10 janeiro 2018

The American Dream: morrer no berço

Na edição de Janeiro de Health Affairs (definido pelo Washington Post como "a Bíblia da política da saúde") é publicado um estudo de Ashish Thakrar (com co-autores do mesmo Health Affairs) segundo o qual os Estados Unidos têm, em termos de saúde infantil, os piores resultados se comparados aos outros Países industrializados que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico).

Os autores do estudo compararam as taxas de mortalidade infantil dos Estados Unidos e de os outros dezanove Países da OCDE durante o período 1961-2010.

Analisando os dados para jovens até 19 anos, os autores descobriram que a mortalidade infantil diminuiu progressivamente em todos os Países da OCDE, enquanto as crianças dos EUA experimentaram um risco aumentado de morte de +76%; e os jovens entre 1 e 19 anos registam um aumento de +57% de morrer antes da idade adulta.


Segundo os autores, as condições de higiene pré-natal e as lesões são as principais causas da altas taxas de mortalidade no País.

Assim, na primeira década do século 21, os Estados Unidos foram, de acordo com o estudo, o País com o maior risco de mortalidade infantil no primeiro ano de vida em toda a OCDE.
Conclui o estudo:
A alta taxa de pobreza persistente, os pobres resultados educacionais e uma rede de segurança social relativamente fraca fizeram dos Estados Unidos o País mais perigoso entre as Nações ricas onde uma criança pode nascer.

Numa nota, o pesquisador Ashish Thakrar, um dos autores do relatório, frisou como desde a década de 1980, os dados sobre a mortalidade infantil nos Estados Unidos sempre foram os mais elevados entre os Países do mundo desenvolvido.


Ipse dixit.

Fonte: Health Affairs

3 comentários:

  1. Curiosamente ou ideologicamente, o modelo americano de saúde, tendencialmente privado suportado através de seguros de saúde, tem vindo a ganhar força nos países da OCDE.
    Eu sou de opinião que o sistema de saúde deveria ser totalmente público.
    Eu sei que existe aquela conversa da investigação e tal, mas o Chomsky tem uma boa resposta para isso.

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  2. Um sistema de saúde privado é coisa alucinada. A saúde é um dos poucos direitos do Homem que não podem ser alienados e nem negociados: tem que ser providenciada a todos, de forma indiferente, sejam ricos ou pobres. "Privatizar" a saúde significa lucrar com o sofrimento, o desespero, a vida dos indivíduos: inaceitável.

    Os sistemas de previdência ocidentais estão em maus lenços e não desde hoje. As razões são múltiplas: uma projetação que sofreu em demasiadas utopias de Esquerda, a incapacidade de programar uma adequada resposta perante o forte envelhecimento da população, excessos de burocracia entre outros.

    Mas qual a alternativa? Ter de escolher qual entre os dois dedos cortados pode ser recolocado na mão porque o seguro privado só paga isso? Ou ter de ser recusado nas Urgências porque sem cartão?

    Quando uma Urgência recusa um doente por este ser sem cartão, faz uma escolha clara: o lucro em vez do valor da vida humana.

    Infelizmente, acho que quando a sociedade chega até este ponto já não há muito para fazer, porque é óbvio que determinados valores (como o Valor Supremo da Vida) foram substituídos por carteiras.

    Mais vale esperar pelo Grande Reset, pois uma sociedade tão desumanizada não pode ter uma grande esperança de vida.

    Grande Abraçooooooo!!!!

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  3. Privatizar os meios essenciais de sobrevivência alimentar como a água, por exemplo; privatizar a saúde desde ao direito à qualidade do ar, a profilaxia do ambiente e doenças e quaisquer outras formas de manutenção da saúde, como os remédios, por exemplo; privatizar as formas de educação e cultura e as formas de deslocamento e transporte são, por si só crimes contra a humanidade, realizados em maior ou menor intensidade e frequência aqui ou ali. Os povos indígenas sabem disso muito bem, nós os civilizados, não.
    Que tal uma sujeita que pensa assim como eu, assistir impotente a ocorrência de filas quilométricas, assistir as brigas a socos entre homens e mulheres de cidades diversas que disputam o direito "ao lugar na fila" para garantir a possibilidade de tomar uma vacina contra a febre amarela num Estado da federação brasileira sem índices de febre amarela, lutar corpo a corpo por uma vacina de qualidade e alcance duvidosos, enquanto basta olhar o tamanho das barrigas das "lutadoras", a obesidade generalizada, as varizes dominando as pernas de homens e mulheres, os acompanhantes portadores de deficiências físicas e mentais, as crianças com diarréia e mamadeiras de coca-cola, para saber que a saúde pública destes lugares, ou seja o SUS, ou sistema único de saúde no Brasil não ocupa seu tempo e recursos humanos para o que interessa. E olhe que falo da santa e bela Catarina, o Estado mais rico do país, e com a melhor distribuição de renda, cujo sucesso depende diretamente do Programa de Tolerância Zero, pelo qual migrante pobre é mandado de volta ao lugar de origem assim que chegue com a trouxa às costas ou desembarque nas rodoviárias locais. Essa visão dantesca da fila de humanos pobres doentes e ignorantes é genuinamente produto local, aqui nascido, desenvolvido e involuído.
    Considerando o comentário do Max, nossa sociedade não tem uma grande esperança de vida. Concordo...mas não é o que diz as estatísticas oficiais (como se nelas acreditássemos)

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