31 outubro 2016

Wikipédia inglesa: a história rescrita


Uma curiosidade: como é que as vária sversões de Wikipedia descrevem a Guerra do Ópio?

A versão portuguesa, tal como aquelas italiana e espanhola também, dedicam páginas que enquadram os eventos do ponto de vista histórico, onde são explicadas as causas do conflito e é realçado o papel dos Ingleses no comércio ilegal do Ópio.

E a versão inglesa? Aqui vai a tradução total da página Opium Wars (Guerras do Ópio em inglês):
As Guerras do Ópio foram duas guerras que envolveram disputas anglo-chinesas sobre o comércio britânico na China e a soberania da China em meados do século 19º. As disputas incluiu a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842) e a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860). As guerras e os eventos entre as guerras enfraqueceram a dinastia Qing e forçaram a China ao comércio com o resto do mundo.

Filipinas: fora da órbita EUA - Parte II

Rodrigo Duterte
No final do último Verão, o Presidente Rodrigo Duterte anuncia que os próximos exercícios
militares conjuntos entre Filipinas e Estados Unidos serão os últimos, apesar do tratado de defesa assinado em 1951 ainda continuar a ser valido. Válido sim, mas por quanto tempo?

Poucas semanas depois, Duterte voa para Pequim, onde assina vários acordos comerciais com o Presidente chinês, Xi Jinping, e anuncia a "separação" dos EUA e o realinhamento das Filipinas com China e Rússia:
Eu me realinho com o seu [o chinês, ndt] fluxo ideológico e talvez irei para a Rússia também para conversar com Putin e dizer-lhe que há três de nós contra o mundo: China, Filipinas e Rússia. É a única maneira.
Manila, Pequim e Moscovo contra o resto do mundo: não apenas o plano para a Ásia de Barack Obama fracassou, mas entra em colapso todo o andaime geopolítico que mantive a hegemonia dos Estados Unidos no Sudeste asiático durante mais de setenta anos.

30 outubro 2016

Vacinas: a Fundação Gates e as mortes

Antes que o Leitor comece a desconfiar, aqui vai o aviso: os factos relatados neste artigo não são o
fruto dum blogueiro conspirador mas têm como fontes diários bem conhecidos e lidos por centenas de milhões de pessoas. Podem consultar a lista dos links mais à frente.

Por qual razão o diário do vosso País não trata destes assuntos? Boa pergunta. Porque não experimentam perguntar isso directamente ao diário?

E agora vamos aos factos.

A Fundação, a Merck, a GlaxoSmithKline

A Fundação Bill e Melinda Gates é apreciada em todo o mundo pela sua alegada filantropia, mas a maioria das boas obras não passam de experiências de vacinas realizadas sobre os pobres sem o consentimento deles. Sob o pretexto de prestar cuidados de saúde em Países do Terceiro Mundo, a Fundação Gates força dezenas de milhares de crianças a experimentar diferentes vacinas por conta das empresas farmacêuticas.

Poderia ser uma coisa simplesmente enervante: mas como há mortos nesta história, o panorama muda.

28 outubro 2016

Filipinas: fora da órbita EUA - Parte I

É verdade: a permanência de Barack Obama na Casa Branca está a concluir-se na pior das maneiras.

Já nem se fala em Guantanamo (fecha? Não fecha? Era uma das promessas eleitorais), agora o que está em jogo é  o desligamento do Oriente Médio e da Europa para uma maior foco no Pacífico.

A ideia era cercar a China, limitar a expansão de Pequim, meta estratégica declarada desde 2011, formar um cordão de contenção, assim como tinha feito o império britânico com a Alemanha nos tempos idos. Para a implementar este plano, Washington contava com os habituais aliados anglo-saxões (Austrália e Nova Zelândia), os tradicionais parceiros do Pacífico (Japão, Coreia do Sul e Filipinas) e algumas novas aquisições de lealdade duvidosa, entre os quais Vietnam e Birmânia.

O projecto já avançava com dificuldade durante anos, pois Washington não conseguia livrar-se do Médio Oriente (doutro lado, quando se escolhem como aliados dois Países como israel e Arábia Saudita...), mas em Fevereiro 2016 Obama consegue uma vitória; a assinatura da Trans-Pacific Partnership, a zona de livre comércio entre alguns de Países asiáticos em detrimento da China. Participam Japão, Austrália, Brunei, Malásia, Nova Zelândia, Singapura e Vietname. Não propriamente um triunfo mas um passo na direcção traçada.

Nem passam três meses e eis o colapso da arquitetura tão meticulosamente construída: em Maio de 2016 nas Filipinas é eleito Rodrigo Duterte qual novo Presidente do País. Uma surpresa, que retira o arquipélago da órbita de Washington e atira-o para os braços da República Popular da China.

27 outubro 2016

O Universo dos ratos

Em 1962, o pesquisador norte-americano John B. Calhoun construiu o habitat ideal para os ratos. Um lugar onde as cobaias nunca deve ter que se preocupar com nada: comida, água e abrigo disponíveis para todos. Um Utopia para roedores, baptizado Universo 25, que dentro de um ano atingiu o seu pico.

Calhoun era um etólogo conhecido por via dos seus estudos sobre a densidade populacional e os efeitos que este factor tem sobre o comportamento. Argumentou que os resultados obtidos com ratos foram uma previsão sobre o futuro da humanidade e, de facto, na altura a experiência foi impactante.

Mas vamos ver quais as características do estudo e quais os resultados imediatos. Porque esta experiência é um pilar dos que apresentam o futuro como um pesadelo onde nem há espaço para mexer-se.

All for LENA

Enquanto continuam as dúvidas que circulam sobre o destino de Julian Assange ("Foi morto por
Google?" é uma das últimas. Tranquilos, Assange está bem), eis que Wikileaks publica algo interessante. O que já por si é um evento.

Entre as e-mails "capturadas", há uma que chega do account de John Podesta, chefe do comité eleitoral de Hillary Clinton. É curta mas muito curiosa e foi enviada em Janeiro de 2015:

26 outubro 2016

O programa de Donald Trump

Donald Trump? Uma vergonha, e disso não há dúvida. Tal como Hillary Clinton.

Mas enquanto os media não falam acerca das graves falhas da candidata democrata, podemos saber tudo o que houver de mal acerca de Trump: sabemos do muro mexicano, sabemos das mulheres que apalpou há 30 anos, as frases disparatadas... mas quantos conhecem o programa?

Aqui estão os pontos que Donald Trump tem delineado no seu recente discurso em Gettysburg, que Newt Gingrich, dirigente dos Partido Republicano, definiu como "o discurso político mais importante da recente história americana". Um exagero? Pode ser: mas sem dúvida trata-se duma mudança de paradigma no caminho dos Estados Unidos.

25 outubro 2016

Os serviços secretos franceses na Líbia

Uma curta notícia nas páginas do Corriere della Sera: um pequeno avião francês precipita perto da
ilha de Malta, mortos os ocupantes. Acontece.

Mas depois iniciam os problemas: o governo francês afirma ser esta uma missão europeia, enquanto Federica Mogherini, a chefe da diplomacia europeia, declara:
O voo não estava ligado a nenhuma actividade da UE.
Curioso, sem dúvida, também porque a França confirma apenas três das nacionalidades dos mortos, limitando-se a afirmar que os outros eram contractors (mercenários). Talvez valha a pena aprofundar o assunto, não é?

Descobre-se assim uma história interessante.

As melhores suites de programas portáteis

Como é que nunca falei delas? As suites! E fala-se aqui de suites de programas portáteis.

O que há de melhor dum programa portátil?
  • Não tem que ser instalado (é só baixar e rodar)
  • Vem connosco (num pendrive ou cartão de memória) para funcionar em qualquer computador
  • Não deixa rastos no registo de Windows, nem nas pastas do usuário
  • Não afecta as preferências dos programas equivalente que já se encontram instalados no nosso computador (ou naquele dos outros) 
Mas imaginemos ter uma pendrive que podemos encher com os nossos programas favoritos: não seria bom ter o conjunto de programas já prontos em vez que ter de baixa-lo um atrás do outro?
A boa notícia que este conjunto existe, é a tal suite. A segunda boa notícia é que mais de uma suite disponível. A terceira boa notícia é que, caso a suite não apresente mesmo os nossos programas favoritos, podemos sempre modifica-la ou construi-la de raiz ao nosso gosto.

Hoje vamos ver a parte mais simples, as suites já prontas que não precisam de ser instaladas em lado nenhum: como afirmado, é só descarregar e utilizar, no nosso computador de casa, do trabalho, dum nosso amigo, em viagem.

Ah, uma última boa notícia: caso não estejam interessados em ter uma inteira suite, podem sempre descarregar singularmente um ou mais programas: rodam normalmente mesmo que separados da respectiva suite.

24 outubro 2016

Rússia: sanções? Óptimo!

Em 2015 as exportações agrícolas da Rússia superaram as exportações de armas. Isso é de
fundamental importância para entender a complexa transformação que Moscovo está a tentar implementar na sua economia.

Segundo o alemão Der Spiegel, no ano passado a Rússia tem produzido mais trigo do que os Estados Unidos: 110 milhões de toneladas, um limite nunca alcançado antes e que faz da Rússia o maior produtor do mundo. O Ministro da Agricultura, Alexander Tkachev, disse recentemente que espera que as sanções ocidentais contra a Rússia sejam prolongadas por mais cinco anos, porque, como afirma:
Na verdade, tornaram possível mudar positivamente a condição do sector alimentar russo, aumentando a produção, implementando tecnologia [...] e substituindo a importação, o que agora torna a Rússia auto-suficiente em agricultura.
A questão não está limitada ao sector agrícola e não está relacionado apenas ao problema das sanções: o rublo desvalorizou, a crise da Ucrânia e o petróleo excessivamente barato apresentaram uma economia russa com um dinamismo inesperado.

Anselmo, a ilha e o banco

Imaginem um navio de cruzeiro no qual o bom Anselmo, que nada tem que fazer na vida, decide
descansar ao longo de alguns dias. O navio afunda, mas com outras mil pessoas Anselmo consegue alcançar uma ilha deserta. Um boa ilha, onde há de tudo um pouco.

Após uns tempos, é criado um mini-sistema económico e Anselmo pensa bem formar um governo de forma que os esforços de cada um consigam favorecer a comunidade. Dado que Anselmo é democrático, há eleições para que sejam os cidadãos a escolher. E Anselmo ganha.

Assim, Anselmo nomeia-se Primeiro (e único) Ministro do pequeno Estado; dado que é bom, decide iniciar algumas obras públicas, como estradas, pontes, uma escola, um hospital, etc. Mas aqui há um problema: na ilha há pessoas que sabem fazer tudo isso, mas para tal deveriam abandonar temporariamente o trabalho deles e dedicar-se às obras públicas. Portanto, querem ser recompensadas para não ficar sem meios de subsistência.

No princípio, Anselmo tenta convence-las a aceitar 3 couves por cada um, mas dado que estes querem 1.000 couves e 75 ovos por cada trabalhador, o simpático Anselmo decide introduzir a moeda: com esta, os trabalhadores poderão adquirir comida ao longo da duração do trabalho, também escolhendo qual comida comprar e, além disso, a moeda simplifica o pagamento pois ninguém tem que ir a juntar milhares de couve, ovos e entrega-los.

23 outubro 2016

O testamento de Gaddafi

Dois documentos do líder líbico Gaddafi, escritos pouco antes de ser assassinado.

O primeiro está entre as últimas declarações de Muammar Gaddafi e foi publicada numa carta aberta ao jornal russo Zavtra no dia 5 de Abril de 2011.
Durante 40 anos, ou talvez mais, fiz tudo que o podia para dar às pessoas casas, hospitais, escolas.
E quando tinham fome, dei-lhe comida. Transformei Benghazi dum deserto numa terra fértil, resisti aos ataques do cowboy Reagan quando, tentando de me matar, assassinou uma órfã, a minha filha adoptiva, uma pobre criança inocente.

Ajudei os meus irmãos e as minhas irmãs na África com dinheiro para a União Africano. Fiz tudo para ajudar as pessoas a entender o verdadeiro conceito de democracia, na qual os comités populares governar o nosso País.

22 outubro 2016

Do antissemitismo

O que é o antissemitismo? Perante este termo, logo pensamos a um indivíduo que odeia israel. E este
é um erro, derivado em parte da manipulação das palavras que costumamos utilizar e em parte da ignorância.

Wikipedia:
Antissemitismo é o preconceito ou hostilidade contra judeus baseada em ódio contra seu histórico étnico, cultural e/ou religioso. Na sua forma mais extrema, "atribui aos judeus uma posição excepcional entre todas as outras civilizações, difamando-os como um grupo inferior e negando que eles sejam parte da(s) nação(ões) em que residem". A pessoa que defende este ponto de vista é chamada de "antissemita".
Como muitas vezes acontece com a popular enciclopédia online: peguem no texto e atirem tranquilamente para o lixo. Porque tenta passar a ideia de que os semitas sejam os hebreus, o que é falso: são também os hebreus mas não só.

21 outubro 2016

As "novas" guerras americanas: Somália


Um artigo publicado no New York Times explica a maneira como hoje em dia os EUA travam as guerras: o exemplo é aquele da Somália mas, como observado pelos autores do artigo, o mesmo modus operandi é também aplicado em outros lugares. Trata-se da evolução da técnica de intervenção não oficial praticada há décadas.

A guerra americana na Somália começa no ano de 1991, com a Operação Restore Hope, oficialmente uma intervenção das Nações Unidas, de facto uma intervenção de Washington com os relativos aliados. As razões do inicial envolvimento dos EUA podem ser encontradas também (mas não só) no controle das concessões de petróleo: enquanto a Somália não tinha reservas comprovadas de petróleo, poderia haver ouro negro ao largo das costas.

Pouco antes do Presidente Mohamed Siad Barre (pró-EUA) ser derrubado em 1991, quase dois terços do território do País tinham sido "vendidos" como concessões de petróleo para as empresas Conoco, Amoco, Chevron e Phillips. A Conoco até emprestou o seu complexo corporativo ena capital, Mogadíscio, para funcionar como embaixada dos EUA; e poucos dias antes dos fuzileiros navais desembarcarem, o enviado especial da primeira administração de George W. Bush utilizou a estrutura da companhia petrolifera como seu quartel-general temporário.

Rastos Químicos? Bah...

...e vamos jogar aos conspiracionistas.

Como os Leitores do blog sabem, estou bastante desconfiado quando o assunto forem os rastos químicos. Há algo que não me convence. Mesmo assim, eis algumas imagens tiradas no dia 1 de Outubro em Italia, perto da localidade de Ovada (Província de Alessandria).


Trata-se do céu visível a partir do jardim da casa da minha mãe, direcção Norte.

20 outubro 2016

Estamos em guerra

Não há tropas nas ruas, não se ouvem bombas eclodir, a televisão espalha Valium em quantidades
industrias: está tudo tranquilo, não parece uma guerra.

Com o termo de "guerra" costuma-se indicar um confronto armado entre dois ou mais exércitos. Nesta altura temos uma série de guerras no planeta, mas apenas um de alta intensidade, o da Síria: pelo que seria possível afirmar que não, não há um conflito global. Mas a situação é bastante complicada.

Na Síria é possível observar um conflito que vê os Estados Unidos contra a Rússia, com a China que observa de longe; mas existem muitas outras camadas secundárias de participantes que incluem a Turquia, o Irão, o Iraque, a Arábia Saudita, o Qatar, Yemen, Israel, os Curdos, o improvável Estado Islâmico, o exército regular sírio, os "rebeldes", as organizações terroristas aquele irregular, todos directamente ou indiretamente envolvido.

19 outubro 2016

A Moeda Inteira

Na Suíça surgiu uma grupo de cidadãos apresentou um projecto de reforma monetária baptizado "Moeda Inteira". O elenco do conselho científico da organização, tal como os apoiantes oriundos dos sectores bancário, político, académico ou dos negócios, é assinalável.
Mas afinal falamos de quê?

Está bem explicado na primeira pagina online do movimento, A Iniciativa Moeda Inteira em 10 Segundos":
Mais de cem anos atrás, foi proibido aos bancos imprimir papel-moeda. A iniciativa visa uma proibição semelhante para a moeda electrónica. Só o Banco Nacional cria no futuro dinheiro e torna-o disponível, através de entregas livres de dívida, ao governo federal, aos cantões e aos cidadãos. Isto tem grandes vantagens: toda a moeda é protegida da falências dos bancos, evita bolhas financeiras e inflação, e é rentável [...]
Tanto para entender, o termo "moeda electrónica" indica a moeda hoje criada do nada pelos bancos com os sistemas informáticos, algo que acontece diariamente: com a iniciativa Moeda Inteira todo o dinheiro, também aquele criado hoje pelos bancos, seria emitido unicamente pelo Estado. Vantagens? Muitos e com um alcance impressionante.

Regresso

Vamos tentar? E vamos se é desta que consigo retomar o trabalho aqui no blog.

Infelizmente, nos últimos meses as coisas têm sido bastante complicadas por causa de graves problemas familiares: nada de especial, coisas da vida que, mais cedo ou mais tarde, todos temos que enfrentar.

Por causa disso passei boa parte do Verão em Italia, tendo voltado apenas há um punhado de dias; Informação Incorrecta ficou parada, tendo assim faltado aos encontros diários com os Leitores. Lamento muito.

Os problemas não estão resolvidos, mas a vida tem que continuar e o blog também. Por minha parte, desejo pedir desculpa a todos os Leitores, juntando também a esperança que a partir de agora seja possível retomar os bons velhos hábitos. Caso tenha que ausentar-me outra vez (bem pode acontecer), será minha preocupação avisar previamente, prometo.

E, obviamente, obrigado por continuar a seguir Informação Incorrecta.


Ipse dixit.

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