30 setembro 2010

Morrer pelos bancos

Enquanto em Portugal ainda não tenha acabado a festa após a apresentação das medidas de austeridade, a Irlanda oferece um bom retrato do que é hoje o mundo ocidental, as suas prioridades e também as perspectivas.

O governo irlandês já tinha injectado quase 23 bilhões de Euros nas anémicas caixas do Anglo Irish Bank, um banco privado.

Lembramos ainda uma vez, só para não perder a noção das coisas: 23 bilhões de dinheiro público.

Mas o Anglo Irish é uma espécie de poço sem fundo: assim, hoje, o governo irlandês preencheu um novo cheque, pela módica quantia de cerca de mais de 30 bilhões de Euros.

Mas não só.
Já que nos cofres do Estado ainda sobravam alguns trocos, o governo decidiu não desperdiçar nada e distribuir estes também.
A quem? A outros bancos, claro: Nationwide Building Society e Allied Irish Bank.
Assim o total atinge o valor recorde de 50 bilhões de Euros.

Uma vez acabado, o governo fez duas contas e reparou num pormenor: 50 bilhões de Euros correspondem a um quinto do PIB nacional. É um montante superior aos impostos pagos pelos cidadãos, ovelhas incluídas.
Não só: o rácio deficit/PIB voa até um pirotécnico 32%!!!

Mas enfim, que poderia ser feito? O que está em jogo não é o sistema de saúde, de educação ou as reformas: são os bancos privados.
Melhor subtrair recursos aos hospitais ou às escolas, mas não aos bancos, disso não temos dúvida.
Assim: em frente.

Os bancos, óbvio, não falam. E não têm necessidade de faze-lo, pois a posição destes é clara: criaram as condições para o despoletar da crise, agora têm só que sentar-se e ver os outros entregar dinheiro. Pois a alternativa é o colapso do sistema bancário.

Uma breve parêntese: mas os bancos europeus não tinham ultrapassado de forma brilhante os stress-test do passado 26 de Julho? Não da década passada, mas há dois meses atrás.

Vamos ler quanto escrito na altura:
Então?  Neste blog não se fala dos stress-test?
Ontem primeiras páginas nos jornais e aqui nada?
Bom, admitimos: a ideia era ignorar os testes. Porquê? Porque inúteis.
Os stress-test foram uma manobra político-económica no tentativo de acalmar os mercados e dar confiança. Nada mais.
[...] com parâmetros mais realísticos muitos bancos (54? Nada mal...) não teriam conseguido passar os testes. 
Pois.

A União? Sempre às ordens!

Por enquanto a União Europeia julga não ser necessário ajudar a Irlanda. Mas, como acrescenta Jean-Claude Juncker, o comissário de Assuntos Económicos e Monetários, o fundo de ajuda
 está completamente operativo
O que, traduzido, significa: sempre prontos para que as dívidas dos bancos privados possam ser pagas por todos os cidadãos da União.

Ipse dixit.


Fontes: Il Sole 24 Ore, Época Negócios

Situação grave mas não séria



O dia de ontem fechou com duas notícias, das quais uma terrível para Portugal: a derrota do Benfica.
A outra é relativa às novas medidas de austeridade.

Claro, o que aflige mais são os dois golos sofridos pela equipa encarnada; mas como este não é um blog de futebol, vamos ocupar o tempo a falar da outra notícia: o reforço da execução orçamental de 2010.

Para o divertimento dos leitores vou propor as medidas assim como aparecem no comunicado de imprensa difundido esta noite pelo governo; com o negrito realçámos as partes mais espirituosas:
  • Reduzir os salários dos órgãos de soberania e da Administração Pública, incluindo institutos públicos, entidades reguladoras e empresas públicas. Esta redução é progressiva e abrangerá apenas as remunerações totais acima de 1500 €/mês. Incidirá sobre o total  de salários e todas as remunerações acessórias dos trabalhadores, independentemente da natureza do seu vínculo. Com a aplicação de um sistema progressivo de taxas de redução a partir daquele limiar, obter-se-á uma redução global de 5% nas remunerações;
  • Congelar as pensões
  • Congelar as promoções e progressões na função pública
  • Congelar as admissões e reduzir o número de contratados
  • Reduzir as ajudas de custo, horas extraordinárias e acumulação de funções, eliminando a acumulação de vencimentos públicos com pensões do sistema público de aposentação;
  • Reduzir as despesas no âmbito  do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente com medicamentos e meios complementares de diagnóstico
  • Reduzir os encargos da ADSE; 
  • Reduzir em 20% as despesas com o Rendimento Social de Inserção; 
  • Eliminar o aumento extraordinário de  25% do abono de família nos 1º e 2º escalões e eliminar os 4º e 5º escalões desta prestação; 
  • Reduzir as transferências do Estado para o Ensino e sub-sectores da Administração: Autarquias e Regiões Autónomas, Serviços e Fundos Autónomos; 
  • Reduzir as despesas no âmbito do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC); 
  • Reduzir as despesas com indemnizações compensatórias e subsídios às empresas; 
  • Reduzir em 20% as despesas com a frota automóvel do Estado; 
  • Extinguir/fundir organismos da Administração Pública directa e indirecta; 
  • Reorganizar e racionalizar o Sector  Empresarial do Estado reduzindo o número de entidades e o número de cargos dirigentes.
No que respeita ao reforço da receita em 2011:

Redução da despesa fiscal 
  • Revisão das deduções à colecta do IRS (já previsto no PEC); 
  • Revisão dos benefícios fiscais para pessoas coletivas; 
  • Convergência da tributação dos rendimentos da categoria H com regime de tributação da categoria A (já previsto no PEC);
Aumento da receita fiscal 
  • Aumento da taxa normal do IVA em 2pp.; 
  • Revisão das tabelas anexas ao Código do IVA; 
  • Imposição de uma contribuição ao sistema financeiro em linha com a iniciativa em curso no seio da União Europeia;
Aumento da receita contributiva  
  • Aumento em 1 pp da contribuição  dos  trabalhadores para a CGA, alinhando com a taxa de contribuição para a Segurança Social.  
  • Código contributivo (já previsto no PEC).  
Aumento de outra receita não fiscal  
  • Revisão geral do sistema de taxas, multas e penalidades no sentido da actualização dos seus valores e do reforço da sua fundamentação jurídico-económica. 
  • Outras receitas não fiscais previsíveis resultantes de concessões várias: jogos, explorações hídricas e telecomunicações.

Então, leitores de Portugal, ainda às gargalhadas? Imagino que sim.
Bom, tentamos fazer um resumo.

E agora?

Em primeiro lugar: com este orçamento a subida dos preços será brutal.

Não há só o aumento do IVA (que passa assim para 23%, um valor entre os mais altos da Europa): ao mesmo tempo há também uma subida dos custos ligados à saúde (medicamentos e exames mais caros), pensões que perdem valores por causa da inflação e não são actualizadas, reduções nas deduções dos impostos (chamadas "revisões", faz mais fino...), telecomunicações e água mais caros, redução ou eliminação dos abonos de família.

E não podemos esquecer a nova taxa que atingirá as instituições financeiras: quem acabará por pagar este imposto de forma indirecta?

Ao somar estas medidas e outros pormenores podemos ver como a vida irá sair mais cara. E não pouco.

Mas os problemas são outros.

Em primeiro lugar: quem irá verdadeiramente pagar esta "execução orçamental"?

Não quero roubar o trabalho aos partidos de extrema esquerda, mas é um facto que as pessoas economicamente mais débeis serão atingidas em medida superior: uma coisa é pagar mais IVA, medicamentos, exames médicos, conta do banco, telecomunicações, tendo uma pensão congelada de 1.000 Euros; outra coisa é ter de enfrentar os mesmo encargos com uma reforma de, por exemplo, 5.000 Euros.
Estas medidas carecem totalmente de equidade social.

Outro ponto: estas medidas servem ou a cura acabará com a morte do paciente?

Este pacote de medidas terá um importante efeito: uma queda não secundária nos consumos ao longo dos próximos meses. E isso irá atingir uma economia já debilitada: até o ponto de não resistir perante uma nova flexão? Esta é a dúvida.

A parábola

Vamos fazer um exemplo para simplificar.

Vivemos numa casa onde moram duas pessoas, A e B.

A trabalha, B não. Mas A e B gastam mais dinheiro daquilo que entra.

Então existem três soluções: 1. pedir um empréstimo, 2. cortar as despesas, 3. B arranja um emprego.

1. Com o empréstimo as receitas sobem temporariamente, mas aumenta a dívida. Pois o dinheiro emprestado terá de ser devolvido.
Esta é a atitude escolhida pelo Estado português até hoje.

2. Ao cortar as despesas é possível equilibrar as receitas (o salário de A). Mas neste caso o nível de vida desce com possíveis consequências: A e B ficam frustrados, discutem cada vez mais até que um dia ou A ou B parte tudo e abandona a casa.
Esta é a escolha de ontem.

3. Se B arranjar um emprego a situação muda, e muito. Claro, não é fácil, mas é possível: só aumentando as receitas A e B conseguem manter o nível de vida (ou até melhora-lo) e a harmonia.

Por isso, é evidente: a escolha número 3 é a melhor.

Mas há um problema.
O Presidente da Câmara da cidade onde moram A e B tinha ideias esquisitas: convenceu os agricultores a deixar os campos, os pescadores a não sair de barco, e transferiu as fábricas numa outra cidade, muito mas mesmo muito longe. Na cidade de A e B já ninguém produz e o número de desempregados aumenta: e B terá cada vez mais dificuldades em arranjar trabalho.

É isso que acontece quando o Presidente da Câmara tem o nome de "Europa".

Ipse dixit.


Fonte: Público, Principais Medidas para o Orçamento do Estado para 2011 e para reforço da execução orçamental de 2010

29 setembro 2010

Espanha e Grécia ao rubro

Sim, é verdade: a confiança dos consumidores nos EUA voltou a atingir os níveis mínimos, apesar de não ser novidade o facto de ter visto este índice subir e descer várias vezes durante os últimos dois anos.

E é verdade também que os preços das casas em Las Vegas perderam 57% do valor desde o pico atingido em 2006.  Alguém entre os leitores comprou uma moradia em Las Vegas pela módica quantia de 100.000 Dólares? Hoje a mesma vale 43.000. Não foi um bom negócio.

E como esquecer que o ouro atingiu quota 1.311, estabelecendo assim um novo recorde? 

Mas não é disso que vamos falar. Vamos ver o que se passa em dois Países, um dos quais "governado" pelo FMI, o Fundo Monetário Internacional.

Espanha, greve geral

10% de consumo de electricidade em menos, lixo nas ruas, muito poucos autocarros em Madrid: este é o resultado da greve geral convocada para hoje na capital espanhola.

E na Grécia? Pior. 
Grécia, os protestos continuam

Hoje param os trabalhadores dos transportes ferroviários, estradais urbanos e extra-urbanos, os trabalhadores dos portos e os médicos.
Além disso, todos os sindicatos convocaram manifestações também na óptica duma mobilização de nível europeu.

O governo grego: "Vamos usar a força se for necessário"

Os mais "duros" continuam a ser os camionistas, cujo protesto começou no dia 16 e ainda está a deixar parados 10.000 contentores ("containers") no porto do Pireu. Segundo Swissinfo, já há sinais de escassez nas prateleiras dos supermercados em Salónica. Ontem à noite chegou a notícia da decisão de continuar o protesto, por 74 votos a favor e 6 contra, apesar dos apelos do principal partido da oposição.

O governo disse que irá usar a força caso a lei seja violada ou se as principais estradas de comunicação forem encerradas, como acontecido ao longo da semana passada.

Os motoristas dos camiões ficam em coluna nas periferias de Atenas e Salónica, prontos para bloquear as estradas de novo.

Fonte: Informazione Scorretta, Swissinfo

Manobras globais

Começamos com o anómalo comportamento do PIB Inglês. 

GB: PIB + 1,2% em três meses, 
nunca tão forte em nove anos

No segundo trimestre, o produto interno bruto da Grã-Bretanha marcou um aumento de 1, 2%: um crescimento, em linha com as expectativas, que é o mais forte em nove anos.

É a noticia da agência Bloomberg, pela qual a empurrar o crescimento contribuíram os fortes gastos do governo e um boom no sector da construção.

Ah, pois, um forte investimento público. Nos EUA, onde o dinheiro do Estado acabou há muito, não pára a falência de bancos.
EUA, 279 bancos faliram 
("não há luz no fundo do túnel")

A vaga de falências dos bancos nos EUA não mostra sinais de parar: desde 25 de Setembro de 2008, isso é, a partir do fracasso da Washington Mutual, o número dos bancos vítimas da Grande Depressão subiu para 279.

E o massacre parece ainda não ter chegado ao fim. Com base nos dados relatados pelo Wall Street Journal, o sistema financeiro americano continua a sofrer de falhas e entre fusões e falências parece prestes a diminuir drasticamente, com uma contratação que desde as actuais 7.932 unidades terá que ficar em 5.000.

"Parece não haver uma luz no fundo do túnel", diz o Wall Street Journal.

  Manobras globais em curso / 1: 
inspecção obrigatória do FMI em 25 Países

15 Países membros do G20, mais outros, para um total de 25, que somam 90% da finança mundial e 80% da economia do planeta, receberão em breve os inspectores do Fundo Monetário Internacional.

A visita da alegre brigada é obrigatória e envolve todas as economias de todos os Países "de importância sistémica".

Tudo isto com o fim de "evitar uma crise maior".

Sem dúvida.

Em particular, o FMI afirma ser este:
um passo importante na melhoria da monitorização económica realizado pelo FMI que tem em conta a recente crise, a qual nasceu dos desequilíbrios financeiros nos grandes Países com interligações em todo o mundo.
Ah, sim.

Ainda de acordo com o FMI:
as fraquezas potenciais de cada País serão analisadas, bem como a estabilidade política e a capacidade de enfrentar e superar uma crise financeira.
O facto é que o FMI envia inspecções obrigatórias nos primeiros 25 Países do mundo.
Estarão vestidos de azul? Andam aos pares?

Mas o mais importante, o que irão fazer uma vez chegados a um País como Portugal?

Finalmente, Durão Barroso piora as coisas (afinal, de alguma forma temos de pagar estes novos inspectores do FMI)
 
Manobras globais em curso / 2: 
Durão Barroso, novo imposto europeu

Diz o bom Durão:
Chegou a altura dos bancos devolverem o dinheiro que tinham recebido.
Oh, até que enfim, alguém que defenda os nossos direitos!

E continua com afirmações do tipo "A era dos bónus excessivos acabou" (mas os problemas do mundo não estão nos bónus, estão no facto de ter feito dívidas após dívidas após dívidas...), "Os serviço financeiros têm de voltar à economia real [...] e garantir aos cidadãos e às empresas o acesso aos serviços fundamentais" (com um oceano de dinheiro criado a partir do nada, mas disso o bom Durão não fala)..

Em seguida, a realidade: Durão Barroso está a  trabalhar num novo imposto.

E quem irá paga-lo? Alguém tem uma ideia?

Nos últimos 10/15 anos disseram que para chegar à Europa e ali ficar (realmente, uma grande ocasião...) era necessário que a inflação ficasse abaixo dum certo limite anual. Por esta razão, os governos repetiram que era essencial controlar a inflação.

De que maneira?

Simples, através da "contenção salarial", ou seja, mantendo os salários baixos.

Porque ao aumentar os salários há muito dinheiro em circulação e este perde valor, desencadeando assim o aumento dos preços.

A terrível inflação.

Ao ter mais 300 Euros por mês, naqueles anos, teríamos comprado mais bens ou teríamos poupado mais, fazendo felizes as indústrias que vendem bens e serviços, os bancos que ficam com o nosso dinheiro e, em última análise, nós.

Ou alguém teria tido dúvidas do tipo "E agora que faço com este dinheiro todo?", ficando a ver os preços aumentar e nada mais?

Provavelmente, a inflação causada pela "moderação" era apenas uma forma socialmente aceitável para dizer "Serve manter baixos os salários, para que as empresas possam pagar menos aos funcionários e ganhar mais à custa de quem trabalha".

Temos de admitir: dito assim faz um outro efeito.

Mas de qualquer forma, na altura aceitámos assim como vamos aceitar agora.

Talvez com um imposto europeu (e porque não global?) as coisas irão ficar ainda melhores.

Ipse dixit.


Fonte: Informazione Scorretta

28 setembro 2010

Irlanda, Portugal, o trigo dos Russos e dos Chineses

Muitos no mundo da Finança perguntam: depois da Grécia, agora Irlanda e Portugal?
E depois?
A Polónia e, então, a seguir?

É o medo do efeito domino, outra vez (nota: a crise acabou!).
A Comissão Europeia propôs sanções mais severas contra os Países que violam as regras da UE.

Reparem: não soluções, mas sanções.

Como interpretar estas sanções? Duas as maneiras possíveis:

nº 1 versão sádica:
A tua economia não funciona? Toma lá uma multa!

nº 2: versão ainda mais sádica:
Ainda não conseguiste sugar mais dinheiro dos contribuintes?
Tomas lá uma multa!

Interessante.

A turbulência financeira da periferia da zona Euro pode acabar por ameaçar o sistema bancário europeu e até mesmo a frágil (muuuuito frágil) retoma. Escreve a bíblia financeira americana, o Wall Street Journal, que as preocupações são aumentadas após a Moody's ter cortado a avaliação do banco irlandês Anglo Irish Bank de três níveis, até Baa3.

O colapso do mercado imobiliário irlandês, realça o jornal, paralisou o sistema bancário, forçando o governo a intervir com uma operação de resgate que custou 33 bilhões de Euros, representando um quinto do PIB.

Entretanto, o Ministro das Finanças Português empurra para que o governo insista com os planos de corte do deficit. A incerteza sobre a capacidade de Portugal em tomar novas medidas fiscais fazem "saltar" os rendimentos em relação à dívida do País, um sinal da preocupação crescente dos investidores.

Há um facto que impressiona: a diferença entre os rendimentos das obrigações a dez anos na Alemanha e em Portugal aumentou 4,2 pontos percentuais.

Mas não há crise pois a OCDE, Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico, já tem a receita para curar Lisboa: Portugal deve ser "pronto para aumentar os impostos, com ênfase naqueles que menos distorcem o crescimento, como o IVA".

Simples.

Resgate? Acabou.

Algo de preocupante está a mexer-se.

O Comissário europeu para os assuntos económicos, Olli Rehn, sentiu-se obrigado a reiterar que "entre os Países do Euro não haverá nenhum caso de incumprimento nos pagamentos. Os custos potenciais, em termos económicos e políticos dum evento desse tipo, seriam tão devastadores para a área do Euro e da União Europeia que faremos o que for necessário para impedi-lo. E tenho certeza que vamos evita-lo. Não haverá reestruturação da dívida na Grécia, nem em qualquer País da área do Euro", disse.

As tensões ressurgiram nestes dias nos Títulos de Estado da Irlanda e Portugal, dois Países desde muito considerados "em risco": tensões desencadeadas pelos dados decepcionantes sobre as actividades das empresas da Zona Euro, em Setembro no nível mais baixo dos últimos sete meses (a crise acabou!). Resta uma pergunta: onde virá a UE buscar o dinheiro para evitar uma reestruturação da dívida, em outras palavras, para não mandar ninguém à falência?

Poucos meses e Olli Rehn poderá dar uma resposta. Tardia. E a razão é óbvia: o produto interno bruto de Portugal no segundo trimestre de 2010 diminuiu 1,2% em relação ao período anterior, com um valor agregado que mostra o declínio de 1,8% numa base anual. E a agência Bloomberg reporta a surpresa dos especialista: esperavam na Irlanda uma repetição do desempenho positivo do primeiro trimestre do ano e, pelo contrário, tiveram que encarar a queda do PIB. De novo numa espiral descendente.

Como já tivemos modo de afirmar, o tempo dos resgates passou. Portugal e Irlanda terão de encontrar sozinhos a maneira de sair desta situação. Caso contrário será o mergulho. Ou a intervenção do Fundo Monetário Internacional.  Uma coisa do tipo "venha o diabo e escolha".


Na Rússia, entretanto...

O Banco de Moscou Uralsib advertiu em termos inequívocos que metade da colheita de batatas de toda a Rússia foi perdido e que a crise do grão que atingiu a área do mar Negro (o celeiro que abastece um quarto do total das exportações) por causa dos incêndios devastadores deste último Verão virá continuar por mais um ano. Resumindo: um desastre.
O preço do trigo já subiu 70% entre Junho e hoje, chegando aos 7,30 Dólares por bushel (o bushel é a medida de capacidade para sólidos e líquidos utilizada no Reino Unido e para sólidos secos nos EUA e Canadá. Nos EUA, por convenção, um bush de trigo é equivalente a 27,216  quilogramas) e Abdolreza Abbassanian, responsável pelo sector de grãos da FAO, afirma: 
A esperança era de ter a situação normalizada em Setembro, mas não foi o caso e, certamente, muitos outros produtos estão a beira de ver os próprios preços subir

Por enquanto, os níveis da crise de 2008 ainda estão longe (na altura o bushel atingiu 13 Dólares) e os estoques mundiais ainda estão seguros a 22%, mas a situação está a piorar. Alerta Abbassanian:
Ainda não estamos numa crise real, mas o equilíbrio é precário. Se a Rússia e a Ucrânia tivessem de enfrentar mais um ano negativo, então sim, seria preciso pegar nos os estoques

A perspectiva futura é ainda mais sombrio segundo Chris Weafer, economista-chefe do Uralsib, pelo qual a colheita de trigo da Rússia este ano alcançará cerca de 60 milhões de toneladas contra um consumo de 75 milhões, e estoques de emergência de 9,5 milhões:
Pensamos que a Rússia necessitará de 17 milhões de toneladas de trigo e terá que importa-los. 
E esse é o lado negativo: ninguém contava com risco duma Rússia transformada num grande importador.

Luke Chandler da Rabobank confirma as previsões negativas:
Neste momento não podemos falar duma recuperação das culturas na Rússia, porque os incêndios prejudicaram o solo de modo a tornar impossível a sêmea no Inverno.
Mas também o milho emite sinais pouco felizes: os estoques globais estão no nível mais baixo em 37 anos: um nível muito baixo, quase limite, principalmente porque os Estados Unidos poderiam gastar 36% da colheita para produzir combustível.
Conduz-se, mas com estômago meio vazio.


Na China, entretanto...

O preço do milho subiu 40% em Junho, atingindo 5 Dólares por bushel: alguém tinha apostado no mau tempo que, de facto, danificou as culturas nos EUA. E afinal foi descoberto que a China tinha importado um recorde de 432 mil toneladas em Agosto. O problema, neste caso, é estrutural: a China está a transformar-se num importador de milho por causa duma mudança estrutural dos hábitos alimentares das massas. Comem mais carne e, portanto, precisam de mais milho para criar e alimentar os animais: 70% do milho chinês é usado para este fim e são precisos cerca de sete quilos de milho para "produzir" um quilo de carne.

A Federal Reserve afirmou esta semana: há um risco descendente (downside risk) para a inflação.
O mundo muda e a transformação de dois gigantes como Rússia e China pode criar grandes choques estruturais, especialmente neste contexto de fraqueza global persistente. Chegamos a um ponto focal da evolução geopolítica e económica e Pequim sabe disso.
O premier Wen Jiabao, em visita a Nova York, respondeu desta forma ao pedido americano para uma valorização do Yuan:
Um aumento de 20% do valor da nossa moeda poderia causar graves perdas de empregos e instabilidade social, deixando o País numa perspectiva duma batalha legal com os EUA sobre as reivindicações monetárias. Na verdade, não podemos sequer imaginar quantas empresas chinesas ficariam falidas, quantos trabalhadores chineses iriam perder o próprio trabalho e quantos trabalhadores migrantes deixariam a cidade para voltar para o campo: se aceitarmos o pedido EUA de valorização do Yuan entre 20% e 40% as consequências cena sociais seriam devastadoras.
E sabemos que Pequim gosta mais das guerras de nervos do que as guerras civis. Até o momento, o Yuan valorizou-se em cerca de 2% frente ao Dólar desde 19 de Junho, dia em que o Banco Central da China tem dado luz verde a uma taxa de câmbio mais flexível com o Dólar, após um câmbio semi-fixo nos dois últimos anos. Acrescenta Glenn Maguire, economista do Société Générale em Hong Kong:
Pedir uma valorização daquele nível é sintoma duma total falta de fundamentos no mercado de câmbio, não é possível e não pode ser gerido um tal choque num prazo tão curto

Respondendo às acusações de os EUA, Wen deixou claro que:
a principal causa do deficit comercial dos EUA não é a taxa de câmbio com a moeda chinesa, mas a estrutura dos investimentos e das poupanças.
A China, na metade deste ano, já tinha um saldo activo na balança comercial com os Estados Unidos de 119 bilhões de Dólares, e pode fechar 2010 com um número ainda maior aos 227 bilhões de 2009: um problema para Obama, forçado a enfrentam uma taxa de desemprego (oficial) de 9% e as eleições intercalares em Novembro.

Para entender o nível do debate, acrescentamos que Wen falou numa conferência organizada pela Goldman Sachs (sempre eles...) e que contou com a presença do administrador delegado da Pepsi Inc. Indra Nooyi, do ex-secretários do Tesouro, Henry Paulson, e Robert Rubin e que tinha como moderador nada mais nada menos que Henry Kissinger, o homem que conseguiu reconstruir as linhas de diálogo com Pequim durante a administração Nixon.

"As diferenças entre nós e os EUA são muito fácil de resolver quando comparadas com os desafios enfrentados na época pelo Dr. Kissinger" realçou perfidamente Wen. Como dizer, façam um passo na nossa direcção ou será guerra: monetária, mas também em termos de gestão da dívida. Em suma: jogos de guerra. Global.

Ipse dixit.


Fonte: Il Sussidiario , Blitz

27 setembro 2010

Pedaços de verdade

O Irão é o Reino do Mal, disso já não temos dúvida. 
E a melhor solução seria elimina-lo, por várias razões.
Porque molesta Israel, porque está cheio de petróleo e de gás, porque tem um sistema bancário anómalo e perigoso.

E porque no Irão se lapidam pobres mulheres indefesas. Pelo menos assim dizem.

O caso Sakineh

A versão oficial afirma que há uma pessoa no Irão, tal Sakineh Ashtiani Mohammadi, que foi presa e condenada ao apedrejamento por adultério.

O regime iraniano é claramente uma entidade monstruosa (e também está a dotar-se de armas nucleares), não seria tão errado cobri-lo com bombas.
Yeah.

Mas ao pesquisar um pouco na Internet, é possível descobrir algumas coisas muito interessantes.
Acontece que Sakineh Ashtiani, além de ter cometido adultério, também teria morto o marido, com o fim de passar um bons tempinhos com o amante. O que, como podem realçar os leitores, não justifica a condenação à morte por apedrejamento.

Estamos plenamente de acordo, embora seja importante ressaltar que na versão oficial que circula no Ocidente, a expressão "acusada do assassinato do marido" foi feita desaparecer na maioria dos casos.

É um pouco como dizer: " "Rouba doces, condenado à prisão perpétua"

em vez de:  "Rouba doces, mata o dono do café, condenado à prisão perpétua"

Assim, há uma leve diferença entre as duas frases, e quem efectua um cancelamento obtém uma pesada distorção da verdade. A seu favor, óbvio.

Mesmo assim sobra a barbárie da pena de morte.

Em particular, sobra a barbárie do apedrejamento, que é um pouco mais cruel do que a injecção letal ou o enforcamento.

Pois.

Seria preciso falar um pouco mais desta lapidação.
Sim, porque parece que o apedrejamento no Irão não é mais praticado desde há muito tempo. Até o mesmo Ahmadinejad afirmou que nunca houve uma sentença de lapidação contra Sakineh.


Alguns factos sobre a lapidação no Irão 
que os média curiosamente esquecem de referir

Sakineh Ashtiani Mohammadi
A lapidação no Irão foi introduzida no código penal islâmico em 1983.

O governo declarou uma moratória sobre a lapidação em 2002, embora nunca tenha sido formalmente abolida.

Desde que Ahmadinejad foi eleito, tem havido poucos casos de sentença de apedrejamento por parte dos tribunais: em 2006, 2007 e 2010.

Em Janeiro de 2005, o porta-voz judicial Jamal Karimirad disse que "a lapidação foi retirada do código penal desde muito (embora no Wikipedia versão portuguesa seja ainda possível ler o seguinte: Pela lei iraniana, uma mulher condenada ao apedrejamento deve ser enterrada até a altura do peito e golpeada à morte por pedras nem pequenas nem grandes demais), e na república islâmica, este tipo de sentença não é aplicada."

Acrescentou também que se a sentença de apedrejamento tivesse sido decretada por um processo no tribunal, a decisão teria sido anulada pelos tribunais de grau superior e "nenhuma dessas sentenças teria sido concluída."

Em 2008, o Poder Judiciário retirou a lapidação no projecto de lei apresentado ao parlamento para aprovação.

Em 2009, o parlamento iraniano tem revisto e alterado o código penal para eliminar a lapidação.

Assim, no Irão já ninguém é lapidado, e desde bastante tempo.

E desde 2009 é proibido por lei.

O resto é propaganda.
 


Fontes: Informazione Scorretta, Wikipedia

23 setembro 2010

Bruxelas ajuda os desempregados

Estes são tempos difíceis na Europa e temos de apertar o cinto. Sabemos isso.

Mas o aperto do cinto não é para todos, e sabemos isso também.

A União Europeia, a mesma que lança os sermões sobre a necessidade de cortar os gastos públicos, não hesita em pagar muito, muito bem os próprios trabalhadores.

Óbvio, não todos os trabalhadores. Apenas alguns deles.

Reza o diário Público:
Bruxelas confirmou que dezassete membros da primeira Comissão de Durão Barroso recebem actualmente subsídios de reintegração que variam entre 40 e 65 por cento (dependendo do número de anos em Bruxelas) do seu salário de base, que ascende a 20.300 euros por mês (fora despesas de residência e representação) ou 22.500 para os vice-presidentes.
40 ou 65% do salário base? Sendo este último de 20.300 Euros por mês, significa uma "ajudinha" mensal entre os 8.100 e os 13.100 Euros arredondados.
Nada mal  como subsídio.
Pagos durante três anos, estes subsídios são acumuláveis com outras remunerações provenientes de novas actividades dos comissários, desde que o montante total não ultrapasse o valor do anterior salário, explicou um porta-voz da Comissão.
3 anos? Acumuláveis? Sim, mas desde que as novas remunerações não ultrapassem a antiga. Parece-me bem, isso para afastar a hipótese de alguém aproveitar da situação.
Segundo Bruxelas, estes subsídios destinam-se a “facilitar a reinserção no mercado de trabalho” dos ex-comissários e a “manter a sua independência”, de modo a evitar eventuais conflitos de interesses com os anteriores pelouros. Os ex-comissários estão aliás obrigados a informar a Comissão das novas funções, e só as podem assumir depois de obterem a necessária luz verde.
E também aqui não podemos se não concordar. Encontrar um lugar de trabalho não é simples hoje em dia, em particular se no nosso curriculum aparece uma coisa tipo "ex-comissário da União Europeia". Bruxelas chega a ser comovente na forma como cuida dos próprios ex dependentes, tomara que todas as empresas fossem assim.
Grande parte dos ex-comissários está a exercer funções políticas ou no sector privado, como o irlandês Charlie McCreevy, contratado pela companhia aérea Ryanair, o belga Louis Michel e a polaca Danuta Huebner que foram eleitos para o Parlamento Europeu, ou o italiano Franco Frattini e o cipriota Markos Kyprianou que são ministros dos Negócios Estrangeiros dos respectivos países. Todos acumulam os novos salários com o subsídio de integração da Comissão.
Estes exemplos bem descrevem o abismo no qual precipita a maior parte dos ex-comissários após abandonar a União. São trocos para nós, é verdade, mas podem fazer uma grande diferencia para quem acabou de perder o tach...ehm, o trabalho. 

Bruxelas mostra o caminho da solidariedade.
Nós podemos só louvar.

Ipse dixit.

Fonte: Público

IOR 23 milhões apreendidos, perplexidade e admiração dos Banqueiros de Deus

Pouco, bem pouco o espaço nos jornais dedicado à IOR, a piedosa instituição religiosa, cofre no Vaticano.
E as notícias, quando referidas, são sempre acompanhada pelas duas palavras do Vaticano:: perplexidade e espanto.


Perplexidade e admiração.


Pois.



Acontece que não é a primeira vez que o IOR fica envolvido em grandes escândalos.


Pia Instituição Obras Religiosas

O único banco no mundo que não emite recibos (o Espírito Santo nunca erra nas contas), foi envolvido no caso Calvi, com pio Marcinkus que perdeu o lugar. Quem estiver interessado em aprender mais pode procurar obter o filme muito interessante "O Banqueiro de Deus" (mas é difícil encontra-lo fora da Italia), que reconstitui os acontecimentos do Banco Ambrosiano e da IOR e os obscuros enredos.

Desta vez, o problema nasce com uma pequena operação de mais de 20 milhões de Euros que tinham que funcionar como bonificação.

No detalhe, falamos de 23 milhões de Euros (!) apreendidos numa conta aberta na agência de Roma do Credito Artigiano. O  mesmo Credito Artigiano descobriu as cartas: depois de ter ordenado a suspensão das operações no passado 15 de Setembro, informou o Procurador geral de Roma.

Resumindo, a conta do IOR de 28 milhões (!) estava para ser rapidamente drenada com uma transferência de 20 milhões de Euros para banco JP Morgan de Frankfurt, mais outra transferência de 3 milhões de Euros para o banco local do Fucino.

Tudo isso a despeito das novas disposições anti-branqueamento de capitais, em vigor desde 9 de Setembro.  Em particular, essas foram operações concebidas sem indicar o nome de quem ordenou ou as finalidades das transferências..

Bonificações no valor de 4 bilhões de velhos Escudos portugueses sem sujeito nem causal.

Mas já sabemos, o Espírito Santo não precisa de bilhetes de identidade, nem de razões.

Perplexidade e admiração.

O Procurador não pára por aí: estão a espera para serem melhor analisados também os movimentos de uma conta anônima na qual são depositados milhões de Euros de propriedade do Vaticano, conta aberta na agência romana do banco Unicredit. Em violação de múltiplas leis e códigos (válidos pelo menos no Estado italiano, do qual faz parte o Unicredit), os titulares de conta Unicredit seriam desconhecidos até mesmo para o próprio banco, o que torna o inquérito mais complicado .

Por outro lado, os caminhos de Deus são infinitos.

Perplexidade e admiração.
Os bons rapazes

Os 23 milhões de Euros depositados na sede romana do Credito Artigiano SpA (Gruppo Credito Valtellinese) ficam agora apreendidos e estão sob investigação o presidente do IOR Ettore Gotti Tedeschi  e o director geral Paolo Cipriani.

Mas quem é Ettore Gotti Tedeschi, presidente do IOR, o banco do Vaticano?

O ex-McKinsey como muitos banqueiros italianos, o seu primeiro grande papel foi no SIGE, a financiaria do Imi que tratava de gestão das poupanças. Aqui conheceu Roveraro, com o qual abriu a Akros (até 1992) até assumir a liderança do Santander, o mais importante banco no mundo hispânico.

Foi membro do Banco Sanpaolo Imi e da Caixa de Depósitos e Empréstimos, e tem ensinado Finanças na Universidade Católica de Milão. Diz-se ser a inspiração da encíclica económica do Papa Ratzinger.

Não admira que seja também um dos principais colunistas do Osservatore Romano, o diário do Vaticano.

É desde sempre considerado próximos do secretário de Estado Tarcisio Bertone e da Opus Dei, conhecida como a "máfia branca" pelos detratores, a potente seita fundamentalista que vive dentro da Igreja Católica.



A Opera

Sobre a Opus Dei, o seu proprietário, Escrivá de Balaguer, foi santificado em tempo recorde pelo Papa João Paulo II.
Santo já, ele, ainda antes da sentença sobre o papa polaco ser pronunciada.

Quem desejasse saber mais acerca daquele espécie de demónio que é Santo Escrivá e da sua seita gângster-integralista Opus Dei, pode  procurar o interessante livro "Oltre la soglia: una vita nell'Opus Dei" ("Do Lado de Dentro - uma vida na Opus Dei", Maria del Carmen Tapia, Publicações Europa-América, 1993), de Maria Del Carmen Tapia, ex-secretária do demónio santo, sempre que consigam encontra-lo nas livrarias.

Alguns excertos do Wikipedia versão italiana, pois na versão portuguesa isso não aparece

Segundo a teóloga Adriana Zarri, Escrivá era "um personagem muito indecente." Para apoiar esta afirmação, a teóloga cita o testemunho de um ex-adepto no livro "Para além do limiar" de Maria del Carmen Tapia.

Neste livro é descrita a casa de Roma como "uma espécie de fortaleza medieval (...) a partir da porta da frente, que é blindada e não tem nenhuma fechadura externa, abrindo apenas a partir de dentro".

Em outras palavras, parece que desta casa é impossível sair sem permissão.

Na mesma casa "Monsenhor Escrivá tinha feito colocar microfones (...) todos ligados à sua sala". Também fala-se de armas, transporte de dinheiro, documentos secretos mantidos juntos com garrafas de gasolina, etc.

Segundo o relato de Maria del Carmen Tapia, ela escapou apenas por acaso: conseguiu ligar para fora numa altura em que não estava monitorada.

O medo real era de ser internada por insanidade, como tinha acontecido com outros dissidentes. A partida, no entanto, não foi fácil, porque "Monsenhor Escrivá começou a caminhar pra cima e para baixo, vermelho, furioso, dizendo:" Não fale com ninguém, nem da Opus Dei ou de Roma (...) porque se ouvir que falas mal da Opus, eu José Maria Escrivá de Balaguer, eu que tenho na minha mão a imprensa mundial, vou desonrar-te publicamente. "

E, olhando nos meus olhos com uma fúria terrível, agitando os braços como se quisesse bater-me, gritou: "(...) puta vadia! ".

Zarri conclui que Escrivá era "colérico e ambicioso", "tinha comprado um título de nobreza do amigo o ditador Franco: nos governos do qual alguns membros do Opus Dei desempenharam cargos de ministros".

Santo já .

Gotti Tedeschi, na corrida para o topo da IOR, conseguiu bater Tietmeyer, ex-presidente do Bundesbank. Porque não é preciso um presidente qualquer para o banco do Vaticano. É preciso o ex-presidente do banco central do mais importante País europeu, ou mesmo melhor.

Gotti sempre afirmou estar convencido que será possível sair da crise apostando na ética e na família.

A Família.

Pois.

Fonte: Informazione Scorretta
Tradução: Informação Incorrecta

21 setembro 2010

Esparguetes e Nato

Volto das férias e o que falta em casa? Esparguetes.
Meus Senhores, uma casa sem esparguetes não é uma casa, é uma tristeza.

Então, entro no hipermercado (mas quantos hipermercados existem neste País?) e vejo um panfleto com um titulo empolgante: "Previna-se e viva".
Autoria: Comissão de Planeamento de Emergência da Agricultura, do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, do Instituto Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência.
Mais alguém e não teria sobrado espaço para o texto. Mas vamos ler.

Parágrafos: A despensa que não dispensa (deve ser humor português), Reserva alimentar para lactentes, Mochila para emergência, Dê prioridade à água.

Interessante. É sempre bom estar preparado para o inesperado, especialmente num País que tem um relacionamento "mórbido" com os terremotos. 

Depois posso ler as seguintes linhas:
Se, em plena emergência, não tiver reserva de água suficiente, tente obtê-la na própria canalização, no depósito de água quente (depois de desligados o gás e electricidade), nos cubos de gelo e o depósito do autoclismo. Se puder sair de casa e não existir contaminação radiológica ou química, recorra à água da chuva, fontes, rios, riachos, lagos, poços, barragens, etc., mas exclua água com objectos flutuantes, cheiro ou cor anormais.
Até o logo é triste...
Eh? Contaminação radiológica ou química? Mas estamos a falar de quê? Este é um evento natural ou uma guerra? Perdi alguma coisa ao longo das férias? Fogo, eu ia só a comprar um pacote de esparguetes e de repente estou no meio dum cenário de guerra.

Intrigado, vou espreitar o site cujo link aparece na publicação: o site do Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência.

Um site paupérrimo (e este é um eufemismo), onde descobrimos que o Concelho trabalha com a Nato. A Nato?
Não percebo: no site do Concelho Nacional de Planeamento Civil de Emergência não está escrito que o Concelho colabora com a Cruz Vermelha, a ONU, a União Europeia, os organismos equivalentes de outros Países.
Está só escrito que colabora com uma organização militar.

Eu fico por aqui, deixo o campo aberto para as eventuais especulações dos conspiracionistas. Mas o facto de quem trabalha para a gestão das emergências deveria ter um site melhor e com muitas mais informação (clara e de qualidade), bom, isso fica.

Ipse dixit.

Fonte: Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência.

A crise e o desemprego

A crise acabou. Ainda uma vez.

Entre mercados drogados, dados positivos (Alemanha) e Pigs em apuros (olá Portugal!), no mundo há centenas de milhões de pessoas sem emprego. 30 milhões ficaram desempregadas ao longo da última crise, mas sabemos que estes são números oficiais: a verdade é muito mais crua.

Dominique Strauss-Kahn, chefe do Fundo Monetário Internacional, está preocupado: muito desemprego significa perigo de desordem social. Olha só.

Ficou tão contente com a sua descoberta que foi até a Suécia para comunicar ao mundo o que o mundo já sabia.

E, ao longo da viagem, evidentemente não parou de pensar, chegando assim a outra conclusão: uma apertada politica fiscal pode estrangular a retoma. Interessante.
Mas não é este o mesmo FMI que opera na Grécia?

O FMI teme explosão social da crise mundial de emprego

"O mercado de trabalho está em sérios apuros. A Grande Recessão deixou para trás um deserto de desemprego ", disse Dominique Strauss-Kahn, chefe do FMI, durante uma cimeira em Oslo ao longo do summit da Organização Internacional do Trabalho (ILO).

Strauss-Khan disse que uma recessão dupla permanece improvável, mas ressaltou que o mundo ainda não escapou a uma crise social bem mais grave. Argumentou que é um grave erro pensar que o Oeste esteja salvo depois de ter dançado tão perto do abismo no ano passado. "Não estamos seguros", disse ele.
Dominique Strauss-Kahn
Um relatório conjunto FMI-ILO diz que desde o início da crise foram perdidos 30 milhões de empregos, dos quais três quartos nas economias ricas. O desemprego global atingiu um nível de 210 milhões. "A Grande Recessão deixou feridas abertas. Um alto e duradouro desemprego é um risco para a estabilidade das democracias existentes ", acrescentou.

O estudo citado mostra que as mais jovens vítimas da recessão, com cerca de vinte anos ou pouco mais, sofreram danos permanentes, com perda de confiança nas instituições públicas. Uma nova espiral é constituída pela aparente diminuição da "intensidade do emprego para o desenvolvimento", porque os prejuízos da produção provocam um menor aumento do número de trabalhadores. Por este motivo, é difícil reabsorver todos aqueles deixados de fora do trabalho, mesmo que a recuperação pegue. O mundo deveria criar 45 milhões de empregos por ano ao longo da próxima década apenas para tentar compensar as perdas.
Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, disse que no passado a percentagem de trabalhadores desempregados tinha crescido em todas as recessões, mas desta vez os números aumentaram de forma abrupta..

"O desemprego de longa duração é muito preocupante: nos Estados Unidos a metade dos desempregados ficou afastada do trabalho por mais de seis meses, algo que não tinha acontecido desde a Grande Depressão", disse.

A Espanha sofreu o golpe mais duro, com o desemprego perto do 20%. A taxa na Grã-Bretanha passou de 5,3% para 7,8% nos últimos dois anos, um valor ligeiramente melhor do que a média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Isto contrasta com os anos 70 e início dos anos 80, quando o Reino Unido era conhecido por ser o pior neste aspecto. Atualmente os desempregados britânicos são 2,48 milhões.

Blanchard pediu um estímulo monetário adicional como primeira linha de defesa, se "os piores riscos se concretizarem", mas acrescentou que as autoridades não devem excluir outras ajudas fiscais, apesar das preocupações sobre a dívida. "Se o estímulo fiscal contribui para evitar o desemprego estrutural, effettivavemte paga-se por si mesmo", disse.

Os Países mais avançados não deveriam apertar a política fiscal antes de 2011: as restrições precoces enfraqueceriam a retoma, diz o relatório, repreendendo a coligação da Grã-Bretanha, os falcões da oposição na Alemanha e os Republicanos nos EUA. Sob o socialista francês Strauss-Kahn, o FMI tomou uma aspecto ao estilo Keynes.

O relatório aborda apenas marginalmente o problema de como a globalização permita que as empresas apostem no "labour arbitrage", deslocando fábricas em economias de baixo custo como a China para enviar os produtos de volta para o Ocidente. Nem mesmo aprofunda as distorções do mercado causadas pela política monetária da China, excepto para convidar os "Países do excedente" a desempenhar um papel activo no reequilíbrio global.

O FMI disse que pode haver uma conexão entre o aumento da desigualdade no interior das economias ocidentais e queda da demanda.

Os historiadores dizem que a última vez que a diferença na riqueza chegou a tais extremos foi em 1928-1929. Alguém argumenta que a concentração de riqueza pode causar investimentos superiores a demanda, levando à superprodução. Isso pode empurrar o mundo para uma recessão.

Fonte: Telegraph
Tradução: Informação Incorrecta

A herança de Macondo

E a fuga de petróleo no Golfo do México?

Diz o Almirante Allen:
Após meses de grandes operações planeadas e executadas sob a direcção e autoridade da equipa de cientistas e engenheiros do governo dos EUA, a BP concluiu com êxito o poço de contenção, interceptou e cimentou o poço 18.000 pés abaixo do nível do mar. Com estes desenvolvimentos, os quais foram confirmados pelo Departemente of the Interior's Bureau of Ocean Energy Management, finalmente podemos anunciar que o poço Macondo 252 está morto.
Assim, quase cinco meses após o desastre, acabou.

Acabou?
Nem por isso: o petróleo não foi embora, foi enterrado no fundo do mar, bem como suspenso em "plumas" submarinas. É quanto afirma o site do National Geographic, uma pesquisadora do qual acaba de voltar duma expedição na região.

Diz Samantha Joye Universidade da Geórgia:
A ideia de que três quartos do petróleo simplesmente desapareceu, como indicado pelas autoridades, é um conto de fadas: seria bom, mas seria absolutamente sem sentido. Eu entendo porque as pessoas querem que desapareça, mas quem em consciência iria acreditar nisso? Não faz absolutamente nenhum sentido. 

A pesquisadora com alguns colegas sondou as águas do Golfo a bordo do navio Oceanus ao longo de todo o mês passado e encontraram pelo menos em dez pontos camadas de 5 cm de petróleo depositado no fundo do mar, a uma profundidade de 1600 metros e uma distância de até 126 km do local da explosão
Em pelo menos uma amostra o petróleo cobria alguns camarões e outros animais - explica a pesquisadora - e, também, encontrámos algumas "plumas" em outras posições do que as anteriormente relatadas. O petróleo ainda está lá, basta procurar no lugar certo.    

6 milhões de barris

Outro problema que a pesquisadora realça é a real quantidade de crude que saiu do poço. As estimativas oficiais apontam para pouco mais de 4 milhões de barris de petróleo, mas Samantha Joey e o colega Ian McDonald não concordam, pois nas contas falta o metano:
Todos os relatórios da carga poluente descarregada a partir do poço têm sido emitidos em barris, uma unidade de um volume de líquidos, e têm ignorado o gás. Na verdade, se calculados em unidades equivalentes de peso [massa] ou energia [barris de petróleo equivalentes], a magnitude do óleo com o gás é igual a 1,5 vezes o petróleo sozinho.

Em outras palavras, se 4,1 milhões de barris de petróleo escaparam no Golfo, a fuga de total de petróleo líquido e gás seria equivalente a mais de 6 milhões de barris de petróleo

Samantha Joey
Enquanto o metano é menos tóxico do que o petróleo e decompõe-se de forma mais rápida, as bactérias precisam de oxigénio para sintetiza-lo, criando assim mais falta de oxigénio no ecossistema.

E quando os níveis de oxigénio são baixos, leva muito mais tempo para que os micróbios quebram o óleo. É um circulo vicioso.

Por exemplo, os pesquisadores do Woods Hole Oceanographic Institution ainda encontram camadas de petróleo em sedimentos com baixo nível de oxigénio provocados por um derrame em 1969 em Buzzards Bay, Massachusetts.


Um recente estudo do Departement of Energy do Lawrence Berkeley National Laboratory sugere que a maior parte das "plumas" submarinas já foram dispersas, mas estas não são as conclusões de outros pesquisadores. Bem pelo contrário.

O oceanógrafo David Hollander, da Universidade do Sul da Florida, em meados de Agosto encontrou petróleo nos sedimentos e nas colunas de água até 50 milhas (80 km) a nordeste do poço, incluindo o canyon DeSoto, uma área crítica de desenvolvimento para peixes normalmente pescados e vendidos nos mercados da Florida.
Onde quer que fôssemos a leste do poço, foi possível encontra-lo. Não é como um cobertor, mas um conjunto de micro-gotas tão pequenas que você não pode vê-las. Sob a luz UV parece uma constelação de estrelas no céu do sul.

As consequências? Ninguém pode prevê-las nesta altura.
Mas o poço está fechado.

Ipse dixit.


Fontes: Petrolio, Informazione Scorretta, National Geographic

20 setembro 2010

O Inverno grego

Ignorada pelos media, a situação na Grécia continua a ser preocupante.

Centenas de camiões cercam Atenas numa revolta contra a liberalização do sector dos transportes: bloqueada uma das principais estradas que levam à capital, depois que a polícia ter impedido uma marcha rumo à cidade.

A liberalização prevê uma redução dos custos das licenças e os transportadores reclamam que os actuais operadores, que pagaram até 300 mil € para obter uma licença, sofrerão prejuízos.

O protesto está a causar pesadas perdas para a indústria:
"A greve está a causar prejuízos incalculáveis em todos os sectores".
Os motoristas pedem em primeiro lugar a prorrogação do período de transição de três a cinco anos.

Perante a recusa do governo, o presidente dos motoristas Tzortzatos Giorgio disse:
"Não temos nada a perder"

Mas porque a situação da Grécia é assim interessante para Portugal?
Varias razões, entre as quais o facto de Atenas poder representar uma antevisão do futuro de Lisboa e de todos os Países europeus com graves dificuldades na contenção do deficit.

Lembram do mega-pacote de ajuda (isso é, um rio de dinheiro) que a União Europeia concedeu perante a grave situação grega?
Bom, podem esquecer, pois o futuro será bem pior: nada de dinheiro mas uma intervenção do FMI, o Fundo Monetário Internacional.
E, perante as sérias dificuldades portuguesas, já há quem fale no ingresso do FMI na gestão económica do País.


Grécia: piora a recessão, no segundo trimestre o PIB a -3,7%

No segundo trimestre de 2010, o PIB grego caiu 3,7% com base anual, mais do que o esperado de acordo com o departamento nacional de estatística.

Comparada com o trimestre anterior a queda foi de 1, 8%.

As estimativas iniciais apontavam para de 3,5% com base anual e de 1,5% face aos três meses anteriores.

O agravamento da situação deve-se a um colapso do consumo que caiu 5,1% e aos investimentos em fixed assets que diminuíram 18,6%.

Recentemente, o ministro das Finanças, George Papaconstantinou, disse acreditar numa recessão em 2010 inferior ao esperado, isso é, abaixo 4%.

Na verdade, poderíamos acrescentar, era bastante previsível uma queda nos consumos.

Não é preciso ser economistas para entender que:

- com o aumento dos impostos (ao cuidado do FMI e da UE)
- com os serviços públicos que diminuem
- com o abrandamento da economia

as pessoas de um estado qualquer têm menos dinheiro no bolso.

E se uma pessoa tem menos dinheiro no bolso, compra menos coisas. O que reduz as receitas fiscais, como o IVA, mas sobretudo com menos compras a maioria das empresas venderão menos, deverão baixar os preços ou reduzir o pessoal, e ... etc etc etc

A clássica trajectória da depressão

Resumindo: a cura do FMI começa a fazer efeito...


Ouro, novo recorde

Entretanto, o anúncio de novos quantitative easing contribuem para que o ouro atingia cotações cada vez mais elevadas. O preço do metal precioso tem estabelecido um novo recorde: 1.283 dólares a onça.

Não é uma surpresa pois o exótico termo quantitaive easing indica uma realidade mais prosaica: o Banco Central imprime notas. E quando no mercado há mais notas, cada nota vale menos.
Então que fazem as pessoas? Deixam de acumular notas e compram ouro, que vale bem mais.

Mas esta é outra história.


Ipse dixit.

Fonte: Informazione Scorretta

A Ressurreição

Então, uma pessoa volta das férias e...oooooohhhhh!!! O blog funciona outra vez!
Que aconteceu? Mistério.

Tinha começado assim:
Olá,
Analisámos o seu blogue em http://informacaoincorrecta.blogspot.com/ 
e verificámos que viola os Termos de utilização do Blogger 
no que diz respeito a: SPAM. Dando cumprimento aos termos, 
removemos o blogue e o URL já não está acessível. 
 
E, de facto, não estava acessível mesmo.
O primeiro pensamento foi: "deve ser um erro". Spam? Qual Spam?

Diz Wikipedia:
O termo Spam, abreviação em inglês de “spiced ham” (presunto condimentado), é uma mensagem eletrônica não-solicitada enviada em massa.

Mas a partir deste blog nunca foi enviada Spam, nem estava disponível uma ligação para um site ou outro blog que efectuasse Spam.

Nem vamos descerever todos os passos feitos na tentativa de recuperar o blog, os meses de trabalho desaparecidos, os leitores abandonados sem uma explicação.
Afinal, quando esteve claro que Informação Incorrecta não teria voltado, a decisão: vamos abrir outro blog com uma nova plataforma, neste caso Wordpress.

Passar para uma plataforma nova não é assim simples, é preciso aprender tudo outra vez: como postar, inserir uma imagem, etc. Enfim: demora.
E tanto demorou que chegaram as férias.

Hoje, computador ligado e...ops! Informação está disponível.

Que se passou afinal? Não se sabe. Onde estava o Spam? Não estava. Foi um erro dos novos robots que Google utiliza para controlar os blogs? Pode ser, mas neste caso não estaria mal uma mail para dizer "Oh, besta, olha que foi um engano nosso, desculpa lá". Nada de nada. Este é o serviço Google.

Pode-se argumentar que Blogger é um serviço gratuito, e ainda bem que existe.
Verdade, mas não brincamos: há blogues e blogues.

Há os blogues onde podemos ler "Hoje foi ver o último filme de Di Caprio, tão giiiiiro!".
E depois há blogues que implicam um trabalho não indiferente de informação e pesquisa. E Informação Incorrecta pertence à esta última categoria, assim como muitos outros blogues que podem encontrar nos Links.
Blogger (isso é, Google) não pode dizer simplesmente "O serviço é gratuito por isso fazemos o que entendemos".
Imaginem Vocês que ajudam uma velhota para chegar do outro lado da rua. Chegados ao meio da estrada largam a velhota e dizem "Avozinha, o serviço é gratuito e aqui acaba, por isso agora desenrasca-te".
O conceito é o mesmo.

Mas afinal foi mesmo erro? Ou Informação Incorrecta foi interrompida por outros motivos? Se calhar motivos não declarados e nem declaráveis? Por enquanto não vamos por ali, haverá mais ocasiões para falar deste último aspecto.

Seja como for: aqui estamos outra vez.
Um grande obrigado para todos aqueles que enviaram mensagens de solidariedade: não esperava tantos!
E um grande obrigado para os novos seguidores.

Informação Incorrecta está de volta, como antes. E esperamos até melhor do que antes!

Ipse dixit.


Nota 1: Caso o "acidente" volte a repetir-se, informamos desde já que Informação será logo activada na plataforma Wordpress.
Neste caso o endereço será o seguinte:


Agora, claro, o blog no Wordpress está parado, não fazendo sentido ter dois blogues iguais.

Nota 2: Em breve estará disponível um novo blog, sempre da plataforma Wordpress. Título? Assunto? Eheheh...surpresa! (não sei se ficou claro, mas gostei, e muito, de Wordpress!)

Nota 3: Um obrigado especial para Mário Nunes e o seu Kafe Kultura!

Max

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