27 maio 2016

Áustria: um caso de excesso de Democracia

Olhem para o gráfico mais abaixo: mostra os dados da última consulta eleitoral na cidade austríaca de Linz, após o segundo turno de Domingo para as eleições presidenciais e a contagem dos votos enviados via correio.

Na terceira maior cidade do País, votaram 598% dos eleitores: 3.580 eleitores registados, 21.060 votos. E depois dizem que os cidadãos estão cada vez mais afastados da política: nada disso, até desdobram-se para estar mais presentes.

Sempre na Áustria, mesma consulta eleitoral, Waidhofen, pequena cidade de 11.500 habitantes: aí votaram 146% dos eleitores. Fraude eleitoral? Não, simples entusiasmo.

26 maio 2016

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte IV

A terceira fase do genocídio dos índios da América do Norte (entre 1763 e 1840), aconteceu após o
desaparecimento dos Franceses do território dos actuais Estados Unidos e viu a expansão das colónias britânicas.

Como vimos, o Rei britânico tinha declarado a cadeia dos montes Allegheny e o rio Ohio qual fronteira perpetuidade entre os colonizadores e os nativos: mas a transgressão desta disposição com o tempo tornou-se uma constante: os recém chegados iam cada vez mais longe na conquista de novas terras e novos lucros e utilizaram a força para impor-se sobre os nativos.

Estes últimos reagiam atacando os colonos, que nestes casos retiravam-se para deixar o campo às forças armadas regulares. A táctica era simples: provocava-se um casus belli, geralmente um acontecimento de segundaria importância, a seguir os índios eram caçados, morto, privados de qualquer forma de subsistência e forçados a assinar um tratado em que eram obrigados a ceder vastos territórios. Depois disso, os colonos avançavam para repetir tudo outra vez.

25 maio 2016

O regresso da bomba

Na passada Segunda-feira, o Ministério da Defesa russo tem convocado o responsável militar da Embaixada dos EUA na Federação Russa por causa dum curioso "acidente".

No dia 22 de Maio, a Defesa Aérea de Moscovo identificou um Air Force RS-135 dos EUA em fase de reconhecimento sobre o Mar do Japão, perto da fronteira da Federação Russa. O avião efectuou o voo com o transponder desligado e nem o rumo tinha sido comunicado ao controle regional: o resultado destas acções por parte da tripulação americana tinha sido a criação dum real perigo de colisão com aeronaves civis.

O que sem dúvida é parte da preocupação russa, mas há mais do que isso. Tais incidentes estão a ocorrer com um ritmo não visto desde a Guerra Fria: é claro que hoje a tecnologia encontra-se mais avançada, mas continua a ser um jogo muito arriscado que tem como pano de fundo o fantasma dum conflicto nuclear.

Será este um medo excessivo? Somos hoje mais conscientes dos perigos ligados ao uso da bomba atómica?

24 maio 2016

Berm, o muro de Marrocos

O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu prorrogar por mais um ano a Missão das Nações Unidas para a organização do referendo no Sahara Ocidental (a assim chamada MINURSO) no meio duma das fases mais difíceis durante o percurso para a autodeterminação do povo Saharawi, após a decisão de Marrocos, como potência ocupante, de expulsar 73 membros do pessoal civil da MINURSO em Março.

A Resolução nº 2285 sobre a continuação da MINURSO foi aprovada com os votos favoráveis de Espanha e França, três abstenções (Rússia , Angola e Nova Zelândia) e dois contra (Venezuela e Uruguai). A Resolução sustenta a "necessidade urgente" de que a missão multinacional, até agora totalmente ineficiente, recupere o seu pleno funcionamento dentro de 3 meses e o Secretário-Geral das ONU informou o Conselho de Segurança sobre a situação.

A história do povo Sahrawi (do árabe الصحراويون‎, al-ṣaḥrāwī) é parecida com outras igualmente ignoradas pelos órgãos de informação.

20 maio 2016

China: a enorme dívida

Das páginas de Zero Hedge, Tyler Durden observa a Dívida chinesa e lança o alarme: é uma bomba e
ninguém sabe ao certo de quais dimensões.

As empresas de consultoria Mckinsey e Macquaire avaliam o total da Dívida respectivamente em 282% e 350% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a infame Goldman Sachs fala de 216% (ou 270% segundo as últimas estimativas). Mas ninguém consegue fornecer valores seguros: só sabemos que a Dívida chinesa existe e que não é nada pequena.

O problema nem seria a Dívida em si: é a sua composição que assusta. A Dívida Pública, aquela gerida directamente pelo Estado, representa apenas uma fracção do total: a maior fatia é constituída pela dívida das empresas, a seguir encontramos aquela das instituições financeiras. Se juntarmos empresas, finança e cidadãos, temos um resultado preocupante: uma Dívida com um rácio Dívida/PIL maior daqueles de Estados Unidos, Coreia do Norte, Alemanha...

19 maio 2016

A Esquerda morreu

Há um buraco no qual a Esquerda ocidental desapareceu.

E isso nem seria mal. O problema é ter desaparecido só a Esquerda: o resto ainda aqui está.

Na Europa, os partidos de Esquerda evaporaram. Vamos esquecer os movimentos comunistas, sendo estes geneticamente incompatíveis com a Democracia e por isso condenados a presenças residuais. Falamos daquela ampla gama de grupos políticos que podemos identificar com a social-democracia, a ideologia segundo a qual numa Nação, em grande parte através do Estado, um partido é capaz de criar uma solução que favoreça os interesses do trabalho e não do capital. Partidos sociais-democratas, portanto, mas também socialistas e, mais no geral, da Esquerda moderada, aquela que sempre recolheu a maior parte dos votos.

Numa altura em que a crise (económica, social) já não é cíclica mas existencial, a social-democracia deveria ser capaz de reunir amplos apoios; com pessoas cada vez mais à procura de novas respostas, de soluções alternativas: mas não é isso que acontece. As profundas mudanças culturais e tecnológicas parecem ter-lhe retirado a terra debaixo dos pés, deixando-lhe só a possibilidade de seguir o chamariz do Capitalismo. Porque de facto há uma clara corresponsabilidade da social-democracia na criação e na manutenção da actual situação: é lógico que os partidos de Direita não lutem contra o Capitalismo, menos lógico é que sejam os sociais-democratas a favorece-lo.

18 maio 2016

Glifosato é cool & trendy

Boa notícia: o herbicida glifosato já não é cancerígeno.

Era cancerígeno até meados do mês passado, mas desde então as coisas mudaram drasticamente. De "provável cancerígeno" para "improvável cancerígeno".

Quem é que descobriu isso? A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas, através da sua organização para Alimentação e Agricultura (FAO). Estas duas entidades globais, que nem fecham os olhos para alcançar o bem da humanidade, uniram as suas imensas forças: formaram um comité científico conjunto, o Joint Meeting on Pesticides Residues (JMPR). E foi mesmo este que revelou ao Mundo a grande descoberta: é "improvável o risco carcinogénico para os seres humanos através da exposição com a dieta".

Isto contradiz diametralmente o anterior trabalho do Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), que em 2015 tinha classificado o glifosato como um "provável agente cancerígeno. Mas este IARC depende apenas da OMS: unidas as forças com a FAO, os especialistas viram a luz. Então o estudo do IARC foi um erro? Nada disso: os dois estudos são "diferentes mas complementares" como realça o JMPR. E "o IARC está a rever os estudos publicados", mas "não avalia os riscos que correm as pessoas associadas à exposição ao risco".

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte III

Cherokee, 1836
A segunda fase do genocídio pode ser individuada entre os anos de 1689 e de 1763: corresponde a uma fase que viu as guerras entre as potências europeias, empenhadas na tentativa de ocupar as terras do Novo Mundo.

Não poucas vezes estes choques eram a extensão das guerras travadas na Europa, mas interessaram os índios porque nas terras da América do Norte os nativos foram chamados por duas razões:
  1. ultrapassar a falta de eficácia dos exércitos regulares (os índios tinham um melhor conhecimento do território)
  2. aumentar o número de efectivos
Nesta fase as potências colonizadoras exploraram os antagonismos já presentes entre as várias tribos indígenas, muitas vezes levando os nativos para verdadeiras guerras que custaram milhares de mortes. Foi desta forma que inteiras nações indígenas foram dizimadas: é o caso dos Abenaki, que lutaram ao lado dos franceses, dos Choktaw (ainda ao lado dos franceses) e dos Chickasaw (aliados dos ingleses). Para ter uma ideia desse envolvimento, são emblemáticas das palavras do general britânico James Wolfe, após a derrota francesa no Quebec (1759) que declarou:
Os Iroqueses têm conquistado um império pela coroa britânica

17 maio 2016

Fórum!

Olá!

Está activo o fórum de Informação Incorrecta.
Onde está? Espreitem na coluna de direita: vêem onde diz "Fórum"? É isso.

Como acabei de inseri-lo, não faço ideia de como seja o processo de registo, mas imagino seja simples.
Por enquanto há 3 secções:
  • Apresentação e regras do fórum (copiado do site de PinkBlue, a comunidade das Mamãs e Bebés. Não perguntem...).
  • Sugestões
  • Links
Obviamente com o tempo serão inseridos novos espaços. Aliás, vou criar já um, "Brasil", assim podem parar de inserir comentários acerca das aventuras de Dilma & companhia pelo blog todo.

Não sei se os Leitores podem criar novos tópicos, acho que sim. No caso, aproveitem, depois serei eu a organiza-lo.

Obviamente aceitam-se sugestões para melhorar o serviço.


Ipse dixit.

16 maio 2016

Da autoridade do governo

A autoridade do governo. Pensamos nisso: a nossa vida enquanto cidadãos é regulada pela forma de
governo presente no nosso País. Mais no geral, podemos falar de Estado, seja ele qual for.

É provável que a grande maioria dos Leitores viva num Estado democrático, onde o governo é eleito pelos cidadãos: dia de eleições, são votados e escolhidos uns indivíduos que têm o dever de criar leis, fazer respeitar as que já existem, etc.; nós voltamos para o nosso trabalho e a vidinha continua alegremente.
Parece simples e sobretudo parece óbvio.

"Óbvio"? Parem: donde provém a autoridade do governo? Quem estabeleceu que um governo, um qualquer, tem o direito de governar? E a autoridade do Estado? Uma tal autoridade é dada por nós, na altura do voto? Certeza? Mas o Leitor tem mesmo certeza disso? E se o governo, um qualquer governo num qualquer País, não detivesse autoridade nenhuma? Se afinal a autoridade que reconhecemos ao Estado não passasse duma ilusão?

15 maio 2016

Síria: a estranha história do último pediatra de Aleppo

"Dizem que o governo sírio continua os ataques aéreos em Aleppo. 
O engraçado é que nós não vemos ou ouvimos qualquer avião".
 Marianne R. Bedoun, Aleppo


O último pediatra de Aleppo, como disse Médecins Sans Frontières (MSF), não era? Pois.

A imagem da esquerda foi fornecida pelo Ministério da Defesa da Rússia, alegadamente em Outubro de 2015. À direita a imagem do mesmo prédio tirada em Abril deste ano, após o alegado bombardeio.


Trata-se do alegado hospital Al-Quds, em Aleppo (Síria). E, como é possível observar, os danos na estrutura em Abril são os mesmos já presentes em Outubro. O que é um pouco esquisito, porque após um bombardeio algumas diferenças deveriam ser visíveis. Mas vamos esquecer estas imagens por enquanto e tentamos perceber melhor analisando alguns factos. 

O último pediatra

Segundo a Embaixada dos EUA na Síria (Damasco), em Aleppo há dois hospitais: Al-Kalimah e Al-Razi.

Não há nenhum hospital Al-Quds.

Mas a lista da Embaixada é amplamente incompleta: há pelo menos 6 hospitais públicos e mais de 80 instituições privadas (na maioria ambulatórios, mas não faltam estruturas mais completas, verdadeiros hospitais). É possível observar a lista completa nas páginas de Qenshrin.com, a comunidade cristã de Aleppo.

12 maio 2016

O futuro: menos cultura, menos certezas, menos família

Stefania Giannini
O caso: um Ministro responde às perguntas dum jornalista sobre assuntos quais trabalho, família e escola; a entrevista é publicada na internet, logo é apagada; intervém o Ministério para justificar.
Obviamente algo correu mal.

O que podemos fazer? Simples: recuperar a entrevista e tentar entender. E após a leitura percebe-se a reacção do Ministério, percebe-se o facto do The Huffington Post ter apagado o conteúdo.

Para boa sorte, o diário para o qual trabalha o entrevistador, o suíço Il Corriere del Ticino, não faz marcha atrás e republica tudo de forma integral. Então pouco interessa a nacionalidade do entrevistado (o Ministro italiano Stefania Giannini), porque aqui temos uma bonita visão daquele que será (provavelmente) o futuro da nossa sociedade, independentemente das latitudes.

Eis alguns trechos da conversa recolhida pelo jornalista Luke Steinmann:
Ministro: A Itália paga um sistema de ensino excessivamente teórico, ligado às nossas raízes clássicas. Saber não significa necessariamente saber fazer. Para treinar pessoas altamente qualificadas, como o mercado exige, é necessário dar a impressão duma educação mais prática, libertando-a das limitações que podem resultar duma imposição clássica e muito teórica.

11 maio 2016

Afeganistão: ópio e crianças



O Afeganistão é desde 1992 o principal produtor mundial de ópio, ultrapassando Myanmar, o Triângulo Dourado (Myanmar, Laos e Tailândia) e a América Latina. Única exepção foi o ano de 2001, quando o poder pertencia aos Talibans. Mas desde a ocupação dos EUA, a produção voltou a crescer, aumentando progressivamente até ter duplicado hoje os resultados do ano de 2000 (anos mais produtivos: desde 2004 até 2007).

A terra utilizada para o cultivo ultrapassa aquela dedicada à cocaína na América do Sul e 92% de todo o ópio não utilizado na indústria farmacêutica tem origem no Afeganistão. O resultado é uma receita que varia entre 2.5 e 4 milhões de Dólares, cerca de 35% do Produto Interno Bruto do País, dinheiro cuja maior fatia é dividida entre 200 mil famílias.

10 maio 2016

Europäische Jugend

Data: Março de 2016.
Título: Referencial Dimensão Europeia da Educação para a Educação Pré-escolar, o Ensino Básico e o Ensino Secundário.

Em outras palavras: as directivas da União Europeia para a educação desde o pré- escolar.
Vamos ler alguns excertos.
O tratamento da Dimensão Europeia da Educação é uma das temáticas previstas no documento “Linhas Orientadoras da Educação para a Cidadania” e procura contribuir para o conhecimento e envolvimento dos alunos no projeto de construção europeia, incentivar a sua participação e promover uma identificação com os valores europeus. Pretende-se, assim, promover um melhor conhecimento da Europa e da União Europeia, nomeadamente das suas instituições, do seu património cultural e natural e dos desafios com que se defronta a Europa contemporânea.
Primeira observação: a Europa é uma coisa, a União Europeia é outra. Não são sobreponíveis. Identificar a Europa com a instituição anti-democrática que tem base em Bruxelas é muito forçado e não reflecte o pensamento de dezenas de milhões de cidadãos europeus (dúvidas? Espreitem os dados das últimas consultas populares europeias).

09 maio 2016

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte II

Eis a segunda parte da série dedicada ao genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos.
A conquista do solo da América do Norte pode ser dividida em cinco fases principais.

A primeira fase: 1512 - 1689

Iroqueses
A primeira fase (1512-1689) é caracterizada por empresas isoladas de vários pioneiros (normalmente espanhóis, ingleses, holandeses e franceses), muitos dos quais eram pessoas que tinham escolhido este caminho para evitar as prisões da Europa. No início, os nativos recebiam bem os recém-chegados, mas em breve, perante os evidentes objectivos hegemónicos mostrados, assumiram uma posição mais dura que depois teria alcançado a verdadeira resistência.

Iroqueses

O episódio que mais caracterizou esta primeira fase de resistência foi a tentativa de invasão francesa contra os Iroqueses. Na altura, este povo constituía o nível mais avançado entre os nativos da América do Norte e formavam a "Liga da Longa Casa", com um sistema jurídico bastante evoluído, que incluía cinco tribos (por esta razão é também conhecida como "Liga das Cinco Nações"): Mohawk, Oneida, Onondaga, Cayuga e Seneca, estes últimos mais numerosos e mais agressivos.

08 maio 2016

Ignorantes brasileiros

Título provocatório?
Nada disso: não é "Brasileiros ignorantes",  é "ignorantes brasileiros", coisa bem diferente.
Leiam o que se segue, s.f.f.

A ideia era publicar a segunda parte do artigo dedicado ao genocídio dos índios norte-americanos. Depois
reparei que a primeira parte tinha sido gentilmente republicada pelo site GGN, do qual sou regular leitor também.

Os ignorantes e os índios

Eis alguns dos comentários que encontrei, com relativos títulos mas desprovidos de nome dos utilizadores por uma questão de privacidade:

Agora é que tive tempo de ler

Agora é que tive tempo de ler mais desse artigo, e constatar que o genocídio dos indígenas nele tratado serve de pretexto para propaganda antijudaica, afinal. Assim como o artigo sobre Angela Merkel, desse mesmo sítio português, e reproduzido nesta página. Lamentável, pra dizer o mínimo.
Tem faltado "curadoria" aqui no blogue.

07 maio 2016

Donald Trump, o filho da lama

Ontem estive a ver o programa semanal de John Oliver. Aconselho: muito humor, por vezes cáustico (Oliver é inglês mas trabalha nos EUA e teve que adaptar-se), que faz reflectir.

O importante é não esquecer que estamos a ver um programa que faz propaganda política, neste caso Democrata. Portanto, normal um inteiro episódio dedicado a atacar Donald Trump enquanto acerca da simpática Hillary o silêncio é absoluto.

A pergunta é: como é possível que nos EUA votem uma besta ao cubo como Donald Trump?
Porque acerca disso não pode haver dúvidas: é uma besta ao cubo.
Mas boa parte dos Americanos gostam dele.
Faz sentido? Faz, faz...

06 maio 2016

Quatro

Eia quatro notícias fresquinhas fresquinhas que dificilmente podem ser encontradas nos diários.
Não pensem mal: é simples distracção.

Qatar: Síria? Uma nossa invenção, modestamente...

Sheikh Hamad bin Jassim Al Thani
O Sheikh Hamad bin Jassim Al Thani, o ex Primeiro-Ministro do Qatar, disse que a "revolução" da Síria (aquela que provocou a guerra ainda em curso) não foi exactamente uma explosão espontânea de protestos.
Surpresa, espanto & maravilha.

Assim fala o sábio Sheikk:
A eclosão da crise na Síria não foi uma revolução, mas uma luta política internacional. [...] Eu nunca disse isso antes: quando começámos a perturbar o cenário político sírio, estávamos confiantes de que o Qatar teria logo assumido a liderança das operações, em parte devido à relutância dos sauditas de interferir nesse País. Mas depois a situação mudou, a monarquia saudita decidiu intervir directamente e nos pediu para ocupar o banco de trás. Isso levou a uma competição entre nós e eles.
Não faz mal, ora essa. Aliás, a competição é algo bom: motiva e baixas os preços. Sim, neste caso custou entre 200 e 400 mil mortos (até agora), mas sabemos que é difícil contentar todos.

05 maio 2016

Angela Merkel: costas quentes & oportunismo

Quem é Angela Merkel?
Será que todos sabemos donde e como surgiu?
Procuro e eis que o encontro: o velho artigo de Thierry Meyssan. Já tem alguns anos, mas a Merkel ainda lá está, no topo da Europa. Se calhar perdeu um pouco de brilho nos últimos meses, mas é sempre ela, no lugar de chefe. Então vamos ver.

Angela Merkel não se chama Merkel: este é o apelido do primeiro marido, o estudante de Física Ulrich Merkel. O verdadeiro nome é Angela Dorothea Kasner. Por qual razão mudar o apelido? Porque Kasner é de origem judaica. E nem Kasner é o verdadeiro apelido: a família trocou o original Kaźmierczak em 1930 para esconder as origens polacas também.

04 maio 2016

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte I

Como de costume, no dia 27 de Janeiro de cada ano é celebrado o Dia da Memória para comemorar os
judeus deportados e mortos pelo regime nazista.

Facto curioso: é o único "Dia da Memória", apesar dos não poucos exemplos de genocídio ao longo da História. Os meios de comunicação realçam pontualmente o martírio do povo judeu, acusando de anti-semitismo e racismo qualquer pessoa que simplesmente coloque não dúvidas mas perguntas, por exemplo acerca da legitimidade das acções de israel ou da ideologia sionista.

Pelo contrário, outros e mais extensos genocídios foram completamente removidos da consciência comum, ou, pior ainda, justificados de várias maneiras. Para tamanho e método de execução, não é minimamente possível comparar o genocídio dos judeus com aquele dos nativos americanos: apesar das dificuldades em obter números certos, não há dúvidas que desde a chegada dos primeiros europeus até o final do séc. XIX, 50 milhões de nativos morreram por causa das guerras, perda do ambiente onde viviam, mudanças no estilo de vida, doenças. Mas outros estudos apontam para 100 ou até 114 milhões de vítimas.

Deutsche Bank: reciclagem & terrorismo



Nos últimos anos, quando há algo podre no mundo da Finança, eis que aparece ela: a Deutsche Bank.
Antes havia Goldman Sachs e/ou JPMorgan e, de facto, estes aí continuam mas já não estão sozinhos: o banco alemão parece estar decidido a roubar o protagonismo na novela "Os mais podres do planeta".

É que não consegue acabar algo sem pôr a pata na poça, invariavelmente. Quando é que a Bundesanstalt für Finanzdienstleistungsaufsicht (tem um nome assustador mas significa Autoridade de Supervisão Financeira Federal) decidirá dar uma vista de olhos sobre o que se passa no banco? E também sobre o que se passa na Alemanha toda, diga-se...

03 maio 2016

Argentina: até a Democracia, ida e volta

Há quarenta anos atrás, no dia 24 de Março de 1976, iniciava-se na Argentina o terrorismo de Estado
que iria apagar toda uma geração de jovens intelectuais capazes de mudar a fisionomia do País. Trinta mil jovens foram simplesmente "desaparecidos".

As causas devem ser encontradas nas mentes dos executivos das corpotations americanas e europeias que queriam eliminar o surgimento e o propagar-se da consciência social entre os argentinos; o desaparecimento era visto como inevitável pela Igreja Católica, assustada com o fenómeno do clero sul-americano que destacava a inconsistência entre a chamada mensagem do Evangelho e a opressão sofrida pelas franjas sociais menos privilegiadas.

Os seguidores da Teologia da Libertação pensavam que a saída da opressão iria curar as sociedades do Continente, no auge da desordem social; e os movimentos terceiromundistas foram considerados uma perigosa heresia por parte da hierarquia católica. Por esta razão, a Igreja pediu às forças armadas para cancelar os tais movimentos e substituiu-los com as fiéis estruturas da Opus Dei nascida dentro do regime de Franco. Não é uma teoria da conspiração, há documentos judiciais que confirmam isso.

01 maio 2016

Ken Livingstone e a Nova História

Ken Livingstone
Ken Livingstone é um político britânico.

Definido também como Red Ken por via das suas ideias orientadas à Esquerda, é membro do Parlamento, já foi líder do Greater London Council (GLC, um forma de governo local da capital inglesa entre 1965 e 1986) e desde 2000 até 2008 foi Presidente da Autarquia de Londres.

Faz parte do Partido Trabalhista (o Labour Party). Aliás: fazia.

Já não faz porque Red Ken foi expulso do partido. A acusação? A pior que hoje em dia possa atingir um ser humano: anti-semitismo. Uma infâmia que irá pesar sobre o que resta da vida dele e sobre as próximas duas gerações dos Livingstone. Red Ken disse o seguinte: os líderes sionistas dos judeus na Palestina emigraram no início dos anos de '900 e a seguir colaboraram activamente com Hitler.

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