31 julho 2011

O lado obscuro da Volkswagen

Sim, a Nova Ordem Ocidental está a desmoronar.

Mas ainda está entre nós e não sabemos com certeza quando será definitivamente enterrada. No entanto, continua a agir como sempre fez, de forma subtil e tentacular.

Não é preciso entrar num banco para ficar envolvido no esquema de quem manda. Esta Nova Ordem é uma maneira de viver, de conceber os negócios.

É possível encontra-la no dia-a-dia, no publicidade, nos órgãos de informação, nas mensagens que, de forma voluntária ou involuntária, explicita ou implícita, são espalhadas.

Entramos neste mundo simplesmente ao ficar em casa e ler uma das próprias revistas favorecidas.

Publicidade? Mais ou menos. O tema aqui é uma forma de publicidade mais subtil, que utiliza a alegada imparcialidade de quem escreve para insinuar no Leitor a ideia de que um determinado produto é necessariamente superior aos outros.

29 julho 2011

Lá fora, de tudo um pouco

Sexta-feira...fim de semana às portas...vamos ver quais as notícias que circulam no Mundo fora...com calma...é Sexta-feira...
 
Confiança

A Nielsen Global Online Consumer Confidence (e que tal um nome mais curto?) acaba de publicar uma pesquisa online efectuada entre os dias 20 de Maio e 7 de Junho, envolvendo 31.000 consumidores de diversos continentes.

O resultado é clamoroso (sic!): as pessoas estão preocupadas.
Mas preocupadas de quê? Pouca coisa afinal: falta dinheiro, desemprego, insegurança. Mas além disso tudo na boa, não fosse pelo facto de sentir-se ainda em recessão.

Conclui a Nielsen Global Online etc.: "Não existem ainda suficientes notícias positivas que possam inspirar confiança nos consumidores". Pessoas esquisitas estes consumidores.
Eis os pormenores. Na coluna de esquerda os mais alegres e confiantes, na coluna de direita os mais tristes e preocupados.

Líbia: a voz do outro lado

Saif al-Islam Muammar al-Gaddafi
Vamos ouvir o outro lado?
E vamos.

O diário argelino El-Khabar entrevistou Saif al-Islam Muammar al-Gaddafi, filho de Muʿammar Abū Minyar ʿAbd al-Salām al-Qadhdhāfī, Khadafi para os amigos.

E se a ideia é de uma pessoa que passa a vida entre camelos e poços de petróleo, então é bom lembrar que Seif licenciou-se em Engenheria Cientifica na Universidade de Tripoli, ganhou um MBA na Universidade IMADEC de Viena, um PhD na London School of Economics, colaborou com Anthony McGrew da University of Southampton e o Professor Joseph Nye da University of Harvard.

Pois o dinheiro não tem cor, e o filho de Khadafi era muito bem recebido no Ocidente, pelo menos até quando a Nato não decidir tratar de questões humanitárias.

Vamos ler as declarações dele, lembrando que não representam a verdade absoluta mas apenas uma versão dos factos.
Sem esquecer que este é o País donde partiram e que ainda acolhe os atentadores de Lockerbie (voo da Pan Am precipitado na Escócia em 1988, 270 mortos).
Sem esquecer que muito do que é contado nos medias ocidentais não é o reflexo da realidade.

A tragédia do povo hebreu

A Nova Ordem Ocidental tem sabido insinuar-se nas nossas mentes, ocupar áreas originariamente concebidas para hospedar valores, produzir pontos de vista distorcidos que nada têm a ver com a definição de "humano".

E os que mais gritam e insultam são os que menos entendem de ser parte dum jogo bem maior, cujas finalidades estão muito além das declarações oficiais.

No site hebraico Ynet, por exemplo, é possível encontrar os frutos deste condicionamento.


Os comentários

Após o artigo de Ziv Lencher, um artista de Tel Aviv, que realça o que define como Schadenfreude, termo alemão que podemos traduzir com a expressão "prazer provocado pelo azar dos outros". Alvo desta Schadenfreude são os recentes atentados na Noruega, que, longe de ter angustiado os cidadãos hebraicos,  conseguiu até provocar uma mal escondida satisfação.

E os comentários ao artigo de Lencher constituem a melhor prova disso, como podemos ler (com relativa ordem de aparição e username):

28 julho 2011

Nova Ordem Mundial?

Existe a Nova Ordem Mundial?

Pode parecer uma pergunta retórica para quem trata de informação alternativa, mas assim não é: tratar de notícias que os media mainstream ignoram ou até falsificam não significa obrigatoriamente acreditar numa Nova Orem Mundial


Nova Ordem Quê?

Além disso existe confusão acerca do assunto.
O facto é que uma Nova Ordem Mundial parece improvável nesta fase histórica e talvez na próxima.

Os apoiantes da NWO (New World Order, Nova Ordem Mundial em Inglês) gostam de lembrar o antigo Presidente Bush (o filho) que citou expressamente o termo.

Mas ao observar a realidade podemos ver como os Estados Unidos sejam actualmente um País em crise, obrigados a enfrentar graves problemas orçamentais, incapazes de solucionar o dilema dos milhões de desempregados e com um tecido produtivo que em boa parte emigrou.

Na altura dos dois Bush, os EUA tinham acreditado possível acompanhar de perto a China e Rússia para ganhar o controle do Médio Oriente.
Não apenas não conseguiram, obrigados a guerras contínuas para estabelecer um predomínio territorial mas não político, como ao mesmo tempo vimos que a China, por exemplo, criou laços comerciais muito significativos com a América Latina; subtraindo este continente, em parte, ao controle de Washington que tinha durado 40 anos.

Portas, coelhos e cinzas

Paulo Portas (esq.) e o Coelho Primeiro Ministro
Votaram neles?
Agora podem festejar. Ou ficarem calados, a escolha é do Eleitor.

Eis o que acontece quando como Ministro dos Negócios Estrangeiros temos um mordomo dos Estados Unidos.
O Governo português decidiu reconhecer o Conselho Nacional de Transição da Líbia como a “autoridade governativa legítima da Líbia até à formação de uma autoridade transitória”, revela um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros enviado à agência Lusa.
Na texto do documento, o Ministério esclarece que a decisão “reflecte o reconhecimento do papel que o Conselho Nacional de Transição desempenha na liderança do processo de transição na Líbia e obedece à melhor ponderação dos interesses de Portugal, cuja política externa deve ter em linha de conta o relacionamento futuro com a Líbia”.

Portugueses mais ricos

1º: Américo Amorim
Portugueses!

Eis uma boa notícia: estamos ricos.
Não "todos", mas alguns.

E a boa notícia não acaba aqui: estamos mais ricos!

A seguir a lista dos homens mais ricos de Portugal.
A fortuna dos 25 mais ricos de Portugal aumentou 17,8 por cento, somando 17,4 mil milhões de euros, revela a lista anual liderada por Américo Amorim.

O mais rico é, desde há quatro anos, sempre ele: Américo Amorim. Os activos do accionista da Galp Energia e da corticeira Amorim cresceram 18,2 por cento face à lista do ano passado e atingem, agora, os 2,6 mil milhões de euros.

Quando Jesus fala...


Um leitor Anónimo enviou um  texto com o pedido de publicação.

E eu publico porque, embora o texto em questão seja bastante comprido (e "comprido" é uma metáfora), não faltam pontos de interesse.

Em primeiro lugar temos a simbologia.
Quem trata de questões ocultas sabe quanta importância tenham os símbolos.
E, em caso de dúvida, é só pegar numa nota de um Dólar e observar o conjunto de desenhos e palavras para perceber.

Depois temos um fenómeno literário, Alexandra Solnado, que farta-se de vender livros em nome de Jesus. Solnado faz parte dum fenómeno new age, uma "revisitação" da religião.
O que não tem nada de mal, em princípio.

Mas que esconde um perigo: e se estes fenómenos não fossem o que parecem ser? Se alguém estivesse a utilizar estas "crenças" para outros fins? Como podemos ter a certeza de que não haja este género de risco?
Isso sem contar outros aspectos, que têm a ver com o dinheiro e a essência da religião.

Eu desconhecia por completo a existência de Alexandra Solnado: mas desconfio dum Deus que prepara cursos karma na internet e que tenta ganhar com isso.
Talvez seja lógica evolução, talvez eu esteja simplesmente a ficar velho, não sei.

O pobre inimigo

Só como curiosidade.

The Washington Post informa que os fundos do governo dos Estados Unidos destinados a promover negócios no Afeganistão, chegaram ao bolso dos Taliban, a meio de algumas empresas de transportes.

Total: 2,16 bilhões de Dólares, o que não é nada mal de todo.

Citando os resultados dum ano de investigações militares, o jornal admite que os esforços norte-americanos e afegãos para resolver o problema têm sido lentos, e todas as oito empresas privadas de camionagem envolvidas nas transferências de dinheiro ainda estão na folha de pagamento dos Estados Unidos.
Não só, mas o Pentágono acabou de estender o contrato por outros seis meses no último Março.

27 julho 2011

Piri Reis, o Turco

Anteontem o Canal História (se lembro de forma correcta) transmitiu um interessante documentário acerca do mapa de Piri Reis.

Quem trata de coisas "estranhas" já conhece o assunto.
Quem não conhece, pelo contrário, terá um bom argumento acerca do qual reflectir.
Quem não conhece e não liga, pode sempre observar os mapas, bonitos e cheios de cores.
Nem as cores? Tá bom, mas há algo que consiga despertar um mínimo de interesse? Não se pode viver assim, sério, tentem fazer algo.


Dizia: Piri Reis. Mas quem era este fulano?


Piri Reis, o turco

Piri Reis nasceu na cidade de Gallipoli, na Turquia, entre os anos 1465 e o 1470, pois ao que parece na altura era possível escolher a data mais simpática.
O tio dele era Kemal Reis, almirante da Marinha Otomana. Não que isso interesse muito, mas de facto teve consequências na vida do jovem Piri, que decidiu seguir as pegadas do parente.

Piri teve uma vida cheia de viagens e de aventuras, até que um dia aceitou um suborno (vicio antigo este) e o Sultão turco, que era pessoa misericordiosa, fez-lhe cortar a cabeça. O que parece ser uma medida eficaz, pois quem fica decapitado raramente volta a ser pessoa corrupta.

Os Verdadeiros Valores

Um tema que de vez em quando aparece nas páginas deste blog: "a culpa é dos outros".

Sem dúvida.
Google disponibiliza um instrumento para conhecer (e comparar entre eles) os termos mais procurados na internet. Afinal, é o espelho dos nossos desejos.

Vamos espreitar?
Vamos.
E lembrem que podem clicar nas imagens para ampliar.

Sexo vs. Nova Ordem Mundial
A Nova Ordem Mundial não interessa muito, praticamente nada.
O que interessa é o sexo.

Paciência


Desemprego real 17%?
Paciência.
44 milhões de cidadãos que dependem dos foods stamps para viver?
Paciência.
14 trilhões de dívida pública?
Paciência.
Minnesota e companhia que suspendem milhares de salários?
Paciência.
Economia do País que abranda?
Paciência.
País à beira do default?
Paciência.

Não são estas as coisas que contam.
O que conta é que Coca-Cola, IBM, Intel, Google, Volkswagen e BMW, Boeing e muitos outros ainda possam apresentar úteis recordes, com previsões (outlook) positivas e um mar de dinheiro nos cofres.


Achuthan e Reich

Lakshman Achu
Lakshman Achuthan, um dos poucos capaz de poder "ler" o mercado (trabalha com o ECRI, o indicador que "mede o pulso" da economia), prevê um abrandamento da economia americana?

Paciência.

E depois qual o problema? Os Estados Unidos são apenas um dos mercados, tal como a Europa, e cada vez o seu peso específico será menor.

Robert Reich é o ex-Secretario do Trabalho da época Clinton: é o autor de livros (eis algumas dicas editoriais) como Supercapitalism: The Transformation of Business, Democracy, and Everyday Life (2007) e Aftershock: The Next Economy and America's Future (2010), mas sobretudo é um dos poucos analistas que consegue ver o que se passa nos Estados Unidos:

26 julho 2011

A Grande Orelha

Rupert Murdoch. As interceptações. A privacy violada. Os jornalistas. O governo.
Tudo verdadeiro.
Mas...

Prontos para uma viagem no tenebroso mundo dos espiões?
"O meu nome é Incorrecta. Informação Incorrecta"


Echelon, a Grande Orelha

Mas se existisse um sistema que escuta todas as comunicações. De privados, de políticos, de governos, de embaixadores, de chefes militares. Todas mesmo. Não seria terrível?

Pois seria. Ou melhor, não "seria", mas "é". Pois este sistema existe há alguns anos e é normalmente utilizado.

Não é ficção científica, nem é preciso procurar nos sites "conspiracionistas" ou "complotistas". É só abrir Wikipedia.

Wikipedia??? O site mais obscurantista do planeta e arredores? Exacto, a enciclopédia online que tudo sabe e tudo explica desde que não contradiga a versão oficial.

Terras Raras


E falamos de terras raras.

Enésimo exemplo de como as notícias importantes não encontram espaço nos media.

Recentemente, a OMC, a Organização Mundial do Comércio (um dos três membros da sagrada autoridade de Washington, juntamente com o Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial) publicou um relatório especial, cujo título técnico é aparentemente inócuo e trata de exportações .

Parece existirem 30 novas restrições que surgiram em vários Países, restrições que impedem ou limitam a exportação de certas matérias-primas. E se trata de matérias-primas em quase todos os casos cruciais: alimentos, carvão, ferro, terras raras.

Os números dizem que, entre Outubro de 2010 e Abril de 2011, foram 30 os casos de matéria atingidas por aumento dos impostos sobre a exportação ou até reais proibições. Protagonistas são China, Índia, Vietnam e Indonésia. Mas também os EUA limitam alguns produtos, que consideram estratégicos.

O ponto é exatamente este: não há razões económicas, mas estratégicas.

Escalas


Pronto, chegou a altura de ser claros, duma vez por todas. E que raio.

Diz o Leitor Manuel:
[...] Mas enfim, em qualquer caso gosto muito do blog; só não me agrada pouca exactidão com os números, por isso lhe peço, caso possível, que os verifique antes de publicar. Já agora, que nomenclatura utiliza: 1 bilião é um milhão de milhões ou um milhar de milhões?
Ora bem, eis um problema que se arrasta desde a abertura do blog, pois Manuel não foi o primeiro a levantar a questão. E agora vamos, duma vez por todas, resolver o assunto. Talvez.

O nome, o helicóptero e o barco

Bah...
A ideia não era escrever outra vez acerca do que se passou na Noruega, mas o facto é que as notícias começam a chegar com um ritmo não esperado.
E são notícias esquisitas.

Neste caso a fonte é fidedigna, até é pública. Por isso reporto a notícia que, desta forma, qualquer Leitor pode verificar.

Um jornalista britânico (ainda há alguém que gosta do próprio trabalho, pelos vistos) pergunta como é possível que a polícia norueguesa conhecesse o nome do atentador ainda antes que o massacre tivesse acabado.

Parece inacreditável, não é? Pois.

Ao longo da transmissão de Channel 4 News, na passada Sexta-feira, o jornalista Jon Snow perguntou "porque a polícia conhecia o nome do killer na altura em que chegou à ilha?".

Pergunta que pode ser confirmada no blog do diário Telegraph (ver links abaixo). Segundo Snow, Anders rendeu-se na altura em que a polícia chamou o nome dele.

25 julho 2011

Sem Nato não há felicidade

O simpático Rasmussen
O Secretário Geral da Nato, Sua Excelência o Sublime Anders Fogh Rasmussen, adverte: a Europa tem que investir mais na defesa e na intelligence, tendo como objectivo uma melhor gestão das crises internacionais.

Também lamenta que a organização dependa de Washington para resolver os conflitos.

A influência a e leadership da Europa na cena internacional pode reduzir-se caso os cortes na defesa continuem.

Dito entre nós: é verdade, Rasmussen tem toda a razão!
Agora, cortem nos salários, cortem nos serviços de saúde, cortem nas reformas: mas por favor, não cortem nas armas, é uma questão de leadership. E que fazemos depois sem leadership?

EUA: mais além. E ainda um pouco mais.

Enquanto os media gostam de entreter-se com as aventuras de Anders Behring Breivik, o alegado autor dos massacres da Noruega, o resto do Mundo continua a ir em frente. Ou a ficar parado, como no caso dos Estados Unidos.

143.000.000.000.000

Resumo dos episódios anteriores.

O simpático Barack Obama acabou o dinheiro. É uma pena, pois ainda há muitas contas para pagar.

Normalmente este não seria um problema: falta dinheiro? Vamos criar dívida. É só emitir Títulos de Estado, aplicar uns bons juros e pronto, dinheiro como se chovesse.

Só que nos Estados Unidos existem leis segundo as quais há limites: nem o bom Obama pode endividar-se até o infinito.

São leis que foram criadas mesmo para evitar que o País ficasse refém dos investidores, isso é, de quem compra os Títulos de Estado; e para obrigar os políticos a ter um mínimo de responsabilidade e não viver apenas à custa da dívida.

O simpático Obama sabe disso e responsavelmente pensa: vamos modificar as leis.

24 julho 2011

Senhoras e Senhores, Leitoras e Leitores, Amigas e Amigos, Portugueses e não Portugueses, Italianos no estrangeiro, apresento-vos um artigo do inventor do Grande Concurso Saraiva: é ele...como se chama? Ah, pois: Saraiva!

A verdade é que Saraiva envia um texto bem complicado. Não no sentido gramatical ou sintático: complicada é a questão de fundo: existe Deus? E se sim, quem é? Qual é? Qual deve ser o nosso relacionamento com Ele?

E haveria ainda mais perguntas. Mas antes vamos ler o texto.

Peço o favor de ler:

Quem somos nós?
Sempre me questionei sobre quem somos nós seres humanos?
Qual o nosso papel naquilo que chamamos de vida e qual o objectivo de tudo isto?

É verdade que nunca foi uma coisa que me questionasse diariamente, pois quando digo que "sempre" me questionei, refiro-me ao facto de ter sido uma questão constante ao longo da minha vida, desde que me lembro de ter tomado consciência e ter durado até à bem pouco tempo, altura em que assumi uma doutrina e percebi o grande quadro de tudo isto.
Uma coisa me apercebi que é transversal a toda a gente - as questões existenciais. Toda a gente se questiona, ou se questionou em alguma altura da vida, sobre o assunto e cada um toma a sua posição baseando-se nas suas crenças.

Oslo e coincidências

Ainda pouco sabemos acerca do atentado de Oslo.

Uma afirmação esquisita: afinal conhecemos o número dos mortos (92 vitimas), as modalidades e temos até quem já confessou o crime (o simpático Anders Behrin Breivik).
O que falta? O movente? Não, temos o movente: temos um movente de 1.500 páginas, escrito pelo mesmo Anders.


2083 Declaração de Independência Europa

Neste memorial, Anders explica que está a preparar o atentado desde o Outono de 2009.
Pormenorizado, nele invoca o uso do terrorismo como forma de "acordar" as massas e avança que será lembrado como o pior monstro desde a Segunda Guerra Mundial.

Não falta nada: símbolos celtas, traços dos Templários, a pesquisa do Sagrado Cálice, a cruz de Jerusalém.

Como se isso não fosse suficiente, Anders deixa fotografar-se com o traje maçónico (difícil imaginar um chamariz melhor: milhares de sites e blogues têm agora material para os próximos meses), declara ser profundamente cristão, anti-muçulmano, ex membro dum partido de Direita.

Por isso comprou seis toneladas de fertilizante, para confecionar as bombas.

Tudo certo, tudo resolvido então?
Não.

23 julho 2011

Nobel, fármacos e dinheiro

Nobel.
Um prémio que todos os actores gostariam de receber...não, aquele deve ser o outro, o Oscar.
Tentamos outra vez.

Nobel, um prémio que todos os cientistas gostariam de receber. Porque representa o máximo reconhecimento do mundo académico.
Talvez.

Vamos conhecer melhor esta que é uma das instituições mais famosas do mundo.


O filantropo explosivo

Alfred Nobel  (1833-1896)
Era uma vez, na Suécia, um homem chamado Alfred Nobel que, para matar o tempo nas longas noites geladas escandinavas, inventou a dinamite.

Com a dinamite, o bom Alfred conseguiu matar também o irmão, mas a descoberta forneceu ao autor a imortalidade (coisa que não pode ser dita para o irmão, evidentemente).

Atormentado por problemas de consciência ("Será que a minha invenção será desfrutada para finalidades bélicas?"), decidiu incluir no próprio testamento uma doação de 32 milhões de coroas para que, em cada Dezembro, fossem premiadas as personalidades que mais tinham conseguido prestar grandes serviços à Humanidade.

No ano seguinte decidiu morrer e pouco depois, em 1900, foi criada a Fundação Nobel, cuja primeira dúvida foi: e agora onde vamos arrumar estes 32 milhões de coroas? Estabelecido que as coroas afinal eram moedas, em 1901 começaram a ser entregues os prémios.

22 julho 2011

Atentados na Noruega (actualizado)

Há dois dias tinha dito a Margarida: "Guida, vai acontecer algo muito em breve".
Não, não tenho dotes proféticas. Simplesmente tira um ar pesado, muito pesado e não é difícil prever algo de estranho. Como Al-Qaeda na Noruega, por exemplo.

Posso acrescentar mais algumas coisas? Isso não vai ser tudo.
Mas começamos com Oslo.


Dívida em molho europeu

Ontem estava a fixar o ecrã e a pensar: "Inacreditável: as Mentes Pensantes conseguiram pensar".

Uma coisa que faz em certo efeito, até para um ex-europeísta convencido como eu: já havia motivos para sair na rua, começar a buzinar, lançar foguetes.

Na televisão era anunciado não um plano de salvação mas directamente "A Salvação", as Bolsas davam saltos em frente nunca vistos enquanto os jornais fadigavam a encontrar adjectivos hiperbólicos com menos de 32 letras.

Problema: onde raio estava o texto do acordo?
Porque uma coisa é ler os proclamas das Mentes Pensantes, outra coisa é ler o seu pensamento, preto no branco.

E eis o que realmente as Mentes deram à luz.

Paraísos Fiscais: os bancos

Já ouviram falar de "Paraísos Fiscais"? De "Offshore"?

Um Paraíso Fiscal é um Estado (ou região autónoma, como no caso da Madeira) onde a lei facilita a aplicação de capitais estrangeiros, com tributação muito baixa ou nula.

Na prática: eu tenho uma empresa, para pagar menos taxas (ou até nada de taxas), escolho como sede um Paraíso Fiscal.

Um empresa pode ter duas sedes: uma "oficial", no País de origem, outra num dos tais Paraísos (a assim chamada "Offshore").
Como as autoridades do Paraíso garantem o sigilo bancário absoluto, ninguém pode saber algo acerca das minhas contas (nem sequer se tenho uma conta), o que facilita a reciclagem de dinheiro e operações que em outros Países seriam proibidas.

Um bom Paraíso Fiscal, em resumo, possibilita a criação de empresas e contas "fantasmas", para onde são canalizados recursos originados de forma ilícita ou destinados, por exemplo, à corrupção e ao tráfego de droga.

21 julho 2011

Sem comentários

Desta vez não comento. Porque não é preciso.
Eu reporto as duas notícias, depois toca ao Leitor reflectir.

E nem é preciso escrever um comentário.
Reflictam em privado, apenas alguns segundos, em frente do ecrã.


Notícia nº 1:
As sanitas com descargas de água potável foram inventadas há 200 anos (uma inovação que permitiu salvar milhões de vidas), mas desde então não sofreram nenhuma alteração radical, apresentando-se agora como desadequadas em relação às questões ecológicas, para além de inacessíveis a um terço da população mundial.
O impacto dessa situação levou a que a fundação de Bill e Melinda Gates tenha anunciado, ontem, a criação de um fundo de perto de 30 milhões de euros para a reinvenção das casas de banho, através de uma solução barata, acessível e eficaz. O fundo foi distribuído por oito categorias e atribuído a universidades que estão a desenvolver projetos nessa área. 

Um Nobel sabe

Há pessoas que sabem e outras que não sabem.
É por isso que existem os especialistas.

Nós não sabemos, por isso dependemos das pessoas que sabem. Estas passaram a vida a estudar, a preparar-se, a pensar. Por isso, quando falam, temos que ser humildes e aprender.

E se o especialista em questão até ganhou um Nobel? Neste caso o silêncio é de ouro: cada sílaba tem de ser gravada, pois um Nobel não é estúpido e sabe o que diz.

Paul Samuelson nasceu em Gary, uma pequena cidade do Indiana, Estados Unidos, em 1915, duma família israelita.
Conhecida Gary por via das empresas siderúrgicas e pela alta taxa de criminalidade, Samuelson tinha a possibilidade de trabalhar perto dum alto-forno ou nas ruas da violência.
Escolheu simplesmente não trabalhar e ser economista.

Fora daqui

Não existem apenas notícias negativas.

E gostaria de dedicar algumas linhas a um dos maiores resultados do Homem.

Qual Homem? Não, digo, o Homem no geral.
Ah.

Falo da missão dos rovers Spirit e Opportunity, em Marte.
Pensamos nisso. Ok, pensamos.
Já acabou? Não, nem comecei.

O Homem conseguiu construir algo que não destrói nada, não mata, não tenta vender produtos financeiros e nem vive de juros. Já isso é digno de nota.
Os mesmos técnicos da Nasa ficaram tão maravilhados que tentaram repetir a obra, o que resultou, com grande espanto geral. Nasceram assim as sondas Spirit e Opportunity.

Depois pegou nas duas criaturas e enviou-as em Marte, um lugar bem mais seguro do que aqui.

Lobisovelhas?

Há algo no ar. E não é só poluição.

O mundo árabe está em chamas.
Eu sei, pouco, às vezes nada aparece nos media.

Mas a verdade é que no Egipto, Praça Tahrir está de novo cheia: as pessoas ficaram desiludidas pela falta de reformas.

Zahi Hawass, Ministro da Antiguidade, apresentou as demissões e fugiu nos Estados Unidos (mesmo o lugar melhor, parabéns).

Da Síria sabemos o que sabemos: a versão ocidental, feita dum regime odiado pelo povo, de pessoas que querem liberdade; e as dúvidas ocidentais, em primeiro lugar: mas se todos odeiam o regime, porque não fazem como no Egipto ou nos outros Países?

Não deveria ser tão difícil, considerado o apoio dos Estados Unidos.

Não recebidos

Do Bahrein nada se sabe. O País que alberga a frota de Washington no Médio Oriente vive numa outra dimensão, feita de puro esquecimento. De vez em quando chegam fotografias ou vídeos de protestos, de confrontos, de mortos. Mas nada mais.
Ainda bem que existe Google Earth, caso contrário seria difícil acreditar até na existência dum País chamado Bahrein.

20 julho 2011

Vacinas, terrorismo, estupidez

As vacinas funcionam?

Afirmar que todas as vacinas são inúteis é um disparate. Tal como afirmar que toda as vacinas são úteis.

É suficiente confrontar alguns dados históricos para perceber que muitas doenças já estavam em fase regressiva aquando da introdução da vacinação e que o golpe de graça foi dado pelos novos hábitos dos homens: mais cuidado com a higiene pessoal, tratamentos dos resíduos mais eficientes.

Também temos o outro lado da moeda: doenças como a poliomielite efectivamente baixaram a própria incidência, e como a simples higiene ou novos hábitos pouco têm a ver com isso, é óbvio que as vacinas desenvolveram um papel determinante.

Infelizmente, recentes episódios no mínimo suspeitos (para não dizer verdadeiros embustes) como o caso da Gripe A (ou H1N1 ou Gripe Suína) não ajudam a esclarecer as dúvidas. Pelo contrário, favorecem a desconfiança: eis explicado porque são cada vez mais os pais na Europa que recusam as vacinas obrigatória para os filhos.
Só em Portugal são três mil as crianças que cada ano não são vacinadas (e a taxa de mortalidade não aumentou, diga-se).

O futuro do passado

As profecias sempre mantiveram um fascínio e não poucas pessoas dedicam-se à interpretação de visões antigas para tentar compreender os rumos do futuro.

Outros preferem ignorar ou denegrir as profecias, consideradas como uma forma de superstição ou de embuste.

A coisa engraçada é que ao mesmo tempo muitas destas pessoas admitem ter fé, serem católicas e acreditar na Bíblia, um texto recheado de profecias.
 
No entanto, um interesse obsessivo por estas questões leva inevitavelmente a perder o contacto com a realidade contingente e acaba com o ser contraproducente: viver na crença de que toda a possível realidade já foi preestabelecida causa imobilidade, pois se tudo já está planeado cada nossa ação ​​torna-se supérflua.

Ensaio sobre a cegueira

Se no nosso mundo existissem órgãos de informação dignos deste nome, o que segue seria de domínio público. Mas não é.  E isso é mal, porque ajuda a perceber um aspecto da actual crise que não é secundário.

Falamos de bancos? Óbvio, quando houver algo de mal não é preciso esforçar-se muito: cedo ou tarde, no meio, acabará com o surgir uma instituição bancária. Parece uma lei da Natureza.


A Grécia e o buraco sem fim

É bem documentado que os grandes bancos, como Goldman Sachs, ganham dinheiro apostando contra os investimentos que eles mesmo prepararam e venderam aos clientes.

Já falámos disso há muito e esta pratica tem piorado a crise dos subprimes nos Estados Unidos, por exemplo.

Seria possível observar que esta é uma conduta imoral e ilegal, mas não vamos tratar agora destes insignificantes pormenores.

Vamos, pelo contrário, perguntar: mas os bancos limitaram-se aos privados ou fizeram o mesmo com os Estados?

19 julho 2011

Maria e a vida

Eis o primeiro texto premiado do Grande concurso Saraiva: o texto de Maria, um bom texto, sem dúvida.

Um grande "obrigado" e um abraço para Maria!


Pergunta muito boa!

Acho que nunca tinha parado a pensar sobre porque eu, que não levo fé na maioria e na maior parte das coisas, acredito nas minhas crenças. A primeira resposta que me aparece...É, devo ser muito pretensiosa...É possível que sim, admito que sim, mas reconheço que minhas crenças nunca são definitivas.
Por sinal, mudaram bastante ao longo do tempo.

E, em função de que mudaram? Tempo, eis uma palavra chave para ensaiar motivos. Tempo que julgo poder apelidar de experiência de vida porque foi um tempo que não rolou simplesmente.

A queda de casa Murdoch e o controle mediático

Rupert Murdoch
O caso Murdoch.

O magnate da informação, o simpático australiano Rupert Murdoch, dono dum império com bem poucos limites, está em crise. Não económica.

O problema é que um dos seus jornais, o News of the World, fez tudo o que é vivamente desaconselhado fazer: escutas ilegais, chantagens, corrupção.

Objectivo? Vender mais cópias.

Uma tristeza.

Vamos gastar duas palavras acerca do assunto?
Acho que sim. Afinal é um bonito retrato do mundo dos media.

Rebecca Brooks algemada, James Murdoch investigado, Rupert Murdoch no parlamento britânico, o chefe do News of the World algemado, o chefe da Scotland Yard demitido: o escândalo da News Corp, lançado pela News International (uma divisão da News Corp) é explodido.

A News Corp está a viver o seu momento mais difícil.
Ou talvez estamos apenas a testemunhar a queda dum outro império, o império da News Corp de Rupert Murdoch.

A metástase dos juros

Vamos enfrentar um assunto importante para perceber a nossa sociedade e todo o Capitalismo: os juros.

Os juros são hoje considerados normais, indispensáveis para o funcionamento dum qualquer banco.
De facto, parece normal: o banco empresta dinheiro, o banco ganha uma percentagem do dinheiro emprestado.

É isso normal? Sim, na sociedade contemporânea é normal.
Este é o conceito de juro? Sim, e de usura também.

Pois temos que entender uma coisa: "juros" e "usura" são a mesma coisa. A única diferença é que a usura é um juro "excessivo". Mas que significa "excessivo"? Quem estabelece quando um juro deixa de ser legal e torna-se usura?

Não existe uma lei natural que possa ajudar: é o homem que decide isso. A demonstração é que a "fronteira" entre juros e usura não é igual em todos os Países.

Mas vamos com ordem.

Obrigado

E agora, donde começo?

Sinceramente fiquei surpreendido.

Que dizer, até estava à espera de alguém que comentasse de forma ressentida, tipo "mas quem raio pensas de ser tu e o teu estúpido blog".

Não apenas não aconteceu isso, mas o post anterior teve 10 comentários mais os e-mails, alguns dos quais deixaram-me comovido.
Sério, digo mesmo "comovido".

Até Leonardo para festejar começou a dormir. 
Enfim, um gajo pensa "Pronto, é desta que vou livrar-me do blog" e não é: não criei um blog, criei um monstro, uma espécie de Frankestein que agora não me deixa.

Ok, agora de forma séria.
1 ano ainda é um período muito curto para querer mudanças, comparado aos milênios que fomos enganados..
Talvez seja isso. Já disse que sou uma pessoa extremamente impaciente? Meu defeito, reconheço.

18 julho 2011

"Nada de chatices" disse a gaivota.

Do farol de Cabo S.Vicente olho para baixo: o dia é limpo, mas aí, no fundo, as ondas das duas correntes cruzam-se, criando remoinhos e vórtices que acabam nas rochas afiadas.

O vento é forte, tal como os gritos das gaivotas que mal conseguem aterrar nas encostas e que blasfemam contra uma Natureza tão árida de calma.

Eu fico admirado. Olho para as ondas e pergunto como foi possível que alguém subisse nos pequenos cascos de madeira e escolhesse enfrentar um mar do qual não se conheciam os limites. Únicas perspectivas: ficar longe de casa ao longo de alguns anos e encontrar novas terras. Se é que existem.

Eram homens ou doidos varridos? Heróis ou simples inconscientes? Seguiam apenas um sonho de riqueza ou algo mais?
Não era apenas a riqueza. Havia maneira de seguir o dinheiro aqui, ficando nas confortáveis ruas de Lisboa, de Madrid, de Roma. Havia algo mais, talvez uma chama que deveria arder em cada um de nós.
Uma chama que morreu.

67 minutos? Bastam 10. E um cão.

Que seca.

Um pessoa parte, vai explorar o lendário Reino do Algarve, e ao voltar encontra a mesma situação que tinha deixado? Não há um mínimo de fantasia, nada?

Às 12,30 todas as Bolsas do Velho Continente estão em vermelho.
Os juros da dívida portuguesa a dois anos sobem até 19,89%, a três anos 20,43%.
Crescem também os juros dos Títulos da Grécia, da Irlanda, da Espanha, de Italia.

Depois há os stress-test dos bancos.
Seria inútil falar do assunto, mas é importante realçar o masoquismo europeu para perceber uma coisa que já foi dita e que vale a pena repetir as agências de rating não criam situações de sofrimento, limitam-se a explora-las.

E o stress-test é um bom exemplo. Qual o sentido dum teste no qual o pior cenário (e realístico em perspetiva) não é contemplado? O stress-test da semana passada não consideraram uma hipótese que parece cada vez mais provável: um default soberano, um falência ou bancarrota, escolha o Leitor o termo melhor.

A mesma Société Générale S.A., banco francês e maior sociedade de serviços financeiros do Velho Continente, assim comenta:  "It Does Not Reflect Reality", não reflecte a realidade.

15 julho 2011

Intervalo: até Segunda-feira!

Ao caminho do Algarve com Leo
Queridos Leitores,

quando estará a ler estas linhas, já será tarde: terei abandonado o doce berço de Almada e estarei num ponto indefinido entre o Norte e o Sul do Planeta, rumo à novas aventuras e indescritíveis perigos.

Pois esta é a verdade, o bom Max parte para uma missão científica: a exploração do lendário Reino do Algarve, para que a Humanidade possa arrumar outro véu de ignorância.

Ao longo dos próximos dois dias (talvez três, quem sabe o que o fado tem guardado para nós?), esta terra misteriosa será percorrida na tentativa de recolher úteis informações que possam ajudar a desvendar os muitos quesitos que ainda envolvem esta longínqua zona de Portugal.

Poucas as notícias. Sabemos que foi o último reduto dos Árabes, pelo que os habitantes ainda têm nomes como Zé Moahmed ou Nuno Abdul.

Conhecemos os nomes das principais aldeias: Faro, cuja origem é desconhecida e na qual nem mora ninguém; Lagos, assim chamada por ficar à beira mar; Sagres, onde foi inventada a cerveja; e Portimiau, a cidade dos gatos.

14 julho 2011

A velha receita (Áudio)


Um pouco por toda a Europa surgem especialistas da crise. Pessoas que até 2008 louvavam o sistema económico-financeiro baseado no eterno crescimento e na dívida infinita e que agora, de repente, devem fazer as contas com a realidade.

As mais afectadas são sem dúvida as instituições que nas últimas décadas ensinaram aos estudantes como entrar no mundo encantado das Bolsas e sair com as carteiras bem recheadas.

Agora a ordem é outra: encontrar receitas para que tudo possa voltar tal como era antes, sem perceber que o novo "antes", em qualquer caso, teria vida curta, pois desta vez foram abaladas as fundamentas do sistema.

E um verdadeiro regresso não será possível.

Alguns especialistas da Universidade Bocconi di Milano, a mais conceituada em Italia na área económico-financeira, acabam de publicar uma espécie de Manifesto Neoliberista que é particularmente interessante, pois repete as mesmas receitas já vistas em outros Países, tais como Grécia, Irlanda e Portugal.

Não funcionaram na Grécia, em Portugal levarão o País à recessão, mas os neoliberistas continuam com a inabalável confiança de quem não entende a realidade.

Vamos ler alguns trechos.

Coisas de mulheres

Falamos de moda?
E porque não? Afinal sempre sociedade é.

A revista Elle propõe este completo para mulheres. Gosto. Da modelo entendo, parabéns aos pais pelo óptimo trabalho; mas a roupa?


A t-shirt cheia de buracos, que minha mãe deitaria no lixo ralhando pelo facto de ter um filho que tem idade para ter juízo e ainda veste camisolas arruinadas que depois os vizinhos o que pensam "olha, nem o dinheiro das camisolas têm" e passamos uma vergonha, na verdade é um objecto muito fino e custa o equivalente a 411 Euros.

Pouco? Sim, mas é pelo facto de pertencer à colecção 2010: no ano passado custava 1.624 Dólares, mais ou menos 1.150 Euros.

Agora, tentamos ser sérios: 411 Euros uma camisola que estava na moda no ano passado? Mas que é isso?

Estados Unidos contra a China?

Esta semana, vários analistas têm observado que em 2016 a economia chinesa superará os EUA.
Isto de acordo com as últimas projecções do Fundo Monetário Internacional, com base nos dados das Perspectivas Económicas Mundiais de Abril.

Não falta muito até 2016, e será a primeira vez em mais de um século que os EUA não serão a maior economia do mundo.

Mas que significa isso?

Em flecha

A China teve o crescimento mais rápido do mundo económico das últimas três décadas, crescendo 17 vezes mais em termos reais (tendo em conta a inflação) desde 1980.

A maior parte deste crescimento recorde ocorreu entre 1980 e 2000, enquanto o resto das economias em desenvolvimento tiveram que enfrentar problemas devidos por causa das mudanças na política neoliberal (como a liberalização do comércio e dos fluxos de capital, mais restritivas políticas fiscais e monetárias e até mesmo o abandono da estratégia de desenvolvimento previamente positiva).

A China, obviamente, não adoptou essas mudanças políticas, que foram promovidas por Washington através de instituições como o FMI ou o Banco Mundial.

Estados Unidos contra o Euro?

Dúvida: mas se as agências de rating atacam a Zona Euro, e considerado que tais agências são americanas, isso significa que os Estados Unidos querem fazer ruir a moeda única europeia?

Sim. E não. Não é tão simples.

Rating: não cria, desfruta

Os acontecimentos são conhecidos: antes a Grécia, depois Irlanda, Portugal; agora Italia, Espanha, no futuro imediato Bélgica e a seguir França.

Todos Países aos quais as várias Moody's, Standard And Poor's e Fitch's baixaram o rating, causando pânico e vagas especulativas.

Em primeiro lugar, volto a repetir ainda uma vez: as agências de rating não criam situações, limitam-se a explora-las.

No máximo podem "empurrar" um bocado, mas para que haja uma queda é preciso que a situação seja má já por si.

A Grécia não pediu ajuda por causa de Moody's: a Grécia pediu ajuda porque a própria economia colapsou, sendo altamente deficitária. E o mesmo se passa com boa parte dos Países europeus.

A tal propósito, é bom lembrar que ontem o Banco de Portugal emitiu o próprio parecer acerca do futuro económico do País e que as conclusões alcançadas são as mesmas que levaram ao downgrade de Moody's. Obviamente os media não realçaram este facto, preferindo cavalgar a vaga da indignação nacionalista (que justifica e justificará os objectivos falhados pelo Governo e a troika FMI-BCE), mas os factos são estes.

Dito isso, é verdade que as agências de rating estão prontas a desfrutar as fraquezas para atingir na altura mais oportuna, enquanto bem diferente é a atitude delas com outros Países: por exemplo os Estados Unidos. Neste caso, as "Três Irmãs" ameaçam, avisam, fazem uma cara feia, mas não se mexem.

Isso significa que Washington quer a ruína do Euro?

13 julho 2011

1º Grande Concurso Saraiva

Primeiro encontro com o Grande Concurso Saraiva.

O tema é o seguinte: 

As minhas crenças: porque acredito nelas?

Data de entrega dos textos: até à Meia Noite da próxima Sexta-feira, dia 22 de Julho (é o primeiro concurso, há mais dias).

Endereço para o envio dos textos: informacaoincorrecta@gmail.com

Os Vencedores serão proclamados na Segunda-feira dia 25 de Julho.

Prémios:
1º Classificado: publicação do texto em post singular e mais nada.
2º e 3º Classificados: publicação do texto num post único e mais nada.

O júri, cuja decisão não pode ser posta em causa, é composto por um dos melhores e mais bem sucedidos pensadores da actualidade lusófona, Leonardo.

Lembramos as duas únicas regras:
1. Respeito pelo próximo
2. Nada de publicidade comercial ou política

E agora, toca escrever!

O concurso

O Nobre Leitor Saraiva teve uma ideia. Uma boa ideia acho.

Em verdade as boas ideias do Nobre Saraiva foram também outras, mas agora falamos duma delas: o Concurso para Leitores.
A minha outra ideia, a meu ver, é a mais exequível: criar um "Concurso de Artigos". desta forma passas a conhecer melhor as nossas opiniões e interesses. Podes criar temas semanais, bisemanais e podemos escrever sobre esse tema.
Passo já a sugerir alguns: "As minhas crenças: porque acredito nelas?", "Sou Primeiro-Ministro: o meu plano de acção", entre outras coisas que possam surgir.
A Assembleia Geral de Informação Incorrecta (Leonardo e eu) ficou reunida e após profunda discussão deliberou: que a vontade de Saraiva seja feita! Pois é simpática.

De facto, aqui no Velho Continente já estamos no Verão, muitos ficam na praia: aproveitem enquanto estiverem a assar debaixo do sol para escrever algo de único e ganhar prémios fantásticos. Mas fantásticos mesmo...

E no Brasil? É Inverno? Aproveitem enquanto fazem esqui no Pão de Açúcar, parem e escrevam algo de jeito para ser lembrados para sempre ou quase. Muito quase.

E no resto do Mundo? É Verão? É Inverno? Que interessa? Escrevam a ganhem a imortalidade.
Artística, óbvio.

As duas regras

Então vamos com algumas regras. Só duas, em verdade:
  • qualquer que seja o assunto, lembrem que os Leitores do blog são variados, têm várias origens, várias crenças, várias convicções. É importante não esquecer isso para não faltar ao respeito, o que pode acontecer também de forma inadvertida. 
  • nada de publicidade comercial ou partidária. Se uma pessoa for de Esquerda, por exemplo, então tem toda a liberdade de exprimir as próprias orientações políticas, mas nada mais do que isso.

Além disso, não vejo razões para outras regras.


Os Prémios

Por isso falamos dos prémios. Pois cada concurso digno deste nome terá que ter prémios.

O melhor texto será premiado com uma estadia de 10 dias para duas pessoas nas Ilhas Maldivas, em hotel de luxo (5 estrelas), serviços, extras e passagem aérea incluída.
Paga Saraiva.

O segundo melhor texto será premiado com uma estadia de 15 dias para duas pessoas no hotel Sushi Kamikaze, a 3 km da central de Fukushima, rico buffet de peixe local.
Pago eu.

O terceiro melhor texto será premiado com a satisfação de ter chegado em terceiro lugar.

Claramente, os três melhores textos serão publicados.
E os outros? Também, mas com menor destaque e sem prioridade, num post único (os primeiro têm post particular!!!).

Considerações finais.

Este não é um concurso de textos bonitos. Não faria sentido num blog cujo autor nem sabe utilizar os acentos. O que conta são as ideias. E se não conseguem escrever sem erros, contacte-me que eu resolvo sem problemas.

E se um Leitor quisesse participar mas ao mesmo tempo deseja o anonimato?
Então é enviar o texto e especificar: Para publicação anónima.
E assim será feito.

E as imagens? Um texto fica bonito com as imagens, não é?
Não há crise, eu procuro as imagens. Mas a pessoa pode enviar as próprias imagens, se assim quiser.

Nada mais? Nada mais.

Prontos para o primeiro Concurso?
Ah, não, o nome do Concurso...

Vamos ver: "O texto do Leitor"? Não, banal.

"O texto mais melhor" é bonito, pois já tem erro incluído.
"O Leitor é que sabe"? Simpático...

Eis o título: "Grande Concurso Saraiva".  Excelente!
Assim parece algo com sponsor e ao mesmo tempo tem um duplo sentido ("saraiva" descobri ser em bom Português uma forma de precipitação meteorológica sólida com diâmetro acima de 5mm) que nada tem a ver com o resto.

Então: prontos para o Grande Concurso Saraiva?
É já a seguir.

Da Europa e de outras anedotas

E porque não fazer o ponto da situação da Europa? Eh? Eh? Eh?

Boa ideia, vamos fazer o ponto da situação a Europa.

A situação não é boa. Aliás, é mesmo má. Mas quem segue este blog há alguns tempos não terá ficado surpreendido: tudo segundo os planos.

Para quem, pelo contrário, descobriu Informação Incorrecta só nos últimos tempos (e percebeu ter gasto a sua vida inutilmente até hoje), eis um breve resumo.

Não um resumo dos acontecimentos: isso é inútil. Grécia falida, Irlanda falida, Portugal falido, Espanha e Italia em coma, Moody's que faz downgrade um dia sim e outro também, as declarações, as reuniões. Muita cena, mas bem pouca substância.

Exemplos?
O Fundo Monetário promove a Italia: bem a redução do deficit e o empenho.
A Italia está a fundar e o FMI dá os parabéns. Mais: podem substituir o termo "Italia" com Grécia" para obter as mesmas declarações de Março e Abril do ano passado, antes da Atenas ser obrigada a pedir "ajuda".

O Etna, os relógios: o mistério continua

Sábado à tarde, a lava do vulcão Etna irrompeu ao longo dos flancos Sudeste e os ventos têm levantado as cinzas, provocando problemas no aeroporto de Catania Fontanarossa. 

Foi uma enorme erupção, a quinta desde o início do ano.

Na ocasião, milhares têm reparado nos relógios que ficaram 15 minutos adiantados.

Isso foi notado quando um grande número de moradores da zona acordou cedo para ir ao trabalhou e sobre o assunto foi organizada uma página Facebook para fazer uma comparação entre as várias observações.

O aeroporto de Fontanarossa reabriu às 07:00, quando as máquinas de limpeza conseguiram livrar as pistas das cinzas, após uma noite de trabalho. A causa do adiantamento dos relógios na ilha permanece desconhecida.


Quanto aos relógios. A situação não é nova e já tinha sido relatada no mês passado. 
O fenómeno interessa os relógios eléctricos, por isso relógios digitais ou com mecanismos ligados à corrente. Não importa que sejam relógios de pulso, radio-despertadores ou timer do micro-ondas: de repente todos começam a correr, ganham 15 minutos e assim ficam.

Pode estar tudo relacionado com a erupção? O facto é que os relógios enlouquecidos estão presentes em toda a ilha, não apenas na província de Catania onde "reside" o Etna. 

A Grande Depressão (Áudio)

E aqui estamos. Um artigo disponível em duas versões: escrita, o que não é grande novidade, áudio para os mais corajosos.
Em qualquer caso as palavras são a mesmas, pois desta vez outra coisa não fiz a não ser ler. Ou pensavam que ia aprender tudo de cor?

Boa leitura. Ou boa escuta.





Ao longo de alguns tempos houve uma idade de ouro.

São os números que falam: entre 1925 e 1929, as empresas americanas aumentaram de 183.900 para 206.700.
O índice de produção tinha passado, entre 1921 e Junho de 1929, de 67 para 126. No ano do crack, Detroit tinha produzido quase 5,4 milhões de carros.

Tinham nascido indústrias de electrodomésticos, com máquinas de lavar, geladeiras, rádios, etc. o que levou a produtividade industrial ao longo da década para 43%, mas com os salários que tinham aumentado apenas 20%.

Assim, a diferença entre o crescimento da produtividade e dos salários fazia engordar os lucros das empresas de todos os sectores, e, claro, fazia também aumentar de forma anormal o valor das ações na Bolsa de Valores.

A febre frenética desses títulos, em seguida, saiu do controle.

O crescimento sem pausas, a política do dinheiro fácil, a febre do lucro, acabou com o infectar todos, e jogar no mercado das acções tornou-se vulgar: escolhiam-se os títulos mais fortes, antecipava-se apenas 10% do valor (the Margin), tudo o resto era lucro.

Os Títulos cresciam, as pessoas acumulavam fortunas, todos estavam satisfeitos. Mas o desequilíbrio entre a produção e o consumo, bem como a insuficiência dos meios de pagamento (o Margin) não podia durar indefinidamente.

Cedo ou tarde alguém tinha que fechar os buracos.

12 julho 2011

A espertalhice da Optimus Clix

Não costumo utilizar o blog para relatar problemas de carácter pessoal. Mas neste caso vou abrir uma excepção, pois acho que isso pode ser útil para alguns leitores.

No dia 26 de Novembro de 2007, aqui em casa assinamos um contracto dom a operadora de telecomunicações Clix para o fornecimento dos serviços internet, telefonia fica e televisão.

No dia 10 de Maio de 2010 o contrato foi anulado, pois encontramos melhores condições na proposta de outro operador.
Por parte da Optimus, nova dona da Clix, silêncio.

Passados alguns meses, começaram a chegar pedidos de pagamento, com a seguinte motivação: ainda o equipamento da Optimus Clix estava na nossa posse. Até recebi alguns telefonemas. Após estes últimos, fui ler o contracto, a versão original assinada com a Clix.

A miragem da anestesia

No Quênia, em áreas como Turkana, no Vale Rift, e as províncias do Nordeste, Leste e Oeste, as intervenções cirúrgicas são realizadas sem o uso de anestésicos.

Esta é a queixa do Presidente da ONG Kenya Treatment Access Movement (Ketama), James Kamau, que também diz que o anestésico pode ser encontrado apenas em Nairobi e em alguns hospitais provinciais geral.

Segundo os especialistas e as associações da sociedade civil, a responsabilidade pode ser atribuída a um nível corrupção na burocracia particularmente elevado.

Enquanto isso, Willis Akhwale, chefe do "Controle das doenças" do Ministério da Saúde, pediu aos fabricantes dos medicamentos para desempenhar um papel importante nesta batalha, especialmente no que diz respeito à produção local de medicamentos.

...e fechem as janelas!

Aniversário triste para os Estados Unidos.

No dia 4 de Julho, o País festejou fez 235 anos, mas há oito meses está a enfrentar uma série impressionante de desastres naturais.

Entre relatos de queda de neve, tornados assassino, incêndios, inundações e transbordamento de rios, os danos estimados totalizam cerca de 3.000 milhões de Dólares.

Só para lembrar, em 2010 o PIB dos Estados Unidos foi de 14 mil milhões. Portanto, uma percentagem significativa da riqueza nacional.

E até o final do ano, o número pode até dobrar.

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