22 janeiro 2016

Blog em pausa até o dia...

Aviso: o blog entra em pausa.

Pois é. A culpa é do autor que decidiu voltar temporariamente para Italia.
Por qual razão? Porque sente falta de pizza, de tocar o bandolim e de cantar "O sole mio" à janela. As coisas normais que qualquer italiano faz.

Ao longo de quanto tempo o blog ficará parado? Não faço ideia. Provavelmente ao longo de algumas semanas (duas ou três?): preciso de descanso, os últimos tempos foram (e ainda são) bastante complicados por razões pessoais.

Pelo que: ar de casa (com neve!) e recarregar as baterias.
Juro: vou tentar escrever algo a partir de lá. Em Português. Tanto para ver "ao vivo" o que se passa naquele País. E, dado que vou passar pela Espanha e pela França também, vou espreitar como estão as coisas: se encontrar algo de errado, aproveito para ralhar e pôr um pouco de ordem aí também. E que raio.

Comportem-se e aproveitem do espaço dos comentários para escrever tudo e mais alguma coisa que possa passar-vos pela cabeça. Tudo mesmo, sem problemas: sugestões, links, observações, ideias, teorias, notas pessoais...tudo.

E fiquem bem
.

Dentro de nós, diz o poeta, há um homem que quer ir. 
Onde, isso não importa. O importante é ir.
 Ulisses, um dia depois do massacre, acordou e viu que dormia a seu lado Penelope.
 "Como sou feliz", pensou o herói. Os inimigos tinham morrido e no palácio o silêncio reinava absoluto. Então entrou no quarto do filho: Telêmaco também dormia. "Como sou feliz", pensou novamente Ulisses. Então foi para o porto, viu um navio e disse aos marinheiros: "Vamos". 
Luciano De Crescenzo.

Ipse dixit.

19 janeiro 2016

A bomba de Kim

O ensaio da bomba H realizado pela Coreia do Norte despertou durante a passada semana e recebeu
uma condenação unânime: Ban Ki-moon, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, ameaças de novas sanções económicas por "violação do direito internacional".

Antes de prosseguir: o que é uma bomba H (bomba hidrogénio)?

Bom, podemos descreve-la como uma espécie de bomba atómica "reforçada". Ao contrário da bomba atómica "normal", que funciona com o mecanismo de fissão, a H comporta a fusão, o que gera uma potência muitas vezes superior (teoricamente não existem limites, na prática a bomba H é 50 vezes superior em termos de destruição).

18 janeiro 2016

Ucrânia, o País desaparecido

Era uma vez um País cujo nome era Ucrânia.
Este País ocupou as primeiras páginas dos diários ao longo de meses por causa da guerra civil e da "agressão"(?) russa.

O problema? O facto dalgumas áreas do País terem escolhido (com referendo) abandonar o regime de Kiev, a capital ucraniana.

Imensa mobilização mediática ocidental, fornecimento de armas, diplomatas americanos nas ruas para distribuir bolachas, actos heroicos para defender o bem supremo (a Democracia) sob ataque por parte do Mal que vinha do Leste. Que dizer: vinha do ainda mais à Leste, porque já a Ucrânia fica no Leste. Até foi encontrado o tempo para abater um avião civil (o Malaysia Airlines 17) que transitava na zona com 283 passageiros (alguém sabe algo do relatório final?).

Depois, de repente, a Ucrânia desapareceu: hoje já ninguém quer saber do País.
Pouco mal: vamos espreitar quais as condições da zona do Bem, aquela onde a democracia triunfou.
Como está hoje a Ucrânia? Bem, sem dúvida. Há alguns problemas, mas nada que possa atrair os medias ocidentais. Por exemplo:

14 janeiro 2016

Europa: porque fora da NATO

Faz sentido a Nato?
Deixamos de lado considerações morais e políticas. Falamos em termo apenas pragmáticos.

Pouca horas depois do começo do novo ano, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que "a Nato é o inimigo".

Poucos dias antes, o Ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, numa entrevista ao Bild am Sontag disse que "o nosso objectivo final deve ser um exército da União Europeia", porque "os recursos que gastamos nos nossos vinte e oito exércitos nacionais poderiam ser usado muito melhor se juntos.

Putin não é um poço de simpatia e as ideias de Schäuble são, no mínimo, discutíveis (esta União Europeia tem que ser refundada antes de começar a falar dum exército em comum). Mas o ponto central fica: a Nato faz ainda sentido?

13 janeiro 2016

Bíblia: quem são os hebreus?

Targum do séc. XI d.C.
Sem, como sabemos, é o filho de Noé do qual derivam todos os Semitas.

Continuando a analisar a descendência, encontramos Ever, importante porque é dele que derivam todos os hebraicos. A seguir temos Terach, que é o pai de Abraão, de Nacor e de Aram.

Antes de proceder, duas curtas parênteses.
    1.
    A maior parte dos biblistas acha que Abraão nunca existiu, sendo uma invenção dos autores bíblicos. Em caso de dúvidas podem contactar o Professor Robert Wexler, PhD. da American Jewish Univerity de Los Angeles, um dos 50 rabinos mais influentes do planeta. Seja como for, a Bíblia diz que existiu, pelo que fazemos de conta que assim foi.

    2.
    A genealogia acima reportada é posta em dúvida por parte da análise efectuada sobre a Bíblia aramaica (os dois Targumin: Targum de Onkelos e Targum Yonathan ben Uzziel, ambos do 60 a.C., portanto mais antigos do que a mais antiga versão da Bíblia hoje na nossa posse) pelos estudiosos hebraicos Messod Sabbath e Roger Sabbath: a teoria deles demonstra como a tribo de Levy (os Judeus) fosse na realidade composta pelos nobres sacerdotes de Aton que deixaram o Egipto após as invasões de Nabuccodonosor. De facto, a Bíblia fala da invasão de Jerusalém, acerca da qual falta qualquer tipo de prova histórica, enquanto é comprovada a luta no Egipto. Mas, dado que a Bíblia apresenta a genealogia acima reportada, vamos fazer de conta que esteja correcta.

    12 janeiro 2016

    Porque o preço do petróleo é tão baixo?

    Em Junho de 2014, o preço do barril de petróleo tinha atingido 106 Dólares.

    "Nunca mais teremos um preço abaixo dos 100 Dólares, os tempos do petróleo barato acabaram" foram as palavras dos especialistas. De facto, o barril tinha chegado até 144 Dólares e nada fazia prever uma queda significativa: todo o mundo económico começou a fazer previsões tendo como base um preço acima dos 100 Dólares.

    Ontem o barril foi vendido em troca de 30 Dólares. O que aconteceu?

    Na verdade aconteceram não uma mas várias coisas. E, como sempre acontece em casos como estes, nada é tão simples como parece.

    Arábia: o peão enlouquecido

    Ou na Arábia Saudita enlouqueceram ou estão a interpretar um papel: guerra no Yemen, financiamentos para o Estado Islâmico, pacto secreto com o arqui-inimigo israel e, claro está, preço do petróleo ridiculamente baixo.

    11 janeiro 2016

    Petróleo: a Aramco vendida

    "Curioso" como certas notícias tão importantes passem despercebidas.

    Conhecem a Aramco? Não? Mas deveriam, pois é a maior empresa petrolífera do planeta.

    Detém a maior quantidade de reservas de crude e a maior produção diária. Campos petrolíferos, reservas, refinarias, uma companhia de navios-petróleo (Vela International Marine) com 29 embarcações, a maioria das quais VLCC (superpetroleiros). O maior campo petrolífero do mundo (Ghawar) é da Aramco. O maior campo petrolífero offshore (Safaniya) também é da Aramco.

    A Aramco tem uma longa história atrás, que começa em 1933 como a Standard Oil of California (galáxia Rockefeller) e a Texaco que obtiveram as primeira concessões para procurar e explorar petróleo. Após algumas variações, em 1980 a casa real da Arábia conseguiu a totalidade da empresa, que por isso é hoje 100% nacionalizada (ou melhor: nas mãos da casa Saud), supervisionada directamente pelo Ministério do Petróleo e dos Recursos Minerários. Assim, a Aramco detém a totalidade da energia extraída, gerada e distribuída na Arábia Saudita, sendo também o maior exportador mundial de crude.

    10 janeiro 2016

    As lágrimas de Obama


    O Presidente dos Estados Unidos que chora faz um certo efeito. É o lado humano do homem mais poderoso do planeta, o lado que reivindica o seu próprio espaço num discurso oficial. Porque as emoções são assim: incontroláveis.

    Mas os media foram injustos com Obama: aquela publicada era apenas a primeira parte dum discurso bem mais comprido e comovente.
    Vamos lê-la:

    09 janeiro 2016

    Economia: esperando a mini-retoma

    Ano calmo, como foi dito há alguns dias, com até uma possível leve retoma.
    Por enquanto, todavia, os sinais não são nada simpáticos.

    Comecemos com o Baltic Dry Index, índice muito importante para medir o pulso do comércio.

    Lembramos: o Baltic Dry Index (BDI) é um indicador relativo aos navios de carga que transportam materiais tais como carvão, ferro, trigo, etc., e evidencia o dinamismo dos mercados mundiais e também a "força" da oferta e da procura. Resumindo, bem indica qual a tendência da economia

    E como está o Baltic Dry Index? Não está nada bem.

    Fonte: Bloomberg


    É normal uma queda logo após a passagem do ano, mas o mínimo costuma apresentar-se em Fevereiro: agora estamos em Janeiro e já alcançamos o ponto mais baixo dos últimos 5 anos.

    08 janeiro 2016

    Os muros da vergonha

    O que está a acontecer na América Latina? Após a primavera progressiva, somos testemunhas do regresso do inverno neoliberal reaccionário?

    Michel Collon é um activista comunista, jornalista, ensaísta belga, fundador do colectivo independente Investig'Action. Neste podemos encontrar um artigo cujo título já diz muito: "Os muros da vergonha", publicado também no nº 9 de Le Journal Notre Amérique. Os novos muros podem também ser o símbolo duma "marcha atrás" no plano social? A palavra aos Leitores. Por enquanto, aqui vai a tradução.

    07 janeiro 2016

    Porque a Arábia ajustiçou Nimr al-Nimr?

    Nimr al-Nimr
    Resposta rápida? Desespero.
    Resposta um pouco mais elaborada? Ok, vamos a isso.

    Após a execução e as com reacções iranianas (previsível e por isso procurada), os Estados interligados com a Arábia Saudita ter competido entre eles para ser o mais rápido a romper as relações diplomáticas com o Irão.

    Bahrain, Sudão e Kuwait foram os mais diligente, mas é provável que Riad irá pressionar todos os seus "clientes nas proximidades", todos os Estados árabes que entraram no grande jogo dos petrodólares. É o caso da pressão sobre o Egipto, para que feche as embaixadas iranianas, retire os seus embaixadores em Teherão, bloqueie as ligações aéreas, tornando assim mais complicado o regresso do Irão nos salões da diplomacia.

    Bíblia: um livro de guerra

    O Código de Leninegrado
    O Antigo Testamento (A.T.) é um livro de guerra. Não de paz e amor (para isso foi feito o Novo Testamento), mas mesmo guerra. Todo o A.T. descreve as tentativas de aliança entre os Elohim e as várias tribos com as sucessivas batalhas.

    Há inúmeras passagens que demonstram esta afirmação, por isso vamos escolher uma que aparentemente nada tem a ver com o assunto.

    A bênção

    Isaque, em ponto de morte, foi enganado por Jacob que, com um truque, fez-se passar pelo irmão Esaú obtendo assim a bênção (Génesis, 27:1,9). A seguir Esaú volta e pede a bênção do pai (pois ele era o favorecido de Isaque, não Jacob): nesta altura, Jacob entende ter sido enganado.

    Eis o diálogo (Génesis, 27: 34-37):
    34 Esaú, ouvindo as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado, e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai.
    35 E ele disse: Veio teu irmão com subtileza, e tomou a tua bênção.
    36 Então disse ele: Não é o seu nome justamente Jacob, tanto que já duas vezes me enganou? A minha primogenitura me tomou, e eis que agora me tomou a minha bênção. E perguntou: Não reservaste, pois, para mim nenhuma bênção?
    37 Então respondeu Isaque a Esaú dizendo: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora, meu filho?
    Aparentemente esta conversa não faz sentido. Esaú pergunta "Pai, não tens um pouco de bênção para mim também?" e a resposta é "Não, dei toda a bênção ao teu irmão". Como pode acabar-se uma "bênção"?

    06 janeiro 2016

    Solzhenitsyn: o livro censurado

    O livro censurado de Aleksandr Solzhenitsyn 200 Years Together, citado no anterior artigo A relação entre Rússia e Israel, pode agora ser descarregado neste link (que é o espaço cloud do blog) ou lido directamente no navegador, sendo um ficheiro Pdf.

    Infelizmente não encontrei nenhuma versão portuguesa ou espanhola, apenas aquela inglesa. E suspeito que nem existam.

    O livro está presente em versão incompleta, mesmo assim tem mais de 400 páginas (definitivamente, Solzhenitsyn não tinha o dom da síntese: experimentem ler "Arquipélago Gulag").

    Em particular, estas são as partes disponíveis:

    Volume 1 - The Jews before the Revolution:
    Cáp. 1 Before the 19th century
    Cáp. 4 During the period of reforms
    Cáp. 5 After the murder of Alexander II

    05 janeiro 2016

    A tradição milenária de Gilson

    Olha olha... e não é que entre os Leitores do blog temos uma pessoa que faz um dos trabalhos mais
    antigos do mundo?

    Ok, se calhar esta coisa do "trabalho mais antigo do mundo" pode fazer pensar numa outra actividade ainda. Mas, em boa verdade, estamos a falar de algo extremamente útil, que surgiu ainda antes da olaria, da cerâmica: já existia quando os nossos antepassados pintavam as paredes das cavernas.

    Qual actividade é esta? Engenharia informática? Errado: é a arte de entrelaçar fibras. É assim que eram fabricadas as primeiras peças de roupa: pedaços de peles juntos com fibras vegetais. Há 27 mil anos, em Dolní Věstonice (Morávia, República Checa), já havia alguém que entrelaçava fibras para fazer cestos e roupa.

    Aliás, é provável que a verdadeira arte de entrelaçar tenha surgido não com a roupa mas com a necessidade de transportar: cestos para objectos ou para armazenar alimentos, depois redes para pescas, para capturar aves e outros animais; mais tarde motivos ornamentais, como pulseiras ou colares.

    Depois surgiu o tear (bastante cedo até: já no Neolítico, cerca de 12/10.000 anos atrás) então os
    tecidos começaram a ser fabricados de outra forma. Mas também a arte de entrelaçar evoluiu: nasceu o processo de empalhar, uma das formas de artesanato presente na história de qualquer civilização humana.

    Infelizmente, o empalhador utiliza materiais naturais, que com o passar dos milénios tendem a degradar-se até desaparecer. Os mais antigos objectos empalhados hoje conhecidos são alguns cestos que têm entre 10.000 e 12.000 anos de idade (foram encontrados no Egipto), mesmo assim mais cedo do que quaisquer achado de cerâmica.

    Mas um empalhador não fazia apenas cestas: durante a Época Vitoriana, tanto para falar dum período mais perto de nós, tornaram-se de moda os móveis de vime, enquanto as cadeiras empalhadas já existiam há séculos. E também os materiais mudaram a segunda dos gostos: palha, vime (do salgueiro), ráfia (das palmeiras), rattan (várias espécie de palmeiras), cana, bambu...

    Tudo isso para homenagear um Leitor (e colega blogueiro) que continua esta antiga tradição: Gilson Sampaio. Aqui na Europa esta arte está quase desaparecida, mas é bom saber que algures ainda há quem faça certas coisas.

    (A propósito: caso precisem, pensei bem pôr o contacto do Gilson na coluna de direita).


    Ipse dixit.

    A relação entre Rússia e Israel


    A Muy Nobre Maria acaba de enviar um artigo deveras interessante que ilumina (ou talvez
    complique, pontos de vista....) o que acontece no Oriente Médio.

    Mas não só: bem demonstra quanto profundo e enraizado seja o emaranhado de interesses e poder atrás do jogo das partes que oficialmente todos conhecemos. Um artigo que poderia entrar de direito na série dedicada ao Poder, não fosse por um par de pormenores que serão observados no fim.

    O artigo é do óptimo The Saker, sito cuja leitura aconselho (são disponíveis versões dos artigos em Francês, Alemão, Russo, Espanhol além do Inglês: é só procurar Saker Community na primeira página). O artigo é comprido, sim senhor: mas a matéria é complexa.

    04 janeiro 2016

    2016: a calma antes da tempestade

    Enquanto na Arábia Saudita festejam o novo ano com 47 decapitações (entre as quais aquela do líder
    xiita Nimr al-Nimr, tanto para manter a malta animada), nós aqui no burgo vamos ver as ideias que circulam pelo mundo fora acerca do dinheiro.

    Afinal, como será o próximo ano? Teremos mais crise ou as nossas carteiras irão encher-se até explodir?

    Curioso: tenho aqui vários artigos com direcções bem diferentes.

    O primeiro é do diário The Telegraph, assinado por Ambrose Evans-Pritchard, que prevê um ano de relativa calma com até um pouco de retoma.

    O segundo é do professor Minqi Li, segundo o qual uma grave crise está a chegar, talvez a derradeira com tanto de queda do Capitalismo, e será provocada pela China.

    Printfriendly

    Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...