12 maio 2017

O regresso dos Barões Ladrões

John D. Rockefeller (1901)
Tempos difíceis para os defensores do livre mercado e da livre concorrência: um estudo publicado pela Universidade de Cambridge e financiado pelo Conselho Europeu de Investigação, mostra que a retórica do mercado livre, com a famosa "mão invisível" que tudo regula e a concorrência que beneficia o consumidor, não mora por aqui.

Segundo este estudo, 40% das empresas listadas na Bolsa de Valores dos Estados Unidos são controladas por apenas três sujeitos: os fundos BlackRock, Vanguard e State Street.

Estes fundos  têm ativos com um valor total de 11 milhões de milhões de Dólares, três vezes mais do que todos os outros fundos em conjunto.

Segundo o estudo, estas enorme concentração de recursos económicos pode ter um poder oculto para influenciar de forma poderosa toda a economia dos EUA e dobrá-lo para os seus próprios interesses.

"Pode ter um poder oculto". Escreveram mesmo isso. Tens três empresas contra as quais não podes mexer um dedo porque arriscas que te ponham as Bolsas do planeta de pernas para o ar só porque sim, e estes escrevem "pode". É precisa paciência. E muita.

O estudo permanece interessante porque demonstra como a crise que eclodiu em 2008 teve como efeito a criação duma nova forma de Capitalismo, muito parecido com as práticas dos Robber Barons ("Barões Ladrões") do século XIX.

No final dos anos 1800, o termo era utilizado para se referir aos empresários que exploravam práticas de exploração para acumular fortunas. Essas práticas incluíam:
  • controlar recursos nacionais
  • acumular altos níveis de influência no governo
  • pagar salários extremamente baixos
  • esmagar a concorrência através da aquisição de rivais
  • tentar criar monopólios (para aumentar os preços)
  • criar esquemas para vender ações a preços inflacionados para depois destruir as empresas em nome das quais as acções tinham sido emitidas, causando o empobrecimento dos investidores.

Apenas alguns nomes?
  • John Jacob Astor I (imobiliário) – New York
  • Andrew Carnegie (aço) – Pittsburgh e New York
  • James Buchanan Duke (tabaco) – Durham, North Carolina
  • James Fisk (finança) – New York
  • Henry Clay Frick (aço) – Pittsburgh e New York
  • Andrew W. Mellon (finança, petróleo) - Pittsburgh
  • J. P. Morgan (finança) – New York
  • John D. Rockefeller (petróleo) – Cleveland, New York
  • Charles M. Schwab (aço) – Pittsburgh e New York
  • Leland Stanford (comboios) - Califórnia
  • Cornelius Vanderbilt (transportes marítimos, comboios) – New York
Se calhar alguns apelidos são familiares...

A História se repete? Sim, mas com alguns detalhes alterados, pois a vida hoje corre de forma diferente, a tecnologia evoluiu: o poder aprendeu a globalizar-se e a sua influência encontrou novas vias para actuar.


Ipse dixit.

Fonte: Cambridge University - Hidden power of the Big Three? Passive index funds, re-concentration of corporate ownership, and new financial risk (ficheiro Pdf, Inglês)

10 maio 2017

História do Trabalho - Premissa

Vamos hoje começar (talvez) uma série de carácter histórico que tem como objectivo central o mundo
do trabalho. Como chegámos até hoje? Como foi gerido o trabalho ao longo dos últimos dois séculos e meio? De quem o mérito das conquistas dos trabalhadores? Mérito dos sindicados? Ou houve algo mais?

Antes de começar é necessária uma premissa: no fundo do artigo não vão encontrar as fontes porque as fontes são... meu pai!

Explico. Meu pai, António, entrou no mundo do trabalho em Italia muito cedo, nos primeiros anos depois da Segunda Guerra Mundial. Uma época muito diferente da nossa, na qual nem era preciso ir à procura do trabalho, eram as empresas que procuravam os trabalhadores. Quando meu pai entrou para o ramo das telecomunicações, tanto para fazer um exemplo, ao mesmo tempo tinha uma oferta da empresa estadual dos comboios e uma da polícia.

Parece ficção científica, não é? Mas era assim que as coisas funcionavam no boom da reconstrução..

Ao longo dos anos, meu pai melhorou o seu nível de estudo até licenciar-se em Sociologia e Psicologia. Como curiosidade, posso acrescentar que frequentou a Universidade de Trento, na altura a mais "agitada" do País (estamos no final dos anos de '60, início dos '70). Daí saíram figuram que teriam marcado os anos conhecidos como Anos de Chumbo (terrorismo, Brigadas Vermelhas, etc.) e políticos: pessoas com as quais o meu pai teve oportunidade de interagir (tinham todos as mesmas idades, participavam nas mesmas reuniões estudantescas ou manifestações).

Voltando para a carreira: desde cedo meu pai decidiu entrar num sindicato ao qual pertenceu durante muitas décadas, estando focado em particular na segurança do trabalho. Isso permitiu-lhe alcançar níveis importante em âmbito sindical, sendo que ao longo de vários anos ficou como um dos três máximos responsáveis nacionais da segurança no trabalho da Telecom italiana.

Ainda me lembro quando, com 7 anos de idade, participava nas reuniões quase nocturnas onde o meu pai explicava as regras de segurança aos trabalhadores: não poucas vezes as reuniões tinham que acabar mais cedo porque o único miúdo da sala tinha entrado em estado de pré-coma.

Tudo isso para dizer o quê? Para dizer que nos últimos anos meu pai decidiu escrever um livro acerca da história da condição dos trabalhadores. O livro é muito técnico, "maciço", mas eu foquei-me no primeiro capítulo, aquele histórico, onde é possível observar, através da história italiana, aqueles desenvolvimentos que no resto do mundo foram implementados mais ou menos na mesma altura.

E não faltam as surpresas. Quem acham que tomou a primeiras medidas para reduzir o número de infortúnios nas empresas? Os trabalhadores? Os sindicados? Longe, muito longe disso...

E quem falou pela primeira vez dum sistema de protecção para cuidar das mulheres grávidas? Ou dum sistema de reformas/pensões? Mais uma vez: trabalhadores? Sindicados? Mais uma vez: longe, bem longe isso... A História contada não é exactamente aquela que aconteceu.

O trabalho em si é bastante amplo, mesmo tratando-se só do primeiro capítulo, pelo que terei que reduzi-lo para poder limitá-lo e torna-lo apresentável num blog. Mas antes preciso saber se uma coisa destas pode ou não interessar os Leitores de Informaçaõ Incorrecta, porque encher as páginas com algo que me dá um trabalho desgraçado e que vós aborrece não é o máximo da vida, não é? Por exemplo, podem achar que o assunto fique demasiado longe dos tratados pelo blog.

Agradeço pelas respostas 😊


Ipse dixit.

Brasil?

A Sempre Muy Nobre Maria (que agradeço, como é claro) realça o escrito de Ton Paulo, Assessor de comunicação na Faculdade Unida de Campinas, publicado nas suas páginas de Facebook.

Tomo a liberdade de copiar e colar aqui (no fundo pode encontrar a ligação para a página original do Autor).

Não conheço pessoalmente o Brasil (ainda não, pelo menos), só por interposta pessoa ou assistindo aos programas oferecidos pelas televisões brasileiras (propósito: vocês no Brasil têm centenas de canais, todos em português!!!). Muito, muito pouco para ter uma ideia que possa passar duma simples impressão.

Portanto, deixo aos Leitores do Brasil a tarefa de comentar as palavras de Ton Paulo:.

É PM matando favelado e espancando mulher,
é fazendeiro matando índio e fazendo o que quer.
É pastor na casa de Deus pregando ódio e linchamento,
é fanático apoiando isso sem nenhum arrependimento.
É pobre se dizendo 'de direita', achando ser elite,
é deputado indo na TV pra dizer que "homofobia não existe".
É mulher agredida tentando falar sobre o machismo,
é gente raivosa dizendo que isso é "vitimismo".
É estudante espancado em protesto que o povo deveria estar apoiando,
é gente fazendo piada disso, torcendo pela morte dele, rindo, gargalhando.
É travesti sendo linchada com o povo olhando mas sem nada fazer,
é gente dizendo "bem feito, fez por merecer!".
É menor de idade saindo do útero pra prisão,
é gente defendendo chacina, "esse não tem recuperação".
É vice golpista governando, como se isso fosse natural,
é o trabalhador vendo seus direitos sendo extintos,
como se aquilo fosse algo "normal".
É assalariado pobre indo contra sua própria classe,
é patrão gostando disso, já não sentindo falta de um gado que ele manipulasse.
É político chamando negro de "vitimista",
é gente dizendo que isso é opinião, tudo bem ser racista.
É um país afundado no golpe, no preconceito, no ódio, na intolerância.
É um país sem luz no fim do túnel, inundado pela ignorância.

Ipse dixit.

Fonte: Ton Paulo

09 maio 2017

Economia: Nove Leis

No meio de tantos proclamas, promessas, previsões, isso é: no meio de muitos erros económicos, voluntários e não, vale a pena lembrar algumas das leis mais básicas da nossa economia.

"Nossa" porque estas leis são aquelas válidas e utilizadas no nosso actual sistema económico, leis estigmatizadas na assim chamada Escola Austríaca (finais do séc. XIX), cujos princípios foram sucessivamente elaborados e ampliados pela Escola de Chicago (por volta de 1970).

Diferem, portanto, das ideias de outros pensadores e ainda hoje o choque entre seguidores da Escola Austríaca e, por exemplo, da economia keynesiana é forte.

Por enquanto, eis algumas leis que regulam o nosso mercado e que é bom esquecer:

França: ganha Macron



Ipse dixit.

08 maio 2017

O smartphone espia com ultra-sons?

O desejo dos anunciantes (e não só deles...) em saberem o máximo possível sobre o público parece não ter limites, e parecem ser cada vez mais as apps que usam os smartphones para escutar e localizar os seus utilizadores.

Segundo o Bleeping Computer, foram detectadas 234 apps Android, que totalizam vários milhões de downloads, a utilizar os sistemas de identificação por ultra-sons.

Este sistema recorre ao microfone do smartphone para escutar o que se passa, não para escutar aquilo que o utilizador poderá estar a dizer, mas para tentar determinar se o utilizador estará a ver/ouvir um determinado anúncio, ou se estará num determinado local com um determinado beacon (localizador).

Em ambos os casos, a sinalização é feita via códigos sonoros ultra-sónicos, inaudíveis para os humanos, mas que os microfones dos smartphones podem detectar.

Com este método, uma app pode saber que uma pessoa esteve em determinada loja, se esta tiver um desses beacons instalados, sem que a app precise pedir permissões para aceder à localização.
 


No entanto, continuará a ter que pedir a permissão para aceder ao microfone… pelo que, nos casos dos smartphones com versões do Android mais recentes, os utilizadores já poderão impedir esse acesso sem recorrerem à medida mais radical de recusar a instalação da app por completo.

Por outro lado, há também que considerar que estas mesmas apps poderiam facilmente estar a escutar o que os utilizadores dizem… pois será indiferente ter o microfone activo para tentar apanhar os sons ultra-sónicos, ou para apanhar as conversas e demais sons do ambiente.



Ipse dixit.

Fonte: Bleeping Computer via Aberto até de Madrugada

O Experimento Rosenhan

O Experimento Rosenhan foi uma famosa experiência sobre a validade dos diagnósticos psiquiátricos, realizada pelo psicólogo David Rosenhan, nos Estados Unidos, em 1972.

Os resultados foram publicados na revista Science com o título On being sane in insane places ("Sobre estar são em lugares insanos", ver links nas fontes).

O estudo de Rosenhan era dividido em duas partes.

Na primeira Rosenhan utilizou voluntários sãos, definidos como "pseudopacientes", os quais simularam alucinações sonoras numa tentativa de obter a admissão em doze hospitais psiquiátricos de cinco Estados dos EUA; a segunda parte consistiu em pedir às instituições psiquiátricas que tentassem detectar os "pseudopacientes".

O estudo é considerado como uma importante crítica ao diagnóstico psiquiátrico.

07 maio 2017

O juiz e a cannabis

Cannabis em chinês (麻 ou "má")
Esta é a carta aberta que o Procurador do Tribunal de Napoli (Italia) enviou para o diário La
Repubblica.

O Procurador chama-se Henry John Woodcock (apesar do nome é italiano), é conhecido por ter participado em algumas das investigações mais importantes dos últimos anos (como aquela acerca da P4, neta da P2, do caso Silvio Berlusconi ou de tráfego de armas com Al-Qaeda).
Exmo. Director,

nos próximos 5 e 6 de Maio, nas salas do Instituto Italiano de Estudos Filosóficos, vai ser realizada uma conferência patrocinada pela Associação "Not Dark Yet", intitulada "Antes (ao invés) de punir". A manhã de Sexta-feira será dedicada à questão da legalização da cannabis, proposta como uma estratégia para combater a ilegalidade. Eu mesmo vou participar nesta sessão, juntamente com outras figuras proeminentes como Franco Roberti (Procuradoria Nacional Anti-máfia), o senador Benedetto Della Vedova (promotor dum projeto de lei sobre o assunto que tem recolhido muitos consentimentos) e o jurista Fernando Rovira, que ajudou na elaboração da primeira lei, no Uruguai, que regulamentou a venda de cannabis, como uma estratégia específica para combater o tráfico de drogas.

05 maio 2017

Chechénia: entre campos de concentração e propaganda

Pergunta: na Chechénia (ou Chechênia ou Tchechênia ou Tchetchénia) existem campos de concentração
onde os homossexuais são presos, torturados e até mortos?

A denúncia está baseada em dois artigos do diário russo Novaya Gazeta: o primeiro, publicado no passado dia 3 de Abril, afirma que mais de 100 homens acusados ​​de serem homossexuais teriam sido presos pela polícia chechena que reconstruiu os seus relacionamentos através duma aplicação informática pensada para os encontros gay. O diário também afirma que pelo menos três pessoas teriam sido mortas no curso da operação.

Dois dias depois (5 de Abril), a Novaya Gazeta publica o segundo artigo, em que é relata as experiências de três pessoas naquela que é definida como uma "maciça repressão contra chechenos suspeitos de ter uma orientação homossexual": os supostos homossexuais foram sequestrados ilegalmente pela polícia, ridicularizado, humilhados, torturados, violados com objectos e libertados somente após o pagamento de enormes resgates por parte das respectivas famílias.

04 maio 2017

Quais valores? A próxima renegeração


Não poucas vezes, e não desde hoje, a nossa época é posta em relação com aquela vivida durante as últimas décadas do Império Romano. Também hoje há um sensus finis ("um senso do fim"), uma ausência de esperança, colectiva e individual, um cansaço, uma falta de vitalidade, um sentimento de impotência. Estes são clássicos sinais dum mundo em decadência.

Os "bárbaros" estão próximos, muitos já entre nós, como nos tempos imperiais.
Os Godos, os Burgúndios, os Francos, os Vândalos foram capazes de vencer o muito mais poderoso e organizado exército romano, até conquistar a capital, reduzindo a cidade ao nível duma aldeia, com 37 mil habitantes: isso foi possível porque, nos séculos anteriores, o Império e as seus estruturas institucionais e mentais tinham sido erodidas por um conjunto de factores: Cristianismo, corrupção e opulência.

Em vão os imperadores desde Diocleciano tinham tentado, até a última e desesperada tentativa de Juliano o Apóstata, erradicar pelo menos um destes problemas, o Cristianismo, com repressão e violência. O mundo pagão, corrupto até a medula por causa do poder, nada pude fazer contra uma ideologia que carregava dentro de si valores muito fortes e novos: "novos" por assim dizer, pois em parte provinham do judaísmo. Em suma, o Cristianismo era um fenómeno Mediterrânico que não vinha do nada.

03 maio 2017

O melhor navegador 2017

O navegador (também chamado de browser) é o programa essencial para poder aceder à internet.

Lógico, portanto, que seja um instrumento que deve ser escolhido com cuidado: para poder visualizar da melhor forma os conteúdos da web, para que que o processo seja rápido também e para que o browser não se torne um meio nas mãos de terceiro que desejem ter acesso ao nosso computador.

Os navegadores não são todos iguais e aqui foram escolhidos vinte entre os mais difundidos (na versão portátil) e dois que não têm versão portátil mas que estão entre os mais utilizados em absoluto.
A seguir, estes 22 navegadores foram submetidos a uma série de testes para tentar perceber quais fornecem as melhores prestações e, pelo contrário, devem ser evitados.

Os navegadores analisados foram os seguinte:

02 maio 2017

Quem lucra com a emigração?

Pergunta: mas onde encontra o dinheiro um pobre desgraçado que mora no Bangladesh (ou Paquistão, Nigéria, Chad... a escolha é ampla) e que deseja emigrar para o Ocidente?

Resposta: simples, pede um empréstimo a uma das ONG's especializadas em lucrar com as desgraçadas alheias. 

Num País de emigrantes miseráveis (no sentido que nem o dinheiro para sobreviver têm), o "empréstimo de migração" representa um negócio que acontece em plena luz do dia, com ONG's tipo a BRAC: pessoas que são consideradas às margens do desenvolvimento, ficam totalmente integradas no sistema destes serviços financeiros.

Vamos ver mais de perto este exemplo, a BRAC, lembrando de que é apenas uma (provavelmente a mais popular) das ONG's que lucram com o azar das pessoas.

BRAC!

 BRAC tem feito o que poucos outros fizeram.
Conseguiram alcançar sucesso em grande escala,
 trazendo programas de saúde salva-vidas
para os milhões dos mais pobres do mundo.
Bill Gates

BRAC é uma ONG que actua em várias frentes, entre as quais o microcrédito para a emigração.
Originária do Bangladesh, hoje opera não só na Ásia mas também na África, onde, obviamente, faz um óptimo trabalho considerada a vaga de africanos que conseguem chegar até as costas da Líbia e daí à Europa.

Obviamente, a BRAC é uma organização não-governamental que ostenta fins humanitários: na prática, antes das ONG's que transportam os migrantes pelo Mediterrâneo, há a BRAC que fornece o dinheiro para chegar até à beira daquele mar.

28 abril 2017

A Baleia Azul (Blue Whale)

Finalmente chegou em Portugal o jogo do ano: a Baleia Azul.

Divertido, económico, ajuda também a resolver o problema da superpopulação.
Mas em que consiste?

Simples: surgido na Rússia, propõe cerca de 50 desafios para os jovens participantes.
O desafios incluem isolamento, auto-mutilação e incentivo ao suicídio. Ver filmes de terror, subir os telhados, cortar os lábios, furar a palma da mão, cravar palavras e símbolos nos braços, são alguns dos hilariantes passos exigidos. As provas do cumprimento das tarefas (fotografias ou vídeos) devem ser enviadas ao administrador do jogo.

Ao que tudo indica, o simpático passatempo teve início na Rússia, em 2015, quando uma jovem de 15 anos cumpriu a última tarefa e atirou-se do alto dum edifício. Dias depois, uma adolescente de 14 anos atirou-se na frente dum comboio.

Reciclar, reutilizar, poupar: algumas medidas

"As estações já não são o que eram", "é o aquecimento global", "estão a derreter os polos", "toda culpa da poluição", blah, blah, blah.

A culpa é sempre dos outros. Nós? Inocentes, óbvio.

Eis algumas simples medidas que não irão mudar o destino do mundo mas de certeza reduzem, e desde já, a nossa pegada ecológica. Porque nós desejamos reduzir a nossa pegada ecológica, não é verdade?

Medidas para todos
  • limitador de fluxo para torneiras: permite consumir metade da água no que diz respeito a uma torneira comum (custa alguns cêntimos)
  • lâmpadas LED: mesma luz, menor consumo
  • nariz que pinga? Lenço de algodão, não os descartáveis (papel para o lixo?)
  • saco de compras? Em algodão, não de plástico: reutilizável, mais resistente
  • guardanapo? De algodão, por favor, não de papel: não estamos numa cantina e, mais uma vez, papel para o lixo?

27 abril 2017

A Guerra de Coreia

Nestas semanas fala-se com cada vez mais frequência dum possível choque militar entre o Ocidente (nomeadamente os Estados Unidos) e a Coreia do Norte de Kim Jong Un.

Não seria a primeira vez, pois logo após a Segunda Guerra Mundial, a situação era a mesma: também naqueles dias falava-se do perigo representado pelas armas de Pyongyang e da defesa dos valores "democráticos" por parte dos EUA.

Após mais de 60 anos, a Coreia do Norte permanece como uma espinha na historiografia estadounidense: uma guerra que não foi ganha, um chefe (o jovem Kim Jong Un) que é o directo herdeiro do chefe nortecoreano da altura (é neto de Kim Il Sung). E, logo atrás, ainda uma China que impede que a península coreana se transforme numa nova Síria (ou Afeganistão, ou Iraque, ou Líbia...).

A ascensão de Kim Il Sung, o regime de  Syngman Rhee

A península coreana, que sempre foi objecto das miras expansionista, imperialista e colonialista, tanto do Ocidente como dos japoneses, rebelou-se contra a ocupação de Tóquio e saiu da Segunda Guerra Mundial duramente provada, social e economicamente. A dominação japonesa tinha começado em 1905 e não foi nada leve: opressão, exclusão dos direitos mais básicos de expressão, de associação, de liberdade política, exploração dos camponeses e saques dos recursos dos quais a Coreia. Fala-se aqui de ouro, prata, zinco, chumbo e outros tesouros do subsolo, canalizados para as grandes empresas japonesas.

26 abril 2017

Blockchain, Ethereum e Bitcoin

A questão da eliminação do dinheiro vivo, substituído pelo electrónico, ocupa muitas páginas da informação alternativa: este blog tratou do assunto num par de ocasiões (ver "relacionados" no fundo do artigo).

O cerne da questão parece ser o controle que poderia ser actuado sobre os cidadãos (todos os cidadãos e todas as empresas) com uma forma de pagamento facilmente rastreável.

É um risco? Sim, é. Mas, paradoxalmente (e cada vez mais no futuro), pode tornar-se um risco secundário. Afinal, já hoje não é difícil saber como gastamos o nosso dinheiro, seja ele electrónico seja "real": declarações dos rendimentos, facturas, recibos, cartões... se um governo deseja saber o total das nossas entradas e os bens nos quais a maioria destas são gastas, não é impossível ter uma ideia com uma boa aproximação.

É claro que com o dinheiro inteiramente electrónico a tarefa ficaria ainda mais facilitada: mas, como afirmado, há riscos bem maiores do que isso. O perigo principal não é um maior rastreamento do cidadão.

Enquanto o Ocidente observa preocupado o resultado das eleições francesas, os vários JP Morgan Chase, Microsoft, Intel, Google, Santander, British Petroleum, UBS, Federal Reserve, Banco Central Europeu e companhia toda ocupam os seus recursos em algo bem mais importante. É uma simples questão de prioridades: e a prioridade, nesta altura, não é saber se irá ganhar Macron ou Le Pen, pois estes são pormenores. O que conta tem outros nomes: Blockchain, Ethereum e Bitcoin.

O que são estas coisas? Ohh, nada de importante: afinal estamos a falar de algo que irá mudar a face do planeta e condicionar a vida dos nosso filhos, dos filhos dos filhos e assim por adiante. Nada de grave, portanto, e é por esta razão que os órgãos de comunicação nem perdem tempo a tratar do assunto.

25 abril 2017

Preposto

Queridas Irmãs, queridos Irmãos,

neste Sétimo aniversário de Informação Incorrecta, vozes de sofrimento se levantam entre o rebanho:
Max, tens um preposto ao seu blog?
Sugiro que se há regras que as exponha e nos informe correctamente.
Podemos Nós ficar indiferentes perante estes pedidos de socorro?
Não, não podemos, mesmo desconhecendo o sentido de "preposto".

Mas eis que as Sagradas Escrituras do Blog nós socorrem:

23 abril 2017

Ainda o medo: até quando?

Após a publicação do artigo acerca do pequeno programa para limitar a recolha de dados a partir dos nossos computadores, surgiu um interessante comentário de Vapera.

Interessante também porque em linha com quanto tenho lido por parte de outros Leitores nos últimos tempos (a propósito: lamento ainda não ter resolvido o problema que me impede de poder comentar, isso está a tornar-se uma piada, mas enfim...).

Em primeiro lugar: espero que Vapera, não encare isso como um ataque pessoal, aqui estamos só para discutir e pego no seu comentário apenas por ter sido o último em ordem temporal, ok? Aliás,a proveito para agradecer a participação dele na actividade do blog.
Obrigado.

E agora?
Agora vamos a isso.

22 abril 2017

Bloquear a recolha de dados em Windows 10

Pequeno instrumento portátil, útil caso a ideia seja limitar os dados extraídos do nosso computador pela Microsoft, é ShutUp.

Que, entre as outras coisas, pode permitir recuperar um pouco de banda, pelo menos aquela parte utilizada para a transmissão dos nossos dados via internet.

Como é sabido, Microsoft recolhe informações e dados sobre o uso dos computadores, afirmando que isso melhora a experiência do usuário e que todas as informações são utilizadas exclusivamente para as pesquisas de marketing. Dado que eu estou a borrifar-me pelo marketing de Microsoft e se quero melhorar a minha experiência como usuário utilizo Linux, eis que surge um programito que permite bloquear a recolha de dados de forma automatizada.

21 abril 2017

Atentado em Paris: a "ajudinha"

Ontem atentado em França. O costume.
Um polícia morto, dois feridos.

E adivinhem? As autoridades conheciam bem o atentador (entretanto abatido).

20 - 15 = 5

O nome é Karim, 39 anos, obviamente muçulmano.
Em 2003 tinha sido condenado a 20 anos de cadeia por ter disparado contra dois polícias em Roissy-en-Brie. Depois a pena foi reduzida para 5 anos.

De 20 para 5? Tomem nota: se a ideia for quebrar a lei, considerem uma deslocação para França. Doutro lado, por qual razão não reduzir a pena ao simpático Karim, considerado que as autoridades sabiam ele ser um radical islâmico?

20 abril 2017

Neoliberalismo, a ideologia na base de todos os nossos problemas

Comprido mas interessante artigo do histórico activista George Monbiot acerca do Neoliberalismo.
Ainda mais interessante se considerarmos que acaba de ser publicado nas páginas dum dos diários mais lido no mundo, o britânico The Guardian.

Vale a pena traduzir, não é? Não?
Pena, traduzi na mesma. 

Imaginem se o povo da União Soviética nunca tivesse ouvido falar de Comunismo. A ideologia que domina as nossas vidas, para a maioria de nós não tem um nome. Citem-a nas vossas conversas e terão em resposta um encolher de ombros. Mesmo que os ouvintes já tenham ouvido esse termo, têm problemas em defini-lo. Neoliberalismo: sabe o que é isso?

19 abril 2017

Portugal: o sarampo

Neste dias, em Portugal, está ao rubro a polémica acerca das vacinas. Há um surto de sarampo e pais
indignados gritam a partir dos microfones das rádios porque outros pais recusam vacinar os seus filhos: há quem espere que a vacinação se torne obrigatória.

A maior parte das pessoas indignadas nem sabe distinguir uma aspirina dum antibiótico, mas mesmo assim repetem o que ouviram dizer: as vacinas são boas, as vacinas fazem só bem, quem contraria as vacinas é um ignorante.

Eu sou ignorante, admito não ser capaz de entender se uma vacina for boa ou má. E nem entendo entrar na estéril polémica entre quem defende todas as vacinas e quem acha serem estas instrumentos da Nova Ordem Mundial. Simplesmente, pergunto algumas coisas.

Por exemplo: é normal que nas vacinas haja estes excipientes?

16 abril 2017

Síria: o falso vídeo dos Capacetes Brancos

Após o ataque químico na Síria, foram difundidas imagens de socorristas que actuavam para salvar as
vidas de algumas crianças. Os socorristas . neste caso, eram os Capacetes Brancos, uma ONG que opera nas zonas ocupadas pelos rebeldes, contrários ao regime de Assad.

O site Veterans Today afirma que a organização Swedish Doctors for Humans Rights (SWEDHR) analisou as imagens, chegando às seguintes conclusões:
  • o vídeo mostra as medidas salva-vidas que são tomadas depois de um ataque químico com gás cloro, incluindo uma injecção de adrenalina com seringa e uma longa agulha que entra no coração da criança. De nenhuma forma são fornecidos à criança tratamentos adequados contra os danos provocados por um agente químico.
  • a gestão e o tratamento da criança foram efectuados de modo imprudente, perigoso e de forma a provocar graves danos.
  • eloquentes são as falsas e repetidas injecções de adrenalina no coração. A equipe médica nunca conseguiu empurrar o líquido da seringa no corpo. Na verdade, o conteúdo da seringa não foi injectado de todo.
  • o diagnóstico feito por médicos especialistas, com base no que é observado no vídeo, afirma que a criança se encontrava sob a influência duma injecção de opiáceos e, provavelmente, iria morrer de overdose. Não há evidência de qualquer outro agente, químico ou diferente.
  • nenhuma das crianças nos vídeos mostra sinais de ter sido vítima dum ataque químico.
Veterans Today afirma que foi a falsa injecção que matou a criança. Portanto, um homicídio intencional, encenado para fazê-lo parecer um tratamento médico após o ataque químico alegadamente sírio.

Veterans Today também afirma que a tradução das frases árabes ouvidas durante as imagens são falsas: os originais seriam instrucções dadas para que a criança pudesse ser gravada de forma melhor e não directivas médicas.

SWEDHR, uma ONG formada com a participação de professores, doutorados, médicos e investigadores universitários nas ciências médicas e nas disciplinas relacionadas com a saúde, emitiu um comunicado para retificar parcialmente quanto afirmado por Veterans Today:
Os médicos suecos para os direitos humanos nunca acusaram os Capacetes Brancos de "assassinar crianças". Nem temos acusado de tal atrocidade o pessoal mostrado no vídeo publicado pelos Capacetes Brancos. Tomámos especial cuidado em formular as nossas conclusões no sentido de excluir qualquer acusação de homicídio intencional. Esta é, em vez disso, a conclusão alcançada pelo autor do artigo da SWEDHR, Prof. Marcello Ferrada de Noli, depois que dos médicos da SWEDHR terem examinados os vídeos publicados pelos Capacetes Brancos no YouTube:
Os procedimentos salva-vidas sobre as crianças mostrados nos vídeos dos Capacetes Brancos são falsos, realizados em crianças mortas. A seringa utilizada na "injeção intracardial" realizada no bebé de sexo masculino estava vazia, ou o seu fluido nunca foi injectado na criança. Esta mesma criança mostrou, brevemente, discretos sinais de vida (incertos) no primeiro segmento de WH Vid-1 [White Helmets Video, ndt]. Se assim for, esta criança pode ter morrido durante o lapso em que as manobras "salva-vidas" mostradas no filme dos Capacetes Brancos foram realizadas (o que não é o mesmo que afirmar que o pessoal observado nos vídeos provocou a morte do bebé. Em termos forenses, a causa real da morte, bem como a modalidade e a intencionalidade, pertencem a assuntos diferentes daqueles tratados na nossa análise).
Conclusões apoiadas por uma conferência de imprensa realizada no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moscovo, publicada pela emissora RT.

Vamos observar o vídeo dos Capacetes Brancos.

ATENÇÃO
O seguinte vídeo contém imagens que podem facilmente impressionar o público sensível.
É aconselhada cautela.

14 abril 2017

A mãe de todas as estupidezes

Confesso que ao ler a notícia dos EUA terem lançado a "mãe de todas as bombas não nucleares"
sorri. É algo tipicamente norte-americano, é tipicamente trumpiano. Algo tanto espectacular quanto inútil, que denota uma total falta de entendimento da realidade. Muita Hollywood e pouco cérebro.

O lançamento da Gbu-43 tem dois aspectos fundamentais.

Em primeiro lugar lembra de que a guerra no Afeganistão nunca acabou, apesar dos proclamas. É a mais antiga guerra em acto, uma guerra que os EUA não conseguem ganhar. Antes os talibans e Al-Qaeda, agora o Isis: seja como for, Washington é desde 2001 que gasta dinheiro para controlar um território que não quer ser controlado. A União Soviética demorou 10 anos para entender que aquele País, feito duma miríade de vales escondidas, cavadas nas áridas montanhas, era algo sério. Aos Estados Unidos ainda não foram suficientes 16 anos para conseguir abandonar a ilusão de poder ganhar.

O segundo aspecto em realce é que o anuncio do lançamento foi feito pelos mesmos americanos, quase fosse um spot publicitário do Pentágono. é a confirmação de que em Washington a facção militar está a ganhar poder, cada vez mais. É um regresso à velha maneira de conduzir a política exterior, com mais botas no chão e menos trocas diplomáticas.

A Gbu-42 representa 9.5 metros de valor estratégico nulo, cujo fim é só enviar um sinal de potência para o exterior. São 8.5 toneladas de explosivo que não podem resolver conflito nenhum, servem apenas para mostrar as ideias do novo Presidente. E não parecem grandes ideias se acha que os problemas com o mundo árabe podem ser resolvidos com as mega-bombas...

No seguinte vídeo, o momento do impacto:


Pormenor que não deixa de ser irónico: a bomba serviu para destruir uma rede de tunneis construídos pelos EUA durante a ocupação soviética.


Ipse dixit.

12 abril 2017

David Rockefeller: antes tarde...

No mês passado abandonou-nos David Rockefeller.

Este grande homem, que tanto fez para si mesmo, morreu prematuramente com 101 anos de idade e lembrar agora de todos os sucessos por ele alcançados é tarefa inglória, pois de certeza que muitos ficariam fora duma eventual lista.

Mas vamos relembrar apenas alguns deles, como devido tributo a uma pessoa que pertencia a um restrito círculo de seres humanos: os que nunca deveriam ter nascidos.

O simpático David viu a luz em New York, no humilde prédio de oito andares propriedade do pai, John Davison Rockefeller Jr., por sua vez filho do fundador da Standard Oil, John Davison Rockefeller Sr.

Em 1936 conseguiu licenciar-se cum laude na Universidade de Harvard, depois frequentou a London School of Economics (onde conheceu John Fitzgerald Kennedy) e trabalhou uns tempos na local filial do banco Chase Manhattan. Mas era claro que o simpático David tinha outros objectivos na vida.

Em 1939, junto com os seus quatro irmãos (Nelson, John D. III, Laurance e Winthrop), financia um grupo ultra secreto de Estudos de Guerra & Paz junto ao Conselho de Relações Exteriores de New York, que era o mais influente think tank dos Estados Unidos, também já controlado pelos irmãos Rockefeller.

A ideia era simples: reunir especialistas de vários sectores para programar o fim da Segunda Guerra Mundial. Que nem tinha eclodido ainda. Mas o projecto era importante e merecia uns esforços: afinal na calha estava nada menos de que o Século Norteamericano.

Foram dispostas as peças: os irmãos Rockefeller doaram a terra, em Manhattan, onde foi erguido o Quartel General da ONU (no processo lucraram bilhões por causa da valorização dos terrenos adjacentes, também de propriedade dos irmãos, mas este foi sem dúvida um inesperado efeito colateral). A facção Rockefeller criou a Guerra Fria contra a União Soviética, porque é sempre preciso um bom inimigo. Criou também a Nato, para que os Países da Europa Ocidental ficassem complacentes vassalos.

O petróleo

No meio disso, obviamente não podia ser ignorado o petróleo, que tanta felicidade já tinha proporcionado à família.

Henry Kissinger, conselheiro político de David Rockefeller desde 1954, esteve envolvido em todos os maiores projectos dos irmãos: foi ele que manipulou secretamente a diplomacia no Médio Oriente para justificar o embargo sobre o petróleo árabe em 1973.

Não deve admirar: a crise do petróleo, entre 1973 e 1974, foi orquestrada por uma organização secreta criada por David Rockefeller nos anos '50, conhecida como Grupo Bilderberg. Em Maio de 1973, o simpático David e os presidentes das maiores companhias petrolíferas dos Estados Unidos e do reino Unido encontraram-se em Saltsjoebaden, na Suécia, no meeting anual do Grupo Bilderberg para planear a crise do petróleo. A culpa foi atirada por cima dos “gananciosos xeques petroleiros”. Dessa forma, o Dólar dos Estados Unidos, em queda abrupta, foi salvo e os bancos de Wall Street, entre os quais o Chase Manhattan de David Rockefeller, se tornaram os maiores do mundo.

Nos anos '70, Kissinger assim resumiu a estratégia de David Rockefeller:
Se você controla o petróleo, controla nações inteiras; se você controla a comida, controla o povo; e se você controla o dinheiro, controla o mundo inteiro.
Ah, pois: onde está o dinheiro?

O dinheiro

Do site Information Clearing House:
David Rockefeller foi presidente do Chase Manhattan Bank, o banco de família. Também foi o responsável por nomear vice-presidente do Chase Paul Volcker, o presidente da Federal Reserve sob o governo Carter que implementou a terapia de choque da "taxa de juros Volcker" que, mais uma vez, salvou o Dólar em queda e os lucros de Wall Street, incluindo, claro, o Chase, às custas da economia mundial.

A “terapia de choque” das taxas de juros de Volcker, em Outubro de 1979, apoiada por Rockefeller, criou a terceira crise mundial da dívida nos anos '80. Rockefeller e Wall Street usaram a crise dos débitos para forçar as privatizações estatais e a drástica desvalorização das moedas em Países como a Argentina, Brasil e México. Assim, Rockefeller e os seus amigos como George Soros, se apoderaram das joias da coroa desses Países a preço de saldo.

O modelo foi muito parecido com o usado pelos bancos ingleses contra o Império Otomano depois de 1881, quando eles tomaram de facto o controle das finanças do Sultão, através do controle de todas as receitas fiscais através da Dívida da Administração Pública dos otomanos. Rockefeller usou a crise da dívida de 1980 em proveito próprio para saquear os Países endividados da América Latina e da África, usando o FMI como a sua polícia financeira. Ele era amigo pessoal de alguns dos mais selvagens e sanguinários ditadores na América Latina, entre eles o General Jorge Videla na Argentina ou Pinochet no Chile, os quais conseguiram os seus empregos através de golpes arranjados pela CIA, ordenados pelo então Secretário de Estado Henry Kissinger, que estava por trás dos interesses da família Rockefeller na América Latina.

Através de organizações como a sua Comissão Trilateral, Rockefeller foi o principal arquitecto da destruição de várias economias nacionais e fez avançar a assim chamada Globalização, uma política que beneficia principalmente os grandes bancos de Wall Street, a City de Londres e um grupo selecto de corporação globais – os mesmos que são membros convidados da Comissão Trilateral. A Comissão Trilateral foi criada por Rockefeller em 1974. A seguir deu ao seu grande amigo Zbigniew Brzezinski o trabalho de escolher os membros nos Estados Unidos, Japão e Europa.

É verdade, dito assim o simpático David pode parecer até um pouco malandreco. Mas não podemos esquecer a outra face da moeda: David Rockefeller era um filantropo.

A filantropia 

David Rockefeller amava os homens. Talvez não todos, mas a maioria sim, Ou pelo menos alguns.

É por isso que em 1939 os Rockefeller já financiavam a pesquisa biológica no Instituto Kaiser Wilhelm em Berlim. Era a eugenia nazista, a tentativa de criar uma raça superior e a eliminação, com a esterilização, daqueles que são considerados “inferiores”. A eugenia nazista era financiada pelos Rockefeller, tal como pela Standard Oil, de propriedade da família, que violava alegremente as leis dos Estados Unidos e fornecia combustível aos aviões da Força Aérea Nazista durante a guerra.

Depois da Guerra, os irmãos Rockefeller trouxeram para o Ocidente alguns daqueles cientistas nazis, para que os estudos fossem continuados. Perguntem à Cia, perguntem donde saiu o Projecto MKUltra: foi a filantropia dos Rockefeller..

Nos anos '50, os Rockefeller fundaram o Conselho Populacional para a eugenia avançada, disfarçada de pesquisa populacional e controle da natalidade. Nos anos '70, eram responsáveis por um projecto secreto do governo dos EUA, dirigido por Kissinger, Assessor do Conselho Nacional de Segurança dos Rockefeller, intitulado NSSM-200: “Consequências do Crescimento da População Mundial para a Segurança dos Estados Unidos e os seus Interesses Além Mar”.

O projecto questionava o crescimento populacional em Países em desenvolvimento com matérias primas estratégica como petróleo ou minerais: o aumento da população era uma “ameaça para a segurança nacional” dos Estados Unidos, porque poderia fazer crescer a procura por essas matérias primas nos Países de origem. Ou seja: os Países nos quais ficavam os recursos poderiam ter tido o desejo de utilizar aqueles mesmos recursos. Francamente ridículo. O NSSM-200 fez dos programas de redução populacional uma condição essencial para receber a ajuda dos Estados Unidos.

Nos anos '70, a Fundação Rockefeller também financiou em conjunto com a Organização Mundial de Saúde o desenvolvimento duma vacina especial contra o tétano que limitava o crescimento populacional ao tornar as mulheres incapazes de manter uma gestação.

Fundação Rockefeller significa Monsanto, uma parceria no âmbito da manipulação genética. Objectivo: modificar o ADN das plantes e utilizar o controle genético para poder gerir a cadeia alimentar de seres humanos e animais. Hoje, mais de 90% de todas as sementes de soja que crescem nos Estados Unidos são OGM, juntamente com mais de 80% de todo o milho e o algodão.

Vamos concluir com aquela que sem dúvida  é melhor foram para lembrar o simpático David: com as palavras dele.

A primeira é uma piada:
Eu acredito que o governo é o servo do povo e não o seu dono.
A segunda é uma confissão:
Alguns até acreditam que nós (família Rockefeller) fazemos parte de uma cabala secreta que trabalha contra os melhores interesses dos Estados Unidos, caracterizando a minha família e eu como "internacionalistas", e que conspira com outras pessoas ao redor do mundo para construir uma estrutura global política e económica mais integrada. Um só mundo, se você quiser. Se essa é a acusação, eu declaro-me culpado, e estou orgulhoso disso
Titula a revista portuguesa Sábado:
David Rockefeller, um homem de bem com todos (1915-2017)
Não. Para boa sorte nem todos somos assim.


Ipse dixit.

(Agradecimento especial para a Sempre Muy Nobre Maria por ter sugerido o artigo!)

Fontes: Information Clearing House, Sabado

11 abril 2017

Da Liberdade

- Para que vieste até aqui? Tens algo para dizer? Algo que não sabemos? Duvido. Sabes, estes apelos para a liberdade deixam-me enjoado. Para que vieste aqui outra vez? Antes de ti muitos outros tinham passado. E mesmo que alguém te siga, fazemos de conta algumas centenas de pessoas...  o que achas vai acontecer ao biliões que nunca por nunca irão abandonar as cómodas vidas deles? Para quê? Em troca dos teus valores abstractos? Sabes, também eles querem ser felizes ou para ti a massa já não é feita de seres humanos?

- A liberdade é o direito de escolher.

-O quê? Que idiotice é esta? Mas consegues entender em qual altura vives tu? A liberdade hoje é poder clicar entre mil canais, descarregar porno gratuitamente ou, mais simplesmente, fazer tudo aquilo por causa do qual nada te irá acontecer. E a massa aceita isso. Tu nem entendes quanto tivemos que pagar para promover esta ideia. Mas resultou: já estão convencidos de que o homem não está livre pelo simples facto de ter nascido... nada disso: acham mesmo que tem que ganhar a sua liberdade.

10 abril 2017

Trump mobiliza 150 mil reservistas

Um sinal alarmante: o Exército dos EUA está a enviar, neste momento, cartas para 150 mil
reservistas com o aviso de mobilização.

O anúncio oficial do Ministério da Defesa será dado em breve, mas alguns reservistas já receberam a carta e as notícias começam a circular. De acordo com esses rumores, o objectivo do Pentágono seria ter à disposição a força completa dentro de um par de semanas.

Cento e cinquenta mil reservistas: para fazer o quê?
Ninguém quer atacar os EUA, portanto são soldados para serem utilizados fora do País.

Um ataque em grande estilo na Síria? Bater Damasco e a seguir Teherão? Ou a Coreia do Norte? Improvável? Nem tanto: mesmo ontem chegou a notícia segundo a qual a China colocou 150.000 tropas para proteger-se contra uma eventual situação inesperada durante os treinos militares em conjunto com a e Coreia do Norte.

Seja como for, temos de assumir que a estratégia de Donald Trump mudou. Se durante a campanha eleitoral a ideia era concentrar-se no interior dos EUA, deixando que os outros Países resolvessem os problemas com os meios deles, antes o ataque com os mísseis Tomahawk e agora a mobilização dos reservistas indicam que as coisas mudaram: esta é a estratégia neoconservadora.

Não é por acaso que Assad, o governo iraniano e o Kremlin nestes dias declararam que "o ataque dos EUA contra a base síria superou muitas linhas vermelhas" e que de agora em diante "responderão com força a qualquer agressão ".


Ipse dixit.

Fontes: Il Giornale, Donga.com

07 abril 2017

Suécia: onde é que já vimos isso?

Atendado em Estocolmo.
Pessoal, o que pode ser dito? Vamos fazer um copia/cola, pescando num dos atentados anteriores? Berlim? Nice? O esquema é sempre o mesmo: camião roubado atirado contra as pessoas. O Presidente da câmara já fala de atentado.

Nas próximas horas?
O homem é de origem medio-oriental, entre 25-40 anos, vive na Suécia há alguns meses; é conhecido pelas autoridades por pequenos crimes ou por ter ideias radicais ligadas à religião. Os pais dele não acreditam, os vizinhos dizem que era um rapaz simpático, sempre disponível.

Choque no mundo, solidariedade em Paris (onde pintam o Arco de Triunfo com os colores da Suécia, em Berlim (Porta de Brandeburgo), em Lisboa (onde pintam a estátua do Marquês de Pombal com as cores do Benfica).

Em Bruxelas a classe política exprime indignação, mas temos que ir em frente, não podemos baixar a cabeça, se mudarmos seria uma vitória dos terroristas.

As fotografias das vítimas: uma jovem estudante da universidade, um rapaz que estava prestes a casar-se, outros imigrante. Para boa sorte não há crianças, aquelas morrem só na Síria.

O terrorista afinal é encontrado mas morre numa troca de tiros com a polícia. Pena, teria sido muito interessante falar com ele.

Tudo igual, até da próxima vez.
Obviamente espero estar enganado, mas assim vão as coisas nos últimos tempos.


Ipse dixit.

Os EUA atacam a Síria: razões e reacções

Dia cheio este: os EUA atacam a Síria, os "radicais islâmicos" (aspas necessárias) atacam a Suécia.

O ataque

Partimos com Washington: nem Trump resistiu ao encanto duma boa prova de força, à velha maneira americana.

Às 20:30 hora dos EUA, 59 mísseis Tomahawk foram lançados contra a base síria donde alegadamente partiu o ataque químico de poucos dias atrás. "Alegadamente" pela simples razão que ainda estamos à espera que alguém apresente as provas de que foram as forças de Assad a lançar o ataque.

Mas estes são pormenores: nem tinha caído a última bomba com a sua carga de gás (se bomba foi) e já os meios de comunicação acusavam a Síria. Todos, sem excepções. Portanto: Assad tinha sido o responsável, duvidar não é uma opção. O bombardeio de hoje é a natural conclusão da campanha mediática montada.

Os mísseis atingiram a base de Al Shayrat, provocando mortos: três militares e dois civis segundo as autoridades sírias. A agência Sana fala de seis militares e nove civis mortos, entre os quais quatro crianças. O que é um pouco estranho: é uma base militar ou um infantário? Verdade que os mísseis bem podem ter atingidos habitações nos arredores, mesmo assim há sempre demasiadas crianças nos ataques na Síria. A propaganda funciona em todos os lados.

Na outra face do planeta, Trump estava a jantar com o Presidente chinês, Xi Jinping, perto das praias da Florida: pouco depois apareceu diante das câmaras para uma breve declaração:
Caros concidadãos, na Terça-feira o ditador sírio, Bashar al-Assad, lançou um ataque químico horrível contra civis inocentes; usando gás letal, Assad esmagou sem esperança as vidas de homens, mulheres, crianças. Foi uma morte lenta e brutal para muitos deles. Mesmo as maravilhosas crianças foram cruelmente assassinadas neste bárbaro ataque. Nenhum filho de Deus deve sofrer um tal horror.
Verdade: os filhos de Deus não gostam de morrer por causa do gás letal. Já com os mísseis Tomahawk, pelo contrário, fazem a fila.
Assim continuou a besta (ao quadrado):
Ontem à noite pedi uma ação militar focada no aeroporto na Síria donde começou o ataque químico. É de interesse vital para a segurança nacional dos EUA impedir e desencorajar a proliferação de armas químicas letais. Não há dúvida de que a Síria tem estas armas terríveis, violando os seus compromissos no âmbito da Convenção sobre Armas Químicas e ignorando o Conselho de Segurança da ONU. Há anos que tentam convencer Assad a mudar de atitude. É foi um fracasso e uma falha muito dramática. O resultado é que a crise dos refugiados continua a agravar-se e continua a desestabilizar a região e ameaça os Estados Unidos e os seus aliados. Hoje à noite chamo apelo a todas as nações civilizadas para pôr fim aos massacres e ao derramamento de sangue na Síria e pôr fim ao terrorismo de todos os tipos.
Não há muito para dizer. Melhor, haveria, mas seriam as objecções do costume: não há provas de que foi Assad a lançar o ataque químico; há dúvidas de que a Síria tenha armas terríveis (e não há dúvida de que os EUA as têm); a crise dos refugiados existe mas é também co-criada, bem explorada e encorajada por facções ocidentais (entre as quais os serviços secretos dos EUA); quem desestabiliza o Médio Oriente não é e nunca foi a Síria, etc.

Em frente.
A base síria de Al Shayrat

Vingança

Muito interessante a reacção de Alemanha e França. Estes apresentaram um comunicado em conjunto no qual afirmam que é de Assad a inteira responsabilidade do ataque de hoje. Deveras interessante porque o conceito expresso é o seguinte: tu fazes algo mau, então eu tenho o direito de fazer-te algo mau também e a culpa é só tua, não minha.

Fosse o ataque de hoje uma acção justificada com algo como "Bombardeamos uma base militar porque sabemos que aí estava a preparar-se um ataque mortal", então isso poderia ser enquadrado como uma manobra preventiva. E teria uma mínimo de fundamento ("mínimo" apenas porque antes deveria sempre serem exploradas ao máximo as outras alternativas, in primis aquela diplomática).

Nem é possível falar duma acção que pese no equilíbrio do conflito: este guerra não vai ser ganha com os gases. Portanto não estamos perante uma táctica militar que tem como objectivo a vitória final.

Aqui de prevenção ou de táctica não há vestígios: há apenas uma retaliação. Isso significa que os Estados Unidos perpetram a "vingança" com os aplausos do Ocidente todo. Assinalável. Imaginem este conceito translado para a nossa sociedade; imaginem os tribunais que a partir de agora justifiquem a vingança como acto legítimo.

O gás

E voltemos ao facto do regime de Assad ter lançado o ataque químico. Esta não passa duma hipótese,
possível quantos as outras.

Provas? Não há. Nenhuma. E seriam bem precisas para saber quem o responsável daquele horrendo massacre.

Actualmente, de certo há só as 72 vítimas confirmadas mais cerca de 300 outras pessoas infectadas.

Para entender qual a verdade seria necessária uma investigação independente no terreno: médica e técnico-militar. Em primeiro lugar, para determinar qual foi o gás (Sarin, quase certamente) e daí de volta para a fonte, dados que os componentes utilizados nestas armas constituem já por si uma espécie de impressão digital.

Em segundo lugar, seria preciso determinar se o gás chegou em Khan Sheikun com uma bomba lançada de um avião ou com uma ogiva disparada por artilharia; ou ainda se a explosão ocorreu directamente no terreno (a tese de Damasco e de Moscovo).

Que seja gás, não há dúvida. Como não há dúvida acerca do o horror do massacre. Mas o facto é que, apesar da "limpeza" realizada pela ONU em 2013, na Síria (como no Iraque) ainda há armas de todos os tipos, incluindo as fabricadas com produtos químicos. E ninguém pode excluir que estas, mesmo em pequenas quantidades, tenham acabado nas mãos dos rebeldes.

Última consideração: uma arma com produtos químicos contém sempre uma quantidade de gás de modo a produzir efeitos muito mais devastadores daqueles registados. Exemplos clássicos:
  • Síria, 21 de Agosto de 2013, em Ghouta: entre 300 e 1.500 vítimas, cerca de 3.000 pessoas intoxicadas.
  • Halabja, 16 de Março de 1988: pelo menos 5.000 mortos e milhares de feridos.
No primeiro caso, o gás utilizado foi o Sarin, no segundo gás mostarda. O que significa que todas as hipótese estão em abeto. Isso é para dizer que o número relativamente pequeno de vítimas em Khan Sheikun ainda deixa em aberto todas as possibilidades.

Para já: Al Qaeda, o Isis e a Arábia Saudita agradecem quem lançou o ataque com gás e quem começou a bombardear como forma de vingança.


Ipse dixit.

Fontes: vários diários ocidentais de hoje disponíveis na interent.

05 abril 2017

Síria: o ataque químico

Fica cada vez mais grave o resultado do ataque com gás na província síria de Idlib: o número de mortos já ultrapassou 72, incluindo 20 crianças e 17 mulheres.

De quem a responsabilidade? A seguir falaremos disso; agora vamos espreitar as reacções.

As reacções habituais

Óbvia a condenação de todos: EUA e europeus em primeiro lugar, todos contra o regime de Assad, que por sua vez nega qualquer responsabilidade. Convocada para hoje uma reunião urgente e inútil do Conselho de Segurança da ONU: objectivo é que as autoridades sírias cooperem com os especialistas internacionais, em particular para fornecer os planos de voo e todas as informações sobre as operações militares no momento do ataque.

Ninguém pede à ONU que faça algo para que os EUA forneçam os planos de voo e informação sobre as operações quando as armas forem Made in USA, e a ONU fica caladinha que nem um rato. Mas estes são pormenores.

Para o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, o massacre com armas químicas em Idlib exige uma investigação séria de responsabilidade por crimes de guerra, mas confirma que, em qualquer caso, aquele de Damasco é "um regime bárbaro e não podemos imaginar que continue a liderar o País". Não é claro o que tenha a ver uma coisa com a outra, mas o simpático Johnson é assim.

Voltando às inutilidades: sempre hoje termina em Bruxelas uma conferência internacional sobre a Síria. Os participantes (70 representantes de governos e organizações internacionais) comprometeram-se a pôr em prática a ajuda humanitária para aliviar o sofrimento do povo sírio, destroçado após seis anos de guerra. De acordo com as Nações Unidas, são precisos 8 bilhões para preparar o terreno à reconstrução. A conferência tem vários objectivos, mas nenhum deles é obrigar:
  • as Monarquias do Golfo a interromper o financiamento do Isis
  • todos os restantes Países a respeitar a soberania da Síria, incluindo o governo eleito pelos cidadãos.
Faltando isso, o que sobra é falar de esmolas para o povo sírio e nada mais.

E os culpados?

Mas afinal, quem lançou o ataque químico?
Ainda não se sabe. Mas é possível reflectir acerca do assunto.

Os gases podem ser espalhados por vários meios: aviões, granadas especiais ou, mais simplesmente, colocando sotavento os pulverizadores (técnica antiga esta, já da Primeira Guerra Mundial, mas sempre eficaz). Na coligação anti-Isis todos têm aviões: os sírios, é claro, mas também os russos, os turcos, os sauditas, os qataris e, obviamente, os ocidentais. Os rebeldes não, nada de aviões, nem para os "bons" nem para os "maus".

Mas para onde foram as armas terrestres de gaseificação desaparecidas em massa em 2011 do arsenais de Kadafi? Com alta probabilidade acabaram nas mãos dos rebeldes jihadistas que não pertencem ao Isis: sabemos com certeza que os grupos originados de Al Qaeda (Al Nusra antes, Jahbat Fatah al-Sham depois) têm, no mínimo, gás mostarda e sarin.

Então é possível voltar atrás e perguntar: cui prodest? Quem ganha com o ataque químico de ontem?
Assad e Putin visam destruir (com a participação esporádica dos EUA) todos os grupos jihadistas, agora concentrados na província de Idlib. Se o Isis perder essa área, praticamente o Estado Islâmico está acabado. As tropas russas e sírias continuam a avançar e têm a vitória no bolso: um ataque químico nesta altura, com todos os holofotes apontados para a pequena província síria, não é apenas um inútil massacre, é pura estupidez porque é óbvia a reacção internacional.

Os órgãos de comunicação social já atiraram a culpa por cima de Damasco, mesmo sem nenhuma prova: não é disso que Síria e Rússia precisam. Dito isso: Assad santo com certeza não é, pelo que tudo é possível, mas seria muito estranho se Moscovo autorizasse um ataque deste género.

Viceversa: e se alguém quisesse delegitimar a ofensiva russa-síria aos olhos do mundo, com qualquer meio? Quem pode ter interesse em fazer uma coisa destas?


Ipse dixit.

Fontes: BBC News, Global Research, Il Corriere della Sera

04 abril 2017

Afeganistão: a "conclusão responsável"

A cerimónia de hoje em Kabul representa um marco para o nosso País. Por mais de 13 anos, desde que quase 3.000 vidas inocentes foram tiradas em 11 de Setembro, a nossa nação esteve em guerra no Afeganistão. Agora, graças aos sacrifícios extraordinários dos nossos homens e mulheres em uniforme, a nossa missão de combate no Afeganistão está a acabar e a guerra mais longa na história americana está a chegar a uma conclusão responsável.


O Afeganistão em 2017
Fonte: Limes, Janeiro de 2017




Ipse dixit.

A lenta morte da Venezuela

A Venezuela vive uma condição de gravíssima crise. A oposição fala de "golpe" ou de golpe "auto-infligido" por parte do Presidente Nicolas Maduro. Os apoiantes do Presidente recusam esta interpretação e respondem que foi um acto honesto em prol do País.

Em causa estão os vereditos do Tribunal Supremo de Justicia (TSJ) que, de facto, desautorizou a Assembleia Nacional da Venezuela.

Então, qual a versão verdadeira?
Simples: ambas são verdadeiras.

Golpe e não golpe

Com os recentes vereditos nº 155 e 156, o Tribunal Supremo de Justicia (TSJ) venezuelano decidiu que a Assembleia Nacional estava "em situação de desprezo", por causa da eleição de alguns dos seus membros (os representantes do Estado da Amazonas). Portanto, retirou à Assembleia os poderes legislativos, o que significa que o Tribunal pode agora criar leis.

03 abril 2017

Atentado na Rússia: causa e efeito

Hoje atentado contra a Rússia.Novidades? Poucas, além dos 10 mortos e quase 50 feridos.

Este ataque ocorre no meio dum processo que tenta fazer eclodir uma revolução colorida: em Moscovo houve recentemente cidadãos pacíficos saírem às ruas contra a corrupção, o novo mártir Alexey Navalny foi preso e a imprensa internacional logo evocou a imagem duma ditadura. Há uma clara relação de causa e efeito.

Terrorismo interno? Da Tchetchénia, por exemplo, ou dos manifestantes "coloridos"? Um terrorismo dos cidadãos parece hipótese bem remota, que podemos excluir desde já. Sobram os independentistas e, como é óbvio, a pista islâmica. Em qualquer caso, quem fez explodir a bomba no metro de S. Petersburgo sabiam perfeitamente que contexto provocar as explosões.

Os problemas das águas: Turquia, Síria, Iraque...


Água como arma? A Sempre Muy Nobre Maria sinaliza um artigo deveras interessante, focado no que acontece quando um bem essencial for gerido com intuitos criminosos. É a revista Foreign Affairs que dedica um artigo ao assunto: Rivers of Babylon descreve os acontecimentos ao longo dos rios Tigre e Eufrates durante os últimos anos.

As barragens turcas

A Turquia construiu muitas barragens em todo o País ao longo das décadas, para produzir eletricidade, mas também para irrigação; muita da água retida era depois perdida por causa da evaporação e devido a novas plantações de espécies que exigem muita irrigação. O resultado foi que os agricultores da Síria, localizados na secção inferior dos rios, começaram a ter sérios problemas, em particular durante os três anos de seca: entre 2006 e 2009, muitos agricultores deixaram as terras secas e mudaram-se para as cidades.

02 abril 2017

Mudanças!!!

Pessoal! Grande notícia!

Qual? Esta: após sete anos, consegui embutir o blog com tanta porcaria que se tornou quase impossível implementar modificações. Exemplo: nem pensar instalar Disqus, uma coisinha bem jeitosa para os comentários.

O template (a matriz, tanto para ser simples) do blog está tão estragado que Blogger recusa fazer o restauro duma cópia de segurança antes feita por mim. O que é muito triste: é a máquina que se rebela ao dono (eu).

Pelo que, após consultação com Leonardo (a mente do blog), decidimos mudar tudo. Tudo!!!
Bom, tudo mesmo não. Vai tratar-se duma renovação estilística em ocasião da qual será eliminado todo o lixo acumulado nestes anos todos.

Obviamente comentários e imagens serão conservados. Pelo menos espero, porque se perco isso fico danado. E Leo também.

Portanto, não próximos dias o blog pode sofrer alterações drásticas, repentinas, violentas e inesperadas. Não se preocupem! A gerência está a trabalhar para vocês.

Obrigado pela paciência. Que Deus ilumine as Vossas estradas especialmente à noite para não serem atropelados por uma ambulância em serviço de emergência.


Ipse muda tudo!

31 março 2017

EUA & Reino Unido: espionagem recíproco

GCHQ, espionagem do Reino Unido
Muito se fala nestas últimos anos de espionagem ao mais altos níveis. Numa comunicação pública, o Government Communications Headquarters (GCHQ, a agência governamental inglesa que trata da inteligência) pronunciava-se acerca da acusação feita por uma antigo juiz dos EUA, segundo o qual o GCHQ teria espiado o Presidente Donald Trump por conta da Administração de Barak Obama, em 2016:
As acusações mediáticas do juiz Andrew Napolitano contra o GCHQ, que teria espiado o então Presidente eleito não fazem sentido. São absolutamente ridículas e devem ser ignoradas.
O que é ridícula é a resposta do GCHQ, por três razões.
  • Os serviços secretos existem para praticar também a obra de espionagem. Um serviço secreto sem espionagem poderia limitar-se a ler os diários e pouco mais. E o GCHQ trata mesmo disso: espionagem.
  • Dados históricos demonstram como a prática da espiar os aliados e os relativos cidadãos é prática comum.
  • Existem muitas leis nacionais que impedem que um serviço secreto possa espiar os seus concidadãos: recorrer aos serviços dum outro País é um truque que permite "evitar" tais leis.

30 março 2017

Aviso

Aviso: não é que o bom Max não comenta por falta de vontade. É que não consegue mesmo.

Há um problema técnico, ainda não identificado, que não permite de iniciar a sessão no Blogger antes o depois de escrever um comentário: este, portanto, não é publicado.

A gerência está a trabalhar para resolver o problema e pede desculpa pelo incómodo. 😕


Ipse problema!

Síria: em vista a batalha decisiva

Apesar da cobertura mediática, não é em Aleppo, não é em Raqqah: será no distrito de Idlib a ofensiva decisiva para a guerra.

Um confronto que, no entanto, promete polarizar ainda mais as relações entre Turquia, Estados Unidos e Rússia, com o aumento do apoio destes últimos dois para os curdos sírios das Forças de Defesa Popular (YPG) e os curdo das Forças Democráticas da Síria (SDF).

Idlib (em árabe: ادلب) é uma cidade no Noroeste da Síria, capital do homónimo distrito, 59 km ao Sul de Aleppo, com uma população total de 165.000 habitantes (dados de 2010). Principal centro agrícola da Síria, é maioritariamente muçulmana embora haja uma significativa minoria cristã.

Já agora em Idlib há pouco para rir: é aí que os grupos de Al-Qaeda, sob a égide da Hay'at Tahrir al-Sham ("Organização para a Libertação do Levante", na qual confluiu Al-Nusra), tinham-se mudado com armas e famílias durante a última ofensiva russo-síria em Aleppo.

29 março 2017

A guerra no Yemen

Os media continuam a ignorar aquela que é uma guerra sangrenta. A foto acima (e o vídeo no fundo do artigo) mostra o protesto do dia 26 de Março deste anos em Sanaa, a capital do Yemen: cerca de 1 milhão de pessoas contra a guerra que Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos estão a travar no País há dois anos.

New York Times, Washington Post, para não falar dos diários europeus, em silêncio. Grande realce no caso das 8.000 pessoas que desfilaram em Moscovo, lideradas pelo racista e ultra-nacionalista Navalny. Mas do milhão de pessoas no Yemen nada.

28 março 2017

Navalny, o mártir

Alexey Navalny
Fala-se muito nestas horas da violência das autoridades da Rússia contra os pobres manifestantes das ruas.

Em particular, espanto por causa do tratamento reservado ao líder das manifestações, Alexey Navalny, promovido no campo qual mártir da democracia.

Tanto para repor as coisas na justa óptica, vamos lembrar quem é o simpático Navalny.

Formado na universidade norte-americana de Yale, foi escolhido qual membro do Greenberg Fellows Program World, um programa criado em 2002 para o qual são selecionados a cada ano em todo o mundo apenas 16 pessoas com características que podem fazer delas "líderes globais".

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