31 maio 2010

O desemprego

Para Informação Incorrecta a taxa de desemprego é um fundamental elemento na avaliação da real saída da recessão e / ou como indicador para poder serenamente declarar o reinicio do motor do crescimento económico.

Observando a evolução do emprego (embora recentemente melhorou de forma ligeira) é absolutamente inquestionável que com o desemprego tão elevado é muito difícil poder afirmar (como muitos têm feito) que a recessão acabou e que o pior está atrás de nós .

Digam isso aos Espanhóis, onde o desemprego é de 20% (oficialmente ...).

O seguinte gráfico é do site CalculatedRisk. Como é possível ver, comparando a actual recessão com as grandes recessões após a Segunda Guerra Mundial, provavelmente o "fundo" já foi tocado. Mas cuidado, ainda estamos longe de dizer que as coisas estão realmente melhores. Na verdade, estamos em mínimos que devem ainda ser confirmados.

E existe sempre uma dúvida de fundo: esta será uma clássica recessão seguida duma lenta recuperação ou estamos no meio duma recessão a W?
E se a tudo isso adicionamos vários factores, como os problemas económicos globais, podemos afirmar que:
  • na Europa o pior não ficou absolutamente para trás
  • nos EUA o ciclo económico é antecipado de pelo menos 6 meses em relação ao europeu
  • tendo em conta a situação na União Europeia e a austeridade planeada, esta lacuna temporal tenderá a aumentar
  • nos EUA a recuperação económica acontecerá certamente mais cedo do que em Europa

Acerca do último ponto, é preciso dizer que a questão é mesmo esta: nos EUA a recuperação já começou ou os poucos, débeis e até contraditórios sinais positivos são só os frutos dos estímulos governativos?
Por enquanto não é possível escolher uma resposta definitiva.


Para que fique claro: a "nossa" crise é constituída pela linha vermelha, a que consegue ir mais ao fundo...

A tendência geral é de tocar o fundo e depois voltar a subir, como seria normal. Há todavia uma excepção: a crise de 1948 (linha azul), em que uma vez um valor muito baixo houve uma recuperação seguida por uma nova e mais profunda queda.

E temos também a crise de 1990 (linha preta), na qual o nível de emprego alcançou um valor baixo perto do qual ficou ao longo de quase um ano antes de recuperar.

Ipse dixit.

A espiral perversa

O diário espanhol El País apresentou no passado Sábado um editorial muito significativo.

Nele é possível encontrar muito pontos quentes da crise económica: os efeitos das decisões das agências de rating, as dificuldades dum País com uma dívida pública fora de controle, a incapacidade da classe política em lidar com a actual situação.

E a presença duma esperança de fundo: a retoma, este Santo Graal tantas vezes invocado mas ainda fora do nosso alcance.

O que é dito aqui vale em Espanha, claro; mas este artigo poderia ter sido escrito em Português, Italiano e quem sabe em quantas outras línguas ainda num futuro bastante próximo.

Já o título diz muito:

Uma espiral perversa
O fraco crescimento e a ausência dum pacto político explicam a nova baixa da dívida

Quase na mesma altura em que o Prémio Nobel de Economia Joseph Stiglitz pedia para liquidar a autoridade das agências de rating, tendo sido incapazes de prever a fraude nos mercados e por causa da atitude delas que agrava as crises e intensifica as euforias financeiras, Fitch reduziu o rating da dívida espanhola de AAA para AA +, com perspectiva estável. Foi o segundo rebaixamento produzido este ano, após o de Standard & Poor's, e terá consequências para a economia espanhola. Por um lado, retira eficácia ao plano de redução dos custos aprovado pelo Governo, uma vez que pode aumentar o custo da dívida, e também prevê uma maior deterioração dos activo espanhóis desde  segunda-feira.

A opinião da Fitch entende que a taxa de crescimento do PIB é insuficiente para satisfazer a dívida total (pública e privada) e indica de forma inequívoca a contradição, aparentemente insuperável,em que se encontra a economia espanhola, uma das mais débeis da zona euro. Para manter a solvência da dívida, a Espanha precisa implementar um ajuste das despesas públicas: este corte diminui as chances de recuperação e esta fragilidade torna-se uma fonte de maior desconfiança nos mercados. A própria baixa na classificação prejudicará um pouco mais as chances de recuperação.

 Mesmo ontem, o Governo, num exercício de realismo louvável, adequou o próprio quadro macroeconómico ao impacto do ajuste dos gastos públicos e dos aumentos de impostos. Baixou as projeções de crescimento para 2011 de cinco décimos e quatro décimos em 2012 e 2013 e aumentou as taxas de desemprego previstas para estes anos, de forma que para este ano será de cinco décimas acima do esperado (até 19,4%) e no próximo ano aumentará de quatro décimas em respeito à próxima previsão, até 18,9%. São projecções que confirmam um período prolongado de fraco crescimento antes da recuperação.

Mas não convém enganar-se. Fitch afirmou na sua decisão o medo dos investidores para a desordem política espanhola e a incapacidade do governo e da oposição para chegar a um acordo sobre as linhas básicas de acção para superar a recessão. Parece inconcebível que o primeiro partido da oposição não aceite que Espanha perdeu uma parte importante da sua fortuna na crise que eclodiu em 2007, que esta perda requer um ajuste geral e que a gravidade do momento obriga a abandonar as tentativas para alcançar o governo passando por cima de qualquer outra consideração; parece insensato que os governos regionais oponham-se sistemática ao ajustamento , recusem apoiar politicamente a posição do governo e arrastem os pés para bloquear a reforma das cajas de ahorros em nome de reivindicações provincianas; e parece louco atiçar a ameaça de uma greve geral, se for aprovada uma reforma laboral por decreto se os parceiros sociais forem incapazes de concorda-la.

A situação da económica espanhola agrava-se, é verdade, mas a falência política também é avaliada nos mercados. PP (Partido Popular), CiU (Convergéncia i Unió) e PNV (Partido Nacionalista Vasco) são responsáveis pela deterioração da credibilidade das finanças públicas e do governo. O caminho desta espiral destrutiva só pode ser quebrado se os planos de ajuste da despesa são mantidos, se aprova-se (com ou sem acordo) uma reforma laboral que sustente a recuperação económica com emprego estável e não contratos precários,  se será procura-do a médio prazo um reforço da estrutura das receitas do Estado e se será possível contar, por uma vez, com o apoio político da oposição para a austeridade.

Fonte: El País

Os leitores europeus deste blog têm problemas psicológicos

Observem o senhor da fotografia ao lado: o nome dele é Carsten Brzeski, economista, que em Bruxelas trabalha no ING Group, uma instituição financeira de origem holandesa..

E agora leiam as declarações deste senhor:

Jornal de Negócios:
A confiança na economia Zona Euro piorou inesperadamente em Maio num período em que a crise orçamental europeia penalizou os mercados.

O índice da confiança dos consumidores e dos executivos na Zona Euro caiu para 98,4 pontos de 100,6 pontos em Abril, segundo os dados da Comissão Europeia divulgados hoje em Bruxelas. A média de 25 estimativas de economistas compiladas pela Bloomberg apontava para que o índice ficasse nos 100,6 pontos.

Foi hoje divulgado também que os preços cobrados aos consumidores cresceram 1,6% em Maio, face ao mesmo mês do ano passado, ficando aquém das estimativas que apontavam para uma inflação de 1,7%.

“Não houve um dia nas últimas semanas, sem um relatório acerca da crise grega, acerca das quedas do mercado de acções ou a possibilidade de uma recaída económica, o que está tudo a pesar no sentimento”, disse o economista do ING Group em Bruxelas, Carsten Brzeski à Bloomberg. “Por outro lado um euro mais fraco é positivo para as exportações e as industrias estão a dar-se muito bem. É uma história puramente psicológica".

A confiança dos consumidores caiu de 15 pontos negativos em Abril para 18 pontos negativos em Maio, segundo o relatório da comissão. Nas indústrias do retalho, construção e serviços, a confiança também desceu. A confiança entre os profissionais da produção industrial cresceu de seis pontos em Abril para sete pontos em Maio.

A confiança piorou inesperadamente. Disse mesmo isso: inesperadamente.

Está tudo bem, são os Europeus que não percebem. Querem a prova? A industria está a dar-se muito bem com o Euro fraco.

Afinal qual o problema?

Anedotas como a crise grega, as quedas dos mercados e a possibilidade duma recaída económica acabam por pesar no sentimento o que, temos que concordar, não faz sentido.


E mais: é uma história puramente psicológica.
Não são os mercados que vão mal, não são as manobras de emergência adoptadas por muitos governos para travar uma dívida pública descontrolada, não são os 9,6 milhões de Dólares que os contribuintes ocidentais entregaram (de graça) aos bancos, não é o acréscimo de 7,2 milhões de desempregados.
Nada disso, somos nós que temos problemas psicológicos, parece bastante evidente.

Você mesmo que está a ler este blog, você tem problemas psicológicos. E não seria mal pensar numa visita.
Ficou desempregado e não tem dinheiro para um especialista? Ligue a televisão e siga uma novela, O Preço Certo, As Tardes da Júlia ou o programa de Fátima Lopes: as melhorias serão rápidas e, provavelmente, permanentes..
Esqueça os problemas, pense positivo. Como Carsten, por exemplo.

Pois é esta a nossa sorte: saber que há pessoas como ele que pensam para nós. Aliás, é difícil perceber como a Europa possa encontrar-se no meio duma crise sistémica sabendo que em Bruxelas trabalham pessoas como Carsten.


Fonte: Jornal de Negócios

Debaixo do água

O blog Kafe Kultura publica as imagens da maré negra vista de uma nova perspectiva: debaixo da água.

O vídeo é do programa "Good Morning America", da rede americana ABC.

É falado em Inglês, mas aqui o que interessa são as imagens do petróleo e dos químicos que a BP dispersou no Golfo do México.





Desde o inicio da catástrofe ecológica, o fotografo da Associated Press Gerald Herbert tem seguido o desenrolar-se dos acontecimentos. No próximo vídeo as fotografias mais significativas.




   


A Casa Branca define o derramamento de petróleo no Golfo do México como o maior desastre ambiental da história dos EUA e segundo o presidente Barack Obama, depois do fracasso da operação 'Top Kill ", as coisas estão a tornar-se cada vez mais difíceis.


Super-tampa para super-válvula

Enquanto se aguarda a execução da nova operação nos próximos dias, a colocação de uma super-tampa na super-válvula que não funciona, é o responsável ambiental da Casa Branca, Carol Browner, que entra em campo.
A Browner defendeu hoje as acções da Administração, acusada de não ter compreendido imediatamente a urgência do drama, de ter reagido lentamente e de ter confiado nas palavras de BP.

O derramamento de óleo "é provavelmente o pior desastre ecológico dos Estados Unidos", disse a especialista ao talk show Meet the Press da NBC, acrescentando que "sem dúvida é o pior vazamento de petróleo em nos EUA. Isso significa que há mais a quantidade de petróleo que polui o Golfo do México do que em qualquer outro momento da nossa história."

Numa outra estação televisiva o ex-chefe da EPA (o equivalente ao Ministério do Meio Ambiente) no tempo de Bill Clinton, disse que o petróleo pode continuar a sair até Agosto e que o governo "prepara-se para o pior. A Browner não foi mais precisa do que isso, mas é possível pensar nas consequências que poderia ter um furacão como o Katrina, que em Agosto de 2005 devastou New Orleans e os seus arredores.

Fonte: Il Sole 24 Ore

Israel mata pacifistas

Ainda uma vez Israel está sob os holofotes internacionais.
E ainda uma vez as razões não são as melhores.

Agência Ansa:
Acabou num banho de sangue, com pelo menos 10, talvez 20 mortos, o ataque na noite passada das forças israelitas contra a frota multinacional de activistas pró-palestinianos em navegação com destino à Faixa de Gaza. A acção - repetidas vezes ameaçada por Israel, caso os activistas tivessem tentado forçar o bloqueio instaurado em torno da Faixa de Gaza desde a chegada ao poder dos radicais islâmicos de Hamas, em 2007 - teve lugar durante a noite em águas internacionais, a algumas dezenas de milhas da costa.

O epicentro dos combates - que causaram uma crise diplomática imediata entre Israel e Turquia, na linha da frente no apoio à frota - foi o navio turco que liderava a expedição: promovido pelo movimento "Free Gaza", com a participação de cerca 700 pessoas e com a intenção declarada de trazer um carregamento de ajuda a Gaza, desafiando o bloqueio. De acordo com a reconstrução do episódio, soldados israelitas abriram o fogo fazendo um número de mortes entre os 10 e  20, além de muitos feridos. Segundo um porta-voz militar do Estado judeu, a provocar o caos foi a tentativa de alguns militantes de resistir a aproximação com paus, facas e pelo menos uma arma de fogo roubada - parece - a um soldado. Entre os militares, quatro são soldados feridos, disse o porta-voz, acusando os líderes da frota de ter organizado uma "provocação violenta".

No final, os navios passam sob o controle israelita e foram escoltadas até o porto de Ashdod (sul de Israel), fechado à imprensa. Israel tem, entretanto, elevou o nível de alerta na frente norte (no Líbano) e no sul (com a Faixa de Gaza). Mas também está quente o frente interno dos árabes-israelitas: um líder radical desses, o xeque Saleh, director do Movimento Islâmico na Galileia, participou na expedição e está ferido. A partir da Cisjordânia, o presidente palestiniano, Abu Mazen (Mahmoud Abbas), denunciou o caso como "um massacre" e declarou três dias de luto nacional.

Gaza, no entanto, os líderes do Hamas têm falado de "crime" cometido por Israel, prenunciando as reacções e pedindo respostas internacionais. Um líder islâmico, Yusef Ahmed, apelou a "uma intifada" de pessoas antes de as embaixadas de Israel no mundo. A tensão, aliás, já disparou com a Turquia, onde já há manifestações anti-Israel. O país, ex-aliado estratégico de Israel, mas há meses numa grave crise de relações com Israel, havia pedido ao governo deixar passar a pequena frota. O epílogo levou agora Ankara a anunciar "consequências irreparáveis" nas relações bilaterais: ainda mais graves se for confirmada a notícia segundo a qual pelo menos nove vítimas eram turcas.

Mais pormenores: segundo as primeiras notícias, o ataque ocorreu em águas internacionais, a 128 quilómetros da Faixa de Gaza, perto da ilha de Chipre, no Mar Mediterrâneo.
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A imprensa turca mostrou imagens captadas dentro do navio turco Mavi Marmara, nas quais é possível ver os soldados israelitas que abrem o fogo.

E enquanto Israel convida os próprios cidadãos a deixar a Turquia, os governos de Grécia e Espanha convocaram os embaixadores de Israel para explicações.

Israel continua com a própria estratégia: rodear-se de inimigos, atrair o desprezo da comunidade internacional, contar com um único aliado, os EUA.

O que aconteceu hoje foi um acto de pirataria: navios civis, que transportavam civis, foram atacados com armas de fogo em águas internacionais. Será interessante também observar a reacção do Prémio Nobel pela Paz, Barack Obama.

Esperamos para ver quais as reacções e os desenvolvimentos.

Possíveis próximas justificações:
  1. os pacifistas estavam todos armados
  2. os navios transportavam armas de destruição maciça
  3. os navios foram vitimas do terrorismo internacional
  4. os navios dos pacifistas chocaram contra um icebergue
  5. não foi Israel que atacou mas um commando do Irão
  6. não foi Israel que atacou mas um commando da Coreia do Norte
  7. não foi Israel que atacou mas commandos conjuntos do Irão e da Coreia do Norte
  8. a culpa é da BP

Eis a notícia relatada pela rádio portuguesa Antena 1:







Ipse dixit.
 

Fonte: Ansa, Antena 1

Morrer para os bancos

Já dissemos várias vezes: quem paga esta crise é o contribuinte, isso é, todos nós.

Podem ser utilizadas expressões tal como "manobra financeira", "ajuda do Estado", "fundos europeus" ou outras ainda: mas para perceber qual a realidade é suficiente substituir o sujeito da frase com o pronome "Nós". Isso dá uma correcta visão da real situação.

Muito claro neste sentido o seguinte artigo de El País, baseado num relatório confidencial do Fundo monetário Internacional.

Pergunta: mas quanto custou, custa e custará salvar os bancos?
Os recursos mobilizados para enfrentar a crise financeira são superior a 25% do PIB dos Países desenvolvidos, de acordo com relatórios confidenciais preparados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela Comissão Europeia. O trabalho do FMI foi encomendado pelo G-20, tendo em vista os impressionantes recursos garantidos pelos contribuintes (mais de 9,6 bilhões de dólares) para salvar os bancos, embora alguns deles não tenham sido utilizados. O G-20 deve discutir na sua reunião de Toronto no final de Junho "como o sector financeiro poderia fazer uma contribuição justa e substancial para reparar o sistema bancário."

O impacto da crise bancária sobre o sector público está concentrado nos chamados Países desenvolvidos do G-20 (Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia, Reino Unido e EUA) com mais de 9.500 milhões . Dos países emergentes têm sido usado só o dinheiro dos cidadãos do Brasil (1,3% do PIB) e Rússia (9,6%). Os restantes membros do clube (Argentina, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul e Turquia) não gastaram um cêntimo.

As consequências mais graves desta utilização maciça de dinheiro dos contribuintes será reflectido no aumento alarmante da dívida pública, que nos Países avançados do G-20 será de 40 pontos percentuais entre os anos 2008 e 2015, levando a uma séria hipoteca para as gerações futuras. Em paralelo, o impacto da crise financeira até agora tem acumulado uma perda de 27% do PIB desses países.

O mais preocupante problema derivado da crise financeira foi sem dúvida a perda de milhões de empregos. A taxa de desemprego atingiu 10% na Europa e nos Estados Unidos, embora neste país tenha começado a diminuir. Na UE dos 27 o número de desempregados aumentou em 7,2 milhões desde Março de 2008, representando uma subida de 45%.

Até agora, apenas os Estados Unidos aprovaram medidas para pagar os custos ocorridos até o momento. A Europa tenta encontrar um acordo acerca de crises futuras: o Comissário do Mercado Interno e Serviços, Michel Barnier, iniciou uma consulta com a maioria dos outros Estados para criar um fundo de compensação para futuras crises bancárias, cuja proposta legislativa não estará pronto antes do início de 2011, mas conta já com a oposição do Banco Central Europeu.[...]

Para o Comissário da Concorrência, Joaquin Almunia, "o declínio no uso de garantias do Estado é um indicador positivo de que o sector financeiro começou a voltar às condições normais de mercado." Insistindo que "enquanto a situação continua frágil, é crucial para a economia global que os bancos não estejam mais dependentes dos Estados por mais tempo do que o necessário e financiados cada vez mais pelo mercado. Alguns já começaram", acrescentou, "os outros vão ser induzidos a faze-lo e para alguns destes isso significará passar por uma reestruturação."

O debate para que os bancos assumam o custo das despesas públicas será definido na próxima reunião do G-20 em Toronto e também no quadro das instituições europeias e os Estados mais afectados. O Partido dos Socialistas Europeus tem defendido um imposto sobre as transacções financeiras de 0,05%, destinado especialmente às operações especulativas realizadas em microssegundos. Segundo as próprias estimativas, tendo em conta que o volume global das transacções financeiras é de 3.000 mil milhões de euros, podemos obter uma renda de 500 mil milhões no próximo ano, incluindo cerca de 200 mil milhões na Europa, o que criaria entre dois e três milhões de postos de trabalho.

Resposta: 9,6 bilhões de dólares e 7,2 milhões de desempregados.

E este o que realmente pagámos?
Em verdade o custo é bem maior.

Pensamos aos projectos adiados ou anulados por causa da crise. As infraestruturas, por exemplo. Alguém pode quantificar este custo?

Repare-se na total ausência de propostas para que os bancos compensem o enorme prejuízo provocado: a taxa de 0,05 % nas transacções atingiria em primeiro lugar os investidores financeiros e só marginalmente os bancos que podem sempre "descarregar" o valor pago nas contas dos depositantes sob várias formas (pois a fantasia neste caso não falta).

Os bancos continuam com o status de intocáveis. É nós temos que estar prontos a morrer para eles.

Ipse dixit.

Fonte: El País

30 maio 2010

Salários públicos e privados na União

Salários públicos e privados. Há diferencias? Pelos vistos muitas.

É justo? Claro que não. Mas grandes diferencias implicam outros problemas além da justiça social:

A crise financeira acelerou o calendário para a consolidação das finanças públicas em todos os países industrializados, começando com a Grécia. A escolha dos cortes para ser actuados não são fáceis. É possível começar por itens de despesas que têm crescido mais nos últimos dez anos. A remuneração dos dependentes públicos aumentou em todos os Países da zona Euro, muito mais dos que aconteceu com os trabalhadores do sector privado. Na média da eurozona os salários públicos cresceram 36% em dez anos, contra 24% dos privados um aumento dos preços ao consumo de 24%. Em alguns Países, a diferença foi particularmente alta, especialmente onde a dívida cresceu mais. Na Grécia, por exemplo, entre 1998 e 2008 os salários públicos aumentaram 109% - em outras palavras, mais do que dobrou - em comparação a 62% do sector privado, embora um aumento global do nível de preços de 39% .

Os outros Países onde existem diferencias elevadas entre as dinâmicas salariais são - por coincidência - os actualmente monitorizados pelos mercados financeiros. Na Irlanda os salários públicos aumentaram 111% na última década em comparação com o 60% dos privados; em Portugal 58% contra 35%, Espanha 53% contra 30%. A dinâmica dos salários contribuiu de forma decidida para a deterioração das finanças públicas. Se durante a década, os salários públicos tivessem sido aumentados em consonância com os privados, o deficit orçamental na Grécia no ano passado teria sido inferior de 3 pontos no rácio com o PIB. Se, além disso, o emprego público não tivesse subido (cerca de 7% no total), o deficit seria hoje menor dum outro ponto percentual. Globalmente, a dívida do governo grego seria menor em cerca de 25 pontos percentuais no rácio com o PIB (de 115% em 2009).

Em outras palavras, se o sector público se tivesse comportado como o sector privado, a Grécia seria muito menos vulnerável e provavelmente não teria sofrido a crise que enfrenta. Não é apenas um problema de finanças públicas. Uma dinâmica salarial excessiva criar distorções no mercado de trabalho e contribui para uma perda de competitividade da inteira economia, que se traduz numa maior inflação e num desequilíbrio dos pagamentos com o exterior. Realinhar o sector público é, portanto, não só útil para as finanças públicas, mas também para melhorar a eficiência e o potencial de produção do País. É também uma questão de justiça, dado o maior grau de protecção de que gozam os empregados do sector público. Não é por acaso que, após a eclosão da crise financeira, em todos os Países acima mencionados tenham sido tomadas medidas para conter os salários no sector público.

Fonte: Corriere della Sera

Fracasso

Duas más notícias.

A primeira da Reuters:
O pior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos chegou ao seu 40o dia neste sábado, com habitantes da região do Golfo agarrando-se à esperança de que a complicada operação da BP vai conseguir controlar bem a situação.

A segunda, ainda pior, da AFT:
A arriscada operação para conter um vazamento de petróleo no Golfo do México fracassou, informou neste sábado a companhia de petróleo britânica BP, acrescentou que buscará uma nova estratégia.

Uma nova estratégia. Após 40 dias. Depois da cúpula, depois do seringão, depois das bolas de golfe. E já há quem pense outra vez na bomba atómica. Quem? Um americano, óbvio.

A BP deveria ser afastada da operação por "manifesta incapacidade" e ficar só com a obrigação de pagar todos os custos da operação de selagem do poço e da sucessiva bonifica das águas e das costas.
E mesmo assim seria sortuda, pois ficariam fora da conta os custos dum ecossistema fortemente prejudicado, até a que ponto é um assunto ainda não suficientemente esclarecido.

Entretanto aqui vão as imagens em directo. Por vezes a webcam no fundo do oceano está offline. Quando funciona (e quando não mostra imagens sem sentido), é possível observar o fluxo de petróleo que sai.


Quem cria o dinheiro?

Quem cria o dinheiro?

Os bancos só são os intermediários entre o Estado e o cliente?

A função deles é só guardar o dinheiro das contas, aconselhar acerca dos investimentos e distribuir cartões de credito?

Talvez o papel destas instituições financeiras seja mais do que isso.
Muito mais.
Infelizmente.

Começamos com o dizer que os bancos não são intermediários, pois criam moeda de maneira totalmente independente dos depósitos ou reservas que têm, de facto não é o Estado que cria o dinheiro hoje, mas os bancos.

Surpresos? Pois.

Este mecanismo perverso é a raiz das bolhas especulativas, seguidas pelas recessões periódicas, é o factor que criou a Grande Depressão dos anos '30 e que precipita agora todos numa nova Depressão.

O sistema não é normal, embora assim seja dito, é um mecanismo recente e controverso, que enriquece uma elite em detrimento da maioria, e após a Depressão que se aproxima, talvez possa ser abolido.
Após a Grande Depressão dos anos '30, perante o desastre que tinha criado, o mecanismo apertado com um conjunto de regras muito rígidas sobre a actividade bancária, mas a partir dos anos '70 e até os '90 estas regras foram removidas e isso fez com que os bancos se tornassem "armas de destruição em massa". Ou seja, com o actual sistema de criação de dinheiro os bancos, se não ficarem vinculados de maneira sempre muito apertada, periodicamente criam uma sequência de bolhas especulativas - crack - recessões que beneficiam apenas a elite financeira e devastam a economia real.
Tendo deixado por 20 anos as mãos dos bancos totalmente livres, provavelmente arriscamos uma outra Grande Depressão.

Uma vez o Estado criava o dinheiro, em 1700 ou no tempo dos romanos; hoje os bancos criam o dinheiro, mas ninguém o sabe porque nas universidades ensinam que antes o banco central (ou seja, o Estado) fornece as reservas aos bancos, e a seguir estes "multiplicam-nas".

Aqueles que estudaram a economia ouviram esta explicação: depois do Estado ter decido entregar uma certa quantidade de reservas, os bancos emprestam o dinheiro aos clientes, o cliente utiliza o dinheiro e este circula; a seguir chega outro cliente que deposita em vez de levantar, por isso temos o "multiplicador bancário" baseado nas reservas que em origem o banco entrega.

Mas é errado: a explicação correcta da criação de crédito é a do dinheiro "endógeno" em que primeiro os bancos concedem empréstimos e, em seguida, o banco central imprime a moeda e proporciona-a como "reservas bancárias".
Este é um resultado testado também empiricamente por Kydland e Prescott, que ganharam o Nobel e mostraram estatisticamente que ANTES os bancos criam o crédito e DEPOIS o banco central entrega as reservas.
Mas o facto de quase todos os especialistas acreditarem na teoria errada tem consequências enormes, deixando a criação de crédito nas mãos dos bancos, fazendo acreditar que seja controlado pelo banco central, isto é, pelo governo.

É por isso que quando os bancos hoje têm dificuldade toda a economia pára também, porque são os bancos quem decidem se aumentar ou diminuir o dinheiro na economia. Simplesmente, se os bancos não concedem créditos, o Estado não imprime dinheiro; e se os bancos concedem muito crédito o Estado imprime muito dinheiro.

O que pode ser lido no site da Bundesbank.
4.4 criação de dinheiro pelos bancos
[...] Ambos os bancos, central do Estado
e bancos comerciais privados, podem criar dinheiro. No sistema do euro
o dinheiro é criado principalmente através da concessão de empréstimos.

A criação de dinheiro hoje depende do crédito bancário, se os bancos entram em falência o crédito desaparece, e uma vez que 80% do dinheiro é criado pelos bancos sob forma de crédito, a economia cai em recessão ou mesmo em depressão. A causa da maioria das recessões sempre foi um excesso de crédito bancário, o que cria uma bolha de algum tipo, seguidos pelo pânico, colapso e contracção súbita da moeda em circulação. Ou um excesso de crédito bancário, que é reprimido pelo Banco Central: aumenta as taxas e aumenta as exigências de reserva, criando uma brusca contracção da moeda em circulação.

Algumas frases e testemunhos podem ajudar na compreensão da amplitude do discurso.
[Os bancos] realmente não pagam os empréstimos do dinheiro que recebem como depósitos. Se fizessem isso, nenhum dinheiro adicional seria criado. Quando fazem empréstimos aceitam notas promissórias em troca de créditos nas contas dos devedores de transacção.
Federal Reserve Bank, "Modern Money Mechanics", 1960
O processo pelo qual os bancos criam dinheiro é tão simples que a mente é repelida.
John Kenneth Galbraith, economista
Quando um banco faz um empréstimo, simplesmente adiciona à conta do cliente o montante do empréstimo. O dinheiro não é retirado de qualquer outro depósito, não foi pago ao banco por ninguém . É dinheiro novo, criado pelo banco para a utilização do cliente.
Robert B. Anderson, secretário do Tesouro sob Eisenhower, numa entrevista do dia 31 de Agosto de 1959
Embora os bancos já não tenham o direito de emitir notas, podem criar dinheiro sob a forma de depósitos bancários, quando emprestam dinheiro às empresas [...]
A coisa importante a lembrar é que quando os bancos emprestam dinheiro não necessitam de retira-lo de ninguém para emprestar. Assim, o criam.
Congressista Patman Wright,  Money Facts (House Committee on Banking and Currency, 1964)
O sistema bancário moderno fabrica dinheiro do nada. O processo é talvez a peça de prestidigitação mais surpreendente que alguma vez foi inventada.
Sir Josiah Stamp, presidente do Banco da Inglaterra e segundo homem mais rico da Grã-Bretanha na década de 1920.
Os bancos criam dinheiro. É por isso que existem.... O processo de fabricação consiste em tornar o dinheiro numa entrada dum livro [contabilístico]. Isso é tudo. Cada vez que um banco faz um empréstimo um novo credito bancário é criado: dinheiro novo.
Graham Towers, o governador do Banco do Canada 1935-1955.

No processo First National Bank v. Daly (muitas vezes referido como o caso "Credit River"), o tribunal considerou que o banco criou o dinheiro "do ar":
[O presidente do First National Bank of Montgomery] admitiu que todo o dinheiro ou o crédito que foi tomado em consideração [para o empréstimo entregue] foi criado a partir dos livros, que esta era a prática bancária normal exercida pelo banco em conjunto com a Federal Reserve Bank of Minneaopolis, um outro banco privado, ainda que soubesse que nenhum estatuto ou lei dos Estados Unidos tinha conferido a autoridade para faze-lo.
E Robert H. Hemphill, gerente de crédito da Federal Reserve Bank de Atlanta, disse:
Se todos os empréstimos bancários fossem pagos, ninguém poderia ter um depósito bancário, e não haveria um dólar de metal ou nota em circulação. É um pensamento desconcertante. Nós estamos completamente dependentes dos bancos comerciais. Alguém tem de pedir cada dólar que temos em circulação, em dinheiro ou crédito. Se os bancos criam muito dinheiro sintético somos prósperos, se não vamos morrer de fome. Estamos absolutamente sem um sistema monetário estável. Quando alguém consegue uma imagem clara da realidade, a trágica absurdidade da nossa posição desesperada é quase inacreditável, mas assim é.
É o mais importante assunto acerca do qual pessoas inteligentes podem investigar e reflectir.
É tão importante que a nossa civilização pode entrar em colapso a menos que se torne amplamente compreendido e os defeitos sanados em breve.
E seria possível continuar.


As pessoas comuns e empresas trabalham como antes, mas de repente a economia está em recessão e não se entende o porquê destes colapsos.
Porquê?
Repetimos: o Banco Central imprime dinheiro somente DEPOIS dos bancos terem concedido o crédito a alguém; em primeiro lugar há bancos que fornecem crédito e só em seguida há o Estado a imprimir dinheiro. Isto é independente do facto de ter depósitos ou capital suficiente: os bancos criam dinheiro.

Porque na década dos anos '30 o PIB  dos EUA de repente colapsou de -30% entre 1930 e 1934 e o País, com as outras nações ocidentais, manteve-se deprimido até 1940, com desemprego de 20-25% ao longo de uma década?
A explicação amplamente aceite é que, além dos aumentos dos impostos, da regulamentação pesada e da intervenção do Governo,  foi basicamente o colapso do sistema bancário que acabou com 30% da moeda, dos meios de pagamento disponíveis, criando uma deflação geral dos preços de terrenos, edifícios, actividades, bens, produtos agrícolas, com falências de empresas que levaram à falência de bancos e liquidação de fazendas e empresas etc.

Não há outra explicação racional para a queda de -30% em cinco anos do produto nacional de um País como os Estados Unidos. E em qualquer caso, para todas as outras crises seguidas por depressões menos pesadas (1837, 1873, 1907, 1923), a explicação é sempre ligada ao crédito e à moeda, isso é, os bancos faliam de repente porque tinham emprestado muito mais dinheiro de quanto possuído; criava-se assim o pânico, as pessoas corriam para retirar o dinheiro e de repente desaparecia 20 ou 30% da moeda e a economia afundava.

O nosso actual sistema de bancos com reservas fraccionárias com dinheiro de papel é uma instituição recente e muito controversa, ao longo de todo o '800 tem sido encarada com desconfiança, especialmente nos Estados Unidos, onde há um século houve uma luta violenta para impedir que pudesse provocar estas crises.

Mas se os bancos emprestassem só o dinheiro que recebem em depósito pelos clientes não aconteceria.
A razão para as bolhas especulativas, seguidas pelo colapso e a depressão, é que os bancos criam o dinheiro independentemente dos próprios bens e cedo ou tarde exageram, levando consigo a economia também.

Cada ano, no entanto, com o crescimento da população, da produção e da inflação, num país como os EUA, Itália, China ou Venezuela é preciso aumentar a moeda; se o desejo for um aumento nominal do PIB de 4%, por exemplo (2% real + 2% inflação), a moeda deve aumentar 4%, pelo menos.
Se ao contrário cair - 30% também o PIB cairá -30%. Bom, então seria suficiente que o Estado imprimisse moeda por cerca de 4% e usasse o dinheiro com taxa zero para financiar-se, reduzindo assim um pouco os impostos!

Qual é a necessidade de imprimir dinheiro e entrega-lo quase de graça aos bancos que, em seguida, sem qualquer dificuldade o emprestam a famílias e empresas com o 5% ou 6 % de interesse?
A criação do dinheiro fisiologicamente necessário para a economia anual deveria ser feita pelo Estado; o que evitaria subidas de impostos. Mas com o sistema que é imposto hoje são os bancos os criadores de dinheiro a quase custo zero. O que cria também os pressupostos para futuras crises.

É um sistema demencial que só beneficia quem especula , em detrimento daqueles que trabalham e produzem.

Ipse dixit.

Fonte:Cobraf

29 maio 2010

BP: progressos frustrantes

Não há paz para a BP.

Aliás, não há paz para as águas do Golfo do México.

Top Kill?
Parada, pela segunda vez. E agora as dúvidas aumentam. Após a cúpula e o siringão, também a operação dispara-bolas-de-golfe-no-buraco não promete nada de bom.

Ansa de hoje (00:01 horas):
Dois dias ainda, e talvez mais, para ver se Kill Top trabalha, mas os problemas técnicos multiplicam-se no esforço para parar a catástrofe do petróleo que sai desde 1.500 metros sob o mar.
Hoje a operação foi suspensa pela segunda vez, após a BP ter disparado no poço pedras, pedaços de pneus e cabos (e bolas de golfe! NDT) numa tentativa de obstrui-lo e poder prosseguir com a injecção de lama especial da qual é esperado o corte do fluxo.
Um técnico da BP falando anonimamente com The New York Times contraria o administrador Tony Hayward, segundo o qual a operação é "prossegue bem". Hayward tinha prudentemente estimado em 60-70 por cento a chance de sucesso porque a tecnologia Top Kill nunca foi usado nas águas assim profundas.

"Muito do que podemos ver sair do poço é lama", tinha afirmado Hayward, que pela primeira vez em mais de um mês falou do derramamento como duma catástrofe ecológica, não um mero acidente. Até agora, os técnicos da BP tinham notado somente um sucesso parcial: o petróleo para de sair até que o fluido é bombeado no poço. O problema que as operações de bombeamento procedem de forma não continuada.
O técnico da BP fala em progressos frustrantes. Apesar das injecções com vários níveis de pressão, os engenheiros não conseguiram manter mais do 10 % da lama nos tubos.

Segundo a fonte do New York Times, as melhorias desde o começo da operação Top Kill foram mínimos. 'Não sei se podemos recolher suficiente lama para faze-lo funcionar - afirmou o técnico - todos neste momento estão decepcionados.''
Um porta-voz da BP, Andy Gowers, disse que a empresa não pretende comentar cada passo da operação. Top Kill continua e continuará por mais 48 horas, disse Gowers. Segundo Thad Allen, o coordenador das operações em nome do governo que tem acompanhado Barack Obama nas costas da Louisiana, o fluxo de petróleo é agora contido mas poderia retomar.

Para a sociedade, de acordo com estimativas oficiais, o custo do desastre e de quase um bilhão de dólares: uma gota (de petróleo) no oceano dos lucros da multinacionais que no ano passado facturou 14 bilhões de dólares...

Segundo a Agência Estadão agora nos EUA fala-se de boicote:
Cresce o movimento de boicote à empresa na internet. No Facebook, o número de fãs da página "Boycott BP" está ganhando velocidade espantosa. De alguns milhares na semana passada, a página tinha hoje 181.715 pessoas.
"Será que ninguém mais pensa que é hora de parar de dizer derramamento de petróleo? Trata-se de um fluxo ininterrupto, uma hemorragia", disse Anita Heisley Harrington em um dos comentários.
Quando se digita no site de busca Google as palavras "boycott BP" aparecem 2,1 milhões de resultados. Em português, as palavras "boicote BP" mostram 63.200 resultados.
Vários sites estão vendendo modelos de camisetas com os dizeres "Boicote à BP", em inglês. Em um deles, vários modelos são apresentados ao preço de US$ 21,95.
Se não fosse a maior catástrofe ecológica, até seria divertido...

28 maio 2010

Viver sem dinheiro

É possível viver sem dinheiro?

Sim, é possível. Não parece ser realidade numa sociedade como a nossa, onde tudo tem um custo. Mas alguém consegue. E gosta, tanto que uma simples experiência tornou-se agora um estilo de vida.

Jornal de Notícias:

Viver sem dinheiro é possível. Mark Boyle quer prová-lo e, há mais de um ano, traçou um audacioso plano que, apesar de alguns reveses, manteve.
Inspirado em Gandhi, este irlandês de 29 anos abraçou uma causa - abolir o dinheiro como base de uma sociedade mais generosa e menos consumista.

Vive numa roulotte, junto a uma zona de cultivo biológico em Bristol (Inglaterra), come o que produz, troca ou recebe, cozinha numa fogueira e alimenta a energia solar o telemóvel (que só recebe chamadas) e o computador. Acredita na partilha, na parcimónia, na interdependência.
O ponto de viragem aconteceu em 2001, quando Mark, então estudante de Economia, viu o filme "Gandhi". A vida do pacifista indiano impactou-o de tal forma que decidiu ser a mudança que deseja ver no Mundo.

Despertou para as questões ambientais e resolveu ganhar dinheiro de forma ecologicamente correcta. Criou uma empresa de produtos orgânicos e o negócio corria bem, mas Mark continuava insatisfeito.

"Dei-me conta de que nem mesmo negócios sustentáveis conseguem mudar as coisas", conta no seu blogue.


Na procura do seu próprio caminho, descobriu que não bastava diagnosticar os problemas. Era preciso chegar às causas. Intervir.

"Decidi tornar-me um homeopata social, um pró-activista, e investigar as raízes dos sintomas", explica Mark.

Nova vida, novo nome. Escolheu Saoirse, palavra em gaélico que significa Liberdade. O passo seguinte foi fundar uma comunidade virtual para troca solidária de conhecimentos e serviços, a Freeconomy.

O princípio é que todos têm algo que podem oferecer, seja uma explicação, um corte de cabelo - um dos serviços mais trocados -, uma reparação. Em quase dois anos, cerca de 15 mil pessoas de 118 países inscreveram-se no Freeconomy.

No ano passado, tentou ir a pé até à terra natal do seu mentor, mas ficou por França. Regressou à roullotte e continua a viver o seu sonho de um mundo sem dinheiro.

Boyle acredita que o próprio estilo de vida seja excêntrico hoje, mas perderá este cariz no futuro próximo:
Nos próximos 20 anos as pessoas terão de repensar a forma como vivem, consomem e desperdiçam. O meu plano é mostrar que é compensador e que podemos.construir uma comunidade sem dinheiro.
 Um estilo de vida que também enriquece. Não com dinheiro, claro:
O que aprendi? Que a amizade, não o dinheiro, é a segurança real. Que a pior pobreza ocidental é de tipo espiritual. Esta independência é realmente uma interdependência. Sem uma televisão com ecrã de plasma, as pessoas pensam que você é um extremista.
Vontade de voltar atrás?
Muitas vezes as pessoas perguntam se sinto falta do meu velho mundo de lucros e de negócios. Stress. engarrafamentos. Os extractos bancários. As contas.
Resposta bastante clara.


Do blog de Mark Boyle, duas frases:
O dinheiro tornou-se um anel que usamos inserido no nariz, o que nos permite ser conduzidos por aqueles que o controlam.
Mark Kinney
Procura o mais curto, o mais simples caminho entre a terra, as mãos e a boca.
Lanza Del Vasto


Fontes: JustForTheLoveOfIt, Jornal de Notícias
Imagem livro: The Guardian

BP: mentiu e continua a mentir

A posição da British Petroleum fica cada vez mais delicada.

Além de não ter respeitado as obrigações mínimas em termos de segurança, afirma que o derrame de petróleo é muito menor do que na realidade.

Entretanto a explosão observada esta manhã parece não ter prejudicado a operação Top Kill que prossegue. A seguir as imagens da altura da explosão:




No seguinte vídeo da RTP os pormenores da visita de Barak Obama à Louisiana e as mentiras da BP:


Sondagem: os resultados

Acabou a primeira sondagem de Informação Incorrecta!

Lembramos a pergunta:

Além dos assuntos económicos, qual outros argumentos gostaria de ver desenvolvido?

Até um erro ficou incluído...tá bom, vamos ver quais os resultados:

O 50% dos votantes escolheu a primeira resposta: Ecologia/Ambiente.
O 37% dos leitores ficam satisfeitos com os assuntos tratados até agora e dizem: Nada, continuar assim.
O 25% escolheu o assunto: Conspirações.
O 1% disse: Ciência.
Ninguém quer ver políticas nas páginas deste blog.


Então?
Então Informação Incorrecta vai obedecer.

Além da geopolítica e da economia (os "fundamentos" de Informação Incorrecta), mais espaço para as temáticas ecológicas e ambientais, pois foi esta a escolha dos leitores.


O que não significa ignorar as Conspirações que, todavia, terão que ser tratadas com muita atenção.
Em primeiro lugar porque são um argumento delicado e é fácil cair no ridículo.
A seguir, porque já existem uma infinidade de páginas internet que tratam do mesmo assunto e mais uma não faria muito sentido.
A este propósito lembramos os links para Revelatti e Prova Final, que oferecem material de qualidade (embora quem escreve possa discordar acerca de alguns assuntos tratados: por exemplo, os reptilianos...).


Mesmo discurso para a Ciência. Há muitas páginas que tratam de argumentos científicos. Mas isso não significa que o assunto fique proibido para nós.

Mas sobretudo aqui fica o nosso agradecimentos para todos os que participaram na votação.

OBRIGADO!

...e até a próxima sondagem.

Ipse dixit.

Deficit, dívida e PIB

Ao longo dos post é normal utilizar os termos "deficit" e "dívida pública".

Estas duas expressões podem gerar uma certa confusão, por isso vamos distinguir.

Como já afirmado no artigo que podem encontrar aqui:

Deficit: não deve ser confundido com a dívida. O deficit, por exemplo do balanço público, é a diferença entre as receitas (impostos e outras receitas) e as despesas do Estado, em relação a um determinado exercício (ano civil em geral). Em sistemas económicos, onde há um elevado stock de dívida é regra geral distinguir entre o deficit (ou superavit, o contrário do deficit) e deficit (ou superavit) primário. Este último não inclui gastos com juros que o Estado corresponde aos subscritores da dívida pública. Um indicador do bom estado das finanças públicas é a presença de um superavit primário. Ou seja, as receitas são maiores do que as despesas (excluindo juros da dívida).

Dívida pública: é a soma dos empréstimos (líquidos de reembolsos) que as instituições do Estado e outros pertencentes ao sector público contratam periodicamente para responder ao saldo orçamental negativo (deficit).

Agora vamos simplificar ainda mais.

O deficit é a diferença entre as despesas e as receitas (impostos).

A dívida pública é a soma dos deficit acumulados ao longo dos anos.

O rácio, exprimido em percentagem com um sinal negativo na frente, entre estes dois elementos e o PIB (PIB, produto interno bruto, é a produção de bens e serviços no país num ano. Na prática: a riqueza produzida) fornecem dois dos principais indicadores da situação financeira dum País:

1. rácio deficit / PIB
2. rácio dívida pública / PIB

Como exemplo, observamos qual era situação dos rácios deficit / PIB e dívida pública / PIB dos Países europeus em 2009:


A primeira imagem mostra o rácio entre deficit e PIB



A segunda imagem mostra o rácio entre dívida pública e PIB.
(Fonte: BBC)


Quando a diferença entre as despesas e as receitas é positiva (isso é, quando o Estado "ganha" mais de que "gasta") não temos deficit mas superavit.

O Brasil, por exemplo, apresentou em Abril de 2010 um superavit igual a 2,17% do PIB. Mas desta vez é um + 2,17 %, com sinal positivo e não negativo.

Porque nas imagens anteriores as percentagens do deficit não aparecem com o sinal negativo na frente?
Pela simples razão que quando falamos de deficit o sinal negativo é implícito, sendo o deficit um valor intrinsecamente negativo (representa sempre uma perda). E, da mesma forma, o superavit será sempre positivo.

Por isso nunca podemos falar em "deficit positivo" ou em "superavit negativo".

Completamos os dados com outros exemplos:

Brasil:
rácio superavit / PIB = 2,17
rácio dívida pública / PIB = 41,2

Angola:
rácio deficit / PIB = 8,9
rácio dívida pública / PIB = 18

Moçambique:
rácio deficit / PIB = 7,4
rácio dívida pública / PIB = 51 (em 2008)

Cabo Verde:
rácio deficit / PIB = 10
rácio dívida pública / PIB = 42

Outras 24-48 horas...

Então, a operação Top Kill vai em frente ou não?
A BP conseguiu tapar o buraco?

De facto Top Kill tinha sido parada. O motivo? A lama. Do buraco saia demasiada lama e esta, lembramos, é suposto tapar a fuga. Por isso, na noite de ontem Top Kill tinha parado.

Mas foi retomada após 8 horas. Problema resolvido? Talvez.
A BP não explica muito, além de:
a. ter retomado a injecção de lama, desta vez guarnecida com pneus e bolas de golfe (um operação high tech...)
b. ter gasto até agora 930 milhões de Dólares na sequência do desastre.

Grande pena. Se tivessem respeitado as normas de segurança nada disso teria acontecido.

E como as desgraças nunca chegam sozinhas, hoje Barack Obama estará na Louisiana para avaliar os prejuízos na costa atingida pela maré negra e para "pressionar" ulteriormente a companhia petrolífera.

Moral: ainda há fuga de petróleo e para obter qualquer (eventual) resultado será preciso esperar as próximas 24-48 horas.

Os protagonistas - parte I: Pigs, Piigs & EUA

Um bom artigo de Bimbo Alieno acerca do relacionamento entre PIGS (ou PIIGS) e Estados Unidos.
Ambos têm problemas, mas é possível uma comparação entre o gigante americano e a economia dos pequenos Países europeus?

PIGS ou PIIGS?
Mas é possível que acabe ali? Estamos tão certo que outros lugares do mundo merecem uma consideração tão diferente?
Por exemplo, o Reino Unido merece um AAA ou melhor, mereceria um Ah Ah Ah?

E os EUA ainda podem ser considerados um "porto seguro"? Fazemos as coisas em grande e tentamos analisar os números correctamente.
Comparando os EUA com cinco PIIGS começamos com uma lista de vantagens objectivas para a economia Stars and Stripes:
  • A gestão monetária directa
  • A política fiscal centralizada
  • A capacidade militar
  • O papel de liderança na economia mundial
  • O dólar é a moeda de reserva do mundo
  • O dólar é a moeda de troca internacional

Podemos dizer que esses elementos são o pano de fundo. Acima deste pano acrescentamos alguns números:


Como é possível ver na tabela, os números de dívida e deficit em relação ao PIB não são tão diferentes no E.U.A. em relação ao grupo dos PIIGS (e não devemos esquecer que a Espanha ainda é um AAA para algumas agências de rating e AA + para outras).

O que não é tido em conta neste tipo de rápida reflexão, mas que é bom considerar, é o que é possível observar na terceira coluna: o impacto da despesa pública no PIB.
Este coeficiente mede a força da economia de um País, por causa da sua dependência em relação a "mão" pública. Ou seja, o impacto que teria a acção dum Estado que está enfrentando uma emergência: está neste parâmetro a maior solvência EUA.

Neste particular momento histórico de corte global de despesa pública para "cuidar" dos deficit, parece claro que o impacto sobre o PIB dos EUA será menor em termos relativos de quanto pesará sobre o PIB dos PIIGS, onde o crescimento ficará mais deprimido e será mais fácil mergulhar numa nova recessão.

Todavia, há ainda algumas coisas a acrescentar: a despesa pública no PIB dos EUA alguns anos atrás (2000) era de 18%, e a reforma sanitária em curso, com o maior peso fiscal que irá resultar, ainda deve fazer subir este valor, reduzindo progressivamente a qualidade da capacidade de reembolso americana.

Então, talvez o argumento seja prematuro (e muitas vezes um pouco tendencioso), mas aqueles que criticam o rating AAA dos EUA não estão totalmente errados.

Fonte: Bimbo Alieno

27 maio 2010

Homens vs. Computadores?

É verdade: a notícia não tem nada a ver com a economia, a geopolítica ou o ambiente. Mas é tão "curiosa" que merece ter destaque. Uma autêntica janela aberta sobre o futuro.

Nas páginas de Prova Final , cujo endereço pode ser encontrado também nas "Leituras aconselhadas" ao lado, é possível encontrar o seguinte artigo:

Vírus informáticos podem infectar humanos
Um cientista da Universidade de Reading, no Reino Unido, é o primeiro humano infectado por um vírus de computador. Mark Gasson, da escola de engenharia de sistemas, decidiu investigar as implicações das infecções informáticas e injectou um vírus num chip RFID implantado na sua mão.
No âmbito da experiência o cientista pretendia mostrar as implicações futuras dos problemas com malware informático em implantes de chips, normalmente pensados por questões de saúde.
Com a evolução da tecnologia os pacemakers e implantes de audição tornam-se mais vulneráveis a vírus informáticos.
“A nossa investigação mostra que a tecnologia de implantes se desenvolveu ao ponto dos chips serem capazes de comunicar, guardar e manipular dados. Eles são essencialmente mini-computadores. Isso significa que, como os computadores normais, podem ser infectados por vírus e a tecnologia tem de se manter a par disso para que os implantes, incluindo dispositivos médicos, possam ser usados de forma segura no futuro”, explica.
Os resultados da investigação vão ser apresentados num simpósio internacional de tecnologia do IEEE, que vai decorrer no próximo mês na Austrália.
O chip RFID (de rádio frequência) utilizado na experiência foi implantado na mão do cientista no ano passado e é semelhante a outros chips de identificação, garantindo-lhe entrada no edifício da Universidade e permitindo a sua localização.
Depois de infectado o chip corrompeu o sistema principal utilizado para comunicar com o equipamento, uma infecção que poderia ter alastrado a outros chips ligados ao mesmo sistema.
“Embora seja excitante ser a primeira pessoa a ser infectada por um vírus de computador desta forma, considero que esta é uma experiência surpreendentemente violadora porque o implante está tão intimamente ligado a mim mas a situação está potencialmente fora do meu controle”, confessa Mark Gasson.
Antecipando um futuro onde os implantes de chips se tornarão cada vez mais comuns, e todos nós nos tornaremos “parte máquina”, o cientista admite que é necessário consciencializar a sociedade para os perigos que estas decisões podem trazer.

Fonte: Tek Sapo

A seguir o vídeo da BBC, infelizmente disponível só no idioma original:




De facto o cenário é assustador: um vírus informático que infecta um equipamento transportado pelo nosso corpo. E que, por sua vez, pode infectar outros equipamentos exteriores.

O homem como meio para infectar sistemas de segurança, redes informáticas: ou seja, o homem já não como dono da máquina mas como simples meio utilizado pela máquina.

As implicações são assombrosas.
Para os militares deve ser uma festa.

Ipse dixit.

Fonte: Prova Final, BBC

Funcionou? Sim, parece...

Outra breve actualização acerca do caso Deepwater Horizon e a fuga de petróleo.

Funcionou?
Parece que sim. Mas para ter a certeza será preciso esperar.
Potentes meios da BP: em menos de um mês, e depois de ter poluído dezenas de milhares de quilómetros quadrados, a petrolífera conseguiu finalmente tapar o buraco.

Vamos com ordem.

Corriere della Sera:
 
 Funcionou
Segundo o almirante da Guarda Costeira, Thad Allen, coordenador de contenção da mancha, os técnicos conseguiram injectar líquidos de alta viscosidade suficiente para travar a perda de óleo e gás. O derramamento de óleo foi então suspenso: o próximo passo é conseguir pressão zero na boca do poço e selá-la com cimento. O almirante ressaltou que ainda é "muito cedo para declarar vitória." A BP é ainda mais prudente, afirma que as operações prosseguem como planeado, mas não devemos tirar conclusões precipitadas. "É tão difícil como esperávamos - disse o director geral Robert Dudley -. Saberemos mais na noite de quinta ou sexta-feira."

E se não funciona?
A operação "Top Kill" para fechar o poço de petróleo no Golfo do México "não tem nenhuma garantia de sucesso". O duche frio de Barack Obama chega a 24 horas desde a grande operação para tentar fechar o buraco que desde 21 de Abril permite a saída de petróleo ao largo da costa da Louisiana. Esta é uma operação muito grande - diz o presidente numa conferência de imprensa no Salão Leste da Casa Branca - em que "os erros são possíveis: esperamos o melhor, mas estamos prontos para o pior." Em seguida, reiterou que a British Petroleum "é responsável por este desastre horrível e tem que pagar cada cêntimo do prejuízo que causou". Cai também a primeira cabeça: Elizabeth Birnbaum, director da Minerals Management Service (MMS), a agência que dá luz verde a perfuração em busca de petróleo e que ignorou em várias ocasiões os avisos de riscos ambientais.

Como funciona
A operação "Top Kill" exige que a lama seja pressionada a alta pressão na cabeça do poço, abaixo do buraco e do blowout preventer (um dispositivo que impeça vazamento de óleo em caso de acidente; dispositivo que não parece ter funcionado tão bem... NDT)), a uma taxa de 65 mil barris por minuto. A pressão do petróleo em saída deveria inicialmente empurrar a lama para cima para força-la a sair com o mesmo petróleo, mas com o aumento do fluxo a lama deve ser capaz de bloquear a fuga, permitindo o posterior encerramento do buraco com cimento. O principal risco da operação é que as partes mais frágeis do blowout (já danificado) podem não resistir devido às altas pressões e gerar uma segunda falha.

Enquanto isso, no Golfo do México os navios que participam na bonificação foram retirados por motivos de precaução, após quatro marinheiros terem manifestado problemas de saúde. Estes, a bordo de três dos 125 navios que compõem a frota de socorro, sofreram de náuseas, tonturas, dores de cabeça e dores no peito. A mancha de petróleo poluiu um trecho de costa de 160 km e a área onde a pesca é proibida foi estendida para mais de 20 mil quilómetros quadrados.
Só para ter uma ideia: é a mesma superfície de Israel ou da Eslovénia. É como se metade da Suíça ficasse fechada.
Entretanto a BP alerta: o poço pode ficar fechado ao longo de alguns anos, mas não será para sempre. Vão ser precisas outras medidas.
E sobra um pequeno pormenor: como retirar todo o petróleo que flutua sobre o mar, gozando do quente sol das Caraíbas?

Calma, um problema de cada vez...

Ipse dixit.

Fonte: Corriere della Sera,

Deepwater Horizon: será hoje?

Dezenas, talvez centenas de milhares de pessoas em todo o mundo estão a observar a tentativa da BP para parar a fuga de petróleo no fundo do Golfo do México.

Este o esquema da intervenção:




Permanecem dúvidas acerca desta tentativa, dada a profundidade em causa.

A CNN disponibiliza canais em directo via Web, enquanto a webcam da WKRG aparece de momento offline.
Eis o link: CNN.com, no qual estão disponíveis bem 8 live feeds.

Vamos ver se é desta...

Os cortes dos outros

O termo utilizado é "ajustamento". Mas lê-se "corte".

É esta a medida implementada em vários Países da União Europeia: Grécia, Portugal, Espanha, Alemanha, França. E agora Italia e Grã Bretanha.

Vamos ver os detalhes:

Italia: evitar o pior

No meio do colapso geral das bolsas de valores e dos mercados financeiros mundiais, a Itália e a Grã-Bretanha juntam-se aos planos de "ajuste selvagem" que o FMI e a BCE  pedem aos Estados europeus para "refinanciamento" das suas dívidas e evitar uma falência em cadeia do sistema financeiro.

A Italia juntou-se na Terça-feira ao clube europeu de operações económicas, reduzindo o seu orçamento com salários, gastos e planos de assistência social, o que terá um impacto sobre os trabalhadores e a massa menos protegida da sociedade italiana.

As medidas vão reduzir a negociação no sector público e congelar os salários durante três anos, atrasando a idade de reforma dos funcionários públicos e reduzindo o financiamento para os governos locais, de acordo com informações do próprio Governo italiano.
Os municípios e as regiões estarão sob pressão para contribuir com 5.800 milhões de Euros de cortes nas despesas em 2011-2012, que podem afectar escolas, hospitais e manutenção das estradas.

A despesa do sistema de saúde pública será objecto de controlos rigorosos, e o Governo procurará reduzir a evasão fiscal, ao declarar ilegais as transacções de mais de 5.000 euros em dinheiro.

Dando a impressão de que os sacrifícios "são para todos", como o presidente Giorgio Napolitano pediu, as medidas incluem cortes nos salários e nos bónus dos ministros, parlamentares e dirigentes do sector público.

"Vai ser difícil, com grandes sacrifícios", disse Gianni Letta, subsecretário da Presidência do Estado e braço direito do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
Depois de ter contado por meses aos italianos que as finanças do país estavam imunes a uma crise semelhante à grega, o governo optou por apresentar isso como uma manobra preventiva para "evitar o pior."


O pacote, que o ministro da Economia Giulio Tremonti vai apresentar em detalhe quando o gabinete se reunir para aprovação, visa reduzir o défice em cerca de 26 bilhões de euros em dois anos, com cortes de 13 bilhões de euros em 2011.
"O governo deve tomar essas medidas para salvar o nosso País de um risco como o grego", disse Letta, que fez estas declarações antes de saber que a confiança do consumidor está nos mínimos anuais.

Grã Bretanha: poupar agora, gastar depois

As medidas no Reino Unido foram anunciadas na Segunda-feira pela nova coligação de conservadores e liberal-democratas.
Será 7.260 bilhões de Euros e vai tentar reduzir um deficit de 181 bilhões de euros, o mais elevado da UE, e já colocou os sindicatos em alerta.

As reduções mais graves afectarão o Departamento de Inovação dos Negócios (BID), com um corte de 970 milhões de Euros durante o exercício em curso. Os cortes atingirão 243 milhões mais do que o esperado.

Com sérias resistências entre os deputados, o Partido Liberal Democrata obteve que os Tories usassem 150 milhões de cortes nos 50 mil novos postos de trabalho de aprendizagem e  50 milhões nas instituições de ensino superior.

As medidas mais duras serão nas organizações semi-governamentais que sobrevivem com o apoio do Estado, em projectos de informática e de recrutamento de funcionários públicos, congelados da mesma forma que a publicidade oficial.
Os maiores cortes serão de 793 milhões no Departamento de Transportes; 405 milhões nas comunidades e nos governos locais, 778 milhões na educação e 621 milhões no Trabalho e Pensões.

As administrações da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte vão receber menos 704 milhões.
"Temos de parar o deficit de modo que as nossas dívidas não formem uma espiral fora de controle. E mais fazemos agora, mais será possível gastar em coisas importantes nos próximos anos ", prometeu o chanceler Osborne, um milionário por herança.

O anúncio dos cortes foi recebido com uma vaga de protestos. Alistair Darling, disse que havia falta de detalhes. "Pode haver milhares de empregos afectados por isso, existem medidas que podem prejudicar o crescimento. Estou muito, muito preocupado com isso", afirmou na sua primeira reacção.

Os sindicatos britânicos já manifestaram a própria preocupação e estado de alarme. "Com a economia do Reino Unido e dos nossos parceiros europeus tão frágil, não é o momento certo para estes cortes", afirmou Brendan Barber, secretário-geral do potente TUC.

A CBI, que reúne a indústria, aplaudiu as medidas que descreveu "como dolorosas, mas necessárias."
Segundo os cálculos dos especialistas, essas medidas são apenas o começo. Os cortes mais brutais, dizem, chegam em Junho, quando será apresentada a nova manobra financeira.

Fonte: IAR

Gráficos & Palavras

Palavras, palavras, muitas palavras.

Um gráfico pode dizer mais de mil palavras. Por isso vamos observar alguns dados para tentar fazer o ponto da situação.

A referência neste caso é Dshort.com, um site que publica gráficos elaborados exclusivamente com base em fontes oficiais ou de confiança: Federal Reserve, National Bureau of Economic Research, Statistic Bureau of Japan, etc.

E que dizem os gráficos? Vamos ver.

 

Estes são os indicadores dos cinco maiores mercados bolsisticos mundiais ao longo dos últimos 5 meses, desde o dia 9 de Março até o dia 25 de Maio de 2010. Na prática, desde os inícios de Maio é possível observar um forte inversão de tendência.


 

Eis uma comparação entre os andamentos das grandes crises passadas e a actual. A crise começada em 2008 atingiu o ponto mais baixo mais cedo (17º mês) das crises de 1973-74 (21º mês) e de 2000-02 (31º mês). Todavia  ao longo do último mês o mercado perdeu outro 10%, confirmando a inversão de tendência observada no gráfico anterior. E. no geral, as crises têm uma duração maior.



 

O Dólar ao longo de quarenta anos. A moeda americana perdeu constantemente poder de compra após o pique no final do Séc. XIX. Quanto vale o Dólar hoje se comparado com o homologo do '800 ou de inicio '900? Nada.


 

Os mesmos dados sob outra perspectiva: a inflação ao longo dos últimos 140 anos.



 
Esta é a evolução da taxa de desemprego dos EUA ao longo dos últimos 15 anos: em vermelho o dado oficial. Este último gráfico é do site Shadow Governement Statistic.

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