1 de Fevereiro de 2013

Em destaque: Para os Leitores. Todos os Leitores.

Pessoal!

Então é assim. Hoje estava a "passear" pela internet, à procura de algo para escrever. Alguns dos sites e blogs que costumava frequentar fecharam, os outros continuam a repetir coisas que todos já sabemos. Há poucas novidades, o risco é tornar-se monótono.
E eu odeio as coisas monótonas.

10 de Fevereiro de 2012

Vídeo: Medina vs. Ratigan

O Muy Nobre Saraiva faz notar dois vídeos bem interessantes.

O primeiro pode ser mais interessante para os Leitor de Portugal: quem fala é Henrique Medina Carreira, um dos pouco com a mente suficientemente lúcida neste País e, por isso, ignorado pela classe política. As suas reflexões são tristes, mas não deixam de ser verdadeiras. Boa visão.



O segundo vídeo é Made in USA: protagonista é Dylan Ratigan, ex Global Managing Editor de Bloomberg, hoje apresentador dum programa muito seguido no canal MSNBC e colaborador do Huffington Post. Boa visão. Outra vez? Sim, outra vez.


Só uma dúvida: mas porque o título do post é "Medina vs. Ratigan"? Afinal não é uma luta entre os dois.

Bom, se mesmo querem saber, esta é uma longa história que começou há muitos anos na Inglaterra: caminhava perto do mar em Eastbourne, quando de repente...ok, ok, não sabia que titulo pôr, tá bom?
Fogo, tudo querem saber...

O Equalizador Global

Cortes nos salários, cortes nas reformas, cortes nos serviços. Tudo isso aqui.

Entretanto, numa galáxia longínqua chamada China, o governo empenha-se para aumentar os ordenados mínimos de 13% por ano até 2015, além de adoptar medidas para a criação de 45 milhões de novos lugares de trabalho. Pequim também permite agora facilitações fiscais e empréstimos no caso de pequenas empresas e para os desempregados que desejem começar uma nova actividade.

Esquisito, não é? Dum lado cortes, do outro aumentos.
Não, não é nada esquisito, pelo contrário: tudo segundo os planos.

Estamos perante o novo Equalizador Global.
O que é isso? Simples: os ordenados globais devem ser harmonizados.
Esta é a Nova Economia Global. Desde 1994, com a completa abertura do mercado ocidental aos novos produtores asiáticos, é iniciado um processo que tem como fim a convergência dos salários ocidentais com aqueles asiáticos.

Na China trabalham 8 horas por dia e ganham 100 Euros por mês. E custam também 100 Euros, pois não há contribuições e também os impostos são mínimos. Dito de outra forma, o custo dum trabalhador pode ser avaliado em 1.200/1.500 Euros/ano. Juntamos uns trocos de logística e transporte para obter um custo total de 2.000  Euros/ano.
Um trabalhador europeu dificilmente ganha menos de 1.000 Euros (só se for um Português...), mais décimo terceiro mês e contribuições várias: o custo anual pode alcançar os 25/30.000 Euro/ano.

Os dois custos 2.000 e 25/30.000 Euros, devem convergir no mercado global. Porquê "devem"? Pela simples razão que é o mercado que pede isso. O nosso mercado é totalmente desequilibrado: não é possível competir nos mercados ocidentais com os custos asiáticos (pois não há só a China). Este é o Equalizador Global, uma espécie de martelo que está a desmantelar o nível de vida de centenas de milhões de pessoas.

A austeridade estreada na Europa continuará ao longo dos próximos tempos, pela simples razão que, tal como repete o presente blog, a dívida é um falso problema. Aliás, dependendo dos pontos de vista, nem chega a ser um problema mas uma riqueza.

Vice-versa, o fantasma da dívida pública é utilizado para justificar uma série de medidas que não poderiam ser implementadas.

Esta questão não é limitada ao Velho Continente. Se na Europa os salários irão baixar (ou melhor: já estão a baixar), o que acham que acontecerá no resto do mundo? No Brasil, por exemplo: acham que os ordenados poderão aumentar sem limites, até os actuais níveis europeus e americanos, ou serão submetidos à lei da concorrência asiática?

Infelizmente o Equalizador Global não poupará ninguém, pois quem manda é o mercado. Não podem existir no mesmo mercado empresas que pagam 30.000  Euros por um trabalhador e outras que pagam 2.000 (ok, 3.000 considerados também o chá e a bolacha). Uma das duas partes terá que harmonizar os próprios custos. Qual parte?

Vamos fazer um pequeno esforço de imaginação: imaginemos ser o dono duma grande empresa com 100 trabalhadores. Dum lado temos a hipótese de pagar no final do ano 3.000.000 de Euros de custos para o pessoal; doutro lado temos a hipótese de gastar 300.000 para ter o mesmo número de dependentes.

Admitimos até que os ordenados chineses possam subir de forma significativa, um 20% anual (muito mais do 13% prospectado pelo governo chinês). Após 5 anos, o custo da primeira empresa será sempre de 3.000.000 de Euros (não vamos considerar a inflação, por exemplo), no segundo caso o total será de 750.000 Euros (arredondados em excesso; só espero não ter falhado as contas!). Lógica a escolha do nosso empresário, não é?

Por isso, mesmo considerando um aumento de 20% anual dos ordenados chineses (um aumento inverosímil), a empresa ocidental continuará a não ser competitiva. A não ser que os ordenados delas converjam.

Última pergunta: e o empresário? O que acontece aos lucros dele?
Bom, tentem imaginar...


Ipse dixit.

Fonte: Il Grande Bluff

O milagre alemão: a história não contada

A Alemanha? Ohhh, meus senhores, tiremos o chapéu, é gente que trabalha, não como nos outros Países onde as pessoas fingem de trabalhar. É gente precisa, que vai direitinha ao assunto, encara os problemas olhos nos olhos: é por isso que são os melhores da Europa e entre os primeiros do Mundo.

Provas? Não são precisas, é só abrir os olhos e ler o que diz a Chancelaria: os desempregados baixaram dos 5,1 milhões de 2005 para os 2,8 milhões de hoje; isso significa que a economia alemã conseguiu reabsorver 2,3 milhões de desempregados em seis anos, uma proeza.

No total, os que não encontram emprego representam apenas 6,9% da população, um recorde e um sonho em comparação aos 9,9% da França e aos 9,1% (oficiais) dos Estados Unidos. Parece repetir-se o milagre do Terceiro Reich, que em três anos colocou a população num regime de pleno emprego.

A explicação? Simples, como relata a mesma Chancelaria: a "moderação salarial" dos trabalhadores alemães e a "disciplina" aceite pelos sindicatos.

Mas agora aparece um estudo francês, um estudo malandro que revela os truques e o preço social desse milagre. Porque nem tudo o que brilha é ouro e também a simpática Angela Merkel tem os seus esqueletos no roupeiro. Ou talvez no jardim, não sabemos.

A ideia da Volkswagen

Em 2001, o governo Schroeder começa a implementar as ideias de Peter Hartz, chefe do pessoal (desculpem, "Gestor dos Recursos Humanos") da Volkswagen, convencido, não sem razão, que os recheados subsídios de desemprego e sociais em vigor no País tendem a criar uma camada de preguiçosos crónicos: por isso concebe um artifício que "força" os desempregados a encontrar trabalho.

Antes das reformas Hartz, os desempregados que tinham pago as contribuições tinham direito a um subsídio (ou Arbeitsengeld AG1) que durava dois e, em alguns casos, 3 anos. Após Hartz, a AG1 dura apenas um ano.

Antes da mesma reforma, os desempregados de longa duração que tivessem esgotado o direito ao AG1 começavam a receber o AG2, muito mais modesto, e havia também uma "ajuda social" (o Sozialhilfe) para as pessoas ainda mais afastadas do mundo do trabalho.

Hoje, AG2 e Sozialhilfe são fundidos num só subsídio e distribuídos através de centros especiais: nesses centros cada desempregado deve fazer "passos positivos", apresentando-se com cadência bi-mensal e aceitar qualquer emprego, também se muito menos remunerativo do que anterior, sob pena de perder os benefícios.

Que tem tudo isso a ver com a queda da taxa de desemprego?
O facto é que este sistema apagou milhões de pessoas da lista dos desempregados para fazê-las reaparecer na lista dos "trabalhadores pobres", aqueles que têm menos de 15 horas de emprego por semana e que são pagos com menos de 400 Euros por mês (400? Nem em Portugal, e está tudo dito...).

Mais: o Estado não exige o pagamento das contribuições ligadas à Saúde e à Segurança Social no caso destes "mini-salários", e isso tem estimulado muitos empregadores a contratar trabalhadores da lista dos "pobres". Houve também escândalos neste sentido: empresas que preferem contratar duas ou três pessoas em regime de "mini-trabalho" em vez dum trabalhador em tempo pleno. A cadeia de supermercados Scheckler já foi acusada pelos Verdes de fazer este tipo de dumping salarial.

O lado feio é que estes trabalhadores não têm contribuições, por isso não acumulam pela reforma e nem têm assistência sanitária.

1 Euro/hora. E nada de contribuições.

Mas quantos são os trabalhadores inscritos nesta lista de "pobres"; os que ganham menos de 400 € por mês? De acordo com o estudo francês são 5 milhões, pessoas que, como dito, trabalham por menos de 15 horas semanais, em regime de emprego temporário.

Na lista aparece também quem trabalha em troca de um Euro por hora. Um Euro/hora vezes 15 horas (no máximo) por semana dá 15 € por semana. Nada mal, nada mal mesmo.

Mas por qual razão uma pessoa deveria aceitar um trabalho pago 1 Euro/hora? Por uma razão muito simples: caso contrário perde os benefícios. Os "mini-trabalhos" com "mini-salários" são a forma de trabalho que mais cresceu nos últimos anos (+47% entre 2006 e 2009), superada apenas pelo trabalho temporário (+134%). Os "mini-trabalhos" são populares até entre os aposentados: 660.000 reformados, demasiado velhos para encontrar um trabalho normal mas demasiado jovens para uma reforma completa, obrigados a integrar a esmola mensal desta forma.

Em Maio de 2011, as pessoas ocupadas com os "mini-trabalhos" eram 5 milhões: um exército de subempregados que vão juntar-se aos 2,8 milhões de desempregados "oficiais".

Mas os empregados dos "mini-trabalhos" não são os únicos mal pagos. Na Alemanha não existe um salário mínimo (caso único na Europa). Os trabalhadores pobres, os que permanecem na pobreza apesar de trabalhar, são 20% dos alemães empregados.

Em Agosto de 2010, um relatório do Instituto do Trabalho da Universidade de Duisberg-Essen estimava que mais de 6,55 milhões de Alemães recebiam menos de 10 Euros brutos por hora, um total que tinha aumentado de 2,3 milhões quando comparado aos 10 anos anteriores. Dois milhões de trabalhadores na zona do Reno vivem (ou melhor, sobrevivem) com menos de 6 Euros por hora, e muitos na antiga Alemanha Oriental ficam com 4 Euros por hora, ou seja 720 Euros por um mês de trabalho a tempo inteiro.

Aqueles que trabalham menos de 15 horas semanais são chamados Aufstocker, e o número deles está a crescer. O facto dos benefícios não serem cumuláveis piora a situação. As pessoas que trabalham vêem descer o valor do subsídio, mesmo que este seja já baixo ou que o trabalho seja muito mal pago.

Três famílias decidiram levar o caso até o Tribunal Constitucional de Karlsruhe, em Fevereiro de 2010: os seus subsídios não permitiam "uma vida digna", era a queixa. O Tribunal confirmou a constitucionalidade do "sistema" Hartz, mas pediu ao legislador para reavaliar o subsídio de base. Que agora foi aumentado, desde 359 Euros por pessoa para 374 Euros. Agora sim que permite uma vida digna...

As razões da competitividade

Um executivo do centro de emprego (o Arbeitsagentur) de Hamburgo, sob condição de anonimato, afirma:
Mas qual milagre económico. Hoje, o Governo repete que estamos abaixo de 3 milhões de desempregados, o que seria algo histórico. Mas a verdade é diferente, são 6 milhões as pessoas que recebem o Hartz [isso é, que recebem o subsídio, ndt], e são todos desempregados ou precários. O número real não é de 3 milhões de sem trabalho, mas de 9 milhões de precários.
Então a situação fica mais clara: a competitividade alemã tem o seu segredo naquele 20% de subempregados, e o milagre germânico repousa sobre um gigantesco dumping social. É este o modelo proposto: a chinesização da força-trabalho, com um baixo nível de qualificação.

Devemos admitir que, na nova economia globalizada, os povos tornam-se desnecessários, pelo menos grande parte dos povos. O que talvez explique a "crise" da democracia, ou seja a devolução da soberania popular nas mãos dos tecnocratas. Perdemos a dignidade enquanto cidadãos.

Claro, existe o outro lado da moeda: na Alemanha o custo de vida é menor do que na França e na Itália porque, como vimos, há um mercado paralelo dedicado ao consumidor pobre, enquanto os salários das classes médias são bem diferentes: um professor do ensino médio tem um salário inicial de 3.000 Euros líquidos.

Ao mesmo tempo, o boom das exportações provoca uma falta de trabalhadores qualificados, ao ponto que as empresas recrutam jovens formados espanhóis. É, entre outras coisas, um efeito da população alemã com crescimento zero.

Alerta o ministro do Trabalho, Ursula van der Leyen:
A reserva de pessoas disponíveis para trabalhar está a baixar.
Actualmente, o número das pessoas que entram no mercado do trabalho é menor do que o número das pessoas que vão para a reforma. Eis encontrada outra causa que torna o desemprego "oficial" mais baixo.


Ipse dixit.

Nota:
O estudo francês citado no texto é de Brigitte Lestrade, professora de cultura contemporânea alemã e directora do Departamento de Estudos Germânicos da Universidade de Cergy-Pontoise. 
Também é uma investigadora do Centro de Pesquisa das Civilizações e das Identidades Culturais Comparadas das Sociedade da Europa e Ocidentais (CICC), responsável pela linha de pesquisa: Estudo comparativo dos aspectos e dos mecanismos de regulação e governance política, social e económica nas sociedades desenvolvidas.

O estudo, em idioma francês, é publicado pelo IFRI, Institut Français des Relations Internationales, e pode ser descarregado neste link (ficheiro Pdf, 755 KB).

Fonte: Rischio Calcolato, IFRI

9 de Fevereiro de 2012

Origens: o Homem - Parte III

Enquanto os antigos macacos prosperavam,, um novo tipo de macaco surgiu: os Hominoidae.
Eram estes parecidos com os modernos homens? Na verdade não: sempre macacos eram. Só que cada vez mais afastavam-se da "macaquidade" para adquirir traços humanos.

O procônsul

25 ma de anos atrás surge o Proconsul que é, ao mesmo tempo o últimos dos Catarrhini e o primeiro dos Hominoidae: pode ser considerado o elo entre os macacos e as raças mais "humanas".
Na imagem ao lado o Proconsul. O quê? Parece um macaco? Pois claro que parece um macaco, a estrada para chegar aos primeiros "humanoides" é ainda muito comprida.

Os Proconsules viveram na África do centro e do sul, a parte frontal do crânio era parecida com aquela dos homens, o cérebro era bem desenvolvido, não tinham cauda, apresentavam dentes molares grandes: mas além disso viviam principalmente nas árvores, pesavam uns 20 quilos, caminhavam só com as quatros patas e a alimentação era constituída por vegetais.

A partir daqui a reconstrução procede aos saltos, o primeiro dos quais não é nada pequeno: entre o Proconsul e o fóssil seguinte, o do Afropithecus turkanensis, passam algo como 9 milhões de anos. Nove milhões de anos ao longo dos quais ninguém sabe o que aconteceu.
Na mesma altura teria vivido também o Turkanapithecus kalakolensis, descoberto em 1986 no Kénia (tal como tinha acontecido pelo A. turkanensis. E a lista pode continuar comum longo elenco de espécie, por algumas das quais foram encontrados apenas fragmentos de ossos e cuja classificação é complexa.

Lembramos apenas os mais significativos, com o local da descoberta, a data da descoberta (entre parêntesis) e a data da presumível existência (estabelecida com a datação do radio-carbono): é importante lembrar que estamos perante não de macacos mas de nossos antepassados directos; e que cada espécie representou um avanço da direcção do resultado final, o Homo sapiens.

Sivapithecus indicus, Paquistão (1979), 10-12.5 ma
Oreopithecus bambolii, Italia (1872), 8 ma
Lufengpithecus lufengensis, China (1978), 8 ma
Sahelanthropus tchadensis, Chad (2001), 7 ma
Orrorin tugenensis, Kenia (2000), 6 ma

Depois, em 1976, uma descoberta destinada a fazer história, algo vivido 3.7 ma que mudou a maneira de ver a nossa história.

Lucy in the Sky

No dia 30 de Novembro de 1974, na localidade de Afar, Etiopia, Yves Coppens, Donald Johanson, Maurice Taïeb e Tom Gray encontraram os restos dum exemplar de Australopithecus afarensis. O exemplar era duma fêmea, da idade aparente de 25 anos, alta 107 cm e com um peso entre os 29 e os 45 kg; tinha vivido 3.2 ma atrás e que foi baptizada Lucy, da canção dos Beatles que os pesquisadores estavam a ouvir aquando da descoberta, Lucy in the Sky with Diamonds (LSD!).

Lucy tinha morrido perto duma pântano, talvez por cansaço; tinha uma aspecto bastante parecido com aquele dum macaco, mas apresentava algumas particularidades únicas. A mais importante das quais, provavelmente, era o facto de ser bípede, como intuído pela forma do fémur, tíbia e das respectivas articulações.

Dentes parecidos com os humanos (com capacidade omnívora), o crânio tinha um volume entre os 375 e os 500 cm3 (o homem moderno apresenta uma capacidade de 1.200-1.400 cm3), Lucy provavelmente conduzia uma existência divida entre as árvores (onde encontrava refugio) e o terreno.

Sucessivamente outros exemplares de Australopithecus afarensis foram encontrados: em particular, a descoberta em 2011 dum osso do quarto metatarso confirmou a capacidade de caminhar com duas pernas: de facto, os pés desta espécie era muito parecido com o pé do homem moderno. Provavelmente Lucy não podia correr, mas era capaz de caminhar com passos largos.

Lucy tinha um aspecto de macaco, sem dúvida (imagem à direita), mas nela é possível reconhecer algo de mais familiar e não é apenas uma impressão: a postura é sem dúvida mais humana quando comparada com os antecessores, a forma do peito é prova disso, e apresentava um dimorfismo sexual (diferença entre macho e fêmea) mais marcado, tal como acontece no homem moderno.

É difícil reconstruir os aspectos sociais da espécie de Lucy.
O que é possível observar é que o dimorfismo é acompanhado nos grandes macacos contemporâneos à existência duma vida em pequenos grupos familiares, com um exemplar macho dominante. Mas, claro, estamos no campo das puras especulações.

Só África?

Faixa vermelha: o Vale do Rift
Uma dúvida: mas porquê na África? Faz sentido pensar que o homem moderno possa ter evoluído num único lugar para depois ocupar os restantes continentes?

De facto existe uma teoria alternativa, segundo a qual a família dos homens poderia ter surgido em mais lugares ao mesmo tempo.

Eu gosto desta última hipótese, mas acho ser mais racional a primeira. Porquê?
É simples. Se aceitarmos a ideia de evolução, temos de admitir que os processos e as condições que levam até o nascimento duma espécie mais progredida podem ser coisas raras. E já não é fácil aceitar a ideia de evolução, pois até hoje ninguém viu evoluir algo.

Se observemos quanto ilustrado até aqui, podemos ver que:
  • os primeiros Primatas apareceram na América do Norte e na Europa (Purgatorius - 65 ma - e Plesiadapis - 58 ma);
  • as Esosimias, os primeiro Primatas com características de macaco, apareceram na Ásia, 45 ou 40 ma.
Isso significa que quando a evolução conseguir gerar um produto de sucesso, este tende a difundir-se. E esta "geração" pode acontecer em qualquer lugar, que depois identificamos como ponto de origem. Tal aconteceu com os exemplos acima, porquê não deveria ter acontecido em épocas sucessivas também?

É verdade que a "paranóia" dos cientistas com a África tem levado a que a maior parte da pesquisas acontecesse aí; e isto explica em parte a razão de muitas das descobertas fundamentais terem acontecido na África. Mas é verdade também que de facto os pesquisadores aí encontram o que procuram; e deve existir uma razão que justifique isso.

Não podemos comparar o nosso mundo com as condições de 5, 3, 1 milhões de anos atrás (ou ainda muito menos); não havia autoestradas que permitissem evoluir numa região para depois deslocar-se alguns milhares de quilómetros, talvez nas Bermudas pois o clima é melhor.

Faz sentido, no meu entender, que um restrito grupo de macacos tenha dado origem a um processo evolutivo que ao longo de muito tempo ficou confinado numa zona bem delimitada. Isso é, África cento-oriental: Etiópia, Chade, Kenia, Tanzânia,  as regiões atravessadas pelo Vale do Rift (um complexo de falhas tectónicas criado com a separação das placas tectónicas africana e arábica) 

Mas dos próximos passos vamos falar numa outra parte.


Ipse dixit.

Relacionados:
Origens: o Homem - Parte I
Origens: o Homem - Parte II
Origens - Parte I
Origens - Parte II
Origens - Parte III
Origens - Parte IV

O Lago Vostok

O lago numa imagem radar
Grécia, Irão, Síria...não é que as novidades abundem.
Então vamos mudar: hoje vamos falar de algo que fica num lugar frio, mas frio mesmo.

O diário La Repubblica publica um artigo muito interessante. Reparem na fonte: não o blog "Mistérios, Fantasmas e Medo", mas o segundo (ou primeiro? Já não sei) diário mais vendido do "Bel Paese".

O assunto? O lago Vostok, 250 km de comprimento, 50 de largura, 1.000 metros de profundidade.
Nunca visitaram o lago Vostok? Não admira: em primeiro lugar fica na Antárctica, um pouco afastado das tradicionais rotas turísticas; depois não é um lago normal, mas encontra-se debaixo de duas milhas de gelo.

Um lago debaixo da camada gelada da Antárctica? Isso mesmo. Promete bem.

Água, dúvidas...

O lago foi descoberto pelo geógrafo russo Andrey Kapitsa durante uma serie expedições cientificas soviéticas realizadas entre 1959 e 1964. A combinação de ondas sísmicas e radar confirmou a existência de alguns lagos, o maior dos quais é o Vostok.

Com a perfuração foi possível alcançar uma zona situada apenas 60 metros acima da superfície do lago, onde já não há o mesmo gelo da camada polar mas gelo de água lacustre. Agora uma equipa de pesquisadores russos retomou a exploração, o que significou ultrapassar mais de duas milhas de gelo antárctico, numa perfuração que acabou hoje.

E nem faltara uma pitada de mistério: como relata o canal de notícias Fox, a equipa desapareceu e reapareceu só após uma semana de comunicações interrompidas.

Mas afinal: qual a graça em visitar um lago que fica debaixo de quilómetros de gelo?

As razões são várias.
A camada de gelo antárctico funcionou como selante desde o Plioceno, 5 milhões de anos atrás. Desde então, as águas do Vostok ficaram separadas e absolutamente livres de qualquer contaminação exterior.

Isso significa que uma amostra do Vostok daria água pura e, ao mesmo tempo, seria como uma máquina do tempo: água com 5 milhões de anos.

E a vida? Pode existir um ecossistema no Vostok? A resposta é sim, pode. 5 milhões de anos atrás a vida proliferava no planeta e faz sentido pensar em criaturas presas nas águas do lago desde então. Vida que teria tomado um percurso diferente de qualquer outro lugar do planeta. Neste aspecto, é óbvia a presença de bactérias, mas pode existir algo mais? Ainda não sabemos, mas os pesquisadores terão que tomar uma série de precauções para evitar qualquer tipo de contaminação,  em ambas as direcções.

Além de tudo isso há outra pergunta: como é possível a existência dum lago debaixo do gelo, num dos lugares mais frios da Terra? Em algumas zona, a água atinge os +30º C, o que daria uma excelente piscina.
Existe uma hipótese que tenta explicar este fenómeno: os lagos, entre os quais o Vostok, estariam posicionados em zona onde a crosta terrestre é mais fina e que, portanto, recebe o calor do magma.
Como afirmado, não passa duma hipótese, sendo as verdadeiras razões ainda desconhecidas.

Mas há ainda outro mistério que está à espera de ser resolvido. Algo igualmente importante, mas com contornos muito menos definidos.

...e mais dúvidas

No sul-oeste do lago, as equipas de pesquisa têm identificado e testado ao longo de anos a presença duma forte anomalia magnética, de origem inexplicável, com uma extensão 105 para 75 km.

 Alguns pesquisadores acreditam que o tal fenómeno seja devido ao afinamento da crosta nessa área; porém, alguns medições feitas por detectores sísmicos identificaram a presença dum elemento metálico de forma circular (ou talvez cilíndrica) que aparece na base do lago, com um diâmetro muito grande.

Portanto, a hipótese é que seja esta não especificada estrutura que gera a alteração de 1000 nanotesla no campo magnético da zona.
Um meteorito? Ou algo ainda desconhecido? Não sabemos. A única certeza é que o objecto apresenta um perfil regular e que a NSA (a agência para a segurança nacional dos EUA) tem perimetrado a área e classificado as comunicações, oficialmente para "evitar a contaminação".

Um dos muitos mistérios do Vostok, cuja exploração faz lembrar o trabalho das sondas espaciais: um mundo novo, desconhecido, com muitas perguntas em aberto.


Ipse dixit.

Fontes: La Repubblica, Fox News, Nasa

8 de Fevereiro de 2012

Desemprego EUA: dados contraditórios

Na passada Sexta-feira saíram os dados ocupacionais dos Estados Unidos.
Festa grande. A taxa de desemprego caiu desde 8.5% para um bem mais simpático 8.3%, melhor de que as previsões.

E reparem no percurso:
Setembro 9.1%
Outubro 9.0%
Novembro 8.6%
Dezembro 8.5%.

Nada para fazer: a economia americana melhora com o passar dos meses. Crise? Já foi. Talvez. Ou talvez não. Porque logo a seguir explodiu a guerra dos números: os dados são falsos, não, são verdadeiros.

Nada melhor que observar bem de perto estes números.

Eis os dados apresentado por ZeroHedge:


Conseguem ver aquele "salto" à direita? Não, não é um erro: são estes os dados reais. E para perceber melhor, eis um outro gráfico:


Estamos perante a menor força-trabalho dos últimos 30 anos.
Para simplificar, podemos considerar a força-trabalho como o conjunto de pessoas que têm um emprego mais os desempregados que procurar um trabalho e que por isso recebem um subsídio. Fora da força-trabalho ficam as pessoas que abdicaram da procura, como por exemplo os desempregados de longa duração que já nem tentam encontrar uma ocupação.

O que os dados demonstram é que mais de um milhão de pessoas saiu da força-trabalho durante o último mês. Para ser mais preciso 1.117.000 indivíduos. Portanto, dado que a força-trabalho aumentou desde 153.9 para 154.4 milhões e que a população em idade activa atingiu os 242.3 milhões, isso significa que as pessoas sem trabalho passaram de 86.7 para 87.9 milhões.

E este cálculo não tem em conta a qualidade do trabalho (que piorou), discurso que mereceria bem outro espaço.

Tudo isso representa uma força-trabalho de 63.7%, o mínimo dos últimos trinta anos. Na verdade, não é possível ignorar a hemorragia das pessoas que cada mês literalmente "desaparecem" do mercado do trabalho, o que faz baixar consideravelmente a taxa de desemprego, pois não são consideradas na estatísticas do desemprego. Sem estes "desaparecidos", a taxa de desemprego estaria na casa do 11%.

Todavia, se considerarmos:
- todas as pessoas que querem um trabalho mas abdicaram da procura;
- todas as pessoas com trabalho part-time e que procuram um tempo inteiro;
- todas as pessoas que abandonaram as listas do desemprego porque acabou o prazo dos subsídios
então o quadro fica bem pior.
Esta percentagem, que no relatório oficial aparece na secção U-6, ultrapassa 15.1%.

Resumindo: qual a verdade? O relatório oficial ou os dados de Zero Hedge (partilhados também pelo Washington Post e Global Economic Analysis)?

Responder não é simples, também porque a altura é complicada: de facto já começou a campanha eleitoral e a administração de Obama tem todo o interesse a apresentar dados positivos. Doutro lado há quem apoie a ideia de que o aumento da população interessa as pessoas com mais de 55 anos, grupo com níveis de participação no mercado do trabalho mais baixos. E mais de um milhão de pessoas que "desapareceram" da força-trabalho num só mês parece excessivo.

Neste caso o melhor é esperar e continuar a acumular dados. talvez a verdade esteja no meio, com uma taxa de desemprego que não mudou, pois a impressão é que os Estados Unidos ainda não encontraram a saída da crise.
E que o caminho seja ainda comprido.


Ipse dixit.

Fontes: Zero Hedge, Washington Blog, Mish, Voci dall'Estero

O simpático mundo de Angela Merkel

Acabámos de entrar num novo mundo.

Neste mundo, imaginado pela chancelera alemã Angela Merkel, as pessoas vivem em humildes cabanas, percorrem trilhos que ligam as longínquas aldeias e quando encontrarem um rio...bom, ou voltam atrás ou arriscam a vida, pois de pontes nem a sombra.

Provavelmente são as lembranças da juventude da chancelera, quando com a sua manta vermelha corria feliz entre as árvores da Floresta Negra para alcançar a cabana onde vivia a avó. Preocupa que estas lembranças agora se tornem uma visão económica.

Ao falar aos alunos da Bela Foundation de Berlim, a simpática Angela disse:
Quem já esteve na Madeira, pôde ver para onde foram os fundos estruturais europeus. Há muitos túneis e auto-estradas bonitas, mas isso não contribuiu para que haja mais competitividade
Na opinião de Merkel, os referidos fundos devem servir para apoiar as pequenas e médias empresas, por exemplo, como ficou decidido no recente Conselho Europeu, em Bruxelas, e não mais para construir estradas, pontes e túneis, como sucedeu, na sua opinião, naquela região autónoma portuguesa.

Agora, eu não gosto nada do governador da ilha, Alberto João Jardim, que tem um conceito de democracia bastante parecido com aquele do Don Vito Corleone interpretado por Marlon Brando. Mas se houver uma coisa que Jardim fez foi melhorar as infraestruturas da Madeira.

Podemos discutir acerca das motivações de Jardim, podemos afirmar que com as infraestruturas o presidente recolheu os votos necessários para manter-se em função desde 1978. Mas ninguém pode negar que a Madeira hoje apresenta obra feita: as infraestruturas existem e com certeza facilitam (e de que maneira) a actividade das empresas locais.

Porque nem podemos esquecer que ajudar uma empresa não significa apenas pô-la em condição de produzir: após o processo de produção, é preciso que a mercadoria possa circular e alcançar os mercados.
A bem ver, o único papel determinante dum político neste sentido é assegurar a existência de tais estruturas, pois da produção trata o empresário.

Na óptica da simpática Angela, pelo contrário, a classe política tem o dever de "criar empregos e crescimento económico", como afirmado na proposta apresentada em conjunto com a França no início deste mês. Mas qual o sentido da criação de emprego por parte dos Estados? Como pode um político favorecer o crescimento económico? Porque não podemos ignorar que a simpática Angela é a mesma pessoa que apoia as medidas draconianas na Grécia, com cortes no sector público, nos salários e nas reformas, privatização dos serviços.

Então, Portugal (outro País falido, tal como a Grécia) tem que abdicar das infraestruturas, despedir milhares de trabalhadores e ao mesmo tempo "gerar emprego"? A competitividade não passa pelas infraestruturas fornecidas pelo Estado?

Não seria mal ouvir a descrição deste fantástico mundo que existe na cabezinha da chancelera. De certeza deve ser um mundo bem interessante e até divertido.


Ipse dixit.

Fontes: Público

Síria: a conta dos mortos

Quantos mortos na Síria? Depende, é só escolher.

O alegado "massacre de Homs" da semana passada, por exemplo:
Yahoo Notícias Brasil: 105 mortos.
Washington Post: mínimo 200 mortos.
Euronews: 200 mortos.
Expresso: 217 mortos.
New York Times: 287 mortos.
La Repubblica: mais de 300 mortos.
Corriere della Sera: 337 mortos.

Cada um pode escolher o número de mortos que mais lhe agrada. O importante é lembrar que todos os mortos são obra do regime. O mesmo regime que corta a electricidade e deixa morrer as crianças nas incubadoras, óbvio.

E os "revolucionários"? Não têm armas? Sim, mas só para legitima defesa, pois os "revolucionários" são bons.

O que é certo é que em Homs houve confrontos entre a oposição e as forças governamentais. Dizer mais é impossível. Não porque faltem as fontes,: mas porque as fontes que fornecem as notícias para todos os media ocidentais são duas e ambas da oposição.

Uma investigação do jornal Al Akhbar (edição inglesa) revela que o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (Sohr) tem duas agências de imprensa: Syriahr Org e Syriahr Ner, que lutam entre elas.
A primeira, Syriahr.Org, define-se como "o site oficial do Observatório", a segundas, Syriahr.Net,...também.

Em Syriahr.Org é bem visível desde 17 de Janeiro uma carta assinada pela oposição síria que "repudia" Rami Abdul Rahman (também conhecido como Osama Ali Suleiman), "director" do Observatório, com acusações pesadas. Syriahr.Org pede desculpa pela confusão, acrescentando que pediu ao director para demitir-se por contabilizar nos seus relatos também as baixas entre as forças governamentais. E isso não fica bem: os mortos devem ser todos inocentes cidadãos ou heróicos revolucionários. Por isso abriram um novo "observatório".

Nos bastidores há uma divisão política: Suleiman está próximo da oposição do Ncb (National Coordination Body for Democratic Change in Syria) de Al-Manna que quer uma solução negociada da crise interna e que condena a luta armada, enquanto a contra-parte é constituída pelo Cns de Gharioun, ainda mais filo-ocidental, financiado pelos Países do Golfo e que recruta milicianos estrangeiros.

Em qualquer caso, os media ocidentais preferem as notícias do Ncb e Sulemain já denunciou pressões para que a organização dele apoie uma intervenção armada da Nato e para que deixe de falar dos mortos entre os soldados sírios.

Em ambos os casos, as notícias mais eficazes são aquelas das "crianças mártires" e das famílias mascaradas pelo governo mau.
Madre Inês de la Croix-Mariam, superior do mosteiro sírio de St. James, que por sua vez difunde as listas das vítimas dos grupos armados (e por isso é ignorada pelos media), pesquisou nos últimos dias o caso do "Massacre de Homs", incluindo o caso da família Bahadour, 12 membros mortos inclusive as crianças.

Segundo a versão do francês Le Monde e da americana CNN, os assassinos eram "7 homens em uniforme, partidários do regime." A irmã contactou então a família que deu uma versão oposta:
Abdel Ghani Bahader, irmão de uma vítima, disse-nos que: "Nós somos uma família sunita, que trabalha para o estado, queremos ser neutros. Mas os insurgentes atacaram várias vezes, até que o meu irmão queria mudar para outro lugar depois de ter recusado o convite para juntar-se ao Exército sírio livre. Mas não conseguiu a tempo"

Ipse dixit.
.
Fontes: Yahoo Brasil, Euronews, Expresso, Corriere della Sera, La Repubblica, New York Times, Washington Post., Syriahr.org, Syriahr.net, Il Manifesto

7 de Fevereiro de 2012

Mesmo para lembrar alguns pontos...

Recebi um mail de P. (não publico o nome porque não pedi a autorização), que agradeço desde já, e que reporto por duas razões:
  1. porque fornece a ocasião para esclarecer alguns pontos, que são bem conhecidos aos Leitores mais antigos mas que podem gerar dúvidas nos mais novos;
  2. porque apresenta um link dum vídeo (em língua inglesa) que por sua vez está relacionado com um blog LibertyPen (também em língua inglesa) que, como afirma logo abaixo do título, "defende a superioridade da liberdade e da razão.
Eis o resumo do mail:
Max. , a tempo venho percebendo que vc tem tendência para criticar a liberdade do mercado, de forma geral, [...] os seus artigos criticam o liberalismo, afirmando que é causa de muitos problemas no mundo actual como a crise. [...] Eu tenho umas perguntas:
o mercado livre , não cria riqueza para a população em geral?
a crise actual não é o produto da intervenção governamental?

Vídeo interessante, com blog interessante. Mas vamos ao que interessa: Informação Incorrecta critica o livre mercado? Resposta: não, Informação Incorrecta critica este livre mercado, não a ideia de livre mercado no geral.

O que Paulo afirma, que o livre mercado cria riqueza, é verdade e não há como negar isso. Podemos ter as nossas ideologias, podemos pensar que afinal algo não está certo, mas a única maneira para avaliar a realidade é com os factos.

Neste sentido temos que observar as "provas dadas". E que "provas dadas" oferecem os sistemas políticos/económicos experimentados até hoje?

Os sistemas políticos/económicos aplicados em larga escala ao longo dos últimos séculos foram substancialmente dois: o Capitalismo e o Comunismo. O Capitalismo é o sistema no qual o livre mercado encontra a sua máxima expressão, pelo menos "encontrava" até poucos anos atrás. Vice-versa, o Comunismo repudia a ideia de livre mercado.

Alguém pode afirmar que, na verdade, nunca existiu um País verdadeiramente comunista, e a observação é correcta; mas para simplificar, aceitemos a errónea definição de "Países comunistas".

Quais foram os resultados? Não sei o Leitor, mas eu não quero viver num País onde não posso reestruturar a casa porque o Estado não permite (e isso é Cuba); nem quero viver num País onde posso utilizar o telemóvel apenas quando o Estado assim entender (Cuba, outra vez), onde sou obrigado a utilizar um carro dos anos '50 porque o Estado, sempre ele (e sempre Cuba), não permite a livre circulação dos bens, onde tenho obrigatoriamente que cultivar beringelas porque o Estado acha bem.

Mas além das minhas opiniões, temos que observar quais os resultados económicos no geral. E aqui o discurso é mais complexo.

Tive ocasião de visitar ao longo de bastante tempo um País do ex-bloco soviético, a Hungria, pouco depois da queda do muro de Berlim. E fiquei admirado com a quantidade de serviços gratuitos que ainda existiam, tal como tinham existidos ao longo do regime comunista: serviços de saúde gratuitos, veterinários gratuitos, transportes, electricidade, gás particularmente baratos (mesmo para os padrões locais), autoestradas grátis.

Uma maravilha? Não, porque as economias comunistas não criavam riqueza: a maior parte da população, que podia usufruir das vantagens listadas, vivia com ordenados que permitiam pouco mais do que a sobrevivência, enquanto as altas patentes do Estado gozavam da mesma riqueza que hoje reconhecemos nos milionários ocidentais.

Era uma sociedade injusta, além de economicamente não viável. E o bloco soviético não caiu por questões ideológicas mas económicas.

Mas há mais. Os Países da Europa do Norte alcançaram um nível de bem estar superior aos padrões do ex bloco soviético e também aos padrões de realidades como a França, a Alemanha ou os Estados Unidos, mesmo num regime de livre mercado e sem alienar o direito à liberdade individual.

Isso significa que o Capitalismo é a receita perfeita? Longe disso, todavia é o único sistema que tem algumas provas dadas, pelo menos no recente passado. Porque será bom fazer um pouco de clareza neste aspecto: o livre mercado que estamos a experimentar nesta altura é muito menos livre do que costumava ser.

Eis o livre mercado dos combustíveis em Portugal, por exemplo, com os preços da gasolina sem chumbo 95 nas três principais distribuidoras:
Galp 1.654 €
BP 1.639 €
Repsol 1.639 €

Esta é concorrência, natural consequência dum mercado livre? Este é um cartel, como é óbvio. Estamos bem longe do livre mercado de Adam Smith (cujas ideias também estavam longe de ser perfeitas). E a situação irá piorar, pois estamos perante um fenómeno pelo qual o mercado será cada vez mais concentrado nas mãos das maiores multinacionais.

Esta é uma das minhas criticas ao pseudo-capitalismo de hoje.
"Pseudo" porque tem tendência para anular a livre concorrência (a única que pode realmente tutelar o consumidor) e "pseudo" porque mergulhado numa realidade de hiper-finança que cada vez mais fica afastada dos meios de produção, os únicos com os quais é possível identificar o verdadeiro Capitalismo.

É o estado actual a natural e inevitável evolução (ou melhor: involução") do Capitalismo? Talvez seja, tenho algumas dúvidas acerca disso. Mas é importante realçar que esta involução é o fruto da falta de intervenção governamental, que permitiu o desenvolvimento dum mercado selvagem e sem regras (o actual mercado financeiro), capaz de condicionar o destino de inteiras Nações e continentes.

Quando, pelo contrário, o Estado fica presente e regula o mercado com leis rigorosas, então o mercado livre funciona (e também o mercado financeiro, que não deve ser visto como o Mal). Caso haja dúvidas, nada melhor do que espreitar os Países da Europa do Norte (Noruega, Suécia, Finlândia) onde uma social-democracia real (e não de fachada como no caso do Partido Social Democrata português) criou um nível de bem estar que na "potente" Alemanha ainda é um sonho.

Mercado livre não significa anarquia: significa dar a todos a possibilidade de participar com iguais condições, sejam produtores ou consumidores, sem prevaricação das respectivas liberdades.

Nos jogos de futebol há 25 pessoas no relvado: 11 jogadores por cada equipa mais 3 árbitros. Sem os árbitros, o jogo seria uma rixa: as regras são precisas. Doutro lado, não gostamos quando o arbitro influencia o resultado final: a liberdade do jogo fica afectada.

A ideia de que o mercado possa auto-regulamentar-se (tese suportada por alguns neoliberalistas, a assim chamada "mão invisível") é uma idiotice, é como um jogo de futebol sem árbitros. Da mesma forma, a ideia de que seja o Estado o único jogador presente no relvado não parece favorecer muito o espectáculo.

Na minha opinião, o mercado livre não pode prescindir dalgumas regras criadas pelos cidadãos que, será bom lembrar, são ao mesmo tempo o Estado, os produtores e os consumidores. Quando uma destas três componentes prevalecer, então temos um sistema não equilibrado:
se for o Estado a prevalecer, então teremos um mercado não livre (Comunismo);
se forem os produtores teremos um mercado sem regras (a nossa actual situação);
se forem os consumidores não faço ideia porque nunca aconteceu...

Em qualquer caso, e para concluir, acho que a actual crise deveria ser aproveitada para procurar novos sistemas, porque em ambos os casos estamos perante sistemas imperfeitos: um (o Comunismo) é mais imperfeito do que o outro, isso é verdade; e o "outro" é sem dúvida preferível (pelo menos na versão original, não na actual), mas nem por isso o Capitalismo pode surgir como escolha final.

Não que seja simples encontrar uma válida alternativa, pelo contrário: mas após alguns séculos de Capitalismo (verdadeiro e pseudo) e de experiências fracassadas do socialismo real, acho que a coisa melhor seria tentar dar um salto para a frente.
Não é por nada, mas há uma coisa chamada "evolução" que fica à espera...

Espero ter respondido às dúvidas :)


Ipse dixit.

Popcorn e efeitos hepatorrenais

Eu sei, eu sei: depois haverá alguém que acusa este blog de ser "sensacionalista", como já aconteceu.
Pois é assim, ao falar da Monsanto ficamos logo rotulados: sensacionalistas.
Organismos geneticamente modificados? Sensacionalistas.
Uma pesquisa publicada no International Journal of Biological Sciences?
Sensacionalistas.
Também no caso duma pesquisa científica?
Sim, sensacionalistas.

Tudo o que tem a ver com os aspectos menos claros da saúde fica no âmbito do sensacionalismo. O blog não sensacionalista? Aquele que não dúvida e nem trata de determinados assuntos.

Paciência, acontece. Aqui falamos de Monsanto, de OGM e duma pesquisa cientifica publicada numa conceituada revista médica. Porque ser sensacionalista é uma coisa, ser obtuso é outra. 

Até agora ninguém tinha provado os efeitos dos OGM sobre a saúde humana: os dedos estavam apontados principalmente contra os prejuízos económicos para os agricultores e os problemas da biodiversidade. Mas agora chega este novo estudo publicado no International Journal of Biological Sciences, que destaca como o milho OGM produzido pela multinacional pode ser prejudicial para a saúde dos mamíferos e, portanto, para os seres humanos.

Segundo o estudo existem três variedades de milho transgénico aprovado para o consumo nos Estados Unidos, na Europa e em muitos outros Países: MON863, MON810 e NK603. E todos provocam graves danos aos nossos órgãos.Um dos autores da pesquisa, Gilles-Eric Séralini, afirma: 

Os efeitos são concentrados nas funções hepática e renal, os dois principais órgãos de desintoxicação, mas diferiram em detalhe para cada tipo de OGM.
Mas em alguns casos foram também identificados problemas no coração e no baço:
Os nossos dados sugerem decididamente que essas variedades distintas de milho OGM induzem um estado de toxicidade hepatorrenal. Estas substâncias nunca foram parte da dieta humana ou animal e as implicações para a saúde de quem os consome, especialmente no longo prazo, são ainda desconhecidas.
Mas vamos ler as conclusões do estudo, conduzido pelo pesquisadores Joël Spiroux de Vendômois, François Roullier, Dominique Cellier e o já citado Gilles-Eric Séralini:
Os perfis fisiopatológicas são únicos para cada cultura OGM, sublinhando a necessidade duma avaliação caso a caso, da sua segurança, como é amplamente admitido e pelos órgãos reguladores. Não é possível fazer comentários sobre qualquer geral efeito subcrônico tóxico, similar para todos os alimentos OGM.
No entanto, nas três variedades de milho OGM que formaram a base desta investigação, novos efeitos colaterais associados ao consumo desses cereais foram revelados, que eram dependente do sexo e muitas vezes da dose. Os efeitos foram concentrados na função renal e hepática, os dois principais órgãos de desintoxicação, mas diferiram em detalhe com cada tipo de OGM. Além disso, alguns efeitos sobre o baço, o coração, rins e células de sangue foram também frequentemente observados.
Como não existem diferenças sexuais no fígado e no metabolismo renal, os distúrbios altamente e estatisticamente significativos na função destes órgãos, observados entre ratos machos e fêmeas, não podem ser descartados como biologicamente insignificantes, tal como proposto por outros.
Concluímos, portanto, que os nossos dados sugerem fortemente que estas variedades de milho OGM induzem um estado de toxicidade hepatorrenal. Isto pode ser devido aos novos pesticidas (herbicidas ou insecticidas) presentes especificamente em cada tipo de milho OGM, embora não possam ser excluídos efeitos metabólicos desconhecidos devidos às propriedades mutagénicas dos OGM.
Todas as três variedades de milho geneticamente modificado contêm um resíduo de pesticida distintamente diferente, associado com o seu evento especial (glifosato e AMPA em NK 603, Cry1Ab modificado no MON 810, Cry3Bb1 modificado no MON 863). Estas substâncias nunca antes foram parte integrante da dieta humana ou animal e, portanto, as suas consequências para a saúde de quem as consome, especialmente durante longos períodos de tempo, são actualmente desconhecidas.
Além disso, qualquer efeito colateral ligado aos OGM será único em cada caso, dependendo do local de inserção do transgene e o espectro de mutações do genoma irá diferir nos três tipos de milho modificado.
Em conclusão, os dados aqui apresentados recomendam que um estudo adicional de longo prazo (até 2 anos) da alimentação animal deve ser realizado em pelo menos três espécies, de preferência também multi-geracional, para fornecer dados cientificamente válidos sobre os efeitos tóxicos agudos e crónicos das culturas OGM.
A nossa análise destaca que os rins e o fígado como alvos particularmente importantes em que centrar a investigação, pois houve um claro impacto negativo sobre a função destes órgãos nos ratos que consumiram as variedades de milho OGM num período de apenas 90 dias.
Esta pesquisa confirma os resultados já encontrados na investigação New Analysis of a Rat Feeding Study with a Genetically Modified Maize Reveals Signs of Hepatorenal Toxicityde, conduzida pelo Criigen (Committee for Research and Independent Information on Genetic Engineering) acerca do OGM MON 863 em 2007.
  
E a Monsanto?
Segundo a empresa
"a investigação foi baseada em métodos de análise e de raciocínio imprecisos que não põe em causa a segurança dos produtos".


Mas a equipa de investigação não concorda; é o mesmo Séralini que responde:
O nosso estudo contradiz as conclusões da Monsanto, porque a Monsanto sistematicamente negligencia os efeitos significativos para a saúde dos mamíferos que são diferentes em homens e mulheres e que não são proporcionais à dose. Este é um erro muito grave, dramático para a saúde pública. Esta é a principal conclusão revelada pelo nosso trabalho.

Pfff, sensacionalistas...


Ipse dixit.

Fontes: International Journal of Biological Sciences, Food Freedom, Criigen,  

Grécia: em pedaços

Ainda Grécia? Sim, ainda Grécia.

Porque o que podemos encontrar nos media nesta altura são os relatos acerca dos Gregos "maus", os que não aceitam o novo plano de austeridade imposto pelas Mentes Pensantes da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu. Mas não seria mal perceber "porque" os Gregos recusam o novo plano: simplesmente porque são maus e casmurros ou pode haver outras razões?

Assim, enquanto o País enfrenta a enésima greve geral, com cerca de dois milhões de pessoas nas ruas que manifestam contra a redução do salário mínimo (-20%) ou a supressão de 15.000 empregos no sector público (medida anticonstitucional., diga-se), vamos ver uma outra realidade, que não ocupa as páginas dos jornais.

Não se encontra, por exemplo, o desespero que leva a que um hospital público acabe sob controle dos trabalhadores, tal como acontecia com as fábricas argentinas poucos anos atrás: na altura, como agora, o FMI sempre presente, com os mesmos resultados.

No entanto, é isso que está a acontecer no hospital de Kirkos: os funcionários ocuparam o hospital, aderiram à greve nacional de hoje e já deixaram claro que na próxima reunião do dia 13 de Fevereiro será anunciada a auto-gestão por parte dos funcionários.

A Assembleia decidirá quais os procedimentos que são necessários para implementar eficientemente a ocupação dos serviços administrativos e assegurar a implementação bem sucedida da auto-governação hospitalar, que terá início nesse dia. A reunião será a ferramenta para tomar as decisões sobre os funcionários e o funcionamento do hospital.

O governo não estará livre de todas as obrigações em relação ao pessoal e ao fornecimento, mas se continuar a ignorar essas obrigações, teremos que informar o público e pedir apoio para a sobrevivência do hospital e o suporte para o direito à saúde pública e gratuita.

Clamoroso? Sim, mas não totalmente inesperado. Já há algumas semanas a saúde pública grega está de rastos: falta no abastecimento de medicamentos, salários não pagos, cidadãos que não conseguem ser atendidos são a realidade.

Problema: um hospital não é uma fábrica, a auto-gestão não vai ajudar a operar as instalações se os fundos não chegarem. Mas é sempre uma reacção da sociedade civil. O hospital de Kirkos pode ser apenas o primeiro de uma longa série.


A situação é grave e as notícias difundidas pelos órgãos de informação estrangeiros são totalmente inadequadas para descrever o que está a acontecer no interior da Grécia. Salários e pensões já foram reduzidas em 50%, em alguns casos em 70%.

A desnutrição é comum entre crianças na escola primária, a fome faz a sua aparição nas principais cidades do País, cujos centros são agora ocupados por dezenas de milhares de desabrigados, famintos e esfarrapados.

O desemprego afecta quase 25% da população e 45% dos jovens (49,5% no caso das mulheres jovens).

Os serviços públicos já foram liquidados ou privatizados, com o resultado de que as camas dos hospitais foram reduzidas por decisão do governo em 40%; custa muito caro e é arriscado até dar à luz, dado que os hospitais estão agora sem medicamentos básicos como a aspirina.
O Estado grego é incapaz de proporcionar aos alunos os textos para o ano lectivo que começou em Setembro passado. Dezenas de milhares de cidadãos deficientes ou doentes com patologias raras estão condenados à morte certa a curto prazo depois do Estado ter retirado os subsídios para os medicamentos. Aumentam o número das tentativas de suicídio, como os seropositivos abandonados à sua sorte pelas autoridades.


Entretanto, Alemanha e França querem que parte da próxima eventual ajuda económica seja reservada para os credores, isso é, os bancos.

Pois a realidade é esta: Berlim e Paris estão preocupados não com os cidadãos gregos, mas com as consequências que uma eventual falência de Atenas teria nos bancos de Alemanha e da França.

E entender esta falta de interesse em relação aos cidadãos é simples: mesmo que as políticas requerida pelos vários FMI ou BCE resultassem, a dívida do governo grego atingiria em 2020 o 120% do PIB: a mesma situação de 2009, quando começou este jogo ao massacre.


Ipse dixit.

Relacionados:
Grécia: o estômago vazio
Grécia: é toda culpa deles
Grécia: novos impostos, novos suicídios

Fontes: Crisis, Tlaxcala, Libcom

6 de Fevereiro de 2012

Facebook e velhos instintos

Feisbuk. Mais conhecido como Facebook, um dos rostos das redes sociais, o mais conhecido.

Não é possível ignorar esta realidade que no prazo de poucos anos condicionou o desenvolvimento de internet. E são as mesmas redes sociais que tentam perceber o que se passa: normal, afinal têm que oferecer um produto sempre à altura das expectativas e explorar novos territórios. 

Os pesquisadores de Facebook, por exemplo, acabam de publicar um novo estudo que tenta analisar como as pessoas recebem e reagem às notícias dentro das redes sociais. Um estudo que tem um nome significativo: Repensar a Diversidade da Informação nas Redes.

Grécia: é toda culpa deles

Será desta? Assim parece.

As negociações por enquanto não registam avanços. Pelo contrário: nenhum acordo após a última reunião com o primeiro ministro Lucas Papademos e os líderes dos principais partidos gregos.

O problema? Simples: as Mentes Pensantes de Bruxelas, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu querem novos cortes, caso contrário nada de ajudas.

Porque é assim: após resgates e ainda resgates, a Grécia precisa de outro dinheiro, e não pouco. Em Março Atenas terá que reembolsar alguns títulos, um total de 14.5 biliões de Euros. E, claro está, não tem fundos, pelo que precisa dum novo empréstimo.

Michael Lewis e a próxima crise

Michael Lewis é um escritor americano.
Mas não inventa histórias, relata o mundo da finança a partir do interior dele.

O "milagre" de Silicon Valley, investigações, a vida no mundo das Bolsas são os temas escolhidos, sempre com um olhar crítico e um estilo simples e imediato. Umas boas leituras para entender melhor os grandes poderes que gerem o planeta..

O diário Público apresenta uma entrevista bastante comprida com Lewis. E Lewis não apenas apresenta o seu último livro como também fala da crise actual e da próxima.
Pois haverá outra, Lewis não tem dúvidas.

5 de Fevereiro de 2012

Origens: o Homem - Parte II

Pensa-se que os primeiros primatas apareceram 85 milhões de anos atrás (vamos abreviar em 85 ma), num período conhecido como Cretáceo.

Purgatorius, o rato-macaco

Exemplo destes primeiros Primatas (que Primatas não eram: é correcto falar de espécies com algumas das características dos Primatas) é o Purgatorius,(imagem à direita), algo parecido com um esquilo, vivido na América do Norte 65 ma.

A data é importante, pois estamos pouco após a grande extinção dos Dinossauros. É provável que durante o reinado dos grandes repteis, os proto-primatas ficassem bem caladinhos, tentando não dar muito nas vistas para não serem transformados em suculentos almoço: situação que mudou após a Grande Extinção, quando os antigos Primatas tiveram mais possibilidade de evoluir com uma certa tranquilidade.

O Purgatorius era um animal pequeno, era omnívoro, vivia nas árvores e distinguia-se da restante família dos ratos por ter dentes com uma estrutura parecida com aquela dos Primatas. Este minúsculo animalzinho foi o antepassado ancestral dos modernos macacos e do homem também? Assim parece.

Juca Kfouri e a Copa 2014

Aproxima-se o Mundial de Futebol de 2014 e no diário Público aparece uma entrevista de Juca Kfouri.
Juca é um jornalista desportivo, conhecido no Brasil, e a visão dele acerca do grande evento desportivo é basicamente negativa.

Reporto a seguir a entrevista, sem comentá-la, para dar espaço a quem melhor conhece o assunto: os Leitores do Brasil.

Boa leitura!

Elefantes brancos?
O Campeonato do Mundo volta a casa em 2014. O país do futebol vai entrar em festa, que se prolonga até 2016 com os Jogos Olímpicos. Todo o brasileiro satisfeito. Todo, menos Juca Kfouri.

Durante dois anos, o Brasil vai receber as duas provas desportivas mais importantes do planeta. O país do futebol vai entrar em festa com o Campeonato do Mundo em 2014 e continua até 2016 com os Jogos Olímpicos. É todo um samba feito desporto e deixa todo o mundo satisfeito. Todo o mundo não, Juca Kfouri, o jornalista mais polémico do Brasil é contra e aponta o dedo à corrupção.

4 de Fevereiro de 2012

Origens: o Homem - Parte I

Então: chegaram os Mamíferos e os Primatas. Paciência.
E depois?

Depois apareceu o Homem. Logo? Não, não logo.
A Teoria da Evolução explica que os Mamíferos multiplicaram-se e, entre as várias famílias (o termo correcto seria Ordens), uma em particular começou a distinguir-se, os Primatas, e que a seguir apareceram várias espécies de Primatas, cada vez mais evoluídos até chegar ao Homem. Simples, não é?

Evolucioquê?

Não, não é. Há restos de macacos mais evoluídos, e não poucos; é possível observar um percurso que cada vez aproxima estes seres ao homem moderno. Mas pessoalmente tenho uma grande objecção, já manifestada num anterior artigo: onde estão os elos?

3 de Fevereiro de 2012

"Não têm provocados um grande número de vítimas civis..."

Na passada Segunda-feira, o simpático Barack Obama tornou-se o primeiro presidente a participar numa reunião virtual on-line na Internet.

Embora possa ser considerado um acto digno de figurar no livro dos recordes, o presidente Obama também fez uma outra coisa durante a reunião: mentiu. Tá bom, não é novidade. Mas não deixa de ser um bocado irritante..

Na web-chat hospedada pelo Google, o Presidente pronunciou-se sobre uma série de questões colocadas pelos cidadãos americano.

No prazo de quarenta e cinco minutos, o presidente Obama justificou a lei Stop Online Piracy Act recusando a falar sobre o assunto em profundidade, admitiu não ser um grande dançarino e ter tomado aulas de pantomima.

Enquanto isso, ignorou os problemas reais e não ofereceu qualquer solução sólida para os graves problemas do seu País, mas falou de algo importante, algo acerca do qual todos deveriam reflectir: as missões em curso dos drones norte-americanos afinal não são tão más.

Tobin Tax

O simpático Nicolas Sarkozy, marido de Carla Bruni e presidente da República Francesa, anunciou a introdução uma nova taxa: a Tobin Tax, que irá atingir todas as transacções financeiras e fornecerá dinheiro aos cofres do Estados.

Sarkozy virou comunista? Bateu com a cabeça?
Não, pois na realidade a ideia não tem nada de comunista e nem é tão esquisita, aliás, faz todo o sentido.
Demonstração: a ideia não é de Sarkozy.

O conceito original da Tobin Tax é do prémio Nobel James Tobin e foi proposta em 1972. É uma taxa que prevê atingir de forma suave todas as transacções financeiras nos mercados para estabiliza-los (pois de facto penaliza as especulações) e, ao mesmo tempo, para fornecer dinheiro para a comunidade internacional.

E as primeiras ideias acerca disso tinham sido do economista John Maynard Keynes, na década dos anos '30: mas nunca foram aplicadas por causa da resistência das lobbies, dos media e dos mesmos mercados (em particular dos fundos especulativos).

Mas seria a Tobin Tax uma boa ideia? Resposta: sim, sem dúvida. Para ser mesmo eficaz deveria ser adoptadas possivelmente em todo o mundo, mas claro está, em alguns lado seria preciso começar: e a França poderia ser o primeiro sinal neste sentido.