31 julho 2015

Insólito: o Jogo do Ganso ou da Glória

Versão espanhola do séc. XIX
Sexta-feira, dia em que tradicionalmente o blog trata de crochê ou de dicas para engomar. Mas hoje o assunto varia: falamos de jogos.

Ao longo dos séculos são transmitidas algumas tradições que, com o tempo, podem perder o significado original, porque simplesmente esquecido. Até simbolismos importantes são reduzidos a jogos de crianças: e é este o caso do Jogo do Ganso ou do Jogo da Macaca.

O Jogo do Ganso (ou Jogo da Glória) é um óptimo exemplo disso.
Informa Wikipedia:
É um jogo de tabuleiro, com 63 casas, em que cada jogador lança os dados e avança o número de casas correspondente.
Nada mais. Grande esforço.
Na verdade, o jogo tem muito mais para contar.

Ninguém sabe ao certo quando surgiu, mas as origens são muito remotas. Segundo a tradição, o inventor foi uma personagem da mitologia grega de nome Palamedes ("Palamedes" significa "palmípede", como o ganso...), pelo que nada menos de que o neto de Minos e rei de Eubeia.
Moral: nada sabemos acerca da verdadeira origem.

Ali, 18 meses, queimado vivo. Azar.

Um bebé de 18 meses tem sido queimado vivo na Cisjordânia.
Um grupo de israelitas têm atirado algumas bombas molotov no interior da casa onde vivia uma família de Palestiniano. O pai tem conseguido salvar a esposa e o outro filho, mas Ali Saad Dawabsheh morreu entre as chamas.

Esta é a notícia que ocupa as primeiras páginas de todos os diários: Le Monde, Le Figaro, Il Corriere della Sera, El País, El Mundo, .... mas não em Portugal.

Aqui nas primeiras páginas encontramos: "15 fotografias de lugares que se tornam fantásticos por terem sido abandonados" (Diário de Notícias), "Tudo o que tem de saber sobre o Windows 10" (Expresso), "Governo na luta contra a pirataria" e "Marco Paulo celebra 50 anos de carreira: cantor está a preparar uma digressão especial para 2016" (Correio de Manhã, o mais lido).

É justo. Porque dizemos a verdade: não queremos saber nada de nada do bebé queimado. Simplesmente: não interessa. A ninguém.

29 julho 2015

Syriza, o gás, a Turquia, os Curdos...

...e hoje falamos de: Grécia!
E Turquia.
E Líbano.
Nada mais, prometo.
Ah, não: também um curto vídeo, que mal nunca faz.

A razão é que naquela zona do Mar Mediterrâneo que parte da Grécia e chega até o Oriente Médio estão acontecer algumas coisitas interessantes.
Vamos por ordem?
Vamos: antes a Grécia.

Syriza & israel

Na Grécia tudo bem.
Resolvido o problema com a Zona Euro (o primeiro-ministro, o Tripas, assinou a rendição), é tempo de pensar no futuro. E o futuro passa por uma mais estrita colaboração com israel.

"Israel?!?" pensará o Leitor: "Mas Syriza não é de Esquerda, e radical também?".

Ahhhh, o Leitor é uma daquelas pessoas que ainda acredita nestas coisas, a Direita, a Esquerda, o Bem dum lado, o Mal do outro... estou a ver. Então melhor explicar.

28 julho 2015

Irão: o País impossível

Hans Humes é o fundador da Greylock Capital Management, um fundo de investimentos com sede
em Manhattan (New York). O acordo sobre o nuclear tinha sido apenas assinado e já o simpático Hans se encontrava num avião para Teherão.

Se passar de bestial para besta é um segundo, também acontece o contrário: agora o Irão é visto como uma espécie de El Dorado.

Durante uma viagem de 10 dias, Hans gostou muito do que viu: uma população bem instruída, bem poucos sem-abrigo, sinais duma economia modernizada:
O apetite do mercado para os Títulos iranianos vai ser muito elevado.
Talvez seja preciso um ano antes que seja possível começar a invadir o Irão, pois as sanções ainda têm que ser completamente levantadas, mas já há fila: além dos fundos de investimentos, há a Royal Dutch Shell, a BP, a Exxon, a Total.

27 julho 2015

9/11: Reescrevendo a historia

Dado o sucesso da série de imagens durante o "ataque para capturar o malvado Bin Laden", Washington tenta o remake com "Onde estavam todos enquanto as Torres caíam?".

Do álbum de recordações da Casa Branca saem agora 48 fotografias não publicadas até hoje (uhhhhhh!) que mostram o Presidente Bush, Condoleezza Rice (conselheiro de segurança nacional) e Dick Cheney (vice-presidente), além de outros.

Todos com o rosto "ominhanossasenhoraquesustoquehorror!" enquanto os Estados Unidos estão debaixo do terrível ataque. E ligam pelo telefone, e tentam informar-se, e observam as Torres...

Agora, acerca do facto que estas sejam fotografias inéditas nada a apontar. Isso apesar de poder encontrar imagens praticamente idênticas nos arquivos do US National Archives. Mas vamos em frente. A ideia é mostrar ao público o que estivessem a fazer os chefes da Nação durante os ataques do 9/11. É desta forma que as novas imagens são apresentadas.
E aqui começam os problemas.

25 julho 2015

Dinheiro: uma ideia alternativa

Há algo profundamente errado no nosso sistema financeiro global. Bom, na verdade há mais do que "algo", mas hoje vamos tratar só dum assunto entre os muitos disponíveis.

A nossa é uma economia de exclusão e de desigualdade, regida exclusivamente pelo dinheiro. É uma economia que mata, que destrói. Esta é uma situação que mais ou menos todos conhecem.

Menos claro fica como é que chegámos até uma situação destas e ainda menos é como pode ser possível corrigi-la.

A importância do dinheiro

A maioria das pessoas acha "normal" o nosso sistema monetário e fica pasmada quando descobre que não são os governos a emitir o dinheiro que têm no bolso. Não se fala aqui da Zona Euro, fala-se dos governos no geral.

23 julho 2015

Operação Lava Jato

Para a maioria do Portugueses, a expressão "Lava Jato" não significa grande coisa. No entanto, para os Brasileiros é considerada como a maior investigação de corrupção da história do País. E agora chegou a Portugal.
Tinha que ser.

Vamos fazer um resumo? Mas resumo mesmo, pois a operação é imensa e vê envolvidos:
  • 82 presos
  • 103 indiciados
  • 235 buscas e apreensões
  • 12 condenados
  • 28 acusações criminais
  • 494 entre empresas e pessoas investigadas
  • 46 pedidos de cooperação internacional
  • 2.1 biliões de Reais desviados (600 milhões de Euros).
E ainda não acabou.

22 julho 2015

Grécia: o discurso final de Tripas

Obrigado povo grego, obrigado por ter eleito o nosso partido qual principal força política deste País.

A mensagem é clara, a nossa campanha eleitoral quis passar uma mensagem simples mas forte: “Basta!”.

Basta com esta Europa dos tecnocratas, dos burocratas, dos bancos. Chegou altura de sair desta Zona Euro que faz os interesses do grande capital mas esquece quem verdadeiramente precisa. Chegou a altura de recuperar a nossa autonomia e a dignidade de homens e de povo!

Não, não estamos assustados: temos ideias claras, temos um caminho que os eleitores indicaram nas urnas e não iremos vacilar perante as manipulações ou até as chantagens de Bruxelas.

A arte de parar. E aquela de recomeçar.

Pois, pois.
Já estavam esperançosos, não é?
Mas não: Informação Incorrecta não fechou.

Simplesmente, alguns problemas pessoais impediram a normal publicação, coisa pela qual peço desculpa a todos os Leitores. Como se costuma dizer: a sorte é cega, mas o azar vê muito bem. E às vezes até aponta.

A má notícia é que a partir de hoje tudo volta à normalidade.
Comecemos donde tínhamos parado, na Grécia, para amanhã espreitar as novas aventuras de Lula & Coelho. Que mais parece o nome duma loja de animais mas, na verdade, fala de obscuros negócios entre políticos luso-brasileiros. O melhor dos dois mundos.

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte,
não temerei mal algum, porque tu estás comigo e
irás pôr o cajado na minha frente para eu tropeçar
com a desculpa de pôr-me à prova.
Não era o caso, mas obrigado na mesma.
Salmos, 23:4 (ligeiramente revisto)


Ipse dixit.

09 julho 2015

Grécia e China

Admitimos como hipótese que a Grécia possa sair do Euro. O que aconteceria, não apenas no Velho
Continente?

Na verdade, ninguém sabe responder ao certo.

O que sabemos, dadas também algumas recentes experiências, é que a economia deve ser vista hoje como algo de interligado do ponto de vista global. Eis uma das vitórias da globalização: a asa batida duma borboleta na Ásia pode tornar-se uma tempestade no outro lado do planeta. Portanto, o Grexit (a saída de Atenas da Zona Euro) pode tornar-se muito desconfortável nos mercados mundiais.

A revista americana Foreign Policy analisa quais perspectivas podemos esperar, tendo como base duas zonas de alto risco: Zona Euro (por causa da Grécia) e... (surpresa!) China.

07 julho 2015

Vida do espaço: temos a prova?

Chandra Wickramasinghe
E não, desculpem lá, mas hoje nada de Grécia, dinheiro ou outras desgraças.

Hoje uma boa novidade. Que, esquisito, passou um pouco despercebida.

Lembram-se da missão Rosetta?
Bom, é assim: em 2004, a Agência Espacial Europeia lançou a missão Rosetta para estudar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Que de facto tem um nome feio. A missão era formada por dois elementos: a sonda verdadeira (Rosetta) e o módulo Philae, que tinha como objectivo aterrar na superfície do cometa.

No dia 12 de Novembro do ano passado, Philae conseguiu aterrar mas não da forma prevista: deu algumas cambalhotas e afinal parou com uma perna para o ar. Até que alguém pensou: "Missão acabada".

06 julho 2015

Os serviços secretos

Após a publicação do artigo Espionagem: Portugal na vanguarda, nasceu uma troca de opiniões que
julgo ser de interesse geral. Portanto, permito-me utilizar um comentário de P. Lopes (que agradeço desde já) como ponto de partida:
Ou tem condições para trabalhar ou mais vale serem abolidos [fala-se aqui dos serviços secretos, nda], se querem partilhar o trabalho da policias e tal como estas submeter o seu trabalho ao poder judicial, que são um órgão de soberania autónomo, então onde esta a mossa para os valores liberdade e privacidade?
Valores que não são absolutos por vezes tem de se sacrificados parcialmente para proteger outros valores como o direito a vida. Fazemos assim, lanço-lhe um desafio: Deve ou não haver serviços de informação e em que moldes? Quer me explicar a sua visão?

Basta de fotografias aos monumentos?

Resolvido de forma brilhante o problema da Grécia (talvez, um dia, quem sabe. boh?...), a União Europeia enfrenta agora novas prioridades.

No próxima Quinta-feira, dia 9 de Julho, o Parlamento de Bruxelas irá discutir em sessão plenária um assunto particularmente delicado: é legítimo fotografar e partilhar as imagens dos monumentos?

Por exemplo, chega um turista japonês e fotografa a Torre Eiffel de Paris: pode ou não publica-la na internet?

A eurodeputada alemã Julia Reda defende que sim, pode, porque a "liberdade de panorama" deve ser definida oficialmente pela União Europeia; mas um outro eurodeputado, o francês Jean-Marie Cavada, tem avançado com um emenda para a protecção dos direitos de autor. Portanto, nada de partilha na internet.

E, dado que após o terrorismo islâmico e a fome no mundo este é o assunto principal debatido no planeta, os três grupos principais (socialistas, populares e liberais) têm apoiado a emenda (como reza o lema: um só demente nunca é suficiente).

05 julho 2015

Honra aos cidadãos gregos

Mantenho as críticas ao governo de Tripas, mas a verdade é que a estupidez de Angela Merkel (que
recusou continuar as negociações antes do referendo) & sócios transformaram o sentido desta consulta popular. E o resultado é que hoje Zona Euro, União Europeia e Banco Central Europeu levaram um estalo de todo o tamanho.

Nestes últimos dias foram exercitadas pressões inqualificáveis contra a Grécia: o BCE que corta os fundos de emergência deixando os bancos sem um tostão, as reportagens televisivas nos quais todos parecem preparados votar "Sim", as sondagens que dão a vitória do "Sim", embora  por uma curta margens.

Tudo isso valeu de nada. Os Gregos souberam avaliar a situação, entenderam quem os verdadeiros responsáveis e reagiram com firmeza. Este é um "Não" que pesa de forma brutal (também pela percentagem alcançada: nesta altura fala-se de mais de 61%), que atropela os ideais (mas quais?!?) da moeda única.

03 julho 2015

Christine Lagarde: Façam o que eu digo

Tanto para não perder de vista alguns pontos.

Christine Lagarde, chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), queixa-se porque os Gregos não implementaram todas as ordens recebidas, o que teria significado também um brutal aumento de taxas e impostos.

A doce Christine afirma que se as ordens tivessem sido executadas, em particular por parte deste último governo, hoje a Grécia estaria bem melhor.

Portanto, o lema é: paguem as taxas, paguem tudo.

Salto atrás.
Maio do ano de 2012.
Christine Lagarde fala de taxas a insinua que a crise do País foi, em parte, devida a "todas aquelas pessoas na Grécia que estão a tentar fugir aos impostos". Uma vergonha, não há dúvida.

02 julho 2015

Começa a revolução?

Ok, admito: estou a ficar arteriosclerótico.
Lembro de ter já falado disso mas não me lembro quando. Tenham paciência.

E tenham paciência também porque o artigo é comprido: façam o favor de ler até o fim. Aliás, se estão com pressa, leiam só a parte final.
É importante.
Obrigado.

Informação Alternativa: um meio nas mãos do Poder

Então vamos repetir porque há uns comentários entre os últimos artigos que despertam perguntam. O que é sempre excelente, como é óbvio.

01 julho 2015

Espionagem: Portugal na vanguarda

Portugal está de parabéns.

Basta com estas história da espionagem ilegal, da NSA, de Edward Snowden. É altura de pôr um ponto final. Como? Simples: tornando as escutas e a recolha de dados pessoais perfeitamente legais.

É este o sentido da proposta de lei apresentada pelo governo, composto por PSD (Centro) e CDS (Direita), com o apoio externo do PS (Esquerda): dados fiscais, contas bancárias, telefonemas, correio electrónico. Tudo controlado pelos serviços de informação que podem recolher, processar, explorar e difundir os dados pessoais.

Obviamente, tudo é feito em prol da nossa segurança: trata-se aqui de prevenir o terrorismo (sem dúvida uma praga em Portugal) e o crime organizado.

A proposta de lei (que será discutida hoje no Parlamento) distingue-se por alguns traços vanguardistas. Vamos ver quais.

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