23 março 2017

O dinheiro russo dos Clinton

Trump e os russos. Trump foi ajudado pelos russos. Hackers russos manipularam a campanha eleitoral para favorecer Trump. Etc, etc.

E uma olhadinha acerca do outro lado, no clã da simpática Hillary?

John Podesta, por exemplo, o presidente da campanha eleitoral de Hillary Clinton e ex. conselheiro especial do simpático Obama. Na altura, alguns e-mails segredos do braço direito da ex-primeira dama foram divulgados pelo WikiLeaks, causando a resposta indignada democratas que acusaram do trabalho os hackers russos ao serviço do Kremlin. O que nem todos sabem é que John tem um irmão, Tony Podesta, que trabalhou como consultor no gabinete da Sberbank sediada em Nova York.

O que é a Sberbank? É "apenas" o maior banco da Rússia, número 33 na top 1.000 bancos do mundo. O Podesta Group, do qual Tony é o dono, trabalha com o banco que controla 30% de todos os assets russos.

Bom, podemos pensar num relacionamento apenas técnico, nada mais. Mas não, o cargo de Podesta foi (e ainda é através do Podesta Group), político: fazer lobby em Washington para facilitar a remoção das sanções sobre a Rússia. Em particular, Podesta recebeu 170.000 Dólares pelos seus esforços durante um período de seis meses no ano passado.

Só isso? Não.
Bill e Hillary Clinton apoiaram o canadense Frank Giustra e sua empresa, a Uranium One, para a aquisição das concessões de mineração de urânio no Cazaquistão e nos Estados Unidos. Posteriormente, o governo russo tentou comprar Uranium One mas era necessária aprovação da administração Obama, dada a importância estratégica do urânio. No período antes da aprovação da operação pelo Departamento de Estado, nove accionistas da Uranium One pagaram 145 milhões de Dólares para a Fundação Clinton.

Além disso, o New Yorker confirmou que Bill Clinton recebeu, no mesmo período, 500.000 Dólares dadas as ligações com um banco de investimento russo, com laços no Kremlin, que estava promovendo as acções da Uranium One. Escusado será dizer que o Departamento de Estado aprovou o acordo que concedeu à Rússia 20% da capacidade de produção do urânio norte-americano.

Interessante realçar como as doações de Uranium One aconteceram enquanto a simpática Hillary era Secretária de Estado, isso é, apesar do acordo de transparência que assinou quando assumiu o cargo e que prevê que as contribuições deveriam ser tornadas públicas.

The New York Times (que é 100% democrata!) realizou no ano passado uma cuidadosa investigação acerca do "Uraniumgate", recolhendo uma assinalável mole de dados, advertindo que a história:
sublinha as questões éticas suscitadas pela Fundação Clinton, chefiados por um ex-presidente que contou fortemente de dinheiro estrangeiro para acumular uma fortuna de 250 milhões de Dólares, enquanto a sua esposa ajudou a orientar a política externa americana no papel de Secretário de Estado, tomando decisões que poderiam resultar em benefícios para os doadores da fundação.

Alguém na Rússia decidiu ajudar Trump? Ou alguém na Rússia decidiu ajudar Hillary fingindo de ajudar Trump? Ou ambas as coisas?


Ipse dixit.

Fontes: Il Messaggero, Il Primato Nazionale, Nexus Edizioni, The Observer, The Washington Times 

5 comentários:

  1. Inútil imaginar que estas criaturas que governam o mundo e têm visibilidade (as principais não tem) tenham qualquer resquício de posição, ponto de vista ou assemelhados. Isso é para as pessoas comuns como nós. Existe apenas interesses e cumplicidades fortuitas, móveis, relativas, como um jogo. Isso a gente sabe, e eu, por vida vivida, intuição, qualquer coisa...O bom é que o Max vai preeenchendo com dados bem interessantes e que eu, pelo menos, não encontro em qualquer esquina. Por isso agradeço.

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  2. Anónimo23.3.17

    Um jogador a sério aposta nos cavalos todos, assim, tem sempre o cavalo vencedor debaixo de olho.
    Esta história dos finaciamentos politicos deve ser um rol de tal modo intrincado que ninguém sairá impune do novelo.
    O resto que se ouve nos media, é conversa para boi dormir.

    Abraço
    Krowler

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  3. Anónimo24.3.17

    Se olharmos exclusivamente para o lucro obtido com a paranóia bélica, de fato, a primeira vista, uma vitória de Hilária traria um grande benefício para ambos os lados interessados.

    Faz tempo numa discussão num artigo de blog, um comentarista surgiu com algo que pra mim parecia um devaneio: Putin emprestava apoio à Trump, para que uma possível repulsa do povo norteamericano à este, pusesse Hilária no salão oval. Na época achei uma mirabolice, embora nunca tenha saído de minha mente. Contra argumentei que se assim fosse, deveriam ter cuidado com a dosagem de toda coisa, já que a divulgação dos e-mails estavam na moda. Se de fato o comentarista tinha razão, como parece atestar o artigo de Max, então, de fato, foi dado um tiro no pé. Sendo que até aqui a coisa da guerra anda meio arrefecida e o mais curioso contra tal argumentação: onde entram as sanções contra a economia russa? Em benefício da indústria bélica, valeu a pena sacrificar todos os demais setores da economia russa? Sanções que foram criadas pelo governo Obama e sempre apoiadas por Hilária, como sabemos.

    Expedito.

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  4. Anónimo24.3.17

    A repulsa que me referi no comentário acima, era em relação ao próprio Putin e não a Trump, como ficou parecendo.

    Expedito.

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  5. Chaplin24.3.17

    Rússia, Hong Kong...são exemplos de núcleos "duros" sionistas na Ásia. Informem-se sobre a Rússia sob os 7 banqueiros... piada!!

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