13 fevereiro 2018

A inteligência em queda (culpas dos velhos!)

O Leitor tem a impressão de que as pessoas ao seu redor se tornam cada vez mais estúpidas?
Console-se, não é uma impressão: é um facto cientificamente comprovado. Pena que esta tendência abranja também o Leitor (mas, curiosamente, não o autor o blog).

No número de Maio de 1998 da revista Focus, o conhecido jornal de divulgação científica, já tinha aparecido um artigo assinado por Ivan Vispiez, no qual eram apresentadas algumas hipóteses sobre as transformações às quais várias espécies animais terão que enfrentar num futuro mais ou menos remoto; o que é mais interessa aqui é a parte referida à espécie humana, que arrisca voltar a ser uma espécie bestial num futuro não muito distante.

É importante repetir que não se trata de "vozes", mas de um facto comprovado: as dimensões do cérebro humano estão a reduzir-se progressivamente.

As dimensões em queda

Como explica o estudo realizado pelo antropólogo professor Giuseppe D'Amore, da Universidade de Firenze (Italia), o cérebro humano atingiu o seu pico durante a idade Paleolítica, há 35 mil anos, com um volume cerebral de 1600 centímetros cúbicos, baixando para 1500 cc durante o Neolítico (8000 anos atrás) e chegando aos 1400 cc hoje.

As causas desta situação? Com progresso tornou-se cada vez mais fácil alcançar a idade adulta. Hoje todos podem fazer filhos sem ter a inteligência e a capacidade de sobreviver. Na Era da Pedra, essas qualidades eram necessárias para poder reproduzir-se. Parece que a civilização humana colocou a seleção natural sob controle, mas, ao fazê-lo, iniciou a decadência do homem como espécie.

Os limites aceitáveis desta decadência?  Segundo o antropólogo florentino, será necessário atingir o limite inferior de 1000 cc: aí não será mais possível falar Homo sapiens e os nossos os descendentes terão inteligência suficiente para manter em vida a civilização. Tempo previsto: três milhões de anos.

Mas parece uma previsão optimista: uma simples contagem mostra que para perder os primeiros 100 cc de volume cerebral ocorreram 27.000 anos, enquanto os segundos 100 cc foram destruídos em apenas 8.000 anos. Isso parece indicar que a velocidade de decomposição do cérebro humano desde o Neolítico até hoje é mais que triplicada.

Há, no entanto, um factor importante que deve ser considerado para ter o problema bem claro: as dimensões absolutas do cérebro não são uma medida directa da inteligência. Se assim fosse, alguns dinossauros deveriam ter sido muito mais inteligentes de qualquer ser humano. Mais confiável é o chamado "índice de cefalização" que é obtido multiplicando as dimensões do cérebro pela relação massa cerebral/corpo. Em termos simples, os homens pequenos têm cérebros menores do que os homens grandes sem que isso implique uma inteligência inferior: os seus cérebros têm menos massa corporal para controlar, portanto tudo é proporcional.

Os homens neolíticos eram de tamanho modesto, com uma altura de cerca um metro e sessenta centímetros, enquanto os mais antigos caçadores do Paleolítico alcançavam médias de 1.70-1.75 metros. A razão? O Neolítico coincide com a descoberta da agricultura, o estilo de vida do agricultor sedentário criou um excedente que permitiu que as comunidades humanas se expandissem numericamente, mas é inegável que o agricultor alimentava-se pior do que o caçador paleolítico, com uma dieta menos vária. A perda de tamanho cerebral entre Paleolítico e Neolítico é assim em parte explicada pela redução das dimensões do homem. Mas isso torna mais dramático o que ocorreu nos últimos oito mil anos: o homem voltou a crescer em altura mas o volume do cérebro continuou a diminuir.

Mas dado que falar de inteligência não é simples, temos de introduzir um novo conceito: além das dimensões absolutas (que, como vimos, valem o que vale), além da relação entre cérebro e dimensões do corpo, o que conta é também a maneira como o cérebro é utilizado. Um espaço menor pode conter mais coisas do que um espaço maior se estas estiverem dispostas de forma específica (mais racional, mais prática, etc.). Aqui o "truque" é treinar o cérebro: tal como a condição física, o património genético fornece uma série de possibilidades que, se exploradas, irão melhorar o desempenho da mente, apesar da redução do tamanho. Os crescentes desafios que o homem enfrentou nos últimos milénios tiveram exactamente este efeito. Até hoje.

Na nossa actual sociedade estamos ainda a "treinar" o nosso cérebro? A vida de moluscos com comando remoto numa mão e smartphone na outra, típica do Ocidente, compensa a redução do tamanho?

Os asiáticos inteligentes

O psicólogo Daniel Goleman, no livro Inteligência Emocional (Inteligência), efectuou uma cuidadosa
investigação entre crianças e rapazes de várias etnias. O resultado foi que no pré-escolar e no início da escola obrigatória não há diferença significativa entre as pontuações do meninos de origem asiática e de origem ocidental. Depois, ao longo dos anos, a diferença amplia-se e, uma vez atingida a idade adulta, permanece constante para o resto da vida. Portanto, é evidente como não haja uma diversidade de origem genética: é o diferente estilo de educação que determina o desenvolvimento cerebral.

Os pais de origem asiática são notoriamente mais exigentes, impõem uma disciplina mais severa aos meninos, inculquem nos filhos um preciso sentido de dever, exigem o respeito de regras e tarefas desde o primeiro ano de escolaridade; os pais ocidentais são mais indulgentes neste aspecto. Goleman completa a análise com a observação de que inúmeras atitudes, por exemplo a aptidão musical, conseguem desenvolver-se melhor quanto mais a aprendizagem começar numa idade precoce (e aqui não era precisa uma licenciatura para adivinha-lo).

O que emerge de tudo isso? Talvez uma reavaliação positiva em favor da bondade do que geralmente é definida como "educação tradicional". Atenção: isso não significa que as escolas duma vez eram melhores das actuais, pois o foco está aqui centrado no papel da família, não na escola. É na família que a criança encontra os exemplos, é aqui que ainda aprende como relacionar-se com o ambiente, é aqui que acontece boa parte do desenvolvimento que determinará o seu futuro.

O bombardeado mediático, com relativa superabundância de estímulos, não consegue compensar o papel da família neste sentido, não favorece o desenvolvimento da inteligência: se os estímulos não estiverem organizados num sistema de conhecimento, favorecem apenas a superficialidade.

Curiosamente, o declínio da inteligência no nosso planeta tinha sido previsto de forma surpreendente por dois autores de ficção científica, Frederic Pohl e Cyril M. Kornbluth, que o mencionam na obra deles mais conhecida, The Space Merchants ("Os Mercantes do Espaço") de 1953, e que foi o tema principal da novela The Marching Morons ("Os Idiotas em Marcha") póstumo de 1968, escrito por Kornbluth sozinho.

De acordo com os dois romancistas americanos, o factor crucial destinado a conduzir ao declínio da inteligência no nosso mundo é relativamente simples de entender: as pessoas mais inteligentes e ambiciosas, com o potencial para alcançar um alto status social, são forçadas a um longo aprendizado, um currículo de estudos que ultrapassa o limiar dos trinta anos, longos tempos para uma adequada integração profissional e para iniciar uma carreira; e tudo isso acaba por demorar cada vez mais, com a relativa impossibilidade de formar uma família. Enquanto isso, nada impede que os indivíduos menos dotados, os idiotas, proliferem de acordo com a lei de Malthus. O que, afinal, não fica muito longe de quanto observado no filme Idiocracy (para quem escreve: uma autêntica obra prima).

Exageração? Sem dúvida. Mas pode ser que os dois autores tenham conseguido reter um pedaço da verdade?

Idosos e estúpidos

Voltando à questão da inteligência na nossa espécie, os investigadores desde 2004 notaram um declínio no QI (Quociente de Inteligência) médio, estimado em 7-10 pontos por cada século, como explica Michael Woodley, da Universidade de Bruxelas. Por quase um século, a média do QI nos Países ricos aumentou em cerca de três pontos a cada 10 anos, um efeito explicado pelos especialistas com as melhores condições socioeconómicas, uma dieta mais saudável e um nível cultural da maior população.

Para explicar o fenómeno, a equipa de Robin Morris do King's College London examinou as características de mais de 1750 diferentes tipos de testes para medir o QI utilizados desde 1972. A hipótese final é que este declínio é real, mas está ligado ao envelhecimento progressivo da população.
Portanto: culpa dos velhotes.

E é surpreendente encontrar um estudo científico que faça estas afirmações: na prática, é o velho preconceito segundo o qual o idoso fica senil. Hoje estamos familiarizados com os efeitos do envelhecimento: o desbaste dos neurónios provoca um alongamento dos tempos de reação, mas nos idosos saudáveis ​​não há uma degradação significativa das habilidades cognitivas, excepto por uma certa perda de memória recente.

Existem doenças que prejudicam as habilidades cognitivas na velhice: a demência, a doença de Alzheimer, mas estas afectam uma parte limitada da população e é claro que pessoas idosas dementes não entram nos cálculos do QI médio, assim como não entram jovens dementes. A razão da perda de QI deve ser encontrada em outros factores: e o estilo de vida estupidificante que conduzimos não pode ser ignorado.

Para acabar, eis um mapa que mostra a distribuição do QI nos vários Países do Mundo (click para ampliar).

Notar a mancha verde chinesa e japonesa.
A seguir: amigos brasileiros, faço humildemente notar como a vossa presença baixe o QI médio do blog. Peçam aos chineses para vos substituírem, obrigado.

E, em breve, um novo artigo graças ao qual o blog será acusado de ser racista e também irá perder Leitores, porque "certas coisas não devem ser ditas".
Paciência.


Ipse dixit.

Fontes: EreticaMente, Leggo

10 comentários:

  1. o mapa está falseado ,veja só o tamnaho do Brasil
    https://www.facebook.com/Giovani.Ricciardi/posts/10208419297389156

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    1. Anónimo14.2.18

      É a projecção, que já caiu em desuso à muito. A Gronelândia é até menor que a Argélia e muito mais.
      Não houve QI sequer para meter um mapa em condições, quem elaborou o dito cujo, não o bloger :))

      https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Lista_de_países_e_territórios_por_área


      nuno

      ps: o resto é melhor nem falar história, sociedades, e pricipios orientais (vergonha) ocidentais (culpa) etc...o Japão é só dos países mais envelhecidos do globo e o qi não fugiu.

      Bem isto dá pano para mangas, boa sorte Max.
      :)))))

      nuno

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  2. Anónimo14.2.18

    Fiz um favor de procurar uma imagem para se perceber o que se ganha e perde com a idade:

    https://qph.ec.quoracdn.net/main-qimg-496a52a13eaee1e99f39e3c9e4d5ec73-c

    Sei que beber, implica a mesma perda de QI do que ser pobre, dito isto, os brasileiros que são pobres comentam como bêbados...

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  3. Chaplin14.2.18

    Quer dizer que o QI varia conforme as fronteiras territoriais...Pesquisas abonadoras da teoria da supremacia racial...e depois querem falar em paz!

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  4. 巴西人可能不是最聰明的人,但他們是最有創意的。

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  5. Oi Max: te digo que este tipo de avaliação fornecida pelo post não me convence.Está aí uma questão que considero extremamente difícil de avaliar, principalmente se reduzirmos inteligência a número de QI, volumes, massas cerebrais e que tais. Posso te dizer apenas o que observo a minha volta e, mais perguntas que afirmações vão surgindo. Pode-se dizer que o brasileiro pobre, geralmente sem emprego, às vezes com serviço não pago ou supostamente pago com comida de péssima qualidade, que carrega consigo a tal família composta por uma mulher pobre e parideira, com 4 ou 5 filhos...este homem que sobrevive e faz sobreviver bem ou mal a tal família...este homem não é mais inteligente do que eu? Ou do que tu?. Sobreviveríamos nós nas mesmas condições de ignorância e mentalidade aparentemente oca de qualquer sentido sobre as coisas a não ser de cunho religioso? Não é de hoje que me faço perguntas desse cunho.
    Pessoalmente considero inteligente alguém capaz de superar situações limites.Diante do impensável, alguns se safam bem ou mal, outros naufragam. Os vários tipos de inteligência, inclusive a emocional, não terá nada a ver com isso? O garoto com 10 anos que empunha o fuzil, faz a droga ilegal chegar ao seu destino, torna-se invisível quando necessário, rouba com perícia, é analfabeto de escola, mas lê quando precisa, aprendeu o que aprendeu na rua, na lida, na luta, na guerra...e ainda assim sobrevive, que tal a inteligência deste garoto?
    Aqueles que treinam com afinco o pensamento, seja porque alguém exige, seja porque necessitam, seja porque lhes apraz, geralmente conseguem pensar de forma menos limitada, se expressam com clareza e fluência, sabem do que ignoram, identificam mentiras, meias verdades, falsidades, apresentam argumentos significativos para defender ou acusar alguma coisa. Parece que o treinamento revela maior prontidão perante os desafios e aparentam uma inteligência mais viva e atuante. Comparo os operários do início do século no Brasil, seus interesses, leituras e paixões e os atuais, e o vazio de sentido que predomina em suas vidas. Comparo muitos estudantes fraquinhos mas extremamente estimulados que acabam demonstrando um vigor mental não esperado. Comparo o que eram capazes de escrever e falar meninos e meninas na década de 50, 60 ao meu redor e o desastre mental que abunda os cérebros jovens de agora.
    Algo me diz que tudo que se promove agora em torno de nós só nos limita, com aparência de oferecimento abundante de informações e estímulos.
    O assunto é instigante. As opiniões dos comentaristas e tua hão de aparecer.Abraços

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    1. Certo Maria, muitas dessas pesquisas confundem cultura ( que nada mais é do que acumulo de informação ) com inteligência. Também observei habilidades ditas "intelectuais" em pessoas com pouca formação acadêmica.
      No entanto, concordo com parte do artigo, acredito que um maior estimulo às atividades intelectuais quando criança, ajudaria ao desenvolvimento de pessoas, não digo mais inteligentes, mas mais qualificados para exercerem uma atividade, seja ela qual for. Essa sim é a grande diferença entre a massa trabalhadora brasileira e asiática: somos mal qualificados em relação a eles.

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  6. :)

    O artigo tem um "erro" de fundo: considera o QI como um indicador da inteligência. Mas assim não é. De facto, a intenção é aquela de escrever um segundo artigo que aprofunda este aspecto com as possíveis implicações e recaídas na história da nossa sociedade.

    O QI não determina quanto é inteligente uma pessoa em termos absolutos mas sim quanto o cérebro dele pode estar desenvolvido em relação apenas a determinados aspectos (os quais, sozinhos, não constituem toda a inteligência dum ser humano). Nestes "aspectos" há diferenças comprovadas cientificamente (é só analisar os resultados dos testes QI) e suspeito que isso possa ter tido profundas recaídas na história das comunidades humanas.

    Mas disso não se pode falar porque a lei hoje diz que "somos todos iguais". Não, não somos e ainda bem que assim é, porque acredito no imenso valor das diferenças: uma sociedade composta por seres humanos todos iguais é uma sociedade morta.

    Mas por causa do politically correct ("somos todos iguais") é complicado obter material decente sem cair nos piores racismo, anti-racismo, fanatismo num sentido e no outro.

    Tranquilos, este ainda não é um blog exclusivo para a Raça Superior. Também porque, segundo os dados do QI, a raça superior neste caso seria a chinesa, então eu deveria:
    a) fechar o blog
    b) mudar o nome em "Informação Inferior".

    Grande abraçoooo!!!!

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  7. Creio que a televisão, como também as redes sociais, irão acelerar o processo. Basta lermos a quantidade de trollagens idiotas que andam por aí até mesmo em blogs mais conceituados como este.

    Só temo que tudo isso descambe para mais darwinismo social e meritocracia. E que a resistência dos mais humildes seja vista como o componente primordial no definhamento do intelecto humano. Aliás, uma discussão antiga e perigosa. Ja sobre a sociopatologia de uma camada privilegiada nada se comenta.

    Estamos diante de uma discussão muito possivelmente inútil, pois a partir do evento da inteligência artificial nossos cérebros poderão finalmente alcançar a obsolescência total. Isso em poucas décadas. Viveremos num planeta de dondocos.

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  8. NaN quis me referir aos comentadores do blog num todo, mas apenas a um anônimo que vez por outra aparece para demonstrar sua capacidade intelectual agredindo aos brasileiros aqui frequetam.

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