11 maio 2018

O jogo dos Rothschild na Síria

Não há apenas a democracia, as armas nucleares ou os interesses locais de israel na guerra contra a Síria e o Irão. Como sempre, para entender aquelas que são as razões mais profundas (e autênticas) temos que seguir o fluxo do dinheiro.

Qual a principal riqueza do Médio Oriente? O petróleo? Actualmente sim, pois Países como a Arábia Saudita e Irão estão entre os principais produtores mundiais desta commodity. Mas se o petróleo é o presente, o gás representa o futuro: e o futuro já começou.

Em Fevereiro de 2013, supervisionada por mercenários do Isis, a Genie Energy, com sede em New Jersey (Estados Unidos), obteve uma licença para a exploração de petróleo nas Colinas de Golan ocupadas por israel, no sul da Síria. Pois também israel tem um pouco de petróleo, não muito em verdade. A Genie recebeu a licença para perfurar o Golan do governo israelita, em flagrante violação do Anexo à Quarta Convenção de Genebra, e opera no local através da subsidiária Afek Israel Oil & Gas.

Fundador da Genie é Howard Jones, obviamente hebreu: Jones fundou em 1990 a sociedade IDT Corporation, que trata de telecomunicações (é de Fevereiro de 2015 o acordo entre a IDT e a Empresa de Telecomunicaciones de Cuba S.A. para as comunicações de longa distância: viva la revolución!) mas em 2011 a Genie Energy (até então parte da IDT) foi transformada numa empresa independente com presidente Efraim Eitam, um antigo general de brigada das forças de defesa de israel, formado no Royal College of Defense Studies em Londres.

Em que ano a Genie Energy foi cindida da IDT? Em 2011.
Em que ano começou a guerra civil na Síria? Em 2011.
Mas a vida é assim, feita de coincidências...

Voltando ao simpático presidente da Genie, Efraim Eitam, o seu pensamento é o seguinte:
Nós não podemos ficar com todos esses árabes e não podemos deixar a terra porque já vimos como acaba. Alguns podem permanecer sob certas condições, mas a maioria terá que sair.
E se Eitam é simpático, ainda mais interessantes são os seus chefes. O Conselho Consultivo Estratégico da Genie Energy inclui:
  • o proprietário da Royal Dutch/Shell, Lord Jacob Rothschild
  • o ex-vice-Presidente americano Dick Cheney
  • o Presidente da Newscorp (Fox News, Wall Street Journal) Rupert Murdoch
  • o ex-Secretário do Tesouro americano Lawrence Summers
  • o ex-Secretário de Energia dos EUA, Bill Richardson
  • o ex-membro da CIA e membro da Dyncorp, James Woolsey
  • a ex-senadora da Louisiana, Mary Landrieu.
  • o investidor e filantropo Michael H. Steinhardt, ateo sionista.

São todos investidores do Genie.
Um documento de 1983 da CIA revela o plano dos Rothschild para a Síria: o documento, escrito pelo oficial Graham Fuller, afirma que o Ocidente deve "forçar a Síria" a derrubar o então Presidente sírio, Hafez al-Assad, substituindo-o por um fantoche pró-banqueiros e excluindo o envio das armas na Síria a partir da Rússia. Isso teria preparado o caminho para um oleoduto e um gasoduto controlado pela City de Londres com partida do Qatar.

A Exxon Mobil detém uma grande parte da Qatar Gas, cujo campo offshore de North Pars contém mais gás natural do que qualquer outro campo no mundo. Uma riqueza imensa em perspectiva, transportado para o Ocidente com um gasoduto que seria direcionado para o norte via Bahrein, Arábia Saudita e Jordânia antes de atravessar a Síria e entrar na Turquia com destino final a Europa. Um volume de gás tão grande que disputaria a supremacia do mercado com a russa Gazprom nas importações da Europa.

Doutro lado, a Rússia, o Irão, o Iraque e a Síria promovem uma rota diferente a partir do campo de gás adjacente do Golfo Pérsico, Southern Pars, de propriedade do Irão. O gasoduto seguiria para o norte através do Irão e, em seguida, para o oeste via Iraque, Síria até o porto de Lataqia, onde seria canalizado sob o Mar Mediterrâneo ou transportado por navios até a Europa.

A Genie Energy é só uma das empresas que fazem parte da galáxia de sociedades que exploram a dupla petróleo/gás da região e que obteria uma enorme vantagem na construção do novo óleo-gasoduto. Um mapa da região com os projectos dos óleo e gasodutos planeados monstra claramente o delicado papel da Síria:


Seja no projecto russo (Irão-Iraq-Síria), seja no projecto americano (Qatar-Turquia), a Síria é a passagem obrigatória: ambos os óleo-gasodutos passam por aquele País. E não há alternativas facilmente viáveis: desviar o projecto russo para o norte (via Irão e Turquia sem passar pelo Iraque e a Síria) significaria entrar numa zona fortemente instável (é a área curda) e enfrentar custos bem maiores por causa da geografia (no leste da Turquia há cadeias montanhosas que ultrapassam os 3.000 metros). Mesmo discurso no caso do projecto americano que deveria atravessar o Iraque (onde os xiitas estão a ganhar terreno) e depois enfrentar a zona oriental e montanhosa da Turquia.

É por esta razão que a Síria é a vítima sacrifical. E isso significa que os problemas do País estão longe de ser resolvidos: qualquer pretextos será utilizado para manter sob pressão o exausto Presidente Trump e continuar a luta contra Damasco. Percebe-se também por qual razão o Irão representa outro grande inimigo: uma mudança de regime possibilitaria o bloqueio do projecto russo (que, inclusive, é bem mais curto do americano). Em jogo há os biliões do petróleo e do gás, em jogo há o fornecimento destas commodities para o Ocidente e a concorrência russa.

Nota: estes projectos de óleo e gasodutos não devem ser confundidos com o projecto Nabucco.


Ipse dixit.

Fontes: Left Hook

17 comentários:

  1. Anónimo11.5.18

    Uma explicação que ja tinha lido e que faz todo o sentido com os factos ocorridos e respectivas datas a parecerem comprovar.
    Adicione-se a eles o ocorrido na ucrania que era um ponto vital de passagem de gaz Russo para a europa juntamente com o bloqueio de todos os projectos Russos alternativos como por exemplo o South Stream e temos uma imagem clara que o objectivo e por o Gaz Russo fora da Europa seria 2 em 1 elimina-se uma concorrencia e priva-se a Russia de uma importante fonte de financiamento.

    EXP001

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  2. Chaplin11.5.18

    Só um aeroduto salvaria a Síria, portanto...

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    1. Anónimo12.5.18

      Que ideia fascinante, que golpe... mas que rasgo de genio que muitos tentam mas apenas um punhado consegue... algo fora do alcance do comum mortal, algo apenas ao alcance da craveira (nao confundir com caveira) de muito poucos.... um aeroduto que coisa maravilhosa .... Chaplin ... muitos pensarao que ante a impossibilidade de estares calado tens de dizer disparates pois um aeroduto apenas levaria a guerra da dominaçao da judiaria elevada aos ceus o que creio que nao seja o teu sonho , mas antes o teu pesadelo. Mas eu nao confirmo nem desminto, antes pelo contrario e quando for o dominador contra a dominação contrato-te como meu contra dominador para que o mundo se livre da dominação (não confundi com a dominação do domino que é um jogo)

      Charlie Chaplin

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    2. Charlie Chaplin,

      não entendo o seu comentário. Podemos não concordar com Chaplin (o original) que vê sionistas em todos os lugares (lolol!) mas tanta amargura num comentário em resposta a uma piada parece-me demais. Take it easy man.


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    3. Chaplin12.5.18

      Caro Max! Sabemos que vez por outra incomodamos alguns ativistas cibernéticos do exército de defensores dos usurários...

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    4. Anónimo12.5.18

      A verdadeira natureza do comentador Chaplin a revelar-se.
      1º Tenta colar-se e buscar apoio do gestor blog.
      2º Passa a tratar o Charlie Chaplin que não conheçe de parte alguma como defensor de usurários.

      Charlie Chaplin

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  3. Anónimo12.5.18

    Não é amargura Max
    Apenas cansaço de charlatôes que utilizam palavras e conceitos vagos para criarem um efeito de opinião, distraindo a atenção do real inimigo, seija por ignorancia seja por propaganda... apenas isso.
    quem apos o que escreveste acerca da distinção entre o judaismo e o sionismo nao anda aqui para aprender nada.

    Charlie Chaplin

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    1. Anónimo12.5.18

      queria dizer :
      "quem apos o que escreveste acerca da distinção entre o judaismo e o sionismo " e continua com o mesmo discurso
      "nao anda aqui para aprender nada."

      Charlie Chaplin

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    2. Anónimo12.5.18

      Já não se pode usar ironia aqui? Aeroduto(por cima lol), qualquer dos projetos passa sempre por lá.
      E se o Chaplin te incomoda tanto ignora? ou é censura? Não falou nada disso sobre judeus ou Israel nada...sinceramente se fosse algo concreto até se entendia como já essa de Charlie ser um ataque a alguém que já aqui posta à anos.
      Charlie ao menos invente um nick que não seja só para "atacar" o Chaplin. Ou existe/a razão de ser aqui é em atacar o referido participante?
      Mas aqui não é para existir diálogo? Ou é isto?

      nuno

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    3. Chaplin12.5.18

      O sionismo e o judaísmo servem-se mutuamente. A Rússia é um belo exemplo disso. O tal trolista tenta confundir até mesmo no nick... Quanto ao aeroduto, uma simples ironia.

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    4. Anónimo12.5.18

      Caro Nuno,
      pelo que vou lendo dos teus escritos és boa pessoa e estas de boa vontade. Já a entidade em questão tenho serias duvidas, fala de forma vaga, contorce os factos, confunde causas com consequências, tem um discurso fechado e quando colocadas em causa as suas ideias vira bicho recorrendo a perfis sem nome para mostrar a sua verdadeira face. Faz-se passar por alguém neutro quando na realidade não o é. Como por exemplo no artigo acerca do Lula da Silva ou no artigo acerca do Judaísmo em que foi deselegante com um comentador com descendência Judaica.

      Hás-de reparar que o discurso da referida entidade é sempre o mesmo vira o disco e toca o mesmo sem se alargar muito na exposição, cristalizando todos os males do mundo apenas num actor como se o mundo fosse a preto e branco e não existissem mais actores em cena.
      É verdade que os sionistas teem muito poder e influencia mas pretender transmitir a ideia que tudo dominam, mais parece querer criar um efeito de impotência nas pessoas e condiciona-las a essa realidade.
      Tem o discurso típico dos líderes de seitas religiosas a mistura com o discurso de propaganda de movimentos que colocam tudo no mesmo saco e fomentam a aversão a um determinado grupo específico para desviar a atenção dos verdadeiros inimigos.

      Já agora, utilizo o nick de Charlie Chaplin o comediante, se fosse para confundir utilizaria apenas Chaplin. Ele tem a patente do nome? não somos livres de utilizar o nome que gostamos ? é um exclusivo dele?

      Charlie Chaplin

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  4. Anónimo12.5.18

    Caro Chaplin

    Conte-nos do alto da sua sapiência o que se esta a passar na Rússia.
    Dê-nos o privilegio de nos iluminar com a sua sabedoria

    Charlie Chaplin

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    Respostas
    1. Anónimo12.5.18

      Caro Chaplin

      Notei que após eu escrever este comentário já aqui veio mas escusou-se a elucidar-nos do que se passa na Rússia.
      Creio muitos dos leitores ficariam satisfeitos por ter a sua opinião e visão do que se passa.
      Não quer partilhar connosco ?

      Charlie Chaplin

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    2. Chaplin13.5.18

      Putin não é nacionalista, e mesmo que tenha algum sentido patriótico, é filo-semita (no conceito deturpado de judeu). Ex-ministro e sucessor de Yeltsin, governante que reabriu a Rússia aos oligarcas sionistas. Criminalizou a negação do Holocausto. Mantem estreita relação com o rabino chefe da Rússia, Berel Lazar,de Chabad, com apoio recíproco. Lazar oferece uma espécie de certificação judaica para as atividades de Putin. Judeus no país deixaram de omitir sua condição, pois passaram a ser vistos como bons e amigos da Rússia. Preservou alguns mega-oligarcas sionistas pós Gorbachev, como Mikhail Maratovich Fridman, que apesar de hoje morar em Londres, manteve seus negócios no país de Putin. Então, resumindo, Putin administra 2 interesses aparentemente paradoxais. O sionista, mantendo boas relações com a judiaria russa, e o russo, justamente através desta política.

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    3. Anónimo13.5.18

      https://thedailycoin.org/2018/05/07/another-step-towards-collapse-of-petrodollar/

      nuno

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    4. Anónimo13.5.18

      Yaaapp

      Foi no dia 26 de Março de 2018 – o lançamento da bolsa de petróleo de Shangai –
      Esta data poderá ficar na história como o começo do fim do petro-dólar , o que tem múltiplas consequências. Os preços de referência do WTI e do Brent, cotados em dólar, poderão a prazo serem destronados pelo de Shangai. Os banqueiros centrais de todo o mundo já não precisarão acumular tanto dólar para atender às necessidades do comércio do óleo.
      A China a pouco e pouco primeiro criou as condições e agora está a construir os pilares de um sistema economico-financeiro alternativo ao ocidental.

      - criaram o Asian Infrastructure Investiment Bank, AIIB (considerado como uma alternativa ao Banco Mundial)

      - estão criar o Padrão de ouro 2.0
      - criaram a bolsa de petróleo de Shangai
      - fazem grandes transacções com alguns paises recorrendo as suas moedas locais evitanto o dolar

      A pouco e pouco enquanto criam um sistema alternativo vão erodindo o dolar e as ja pouco fiaveis instituições financeiras ocidentais.

      Uma tarefa realmente notavel em que é necessária paciência de Chines e visão de longo e muito longo prazo.

      Se será bom para nós?
      Muito provavelmente não, pois os parasitas ca do burgo que ja nos sugam ficando sem alimento ainda nos vao sugar mais.

      EXP001

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    5. Anónimo14.5.18

      Olá EXP,
      Disso não duvido nem um pouco.
      Mas nós já estamos ligados ao AIBB:
      https://en.m.wikipedia.org/wiki/Asian_Infrastructure_Investment_Bank

      Agora estranho é a visita do laranja à Coreia no mesmo dia que o a Federal Reserve tem agendado isto:
      https://www.federalreserve.gov/monetarypolicy/fomccalendars.htm

      Ele há coincidências...

      nuno

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