28 dezembro 2015

Suíça: stop ao dinheiro criado pelos bancos privados?

...e depois dizem que a democracia directa não mudaria nada.

Pegamos no caso da Suíça: os cidadãos podem influenciar a actividade do governo através de iniciativas e referendos, porque o povo é o órgão político supremo do Estado. Esse é o princípio que caracteriza o sistema político da Suíça.

Deveria ser o mesmo nos outros Países? Teoricamente sim, mas há uma levíssima diferença: na Suíça existe a democracia directa.

E um dos resultados é o seguinte: num dos próximos referendos (consultações frequentes no País), os cidadãos suíços vão decidir se for o caso de proibir aos bancos comerciais de criar dinheiro. Na prática: só dinheiro criado pelo Banco Central.

Mais de 110.000 cidadãos suíços têm assinado a petição que agora será tornada referendo. A campanha, promovida pelo movimento Dinheiro Soberano Suíço (Vollgeld) teria um efeito devastador no âmbito da especulação financeira: os bancos privados seriam obrigados a manter como reserva 100% dos depósitos. Na prática, proibição do sistema da reserva fracionária, incapacidade de "dopar" a economia até esta tornar-se especulação.

Pode ler-se na página do movimento:
Os bancos já não seriam capazes de criar dinheiro, mas apenas ser de emprestar o dinheiro que colectam com os depositantes ou dos outros bancos.
Tanto para fazer um sintético resumo: nas economias ocidentais, os bancos centrais não controlam a criação de dinheiro ex nihilo (do nada); esta ocorre sempre que um banco comercial abre uma linha de crédito, quando concede um empréstimo por exemplo.

O banco central só pode tentar influenciar a oferta de dinheiro com os seus instrumentos de política monetária. Todavia, esta intervenção acontece inevitavelmente "depois", com um efeito atrasado que pode ficar fora do tempo útil. Se o referendo na Suíça passasse, o seu Banco Central viria a ser o único banco do País capaz de criar dinheiro.

Basicamente, o poder de criar dinheiro seria mantido separado do poder de decidir como utiliza-lo.
Ao fazer isso, os bancos comerciais continuariam a gerir as contas, os pagamentos, a servir como intermediários entre crédito e poupança. Todos os anos, o Banco Central iria decidir um total de dinheiro "novo" (criado pelo próprio banco) distribuído entre os bancos privados, os quais deveriam depois decidir como investi-lo.

Este sistema não fornece uma grande força no sentido do crescimento, mas torna a economia muito mais estável: diminui grandemente a especulação, pois os bancos têm uma quantia limitada (e não ilimitada como agora) de dinheiro e escolhem não correr riscos excessivos. Das mesma forma, os investimentos oferecidos aos clientes (quem poupa) tornam-se mais seguros pois o banco tem absoluta necessidade de rentabilizar a sua quota de dinheiro.

Não podemos falar duma verdadeira soberania monetária, pois para isso seria preciso nacionalizar o Banco Central (ah, pois, ia esquecendo...ainda há alguém que acredita que os Bancos Centrais sejam "nacionais"), mas certamente é uma das chaves fundamentais para interromper uma fraude de proporções enormes: a do dinheiro "privado".


Ipse dixit.

Fonte: no texto

6 comentários:

  1. A Política com um Novo Paradigma


    BPN, BES, Novo Banco, Banif... e... por aonde é que anda a capacidade negocial do contribuinte!!!???!!!???!!!
    .
    Ora, de facto, por muitos mestres/elite em economia que existam por aí... porque é que quem paga (vulgo contribuinte) não há-de ter uma palavra a dizer!!!???!!!???!!!
    .
    Mais, foram mestres/elite em economia que enfiaram ao contribuinte autoestradas 'olha lá vem um', estádios de futebol vazios, BPN, BES, Novo Banco, Banif, etc.
    .
    .
    O CONTRIBUINTE NÃO PODE IR ATRÁS DA CONVERSA DOS PAROLIZADORES DE CONTRIBUINTES - estes, ao mesmo tempo que se armam em arautos/milagreiros em economia (etc), por outro lado, procuram retirar capacidade negocial ao contribuinte!!!
    .
    Mais, quando um cidadão quando está a votar num político (num partido) não concorda necessariamente com tudo o que esse político diz!
    Leia-se, um político não se pode limitar a apresentar propostas (promessas) eleitorais... tem também de referir que possui a capacidade de apresentar as suas mais variadas ideias de governação em condições aonde o contribuinte/consumidor esteja dotado de um elevado poder negocial!!!
    -» Ver blogs « http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/ » e « http://concorrenciaaserio.blogspot.pt/ ».
    .
    .
    .
    Anexo:
    O CONTRIBUINTE TEM QUE SE DAR AO TRABALHO!!!
    -» Leia-se: o contribuinte tem de ajudar no combate aos lobbys que se consideram os donos da democracia!
    ---»»» Democracia Semi-Directa «««---
    -» Isto é, votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a ‘coisa’ terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
    -» Leia-se: deve existir o DIREITO AO VETO de quem paga!!!
    [ver blog « Fim-da-Cidadania-Infantil »]

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  2. Para quaisquer iniciativas, escolhas etc, as pessoas tem de ter um mínimo de informação, discussões sérias (e não midiáticas, transformadas em espetáculo e desfile de mentiras, ocultação sistemática dos fatos...).Só para lembrar, o finado Roberto Marinho, o poderoso chefão (e dono) das organizações globo, sempre dizia que a TV Globo era o que era (e continua sendo) mais pelo que deixava de noticiar do que pelo que noticiava. O desgraçado tinha tanta clareza que era (e continua sendo) o primeiro poder no Brasil, que dava-se ao luxo de declarar a verdade sobre a estratégia do poder mediático ao qual o povo deste país tem sido submetido. Não sei como o "tráfego de realidade" funciona na Suíça, mas quanto melhor funcionar, melhor funcionará a democracia direta.

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  3. Anónimo29.12.15

    Já é alguma coisa.

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  4. Chaplin4.1.16

    Complementando a colega comentarista, Roberto Marinho dizia:"o que não é notícia no Jornal Nacional (noticiário diário de amplo espectro)não existe". Agora, de que adianta "nacionalizar" os Bancos Centrais se os Estados Nacionais estão sob controle da finança? E logo a Suíça como "modelo"! Um país onde a economia se move, não por produção mas por especulação...

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    Respostas
    1. Olá Chaplin!

      Confirmo: nesta actual situação, para mim a Suíça é um modelo. Realço: nesta actual situação, não sendo o sonho da minha vida (caso contrário já teria emigrado até lá, óbvio). Mas é um País que conheço, e bastante bem até.

      No País de Chaplin os cidadãos votam para proibir que os bancos produzam dinheiro com o mecanismo da reserva fraccionária? Não? E porque não?
      Na Suíça sim.

      Abraçooooooo!!!

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    2. Chaplin8.1.16

      Caímos novamente no senhor reducionismo...imaginando ser possível controlar os bancos centrais sem controlar os Estados nacionais... excluindo talvez raríssimas exceções, como a Suíça...onde a realidade existente jamais será estendida ao mundo dos dominados...

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