26 março 2017

Síria: o massacre de civis continua

Há poucos dias o blog publicou a notícia segundo a qual um ataque aéreo dos EUA tinha atingido uma escola em Mosul, no Iraque, utilizada como refugio por pessoas deslocadas. O total das vítimas teria sido de 33 mortos.

Mas a guerra continua e chegam notícias novas, com os testemunhos dos habitantes locais e das imagens. O resultado é que agora, tal como relata Pepe Escobar, o total das vítimas é quatro vezes superiores: talvez possa chegar a 150. Segundo o New York Times os mortos dos ataques podem ser 200 e em alguns diários do Médio Oriente fala-se de 500 vítimas.


O Pentágono afirma num comunicado de imprensa que os bombardeios tiveram como motivação um pedido do governo iraquiano. O exército americano abriu uma investigação.

O Comandante das Operações Conjuntas, Yahya Rasoul, confirmou no Sábado que ainda não sabe qual foi o resultado do massacre em Mosul: Rasoul explicou que as informações disponíveis indicam que o Isis trouxe grandes bombas de rodas colocadas nas estreitas ruas da cidade. Em alternativa, os mortos podem ter sido provocados pelos carros-bomba dentro dos becos de Mosul para depois acusar as forças de segurança de matar civis inocentes. 

O diário The Baghdad Post (Iraque) afirma que a responsabilidade do ataque é do Irão: "fontes" (obviamente não especificadas) teriam revelado que agentes secretos de Teheran forneceram informações falsas ao Comando da coligação anti-Isis.

Não satisfeito, o mesmo diário publica um vídeo no qual é afirmado que a culpa do ataque é sim dos iranianos mas estes teriam entregue ao Isis mísseis com os quais "atingir as forças da coligação a partir dos telhados" depois que a mesma Isis "tinha preso as famílias no interior daquelas casas". 

Eis o vídeo:


Portanto: sabemos que houve uma pesada acção de bombardeios aéreos por parte das forças ocidentais contra prédio civis em Mosul, mas os mortos podem ter sido provocados:

  1. por bombas com rodas do Isis
  2. por carros-bomba do Isis
  3. por informações falsas fornecidas por agentes do Irão
  4. por mísseis iranianos fornecidos ao Isis e disparados contra a coligação.
Única certeza: a responsabilidade última não e das forças lideradas pelos EUA.
Não há palavras.

Nenhuma investigação, entretanto, no caso de Al Jinah, perto de Aleppo, onde os aviões americanos mataram 49 civis. O total dos mortos tem que alcançar os três dígitos antes de despertar indignação, caso contrário são normais "danos colaterais".

Voltando para Mosul, os moradores começaram no Sábado a enterrar familiares mortos pelos ataques aéreos. Bashar Abdullah já enterrou 13 membros da sua família e diz que não conseguiu ainda retirar dos escombros os corpos de outros familiares:
Como é que eles puderam usar tanta artilharia pesada em zonas civis? Antes da batalha de Mossul ocidental ter começado, as forças iraquianas e americanas garantiram que seria uma batalha fácil, foi por isso que as pessoas não deixaram as suas casas, acreditaram que estariam seguros. Não imaginavam que iriam ser bombardeados. Isto não foi nenhuma libertação, foi um massacre
E foi. Um dos muitos. 


Ipse dixit.

Fontes: Pepe Escobar Facebook, The New Arab, The New York Times, Today Arab, The Baghdad Post (1, 2 e 3), Euronews.

3 comentários:

  1. E aí os sobreviventes saem dos buracos de escombros e vão embora...se deslocam. Foi assim...continua sendo assim. Faz tempo que essa tática de deixar morrer está em prática.
    Conheço alguém que sobreviveu ao massacre de Dresden, que carbonizou 25.000 pessoas e consumiu 12.000 prédios durante 3 dias ininterruptos de "libertação" da cidade, que não era alvo bélico, realizado pela força aérea dos EUA e Grã Bretanha. Quem não morreu, Des-lo-cou-se, ou seja, errou sem nada e sem direção a procura de água, comida, abrigo. Para dentro e para fora do país. Para dentro e para fora são expressões curiosas porque nessas ocasiões, como nos terremotos, a geografia fica indecisa sobre as suas fronteiras.
    Ontem, assisti um filme: "Às cinco horas da tarde" da cineasta Samira Makhmalbaf. Afeganistão hoje, la même chose, Cabul, kandahar e dezenas de vilas destruídas pelos russos, americanos do norte, talibãns, que importa quem...Centenas, milhares de pessoas sem nada,afegãos, paquistaneses, jordanianos errando ao léu de canto em canto a procura de água, comida, abrigo. Por dentro e para fora do país (ainda existe país?), Des-lo-can-do-se.
    Síria ( e muito mais lugares) hoje: os sobreviventes em des-lo-ca-men-to. Para onde?

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