30 março 2017

Síria: em vista a batalha decisiva

Apesar da cobertura mediática, não é em Aleppo, não é em Raqqah: será no distrito de Idlib a ofensiva decisiva para a guerra.

Um confronto que, no entanto, promete polarizar ainda mais as relações entre Turquia, Estados Unidos e Rússia, com o aumento do apoio destes últimos dois para os curdos sírios das Forças de Defesa Popular (YPG) e os curdo das Forças Democráticas da Síria (SDF).

Idlib (em árabe: ادلب) é uma cidade no Noroeste da Síria, capital do homónimo distrito, 59 km ao Sul de Aleppo, com uma população total de 165.000 habitantes (dados de 2010). Principal centro agrícola da Síria, é maioritariamente muçulmana embora haja uma significativa minoria cristã.

Já agora em Idlib há pouco para rir: é aí que os grupos de Al-Qaeda, sob a égide da Hay'at Tahrir al-Sham ("Organização para a Libertação do Levante", na qual confluiu Al-Nusra), tinham-se mudado com armas e famílias durante a última ofensiva russo-síria em Aleppo.
Rússia e Turquia têm ideias diferentes sobre o que fazer com esses grupos: Moscovo promove o desmantelamento, enquanto Ankara gostaria incorporá-los no Free Syrian Army para combater contra os curdos e evitar a criação dum território autónomo, sempre curdo, na fronteira com a Turquia.

Nos últimos dias, Rússia e Estados Unidos têm intensificando as suas ligações com o YPG e SDF. De acordo com o analista turco, estão em curso conversações entre russos e curdos da Síria sobre uma possível coordenação na ofensiva em Idlib.
fonte: Institute for Study of War, Reuters


As partes provavelmente encontraram-se em Hmeimim, perto de Latakia, para discutir as operações conjuntas sobre a cidade no Norte da Síria que, de facto, tornou-se o centro de operações de al-Qaeda. Da reunião surgiu a vontade de estabelecer uma base russa na cidade de Afrin, capital do homónimo distrito, no Curdistão sírio.

Os curdos, no entanto, rejeitam a ideia de posicionar tropas do regime sírio (aliadas dos russos) no seu território, tal como recusaram a presença de forças iraquianas, sugerida pelos EUA. Ou seja: os curdos bem sabem que alguns destes hospedes "temporários" poderiam depois tornar-se "permanentes" e querem desde já evitar problemas. Sem contar que uma ofensiva com uma decisiva ajuda curda, sem outras interferências, possibilitaria o poder sentar-se à mesa das negociações com bem outro peso específico, em vista dum eventual reconhecimento internacional da nação curda).

O maior problema, todavia, é o destino das centenas de milhares de civis sírios que vivem em Idlib, que não podem encontrar outro abrigo, como a cidade e os seus subúrbios já alvo de ataques, também aéreos. Poderia concretizar-se um cenário tristemente já visto em Aleppo.


Ipse dixit.

Fonte: Analisi Difesa

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