11 janeiro 2017

Trump: não é revolução

No próximo dia 20 de Janeiro Donald Trump será formalmente nomeado Presidente dos Estados Unidos. A boa notícia é que Hillary Clinton desapareceu. Então, qual a má notícia?

Na verdade não há: o simpático Obama tenta deixar novos problemas como herança para o próximo inquilino da Casa Branca (não fossem suficientes os que já provocou até hoje), mas isso era esperado sendo ele o máximo representante do politically correct democrata.

E Trump? Será verdadeira revolução? A resposta pode ser só uma: não.
Donald Trump não é contra o sistema: Donald Trump é o sistema, portanto nada de ilusões. A sua vitória quebrou o arrepiante emaranhado entre Washingotn e a lobby que reúne boa parte das multinacionais; travou o projecto globalizador que com a Clinton teria ganho nova linfa. Não é pouco, aliás, já por isso merece ser agradecido: mas não podemos cultivar falsas esperanças, porque Trump nasceu e prosperou no sistema USA e não será ele a destrui-lo. 

As suas primeiras escolhas são bastante claras neste sentido. Trump nomeou como chefe do Conselho dos Assessores Económicos um jornalista, Larry Kudlow. Tanto para ter uma ideia, Kudlow escrevia em 2007, poucos meses antes da crise dos subprimes:
O debate sobre a recessão acabou, não vai acontecer, é hora de seguir em frente. [...] O boom de Bush está vivo e em saúde. Está terminando o seu sexto esplêndido ano com muitos mais anos pela frente.
Larry Kudlow
Não satisfeito, em Agosto de Maio de 2011 escrevia uma artigo nas páginas da CNBC com o título esclarecedor "Não há recessão" e no texto acrescentava:
Não acredito que estamos a entrar numa recessão.
Ok, ninguém é perfeito... mas admitir a evidência já não seria mal. Ah: Kudlow é de família judia, se é que interessa. Continuemos.

O novo Secretário do Tesouro será Steve Mnuchin, 17 anos de Goldman Sachs. Mnuchin é acusado de ter especulado sobre a crise financeira, adquirindo em 2009 por poucos cêntimos IndyMac, pequeno banco da Califórnia especializado em empréstimos hipotecários: tudo isso com graves perdas por parte dos pequenos investidores.

A intenção de Mnuchin é explícita: atirar para a sucata algumas das regras promulgadas após a crise de 2007-2008. Pelo que podemos esperar uma boa dose de desregulamentação (ou deregulation, como costumam dizer nos EUA). Ah, ia esquecendo: Mnuchin é judeu.

Gary Cohn
Em frente.
Top adviser (principal conselheiro) de Trump será Gary Cohn, ex-presidente e CEO de Goldman Sachs, nomeando director do Conselho Económico Nacional. Dizia dele Greg Smith, após ter abandonado o cargo na direcção do banco: 
Quando os livros de história serão reescritos mostrarão como Goldman deixou cair a cultura empresarial enquanto eles (Greg Smith e Lloyd Blankfein) seguravam as rédeas do grupo. Um declínio de espessura moral na empresa no longo prazo representa uma ameaça muito séria para a sua sobrevivência.
Portanto, nada de limpar a "lixo" no mundo da Finança: o lixo continuará a administrar a política financeira nos próximos anos também.

O que falta? Ah, sim: Cohn é judeu, olhem o acaso. Pelo que: boa parte das escolhas financeiras e económicas da Administração Trump ficarão nas mãos de judeus. Dito assim, só como curiosidade.

O resto da equipa escolhida por Trump apresenta nomes que de "revolucionário" têm pouco. Tal como o futuro Presidente, são indivíduos que, na maior parte, conseguiram o sucesso a partir do interior do sistema, não do exterior. É o caso de Wilbur Ross, o bilionário Secretário de Comércio; de Rex Tillerson, CEO da Exxon Mobil e próximo Secretário de Estado; do empreendedor Andrew Puzder, futuro Secretário do Trabalho.

Todavia há algo que tem de ser realçado: contrariamente ao que aconteceu com as recentes Administrações democratas, aqui não há ninguém ligado a think tank de renome, grupos de poder externos às instituições onde costuma ser feita política ao mais alto nível (e longe dos olhares dos eleitores); pensamos no Council of Foreing Relations, pensamos ao círculo de Zbigniew Brzezinski.

Aliás, neste aspecto é importante observar como toda a doutrina geopolítica seguida nas últimas décadas (a ocupação da Eurásia), com Trump fica para o lixo.

O que não é nada mal se pensarmos aos "sucessos" do simpático Obama: Líbia, Síria, Iraque, Yemen,
Somália são as guerras que o Prémio Nobel da Paz travou. E neste preciso momento está a enviar para as fronteiras russas 3.500 tanques e 5.000 forças especiais, isto é, esquadrões da morte, só para reiterar o seu "abandono das guerras". Nem podemos esquecer as ingerências dos EUA nas Honduras, Paraguai, Brasil e Ucrânia.

Queremos falar de Putin déspota homofóbico, do napalm em Gaza contra o terrorismo, da União Europeia para a democracia e o bem-estar das massas, do Brexit catástrofe, da segurança NATO, do bom papa, do Dalai Lama divinas, da riqueza do TTIP, de Al-Qaeda, do Isis? A pouco servem Madonna e George Clooney, este é o muro de mentiras que a "Nova Esquerda" democrata construiu contra a realidade da verdade.

Com Trump não será revolução porque os EUA são sempre os EUA: um sistema que nasceu e prosperou seguindo a face mais escura e mórbida do liberalismo. Nada de revolução, mas um bom golpe de esponja já nem seria mal.

Tudo isso antes da Grande Depressão: os únicos dois Presidentes-empreendedores na história dos EUA foram Harding e Hoover, mesmo antes da queda e Wall Street. A História nunca se repete de forma idêntica: mas costuma rimar.


Ipse dixit.

Fontes: National Review, CNBC, The New York Times, The Economist, The Independent, Russian Today

06 janeiro 2017

A riqueza do mundo

O banco Credit Suisse publicou o relatório anual acerca da distribuição da riqueza no planeta. E não,
não há boas notícias.

Na pirâmide da distribuição, o 1% da população detém 51% da riqueza do mundo; o 10% detém 89%, enquanto o resto do planeta possui apenas 1% do total da riqueza planetária.

Assumindo que não intervenha nenhuma mudança, espera-se que nos próximos cinco anos irão aparecer outros 945 bilionários, elevando o total destes super-ricos para quase 3.000 pessoas: mais de 300 novos milionários na América do Norte com a China que alcançará o total de 420 super-ricos.

Credit Suisse estima que a riqueza global total seja agora de 334 trilhões de Dólares, cerca de quatro vezes o PIB anual do mundo. Após o final do século, houve no início um rápido aumento da riqueza global, em particular no caso da China, da Índia e de outras economias emergentes, responsáveis por 25% do crescimento da riqueza; a riqueza global diminuiu em 2008 e apresentou uma recuperação bastante lenta, com uma taxa significativamente mais baixa quando comparada com o período pré-crise financeira.


 Mudanças anuais na riqueza global nos anos 2000 - 2016
Na verdade, a riqueza tem vindo a diminuir em todas as regiões desde 2010, expecto na América do Norte, na Ásia e na China. Tendo como base a população composta apenas por adultos, o adulto médio tem ficado mais pobre neste período.

Nos últimos 12 meses, a riqueza global cresceu apenas 1,4%, limitando-se a manter o ritmo com o crescimento da população. Como resultado, em 2016 a população mundial não se tornou mais próspera, enquanto a desigualdade cresceu.

Na pirâmide da distribuição da riqueza, como afirmado, 1% dos adultos possui 51% da riqueza do mundo inteiro, enquanto a metade inferior da pirâmide representa os indivíduos que possuem apenas 1%. E 10% da população adulta possui 89% de toda a riqueza do planeta.

A principal razão para essa enorme desigualdade é que há muitas pessoas pobres no mundo. E isso apesar de não ser tão difícil pertencer ao grupo da população mais rica: uma vez que as dívidas forem subtraídas, uma pessoa só precisa de 3.650 Dólares para ficar na faixa dos "mais ricos". No entanto, são precisos cerca de 77.000 Dólares para ser membros daquele 10% dos detentores da riqueza global e 798.000 Dólares para fazer parte daquele 1% que constitui o topo da pirâmide.

A pesquisa mostra que 3.5 bilhões de pessoas (73% de todos os adultos do mundo) têm uma riqueza abaixo de 10.000 Dólares em 2016. Isso enquanto 900 milhões de adultos (19% da população mundial) ficam na faixa de 10.000-100.000 Dólares.

Níveis de riqueza em 2016
Os pobres estão concentrados na Índia, na África e nos Países asiáticos. Mas há também um número significativo de pobres (até para os padrões globais) na América do Norte e na Europa, com 9% dos norte-americanos, a maioria parte com património líquido negativo, na parte inferior da pirâmide e com 34% dos europeus sempre na metade inferior. Essas pessoas não só não têm riqueza, mas têm dívidas.

Na Índia as coisas não estão melhor: tem apenas 3,1% das pessoas na "classe média" global (a faixa entre 10.000 e 100.000 Dólares), e esta percentagem manteve-se inalterada ao longo do último ano. Pelo contrário, a China tem 33% da população na tal "classe média" global, dez vezes a Índia, e esta proporção dobrou desde 2000. Isso mostra a expansão económica sem precedentes da China, que retirou centenas de milhões de pessoas da pobreza, embora a desigualdade seja de facto aumentada.




Número de milionários segundo o País
(% do total mundial)
Voltando aos dados globais, o número de milionários, que caiu em 2008, mostrou uma rápida recuperação após a crise financeira e agora é mais do que o dobro quando comparada com o ano de 2000. Hoje há 32,9 milhões de milionários globais, ou seja de adultos com mais de 1 milhão de Dólares em propriedades ou poupança líquida. Mas existem apenas 140.000 pessoas em todo o mundo que têm mais de 50 milhões de Dólares. E só 3.000 (escassos) bilionários. São estes últimos que possuem o mundo.


Ipse dixit

Fonte: Credit Suisse

05 janeiro 2017

A origem do Isis

Cada vez que houver um atentado, os diários ocidentais difundem logo a teoria do ataque islâmico, as vezes mesmo antes da polícia fazer qualquer declaração ou bloquear um suspeito.

Foi o caso de Berlim, onde houve 12 mortos no mercado de Natal; foi o mesmo em Nice, onde outro camião atirou-se na terrorista promenade matando 86 pessoas; é assim também no caso do mais recente ataque numa discoteca na Turquia.

Obviamente, se cair um avião russo no Mar Negro a causa é um erro do piloto. Mas este é outro discurso.

No dia 20 de Dezembro, o The Washington Post titula: "Ataque de caminhão pode ser parte da estratégia Isis para afiar divisão entre muçulmanos e outros". Pelo que, nem tinham passado 24 horas do massacre e o diário Washington Post já identificava mandantes e estratégia. Apesar da falta de provas.

Retomando o caminho...

...e vamos começar outra vez.

O blog esteve parado ao longo de largos meses, coisa da qual lamento sobremaneira. Infelizmente todos os esforços foram inúteis, mas é tempo de retomar o percurso porque é assim que as coisas funcionam.

Mais uma vez: peço desculpa por esta interrupção, acreditem que muito teria preferido continuar tal como antes, sem pausas forçadas. Queria também agradecer todas as mensagens de apoio que recebi, aqui no blog ou por outros canais: obrigado, sinceramente obrigado.

E já que se fala em blog: acho ter resolvido o problema da ré-direcção das páginas. Era o widget do Twitter, que deixou de ser suportado pela empresa e, evidentemente, ficou "bravo", provocando o citado problema. Obviamente foi removido e será substituído por outro.

Ok, é tudo: vamos começar?


Ipse dixit.

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