16 abril 2016

Presidencias EUA: besta contra besta

Raramente foi observada uma campanha destas proporções. E falamos aqui da campanha mediática contra o candidato Donald Trump. Artigos, notícias nos telejornais, inteiros programas dedicados ao candidato presidencial.

Isso enquanto é silêncio acerca de Hillary Clinton; no máximo podemos saber que há outros candidatos democratas que recolhem consensos e conquistam Estados nas primárias. Parece implícito o facto da Clinton ser a escolha natural, óbvia, do Partido Democrata. E isso apesar do eleitorado enviar sinais bem diferentes (ver vitórias do candidato Sanders).

Voltemos ao milionário com os cabelos efeito porquinho-da-Índia.
Trump é uma besta ao quadrado, acerca disso não pode haver muitas dúvidas. O típico fruto duma sociedade, aquela norte-americana, em plena decadência de valores, de moral, até dum mínimo de bom gosto. Os seus apoiantes afirmam que Trump é incómodo porque diz a verdade, porque subverte as regras do jogo.
Não: Trump é uma besta ao quadrado, ponto final.

Mas a Clinton?
Paul Craig Roberts, provavelmente um dos poucos políticos decentes nos EUA (apesar do seu passado entre os Republicanos), dedica um dos seus últimos artigos à simpática Hillary. E não é um artigo de opinião, mas de factos: algo acerca do qual foi estendido um véu de silêncio, para que certas coisas não sejam lembradas, não agora, em plena campanha eleitoral.

E os factos são simples: Hillary Clinton tem provado ser uma candidata "impermeável". Com o apoio do "esquecimento" dos órgãos de informação, escapou ilesa de grandes escândalos, dos quais apenas um teria sido suficiente para destruir qualquer outro político.

O dinheiro

Hillary recebeu subornos substanciais de empresas e organizações financeiras sob forma de compensações para conferências. É sob investigação por uso indevido de informação classificada, um delito pelo qual muitos informadores foram presos. Hillary sobreviveu ao bombardeio da Líbia e à criação (a sua criação) do "novo" Estado da Líbia, uma espécie de inferno no qual sobreviver é já um triunfo, fábrica de milicianos jihadistas, acerca do qual o silêncio ocidental é total. Sobreviveu às acusações de que, como Secretária de Estado, favoreceu os interesses estrangeiros em troca de doações para a Fundação Clinton. E há também uma longa lista de escândalos anteriores: Whitewater, Travelgate, Filegate...

Como é possível que Hillary Clinton tenha atravessado isso tudo sem um só aranhão? Simples: é ela a melhor representante da oligarquia dominante, a Public Relations do tal 1%. Hillary trabalha e é paga para fazer os interesses dos grandes bancos, do complexo industrial militar e da lobby israelita. Uma vez eleita (porque será eleita) defenderá aqueles interesses, não os do povo americano.

O facto de que a Clinton foi comprada pelos grupos de interesse privado é de domínio público. Por exemplo: de acordo com a CNN, entre Fevereiro de 2001 e Maio de 2015, Bill e Hillary Clinton têm arrecadado 153 milhões de Dólares em compensações para conferências, para 729 discursos que tiveram como custo médio 210.000 Dólares. E agora que é candidata, os preços têm aumentado. A Deutsche Bank pagou 485.000 Dólares para um discurso, a Goldman Sachs 675.000 Dólares por três discursos, Bank of America, Morgan Stanley. UBS e Fidelity Investments pagaram cada um 225.000 Dólares.
A propósito: já viram os nomes? Pois.

Como pode a simpática Hillary fazer isso, em plena corrida presidencial e, mesmo assim, continuar a apresentar-se como a melhor candidata democrata? Com o apoio dos media, em primeiro lugar do Washington Post e do New York Times que sempre defendem a Clinton. Enquanto Trump abre boca, diz um disparate (não faz outra coisa) e é logo atacado por qualquer "jornalista" (com muitas, muitas aspas...), a simpática Hillary trabalha alegremente pelos maiores bancos mundiais, é coberta de dinheiro e ninguém acha isso estranho.

Mas há mais além do dinheiro. Foi Hillaryque  levou o governo Obama à destruição do governo da Líbia, onde a "Primavera Árabe" não era nada se não um grupo de jihadistas pago pela CIA, utilizados para expulsar os investimentos da China no petróleo do leste da Líbia e para ocupar um dos últimos bancos centrais independentes (ou, pelo menos, não controlados pelos homens da oligarquia mundial).

Tinha sido ela a forçar o marido a bombardear a Jugoslávia. Foi ela que tramou para uma mudança de regime na Síria. Foi ela que puxou os cordéis do golpe que depôs o presidente das Honduras, eleito democraticamente. Foi ela que levou para o Departamento de Estado a neo-conservadora Victoria Nuland, a madrinha do golpe que provocou a queda do Presidente da Ucrânia. E foi ainda ela que definiu o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o "Novo Hitler".

Tudo isso não deve admirar: Hillary sempre foi e ainda é uma alma Republicana, convertida aparentemente ao Partido Democrata apenas para conseguir uma carreira de sucesso ao lado do marido Bill. Nesta altura, para sermos mais precisos, a Clinton já não é nem Republicana nem Democrata: simplesmente, faz parte daquela oligarquia, o tal 1%, que utiliza indiferentemente a falsa divisão entre Direita e Esquerda para poder melhor gerir os seus próprios interesses. Para os Clinton, o governo significa utilizar o cargo público para promover interesses privados, que proporcionam avultadas recompensas. De acordo com o Wall Street Journal, pelo menos 60 empresas que tiveram interesses no Departamento de Estado durante o mandato de Hillary Clinton (como Secretária de Estado) doaram um total de mais de 26 milhões de Dólares para a Fundação Clinton.

Ao fisco, a Fundação Clinton e os seus associados declararam um total de doações para 1.6 bilhões de
Dólares. Os nomes dos benfeitores? O oligarca ucraniano Victor Pinchuk, Exxon Mobil, James Murdoch, Boeing, Dow, Goldman Sachs, Walmart. E depois há os Estados: durante o mandato de Hillary Clinton, o Departamento de Estado aprovou a venda de armas no valor de 165 bilhões de Dólares em 20 Países, cujos governos deram milhões para a Fundação Clinton. Nomes? A monarquia do Kuwait, o Qatar, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita...

Falta alguém entre estes nomes? Pois falta.
Por isso vale a pena espreitar a equipa que trabalha com Hillary ao longo desta campanha eleitoral.

A eminência parda

Chefe da organização é John Podesta, um nome que pode dizer pouco à primeira vista.

Podesta entrou no mundo do poder bastante cedo: já em 1967 tratava da eleição do candidato presidencial Eugene McCarthy: iniciava assim um relacionamento com Washington que dura até hoje. Conselheiro do líder dos Senadores Democratas, do Comité da Agricultura, do Comité para a Segurança e o Terrorismo, das Reformas, da Justiça, Chefe do Gabinete de Bill Clinton... Em 1988 fundou com o irmão a Podesta Associated Inc, uma empresa de lobby financiada por nomes como Wal-Mart, BP e Lockheed Martin.

Mas a importância de Podesta vai mais além disso. Em 2003 funda o Center for American Progress, um dos mais importantes think tank Democratas. Os financiamentos? Só em 2013 foram 42 milhões de Dólares, uma prenda de George Soros (que é também financiador directo da campanha de Hillary), da Fundação Ford, da Fundação Bill e Melinda Gates, da Fundação Walton, do Citigtoup, da Wells Fargo, da empresa de armamentos Northrup Grumman, dos Emirados Árabes.

Podesta, que também opera como conselheiro do actual Presidente Obama, é uma das principais eminências pardas de Washington e pertence ao exclusivo grupo de pessoas que desenvolvem um papel-chave no mundo político: são o elo de ligação entre a oligarquia política e aquela empresarial, são eles que gerem os contactos, que recolhem os financiamentos, que organizam as reais prioridades tendo como base não os interesses dos cidadãos mas as exigências dos financiadores.

Para entender quais os verdadeiros objectivos de Hillary, é necessário ter em conta donde provém a maior fatia do dinheiro que a sustenta. E aqui o quadro fica bastante mórbido: grandes bancos, empresas de armamentos, especuladores financeiros, produtores de petróleo... numa palavra: oligarquia.

Quanto disso chega até o ouvido do cidadão?
Pegamos no Huffington Post, o mais lido site político da internet, hoje na galáxia Verizon:
  • Hillary trabalhou numa empresa do Alaska para limpar o pescado, mas foi demitida quando começou a fazer perguntas acerca do sofrimentos dos peixes.
  • Não queria que a filha Chelsea fizesse furos nas orelhas.
  • Tempera toda a comida com molho picante.
  • Publicou uma receita para preparar bolachas com gotas de chocolate.
  • E provavelmente a melhor: em 1978 conseguiu um investimento particularmente sortudo, tendo gasto 1.000 Dólares em matérias primas para depois ganhar 100.000 Dólares. Uma "subida quase incrível", como comenta o New York Times.
E, obviamente, nem falta o Gif para atrasados mentais:


O eleitor americano enfrenta uma escolha aparentemente quase impossível: votar para uma besta ao quadrado ou para uma besta interesseira belicista que nunca fará a vontade dos cidadãos mas sim aquela da oligarquia no poder?

Na verdade, o eleitor americano escolherá a pessoa belicista e interesseira, a que utiliza molho picante, pela simples razão que a campanha mediática contra a besta ao quadrado dará os seus frutos. Mas isso interessa até um certo ponto: seja como for, o próximo Rei do Mundo será um indivíduo que de certeza ninguém queria como vizinho.


Ipse dixit.

Fontes: Paul Craig Roberts, The Intercept, Washington Blog, Washington Blog (2), International Business Times, The Big Story, The Seattle Times, Formiche, The Huffington Post 

9 comentários:

  1. Anónimo16.4.16

    Como manipular eleições

    "Eu sempre disse que há dois tipos de política, aquela que a gente vê e aquela que realmente faz com que as coisas se passem, eu trabalhava na política que não se vê"

    Português: http://resistir.info/varios/eleicoes_burguesas.html
    Espanhol:http://www.bloomberg.com/features/2016-como-manipular-una-eleccion/
    Inglês: http://www.bloomberg.com/features/2016-how-to-hack-an-election/

    EXP001

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  2. Em primeiro lugar parabéns pelas manchetezinhas em destaque (as de hoje estão ótimas!) e pelas frases célebres também.
    Infelizmente o post, embora oportuno, não faz sorrir. Trata-se de: morrer ou morrer. Respondendo à pergunta do RC, autor do texto no post, acho que o mundo não sobrevive à Hilaria, não. Pelo menos uma parte considerável, que ainda esteja de pé. Não sei se é porque estou imersa no fracasso brasileiro, mas o meu otimismo com relação ao futuro, se é que algum dia esteve em alta, despencou de vez. Ouso dizer que as próximas décadas conhecerão o naufrágio total das democracias, a vigência de estados policiais, sociedades sob controle intenso por vias de intimidação e tecnológias diversas, guerras naturalmente promovidas e patrocinadas por quem já provou que entende do assunto, genocídios provocados por deslocamentos forçados, campos de concentração, versão grandes massas, a exemplo da Faixa de Gaza, guerra climatológica produzindo escassez de água e alimentos em zonas do planeta condenadas a morte pelos donos do poder global, terrorismo de Estado (porque outro não há), advento do padrão esvaziado mental em grande parte da população... tem mais mas já cansei. A única coisa legal é que já vivi seguramente dois terços da minha vida, logo preciso só descobrir onde vou me esconder neste último terço, ou seja, por pouco tempo.

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    1. Maria, infelizmente a coisa é cíclica, desta vez não haverá onde exilar-se. "Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come." Esta tragédia não sai de cartaz... Quero ver para aonde vão agora com "o nosso" livre arbitrio, poder, faculdade de decidir, de escolher, de determinar, dependente apenas da vontade.
      Tarde demais... Conspiração é isso.


      Na paz da gratidão por suas mensagens.

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    2. P,s.: "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
      - Charles Chaplin

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  3. José Figueiredo16.4.16

    Sendo época de eleições nos Estados Unidos da América, recomendo aos leitores do blogue que assistam à série documental "The Untold History of the United States" produzida por Oliver Stone, onde se analisa até aos dias de hoje a História e Política iniciadas no Século XX, bem como o funcionamento e estrutura das eleições americanas e da CIA.



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    1. Anónimo16.4.16

      Já vi Figueiredo, e de fato é bem interessante. Deve ser assistido, assim como, JFK do mesmo autor.

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  4. Anónimo16.4.16

    Boas José Figueiredo

    Obrigado pela sugestão. Tambem ja vi. Muito bom por sinal.
    Tb recomendo este:
    The Money Masters - Full Documentary (1996)
    https://www.youtube.com/watch?v=B4wU9ZnAKAw

    EXP001

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  5. Anónimo17.4.16

    Já vi a serie e o documentário.

    Peço desculpa se me excedi antes, defacto sim mas quando você ouve que alguém bem próximo seu é agredido numa cidade brasileira e foi interpelado quando ia a passar na rua, pediram ou forçaram opinião e este disse o que pensava pum...e não foi pior porque a polícia chegou a tempo. Atacam estrangeiros ? Estive ontem a falar tudo bem mas valeu o susto.
    Águas passadas...

    Estive a ver este site:

    http://www.zerohedge.com/news/2016-04-16/saudi-arabia-threatens-us-it-will-liquidate-its-treasury-holdings-if-congress-passes?page=14

    E dou com isto, não é notícia em sí que me chama a atenção é o gráfico. O que não bate aí bem tudo e mais alguma coisa. Entretanto depois de ver algum "barulho"
    Entretanto na última página perguntas e mais perguntas e dou com mais uma "pérola" :
    https://politicalvelcraft.org/2016/02/01/shanghai-shock-april-19-2016-yuan-based-gold-standard/

    Se a coisa ficar entre esses dois, quem paga não é a América é o resto do mundo e mais 4 ou 5 cidades na América que ficam em bancarrota para pagar as guerras que essa sra for "inventar" para fazer o sector que melhor funciona e mais lucros dá que a boa industria de armamento financiada pelas entidades too big to fail que precisam de aumentar ainda mais(psicopata também é gente). É o velho esquema irã/contras com dinheiro proveniente do "mercado" de drogas duras, Afeganistão.
    Morrem alguns eu diria muitos (não dizem que existe gente a mais) mas como é possível hoje em dia, com diplomacia e democracia.
    Washington já a muito escolheu o caminho psywars e guerras com ou sem drones.
    O que é democracia hoje em dia em que tudo vale? Pessimista não isto até vai ficar animado demais(imagino explosões e efeitos pirotécnicos do melhor)quando a madame tomar trono e começar o reino.
    Nuno

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    Respostas
    1. Anónimo17.4.16

      Éhh Nuno, esquece lá isso, acontece. Quem te conhece aqui sabe que és respeitoso, de bom caracter,
      tens ideias, procuras saber mais e dar a conhecer, e tens uma maturidade bem acima da tua idade.

      Quanto ao que contaste que se passou contigo e tendo eu conhecimento de outros episodios
      (como por ex. a recusa de um medico em consultar uma criança porque os pais sao do PT)
      é realmente arrepiante. Se o golpe for avante a coisa por ai vai ficar bem feia. (Já disse que o que se esta ai a passar ai faz-me lembrar cada vez mais a Ucrania e a Venezuela ?)
      O caso do Brasil é apenas uma de várias batalhas que estão a decorrer neste momento de uma guerra global.
      Obrigado pelos links, ja li.
      Sim a China silenciosamente e alegremente tem andado a amealhar ouro com fartura e ao dar á sua moeda o lastro do ouro vai criar um terramoto global pois
      as grandes moedas baseadas em promeças (fiat (nao confundir com a marca de automoveis)) ppuuufffff passam a valer menos que o papel onde estao impressas.
      Outro facto interessante e que offshores como a Suiça, Chipre, Vaticano,


      https://www.youtube.com/watch?v=l1OOHDjuIQ8

      http://sakerlatam.es/rusosfera/que-quiere-putin-un-importante-analisis-de-rostislav-ishchenko-hay-que-leerlo/

      Seja ela seja o Trump, não vai haver diferença. A máquina ja esta em movimento os "eua" estão a afundar-se e a espernear para nao perderem a sua hegemonia.
      Actualmente estão a tentar colocar-se numa posição de ganha ganha, ou seja:
      Destabilizam tudo e voltam a ter o controle total dos que sairam da sua orbita de influência e empurram com a barriga para a frente (como teem feito) o estoiro enquanto vao sugando os outros ou engatam isto tudo em guerra e a culpa do sistema financeiro ter implodido ou explodido
      passa a ser por causa da guerra e claro não serão eles os causadores (nunca são). Por fim ha outro perigo ainda maior, se este jogo de ganha ganha não lhes correr como desejam
      e perderem , o povo exepcional ferido no orgulho pode recorrer a politica da terra queimada em que a ideia e que a vitoria do adversario lhe fique tao cara como a derrota.
      A Russia e China convem-lhes adiar o conflito o maximo possivel, enquanto isso vao-se fortalecendo cada vez mais e deixando os eua definhar e perder poder, esperando que
      os eua acabem por ficar numa situação em nenhuma das 3 hipoteses lhes seja atraente.

      Curiosidade

      A doutrina Romer : forçar os paraísos fiscais não Anglo-saxônicos a desistir, e desestabilizar a União Europeia até que os capitais refluam de volta para os paraísos fiscais do Reino Unido, da Holanda, dos EUA e de Israel.


      A estratégia económica dos Estados Unidos

      No início de seu mandato, o Presidente Obama designou a historiadora Christina Romer para presidir ao seu Comité de Conselheiros económicos. Esta professora, na Universidade de Berkeley, é uma especialista na crise de 1929 (conhecida como «A Grande Depressão»- ndT). Segundo ela, nem o New Deal de Roosevelt, nem a Segunda Guerra Mundial permitiram sair dessa recessão, mas, sim o afluxo de capitais europeus a partir de 1936, fugindo da «subida dos riscos».

      Foi em cima desta base que Barack Obama conduziu a sua política económica. Em primeiro lugar, agiu para fechar todos os paraísos fiscais que Washington e Londres não controlam. Depois, ele organizou a desestabilização da Grécia e de Chipre, de maneira a que os capitais europeus se refugiem nos paraísos fiscais anglo-saxões.

      Podem ler mais em : http://navalbrasil.com/porque-os-papeis-do-panama-por-thierry-meyssan/


      EXP001

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