30 julho 2010

A lição dos Nazis

Israel continua a própria actividade na frente interna.

Não há só os Palestinianos, há também os Beduínos, povo pacifico que goza da nacionalidade israelita.

Mas não são os Israelitas no verdadeiro sentido do termo, não são os Israelitas desejados pelo governo de Tel Avive; e isso é suficiente para que sejam tratados como não-cidadãos, privados dos próprios rebanhos, até das próprias casas.

Os Hebreus foram alvo de limpeza étnica na Alemanha nazi entre 1941 e 1945. E ainda hoje choram cada vez que é citada a Shoa.
Agora demonstram de ter aprendido a lição e não hesitam a transformar-se de vítimas em carnífices.

E o mundo ocidental? Prontos também a chorar os horrores do passado cada vez que alguém lembrar a Shoa, os Países do Ocidente ultrapassam de forma leve e despreocupada os horrores do presente.

Eis o relato de Neve Gordon, um israelita, publicado nas páginas do The Guardian.
E a seguir o vídeo com as principais fases da destruição da aldeia.


Limpeza étnica em Israel

O desmantelamento duma aldeia beduína pela polícia israelita, mostra até que ponto o Estado pode ir para atingir a meta de israelização da região de Negev. A polícia israelita demoliu a aldeia beduína de Al-Arakib desmantelando cerca de 45 casas em apenas três horas.

Enquanto eu estava no carro em direcção a Al-Arakib, uma aldeia beduína pouco mais de 10 minutos de Beer Sheva, um ameaçador comboio de tractores estava a voltar da cidade. Logo tomada a estrada de terra para a aldeia, vi uma dúzia de camiões com policiais fortemente armados prontos para ir. Aparentemente, a missão estava cumprida.

As consequências da destruição foram visíveis imediatamente. Antes notei que as galinhas e os gansos corriam livres perto de uma casa demolida, então vi uma outra casa e outra ainda, todas reduzidas a escombros. As crianças estavam à procura de um local com sombra para fugir do sol escaldante do deserto, enquanto atrás deles uma nuvem de fumaça negra subia do feno em chamas. Não havia ovinos, caprinos e bovinos, confiscados provavelmente pela polícia.

Um grupo de beduínos estava no topo duma pequena colina a falar do que se tinha passado desde as primeiras horas da madrugada, cercados por árvores desenraizadas deitadas no chão. Uma aldeia inteira de 40-45 casas foi completamente destruída em menos de três horas.

Imediatamente tive um deja vu: caminhar no meio dos escombros duma vila destruída nos arredores da cidade libanesa de Sidon. Era mais do que 25 anos atrás, durante o meu serviço como pára-quedista em Israel. A diferença é que os residentes no Líbano tinham fugido muito antes da chegada do meu pelotão, e nós simplesmente atravessamos os escombros. Havia algo de surreal naquele evento, que durante anos impediu-me de compreender plenamente a  sua importância. Na época, parecia caminhar na lua.

Hoje, imediatamente senti o impacto da destruição. Talvez porque as 300 pessoas que viviam em Al-Arakib, incluindo crianças, estavam sentadas nos escombros e ansiedade deles era evidente, talvez porque a aldeia está localizada a 10 minutos da minha casa, em Beer Sheva, e aqui passo para ir para Tel Aviv ou Jerusalém, ou talvez porque os beduínos são cidadãos de Israel e de repente eu percebi até onde o Estado está preparado para ir para tornar "Israel" a região de Negev; o que eu tinha presenciado foi um verdadeiro acto de limpeza étnica .

Diz-se que a próxima intifada será a dos beduínos. Há 155 mil beduínos no Negev, e mais de metade vivem em aldeias ilegal, sem electricidade ou água corrente. Não sei o que eles poderiam fazer, mas a deixar 300 pessoas sem abrigo, das quais 200 são crianças, Israel está semeando a discórdia no futuro.



Fonte: The Guardian via ComeDonChisciotte

Somália: um País sem paz

Outra guerra que não merece as manchetes dos jornais: a Somália.

Islão, Al-Qaeda, exércitos ocidentais, forças de paz da ONU, guerrilha local: todos os ingredientes para uma situação explosiva reunidos num País com uma superfície 6 vezes a de Portugal continental e uma população que não ultrapassa os 8 milhões e meio de habitantes.

Uma esperança de vida de 48 anos, um rendimento que não atinge os 70 Dólares mensais. Pode existir alguém interessado num País como este?

Já falámos deste pobre País num artigo dedicado aos "modernos" piratas da costa leste da África. Agora, com a ajuda de quanto escrito nas páginas de Limes por Matteo Guglielmo, podemos vislumbrar quais as condições internas.


Se há um lugar no mundo que nas últimas décadas experimentou todos os tipos de conflitos armados e de intervenção militar, está é a Somália. Assim escreve Jefferey Gettleman no New York Times, sublinhando que se o resultado da última reunião extraordinária da União Africano, realizada em Uganda, há algumas semanas tivesse sido só aumentar o contingente de Amisom em 2000 ou talvez 4000 unidades, então demonstrariam a comunidade internacional ter aprendido muito pouco ao longo destes anos de conflito.
 
Duas décadas de conflito na Somália e a história parece inexoravelmente repetir-se.
Um contingente militar não é suficiente para restaurar a paz no território do centro-sul, pouco importa que seja composto de milhares de Marines americanos, como na missão Restore Hope no início dos anos Noventa, ou pelos soldados das Nações Unidas, como a Unosom II.  

Mesmo a Etiópia, um País que sabe mais do que qualquer outro acerca do território da Somália, não conseguiu restaurar a segurança em Mogadíscio, deixando até o legado da sua polémica intervenção para um contingente regional que hoje está sozinho a enfrentar o peso do confronto com a guerrilha.
 
Apesar da história do conflito ter mostrado como fragmentos de estabilidade surgiram apenas com a afirmação das Cortes Islâmicas, em Junho de 2006, a União Africano decidiu aumentar ainda mais o próprio empenho militar no País.  
A expectativa da comunidade internacional, particularmente nos Estados Unidos, cujo apoio para o contingente até agora foi de cerca 200 milhões de Dólares, é recuperar pelo menos Mogadíscio, permitindo assim que as Instituições Federais de Transição possam começar a governar e a distribuir serviços à população.
 
Não há como negar que a estratégia agora tem muitas chances de fracassar. Não só porque as forças radicais do Shabaab nos últimos anos têm reforçado e entrincheirado a própria na maioria das áreas do centro-sul da Somália, mas principalmente porque o mesmo contingente Amisom, agora sob ataque constante por parte da guerrilha, é muitas vezes obrigado a retornar o fogo de forma maciça, acabando por provocar vítimas não só entre os milicianos, mas também entre a população civil.
Ultimamente, mesmo à agência Associated Press, reportando um relatório da União Africana, confirmou a tendência da missão de capacetes verdes a efectuar uma retaliação que, eventualmente, envolve na maioria civis, tornando assim mais difícil a relação entre população e Amisom.
 
A crescente adversão aos capacetes verdes fornece novos argumentos a uma guerrilhas que, apesar das suas políticas radicais, no mês passado foi capaz de fazer esse salto de qualidade que muitos temiam. No dia 11 de Julho passado, enquanto toda a África observava terminar a primeira Copa do Mundo jogada no continente, 74 pessoas foram mortas num duplo atentado em Kampala, Uganda. O tipo e o alvo dos ataques fizeram pensar logo em Al Qaeda. A confirmação das suspeitas e das vozes, no entanto, só veio alguns dias depois, quando Sheikh Ali Mohamud Raghe, porta-voz do al-Shabaab, disse: "Atrás das duas bombas em Uganda houve al-Shabaab".
 
O ataque mostra como o alcance de al-Shabaab é substancialmente aumentado. Até os ataques em Kampala, na realidade, os jovens Muja'eddin tinham usado a técnica do martírio só no solo da Somália, como havia acontecido em Outubro de 2008 quando foram atacados a Presidência e o compound Undp de Hargeisa, em Somaliland, e em Junho de 2009, quando num atentado suicida em Beledweyne, 300 km ao norte de Mogadíscio, foi morto Omar Hashi, o então ministro da Segurança do Governo de Transição.
 
A pagar o custo do salto qualitativo de Shabaab podem ser outros Países do Leste Africano como o Quénia, onde em breve  haverá um importante referendo constitucional. Para já não falar da Somalilândia e Puntland, onde o perigo de infiltração do movimento islamita é mais específico, especialmente na região semi-autónoma de Puntland.  

Apenas alguns dias atrás, um comando Shabaab teria tentado atacar a cidade costeira de Bosaso. O confronto, que resolveu-se com um recuo dos islamistas e a morte duma dúzia de combatentes, tem alertado as autoridades de Puntland, que logo anunciaram uma contra-ofensiva em Galgalá, considerada a nova base Shabaab no centro-norte. O homem que dirige o Shabaab em Puntland, de acordo com algumas fontes de informação da Somália, seria Sheikh Mohamed Said "Attam", um jovem Darood (Harti / Warsengeli), cujo nome foi só recentemente conectado ao movimento radical, embora, segundo outras testemunhas, as suas actividades de recrutamento remontem pelo menos à 2005.
 
Segundo as autoridades do Puntland o recrutamento de "Attam", e portanto de al-Shabaab, ocorrem dentro dos campos de deslocados presentes na região semi-autónoma. Como consequência directa dos atentados de Bosaso e de Kampala, as autoridades de Garowe decidiram expulsar vários deslocadas presentes na região, especialmente homens, e envia-los de volta para o centro-sul da Somália, apesar dos apelos e das opiniões divergentes de muitas organizações da Diáspora somali, presentes em diferentes países ocidentais.
 
Quase dois anos após o novo Governo Federal de Transição, encontrar uma estratégia de contenção do conflito na Somália continua a ser uma tarefa difícil, também por causa do fraco parceiro político local.  Enquanto a União Europeia, com a assistência técnica e logística dos EUA, começou a treinar as forças de segurança através do programa EU Somalia Training Mission (Eutm), as Instituições Federais de Transição permanecem perigosamente "suspensas" aos olhos duma população que ainda não consegue retirar qualquer benefício da sua existência.
 
Abrir ou não abrir um diálogo com Shabaab ainda hoje é um tema complicado, enquanto, por exemplo, no Afeganistão falar com os talibãs não parece ser mais um tabu. A ironia destes dias, no entanto, como afirmou Georg Sebastian Holzer num artigo publicado recentemente no site da International Security Network, é que enquanto os Estados Unidos estavam a preparar-se para definir uma abordagem mais flexível sobre a crise na Somália, os ataques de Kampala levaram vários actores regionais, Uganda e Etiópia em primeiro lugar, a relançar a linha-dura da intervenção militar.  

Apesar de ser cedo para avaliar o mérito dessa abordagem, a história do conflito na Somália, uma vez mais, pode ajudar a prever os efeitos.

Fonte: Limes 

O suicídio alimentar

Temos que importar.
Leite deitado fora, laranjas destruídas, terras não cultivadas, fazendas em crise: mas temos que importar.

A qualidade dos produtos importados é menor do que a fornecida pelos agricultores locais? Estes mesmos agricultores não podem competir com os preços da concorrência estrangeira? O que conta é importar.

Séculos (milénios?) de tradições e práticas desaparecem em nome do mercado.

A massa é um símbolo da culinária e da tradição italiana. O que acontece no País transalpino não é um caso isolado: perguntem porque razão na região do Algarve, em Portugal, já ninguém recolhe as amêndoas.

Lasanhas mexicanas

É a altura da colheita do trigo e muitas fazendas, em vez de ver recompensados meses de trabalho, podem fechar. 474 mil empresas perdidas nos anos de 2000 a 2007, um quinto do total. Não é difícil de acreditar, dado que os preços pagos aos agricultores têm vindo a diminuir de forma constante ao longo dos anos. Basta dizer que o preço de um quilo de trigo chegou a 13-15 Euros, contra os 25 de duas décadas atrás. Tal como foi confirmado pela relação Ismea 2008, sobre o sector do trigo, a rentabilidade da cultura do trigo duro tem mostrado uma tendência de flutuação nos últimos anos, uma consequência directa da volatilidade dos preços e de custos de produção em aumento.

De acordo com dados oficiais, em 2009 os preços no atacado caíram, em relação ao ano anterior, 71% para as cenouras, 53% os pêssegos, 30% o trigo e o leite, 19% a uva e a tendência não parece melhorar este ano, pelo contrário. Então, mais barato o trigo e mais barata a massa? Nem por isso. apesar da redução detectada pelo Instituto de Estatística italiano (ISTAT) de 1, 2% no ano anterior, o preço médio de um quilo de massa varia desde 1,39 Euros em Nápoles, 1,70 Euros em Roma até 1,91 Euros em Milão . Os agricultores recebem uns cêntimos, na transição do campo para a mesa. Esta enorme diferencia levou a um colapso da sêmea do trigo, em comparação com um consumo médio estável de 26 quilos per capita.

Made in Italy? A este ritmo, mais de 1,5 milhões de toneladas anuais de massa consumida irá "falar" mexicano, turco, canadiano. Sem que o consumidor possa ser informado. Mais de um bilião de quilos de massa "italiano" são produzidos com grãos extracomunitário sem qualquer indicação no rótulo. Esta não é uma irregularidade por parte dos produtores, estas são as regras da União Europeia: a obrigação de indicar o lugar de origem afecta somente certos tipos de alimentos (especialmente carne, aves, peixes, ovos, leite, frutas e legumes, mel fresco, molho de tomate, azeite de oliva). Mas não há nenhuma obrigação para massa, pão, queijo, carne de porco e enchidos, e outros alimentos ainda.

O resultado é que mais de um terço da massa é feita com milho que não foi plantado em Italia; dois em cada três presuntos vendidos como "italianos" foram feitos com animais criados no estrangeiro; metade da mozzarella é feita com leite ou até coalhadas estrangeiras, como foi confirmado pelo recente caso do queijo azul. Remuneração em queda livre, a falta de protecção no reconhecimento dos produtos locais, concorrência "desleal" dos produtos estrangeiros: não é de estranhar que mais e mais empresas sejam forçadas a fechar.

Tal como dito: esta a situação em Italia. Perguntem aos agricultores de outros Países europeus e poderão observar uma situação igual ou em certos casos até pior.

Em nome só do comercio?
Não, há mais do que isso. As mentes pensantes de Bruxelas parecem têm outras ideias: transformar a Europa num continente industrial e, sobretudo, do sector terciário, abandonando a produção agrícola menos rentável. Esta última pode ficar para Países menos industrializados ou até em desenvolvimento.

Ao longo da própria história o Homem tem lutado para a propriedade das terras mais férteis, chegando a guerra sangrenta para controlar um recurso considerado como fundamental.
A Europa agora propõe um novo rumo: o rumo da dependência alimentar. Cada vez menos produção e mais importação do estrangeiro.

Uma evolução? Não, um suicídio.

Ipse dixit.

Fonte: Terranews

29 julho 2010

Está calor: culpa dos EUA?

Está calor...não é uma boa ocasião para falar de alterações climatéricas?

Em verdade não. É Verão no hemisfério Norte, algo de estranho seria ver os ursos brancos passear à beira do mar; mas temperaturas elevadas nesta altura representam a normalidade.

Mesmo assim, o próximo post "foge" da linha que Informação Incorrecta costuma seguir; falamos do HAARP, uma estrutura que, segundo quem adora as teorias das conspirações, faz de tudo um pouco: altera o clima, provoca terramotos, aquece a feijoada.

O artigo aparece nada mais nada menos que nas páginas do respeitado Eurasia: e isso oferece a desculpa necessária para falar deste polémico assunto.


As Armas do Clima: não apenas uma teoria da conspiração?
O tempo anormalmente quente nas regiões centrais da Rússia já causou graves prejuízos económicos. Destruiu colheitas em cerca de 20% das terras agrícolas do País, com o resultado que os preços dos alimentos vão subir no próximo outono claramente. Além disso, os fogos explodiram em turfeiras em torno de Moscovo. Nestes dias, a maioria das previsões do clima são alarmantes: secas, furacões e cheias serão mais frequentes e graves. O director do programa energético e climatérico do Wildlife Fund, A. Kokorin diz que a tendência actual não é um fenómeno aleatório e que não não é previsto que possa diminuir.

Neste contexto particular, a credibilidade das projecções do Wildlife Fund, uma influente organização internacional que actua em todo o mundo com programas de protecção do ambiente, é indiscutível. A razão é que o aquecimento global, tema de acesos debates académicos (ou, ocasionalmente, completamente não-académicos), não é necessariamente um processo descontrolado. No mínimo, o impacto das actuais temperaturas anormalmente elevadas, na Rússia e nalguns territórios adjacentes, solicita explicações alternativas.

Voltamos aos anos '70, quando Z Brzezinski invocava no seu "Between Two Ages" a questão do controle de tempo, que ele considerava uma forma de regulação social mais ampla. Sem dúvida, os importantes pensadores geopolíticos dos Estados Unidos tinham não apenas de tratar do aspecto  social imediato, mas também das potenciais implicações geopolíticas do influenciar o clima. Não foi o único autor a explorar a questão, mas por causa de preocupações óbvias, a informação sobre a evolução das armas climatéricas é improvável que possa sair dos limites do secreto no futuro próximo.

M. Chossudovsky, professor de economia na Universidade de Ottawa, escreveu em 2000 que, em parte, a mudança climática em curso poderá ser accionada através do uso de armas não-letais de nova geração. Os Estados Unidos certamente exploram a possibilidade de controlar o clima em diferentes regiões do mundo. A tecnologia correspondente foi desenvolvida no âmbito do High-Frequency Active Aural Research Program (HAARP), com o objectivo de construir um instrumento potencialmente capaz de causar secas, furacões, inundações e terremotos. Do ponto de vista militar, o HAARP é suposto ser um novo tipo de arma de destruição em massa e um instrumento da política de expansão que pode ser usado para, de forma selectiva, desestabilizar sistemas agrícolas e ambientais dos Países-alvo. Tecnicamente, o sistema é conhecido por ser um conjunto de fontes de radiação electromagnética que afectam a ionosfera. Tem 360 fontes e 180 antenas com uma altura de 22 metros. Globalmente, a estação emite 3.600 kW para a ionosfera, o sistema mais potente do mundo. O programa teve início em 1990, é financiado conjuntamente pelas U.S. Office of Naval Research e U.S. Air Force Research Laboratory, e é implementado em vários laboratórios universitários.

Hipótese de amplo alcance surgem naturalmente desta situação. O líder venezuelano H. Chávez foi ridicularizado por atribuir o terremoto de Haiti ao HAARP, mas, por exemplo, essa suspeita foi sugerida em 2008 após o terremoto na província de Sichuan, na China. Além disso, há evidências de que o programa dos EUA para influenciar o clima não se estende apenas a um número de Países e regiões, mas também é parcialmente baseado no espaço. Por exemplo, o veiculo não-tripulado X-37B, que orbitou no dia 22 de Abril de 2010, teria transportado novos tipos de armas laser. Segundo The New York Times, o Pentágono nega qualquer ligação entre o X-37B e as armas meteorológicas, mas reconhece que o seu objectivo é apoiar as operações terrestres e gerir uma série de tarefas auxiliares. O veículo foi construído há 11 anos, como parte dum programa da NASA que foi absorvido pela U.S. Air Force há seis anos, e totalmente secreto.

Os pedidos para divulgar detalhes do programa experimental, actuado em Alasca, foram expressas tanto nos EUA como em vários outros Países. A Rússia não juntou-se ao coro, mas a impressão é que os esforços para mudar o clima deliberadamente não sejam um mito, e que no futuro próximo a Rússia, juntamente com o resto do mundo, terão de enfrentar ameaças duma nova geração.

Comentários? Não há. Afinal é um assunto Top Secret, se soubéssemos alguma coisa já não seria assim Secret.
Mas deixamos alguns links de sites e blogs amigos onde podem encontra mais material:

Wake Up!  Fala do projecto HAARP e inclui 3 vídeos
Evoluindo Sempre Página que recolhe artigo acerca do HAARP
Kafe Kultura Vídeo acerca do HAARP
A Nova Ordem Mundial Documento da CIA de 1974

e com certeza haverá outros. Mas está calor, tanto calor...

Fonte: Eurasia

Top Public

O presidente da Venzuela, Hugo Chávez, alerta: os EUA têm planos para atacar o próprio País.

Assim afirma Eva Golinger, advogada venezuelano-estadunidense, nas páginas de Global Research, num artigo que já foi publicado há dois dias no blog amigo Cidadã do Mundo.

Lembramos o texto do artigo:

EUA e Colômbia planeiam atacar a Venezuela

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, denunciou neste Sábado os planos dos EUA para atacar o próprio País e derrubar o governo. Durante uma cerimonia para comemorar o 227º aniversário do herói da independência Simon Bolívar, Chávez leu um memorando secreto que foi enviado a partir de uma fonte anónima dentro dos Estados Unidos.

"Como já disse nas minhas primeiras três cartas, fica a ideia de provocar um conflito na fronteira ocidental", leu Chávez leu na carta secreta. "Os recentes acontecimentos confirmam tudo ou quase tudo o que foi discutido aqui, e também as outras informações que obtive", continuou a carta. "A fase de preparação da comunidade internacional, com a ajuda da Colômbia, está em pleno vigor", mostrou o texto, referindo-se à última sessão, na Quinta-feira, da Organização dos Estados Americanos (OAS), durante a qual o governo da Colômbia acusou a Venezuela de hospedar "terroristas" e "campos de treino para terroristas" e deu ao governo de Chávez um ultimato "de 30 dias" para permitir uma intervenção internacional.

A carta continua com mais detalhes: "Já disse antes que os acontecimentos não começarão antes do 26, mas por algum motivo adiantaram várias acções que deveriam ter sido executadas mais tarde." "Nos Estados Unidos a fase de implementação está a acelerar, com uma força de afirmação, como dizem, na Costa Rica, sob o pretexto do combate ao tráfico de drogas". Em 01 de Julho, o governo da Costa Rica autorizou 46 navios dos EUA e 7.000 fuzileiros a entrar no próprio território, terrestre ou marítimo. O objectivo real desta mobilização militar, dizia a carta, é apoiar "operações militares" contra a Venezuela.

Assassinato e destituição

"Existe um acordo entre a Colômbia e os Estados Unidos com dois objectivos: um é Maurício e outro é  derrubar o governo", revelou o documento. O presidente Chávez explicou que "Maurício" é um pseudónimo utilizado nessas comunicações. "A operação militar que vai acontecer", advertiu o texto "terá lugar a partir do norte, mas não directamente para Caracas." "Estão à procura de 'Maurício', perto de Caracas, isso é extremamente importante, repito, isso é realmente importante."

O presidente Chávez revelou ter recebido cartas semelhantes da mesma fonte, que advertiam sobre ameaças perigosas. Recebeu uma carta pouco antes da captura de mais de 100 paramilitares colombianos na periferia de Caracas, que faziam parte dum plano para assassinar o chefe de Estado venezuelano, e outra em 2002, poucos dias antes do golpe que o depôs brevemente do poder. "A carta advertia acerca dos atiradores e do golpe de Estado", disse Chávez, "e estava certa, a informação era verdadeira, mas não conseguimos agir para impedi-lo."

 A expansão militar dos Estados Unidos

Esta informação segue a decisão, na última Quinta-feira, de romper as relações entre Colômbia e Venezuela, tomada pelo presidente Chávez depois do "show" da Colômbia na reunião da OEA. "Uribe é capaz de tudo", advertiu Chávez ao anunciar que o País estava em alerta máximo e que as fronteiras tinham sido reforçadas.

Em Outubro passado, a Colômbia e os EUA assinaram um acordo militar que permite aos Estados Unidos ocupar sete bases na Colômbia e usar todo o território colombiano para completar as missões. Uma das bases do acordo, Palanquero, foi citada em Maio de 2009 nos documentos da Força Aérea norte-americana como necessária para realizar "operações militares de espectro inteiro" na América do Sul e lutar contra a ameaça dos "governos anti-EUA "na região. Palanquero também tem sido relatada como crucial para a Estratégia de Mobilidade Global do Pentágono, como previsto February 2009 White Paper: Air Mobility Command Global En Route Strategy, "O USSOUTHCOM tem identificado Palanquero, Colômbia (German Olano Airfield SKPQ) como um local de segurança cooperativa (CSL). A partir desta posição, quase a metade do continente pode ser coberto por um C-17, sem reabastecimento."

O orçamento do Pentágono para 2010 inclui 46 milhões de Dólares solicitados para melhorar as instalações em Palanquero, a fim de apoiar a estratégia para o teatro do Comando Operacional, e prever "uma oportunidade única para as operações de espectro total numa sub-região crítica do nosso hemisfério, onde a segurança e a estabilidade estão sob constante ameaça de revoltas terroristas narco-financiadas, dos governos anti-EUA, da pobreza endémica e dos desastres naturais recorrentes ". O documento de Maio de 2009 da Força Aérea também acrescenta que Palanquero seria usada para "aumentar a nossa capacidade de realizar operações de intelligence, vigilância e reconhecimento (ISR) para melhorar o seu alcance global ... e ampliar a capacidade de intervenção milita."

Em Fevereiro de 2010, o US National Directorate of Intelligence (NDI) classificou a Venezuela como "Leader anti-EUA" na região, na sua avaliação anual das ameaças. Os Estados Unidos também controlam as bases avançadas (pequenas bases militares) de Aruba e Curaçao, a poucos quilómetros da costa venezuelana. Nos últimos meses, o governo da Venezuela denunciou incursões de aviões não autorizados, aviões e aeronaves militares, em solo venezuelano, a partir de bases americanas.

Faz sentido tudo isso?
Sim, de facto faz.

Podem ler o artigo Reflexões do Sul, publicado no passado dia 27, com as considerações de Enrique Lacolla: tudo enquadra-se na lógica do esforço geo-político dos EUA para "domesticar" uma área que tem vindo a gerar problemas na óptica de Washington: não só Venezuela, mas também Brasil, Argentina, Bolívia...

Podemos pensar num próximo ataque, uma verdadeira invasão das forças norte-americanas para ocupar Caracas?
Isso é mais difícil. Os Estados Unidos já estão presos num conflito sem fim no Afeganistão, atravessam um período de grave dificuldade financeira, com uma opinião pública contrariada, e existe sempre a hipótese que no Médio Oriente a situação possa degenerar: neste caso os States ficariam empenhados em três frentes ao mesmo tempo, o que não é agradável.

Mas é verdade que Washington pode encarregar do trabalho "sujo" a Colômbia, ficando na retaguarda com os fornecimentos e a assistência táctico-logística.

E, para acabar, é preciso acrescentar que um confronto EUA-Venezuela, com Bogotá no papel do fantoche, parece uma coisa inevitável, como a gripe ou os terramotos. É possível adiar, mas cedo ou tarde algo irá acontecer. Neste aspecto bem faz Chávez em manter alto o nível da atenção internacional.

Quanto à carta: ou é falsa ou foi escrita por um deficiente.

Maurício?
Fala-se da Venezuela, de atacar Caracas, dum conflito que começa na fronteira ocidental. Mas quando chega a altura de falar de Hugo Chávez eis que o autor utiliza o pseudónimo "Maurício".
Óptima ideia, desta forma o serviço de intelligence venezuelano permanece na dúvida: quem será este Maurício? 

E para quem escreve o remetente? Para outro deficiente, sem dúvida, ao ponto de ter de esclarecer que as forças na Costa Rica estão ali "sob o pretexto do combate ao tráfico de drogas".
O resto são coisas óbvias que qualquer pessoa com capacidade para ler um jornal poderia ter reunido.
O verdadeiro mistério é: mas que tem de Top Secret esta carta?

Se este for o novo estilo dos serviços secretos dos Estados Unidos, então Chávez pode dormir com toda a tranquilidade.

Ipse dixit.



Fonte: Global Research, Cidadã do Mundo
Tradução: Informação Incorrecta

6·25 전쟁

Neste quente Verão de 2010, enquanto Informação Incorrecta trabalha com ritmo reduzido (sim senhor, altura de pré-ferias), comemoram-se 60 anos da Guerra das duas Coreias (6·25 전쟁 em coreano).

E na altura em que Kim Jong Il ameaçar usar armas nucleares contra as exercitações conjuntas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, vamos lembrar as principais etapas do conflito com um artigo de Limes:

Sessenta anos após a Guerra de Coreia

Sessenta anos passaram desde a Guerra da Coreia e as duas repúblicas estão ainda sem uma trégua formal. As recentes celebrações em memória do conflito ficaram afectadas pela delicada situação regional e obrigam a uma re-leitura da guerra para compreender as razões da actual tensão na área.

Talvez poucas pessoas sabem isso, mas a Coreia do Sul e Coreia do Norte estão (ainda) em guerra. Assim ficaram desde o trágico 25 de Junho de 1950, quando o exército da Coreia do Norte invadiu o Sul, para depois ser repulsa, com altos e baixos, mais uma vez até à linha de fronteira do paralelo 38º. As Coreias continuam oficialmente em guerra porque nunca foi assinado um tratado de paz, apenas um armistício, que no dia 27 de Julho de 1953 estabeleceu a situação como ela é agora: o facto de sessenta anos após do conflito ainda o tratado não existir é uma indicação clara de como a questão coreana esteja longe de ser resolvida.

Após sessenta anos re-percorrendo as etapas do primeiro conflito desde a Segunda Guerra Mundial  não parece fácil, especialmente à luz das recentes tensões entre as duas Coreias. Não que nos últimos anos tivessem faltadas oportunidades para fazer crescer a tensão entre as duas repúblicas, mas o recente naufrágio duma corveta da Coreia do Sul, certamente "pintou" politicamente a celebração dos sessenta anos de conflito, uma das grandes catástrofes do século XX.

A Guerra da Coreia teve lugar entre 1950 e 1953 e foi de uma certa forma um conflito que marcou a ruptura entre a Segunda Guerra Mundial e os posteriores confrontos militares. Novos factores tinham emergido no mundo entre 1945 e 1950, como o nascimento das Nações Unidas e da NATO, enquanto os principais vencedores da Segunda Guerra Mundial (Truman e Stalin) tinham ficado firmemente no comando das próprias nações. Entretanto, a situação no Extremo Oriente permaneceu complexa e delicada. A China tinha-se tornado comunista (1949) e o Japão foi tinha entrado na órbita pró-ocidental. A Coreia, como a Alemanha, manteve-se dividida em duas partes: após ser liberada do Japão, no Norte (onde chegaram os Russos) tinha tomado forma um regime comunista, enquanto no Sul (liberado pelos norte-americanos) um regime nacionalista pró-ocidental tinha prevalecido.

As escaramuças de fronteira não faziam prever o desejo do ditador norte-coreano, Kim Il Sung, de reunificar o País com a força; na verdade, muito imprudentemente, os Americanos não tinham armado o recém nascido exército sul-coreano, enquanto o Norte estava a ser fortemente equipado pelos Russos. Em 25 de Junho de 1950, obtido o apoio de Estaline e Mao, o exército de Kim Il Sung atacou o Sul, desencadeando o primeiro conflito pós-guerra. Aproveitando da ausência do delegado soviético no Conselho de Segurança das Nações Unidas (medida de protesto contra a presença de Taiwan como membro permanente do Conselho), os Estados Unidos conseguiram fazer autorizar a primeira intervenção militar da ONU; em breve, uma ampla coligação internacional, liderada pelo General MacArthur, contra-atacou o exército norte-coreano, repeli-do quase até a fronteira chinesa. No entanto, a retirada apressada do aliado coreano alarmou Pequim, cujos "voluntários" conseguiram repelir os aliados, até o paralelo 38.

A guerra ficou cristalizada até 1953, quando, após a morte de Stalin e da mudança da administração americana (com a eleição de Eisenhower), foi assinado o armistício que trouxe de volta a fronteira no paralelo nº 38. A Guerra da Coreia, assim, terminou com um retorno ao status quo, e nunca alcançou um tratado de paz formal. O País ficou dividido em duas zonas, em que consolidaram o regime comunista de Kim Il Sung (Norte) e o regime pró-ocidental, que mais tarde evoluiu para a democracia, no Sul.

As consequências geopolíticas da Guerra da Coreia foram importantes, e alguns efeitos ainda são visíveis hoje após sessenta anos de distância. Primeiro, houve o perigo real de uso de armas nucleares, o que felizmente foi impedido por Truman; segundo, foi a primeira guerra que viu a intervenção da ONU, abrindo o caminho para futuras operações militares das Nações Unidas. Os efeitos sobre a Guerra Fria foram importantes: enquanto os Países ocidentais decidiram potenciar (no sentido militar), a Nato, os Estados Unidos ficaram mais próximos do Japão, e também criaram as alianças SEATO e ANZUS que "fechavam" os espaços do sul da Ásia aos Países filo-comunistas. Para estes, a Guerra da Coreia, inicialmente vista como um sucesso fácil, foi prejudicial, começando a corroer a relação russo-chinesa. No entanto, a China confirmou um Estado-tampão entre ela e a Coreia do Sul, e estabeleceu uma forte influência sobre Kim Il Sung. Nos efeitos a longo prazo, a guerra levou à actual divisão da Península Coreana e ao isolamento progressivo do regime norte-coreano autocrático. O sentimento de insegurança em Pyongyang hoje é causa de tensões, com repercussões em toda a região.

Evolução da Guerra da Coreia 1950-1953: Verde: Nações Unidas Coreia do Sul; vermelho: Coreia do Norte China.

 

Cronologia

Esta é a cronologia da Guerra da Coreia segundo Wikipedia:.

1950
  • 25 de Junho: A Coreia do Norte invade República da Coreia do Sul.
  • 26 de Junho: Início da Guerra da Coreia.
  • 27 de Junho: Forças sul-coreanas abandonam Seul.
  • 29 de Junho: Tropas norte-coreanas capturam Seul.
  • 1 de Julho: Tropas combatentes americanas chegam à Coreia.
  • 3 de Julho: Tropas norte-coreanas capturam Inchon.
  • 7 de Julho: Exército norte-coreano cruza o Rio Kum. Comando das Nações Unidas é criado.
  • 8 de Julho: Tanques T-34 norte-coreanos entram em Ch’onan.
  • 26 de Julho: A Austrália anuncia o envio de tropas para a Guerra da Coreia.
  • 31 de Julho: Batalha de Chinju.
  • 1 de Outubro: Coreia do Sul atravessa o paralelo 38º N.
  • 7 de Outubro: Forças norte-americanas cruzam o paralelo 38°.
  • 8 de Novembro: Batalha aérea utilizando jactos
1951
  • 11 de Abril: General Matthew Ridgway assume o comando supremo.
  • 13 de Setembro: Batalha de Heartbreak Ridge

1952
  • 3 de Janeiro: China e Coreia do Norte rejeitam proposta da ONU.
  • 7 de Maio: General Mark Clark substitui General Ridgway no comando supremo.
  • 23 de Junho: Estados Unidos atacam instalações militares no Rio Yalu.
  • 29 de Agosto: Aviões bombardeiam Pyongyang.

1953
  • 28 de Março: China e Coreia do Norte aceitam proposta da ONU.
  • 26 de Abril: Negociações de armistício.
  • 28 de Abril: Partido Comunista Francês convoca operários para manifestação contra a Guerra da Coreia.
  • 27 de Julho: Armistício é assinado em Panmunjom. Fim da Guerra da Coreia.

Alguns dados:
militares ocidentais mortos: 778.053
militares norte coreanos e chineses mortos: 1.545.822
civis coreanos mortos: 2.000.000 (estimados)


Fonte: Limes , Wikipedia
Tradução: Informação Incorrecta

28 julho 2010

A Guerra das Moedas

Não há dúvida: estamos no meio duma guerra.

Uma guerra onde as armas são os bancos, os especuladores, e onde o objectivo é derrubar a moeda adversária.

Quem participa neste conflito? Primeiro, o Dólar, que não aceita ver posto em causa o próprio papel de líder mundial.
A seguir o Yuan, cuja importância está a crescer constantemente.

No meio fica o Euro, um pouco abalado por causa das muitas pancadas recebidas, mas com a intenção de tentar tudo antes de explodir.

O artigo que segue, do mexicano La Jornada, analisa os desenvolvimentos mais recentes:


A nova Ostpolitik: Alemanha mais perto da Rússia e da China

As duas recentes visitas do chanceler alemã, Angela Merkel na China e na Rússia têm sido acompanhadas pelo silêncio ensurdecedor da Stratfor, o centro de propaganda israel-americano baseado em Austin, Texas; é evidente a dor que estas viagens têm causado aos negócios estrangeiros dos States perante o florescimento duma nova ordem multipolar.

Parece óbvio afirmar que o centro de gravidade do planeta moveu-se para leste, e que isso foi claro desde 2004, quando fracassou a aventura militar anglo-saxónica na antiga Mesopotâmia, muito antes do colapso do Lehman Brothers no emblemático 15 de Setembro de 2008; colapso que só tem ajudado a acelerar o irreversível declínio da ordem unipolar norte-americana.

Com a grave crise na área do Euro e a perda do primeiro lugar nas exportações mundiais, agora tomado pela China, para além da disputa financeira sobre o assunto tabu da regulamentação da desregulada dupla anglo-saxónica durante0 infeliz summit do G-20 em Toronto, Angela Merkel, Chanceler da primeira potência geo-económica europeia (quinta no mundo, medindo o PIB com a paridade do poder de compra), não pude deixar de aprofundar os relacionamentos tecnológicos e comerciais com a Rússia e os económico-financeiros com a China.

Durante a bipolar Guerra Fria foi chamada Ostpolitik (política para a Europa Oriental) a abertura da Alemanha Ocidental com o bloco soviético.

No mundo multipolar de hoje, a nova Ostpolitik alemã visa tratar com a Rússia e a China, dois membros permanentes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), bem como do G-20. Não é uma coincidência que o novo encontro entre a Chanceler Angela Merkel e o presidente russo Medvedev teve lugar em Ekaterinburg, na cidade russa onde formalmente foi criado o BRIC.

O influente jornal alemão Süddeutsche Zeitung, no passado 16 de Julho, afirmou num artigo intitulado "Degelo dos relacionamento na Sibéria", que o chanceler ofereceu apoio ao programa de modernização da Rússia nos domínios da saúde, da energia eólica e do transporte regional. Em troca, os Russos concordaram em comprar comboios da Siemens para 2 biliões e 200 milhões de Euros.

Matthias Schepp, correspondente do Der Spiegel Online, é mais céptico e mais superficialmente vê o perigo de ruptura do aborrecido casamento entre a Alemanha e a Rússia: em resumo, Berlim arrisca perder a iniciativa política e económica em prol de outros Países como França, Itália e Estados Unidos.

Schepp acusa a poderosa empresa alemã Siemens de não ter sido capaz de imitar os avanços espectaculares da sua colega francesa EDF e do gigante de energia GDF Suez, que assinaram grandes contratos em Moscovo para um aumento em 250% das relações económicas com Paris nos últimos 5 anos. Ainda mais perturbadora, segundo Schepp, foi a venda de quatro porta-helicópteros Mistral, incluindo a assistência tecnológica.

Actualmente, excepto o México neoliberal e outros Países escravizados, as nações compram com a condição de receber assistência tecnológica.

A imprensa russa tem sido mais entusiasmada acerca da participação da Alemanha, com a Siemens em primeira linha, ao projecto do centro tecnológico de Skolkovo, nos arredores de Moscovo: a Silicon Valley russa.

A este respeito, o presidente Medvedev disse que a Alemanha é o primeiro parceiro estratégico com o qual existem milhares de contratos de negócios.

Vale realçar que a Alemanha conta  com a presença de 9.000 empresas na Rússia (a sétima maior economia mundial e a terceira potência para as reservas monetárias com 456 biliões de Dólares, dados de Abril de 2010) cujo o ápice estratégico é o projecto do gasoduto do norte, que liga os dois Países através do mar Báltico e que mudou as relações de forças geopolíticas no norte da Europa através do fornecimento bidireccional de gás russo em troca da modernização da Rússia por parte das empresas alemãs.

Depois da visita importante na Rússia, a Chanceler alemã começou uma outra visita histórica em Pequim, onde assinou dez acordos de cooperação que vão desde a energia verde ao estabelecimento de alianças estratégicas para a produção de camiões leves e pesados.

Segundo o Premier chinês Wen Jiabao, a Europa continua a ser um destino importante das reservas monetárias da China e isso é reforçado pela fraqueza do Euro.

Lembre-se que em Junho de 2010 a China tinha um total de reservas em moeda estrangeira de 2,45 triliões de Dólares.

Merkel sublinhou a "fé (sic) da China no Euro" e o compromisso de ambos os Países para fortalecer a moeda comum europeia, atingida pelos especuladores israel-anglo-saxónicos.

Acreditamos que os EUA (com a Grã-Bretanha escondida na traseira) estariam procurando um G-2 financeiro com o Dólar fundido com o crescente Yuan / Renminbi e a consequente extinção do Euro.

O fortalecimento do Euro mostra a vontade da China acerca duma nova ordem financeira com base multipolar, sem romper abruptamente com o Dólar que ainda fica como moeda defaut (na ausência duma alternativa credível), a principal moeda de reserva global.

O presidente chinês, Hu Jintao disse que "a frequência das reuniões de alto nível entre a China e a Alemanha mostra a força das relações bilaterais", enquanto os comentaristas chineses realçaram carácter "histórico" da quarta visita da Merkel na China.
Na verdade, não há nada de histórico senão a ajuda chinesa para o Euro.

Porque os falcões financeiro de Wall Street e da City não aceitam pacificamente a multi-polaridade das principais moedas do mundo, incluindo o Euro e as moedas dos BRIC?

É difícil aceitar que o destino do Euro esteja hoje no meio da guerra geo-financeira entre o Dólar e o Yuan. Parece que a Merkel decidiu aproximar-se do BRIC perante o cerco brutal do Dólar.

Fonte: La Jornada
Tradução: Informação Incorrecta

As guerras do Iémene

Quando foi a última vez que ouviram falar do Iémene? Pensem nisso.

Não conseguem lembrar? Nem nós.

Para o mundo ocidental o Iémene não existe.
Para os mais informados o Iémene fica lá no fundo, perto da Arábia; é uma ex colónia britânica, uma vez dividida em duas partes, depois houve a reunificação. Capital: Sana'a.

Outras cidades? Número de habitantes? Principais partidos políticos? Rendimento médio? Mistério.
Assim como poucas notícias chegam (quando chegam) acerca da conflito interno. Aliás: dos conflitos, pois são mais do que um.

Deste País médio-oriental fala Il Post no artigo que segue:


Os problemas do Iémene
Desde o fim do domínio colonial britânico no sul do País, o Iémene tem vivido quatro décadas dum conflito que raramente tem atraído a atenção da opinião pública e da diplomacia internacional
Nos últimos dias, o governo de Sana'a teve de enfrentar a reabertura das hostilidades nos ambos os lados interiores em que está empenhado: no Sul contra Al Qaeda e no Norte contra as tribos dos rebeldes xiitas Houthi.

"E ainda bem o qat os acalma, caso contrário, quem sabe que poderiam combinar estes exaltados" tem sido uma das piadas mais comuns entre os vizinhos medi-orientais, com referência ao costume Iemenita de mastigar as folhas da planta. Não é difícil esperar que a piada será ainda mais utilizada nas próximas semanas. Os últimos dias têm realmente visto a reabertura das hostilidades do governo de Sana'a no Sul contra a franja de Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP, Al Qaeda na Península Arábica), e no Norte contra a tribo de rebeldes xiitas Houthi.

O Iémene é o País mais pobre do Médio Oriente, apesar da considerável quantidade de petróleo extraído, dum território muito mais férteis do que os seus vizinhos, e duma localização invejável: um ponto histórico de travessia entre Corno de África, Península Arábica e subcontinente indiano , que ganhou o apelido latino de Arábia Felix [Arábia Feliz, NDT]. Desde o fim do domínio colonial britânico no sul do País, o Iémene sofreu quatro décadas de conflito, latente ou manifesto, que apesar de ser amplamente tratado por numerosos arabistas, raramente tem atraído a atenção da opinião pública e da diplomacia internacional.

Durante a Guerra Fria, o Iémene foi parte da nossa topografia diária, no centro de uma "guerra por procuração", como costumam dizer os Ingleses, entre as duas super potências: dum lado o Norte conservador, organizado numa base tribal e fortemente ancorado aos vizinhos sauditas e ao bloco ocidental; doutro lado o Sul, nas mãos de auto-denominados marxistas do Partido Socialista Iemenita e abundantemente financiado pela União Soviética. A desintegração desta última, em 1990, levou à reunificação do País sob o controle do Iémene setentrional e ao desaparecimento dos holofotes mundiais, mas não ao fim dos conflitos internos. Mesmo a guerra civil que terminou em 1994, entre as tropas dos pequenos rebeldes marxistas e as forças governamentais passou relativamente despercebida. Só a chegada de Al Qaeda, nos últimos anos, tem sido capaz trazer a atenção internacional.

E na semana passada, os militantes de Al Qaeda concluiriam dois ataques contra as forças do governo na província de Shabwa, uma das zonas do País com a maior concentração de poços de petróleo, considerado pelas forças do governo o principal esconderijo de Al Qaeda na Península Arábica. Conforme relatado pelo jornal The National de Abu Dhabi, na Quinta-feira um ataque perto duma instalação petrolífera administrada por uma empresa austríaca levou ao assassinato de seis policiais, enquanto que no Domingo uma emboscada contra uma patrulha da polícia fez seis vítimas entre as forças do governo e três dos militantes islâmicos.

Mas os fundamentalistas afiliados de Al-Qaeda não são o único inimigo interno do governo central. Na província setentrional de 'Amran, o governo tem de enfrentar ataques esporádicos desde 2004, ataques dos Houthi, uma tribo que pertence à seita xiita dos Zaidi, que afirmam ser sistematicamente discriminados nos domínios político, económico e jurídico. Em Fevereiro, o governo central parecia ter atingido uma meta importante, a assinatura de uma trégua com os Houthi, mas foi interrompida na semana passada com a morte de pelo menos setenta pessoas entre rebeldes Houthi e forças governamentais, apoiadas por outras tribos no presentes na área. Em especial, a tribo Ibn Aziz, que também pertencem ao Zaidi e com laços de sangue não muito débeis com os mesmos Houthi. Uma verdadeira luta fratricida.

Fonte: Il Post
Tradução: Informação Incorrecta

27 julho 2010

Reflexões do Sul

Enrique LaColla é escritor, jornalista e professor. Desde 1962 até 1975 membro dos Serviços de Radiodifusão da Universidade Nacional de Cordoba, Argentina.

Entre 1975 e 2000 foi membro da equipa de La Voz del Interior, onde continuou a trabalhar assiduamente até Abril de 2008.

Foi galardoado em 2005 com o Prémio Consagración Letras de Córdoba, a mais alta distinção concedida pela Província ao mérito literário.
No próprio blog, Perspectivas, reflecte acerca do relacionamento entre Estados Unidos e América Central e do Sul. São reflexões amargas e preocupadas.

O Calcanhar de Ferro
O título do belo romance de Jack London é cada vez mais actual, num presente marcado pela recusa dos EUA em aceitar os limites do próprio poder e da sua avançada na realização da dominação global.

Com isso em mente devemos olhar para a divisão entre Colômbia e Venezuela e as vicissitudes da actual política latino-americana.

Os EUA reforçam a própria presença militar no Médio Oriente; rumores relacionados com o facto de que a Arábia Saudita permite a passagem de aviões israelitas sobre o seu território com a missão de bombardear o Irão; os membros permanentes do Conselho de Segurança, apertando as linha e concordam sobra a necessidade de reforçar as sanções contra esse último País; Henry Kissinger desaconselha de acompanhar a linha anunciada pelo presidente Obama para retirar tropas do Afeganistão no prazo de doze meses.

Planear uma tal coisa, de acordo com o ex-secretário de Estado, significa a criação de um dispositivo para a derrota, uma vez que, para atingir os objectivos da aliança ocidental na área, o público deve estar preparado para enfrentar uma longa guerra. Mais palavras, menos palavras, o próprio conceito de "guerra infinita" preconizada por George W. Bush. Em última análise, trata-se de criar num contexto "previsível" uma situação de crise generalizada do sistema capitalista, contexto que assegure o controle das fontes de energia e uma implantação militar agressiva contra os poderes que poderiam ser transformados em elementos para compensar o poder militar e o controlo dos mercados do Ocidente: a Rússia e, principalmente, China.

São dados preocupantes que falam da crescente instabilidade de um mundo atravessado pelos ventos da crise económica e pelo dinamismo militar dos EUA. Os desastres previstos com este curso no futuro não parecem relevantes para quem planeia ou para os economistas, preocupados em manter o status quo, mesmo que para isso seja necessário apertar o torniquete duma situação já saturada de vapores explosivos .

Neste quadro obscuro encaixa-se outro elemento que nos toca de perto porque confirma a constatação de que os Estados Unidos voltaram a atacar a América Central e do Sul. A autorização que o Congresso e o Governo da Costa Rica têm entregue a Washington para usar o País como um espaço aberto para a implantação substancial dos militares norte-americanos, é mais um dado que confirma a decisão do Pentágono em consolidar a sua posição no istmo da América Central e nas zonas circundantes. Isto implica que os States tencionam voltar a acompanhar activamente a situação na parte sul do Hemisfério Ocidental. Recentemente, por causa dos compromissos em outras partes do mundo, os EUA tinha deixado um pouco de lado essa linha, mas agora o movimento do centro-esquerda, que surgiram no subcontinente durante este tempo, pode começar a enfrentar dificuldades ainda maior do que as enfrentadas no passado.

Nem o Departamento de Estado nem o Pentágono, nem a CIA foram capazes de engolir esses governos, embora ao longo dum certo período tivessem sido mais conciliantes. É sabido que a Casa Branca reserva sempre uma grande atenção às sugestões que vêm dos serviços da diplomacia, intelligence e poder militar. Agora há a sensação de que chegou o momento para Washington começar a "pôr ordem" nesta parte do mundo, com veemência particular nas Caraíbas. Porque, se o que está em preparação no Médio Oriente finalmente acontecesse, ou até transformar-se em algo de ainda maior, seria conveniente para Washington poder confiar numa retaguarda "tranquilizada", ou pelo menos em condições susceptíveis de ser forçada a obediência com ameaças ou com uso da força militar.

Nestas bandas não haverá tumultos em massa, mas algumas das mais duras áreas do establishment político-militar norte-americano preferem a subordinação automática aos pedidos de diálogo entre Estados soberanos. Em Washington, já não era vista bem (Hillary Clinton dixit) a manobra brilhante de Lula para propor-se como mediador no conflito com o Irão.

Mas voltando ao assunto principal, a mão pesada do império faz-se sentir. A reactivação da Quarta Frota, o golpe em Honduras, as sete ou mais bases dos EUA hospedadas na Colômbia de Uribe, as manobras contra Chávez, a zona franca que a Costa Rica cedeu ao Exército dos Estados Unidos, são os sinais muito eloquentes. Neste caso,segundo Atilio Borón, dezenas de navios de guerra com equipamentos e helicópteros, além de cerca de 7.000 fuzileiros navais, estão agora começando a desembarcar ou a transitar livremente neste País latino-americano, com a paz extrema resultantes da aceitação do Costa Rica do direito de extraterritorialidade em matéria judicial, que irá beneficiar os hospedes da América do Norte.

A razão dada para esta como para a implementação de forças maiores, é a luta contra os cartéis da droga. Ridícula desculpa, pois nesse caso não prestam nem os aviões, nem os tanques, nem os milhares de soldados para realizar um trabalho que pode ser tratado pelas forças especiais. O objectivo, todos sabemos, é nada mais do que militarizar a região latino-americana para garantir o controlo total da área. A América Latina já está dividida entre  Países e governos cheios de pretensões que apontam para uma autonomia regional integrada, como Argentina, Brasil e Venezuela, e outros, incluindo Colômbia, Peru, Panamá, Chile, México, Honduras e Costa Rica, que reafirmam os laços com os Estados Unidos.

Temos de lidar com este cenário e preparar, mentalmente e na prática, para resistir ao mau tempo que vai durar certamente mais dum inverno.


Fontes: Eurasia, Perspectivas
Tradução: Informação Incorrecta

A miragem do fim do mês

Como é a situação em Europa?

Coerente. A Europa está em crise e os cidadãos europeus sentem que a Europa está em crise.

Este é o resumo do inquérito realizado pela União Europeia que, com o serviço Eurobarómetro, informa acerca do óbvio.

Não faltam pensamentos profundos, frutos dos espantosos resultados do inquérito: a pobreza é um problema e a "actual crise económica e financeira agravaram ainda mais a situação". Quem diria?

Mas é nas entrelinhas que este relatório ganha importância: Eurobarómetro é um produto da Comissão Europeia. E a difundir estes resultados, a União reconhece que a situação é grave, muito grave.

Além das declarações de optimismo das mentes pensantes de Bruxelas, além dos triunfante resultados dos sterss-test, o que conta são os dados: e agora a Comissão difunde os dados. E não há razões para sorrir.

No final do artigo de IAR Noticias, alguns dados acerca de Portugal. Para sorrir ainda menos.


A pobreza e o desemprego na Europa: A UE planeia mais ajustes
Como resultado da fraca recuperação da economia e do efeito de contágio da crise fiscal através de seus principais membros, a União Europeia vive o pior momento desde o seu nascimento e o perigo de desintegração e de quebra da sua moeda ocupam o centro do debate. Neste cenário, a UE propôs medidas adicionais "crise", e França e Alemanha, duas potências industriais, exigem o aprofundamento da disciplina fiscal. Os peritos podem ver mais desemprego e o agravamento da pobreza.

Alemanha e França enviaram na passada quarta-feira propostas comuns para reforçar as regras sobre a disciplina orçamental, disse o ministro da Economia francesa Christine Lagarde.
"Assinámos uma carta dirigida ao Sr. (Hermann) Van Rompuy, incluindo uma proposta conjunta da França e da Alemanha para melhorar a governação económica e reforçar o pacto de estabilidade", disse numa entrevista conjunta com o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble.
Schaeuble, o primeiro membro de um governo estrangeiro que assiste ao Conselho de Ministros francês, disse estar convencido de que o reforço da disciplina orçamental e os testes de stress dos bancos em toda a UE irão restaurar a confiança no Euro.

Os ministros da Economia e Finanças dos 27 Países da União Europeia (Ecofin), na recente reunião em Bruxelas, debateram, entre outros temas, novos pacotes "anti-crise".
Neste contexto, vários especialistas apontam que a UE irá superar a crise apenas após o colapso da Zona Euro.
Os burocratas europeus sempre lembram que a UE é um projecto político, e que é preciso consolidar a maioria dos Países europeus para evitar que se repita o cenário da Segunda Guerra Mundial.

De acordo com o Wall Street Journal, o impacto da crise irá afectar os governos em Berlim, Paris e Madrid, e vai também influenciar a popularidade do italiano Silvio Berlusconi, conhecido como o líder de "teflon".
O presidente francês, Nicolas Sarkozy perdeu dois secretários de Estado - com papel de Ministros - acusados de desperdiçar dinheiro público, na altura em que perdeu o apoio no meio duma desaceleração económica e das medidas de austeridade.
A chanceler alemã, Angela Merkel, por sua vez, tentar mudar a convicção crescente que o seu governo, eleito no ano passado, está dividido e sem rumo. E o primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, está imerso em impopulares cortes no orçamento sem uma maioria estável no Congresso.

Diz Jan Techau, analista de política internacional no Colégio de Defesa da NATO em Roma:
Todos esses governos são forçados a fazer cortes impopulares por causa da crise financeira internacional que está além do controle das autoridades nacionais, e que prejudicam a imagem do governo

Neste cenário, de acordo com o Eurobarómetro, predomina a percepção de pobreza generalizada e o crescente medo de perder o emprego.
Como resultado da crise financeira e dos planos de ajustamento para a reestruturação da dívida, a capacidade de consumo da maioria começa a sofrer.

De acordo com as últimas pesquisas, um em cada seis Europeus chegar com problemas ao final do mês, lutando para pagar as contas de serviços como electricidade, água, aquecimento, e até para encher o carrinho das compras. 60% pensam que aumentou a pobreza no próprio País ao longo do último ano, 30% dizem que têm dificuldade para pagar as despesas médicas.

São os dados revelados pelo último inquérito Eurobarómetro, realizado pela Comissão Europeia sobre o impacto que a crise económica está a ter nas famílias europeias.
2010 é o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social.

A Comissão Europeia desde Junho de 2009 analisa a percepção que as pessoas têm sobre a actual crise causada pelos orçamentos "em vermelho" e pelos cortes na despesa pública para reduzir os salários.
Os resultados indicam os efeitos da crise e dos programas de ajustamento para os cidadãos da Zona Euro.
Segundo a pesquisa, há uma percepção da pobreza generalizada, que alimenta temores dum futuro sombrio. Até 85% dos Gregos considera que a pobreza aumentou no próprio ambiente, o mesmo pensa 83% dos Franceses, 82% dos Búlgaros, 77% dos Romenos, 75% dos Italianos.

Na Bélgica esta percentual cai para 49%.  Lasza Andor, Comissário Europeu para o Emprego, Assuntos Sociais e Integração da UE, disse no relatório que
os resultados confirmam que a pobreza é um dos maiores problemas da UE, que a actual crise económica e financeira agravaram ainda mais a situação. A crise está a ampliar-se e uma percentagem significativa de Europeus têm dificuldades para fazer face às despesas.
O Comissário para o Emprego indica que o desemprego está a aumentar em toda a União Europeia, agora mais de 23 milhões de Europeus estão desempregados, mais de 10% da força de trabalho. Em alguns Países, como Espanha, esse número está mais próximo de 20% e entre os jovens afecta quase 40%.

O inquérito revela que o medo é o sentimento mais comum entre os cidadãos da Zona Euro.
Têm medo de não ser capazes de fazer face às despesas, não sendo capaz de enfrentar as despesas básicas e a perda de emprego, um sentimento que sente um em cada três Europeus.
Esta percepção aumenta até 73% na Grécia, 68% Espanha, 63% na Itália e 62% na Irlanda, os Países mais afectados e onde o mercado de trabalho deteriorou-se mais rapidamente.

Além disso, poucos confiam no mercado de trabalho, porque metade deles acreditam que, em caso de despedimento, é "pouco provável" ou "muito improvável" voltar a ser assumidos nos próximos seis meses.
A pesquisa também revela o medo do futuro. 54% dos Europeus temem que a própria reforma não lhes permita viver com dignidade e 73% que será menor do que esperavam ou que chegarão à reforma mais tarde.

Por outro lado, a crise financeira contagiosa e os ajustes selvagens, que fazem explodir a emergente resistência sindical e a convulsão social, por sua vez são alimentados pelos dados negativos da recuperação económica na área do Euro.

De acordo com o último relatório da Comissão, as perspectivas económicas nos 16 Países da Zona Euro agravaram-se em Fevereiro pela primeira vez em quase um ano, mais um sinal do que a recuperação económica perdeu força.

A economia da UE em 2009 caiu 4%, o pior dado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A produção industrial caiu 20%, levando a estrutura industrial Europeia à situação em que estava em meados dos anos 90 do século passado.

Actualmente existem 23 milhões de Europeus desempregados, mais 7 milhões só nos últimos 20 meses, e o desemprego vai continuar a crescer segundo todas as estimativas.

8% da população europeia tem um emprego que não permite sair da pobreza e 80 milhões de pessoas vivem apenas no limiar da pobreza.

Apesar dos anúncios de recuperação, a produtividade económica está com fome e torna o crescimento estrutural europeu dois terços menor do que nos Estados Unidos.

Os deficit públicos regionais já atingiram uma média de 7% do PIB, contra o limite de 3%, que impôs o Tratado de Maastricht. E a dívida sobe até 80%. Os bancos continuam a não emprestar dinheiro como antes da crise, impedindo o normal funcionamento das empresas.

Esses números mostram o declínio e o colapso no qual parece ter entrada a União Europeia.


Fonte: IAR Noticias

Calma e Privacy

A fuga de petróleo no Golfo do México?
Podem ficar descansados, a fuga continua na boa.

A BP afirma que esta semana irá "sufocar" o poço com cimento e puf!, a fuga já não é. Naturalmente se o cimento funcionar.

E se não funcionasse? Não há crise: a BP pode sempre inventar algo de novo. Ou, no limite, é só esperar: cedo ou tarde o petróleo irá acabar. Poucas décadas ou centenas de anos e a BP poderá finalmente afirmar de ter a situação controlada.

Lembrem: depressa e bem não faz ninguém.

Uma vez acabada a fuga no Golfo do México, a British Petroleum, com as outras nobres companhias, poderão dedicar-se a poluir com toda a tranquilidade outras zonas do globo.

Porque entre as consequências do acidente da Deepwater Horizon há também uma maior atenção acerca das actividades sujas (no sentido literal) das companhias petrolíferas em outros Países.
O que, admitimos, é bastante aborrecido. Experimentem poluir, destruir o ambiente, provocar doenças enquanto todos apontam o dedo e gritam "assassino". Não é fácil, certos trabalhos requerem calma em um mínimo de privacy.

A Nigéria, por exemplo.
Ninguém ligava e agora, de repente, todos a ver o que se passa com os poços e as pipelines do País africano. Não é assim que se faz.
Vamos ler o que diz Aldo Piombino no seu óptimo blog Scienzeedintorni:

Além do desastre no Golfo do México: a situação alarmante da Nigéria

Há meses que o mundo inteiro está a observar o Golfo do México por causa do acidente da Deepwater Horizon. Eu também queria escrever alguns posts sobre isso, mas ainda não o fiz e agora prefiro escrever uma notícia um pouco "alternativa" a esta, embora muito relacionada.

Não nego as dramáticas consequências ambientais do acidente, mas tal como aconteceu com o furacão Katrina (que é discutido desde 2005), estas catástrofes que têm ocorrido nos Estados Unidos obscurecem outras situações semelhantes: a propósito de furacões, desde 2005 as Caraíbas foram atingidas por tempestades que causaram destruição e milhares de mortes.

E a propósito de petróleo, provavelmente só uns poucos conhecem a trágica situação actualmente vivida pelo Delta do Níger.

Da Nigéria ouvimos muitas vezes falar sobre os sequestros de profissionais que trabalham na extracção de petróleo e as duras lutas entre muçulmanos e cristãos. Às vezes, nas páginas dos jornais, aparece a notícia duma explosão de pipeline (devido principalmente às pessoas que tentam roubar o petróleo, como em Egba Abul, um bairro de Lagos, onde pelo menos 269 pessoas morreram em 2006). O alarme acerca do qual quero falar é mesmo acerca o preocupante nível dos derrames de petróleo no Delta do Níger a cada ano.

Além de ser presidente da secção nigeriana da organização "Friends of the Earth International", a única ONG ambientalista com a qual basicamente concordo, Nnimmo Bassey é um dos 30 "heróis do ambiente" da revista Time, em 2009.
Há dezenas de anos que os Nigerianos vivem com os mesmos problemas que hoje afligem a costa da Louisiana: o petróleo flui através dos campos, matas e lagoas do Delta do Níger, onde as empresas ocidentais obtêm o petróleo, provavelmente sem usar as atenções que iriam usar em casa deles.

Em 2006 Friends of the Earth International e o governo nigeriano produziram um relatório no qual estima-se que, desde 1958, quando começaram as primeiras extracções, a cada ano no delta é despejada uma quantidade igual ao derramamento de petróleo da Exxon Valdez, cerca de 275 mil barris, mais ou menos o volume mensal que sai da perfuração da Deepwater Horizon. Somente entre 1970 e 2000, houve 7.000 (!) acidentes com um total de 9 milhões de barris de petróleo. Notamos também como a área é habitada por milhões de pessoas

Assim, enquanto a opinião pública ocidental é cada dia (com razão!) bombardeada com notícias sobre a situação no Golfo do México, ninguém conhece os problemas que a extracção de petróleo provoca na Nigéria, um dos 10 maiores produtores de petróleo do mundo .

Nnimmo Bassey afirma nas páginas do jornal Inglês The Observer, que
na Nigéria, as companhias de petróleo ignoram completamente as próprias fugas, destruindo o meio ambiente e causando sérios danos à saúde da população. O incidente do Golfo é uma metáfora do que acontece diariamente nos campos de petróleo da Nigéria e de outras partes da África.

Todos estes crimes são causados por empresas conhecidas, como BP, Shell e Exxon Mobile, acusadas de operar com equipamentos antigos e inseguros. As organizações ambientalistas falam pelo menos de dois mil locais para serem recuperados (para não mencionar a situação da água) numa área onde vivem mais de 20 milhões de pessoas que, apesar dos lucros obtidos ao longo dos anos por várias empresas e vários governos, no meio de toda esta riqueza vivem em média com menos de um Dólar por dia.

A defesa das empresas petrolíferas fornecer uma realidade completamente diferente, atribuindo os derrames aos actos de vandalismo ou de terrorismo e afirma que são tratados de forma tempestiva.

Por exemplo, a Shell declara, mais uma vez ao The Observer, que só em 2009 substituiu mais de 300 km de gasodutos e que têm uma equipa especializada que actua de forma eficaz, "usando todos os sistemas conhecidos para a limpeza, inclusive os de bactérias" e sem perguntar acerca da causa do derrame.
Mas nesta altura, por causa da situação no Golfo do México, a imagem das companhias petrolíferas em geral é um pouco "desfocadas" e muitos não acreditam nessas palavras, especialmente quando se referem aos Países pobres e aos governos geralmente servos das multinacional .

A propósito, eis o que declara ao mesmo jornal Judith Kimerling, professora de ciência política da City University of New York
derramamentos, vazamentos e fugas ocorrem nos campos de petróleo de todo o mundo e parece que ninguém se importa. O incidente no Golfo do México mostra que as empresas petrolíferas estão fora de controle e, de facto, influenciam a política dos EUA e de outros Países também, bloqueando qualquer instrumento no assunto. Na Nigéria, sempre viveram acima da lei e são agora claramente um perigo para o planeta.

É claro que aqui há duas versões muito diferentes sobre o mesmo problema. Relatei os dois, e todos podem tirar as próprias conclusões.

Fonte: Scienzeedintorni
Tradução: Informação Incorrecta

Outono, é tempo de matar

Beirute após intervenção israelita
Quem será a primeira vítima de Israel? Irão ou Líbano?

Provavelmente o Líbano. Ventos de guerra nas costas do Mediterrâneo segundo os observadores.
Quando? Outono. Está mais fresquinho, mata-se melhor.
Em Tel Avive a paz é provavelmente interpretada como "aquele período após um conflito no qual há um curto espaço de tempo para preparar um novo conflito". 

Será esta uma boa ocasião para Israel "aquecer os motores" antes do choque maior? Assim parece.

Relata Eurasia:

Em três semanas os sinais de alerta têm proliferado no Líbano, e a tensão tem aumentado significativamente.

Primeiro houve a intrusão dos soldados franceses da Unifil (United Nation Interim Force In Lebanon) que, a pedido de Israel, tentaram invadir as casas dos supostos membros da resistência para sequestrar armas. O povo rejeitou-os com pedras e paus, ferindo dois soldados. A questão foi levantada no Conselho de Segurança da ONU. Como essas invasões tinham sido ordenadas pelo Ministro da Defesa francês, Herve Morin, a França pediu desculpas atravesso da voz do Secretário-Geral da Presidência, Claude Guéant.

Para evitar a reincidência, os Hezbollah colocaram cartazes em francês para os soldados franceses: "A mão que toca as armas da resistência será cortada."

No dia 10 de Julho, o exército francês realizou uma grande exercitação para evacuar os próprios cidadãos.

O Tribunal Especial para o Líbano, que foi estabelecido pelo Conselho de Segurança como instrumento político contra a Síria, retirou o impeachment do presidente Bashar al-Assad, e do ex-presidente libanês, Emile Lahoud, pois todas as evidências contra eles foram desmentida ao longo do tempo. No entanto, o Tribunal poderá emitir, em Setembro ou Outubro, uma acusação. De acordo com Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, o Tribunal tornou-se um instrumento político contra a Resistência. Estaria perto de lançar novas acusações estranhas como as anteriores, mas desta vez contra Hezbollah. Esta manobra destina-se a causar divisões no País, e abrir o caminho para um novo ataque militar israelita.

Em Washington, o Centro Saban  (Brookings Institution) e o Council on Foreign Relations publicaram dois relatos contraditórios. O primeiro convidam a deixar qualquer margem de manobra para Israel. O segundo propõe ao contrário que a Administração Obama pressione o governo Netanyahu antes, durante e após o conflito, para limita-lo. Estes documentos devem ser interpretados no contexto da rivalidade de comando, que há meses opõe Tel Aviv e Washington. Além disso, ambos os estudos partem da convicção que Israel está determinado a vingar-se do Líbano e que ninguém pode dete-lo.

Maura Connelly foi ouvida em 20 de Julho pelo Senado para confirmar a nomeação como embaixadora em Beirute. Fica posicionada na linha definida pelo negociador especial George Mitchell: os Estados Unidos devem deixar de lutar frontalmente contra Hezbollah, apoiado pela maioria da população, mas isola-lo. Em outras palavras, Washington deve fingir de interpretar a guerra israelita contra o Líbano como uma operação policial contra Hezbollah, e não intervir abertamente.

Finalmente, Mahmoud Abbas, o presidente de facto da Autoridade Palestiniana, enviou uma mensagem aos palestinianos no Líbano, pedindo-lhes para não deixar os campos de refugiados durante a guerra anunciada no Outono. Estas instruções correspondem aos pontos de acordo com Washington. Qualquer tentativa de usar os palestinianos (maioria sunita) Hezbollah (xiita) é contra-produtivo para os interesses dos EUA no Líbano, e poderia ter efeitos adversos a nível regional.

Fonte: Eurasia

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...