E é necessário conhecer o hebraico antigo.

Mauro Biglino está a fazer um óptimo trabalho, traduzido em vários idiomas. Nada de novo (Erich von Däniken, Zecharia Sitchin, Walter Raymond Drake, Mario Pincherle, Peter Kolosimo... já tinham feito o mesmo), mas Biglino tem alguns pontos que jogam em seu favor: é um académico, especializado em história das religiões e na tradução do hebraico antigo, tanto de ter tido vários livros publicados pela Edizioni San Paolo (com a Edizioni Paoline a editora mais prolífica no âmbito católico).

Biglino trabalha com a Bíblia Hebraica Stuttgartensia (BHS): baseada no Códice de Leninegrado (do ano 1008 d.C., é a cópia completa mais antiga das Escrituras Hebraicas), é considerada tanto pelo Judaísmo como pelo Cristianismo, como a edição mais confiável das Escrituras em hebraico e aramaico. Na prática é "a" Bíblia.

Biglino não ignora o aspecto simbólico da Bíblia, que existe é não pode ser negado. Todavia, afirma que a Bíblia é mais do que isso.

Fontes?

O ponto de partida é que a Bíblia não tem fontes certas.
Pode parecer coisa esquisita, mas:
  • ninguém sabe com certeza quem escreveu os livros do Antigo Testamento.
  • ninguém sabe com certeza quando foram escritos os vários livros.
  • ninguém sabe dizer com certeza como estavam escritos em origem os vários livros, pois existem milhares de códigos diferentes.
  • ninguém sabe dizer com certeza como em origem fossem vocalizados os vários livros, pois o hebraico tem a particularidade de não representar a vogais. 
  • a situação é tão confusa que em 1958 as universidade de Jerusalém e Tel Avive decidiram iniciar o projecto Bible Project para tentar reconstruir os textos da melhor forma possível. Tempo previsto: 200 anos (portanto faltam só 150 anos).
Tudo no Antigo Testamento é "tradição" e demasiadas vezes esta vai contra as provas. Por exemplo, é tradição considerar a Génesis como escrita por Moisés. Na verdade, as análises sugerem que o livro da Génesis tenha sido escrito juntando material de diversas origem: mitos da Suméria, da Babilónia e de Ugarit, Enuma Elish e Atrahasis, a Epopeia de Gilgamesh.

O trabalho de Biglino, como é óbvio, é focado no estudo do Antigo Testamento e precisamente na bem conhecida questão do termo "Deus". O que é interesse aqui é o facto do autor ser um especialista do hebraico antigo: mas há outros aspectos que vale a pena relatar.

O problema do termo Elohim não precisa de muitas explicações: em hebraico (אֱלוֹהִים ,אלהים‎) é o plural da palavra elohah (אלוה). Explica Wikipedia que quando os verbos ou adjectivos estão no singular, então Elohim deve ser entendido no singular também. Mesmo considerando como válida esta explicação, é importante notar como no Antigo Testamento existem ambos os casos: Elohim com verbos ou adjectivos singulares e plurales. Portanto, há Deus e Deuses. Este é um facto.

No geral:
  • quando na Bíblia encontramos a palavra portuguesa "Altíssimo", na versão hebraica há Elyon ou El-Elyon.
  • quando na Bíblia encontramos a palavra portuguesa "Deus", na versão hebraica há Elohim (plural) ou El e Elhoa (singular), com verbos e adjectivos singulares e plurales.
  • quando na Bíblia encontramos as palavras portuguesas "Senhor" ou "Eterno", no original hebraico há Yahweh ou Yaheowah.
Então, é só um problema de singular ou plural? Nada disso, porque na Bíblia os vários Elohim têm nomes próprios diferentes. Só dois exemplos: o Elohim Amosh (Gdc 11,24) e o Elohim Milkom (1Re 11,33) aos quais podemos acrescentar o mais conhecido Elohim Yahweh.

Um, dez, cem Elohim

Lendo o Antigo Testamento, descobrimos que Yahweh e Kemosh têm o mesmo grau de importância: ambos são "deuses menores", que lideram povos de escassa importância. Salomão, por exemplo, instituiu o culto dos Elohim Kemosh e Milkom ((1Res,11). Mas o sábio Salomão deveria ter conhecido a diferença abismal entre Yahweh (o alegado Deus único e universal) e Milkom ou Kemosh, que até são descritos como "deuses pagãos". O que levou Salomão a adorar dois diferentes Elohim?

Na Bíblia não faltam outros exemplos importantes:
Em Juízes 11, Jefte, comandante das forças israelitas, combate contra os Ammonitas e no versículo 24 afirma:
Não tens tu o que Kemosh, o teu Elohim, deu-te? Da mesma forma, nós temos o que Yahweh, nosso Elohim, nos deu. 
Se admitimos que todos os Elohim são a mesma divindade e representam um único Deus, este diálogo não tem nenhum sentido. Mas, evidentemente, Yahweh e Kemosh são duas entidades diferentes: diferente mais iguais, como os mesmos poderes, os mesmos direitos, nenhum dos dois é considerado superior ao outro.

Inclusive na Bíblia há um erro: Kemosh era o Elohim dos Moabitas, não do Amonitas. Mas paciência... há cerca de 1500 erros como este no Antigo Testamento, como realça o Professor Menachemk Cohen, da Universidade Bar-Illan Tel Aviv.

O segundo ponto, bem mais importante, é que ambos estes Elohim combatem por autênticos "lenços" de terras. Mais uma vez: são deuses menores. Os três Elohim citados até aqui (Yahweh, Kemosh e Milkom) pertencem a esta categoria.

Uma ulterior confirmação (mas há várias nas Bíblia) pode ser encontrada na pedra de Mesha (850 a.C.): uma inscrição feita compilar por Mesha, líder dos Moabitas. Nesta pedra podemos encontrar o relato duma batalha, no final da qual (linha 13) encontramos quanto segue:
Fui e combati, tomei, matei todos, sete-mil homens, rapazes, mulheres, raparigas e escravos, porque decidi sacrifica-los em nome de Astar-Kemosh.
Portanto, temos uma situação paradoxal: os Moabitas, que combateram contra os hebraicos, adoravam um Elohim (neste caso Astar-Kemosh): mas Elohim na Bíblia não indica "o" Deus? Sim, em teoria Elohim é Deus, o mesmo Deus do hebraicos. Mas aqui têm um nome diferente: Astar-Kemosh. Porque? Porque a Bíblia explica que são cultos diferentes: os Moabitas não adoravam o mesmo Deus hebraico, eram pagãos. Então é simples entender como "Elohim" não seja "O Deus" mas apenas "um dos Deus". E atenção: a Bíblia é muito explícita quando ao culto é referida ao Elohim hebraico e quando, pelo contrário, indica uma qualquer outra divindade pagã.

O trecho acima reportado tem outra particularidade: cita o culto de Kemosh (que, como vimos, é um Elohim) junto com aquele de Astar. Esta é Astarte (em ugaritico ‘ṯtrt), a Grande Mãe da Fenícia, ligada à babilonesa Ishtar, filha de Baal, um deus bem pouco simpático. Astarte entrou a fazer parte também da religião egípcia, na XVIII dinastia (1543-1292 a.C.) com o termo de Isis, daquela grega como Afrodite e da romana como Vénus. Como podem os Elohim aparecer juntamente com a filha de Baal? Quem são afinal estes Elohim?

Voltamos à Kemosh, porque as similitudes com o outro Elohim, Yahweh, não são poucas. Também Kemosh mora entre o povo dele, tal como faz Yahvew com os israelitas; Moabitas e Hebraicos são derrotados quando os respectivos Elohim ficam zangados com eles (Números 14). E mais ainda: mesmas atitudes, mesmos poderes, mesmos sacrifícios... dois Elohim, apenas dois entre os vários que existem.

Os Elohim são também o Mal, Satanás: é deles que nascem os demónios. Ao ler o Antigo Testamento encontramos os Elohim "colegas" de Yahweh, com nomes quais Baalpeor ou Baalzevuv: não é precisa muita imaginação para entender como o primeiro seja Belfagor e o segundo Belzebu. Assim como Baal é Bóshet.

E a propósito deste último: o termo Baal é na verdade um adjectivo cujo significado é "Senhor", pelo que indica Deus. E os Cananeus herdaram este termo da religião fenícia: os Cananeus utilizavam o adjectivo Baal para indicar o Deus deles. Só a partir do XVI século a.C. Baal passou a ser sinónimo de "falso Deus".

Um Livro de Poder

Resumindo: a Bíblia fala de Elohim, substantivo plural que significa "os Deuses". Este facto em si não é novidade nenhuma, há anos que o assunto é discutido. O que Biglino sugere é de considerar toda a Bíblia como um livro não monoteísta, como o relato de como um entre estes Elohim tenha sido elevado ao estatuto de "único Deus". Por qual razão?

A Bíblia como texto sagrado (e falamos aqui do Antigo Testamento) foi "inventada" pelas classes dominantes hebraicas de Jerusalém e de Alexandria de Egipto, por questões de prestigio, poder e dinheiro. No II-I séculos a.C., em Jerusalém o que estava em jogo era a autoridade, da qual derivavam o poder e o dinheiro; em Alexandria, na mesma altura, a cultura era o tema dominante.

A Bíblia é o relato de como os vários Elohim tenham sido eliminados com o passar do tempo, até sobreviver apenas um entre eles, Yahweh. É dito que a Bíblia não pode ser considerada um texto histórico: e não poderia mesmo. As contradicções, os anacronismos, são obrigatoriamente parte duma operação que consistiu em juntar um leque de textos de várias origens para criar uma única história. Operação não simples, mas que também foi repetida em época mais recente pela Igreja com os Evangelhos.

Mas a Bíblia é também texto histórico, seria errado considera-la apenas como "simbólica", porque assim não é. Só que a história contada não é bem a mesma que conhecemos. Mas este é outro discurso.

Se o assunto for de algum interesse, é possível aprofunda-lo, sempre nesta vertente histórico-linguista: o material é amplo. Mas a última palavra é dos Leitores.


Ipse dixit.

Fonte: Mauro Biglino

13 comentários:

  1. Excelente matéria. Soube há pouco tempo que a bíblia foi reescrita mais de 3000 vezes. 1 vez e meia por ano... "Quem conta um conto aumenta um ponto."? Vejo a bíblia como um "mapa" (um programa criptografado) ao serviço dos dominadores. Misturam velhos com novos e, a massa, esta que aos bilhões frequenta o Informação Incorreta para cada vez melhor procurar entender "a peça em cartaz", faz dela seu passa tempo principal para aliviar as pressões do super ego, já que os freudianos id e ego já estão em estado pastoso. Ironia à parte, adoto a tese de somos escravos criados à semelhança dos deuses astronautas, precisamos continuar bisbilhotando isso.

    Sinto muito, sempre grato.

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  2. Sem dúvida, assunto interessantíssimo se tratado da forma como o estás tratando.Sempre achei que uma parte fundamental da desconstrução da invenção da realidade seja ir a fundo na análise dos discursos de verdade que imperam nas sociedades. Assim, o discurso religioso, que volta e meia trabalhas no II, o discurso econômico com o qual penso teres dado a marca registrada de um blogue alternativo fora da corrente do senso comum do alternativo (simplicidade, objetividade e historicidade, além do humor), o discurso político que também passa por aqui, sem nenhuma discussão viciada por aceitação - rejeição a priori, me parecem o tom de confiabilidade e análise isenta de II, sem com isso omitir em momento algum o ponto de vista do blogueiro. Para não falar só de qualidades me parece que respeitas em demasia o discurso científico que, do meu ponto de vista, é um discurso de verdade como outro qualquer, e como quaisquer outros fazem circular poder e, em guerra constante uns com os outros, articulam, rejeitam, assimilam, recusam, acusam, elegem, omitem, fazem prevalecer...inventam a realidade.

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  3. O assunto é intrigante, a época é propícia. Então....porque parou ?

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  4. Anónimo12.12.15

    Não tinha esta ideia sobre a Bíblia, mas, faz mais sentido esta origem difusa que a simples compilação de vários textos ou evangelhos.
    Para mim é um assunto do máximo interesse, não tanto pelo aspecto religioso, mas antes pelo aspecto social.
    Merece bem ser aprofundado.

    Krowler

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  5. Chaplin12.12.15

    Sugiro que fiques enervado com mais freqüência...hehe.
    Quer dizer então que os dominantes calcularam que a propaganda midiática demorará 200 anos para substituir a propaganda religiosa?
    Excelente matéria!! Parabéns.

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  6. Wow, parece que o assunto interessa.
    Isso vai dar-me uma carrada de trabalho. Mas será um prazer.
    Obrigado para todos! :)

    Abraçooooooo!!!!!

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  7. Anónimo13.12.15

    Segundo Wikipedia: Demiurgo (grego, δημιουργός, demiourgos), significa "o que trabalha para o público, artífice, operário manual", demios significando "do povo" (como em demos, povo) e -ourgos, "trabalhador".

    No sentido de "trabalhador para o povo", a palavra foi usada em todo o Peloponeso, com exceção de Esparta, e em muitas partes da Grécia, como sinônimo de um alto magistrado. No pensamento cosmogônico de Platão, o termo designa o artesão divino - causa da alma do mundo - que, sem criar de fato o universo, dá forma a uma matéria desorganizada imitando as essências eternas, tendo os deuses inferiores, criados por ele, como tarefa a produção dos seres mortais. No pensamento gnóstico, o demiurgo, criador do mundo é distinto do Deus supremo e em geral considerado "MAU".

    Vídeos de Jan Val Ellan (medium canalisador) abundam pela rede e a pedra fundamental do seu discurso é exatamente esta. O que é Javé? Entidade boa ou má?

    Max, para assistir tais vídeos tens que, temporariamente, se desfazer daquele teu filtro de calibre 0,1 e colocar algum de calibre mais grosso. Não que eu também concorde com tudo, mas sobre Javé muita coisa bate com meu pensamento, mesmo antes de conhecer o canalisador.

    Abraços.
    Expedito.

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  8. Se você não souber de que se trata toda essa confusão que os Eloim fazem, vai ficar difícil você reconhecer para que eles estão lá.

    Entenda, amigo, DEUS sou EU, os outros já se foram, morreram, veja em http://puto45.blogspot.com.br/2015/11/apocalipse-2-revisado.html e http://puto45.blogspot.com.br/2015/09/tabua-de-esmeralda.html, depois escreva as sete cartas para as igrejas, ou eloim, e chegue a nova Jerusalem.

    O grande problema da Bíblia está no Livro de Matheus, que obviamente foi muito adulterado, mas dá poderes a IGREJA para fazer até mesmo a inquisição.

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  9. Não se esqueça dos benai eloim que "desgraçaram" com aquelas raparigas bonitas e tiveram filhos tipo atlas, thor, hercules,... "minotauro"? Golias e afins do genesis 6! A maior duvida que eu tenho não é se os deuses manipularam-nos e sim se vai ter uma "REDENÇÂO" da safadeza que foi/é/e será feita com este gado marcado da qual faço parte e meus ente queridos fizeram, há de haver uma justiça "Divina", caso contrario fariamos "justiça" com as proprias mãos.Que é o que de vez em quando (todo dia) acontece!

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  10. Anónimo17.12.15

    Primeira parte.
    O texto que não pode ser postado integralmente em um comentário, assim seguem mais duas partes. Na terceira parte fica evidente, neste ponto de vista, a questão da palavra Elohim. Espero que tenham paciência para ler este ponto de vista sobre o tema em questão e que não se incomodem com textos tão longos, pois foi o que pude fazer.
    Temos que ter muitas reservas nos chamados estudos acadêmicos sobre o tema. Na maior parte das vezes analisam de forma superficial e parcial trazendo aparentes contradições cuidadosamente selecionadas para sustentar seu ponto de vista ou o que de fato pretendem. Por exemplo: há algum tempo teve uma instituição que divulgou um documentário no qual utilizavam o estudo das religiões comparadas para apresentar o cristianismo como uma farsa ou plágio. Enquanto o matemático Leibniz e outros autores mais recentes utilizaram o estudo das religiões comparadas para definirem a “filosofia perene” ou filosofia comum e eterna subjacente às grandes religiões mundiais, em particular suas místicas ou seus esoterismos. Para se iniciar a compreensão desta questão é necessário entender que o esoterismo judaico (a Cabalá), cristão ( o Gnosticismo) e o muçulmano (Sufismo) e outros do oriente, tratam fundamentalmente do autoconhecimento para que nos superemos e transcendamos a nossa condição humana coisa que a evolução jamais fará.Se atendo a questão dos Elohim: Elohim é o plural de Eloi ou El, Deus em hebraico como esta na primeira frase do velho testamento: Bereshit bara Elohim et hashamayim ha’arets ve’et ...ou No princípio os Deuses criaram o céu e a terra...Em sua origem, em sua maioria, as religiões se referem a um Deus Absoluto, que não tem forma, medida, peso. Os gnósticos O chamam de o Absoluto, a cabala judaica de Ain , os Hindus de Sat, o espaço abstrato Absoluto e imanifestado.Manifesta-se na forma de Deuses que chegam a este estágio, a partir do humano, com esforços conscientes e padecimentos voluntários, como superficialmente trato a seguir. No Absoluto, estávamos todos como algo que Pitágoras (e mais tarde Leibniz) chamava de a Mônada (de monos=um), ou o Ser, nosso Real Ser. Não nos sentíamos separados de Deus Absoluto, mas não gozávamos de felicidade absoluta por não termos adquirido consciência de nós mesmos. Então, no início de um dia cósmico, como os hinduístas se referem, ondas de Mônadas saem do Absoluto para adquirir consciência. Cada mônada se deriva em diversas manifestações, como centelhas que saem de uma grande fogueira. Estas centelhas de cada mônada tomam forma inicialmente em três aspectos. A estes três aspectos ou centelhas derivadas (para melhor compreensão três “divisões”) diferentes religiões deram diferentes nomes. Na índia antiga foram chamadas de Brahma, Vishnú e Shiva. Em Israel (ou na Cabala judaica) de Kether, Chokmah e Binah. No Egito antigo de Isis, Osíris e Hórus. No mundo cristão de Pai, Filho e Espírito Santo. Esta derivação do nosso Real Ser, ou da Mônada da cada pessoa, em partículas divinais explica o politeísmo em seu aspecto interno a nós, pois são autoconscientes cada uma com uma função em nós. Nesta compreensão estas partículas se referem a nossa sobre- individualidade, sem, contudo estarem separadas, sob um aspecto, do Absoluto que une todas as partículas ou fagulhas de cada um de nós e dos demais. Assim existe um aspecto cósmico totalizante e um derivado..O conhecimento da religião é, portanto, o conhecimento de nós mesmos, ou o autoconhecimento. (segue...)

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  11. Anónimo17.12.15

    Segunda parte.
    A Mônada prossegue seu descenso até a matéria se “discriminando” em outras partículas como A Mãe Divina (Deus-mãe em nós, simbolizada na mitologia como, Diana, Atena, Maria, Tonantzin, etc.).Uma das suas últimas ramificações é a tríade denominada Espírito Divino(na 7ª dimensão), Alma Divina e Alma Humana (ambas na 6ª dimensão).No hinduísmo estas 3 partículas são conhecidas como Atman, Budhi e Manas. Quanto a estas podemos encontrar referências na mitologia, na historia oral de diversos povos, na literatura medieval, etc. Na lenda dos Cavaleiros da Távola redonda Atman, o Espirito, é O Rei Arthur; Budhi, a Alma Divina, é Guinevere; e Manas, a Alma Humana, é Lancelot. Assim também encontramos os pares ideais (as almas gêmeas) em Tristão e Isolda, na Odisséia de Homero (Ulisses e Penélope), etc. Estas partículas divinas são nosso Real Ser, nossa primeira natureza ou a nossa natureza divinal.A descida até a matéria faz com que as partículas se submetam a cada vez mais leis da natureza (1, 3, 6, 12,24 até 48 leis no mundo físico ou terceira dimensão). Infelizmente afastados da Grande Lei já não fazemos a vontade do Pai e criamos ego. Este ego é matéria mental cristalizada pela repetição do erro e é uma segunda natureza em nós, criada por nossa própria estupidez. É como um programa de computador atuando na máquina humana que não nos permite livre ação, discernimento, consciência, nem responsabilidade moral, etc. O ego não é algo integrado, mas sim é constituído por milhares de eus sendo os sete básicos chamados de orgulho, inveja, cobiça luxúria, preguiça, ira e gula. No Tibete os eus eram chamados de agregados psicológicos; no Egito de os demônios vermelhos de Set; na Odisséia de Homero eram personificados como os pretendentes, que acossavam Penélope, os quais Ulisses teve que combater auxiliado por Atena; no hinduísmo, no livro Mahabharata, são os parentes que Arjuna deve matar com ajuda de Krishna, e assim por diante. Cada uma destas milhares de formas mentais aprisiona ou condiciona parte da Alma humana ou a nossa própria consciência .Nossa consciência fica adormecida, sendo percepções interpretadas pelos prejulgamentos de cada eu em nossa psique nos afastando da percepção do Real. No astral inferior (o mundo dos sonhos ou a 5ª dimensão) os eus que constituem o ego assumem forma animalesca conforme o delito que caracterizam. Não tem uma ordem, pois são fruto da desordem, cada um competindo para utilizar os centros da máquina humana (intelectual, motor emocional, instintivo e sexual), promovendo toda sorte de abuso. (segue...)

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  12. Anónimo17.12.15

    Terceira parte e última parte.
    Atualmente não temos mais que 3% de consciência ou apenas uma semente de alma chamada de Essência. A Essência aparece aos clarividentes como uma pequena chama azul em nosso coração. Nos afastamos, por nossos erros, das partes superiores de nosso Real Ser, como a Alma Humana, a Alma divina, o Espírito, etc., etc., sendo nossos pensamentos, sentimentos e ações em geral ditados pelo ego e seus diferentes eus. Todas as religiões em sua origem dão ênfase em despertar, em se superar. Vejam que o sentido original de Jihad (a guerra santa) no islamismo é a guerra contra si mesmo, contra nossas imperfeições individuais. Na mitologia nórdica o viking que morresse de espada em punho, em batalha contra si mesmo, tinha direito ao Valhala, ou paraíso dos nórdicos. Tal significado foi ou mal compreendido pelos cegos guias de cegos ou adulterado pelos agentes do mal, assim como adulteraram o propósito dos ensinamentos do Cristo Jesus. (Lembremos da cena da expulsão dos mercadores do templo, e quando afirma que não veio trazer a paz, mas a espada). Se tivéssemos alma de fato atuante em nós Jesus não diria: “Com paciência possuireis vossas almas.” Se não fosse possível cristalizar/integrar as diversas partículas divinas em nós mesmos, tão pouco diria: “Vós podeis fazer o que eu faço e muito mais”. Assim, os ensinamentos religiosos em sua origem são práticas psicológicas, para o autoconhecimento, para a nossa superação, com o auxílio de forças divinais e não meros preceitos adocicados para servir aos propósitos de grupos sedentos de poder. Não haveria sentido se assim não fosse. Os Deuses, ou o Deus Absoluto não necessitam ser idolatrados. Quem isto deseja é o ego. À medida que eliminamos os eus, ou defeitos psicológicos, as partículas da Essência vão se liberando nos proporcionando maior consciência. Muito antes da eliminação plena dos defeitos a Alma deixa de ser apenas um embrião ou Essência e passa a ser alma em nós. Neste grau temos o direito de sermos chamados Homens e nada mais. A partir daí podemos prosseguir nos conectando a Alma Divina recebendo o grau de Iniciados. Quando nos conectamos ao nosso Espírito (no Hinduísmo Atman ou o Íntimo, nada tendo a ver este com conceito de certa seita oriunda do século XIX) recebemos o grau de Mestre. O Íntimo ou Espírito tem um nome eterno (o mesmo do nosso Pai interior ou Deus interior) que nunca muda e partir de então é justo usá-lo, pois passamos a ser veículos de expressão do nosso Real Ser, nossa primeira natureza, e não do ego somente. Esta, descrita de forma bem superficial, é uma primeira etapa. A fusão com o Pai (as partículas mais próximas do Absoluto para poder retornar ao Absoluto) ocorre em uma terceira etapa que exige a morte total dos defeitos psicológicos e a liberação em 100% da Consciência. Nesta etapa o individuo não se distingue dos Deuses (ainda que existam até lá hierarquias de perfeição). Esta é a justificativa externa a nós dos Deuses do politeísmo dito pagão e dos anjos, arcanjos, querubins, serafins, etc., do cristianismo e justifica a palavra Elohim, como certa sem excluir Deus. Deuses são a manifestação do Deus absoluto ou imanifestado. As gotas do oceano não deixam de ser o oceano. O problema é o nosso adormecimento que nos mantêm presos às percepções físicas onde tudo está separado, e a nossa falta de empenho em aprender a contar até três saindo da mera afirmação ou negação de algo que transcende a mecânica involutiva a qual o ego nos submete. O ego nos faz entender o exposto como absurdo e fantasioso, pois passa ser ameaçado de morte a partir desta compreensão. E assim preferimos segui-lo, ainda que este só nos leve ao desencanto, a mera crença ou descrença, à frustração, ao tédio, a uma vida sem nenhum ideal transcendental perseguindo ilusões em fugazes momentos de “felicidade”, morrendo sem jamais ter visto o Real e sem saber sequer por que vivemos. RdeBR.

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  13. Muito bom, resumiu anos de estudo em poucas linhas .

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