29 setembro 2015

O Verdadeiro Poder: 10 Reis de Barnard

Ontem tive uma troca de e-mail com Paolo Barnard, o jornalista italiano do qual muitas vezes traduzo
os artigos ou nos quais encontro pontos de partida para aprofundamentos.

A troca de e-mail não tem sido nada simpática, reciprocamente insultuosa em certos pontos. Pouco mal, internet provoca isso.

Tema: os Verdadeiros Poderes. Quem são os Verdadeiros Poderes? Como operam? Porquê? Atenção: não falamos aqui dos "poderes" visíveis, tipo Goldman Sachs, JP Morgan ou os bancos. Estes, como já todos entendemos, são apenas a parte visível. E destes até conhecemos a maneira de actuar: são cinco anos que o blog não fala de outra coisa.

Eu não concordo com todas as ideias dele, todavia Barnard não é um daqueles jornalistas que fica sentado atrás dum computador para traduzir os despachos da Reuters: no seu site há também o curriculum que fala por si. Angola (na altura da guerrilha), Oriente Médio, israel, Palestina, a África do Sul do apartheid, Somália... estes são apenas alguns dos lugares bem poucos "tranquilos" nos quais Barnard tem trabalhado, muitas vezes em condições de perigo pessoal. Foi ele que introduziu a Mosler Economics, que em Italia organizou debates, conferências, encontros públicos nos pavilhões para falar da Modern Money Theory.

Não pouco daquilo que transitou neste blog teve origem no trabalho de Barnard. Além da série dedicada à Modern Money Theory (sim, eu sei, falta ainda uma parte, peço desculpa!), podemos citar
Palestina - Israel: 10 Respostas Documentadas ou a Breve mas interessante história da economia, só para fazer alguns exemplos recentes. Pelo que: bem vale a pena ouvi-lo.

A ideia de Barnard é a seguinte: está errado falar duma única elite. E no lugar do NWO (a Nova Ordem Mundial) ele vê o Novo Caos Mundial. Porque Caos? Porque, no seu ponto vista, o Verdadeiro Poder tem problemas em controlar a actual situação.

Atenção: não problemas em controlar nós (isso não deve ser nada difícil), mas problemas derivados do choque entre os vários Verdadeiros Poderes, cada um em luta para estabelecer a respectiva supremacia.

O poder é actuado através do controle dos organismos supranacionais, que não são difíceis de individuar (União Europeia, Nações Unidas, Nato... e não acrescento outro para não ser mordido por todos os Leitores Brasileiros).

Esta, em extrema síntese, a visão de Barnard. 
Mas, do meu ponto de vista, sobra ainda uma pergunta: quem são estes Verdadeiros Poderes?
Já à noite, Barnard envia-me um curto e-mail. Curto, mas extremamente interessante, que proponho aos Leitores para que cada um possa (se assim desejar) reflectir nisso e dar o seu ponto de vista:
10 Rei caídos concordam sobre a forma de recuperar o poder das terras. O plano tem pilares precisos e para todos. Em seguida, eles ganham. Agora se encontram com montanhas de ouro. O que achas que fazem estes gatunos? Que comecem a partilha-las como bons irmãos?
Paolo Barnard
Eu sei que pode ser complicado pôr de lado tudo aquilo no qual acreditamos. Mas de vez em quando é bom fazer isso, é um óptimo (e útil) exercício. Por vezes necessário até.
Então vamos ver.

Que tal a ideia dum Grande Caos, determinado pelas lutas internas entre as várias facções do Verdadeiro Poder? O Grande Caos é tal até um certo ponto, como é óbvio: como vimos, não há caos no controle dos desgraçados (nós), há caos em questões bem mais importantes.

Um exemplo? A recente queda da Bolsa chinesa. Eu interpretei isso como uma manobra bem controladinha. Mas se assim não tivesse sido? Se realmente foi "apenas" um episódio duma guerra interna ao Verdadeiro Poder? Não uma guerra entre BRICS dum lado e Wall Street do outro: estamos a falar dum outro nível, superior. É o nível do topo: acima não há nada. Um Poder que tem um único plano: a supremacia, o controle total.

Isso pode fazer lembrar o NWO, a Nova Ordem Mundial. Mas seria um erro olhar naquela direcção. O NWO, tal como é apresentado na internet, é constituído por um grupo de poderosos que trabalham em conjunto para a implementação dum governo mundial. A ideia de Barnard é bem diferente: não há nenhum projecto NWO, se é que alguma vez existiu ou existirá, estamos numa fase na qual é só luta.

Num dos mails enviado, escrevi:
A ideia que transmites é a dum grupo de desgraçados (nós) que observamos nos céus a luta dos deuses (sem compreende-la).
É esta a nossa situação? Parece que sim.
É uma visão bem preocupante. Afinal, um NWO teria aos menos um objectivo de longo alcance, no qual os desgraçados teriam um mínimo de relevância (afinal o NWO serviria também para melhorar o controle sobre nós todos). Aqui não há nada disso, é bem pior: só luta pelo poder, nós nem existimos a não ser como massa útil para ser explorada e descartada se for preciso.

Ok pessoal, esqueçam por enquanto tudo o que o blog escreveu ao longo do anos. Eu não tenho nem a experiência e nem a inteligência dum Paolo Barnard, pelo que pego na resposta dele e atiro-a para os Leitores. O que acham? Como interpretam isso? O que são os Verdadeiros Poderes para vocês, tendo como base a resposta do jornalista?

Espero respostas e agradeço já pela participação.


Ipse dixit.

28 setembro 2015

O vosso partido: Vida e Morte

O vosso partido fala da...

Gerber

A Gerber nasceu em 1927 nos EUA, tornou-se um dos gigantes mundiais da nutrição para bebes. Mas o mercado americano não era suficiente: tinham que ir além. Então eis a lobby em Washington DC a partir dos anos '50 e os governos dos EUA que apoiam a empresa na sua batalha na Organização Mundial do Comércio em Genebra (OMC) para impor o leite artificial nos Países pobres, em detrimento do aleitamento materno (médicos corruptos que mentem às mulheres grávidas, etc.).

Resultado: em 49 Países pobres a Gerber impõe os seus produtos, mas cerca de um milhão e meio de crianças morrem ou crescem sub-nutridas durante 30 anos porque esses produtos são muito caros e porque as mães pobres e sem instrução ficam convencidas de que o leite delas é inferior.

Las Idas y las Vueltas

Y ahora: Flamenco!

Ontem tive a sorte de assistir ao vivo (e grátis!) ao concerto da Accademia del Piacere, grupo que, apesar do nome, não é italiano mas espanhol: espectáculo Las Idas y las Vueltas.

Um encontro entre Barroco e Flamenco pode parecer esquisito, mas a ideia é tentar encontrar as raízes do Flamenco, na época do Barroco. Nada de música erudita, portanto, mas um som popular de outros tempos.

Funciona? Às vezes sim, outras nem por isso. Mas esta é só a minha opinião.
Em qualquer caso: curioso e de aplaudir. Longe dos estereótipos comerciais, há alguém que tenta percorrer novos caminhos, mesmo que isso signifique procurar as raízes no passado.
A minha parte favorecida: a violoncelista loira :)
 
Aqui o exemplo mais conseguido: Ay, que me abraso! (guaracha and guajira), com a voz de Arcángel.

Notas soltas para uma sociedade melhor - Parte I


Raio de mulher, escrevesse uma coisa estúpida de vez em quando...
Eis Maria:
Lamento, gostaria de ter grandes esperanças...não as tenho. Sei que a coisa deveria começar pela finança [...]
Não tem esperança, diz ela. Depois começa com uma excelente descrição de como deveria ser uma sociedade melhor: 
  • acabar com a usura (juros),
  • cooperativas financeiras a base de bancos de crédito, nacionalizados
  • paralelamente práticas de trocas generalizadas por toda sociedade,
  • abandono de desperdício financeiro, ambiental, e de qualquer espécie,
  • primazia de estado do bem estar social,
  • destruição compulsória de armamento de guerra,
  • absoluta proibição de treinamento militar,
  • foros permanentes de discussão popular para construção de federações de democracia direta unidos através de confederações
  • anulação da pena de morte
  • revisão total das políticas penais
  • aceitação generalizada do amor livre
  • desaparecimento da herança
Posso não concordar com tudo, mas ao 90% está aqui a esperança toda! Achas pouco? Uma sociedade assim seria bem melhor daquela que temos hoje. Aliás: seria totalmente diferente, mais justas. É para coisas destas que temos de trabalhar, que temos de ultrapassar os vários e actuais "-ismos" para procurar novos (dado que o ser humano adora rotular tudo).

26 setembro 2015

O escândalo Volkswagen

Ehhhhh... a superioridade alemã.
Quem pode duvidar dela?

Nós, povos latinos e derivados, batoteiros e preguiçosos, olhamos com respeito e um óbvio sentido de inferioridade perante a magnificência alemã. É e mesmo assim: somos inferiores.

Pegamos no recente caso da Volkswagen e admitimos: nenhum entre nós teria sido capaz de imaginar uma fraude com este alcance. Não é uma burlinha local, uma corrupçãozinha de bairro: é um crime global, perpetrado contra o ambiente, os Estados, os cidadãos de todos os continentes. A precisão alemã não excluiu ninguém: nada de racismo aqui.

É um facto: são superiores em tudo, ponto final.

Aliás, vamos analisar tanto para aprender.
Directamente com os mestres.

25 setembro 2015

À procura dum novo "-ismo"

Num artigo anterior:
Que fique claro: as ideologias existem e são praticadas, mas não são aquelas que a maior parte dos Leitores conhecem, tal como Direita, Esquerda, etc.. Estas já não existem e não desde hoje. 
Quem disse isso? Eu (oh meus Deus, agora até as auto-citações...).
Permitam-me (ou "me permitam", para mim tanto faz): gostaria de salientar umas coisas muito simples mas bastante importantes.

Antes da transicção

A ordem do velho mundo, aquela que existiu entre os anos 1990 e 2000, acabou. Não está doente ou
de férias: morreu mesmo.

E tinha que ser: era uma época de transicção, nascida após a queda do equilíbrio durado várias décadas, onde Estados Unidos dum lado e União Soviética do outro mantinham uma situação estável.

No início dos anos Oitenta, Moscovo ainda ocupava metade da Europa e exercia uma forte influência sobre um grande parte do mundo. A "revolução socialista" (vamos chama-la assim) estava viva, com os líderes da Esquerda que realizavam peregrinações a Moscovo como se fosse a Meca e enviavam os seus jovens lá para aprender como fazer as coisas à maneira soviética. Ainda na metade nos anos Oitenta, os soviéticos lançavam em órbita a estação espacial Mir, enquanto as sondas Vega eram enviadas para estudar Vénus.

24 setembro 2015

VW: nova maxi-fraude em Portugal

Descoberta uma nova incrível fraude operada pelo gigante dos automóveis, o Grupo Volkswagen.

Há mais de 25 anos os carros do grupo alemão (Volkswagen, Audi, Seat, Skoda) são vendidos sem as piscas. O autor da sensacional revelação é um anónimo trabalhador da Autoeuropa, que produz viaturas do Grupo em Portugal.

Aproveitando do caos provocado pelo facto de ter de contactar todos os diários do País e fazer que a notícia do escândalo nos EUA não ocupasse as primeiras páginas (como acontece no estrangeiro), o trabalhador que passamos a chamar "Carlos" decidiu falar com Informação Incorrecta para revelar os factos, após ter tido como garantido o anonimato absoluto.

23 setembro 2015

A Islândia boicota Israel

Dobro-me perante a Islândia.

Pessoal, temos muito que aprender com aquele povo. A começar da forma como geriram a crise dos bancos privados (simples e eficaz: multas às instituições, responsáveis na prisão).

Agora vão além disso: qualquer produto Made in Israel não entra na ilha.
Anti-semitismo? Nada disso. A Islândia não odeia os hebreus, inútil começar com acusações histéricas.

País estranho este. Uma espécie de panorama dantesco, feito de vulcões e gelo, habitado por pessoas que são "o povo mais pacífico da Europa". Onde na lista telefónica os nomes precedem os apelidos, porque o nome é mais importante, também do ponto de vista legal. Pode não parecer, mas esta é uma escolha particularmente profunda, que bem explica qual a visão da sociedade daquele povo. Um padrão de vida alto, não há desemprego sob o manto protetor do Estado social escandinavo.

22 setembro 2015

A Operação Satiagraha - Parte II

Continuemos com a Operação Satiagraha e mais algumas linhas da síntese efectuada por Wikipedia:

A intervenção da direção da Polícia Federal

Uma reunião ocorreu em 14 de Julho de 2008 em São Paulo entre os encarregados de Operação Satiagraha e a cúpula da Polícia Federal, enviada de Brasília para esse fim. Por iniciativa dos delegados da Satiagraha, todo o encontro foi gravado.


Para surpresa dos delegados, em vez da reunião discutir os novos rumos da operação, houve apenas reclamações da cúpula da polícia, como o uso de algemas em alguns dos investigados e o privilégio a uma equipe de TV. No final do encontro, foi anunciado que Protógenes Queiroz será investigado em duas sindicâncias internas na PF.A omissão do nome do advogado petista Luiz Eduardo Greenhalgh da lista dos investigados na operação Satiagraha foi um dos motivos do acirramento da crise entre a cúpula da Polícia Federal enviada de Brasília e o delegado Protógenes Queiroz.

20 setembro 2015

Eleições em Portugal

Em breve haverá eleições em Portugal.
Não esperem encontrar programas, notícias ou alguma coisa relacionada ao assunto neste blog: a vida é demasiado curta para gastar tempo nestas cosias.

Não é um implícito convite para a abstenção: cada um está livre de escolher segundo a sua própria consciência, como é óbvio.

Há quem diga que abster-se significa perder o direito de criticar a seguir. Esta é uma idiotice. Ao tomar um autocarro pagamos o bilhete e não escolhemos o condutor. Mas se este guiar como um cão (com todo o respeito para os cães), temos todo o direito de nos queixar. Porque pagamos o bilhete, sempre.

18 setembro 2015

A Operação Satigraha - Parte I

Continuemos com a série dedicada aos grandes e recentes casos de corrupção no Brasil. Não que nos outros Países falte material (Portugal?), mas por enquanto publiquemos os dados recolhidos pelo Leitor Chaplin, (que, mais uma vez, agradecemos sentidamente!):
Após a Operação Zelotes, é a vez da Operação Satiagraha, que é uma acção da Polícia Federal Brasileira (a seguir: PF) contra o desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro (isso é: branqueamento de capitais) desencadeada no início de 2004 e que resultou na prisão, determinada pela 6ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, de vários banqueiros, directores de banco e investidores em 2008. E não é que ainda esta história não acabou?

Nesta primeira parte, o resumo cuja fonte é Wikipedia. Não estranhe o Leitor: é um bom resumo, devidamente suportado pelas ligações que será possível encontrar entre as fontes na última parte do artigo. E depois, digam a verdade: quando entre os Leitores alguma vez leram esta página da enciclopédia online?

Por isso: boa leitura.

Palestina: demasiado silêncio

E a questão palestiniana?
Não é altura. Este é o tempo de barcos cheios de "sírios", de Países "maus" que constroem muros contra os imigrantes, como a Hungria (a Áustria faz o mesmo, mas é diferente: aí fala-se alemão): a Palestina, por enquanto, fica no canto.

Pena, porque mesmo neste período há novidades. E, por uma vez, não são mortos provocados pelas bombas de israel.

Autoridade Palestiniana: sede de poder

Mahmoud Abbas (Abu Mazen)
Com pressa um pouco "estranha", o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas (Abu Mazen), convoca este mês o Conselho Nacional Palestiniano, parlamento da população nos territórios ocupados e no exílio; e em Novembro, o sétimo Congresso da Fatah, o seu partido.

Objectivo: renovar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), o seu Comitê Executivo e os chefes de Fatah.

Após 20 anos feitos de negociação sem sucesso, o Presidente com 80 anos tenta inserir nas posições do topo seus homens de confiança, permanecendo Presidente da Autoridade Palestiniana, lugar onde chegam as ajudas económicas dos Países doadores.
Mas não é uma situação clara.

15 setembro 2015

Proposta: dinheiro para os cidadãos - Parte III

E acabamos também a proposta acerca do dinheiro para os cidadãos. E só a escrever isso uma pessoa começa a rir: dinheiro para os cidadãos?

A ideia em si nem seria mal. Aliás, pessoalmente acho ser uma óptima ideia: haveria vantagens para a economia (mais vendas, mais produção), para o cidadão (melhores condições de vida), para o Estado (mais receitas fiscais, por exemplo). Mas há um senão. Melhor: dois. E não são apenas pormenores.

Directamente para as carteiras

Os Quantitative Easing (QE) dos Bancos Centrais passam inexoravelmente pelos bancos privados. Isso é: o Banco Central imprime o dinheiro, logo este é entregue aos bancos privados. Os bancos privados, com o sistema da reserva fracionária, "multiplicam" o dinheiro. Todavia, é possível constatar como na economia real ocidental haja falta de dinheiro. Para onde foi o fruto de todos os QE da Federal Reserve, do BCE, etc.?

A Operação Zelotes - Parte IV

Último episódio na saga da Operação Zelotes.

E a seguir: a Operação Satiagraha, não menos interessante.

A indústria da sonegação
Vou lhe contar um pequeno segredo: aqui no Brasil empresas não gostam muito de pagar impostos.
O autor desta frase é exatamente quem deveria cuidar para que todos paguem seus impostos, o ministro da Fazenda Joaquim Levy.

Em palestra que fez na semana passada (Abril de 2015), em São Paulo, a ex-alunos da Universidade de Chicago, onde também estudou, falou de passagem numa antiga prática, a sonegação fiscal, exercida desde sempre por amplos setores do alto empresariado. Preferem pagar bons advogados e lobistas para pagar menos ou não pagar nada do que devem à Receita Federal.

Levy depois tentou consertar o que disse, substituindo na transcrição oficial do inglês para o português a palavra “empresas” por “pessoas”. Claro que ninguém gosta de pagar impostos, nem aqui, nem em Chicago, nem na China, mas fez a citação no transcorrer da operação zelotes, um rombo de até R$ 19 bilhões aos já combalidos cofres públicos que Levy tenta salvar com seu ajuste fiscal.

14 setembro 2015

Windows 10: instalação forçada

Continuam as alegrias espalhadas pela Microsoft com o seu novo sistema operativo Windows 10.

Após a descoberta do keylogger, aparece uma notícia de The Inquirer segundo a qual os usuários de Windows 7 e Windows 8 efectuariam de forma involuntária o download do novo sistema operativo, através das normais actualizações. Esperamos para ter mais confirmações apesar de, sempre segundo o mesmo jornal, a Microsoft já ter confirmado.

Tale prática seria implementada mesmo que o usuário não tenha marcado a passagem para Windows 10. Após uma actualização aparentemente normal, iria aparecer uma janela popup avisando que Windows 10 está pronto para a instalação.

O problema prático deste download é que os ficheiros de instalação são depositados numa pasta escondida no disco do computador, ocupando um espaço que varia entre os 3 e os 6 Gigas. E esta pasta aí fica, mesmo que seja recusada a instalação (porque Microsoft, bondade dela, ainda deixa a possibilidade de escolher). Portanto, vale a pena controlar a presença desta pasta oculta: o método é simples.

A Operação Zelotes - Parte III

Mais um episódio da Operação Zelotes.
E lembrem: depois deste ainda teremos que falar da Operação Satiagraha...

Foi ao solicitar as prisões, em janeiro de 2015, que os investigadores tiveram certeza das dificuldades a serem enfrentadas. O juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Criminal de Brasília, única especializada em lavagem de dinheiro na capital, negou todos os pedidos de prisão contra os integrantes do esquema. Mas ainda em 2014, os investigadores perceberam que algo estranho ocorria.
Após as diligências preliminares confirmarem a denúncia anônima, a PF [1] solicitou a quebra de sigilo fiscal das empresas e pessoas apontadas como integrantes do esquema. Os arquivos com as informações bancárias revelaram aproximadamente 163 mil transações financeiras entre as empresas e pessoas investigadas. A soma alcançou a cifra de 1,3 bilhão de reais. Com esses números, ficou evidente para os delegados a necessidade de interceptações telefônicas a fim de descobrir qual era o modus operandi do grupo e quem eram seus clientes finais.

12 setembro 2015

A história do termoacumulador e da rodela rebelde

Grandes compras na casa de Informação Incorrecta!
Um termoacumulador, novinho em folha. Que luxo.

Reparar o velho? Nem pensar: custaria mais do que adquirir um novo. A nossa é uma sociedade rica, porque reparar quando podemos deitar tudo fora e voltar a comprar?

Portanto: novo termoacumulador adquirido e pago. E entregue por uma empresa  que não é a mesma onde o valioso objecto foi comprado. Estranho.
Mas tudo bem.

Ok, está em casa: obrigado por tê-lo transportado até aqui. Agora vão monta-lo, não é?
Não, quem monta é outra empresa ainda, a responsabilidade não é da transportadora. Tenho que esperar o dia em que o técnico autorizado aparecer.
Tudo bem.

E finalmente o técnico chega. Ele está autorizado a monta-lo: é rápido e eficiente. Muito bem. Abre a caixa e ops! uma rodela de plástico cai no chão. O que é isso? Ah, é a rodela para a regulação da temperatura. Bom, desencaixou-se, nada de grave, é só pô-la no lugar, fazer um pouco de pressão e...

10 setembro 2015

Guerra e Paz: somos bons!

Como é a nossa sociedade? É boa.

Mas quanto boa? Uhi, muitíssimo boa. Provavelmente a melhor. Por qual razão? Porque nós somos bons. E, para prova-lo, pode ser boa ideia pegar na História e reescreve-la.

Tão simples, não é?

Revista Super Interessante (vendida também no Brasil), edição portuguesa deste mês, Setembro de 2015, páginas 86 - 91. Assunto: a Paz. Como é a Paz? É boa, ainda bem.

E, de facto, o artigo entende demonstrar como a Paz tenha tido um papel fundamental na nossa História. Não se trata de demonstrar que não houve guerras, mas que o homem "é um ser complexo, capaz de comportamentos altruístas ou egoístas, e tanto de atitudes pacíficas como violentas".

Proposta: dinheiro para os cidadãos - Parte II

Muito bem.
Resumindo: há uma proposta apresentada pelo candidato-líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, para que os Quantitative Easing (QE) sejam utilizados não em favor da Finança (bancos privados, especuladores, etc.) mas sim em prol da sociedade, cidadãos e empresas, com a construção de infraestruturas e melhoria das condições de vida.

Isso para que, como consequência, cidadãos e empresas sejam não apenas encorajados mas também postos nas condições de desenvolver o papel deles: as empresas produzir e os cidadãos comprar.

Faz sentido? Sim, faz sentido.
Mas eis que aparecem os Sábios que, como vimos, desaconselham firmemente esta medida porque teria consequências desastrosas. É verdade que estes Sábios são suspeitos, no mínimo: indivíduos como Tony Yates, ex-economista-chefe do Banco Central de Inglaterra; Mark Carney, governador da mesma instituição... enfim, pessoas que têm um carinho especial para o sector da Alta Finança. Mas o perigo apresentado tem um nome feio: hiperinflação. E, como já vimos num artigo muito antigo, é um risco real, no sentido que é um fenómeno que existe.

09 setembro 2015

A Operação Portas Abertas e o muro de Israel

Peço desculpa aos Leitores.
Peço desculpa pelo facto de insistir sobre este assunto, mas a questão da imigração está a tomar contornos dignos do teatro de revista. Porque não fosse pelo lado humano, que permanece profundamente trágico, o resto é só anedotas.

Pegamos no Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. O simpático homenzinho propõe hoje a distribuição pelos Estados membros de mais 120 mil refugiados, com carácter urgente e obrigatório (isso é: não podem ser rejeitados, justo porque estamos em democracia).
Proponho hoje a recolocação de mais 120 mil pessoas que estão na Itália, Grécia e Hungria e isto tem que ser feito de modo vinculativo. São 160 mil pessoas que os europeus devem receber de braços abertos.
Mas quantos são? 120 mil ou 160 mil?
São os 120 mil de hoje mais os 40 mil propostos ontem. Ao que parece, a cada dia quadruplica: no Domingo serão 40.960.000.

Como desactivar o keylogger de Windows 10

Os especialistas informáticos estão a colocar os usuários de Windows 10 em alarme porque, ao que
parece, Microsoft colocou ferramentas de monitorização no novo sistema operativo.

"Ao que parece"? Bom, é mais que "parecer", pois é a mesma Microsoft que confirma.

A casa fundada por Bill Gates reserva-se o direito de controlar e registar cada palavra que você digita no teclado ou comando de voz para o assistente Cortana. Basicamente a Microsoft incluiu um keylogger no Windows 10 que regista e transmite para o exterior quanto é escrito. Não é um verdadeiro vírus informático, como é óbvio, mas opera segundo o mesmo princípio.

Doutro lado, "não há almoços de graça": querem a actualização gratuita para Windows 10? Em troca, abdiquem da privacidade.

08 setembro 2015

Proposta: dinheiro para os cidadãos - Parte I

Jeremy Corbyn
Na nossa sociedade doentia, quando uma pessoa apresenta uma proposta lógica, racional, ditada pelo "bom sentido", merece destaque. De facto, é uma anormalidade.

A jornalista (e escritora ) Ellen Brown aprofunda a tese de Jeremy Corbyn, candidato para tornar-se líder do Partido Trabalhista britânico. Corbyn tem uma ideia muito esquisita: parar de entregar dinheiro público aos bancos privados (com os Quantitative Easings, QE) e utiliza-lo em favor dos cidadãos.

Explica Corbyn:
O "re-equilíbrio" do qual falo é referido ao sector financeiro para os sectores de crescimento rápido e sustentável no futuro. Como podemos fazer isso? Uma possibilidade seria dar ao Banco da Inglaterra um novo mandato para melhorar a nossa economia, investindo pesadamente em novas moradias, energia, transportes e projectos digitais. Um Quantitative Easing para as pessoas, portanto, em vez que para os bancos.

07 setembro 2015

As alegres contas de Portugal

Artigo para os Leitores de Portugal.
Artigo que depois não contém novidade nenhuma: só confirmações. As enésimas.

Como sabemos, o Pais entrou em crise em 2010, quando a Dívida Pública representava mais ou menos 80% do Produto Interno Bruto (o PIB). Na primeira metade de 2011 caiu o governo socialista (teoricamente centro-esquerda) de José Sócrates e foi eleita a coligação PSD-CDS (teoricamente centro-direita) liderada pelo servo de Angela Merkel, Pedro Passos Coelho.

Eis a evolução da dívida líquida (Dívida Pública menos depósitos do Estado) desde o ano de 2010 segundo os dados fornecidos pelo boletim do Banco de Portugal:
Dezembro de 2010 : 158.736 mil milhões de € (boletim 04/2013)
Dezembro de 2011 : 170.904 (boletim 04/2013)
Dezembro de 2012 : 187.900 (boletim 04/2013)
Dezembro de 2013 : 196.304 (boletim 04/2014)
Dezembro de 2014 : 208.128 (boletim 05/2015)
Julho de 2015        : 212.268 (boletim 08/2015)
Nada mal, não é? Cortes nas reformas, nos salários, privatizações... foi isso que deu: uma Dívida que ronda 130%. Pergunta: mas se o País entrou em crise com uma Dívida "insustentável" de 80 e picos %, como é que agora está melhor com uma Dívida de 130%?

Teste Cheeseburger: Horror!!!

Horror? Ah, pois.

Passado um mês da altura em que o heroico Cheeseburger tinha sido fechado na sua prisão (uma caixinha de plástico: ver aqui no artigo original as condições de preservação), hoje fui espreitar o que se passava.

Já saboreava um novo artigo no qual o produto do McDonald's era gozado, apresentando a monstruosidade dum hamburger que passa imune através dos séculos, tudo condimentado com os comentários escandalizados dos Leitores.

Porque, juro, a minha intenção era mesmo esta: falar mal do produto assinado McDonald's.
Mas o que encontrei foi isso:

06 setembro 2015

Imigração: a manipulação na pele dos desgraçados

Lampedusa: 100% Sírios
Bom, dado que alguém entre Blogger, Facebook ou Google teve a bondade de "antecipar" quanto
tinha intenção de publicar, eis o artigo (rigorosamente sem a imagem incriminada e entretanto actualizado) que descansava entre os Rascunhos. 

E partimos mesmo da imagem em questão.
Quando abrimos os principais diários dum País e encontramos a mesma fotografia, podemos ter a certeza de que não é um mero acaso: há uma ideia atrás.

Neste caso foi a capa do diário italiano Il Manifesto, o diário dos Comunistas duros e puros, os que olham com desconfiança para o governo de Esquerda do Primeiro Ministro Renzi; a capa de La Stampa (o diário da Fiat), de Il Corriere della Sera (Centro), de La Repubblica (Esquerda governamental). Um autêntico coro.

05 setembro 2015

Somos espiados? Mas nãoooooooooooo!

Olá pessoal.
Vou contar-vos uma coisa engraçada.
Sigam-me s.f.f.

Ontem escrevi um artigo sobre a imigração. Tinha algumas informações de primeira mão e desejava partilha-las. Depois pensei que o assunto já tinha sido tratado há poucos dias, assim decidi adiar: guardei o artigo como rascunho, sem publica-lo. Nem gastei tempo para corrigi-lo ou para anexar imagens.

No artigo falava duma fotografia que ocupou os diários italianos nos últimos dias: a fotografia duma criança imigrante morta na praia. Uma imagem forte, ao ponto que já tinha decidido não publica-la no blog. De facto, não fiz o upload dela: aliás, nem fiz o download para o meu computador. Para ser mais claro: aquela imagem nunca esteve presente no meu computador. Nem a imagem, nem as capas dos diários que reportavam aquela imagem. E nem enviei aquela imagem para ninguém (via e-mail, com um link directo ou de outra forma). Simplesmente tinha visto aquela imagem nas capas de alguns diários italianos, nada mais.

Cérebro e rotina

Ninguém pode dizer-nos o que pensar: nós controlamos o nosso cérebro, certo?


Sim, talvez...


Ipse dixit.

03 setembro 2015

A história da Globalização

Nesta época em que a História é rescrita para que as pessoas nada possam entender da realidade, um
caso interessante é aquele da Globalização.

Wikipedia versão portuguesa:
A globalização é um dos processos de aprofundamento internacional da integração econômica, social, cultural, política, que teria sido impulsionado pelo barateamento dos meios de transporte e comunicação dos países no final do século XX e início do século XXI.
Falso. Esqueçam Wikipedia, os jornais e os livros que anunciam a Globalização como uma das "grandes tendências das últimas décadas e do futuro". A Globalização é coisa velha e está intimamente ligada ao Capitalismo (ou melhor: aquela coisa que hoje definimos como Capitalismo e que nada tem a ver com a ideia original).

Depois, para confundir ainda mais o Leitor, Wikipedia declara:
Embora vários estudiosos situem a origem da globalização em tempos modernos, outros traçam a sua história muito antes da era das descobertas e viagens ao Novo Mundo pelos europeus. Alguns até mesmo traçam as origens ao terceiro milênio A.C.
Falso. Dito assim, a Globalização parece sempre ter existido: nesta óptica, Adão foi o primeiro globalizador uma vez abandonado o Paraíso (mas a culpa foi de Eva com a maçã, como sabemos).

Qualquer bom livro acerca da Globalização explica que esta nasceu algumas décadas depois da Revolução Industrial (Inglaterra, final de 1700). E apareceu de repente: literalmente explodiu após o 1860, atingindo o pico em 1890 com o Império Britânico que promoveu (em muitos casos com a força) este processo em todo o mundo. A razão? Simples: o mercado.

Após ter desenvolvido um sistema de produção nunca antes existido e satisfeita a demanda interna, a Inglaterra tinha que procurar novos mercados. Mas não era uma procura que tinha como objectivo apenas a Economia: a Finança, como veremos, jogou um papel ainda mais importante.

Portanto: a onda de Globalização do '800 não foi apenas uma questão de força militar britânica (com o Império que ampliou de forma exponencial os seus limites) mas também de persuasão intelectual, através, por exemplo, da difusão das obras de Adam Smith e David Ricardo; textos que foram usados ​​para justificar a superioridade da livre concorrência em todas as frentes. Capitais, mercadorias, bens de todos os tipos, também a migração: tudo encontrava a sua razão de ser neste novo fenómeno. E na altura era mesmo isso: novo.

Não é possível fazer uma comparação entre Globalização do século XIX e a suposta Globalização das épocas anteriores. Não é possível simplesmente porque antes do Capitalismo não havia Globalização nenhuma. As colónias europeias ocupadas após a Era dos Descobrimentos não previam a instauração nas mesmas colónias dum sistema económico uniforme e ainda menos se falava de Finança: as colónias eram simplesmente um reservatório de matérias primas e de riquezas. Eram exploradas, não "globalizadas".

Algo mais parecido com a Globalização pode ser encontrado no Império Romano, em que as terras ocupadas se tornavam Províncias e, de facto, eram "romanizadas" na quase totalidade. Todavia, nem neste caso é possível falar duma verdadeira Globalização: não havia fenómenos de migração, pois a "romanização" previa o respeito dos costumes locais (sempre que não entrassem directamente em conflito com o poder romano). E, também aqui, nada de motivações ditadas pela Alta Finança.

A verdadeira globalização, portanto, nasceu apenas após o aparecimento do Capitalismo e, como afirmado, teve o seu auge na segunda metade do 1800. Aí, entre as outras coisas, foi imposto o sistema do padrão-ouro (1870-1880) e quase todas as nações tiveram que aceita-lo. Isso significava um único sistema financeiro global em que os capitais podiam ser movidos sem restrições: não uma moeda única, mas todas as moedas ligadas a um único valor (o ouro).

As barreiras comerciais foram derrubadas e a Finança tornou-se global, com os grandes bancos que financiavam empresas em todos os continentes: guerra do Japão com a Rússia, colonização da Indonésia ou da África, etc.

Assim, não surpreende que no período entre 1860 e 1890 (em qualquer caso até a Primeira Guerra Mundial) ocorreram três fenómenos semelhantes aos de hoje:
  1. um aumento da concentração da riqueza e uma desigualdade social sem precedentes
  2. uma explosão de migração de dezenas de milhões de pessoas que foram obrigadas a mudar-se pela expropriação súbita e violenta das terras (na Inglaterra, por exemplo, onde durante séculos a maioria das terras era de uso comum, estas foram subitamente privatizadas com a consequente expulsão dos camponeses que não tinham outra alternativa que migrar)
  3. um boom na Finanças global, com a criação de enormes mercados de Dívida, antes Dívidas dos Estados, depois corporativas e das Bolsas. Não acaso, por volta de 1880 começaram a estourar os escândalos, colossais crises financeiras e bancárias com repentinas depressões económicas.
A única diferença com hoje é que na altura a Globalização era algo nas mãos da Europa (em particular, como vimos, do Reino Unido), enquanto hoje é um fenómeno que interessa quase todos os continentes. "Quase" só porque na Antártica os pinguins ainda não ficaram convencidos.

Depois, no final de 1800, a Globalização começou a entrar em crise. O que aconteceu?
Aconteceu que após mais de trinta anos de Globalização selvagem, em toda a Europa e até nos Estados Unidos, foram constituídos os primeiros movimentos socialistas, comunistas, cristãos sociais e nacionalistas.

A Terceira Internacional de Marx, os socialistas de Turati ou de Jaurès, os socialistas de Mussolini (depois fascistas), os populistas agrários americanos, os combativos sindicatos do International Workers of the World (IWW) sempre no EUA, os anarquistas, os partidos cristãos-populares: esta foi a enorme reacção perante o Capitalismo Financeiro global. E esta reacção conseguiu abrandar o fenómeno da Globalização durante quase todo o século XIX. Abrandar e até regredir.

Com os vários Lenine, Estaline, Mao, Castro, Hitler, Franco, Salazar, Mussolini, Hortyt e os militares japoneses, Leon Blum, a Frente Popular na França, Gaulle, o Partido Trabalhista britânico, o Partido Socialista Francês, Roosevelt, Chang Kai Shek, Nasser, Suharto, Peron, Nehru,... foram estes os rostos mais conhecidos dum movimento generalizado que obrigou a Globalização a regredir ao longo de 80-90 anos.

Isso até os anos '80 do século passado: aí, com Reagan, Thatcher, Clinton e Blair, a escola de Chicago, a desregulamentação financeira, Greenspan, etc. ... a Globalização foi amplamente revitalizada. Mas é importante reter que, contrariamente ao que é afirmado, não é o avanço tecnológico (o progresso) que impõe a Globalização: entre 1890 e 1980 a tecnologia evoluiu, até bem mais do que antes. Mesmo assim, a Globalização abrandou, até quase desaparecer.

A simples verdade é que a Globalização é empurrada pelos interesses financeiros das grandes corporações: não é nem um fenómeno novo, nem algo que não possa ser evitado por causa do progresso. É uma escolha, que pode ser mudada tal como já aconteceu com as forças sociais de vária matriz (de Esquerda e de Direita).

A tecnologia, o progresso, nada têm a ver com a Globalização. A única ligação que é possível estabelecer é aquela entre a Globalização e o Capitalismo: isso por causa dos mercados financeiros, não da economia. Mas falamos dum Capitalismo que já ultrapassou a fase primordial, abandonando os princípios originais para abraçar o aberrante desvio da Finança selvagem e concentrada nas mãos de poucos.

Como sempre: é preciso seguir o dinheiro para entender as razões do que se passa. E a História ajuda, muito até.


Ipse dixit.

02 setembro 2015

Do radicalismo

Tive dúvidas se publicar algo acerca do radicalismo. O perigo de ser mal interpretado existe, sobretudo numa altura em que o termo "radical" é frequentemente associado ao adjectivo "islâmico".

Mas falar do radicalismo é uma necessidade. Por qual razão?

A resposta é uma outra pergunta: porque os mega-bancos, as mega-corporações, a mega-finança ganham? Porque "têm os meios"? Será por causa disso? Não, não é. Os meios em si não valem nada. Ter um Ferrari e não saber conduzir significa não ter nada: ter um instrumento e não saber utiliza-lo é nada. Portanto não são os meios.

Então é o quê? É o radicalismo. Eles são implacáveis nas suas ideias, nas ações. São determinados. Fixam um objectivo e vão em frente até consegui-lo. Não há obstáculos: os obstáculos são eliminados, custe o que custar.

Quanto custa fazer que o Banco Central da Líbia passe sob o controle dos grandes bancos privados? Uma guerra? Algumas centenas de milhares de mortos? A instabilidade insanável do País? Paciência: faz-se.
Quanto custa ocupar a maior fábrica de ópio do mundo, o Afeganistão, e pô-la a funcionar ao máximo da capacidade? Uma outra guerra? Outras centenas de milhares de mortos? E, entre eles, alguns soldados ocidentais também? Faz-se.
Quanto custa estabelecer a hegemonia israelo-sunita no Oriente Médio? Um inteiro novo estado de fanáticos que despoletam guerras na região e massacram inocentes? Faz-se, sem problemas.

Este é o truque: faz-se, não há espaço para compromissos.

Gandhi, King, Lincoln, Malcom...

Gandhi proibia que os seus cozinheiros em Ashram falassem e vestissem roupas íntimas durante a preparação dos alimentos. Uma palavra? Estavas fora.
Martin Luther King decidiu a ocupação das cantinas escolásticas reservadas aos brancos no sul dos Estados Unidos: os estudantes negros sentaram-se à mesa dos brancos e nenhum se levantou.

Quem chegou antes? O radicalismo dos mega-bancos ou Gandhi e King? Os últimos, é claro.
O verdadeiro poder entendeu que as acções e as ideias radicais, a feroz determinação típicas dos maiores campeões das revoluções sociais do final do século XIX, eram a arma decisiva para ganhar. E decidiu adaptar-se.

Na altura, Abraão Lincoln e os seus companheiros pensavam que o facto de trabalhar para ser pago fosse completamente absurdo. Chamavam isso de "escravidão". No ponto de vista deles, o salário era tolerado apenas se entendido como uma transição para um estado em que a pessoa trabalhava por conta própria, gozando do fruto do seu trabalho, sem ter um patrão ou uma inteira classe de donos. E sim, meus senhores, este era o Capitalismo original, a interpretação mais correcta.

Lincoln e companhia eram radicais? Sim, eram. Porque radical não significa apenas ser pessoa violenta, que parte tudo: é possível ser radicais nas próprias posições morais ou políticas sem partir nada. É isso que aterroriza os adversários, não a violência, mas o radicalismo, porque é a única arma que pode vencer um inimigo igualmente radical, o verdadeiro poder.

Malcolm X
Malcolm X foi morto por causa disso. O seu radicalismo moral assustou não apenas o governo dos Estados Unidos (o FBI tinha infiltrado agentes entre os seguidores dele) mas a mesma Nação do Islão e o seu corrupto líder Elijah Muhammad. E foram os assassinos de Elijah Muhammad a matar Malcolm X em Fevereiro de 1965. O que teria sobrado na História de Malcolm X se ele tivesse abraçado o oposto do radicalismo, ou seja o compromisso?

O radicalismo das ideias, a determinação, foi suficiente para que uma única mulher, a Nobel birmanesa Aung San Suu Kyi, colocasse na cruz um dos piores regimes do planeta, o da Birmânia. Suu Kyi é prisioneira política na Birmânia desde 1989, tendo estabelecido no auge da ditadura militar um movimento de paz para a democracia. Aung San Suu Kyi está bem longe de ser uma santa (os santos não têm nada a ver com o World Economic Forum), mas não é isso que interessa aqui: o que conta é que foi o radicalismo dela a arma decisiva para abalar o regime.

Poucos sabem que Aung San Suu Kyi era casada com um académico, chamado Michael Aris, e que o casal teve dois filhos. Após ter sido presa, o regime ofereceu-lhe várias ocasiões para renegar a sua luta e, em troca, ser autorizada a ver a família. Ela não quis. Quando Aris adoeceu e ficou perto da morte, a oferta foi repetida. Ela não quis. Hoje a ditadura birmanesa é incapaz de manter o País nas condições do passado: demorou 26 anos de radicalismo de Aung San Suu Kyi e dos seus seguidores, mas conseguiram. O que teria acontecido se tivessem escolhido o compromisso?

Os exemplos são infindáveis: após quase 30 anos de prisão, Mandela foi libertado e as primeiras palavras foram as mesmas de quando tinha entrado na cela: "A nossa luta continua e, se necessário, será armada". O seu radicalismo não se mexeu dum milímetro e conseguiu derrubar o inimigo. Depois Mandela mudou de combatente para político e foi completamente absorvido pelo sistema, como é lógico: mas quem se lembraria hoje de Mandela se tivesse envergado pela estrada dos compromissos?

Radicalismo: instrumento e sacrifício

Este é o radicalismo: adoptar uma ideia e manter-se fiel aos princípios dela.
Radicalismo não é semear bombas ou cortar gargantas: este é o radicalismo dos fanáticos, de quem não tem argumentos a não ser a violência. Antes de chegar ao patamar da violência, há muitos outros passos, que implicam um preço bem mais elevado: porque matar um outro é relativamente simples, estar disposto a sacrificar-se em primeira pessoa requer muita mais coragem. 

Objecção: o radicalismo não pode ser uma faca de dois gumes? Nas mãos dum monstro como Pol Pot, por exemplo, produziu um dos mais arrepiantes horrores da História: o regime da Camboja. Sim, é verdade. Mas aqui temos que realçar a diferença entre termos quais "radicalismo" dum lado e "extremismo" ou "fanatismo" do outro: não são sinónimos, é perfeitamente possível ser radical sem ser extremista ou fanático. Vice-versa, quando se juntam provocam desgraças: Pol Pot era um radical, extremista, fanático e demente.

Pol Pot
Mesmo assim, é preciso lembrar como o radicalismo de Pol Pot (acompanhado pelo extremismo e o fanatismo) funcionou. Pois o radicalismo é isso: um instrumento que funciona, para o bem e para o mal. O instrumento em si não está em causa: é o fim para o qual se trabalha que importa.

Para esclarecer: a Democracia é boa? Quase todos estão dispostos a responder que "sim". No entanto, neste planeta há guerras, muitas vezes movidas por aquele que é reconhecido como o principal País democrático do planeta, os Estados Unidos, a terra da Liberdade e das oportunidades. Como pode a Democracia ser boa se o principal País supostamente democrático farta-se de invadir outros Estados, bombardear, apoiar golpes militares?

A NATO não é formada por Países "democráticos"? Então, a Democracia não era boa? A resposta é que a Democracia não é nem boa nem má em si: é apenas um instrumento. É a utilização que fazemos do instrumento que determina os resultados finais e a "bondade" ou não deles. Com o radicalismo é a mesma coisa.

Retomamos as ideias de Abraham Lincoln: "O trabalho assalariado é uma escravidão que tem necessariamente de ser superada". Agora observamos os compromissos escolhidos pelas organizações sindicalistas ocidentais: a distância entre o antigo presidente norte-americano e estas últimas é de proporções cósmicas, como de proporções cósmicas é a humilhação no trabalho hoje e a vitória do verdadeiro poder sobre os direitos dos trabalhadores.

O compromisso

Infelizmente, o radicalismo fica muito longe de nós.
Ninguém é capaz de dizer "não" e daí não se mexer. O que temos é uma vida feita de compromissos.

Aceitamos o trabalho porque "temos família", porque os filhos precisam da escola, porque as contas devem ser pagas. Aceitamos esta pseudo-Democracia porque "é o menor entre os males" e porque dizem não haver válidas alternativas (dizem...). Aceitamos a nossa condição de escravos (quando formos capazes de entende-la) porque "é assim que funciona o mundo". Assumimos ser espiados via internet porque "não tenho nada para esconder" e porque "tanto somos controlados na mesma" e depois temos que ficar informados.

Por fim, aceitamos as leis porque uma sociedade (isso é: um grupo de indivíduos que decidem viver juntos) deve dar-se algumas regras e a alternativa apresentada é a anarquia (no sentido negativo do temo). E as leis, é ensinado desde muito cedo, devem ser respeitadas.

O resultado é que boa parte da nossa vida é um compromisso. O radicalismo fica fechado numa gaveta, donde nunca mais volta a sair. O custo é alto, altíssimo. Trocamos a nossa liberdade, a capacidade de escolher a nossa vida e a vida das nossas famílias, os nossos sonhos, até o futuro: com quê? Com a possibilidade de viver como os outros escravos.

"Mas os escravos não votam!" pode rebater o sagaz Leitor.
Verdade. E nem nós.

Aníbal Cavaco Silva, infelizmente ainda Presidente da Republica Portuguesa em vida, numa entrevista da semana passada:
Cartão PIDE de Aníbal Cavaco Silva
Há muita coisa que se diz durante a campanha, mas o que é preciso ter em atenção, como acontece nos outros países da Europa, é que quando terminam as eleições cada um faz as suas concessões. E por isso, aquilo que vai ser executado pelo Governo não é o programa do partido A nem o programa do partido B, é aquele que resulta da junção das diferenças dos programas de cada um deles, é assim que deve ser, é assim que se passa nos outros países.
Além do provincialismo típico do pobre enriquecido qual é Cavaco ("o que se passa nos outros Países é bom"), o que interessa reter aqui é a admissão de que as eleições valem o que valem: nada. Os programas eleitorais são apenas um chamariz, pois logo após as urnas intervém o compromisso e as políticas são "ajustadas" às exigências. De quem? Dos partidos. Que, desta forma, utilizam o poder atribuído para modificar os programas escolhidos pelos cidadãos.

E repare-se: "é assim que deve ser". Trata-se da apologia do compromisso, a exaltação da manipulação dos resultados eleitorais em prol da "governação". Mas é uma governação que não saiu das urnas: é decidida nas sedes dos partidos. Eis materializar-se o fantasma do compromisso, o anti-radicalismo.

O exemplo de Syriza

Mudar a nossa sociedade passa inevitavelmente pelo radicalismo.
Infelizmente, não será agora ou no próximo futuro. Não há espaço, não há condições.

A maior parte da população ocidental vive debaixo duma camada de anestético, cega e surda perante a realidade. Os que vivem nos Países em desenvolvimento são cada vez mais atraídos pelos chamarizes do consumismo. Os outros, os pobres, simplesmente não contam.

Para mudar esta sociedade é preciso que um número "decente" de pessoas decida conscientemente abraçar o radicalismo, estabelecendo alguns princípios e mantendo-se firme no consequente percurso. Já não é tempo para um só Gandhi: são precisos muitos Gandhi.

Para mudar será precisa a violência e um percurso extra-parlamentar? Não, não necessariamente.
A recente experiência de Syriza, na Grécia, foi um fracasso "planeado" mas deixou algo de positivo, que poucos realçaram: a demonstração de que os cidadãos podem ser "acordados" por um limitado grupo de pessoas e que, juntos, podem desestabilizar o sistema e propor válidas alternativas.

Foi suficiente um partido "radical" com poucos homens, um punhado de ideias simples e a recusa do compromisso.

O Leitor malandro pode pensar: "Mas o partido Syriza foi algo planeado pelos poderes fortes, estava controlado desde o primeiro dia". Mais uma vez: é a bondade do instrumento que interessa, não como este for aplicado. Pessoalmente duvido muito que Syriza tenha sido preparada pelos poderes fortes: teriam existido outras maneiras, bem mais soft, para obter os mesmos resultados. Muito mais provável é que Syriza tenha utilizado um autêntico radicalismo até um determinado ponto e que depois tenha sido "corrompida" pelo traidor Tripas.

Mas, seja como for, Syriza conseguiu mobilizar a maior parte dos Gregos, aglutina-los em volta dumas ideias e reforça-los com o passar dum curto espaço de tempo (ver o resultado do último referendo, que quase provocava um enfarte ao Tripas). Como conseguiu isso? Apresentando-se como uma força que recusava o compromisso e assim actuando na primeira parte da sua curta história.

Este é o radicalismo do qual precisamos, sem o qual não será possível derrotar o radicalismo do Poder.


Ipse dixit.

Fonte: Paolo Barnard

01 setembro 2015

OIM: a organização dos migrantes

Então: férias acabadas? Ao que parece... e os problemas? Não, aqueles continuam.

Por exemplo: é dos últimos dias a notícia de migrantes sufocados num camião enquanto tentavam entrar na Europa.

Dezenas, centenas de milhares de pessoas que partem de Países longínquos para viagens perigosas, onde a morte é mais do que uma possibilidade. Objectivo: a Europa, esta espécie de El Dorado. Alguns (a maioria) morrem no meio do mar, outros fechados em contentores, outros simplesmente de fome e por causa da fadiga.

Não é um normal fenómeno de migração: é uma deslocação em massa, quase um êxodo. E Bruxelas observa, aparentemente incapaz de tomar uma iniciativa qualquer. Quando uma iniciativa parte, é feita de palavras para criticar quem tenta controlar o fenómeno, como no caso da Hungria. Aí levanta-se o coro dos bem-pensantes: "xenófobos" é o epíteto mais ouvido. Sem dúvida: mais simples ficar a observar sem mexer um dedo.

Porque nos últimos meses temos assistido a esta movimentação humana sem precedentes? Porque agora? As fronteira europeias estão abertas há muito, não houve mudanças neste sentido. Os Países de origem (esqueçam os "refugiados sírios" anunciados pelos órgãos de informação: estes são uma minoria, a maior parte são oriundos da África subsahariana, do Chade para baixo) não atravessam períodos particularmente complicados: morrem de fome agora como morriam antes, sem que ninguém dos Países ricos faça algo (a não ser as organizações "humanitárias" dos vários "filantropos" como Bill Gates). Nenhuma novidade, portanto.

A vaga do fundamentalismo islâmico? Não, nem ela: esta interessa apenas algumas zonas dum número limitado de Países, não é suficiente para justificar esta maré de desesperados.

Desesperados? Isso mesmo: desesperados. E aqui surge uma dúvida: como podem tantos pobres encontrar o dinheiro suficiente para abandonar os seus Países de origem e chegar até a Europa? Onde encontram os montantes?

Bayin Keflemekal, enfermeira da Eritreia com 30 anos de idade, pagou 6.500 Euros para alcançar a
costa da Líbia. E falta-lhe ainda a travessia do mar. E não é uma excepção. O preço para uma viagem Líbia-Italia ronda os 5.000 Euros (pouco mais do que 20 mil Reais). Aparentemente não é um montante astronómico, não segundo os bolsos dum Europeu. Mas o que dizem os bolsos dum Africano?

Um exemplo: o Ghana, uma das principais "fontes" de imigrantes. Um Euro vale 3 Cedis (a moeda local), portanto 5.000 Euros são 15 mil Cedis. Qual o ordenado no Ghana? 200 Cedis é a média. Dado que na Italia o ordenado médio é de 1.300 Euros, eis uma proporção:

15.000 : 200 = X : 1.300

onde X é quanto, em proporção ao ordenado italiano, custaria a viagem via mar tendo como base o real nível de bem estar no interior dos respectivos Países. Quanto vale X? Vale isso: 97.500 Euros, 393.445 Reais. Este é o dinheiro "real" que um cidadão do Ghana tem que encontrar para alcançar a Europa via mar (e nem falamos da viagem Ghana - Líbia).

97 mil Euros? Quantos no Ghana podem permitir-se uma despesa assim? Estes seriam os "desesperados" que arriscam a morte para alcançar a Europa? Algo não bate certo, é evidente.
É este o mesmo raciocínio feito pelo site suíço Le Observateurs, dirigido pelo professor Uli Windisch, o mesmo que criou a Escola de Comunicação e Jornalismo na Universidade de Genebra.

A suspeita do Observateurs: há organizações que favorecem as viagens destes "desesperados"? E mais: esta não é apenas a dúvida do site suíço, muitos na Europa começam a pôr-se a mesma pergunta.

A resposta é simples: sim, há organizações que "incentivam". E não são organizações de criminosos, pessoas que querem apenas o dinheiro dos desgraçados. Nada disso: os criminosos são apenas o último elo da cadeia, os que recebem o dinheiro para efectuar as viagens da morte. Antes de chegar aos criminosos, deve haver quem proporcione o dinheiro.

O diário francês Le Monde recolheu o testemunho de alguns desesperados na costa da Líbia. E sim, há organizações que contactam os migrantes uma vez chegados na Líbia, para que a viagem possa acabar. E deve haver alguém também nos Países de origem, alguém que proporcione o dinheiro para que a viagem possa até começar.

Por isso a atenção da jornalista belga Anne Lauwaert, que publica também no Observateurs, focou-se num nome: Organisation Internationale pour les Migrations ("Organização Internacional de Migração", OIM).

A OIM é uma organização criada em 1951 a fim de solucionar os problemas relacionados à migração que haviam sido agravados pelo fim da Segunda Guerra Mundial. Dela fazem parte mais de 149 Países e, com mais de 400 escritórios em todo o mundo, é membro observador das Nações Unidas, colaborando também com as agências especializadas da ONU. Com mais de 8.400 funcionários e um orçamento anual de 1.675 biliões de Dólares, a OIM é dirigida desde 2008 pelo Embaixador dos Estados Unidos William Lacy Swing e, entre as outras coisas, organiza as eleições para os refugiados fora da pátria deles, por exemplo no Afeganistão em 2004 e no Iraque, em 2005.

Repetimos: 149 Países membros, mais de 400 escritórios pelo mundo fora, mais de 8.400 funcionários, contactos com as agências da ONU, um orçamento de 1.675 biliões... esta não é uma miserável ONG, esta é uma multinacional da emigração. Alguma vez ouviram falar dela? Não? Normal.

E até organiza as eleições. Pelo que: antes o País é destruído, depois chega o OIM para implementar a democracia que ninguém tinha pedido. A quadratura do círculo, nada mal mesmo.

Uma leitura da página web da OIM esclarece quais as ideias: a missão "é comprometida com o princípio de que a migração humana e ordenada faz bem aos migrantes e à sociedade".
Já por isso deveriam ser presos todos, mas continuam:
Numa era de mobilidade humana sem precedentes verifica-se que há uma urgente necessidade compreender plenamente as ligações entre migração e desenvolvimento, tomar medidas práticas para que a migração possa servir mais os interesses do desenvolvimento e elaborar soluções duradouras para situações migratórias que criam dificuldades. Neste campo, o filosofia da OIM é que a migração internacional, se gerida de forma adequada, contribui para o crescimento e a prosperidade dos países da origem e de destino, e para o lucro dos próprios imigrantes.
Traduzindo: a migração é a melhor forma de proporcionar mão de obra de baixo custo que possa ser utilizada nas fábricas das multinacionais. De resolver os problemas que ficam na origem da migração nem se fala, bem melhor criar novos escravos.

De acordo com esta linda teoria segundo a qual "migrar é bom", a organização promove a emigração em massa. Normal: a OIM é uma das várias armas utilizadas pelos poderes fortes na óptica da globalização. E raciocina enquanto tal:
A OIM faz apelo para arrecadar 80 milhões de Dólares para dar apoio às famílias dos refugiados espalhados por todo o Iraque. Porque, vocês têm que saber, 3 milhões de Iraquianos foram expulsos das casas deles por causa de conflitos violentos.
William Lacy Swing
Qual será a causa desses conflitos violentos? Ehhh, difícil responder. Talvez o Pentágono pode ter uma ideia. Se os sauditas, os turcos, os americanos, os israelitas parassem de fornecer armas e assistência ao Califado, quem sabe, isso poderia ajudar, não? É apenas uma hipótese que, em qualquer caso, não aparece nas páginas do OIM.

Talvez seria engraçado ter do simpático director Lacy Swing, ou dum dos seus oito mil e quatrocentos apóstolos, mais algumas informações sobre a grande migração de África para a Líbia, e daí para Italia, Grécia, Espanha, ex-Jugoslávia, Hungria. Afinal ele passou uma vida de diplomata na África, terá alguma opinião sobre o que fez aumentar brutalmente as deslocações e os afogamentos em massa no meio do mar.

A dinâmica das migrações costuma atingir tais picos somente perante um evento catastrófico, como guerras, fome, genocídios... Mas dado que na África nada mudou nos últimos tempos, não haverá, por acaso, alguma "promoção" do êxodo? Se calhar feita por alguém convencido de que "emigrar é cool"?


Ipse dixit

Fontes: Le Observateurs, Organisation Internationale pour les Migrations

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