11 novembro 2016

Trump?

Assim ganhou Trump.

Não foi suficiente una campanha mediática como nunca vista antes contra um candidato presidencial; não foi suficiente o apoio de Barack Obama; nem foram suficientes os milhões de Wall Street ou das grandes corporações.

Trump ganhou na mesma e ganhou bem: não apenas segurou o Congresso (a partir de agora em mãos republicanas), como também conseguiu vingar em Estados que do ponto de vista democrata eram dados como "certos" (é o caso do Wisconsin).

Surpresa? Sim. A vitoria da Clinton parecia óbvia, ai ponto que a ultima sondagem de ontem dava Hillary em vantagem de três pontos percentuais. Claro, havia quem, como Michael Moore, previa o triunfo de Trump, mas eram sempre vozes fora do coro.

Hoje as reacções. Circula a teoria segundo a qual Hillary perdeu porque depois dum Presidente negro os americanos não queriam um inquilino da Casa Branca mulher. É uma explicação infantil e superficial. A Clinton perdeu por causa das suas incapacidades: não conseguiu afastar-se da imagem de pessoa ligada ao establishment, aos interesses das grandes corporações; não conseguiu criar-se uma imagem original, apostou na continuidade. Mas hoje os democratas constituem, paradoxalmente, a vertente política mais conservadora do Pais, os mais ligados a elite (da qual, de facto, a Hillary faz parte).

03 novembro 2016

Interrupção

Pessoal, lamento informar que Informação Incorrecta ficará parada ao logo de uns tempos.

Não costumo partilhar a a minha vida pessoal no blog, mas esta é a segunda vez que I.I. pára em pouco tempo e acho justo que todos os Leitores que costumam acompanhar-me com carinho saibam as razões daquele que poderia parecer como um desinteresse por minha parte no blog. Nada disso: mesmo hoje recebi a notícia de que a minha mãe está a morrer e desejo estar-lhe perto nos seus últimos dias.

Foi esta a razão pela qual me ausentei durante alguns meses do Verão: depois as coisas pareciam bem encaminhadas, então voltei para Portugal. Mas hoje chegou o veredicto final. Infelizmente há coisas que acontecem, que não podemos controlar.

Vou tentar escrever algo desde Italia. Se calhar parece insensível, mas acho que poderia ser uma forma de "distrair-me" ao longo duns minutos durante o dia. Veremos.

Mais uma vez, peço desculpa pelo incómodo e obrigado a todos pela paciência.


Max

02 novembro 2016

Hillary Clinton e a Irmandade Muçulmana

O sempre óptimo sito Voltaire.net publica uma análise do jornalista Thierry Meyssan, que do sito é
também um dos co-fundadores.

Assunto: a investigação do FBI acerca dos mails de Hillary Clinton.

Não é apenas uma questão de descuido, não se trata de ter aberto mensagens sem as idóneas medidas de segurança. Há mais do que isso: quais os verdadeiros relacionamentos entre a Administração democrata de Washington e a organização terrorista árabe?

Dado que Voltaire.net ainda não publicou a versão portuguesa do artigo, eis a tradução completa:

Voltaire.net

A partir de hoje, na coluna de direita, é visível a ligação que permite o acesso à página do blog onde é presente um widget de Voltaire.net.

O widget recolhe os títulos e as primeiras linhas dos últimos artigos publicados em idioma Português no site do jornalista Thierry Meyssan: trata-se portanto duma antecipação dos artigos, cuja versão completa pode ser lida ao clicar nos títulos dos mesmos.

Uma utilidade que espero seja bem-vinda pelos Leitores de Informação Incorrecta.


Ipse dixit.

01 novembro 2016

O que é o populismo

O que é o "populismo"? Por qual razão há cada vez mais movimentos políticos acusados de ser "populistas"?

O populismo (do Inglês populism, tradução do Russo narodničestvo) é uma atitude política e cultural que exalta princípios e programas geralmente baseados no Socialismo, mas não numa forma específica do mesmo.

Na América Latina designa um conjunto de práticas políticas que consiste no estabelecer uma relação directa entre as massas e uma liderança política sem a mediação de instituições políticas como os partidos. Em qualquer caso, o termo é utilizado em forma menosprezativo: os movimentos acusados de ser populistas recusam tal adjectivação.

31 outubro 2016

Wikipédia inglesa: a história rescrita


Uma curiosidade: como é que as vária sversões de Wikipedia descrevem a Guerra do Ópio?

A versão portuguesa, tal como aquelas italiana e espanhola também, dedicam páginas que enquadram os eventos do ponto de vista histórico, onde são explicadas as causas do conflito e é realçado o papel dos Ingleses no comércio ilegal do Ópio.

E a versão inglesa? Aqui vai a tradução total da página Opium Wars (Guerras do Ópio em inglês):
As Guerras do Ópio foram duas guerras que envolveram disputas anglo-chinesas sobre o comércio britânico na China e a soberania da China em meados do século 19º. As disputas incluiu a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842) e a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860). As guerras e os eventos entre as guerras enfraqueceram a dinastia Qing e forçaram a China ao comércio com o resto do mundo.

Filipinas: fora da órbita EUA - Parte II

Rodrigo Duterte
No final do último Verão, o Presidente Rodrigo Duterte anuncia que os próximos exercícios
militares conjuntos entre Filipinas e Estados Unidos serão os últimos, apesar do tratado de defesa assinado em 1951 ainda continuar a ser valido. Válido sim, mas por quanto tempo?

Poucas semanas depois, Duterte voa para Pequim, onde assina vários acordos comerciais com o Presidente chinês, Xi Jinping, e anuncia a "separação" dos EUA e o realinhamento das Filipinas com China e Rússia:
Eu me realinho com o seu [o chinês, ndt] fluxo ideológico e talvez irei para a Rússia também para conversar com Putin e dizer-lhe que há três de nós contra o mundo: China, Filipinas e Rússia. É a única maneira.
Manila, Pequim e Moscovo contra o resto do mundo: não apenas o plano para a Ásia de Barack Obama fracassou, mas entra em colapso todo o andaime geopolítico que mantive a hegemonia dos Estados Unidos no Sudeste asiático durante mais de setenta anos.

30 outubro 2016

Vacinas: a Fundação Gates e as mortes

Antes que o Leitor comece a desconfiar, aqui vai o aviso: os factos relatados neste artigo não são o
fruto dum blogueiro conspirador mas têm como fontes diários bem conhecidos e lidos por centenas de milhões de pessoas. Podem consultar a lista dos links mais à frente.

Por qual razão o diário do vosso País não trata destes assuntos? Boa pergunta. Porque não experimentam perguntar isso directamente ao diário?

E agora vamos aos factos.

A Fundação, a Merck, a GlaxoSmithKline

A Fundação Bill e Melinda Gates é apreciada em todo o mundo pela sua alegada filantropia, mas a maioria das boas obras não passam de experiências de vacinas realizadas sobre os pobres sem o consentimento deles. Sob o pretexto de prestar cuidados de saúde em Países do Terceiro Mundo, a Fundação Gates força dezenas de milhares de crianças a experimentar diferentes vacinas por conta das empresas farmacêuticas.

Poderia ser uma coisa simplesmente enervante: mas como há mortos nesta história, o panorama muda.

28 outubro 2016

Filipinas: fora da órbita EUA - Parte I

É verdade: a permanência de Barack Obama na Casa Branca está a concluir-se na pior das maneiras.

Já nem se fala em Guantanamo (fecha? Não fecha? Era uma das promessas eleitorais), agora o que está em jogo é  o desligamento do Oriente Médio e da Europa para uma maior foco no Pacífico.

A ideia era cercar a China, limitar a expansão de Pequim, meta estratégica declarada desde 2011, formar um cordão de contenção, assim como tinha feito o império britânico com a Alemanha nos tempos idos. Para a implementar este plano, Washington contava com os habituais aliados anglo-saxões (Austrália e Nova Zelândia), os tradicionais parceiros do Pacífico (Japão, Coreia do Sul e Filipinas) e algumas novas aquisições de lealdade duvidosa, entre os quais Vietnam e Birmânia.

O projecto já avançava com dificuldade durante anos, pois Washington não conseguia livrar-se do Médio Oriente (doutro lado, quando se escolhem como aliados dois Países como israel e Arábia Saudita...), mas em Fevereiro 2016 Obama consegue uma vitória; a assinatura da Trans-Pacific Partnership, a zona de livre comércio entre alguns de Países asiáticos em detrimento da China. Participam Japão, Austrália, Brunei, Malásia, Nova Zelândia, Singapura e Vietname. Não propriamente um triunfo mas um passo na direcção traçada.

Nem passam três meses e eis o colapso da arquitetura tão meticulosamente construída: em Maio de 2016 nas Filipinas é eleito Rodrigo Duterte qual novo Presidente do País. Uma surpresa, que retira o arquipélago da órbita de Washington e atira-o para os braços da República Popular da China.

27 outubro 2016

O Universo dos ratos

Em 1962, o pesquisador norte-americano John B. Calhoun construiu o habitat ideal para os ratos. Um lugar onde as cobaias nunca deve ter que se preocupar com nada: comida, água e abrigo disponíveis para todos. Um Utopia para roedores, baptizado Universo 25, que dentro de um ano atingiu o seu pico.

Calhoun era um etólogo conhecido por via dos seus estudos sobre a densidade populacional e os efeitos que este factor tem sobre o comportamento. Argumentou que os resultados obtidos com ratos foram uma previsão sobre o futuro da humanidade e, de facto, na altura a experiência foi impactante.

Mas vamos ver quais as características do estudo e quais os resultados imediatos. Porque esta experiência é um pilar dos que apresentam o futuro como um pesadelo onde nem há espaço para mexer-se.

All for LENA

Enquanto continuam as dúvidas que circulam sobre o destino de Julian Assange ("Foi morto por
Google?" é uma das últimas. Tranquilos, Assange está bem), eis que Wikileaks publica algo interessante. O que já por si é um evento.

Entre as e-mails "capturadas", há uma que chega do account de John Podesta, chefe do comité eleitoral de Hillary Clinton. É curta mas muito curiosa e foi enviada em Janeiro de 2015:

26 outubro 2016

O programa de Donald Trump

Donald Trump? Uma vergonha, e disso não há dúvida. Tal como Hillary Clinton.

Mas enquanto os media não falam acerca das graves falhas da candidata democrata, podemos saber tudo o que houver de mal acerca de Trump: sabemos do muro mexicano, sabemos das mulheres que apalpou há 30 anos, as frases disparatadas... mas quantos conhecem o programa?

Aqui estão os pontos que Donald Trump tem delineado no seu recente discurso em Gettysburg, que Newt Gingrich, dirigente dos Partido Republicano, definiu como "o discurso político mais importante da recente história americana". Um exagero? Pode ser: mas sem dúvida trata-se duma mudança de paradigma no caminho dos Estados Unidos.

25 outubro 2016

Os serviços secretos franceses na Líbia

Uma curta notícia nas páginas do Corriere della Sera: um pequeno avião francês precipita perto da
ilha de Malta, mortos os ocupantes. Acontece.

Mas depois iniciam os problemas: o governo francês afirma ser esta uma missão europeia, enquanto Federica Mogherini, a chefe da diplomacia europeia, declara:
O voo não estava ligado a nenhuma actividade da UE.
Curioso, sem dúvida, também porque a França confirma apenas três das nacionalidades dos mortos, limitando-se a afirmar que os outros eram contractors (mercenários). Talvez valha a pena aprofundar o assunto, não é?

Descobre-se assim uma história interessante.

As melhores suites de programas portáteis

Como é que nunca falei delas? As suites! E fala-se aqui de suites de programas portáteis.

O que há de melhor dum programa portátil?
  • Não tem que ser instalado (é só baixar e rodar)
  • Vem connosco (num pendrive ou cartão de memória) para funcionar em qualquer computador
  • Não deixa rastos no registo de Windows, nem nas pastas do usuário
  • Não afecta as preferências dos programas equivalente que já se encontram instalados no nosso computador (ou naquele dos outros) 
Mas imaginemos ter uma pendrive que podemos encher com os nossos programas favoritos: não seria bom ter o conjunto de programas já prontos em vez que ter de baixa-lo um atrás do outro?
A boa notícia que este conjunto existe, é a tal suite. A segunda boa notícia é que mais de uma suite disponível. A terceira boa notícia é que, caso a suite não apresente mesmo os nossos programas favoritos, podemos sempre modifica-la ou construi-la de raiz ao nosso gosto.

Hoje vamos ver a parte mais simples, as suites já prontas que não precisam de ser instaladas em lado nenhum: como afirmado, é só descarregar e utilizar, no nosso computador de casa, do trabalho, dum nosso amigo, em viagem.

Ah, uma última boa notícia: caso não estejam interessados em ter uma inteira suite, podem sempre descarregar singularmente um ou mais programas: rodam normalmente mesmo que separados da respectiva suite.

24 outubro 2016

Rússia: sanções? Óptimo!

Em 2015 as exportações agrícolas da Rússia superaram as exportações de armas. Isso é de
fundamental importância para entender a complexa transformação que Moscovo está a tentar implementar na sua economia.

Segundo o alemão Der Spiegel, no ano passado a Rússia tem produzido mais trigo do que os Estados Unidos: 110 milhões de toneladas, um limite nunca alcançado antes e que faz da Rússia o maior produtor do mundo. O Ministro da Agricultura, Alexander Tkachev, disse recentemente que espera que as sanções ocidentais contra a Rússia sejam prolongadas por mais cinco anos, porque, como afirma:
Na verdade, tornaram possível mudar positivamente a condição do sector alimentar russo, aumentando a produção, implementando tecnologia [...] e substituindo a importação, o que agora torna a Rússia auto-suficiente em agricultura.
A questão não está limitada ao sector agrícola e não está relacionado apenas ao problema das sanções: o rublo desvalorizou, a crise da Ucrânia e o petróleo excessivamente barato apresentaram uma economia russa com um dinamismo inesperado.

Anselmo, a ilha e o banco

Imaginem um navio de cruzeiro no qual o bom Anselmo, que nada tem que fazer na vida, decide
descansar ao longo de alguns dias. O navio afunda, mas com outras mil pessoas Anselmo consegue alcançar uma ilha deserta. Um boa ilha, onde há de tudo um pouco.

Após uns tempos, é criado um mini-sistema económico e Anselmo pensa bem formar um governo de forma que os esforços de cada um consigam favorecer a comunidade. Dado que Anselmo é democrático, há eleições para que sejam os cidadãos a escolher. E Anselmo ganha.

Assim, Anselmo nomeia-se Primeiro (e único) Ministro do pequeno Estado; dado que é bom, decide iniciar algumas obras públicas, como estradas, pontes, uma escola, um hospital, etc. Mas aqui há um problema: na ilha há pessoas que sabem fazer tudo isso, mas para tal deveriam abandonar temporariamente o trabalho deles e dedicar-se às obras públicas. Portanto, querem ser recompensadas para não ficar sem meios de subsistência.

No princípio, Anselmo tenta convence-las a aceitar 3 couves por cada um, mas dado que estes querem 1.000 couves e 75 ovos por cada trabalhador, o simpático Anselmo decide introduzir a moeda: com esta, os trabalhadores poderão adquirir comida ao longo da duração do trabalho, também escolhendo qual comida comprar e, além disso, a moeda simplifica o pagamento pois ninguém tem que ir a juntar milhares de couve, ovos e entrega-los.

23 outubro 2016

O testamento de Gaddafi

Dois documentos do líder líbico Gaddafi, escritos pouco antes de ser assassinado.

O primeiro está entre as últimas declarações de Muammar Gaddafi e foi publicada numa carta aberta ao jornal russo Zavtra no dia 5 de Abril de 2011.
Durante 40 anos, ou talvez mais, fiz tudo que o podia para dar às pessoas casas, hospitais, escolas.
E quando tinham fome, dei-lhe comida. Transformei Benghazi dum deserto numa terra fértil, resisti aos ataques do cowboy Reagan quando, tentando de me matar, assassinou uma órfã, a minha filha adoptiva, uma pobre criança inocente.

Ajudei os meus irmãos e as minhas irmãs na África com dinheiro para a União Africano. Fiz tudo para ajudar as pessoas a entender o verdadeiro conceito de democracia, na qual os comités populares governar o nosso País.

22 outubro 2016

Do antissemitismo

O que é o antissemitismo? Perante este termo, logo pensamos a um indivíduo que odeia israel. E este
é um erro, derivado em parte da manipulação das palavras que costumamos utilizar e em parte da ignorância.

Wikipedia:
Antissemitismo é o preconceito ou hostilidade contra judeus baseada em ódio contra seu histórico étnico, cultural e/ou religioso. Na sua forma mais extrema, "atribui aos judeus uma posição excepcional entre todas as outras civilizações, difamando-os como um grupo inferior e negando que eles sejam parte da(s) nação(ões) em que residem". A pessoa que defende este ponto de vista é chamada de "antissemita".
Como muitas vezes acontece com a popular enciclopédia online: peguem no texto e atirem tranquilamente para o lixo. Porque tenta passar a ideia de que os semitas sejam os hebreus, o que é falso: são também os hebreus mas não só.

21 outubro 2016

As "novas" guerras americanas: Somália


Um artigo publicado no New York Times explica a maneira como hoje em dia os EUA travam as guerras: o exemplo é aquele da Somália mas, como observado pelos autores do artigo, o mesmo modus operandi é também aplicado em outros lugares. Trata-se da evolução da técnica de intervenção não oficial praticada há décadas.

A guerra americana na Somália começa no ano de 1991, com a Operação Restore Hope, oficialmente uma intervenção das Nações Unidas, de facto uma intervenção de Washington com os relativos aliados. As razões do inicial envolvimento dos EUA podem ser encontradas também (mas não só) no controle das concessões de petróleo: enquanto a Somália não tinha reservas comprovadas de petróleo, poderia haver ouro negro ao largo das costas.

Pouco antes do Presidente Mohamed Siad Barre (pró-EUA) ser derrubado em 1991, quase dois terços do território do País tinham sido "vendidos" como concessões de petróleo para as empresas Conoco, Amoco, Chevron e Phillips. A Conoco até emprestou o seu complexo corporativo ena capital, Mogadíscio, para funcionar como embaixada dos EUA; e poucos dias antes dos fuzileiros navais desembarcarem, o enviado especial da primeira administração de George W. Bush utilizou a estrutura da companhia petrolifera como seu quartel-general temporário.

Rastos Químicos? Bah...

...e vamos jogar aos conspiracionistas.

Como os Leitores do blog sabem, estou bastante desconfiado quando o assunto forem os rastos químicos. Há algo que não me convence. Mesmo assim, eis algumas imagens tiradas no dia 1 de Outubro em Italia, perto da localidade de Ovada (Província de Alessandria).


Trata-se do céu visível a partir do jardim da casa da minha mãe, direcção Norte.

20 outubro 2016

Estamos em guerra

Não há tropas nas ruas, não se ouvem bombas eclodir, a televisão espalha Valium em quantidades
industrias: está tudo tranquilo, não parece uma guerra.

Com o termo de "guerra" costuma-se indicar um confronto armado entre dois ou mais exércitos. Nesta altura temos uma série de guerras no planeta, mas apenas um de alta intensidade, o da Síria: pelo que seria possível afirmar que não, não há um conflito global. Mas a situação é bastante complicada.

Na Síria é possível observar um conflito que vê os Estados Unidos contra a Rússia, com a China que observa de longe; mas existem muitas outras camadas secundárias de participantes que incluem a Turquia, o Irão, o Iraque, a Arábia Saudita, o Qatar, Yemen, Israel, os Curdos, o improvável Estado Islâmico, o exército regular sírio, os "rebeldes", as organizações terroristas aquele irregular, todos directamente ou indiretamente envolvido.

19 outubro 2016

A Moeda Inteira

Na Suíça surgiu uma grupo de cidadãos apresentou um projecto de reforma monetária baptizado "Moeda Inteira". O elenco do conselho científico da organização, tal como os apoiantes oriundos dos sectores bancário, político, académico ou dos negócios, é assinalável.
Mas afinal falamos de quê?

Está bem explicado na primeira pagina online do movimento, A Iniciativa Moeda Inteira em 10 Segundos":
Mais de cem anos atrás, foi proibido aos bancos imprimir papel-moeda. A iniciativa visa uma proibição semelhante para a moeda electrónica. Só o Banco Nacional cria no futuro dinheiro e torna-o disponível, através de entregas livres de dívida, ao governo federal, aos cantões e aos cidadãos. Isto tem grandes vantagens: toda a moeda é protegida da falências dos bancos, evita bolhas financeiras e inflação, e é rentável [...]
Tanto para entender, o termo "moeda electrónica" indica a moeda hoje criada do nada pelos bancos com os sistemas informáticos, algo que acontece diariamente: com a iniciativa Moeda Inteira todo o dinheiro, também aquele criado hoje pelos bancos, seria emitido unicamente pelo Estado. Vantagens? Muitos e com um alcance impressionante.

Regresso

Vamos tentar? E vamos se é desta que consigo retomar o trabalho aqui no blog.

Infelizmente, nos últimos meses as coisas têm sido bastante complicadas por causa de graves problemas familiares: nada de especial, coisas da vida que, mais cedo ou mais tarde, todos temos que enfrentar.

Por causa disso passei boa parte do Verão em Italia, tendo voltado apenas há um punhado de dias; Informação Incorrecta ficou parada, tendo assim faltado aos encontros diários com os Leitores. Lamento muito.

Os problemas não estão resolvidos, mas a vida tem que continuar e o blog também. Por minha parte, desejo pedir desculpa a todos os Leitores, juntando também a esperança que a partir de agora seja possível retomar os bons velhos hábitos. Caso tenha que ausentar-me outra vez (bem pode acontecer), será minha preocupação avisar previamente, prometo.

E, obviamente, obrigado por continuar a seguir Informação Incorrecta.


Ipse dixit.

03 junho 2016

Os tarot de Carla a Raposa

A emissora SIC, com a TVI, forma a dupla da estupidificação televisiva em Portugal.
Dúvidas?

O programa é “A Vida Nas Cartas - o Dilema”, que já pelo título se percebe ser algo profundo; nele actua a taróloga Carla Duarte que, como todos os colegas dela, deveria ser obrigada por lei a procurar um trabalho digno deste nome.

Não satisfeita de ganhar a vida à custa da ignorância das pessoas, a simpática Carla põe o nariz em assuntos que ultrapassam em muito as suas capacidades. Como foi o caso de Maria Glória, senhora que ontem ligou queixando-se de sofrer violência doméstica.

Eis o resultado:


A telespectadora assim se queixava:
Há 40 anos que eu sofro de violação doméstica… Ele bate-me, ele faz-me tudo
"Carla a Raposa", como provavelmente é conhecida entre os amigos, antes interrompeu várias vezes a mulher para repetir o número telefónico para onde as pessoas devem ligar para obter um "consulta". Número de valor acrescentado, obviamente.

Depois tranquilizou Maria: o marido não tem outro relacionamento. E, por breve instantes, Carla a Raposa pareceu ter recuperado o bem do intelecto: “O que interessa se ele tem alguém ou não, mediante o que você tem em casa?”. Exacto: estamos a falar dum verme, não duma pessoa normal, alguém do qual a mulher deveria livrar-se o mais rapidamente possível. Era isso que entendia a simpática Carla?
Não precisamente.

"Ahhhh, ele quer uma mãe, ele não quer uma mulher de si, percebe?"
Mas percebe o quê? Uma mãe?!? Mas este é um gajo que deveria levar uma porrada de todo tamanho e esta emérita deficiente diz que a esposa tem que fazer o papel de mãe?

"Você escolheu este homem e, independentemente de tudo, é com ele que vai ficar"? Sim, ora essa, o casamento é sagrado, uma vez unido um casal não pode separar-se, era só que faltava... Doutro lado nas cartas saiu a Imperatriz e perante este, que é um facto, há pouco para fazer: "Paciência e calma" é a receita.

Depois entra em cena a sabedoria: "Quando damos amor, recebemos amor, mesmo que seja em menor quantidade". Ninguém consegue parar Carla a Raposa: é como um atirador enlouquecido que dispara contra qualquer forma de inteligência em circulação, um autêntico seek and destroy.

"Se você recebe violência, corte este ciclo e não dê violência, nem que seja por palavras". Justo. Não dizia o Cristo para oferecer a outra face? Aqui nada de face mas miminho. Quanto mais o marido bater, tanto mais miminhos a mulher terá que dar. Com um sorriso na cara, podemos imaginar.

"Por muito difícil que isso seja". Carla é raposa e sensível também: entende que pode não ser simples, mas sabe que é a estrada correcta. Nada de ir à polícia, apresentar uma queixa e arrastar a besta para o tribunal. É ficar com a besta, ter paciência, calma, e sobretudo miminhos, tantos miminhos.

Nada mais para acrescentar, não vale a pena.
Para boa sorte, a violência domestica em Portugal é crime público (isso é, não depende da queixa da vítima) e não está subordinada à capacidade de discernimento de certo indivíduos. A propósito: agora esperemos que a SIC retire esta deficiente do ecrã, já são suficientes as infinitas novelas para atordoar as pessoas.

O contacto da APAV (Apoio à Vítima) pode ser encontrado neste link.
No Brasil não conseguiu encontrar uma única organização mas várias: uma lista parcial pode ser encontradas nesta página.


Ipse dixit.

02 junho 2016

Petróleo: o segredo sujo

Eis uma interessante investigação que, obviamente, não viu as primeiras páginas dos jornais.
Bloomberg explica como, durante décadas, a Arábia Saudita reciclou petrodólares, isso é: financiava o deficit dos EUA através da compra de Títulos de Estado americanos com o produto das vendas de petróleo, enquanto Washington proporcionava fornecimentos militares aos sauditas.

Título: "A História não contada atrás de segredo de 41 anos da Arábia Saudita acerca da Dívida dos EUA" (The Untold Story Behind Saudi Arabia’s 41-Year U.S. Debt Secret). Algo que sempre pertenceu ao reino da conspiração, sem nenhuma confirmação ou declaração oficial do Departamento de Tesouro dos EUA; mas mudou quando Bloomberg decidiu utilizar a Freedom of Information Act , a lei que nos EUA desde 1996 garante a difusão das informações essenciais, para tentar saber qual a parte de Dívida Pública americana deita pela Arábia Saudita.

Os dados eram mantidos secretos desde 1974: a Dívida nas mãos de Riad encontrava-se misturada com aquelas de outros Países, como Nigéria, Kuwait, etc.

Mas agora: um passo atrás.

A viagem

Em 1974 o mundo se encontrava no meio duma das piores crises petrolíferas devido a um embargo dos Países árabes da OPEP: estes protestavam contra os Estados Unidos que tinham fornecido ajuda militar a israel durante a Guerra do Yom Kippur e a crise tinha feito quadruplicar o preço do barril. Inflação galopante, colapso das Bolsas, economias dos EUA e europeia em queda livre.

Dez meses após o início da Guerra do Yom Kippur (que tinha começado após o ataque contra israel por parte duma coligação árabe liderada pelo Egipto e pela Síria, o mundo árabe via nos Estados Unidos o principal inimigo: tinha sido os norte-americanos a fornecer o apoio militar e político que tinha permitido a Tel Avive de derrotar os árabes.

A maior preocupação de Rei Faisal (monarca da Arábia Saudita) era evitar que o dinheiro do petróleo pudesse directa ou indiretamente acabar nas mãos dos inimigos jurados dos árabes.

Mas em Julho de 1974 houve "a" viagem:  o então Secretário do Tesouro dos EUA, William Simon, e o seu vice, Gerry Parsky, foram até Riad para tentar neutralizar o petróleo como arma económica e encontrar uma maneira de convencer o reino a financiar o deficit americano com a sua riqueza feita de petrodólares. Complicado? Sem dúvida, muito complicado. Mas os EUA conseguiram, após promessa de que o pacto teria sido mantido secreto.

Por qual razão a Arábia deixou-se arrastar para um pacto tão perverso que traía a causa dos Países árabes e, de facto, ajudava tanto os EUA quanto o inimigo israel? Simples: dinheiro. Washington era a capital da maior potência ocidental, aquela que proporcionava o maior mercado do planeta. Poderia Riad optado para um acordo com o bloco soviético? Não. Ou melhor: sim, poderia ter feito isso, mas as implicações teriam sido enormes e, sobretudo, Moscovo não poderia ter oferecido aquele sistema (o capitalista) que significava um consumo em constante crescimento por parte de cidadãos e empresas.

De esquerda: G. Ford, J. Carter, R. Reagan, H.W. Bush

É naquele pacto que podemos encontrar a origem da actual situação no Médio Oriente: a absoluta impunidade do regime teocrático saudita, por exemplo, nasceu naquele ano. O Presidente dos EUA, Richard Nixon, e o rei saudita, Faisal bin Abdulaziz Al Saud, optaram para um segredo que foi respeitado até hoje por parte de todos os Presidentes americanos que se seguiram, democratas e republicanos.

A chantagem

Durou também porque quanto mais o tempo passava, tanto maior era a Dívida nas mãos dos Árabes. Bloomberg cita uma fonte do Tesouro dos Estados Unidos segundo a qual o volume dos investimentos sauditas na Dívida americana seria cerca de duas vezes o que afirmam as estatísticas oficiais: de acordo também com vários analistas, a Arábia Saudita esconderia a quantidade real de Títulos dos EUA em transações através dos centros financeiros offshore.

Bloomberg adverte:
Enquanto o colapso do petróleo tem aumentado a preocupação de que a Arábia Saudita possa liquidar os seus Títulos do Tesouro para conseguir dinheiro, surge um grande problema: o espectro de que o Reino possa utilizar o seu conveniente posicionamento no mercado da Dívida mais importante do mundo como uma arma política, tal como já fez com o petróleo na década dos anos '70.
Uma preocupação que tem bases bem reais dado que, em Abril, a Arábia já avisou que começará a vender até 750 biliões de Títulos do Tesouro e outros activos dos EUA se o Congresso em Washington aprovar uma lei que permite considerar Riad responsável dos ataques terroristas contra as Torres Gémeas de New York em 11 de Setembro de 2001. Uma lei que já foi aprovado pelo Senado americano no passado 17 de Maio e que actualmente se encontra na Câmara, empurrada pelo Partido Republicano (é o mesmo partido de Nixon, o Presidente que assinou o acordo secreto com a Arábia).

De esquerda: B. Clinton, G. W. Bush, B. Obama.

Voltemos um pouco atrás, apenas de poucos meses, tanto para observar uma curiosa coincidência: em Abril de 2016 a Arábia Saudita ameaçou vender 750 biliões de Dívida Pública americana; no mesmo mês eclodiu o caso Panama Papers, no qual são citados o monarca da Arábia Saudita, Rei Salman, e o sobrinho dele, Muhammad bin Nayef bin Abdulaziz Al Saud, Príncipe Herdeiro, Primeiro-Vice Primeiro Ministro e Ministro do Interior. Tal como dito: coincidências, sem dúvidas.

Dívida & dúvidas

Mas quanta Dívida americana têm entre as mãos os Árabes? Difícil responder pois, como vimos, parte da mesma parece ter sido escondida nos paraísos fiscais. E nem podemos esquecer aqueles Países árabes que detém Dívida americana e que estão muito bem relacionados com Riad (valores em Dólares em Short Scale): Bahrein (1.2 biliões), Qatar (3,7 biliões), Oman (15.9 biliões), Kuwait (31.2 biliões), Emirados Árabes Unidos (62.5 biliões).

Podemos tentar adivinhar, tendo como base o seguinte ponto: as estatísticas do Fundo Monetário Internacional demonstram como os bancos centrais tendem a investir em Dólares 2/3 das reservas monetárias; e dado que a Arábia tem uma reserva estimada em 600 biliões de Dólares (e sem esquecer que a moeda do País, o Riyal, está ligada à moeda americana), não é difícil apostar numa valor de Dívida perto dos 400 biliões.

Valeu?

Resumindo: aquele de 1974 foi um bom acordo do ponto de vista dos contraentes?

Segundo Riad foi, sem dúvida. Os Países do OPEP (a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, na qual a Arábia é incontestavelmente o principal membro) aumentaram o preço do barril e conseguiram um rápido e colossal enriquecimento.

Segundo os Estados Unidos... sim, mais ou menos. Sim porque em 1971 o Presidente Nixon tinha decidido abandonar a convertibilidade do Dólar em ouro (fim dos acordos de Bretton Woods) e encontraram na Dívida adquirida pelos principais Países do OPEP o indispensável suporte para a economia doméstica; além disso o Dólar (antes ligado apenas ao valor do ouro, depois flutuante) tornou-se moeda de referência nas trocas não apenas de petróleo.

Todavia, os EUA entregaram boa parte do "valor" deles aos bancos centrais daqueles mesmos Países, com o resultado de que hoje uma Arábia qualquer pode fazer voz grossa se os EUA votarem uma lei pouco simpática em Riad. Na verdade, a ameaça dos árabes é mais teórica de que factual: dificilmente conseguiriam vender o montante de Dívida declarado. Mas não deixa de ser significativo: após décadas de mútuo suporte, o relacionamento entre Washington e Riad atingiu um ponto de aparente roptura e aquele que ontem era um meio para proporcionar recíproco enriquecimento, hoje é uma arma apontada contra os EUA.

Além disso, há um evidente paradoxo: numa altura em que o terrorismo islâmico cria medo em boa parte do planeta, os bancos centrais da maioria dos Estados investem em Dólares americanos; e estes mantêm o seu valor com a carteira daquele País que é o principal financiador dos terroristas islâmico, como no caso do ISIS.


Ipse dixit.

Fontes: Bloomberg, Business Insider

27 maio 2016

Áustria: um caso de excesso de Democracia

Olhem para o gráfico mais abaixo: mostra os dados da última consulta eleitoral na cidade austríaca de Linz, após o segundo turno de Domingo para as eleições presidenciais e a contagem dos votos enviados via correio.

Na terceira maior cidade do País, votaram 598% dos eleitores: 3.580 eleitores registados, 21.060 votos. E depois dizem que os cidadãos estão cada vez mais afastados da política: nada disso, até desdobram-se para estar mais presentes.

Sempre na Áustria, mesma consulta eleitoral, Waidhofen, pequena cidade de 11.500 habitantes: aí votaram 146% dos eleitores. Fraude eleitoral? Não, simples entusiasmo.

26 maio 2016

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte IV

A terceira fase do genocídio dos índios da América do Norte (entre 1763 e 1840), aconteceu após o
desaparecimento dos Franceses do território dos actuais Estados Unidos e viu a expansão das colónias britânicas.

Como vimos, o Rei britânico tinha declarado a cadeia dos montes Allegheny e o rio Ohio qual fronteira perpetuidade entre os colonizadores e os nativos: mas a transgressão desta disposição com o tempo tornou-se uma constante: os recém chegados iam cada vez mais longe na conquista de novas terras e novos lucros e utilizaram a força para impor-se sobre os nativos.

Estes últimos reagiam atacando os colonos, que nestes casos retiravam-se para deixar o campo às forças armadas regulares. A táctica era simples: provocava-se um casus belli, geralmente um acontecimento de segundaria importância, a seguir os índios eram caçados, morto, privados de qualquer forma de subsistência e forçados a assinar um tratado em que eram obrigados a ceder vastos territórios. Depois disso, os colonos avançavam para repetir tudo outra vez.

25 maio 2016

O regresso da bomba

Na passada Segunda-feira, o Ministério da Defesa russo tem convocado o responsável militar da Embaixada dos EUA na Federação Russa por causa dum curioso "acidente".

No dia 22 de Maio, a Defesa Aérea de Moscovo identificou um Air Force RS-135 dos EUA em fase de reconhecimento sobre o Mar do Japão, perto da fronteira da Federação Russa. O avião efectuou o voo com o transponder desligado e nem o rumo tinha sido comunicado ao controle regional: o resultado destas acções por parte da tripulação americana tinha sido a criação dum real perigo de colisão com aeronaves civis.

O que sem dúvida é parte da preocupação russa, mas há mais do que isso. Tais incidentes estão a ocorrer com um ritmo não visto desde a Guerra Fria: é claro que hoje a tecnologia encontra-se mais avançada, mas continua a ser um jogo muito arriscado que tem como pano de fundo o fantasma dum conflicto nuclear.

Será este um medo excessivo? Somos hoje mais conscientes dos perigos ligados ao uso da bomba atómica?

24 maio 2016

Berm, o muro de Marrocos

O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu prorrogar por mais um ano a Missão das Nações Unidas para a organização do referendo no Sahara Ocidental (a assim chamada MINURSO) no meio duma das fases mais difíceis durante o percurso para a autodeterminação do povo Saharawi, após a decisão de Marrocos, como potência ocupante, de expulsar 73 membros do pessoal civil da MINURSO em Março.

A Resolução nº 2285 sobre a continuação da MINURSO foi aprovada com os votos favoráveis de Espanha e França, três abstenções (Rússia , Angola e Nova Zelândia) e dois contra (Venezuela e Uruguai). A Resolução sustenta a "necessidade urgente" de que a missão multinacional, até agora totalmente ineficiente, recupere o seu pleno funcionamento dentro de 3 meses e o Secretário-Geral das ONU informou o Conselho de Segurança sobre a situação.

A história do povo Sahrawi (do árabe الصحراويون‎, al-ṣaḥrāwī) é parecida com outras igualmente ignoradas pelos órgãos de informação.

20 maio 2016

China: a enorme dívida

Das páginas de Zero Hedge, Tyler Durden observa a Dívida chinesa e lança o alarme: é uma bomba e
ninguém sabe ao certo de quais dimensões.

As empresas de consultoria Mckinsey e Macquaire avaliam o total da Dívida respectivamente em 282% e 350% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a infame Goldman Sachs fala de 216% (ou 270% segundo as últimas estimativas). Mas ninguém consegue fornecer valores seguros: só sabemos que a Dívida chinesa existe e que não é nada pequena.

O problema nem seria a Dívida em si: é a sua composição que assusta. A Dívida Pública, aquela gerida directamente pelo Estado, representa apenas uma fracção do total: a maior fatia é constituída pela dívida das empresas, a seguir encontramos aquela das instituições financeiras. Se juntarmos empresas, finança e cidadãos, temos um resultado preocupante: uma Dívida com um rácio Dívida/PIL maior daqueles de Estados Unidos, Coreia do Norte, Alemanha...

19 maio 2016

A Esquerda morreu

Há um buraco no qual a Esquerda ocidental desapareceu.

E isso nem seria mal. O problema é ter desaparecido só a Esquerda: o resto ainda aqui está.

Na Europa, os partidos de Esquerda evaporaram. Vamos esquecer os movimentos comunistas, sendo estes geneticamente incompatíveis com a Democracia e por isso condenados a presenças residuais. Falamos daquela ampla gama de grupos políticos que podemos identificar com a social-democracia, a ideologia segundo a qual numa Nação, em grande parte através do Estado, um partido é capaz de criar uma solução que favoreça os interesses do trabalho e não do capital. Partidos sociais-democratas, portanto, mas também socialistas e, mais no geral, da Esquerda moderada, aquela que sempre recolheu a maior parte dos votos.

Numa altura em que a crise (económica, social) já não é cíclica mas existencial, a social-democracia deveria ser capaz de reunir amplos apoios; com pessoas cada vez mais à procura de novas respostas, de soluções alternativas: mas não é isso que acontece. As profundas mudanças culturais e tecnológicas parecem ter-lhe retirado a terra debaixo dos pés, deixando-lhe só a possibilidade de seguir o chamariz do Capitalismo. Porque de facto há uma clara corresponsabilidade da social-democracia na criação e na manutenção da actual situação: é lógico que os partidos de Direita não lutem contra o Capitalismo, menos lógico é que sejam os sociais-democratas a favorece-lo.

18 maio 2016

Glifosato é cool & trendy

Boa notícia: o herbicida glifosato já não é cancerígeno.

Era cancerígeno até meados do mês passado, mas desde então as coisas mudaram drasticamente. De "provável cancerígeno" para "improvável cancerígeno".

Quem é que descobriu isso? A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas, através da sua organização para Alimentação e Agricultura (FAO). Estas duas entidades globais, que nem fecham os olhos para alcançar o bem da humanidade, uniram as suas imensas forças: formaram um comité científico conjunto, o Joint Meeting on Pesticides Residues (JMPR). E foi mesmo este que revelou ao Mundo a grande descoberta: é "improvável o risco carcinogénico para os seres humanos através da exposição com a dieta".

Isto contradiz diametralmente o anterior trabalho do Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), que em 2015 tinha classificado o glifosato como um "provável agente cancerígeno. Mas este IARC depende apenas da OMS: unidas as forças com a FAO, os especialistas viram a luz. Então o estudo do IARC foi um erro? Nada disso: os dois estudos são "diferentes mas complementares" como realça o JMPR. E "o IARC está a rever os estudos publicados", mas "não avalia os riscos que correm as pessoas associadas à exposição ao risco".

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte III

Cherokee, 1836
A segunda fase do genocídio pode ser individuada entre os anos de 1689 e de 1763: corresponde a uma fase que viu as guerras entre as potências europeias, empenhadas na tentativa de ocupar as terras do Novo Mundo.

Não poucas vezes estes choques eram a extensão das guerras travadas na Europa, mas interessaram os índios porque nas terras da América do Norte os nativos foram chamados por duas razões:
  1. ultrapassar a falta de eficácia dos exércitos regulares (os índios tinham um melhor conhecimento do território)
  2. aumentar o número de efectivos
Nesta fase as potências colonizadoras exploraram os antagonismos já presentes entre as várias tribos indígenas, muitas vezes levando os nativos para verdadeiras guerras que custaram milhares de mortes. Foi desta forma que inteiras nações indígenas foram dizimadas: é o caso dos Abenaki, que lutaram ao lado dos franceses, dos Choktaw (ainda ao lado dos franceses) e dos Chickasaw (aliados dos ingleses). Para ter uma ideia desse envolvimento, são emblemáticas das palavras do general britânico James Wolfe, após a derrota francesa no Quebec (1759) que declarou:
Os Iroqueses têm conquistado um império pela coroa britânica

17 maio 2016

Fórum!

Olá!

Está activo o fórum de Informação Incorrecta.
Onde está? Espreitem na coluna de direita: vêem onde diz "Fórum"? É isso.

Como acabei de inseri-lo, não faço ideia de como seja o processo de registo, mas imagino seja simples.
Por enquanto há 3 secções:
  • Apresentação e regras do fórum (copiado do site de PinkBlue, a comunidade das Mamãs e Bebés. Não perguntem...).
  • Sugestões
  • Links
Obviamente com o tempo serão inseridos novos espaços. Aliás, vou criar já um, "Brasil", assim podem parar de inserir comentários acerca das aventuras de Dilma & companhia pelo blog todo.

Não sei se os Leitores podem criar novos tópicos, acho que sim. No caso, aproveitem, depois serei eu a organiza-lo.

Obviamente aceitam-se sugestões para melhorar o serviço.


Ipse dixit.

16 maio 2016

Da autoridade do governo

A autoridade do governo. Pensamos nisso: a nossa vida enquanto cidadãos é regulada pela forma de
governo presente no nosso País. Mais no geral, podemos falar de Estado, seja ele qual for.

É provável que a grande maioria dos Leitores viva num Estado democrático, onde o governo é eleito pelos cidadãos: dia de eleições, são votados e escolhidos uns indivíduos que têm o dever de criar leis, fazer respeitar as que já existem, etc.; nós voltamos para o nosso trabalho e a vidinha continua alegremente.
Parece simples e sobretudo parece óbvio.

"Óbvio"? Parem: donde provém a autoridade do governo? Quem estabeleceu que um governo, um qualquer, tem o direito de governar? E a autoridade do Estado? Uma tal autoridade é dada por nós, na altura do voto? Certeza? Mas o Leitor tem mesmo certeza disso? E se o governo, um qualquer governo num qualquer País, não detivesse autoridade nenhuma? Se afinal a autoridade que reconhecemos ao Estado não passasse duma ilusão?

15 maio 2016

Síria: a estranha história do último pediatra de Aleppo

"Dizem que o governo sírio continua os ataques aéreos em Aleppo. 
O engraçado é que nós não vemos ou ouvimos qualquer avião".
 Marianne R. Bedoun, Aleppo


O último pediatra de Aleppo, como disse Médecins Sans Frontières (MSF), não era? Pois.

A imagem da esquerda foi fornecida pelo Ministério da Defesa da Rússia, alegadamente em Outubro de 2015. À direita a imagem do mesmo prédio tirada em Abril deste ano, após o alegado bombardeio.


Trata-se do alegado hospital Al-Quds, em Aleppo (Síria). E, como é possível observar, os danos na estrutura em Abril são os mesmos já presentes em Outubro. O que é um pouco esquisito, porque após um bombardeio algumas diferenças deveriam ser visíveis. Mas vamos esquecer estas imagens por enquanto e tentamos perceber melhor analisando alguns factos. 

O último pediatra

Segundo a Embaixada dos EUA na Síria (Damasco), em Aleppo há dois hospitais: Al-Kalimah e Al-Razi.

Não há nenhum hospital Al-Quds.

Mas a lista da Embaixada é amplamente incompleta: há pelo menos 6 hospitais públicos e mais de 80 instituições privadas (na maioria ambulatórios, mas não faltam estruturas mais completas, verdadeiros hospitais). É possível observar a lista completa nas páginas de Qenshrin.com, a comunidade cristã de Aleppo.

12 maio 2016

O futuro: menos cultura, menos certezas, menos família

Stefania Giannini
O caso: um Ministro responde às perguntas dum jornalista sobre assuntos quais trabalho, família e escola; a entrevista é publicada na internet, logo é apagada; intervém o Ministério para justificar.
Obviamente algo correu mal.

O que podemos fazer? Simples: recuperar a entrevista e tentar entender. E após a leitura percebe-se a reacção do Ministério, percebe-se o facto do The Huffington Post ter apagado o conteúdo.

Para boa sorte, o diário para o qual trabalha o entrevistador, o suíço Il Corriere del Ticino, não faz marcha atrás e republica tudo de forma integral. Então pouco interessa a nacionalidade do entrevistado (o Ministro italiano Stefania Giannini), porque aqui temos uma bonita visão daquele que será (provavelmente) o futuro da nossa sociedade, independentemente das latitudes.

Eis alguns trechos da conversa recolhida pelo jornalista Luke Steinmann:
Ministro: A Itália paga um sistema de ensino excessivamente teórico, ligado às nossas raízes clássicas. Saber não significa necessariamente saber fazer. Para treinar pessoas altamente qualificadas, como o mercado exige, é necessário dar a impressão duma educação mais prática, libertando-a das limitações que podem resultar duma imposição clássica e muito teórica.

11 maio 2016

Afeganistão: ópio e crianças



O Afeganistão é desde 1992 o principal produtor mundial de ópio, ultrapassando Myanmar, o Triângulo Dourado (Myanmar, Laos e Tailândia) e a América Latina. Única exepção foi o ano de 2001, quando o poder pertencia aos Talibans. Mas desde a ocupação dos EUA, a produção voltou a crescer, aumentando progressivamente até ter duplicado hoje os resultados do ano de 2000 (anos mais produtivos: desde 2004 até 2007).

A terra utilizada para o cultivo ultrapassa aquela dedicada à cocaína na América do Sul e 92% de todo o ópio não utilizado na indústria farmacêutica tem origem no Afeganistão. O resultado é uma receita que varia entre 2.5 e 4 milhões de Dólares, cerca de 35% do Produto Interno Bruto do País, dinheiro cuja maior fatia é dividida entre 200 mil famílias.

10 maio 2016

Europäische Jugend

Data: Março de 2016.
Título: Referencial Dimensão Europeia da Educação para a Educação Pré-escolar, o Ensino Básico e o Ensino Secundário.

Em outras palavras: as directivas da União Europeia para a educação desde o pré- escolar.
Vamos ler alguns excertos.
O tratamento da Dimensão Europeia da Educação é uma das temáticas previstas no documento “Linhas Orientadoras da Educação para a Cidadania” e procura contribuir para o conhecimento e envolvimento dos alunos no projeto de construção europeia, incentivar a sua participação e promover uma identificação com os valores europeus. Pretende-se, assim, promover um melhor conhecimento da Europa e da União Europeia, nomeadamente das suas instituições, do seu património cultural e natural e dos desafios com que se defronta a Europa contemporânea.
Primeira observação: a Europa é uma coisa, a União Europeia é outra. Não são sobreponíveis. Identificar a Europa com a instituição anti-democrática que tem base em Bruxelas é muito forçado e não reflecte o pensamento de dezenas de milhões de cidadãos europeus (dúvidas? Espreitem os dados das últimas consultas populares europeias).

09 maio 2016

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte II

Eis a segunda parte da série dedicada ao genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos.
A conquista do solo da América do Norte pode ser dividida em cinco fases principais.

A primeira fase: 1512 - 1689

Iroqueses
A primeira fase (1512-1689) é caracterizada por empresas isoladas de vários pioneiros (normalmente espanhóis, ingleses, holandeses e franceses), muitos dos quais eram pessoas que tinham escolhido este caminho para evitar as prisões da Europa. No início, os nativos recebiam bem os recém-chegados, mas em breve, perante os evidentes objectivos hegemónicos mostrados, assumiram uma posição mais dura que depois teria alcançado a verdadeira resistência.

Iroqueses

O episódio que mais caracterizou esta primeira fase de resistência foi a tentativa de invasão francesa contra os Iroqueses. Na altura, este povo constituía o nível mais avançado entre os nativos da América do Norte e formavam a "Liga da Longa Casa", com um sistema jurídico bastante evoluído, que incluía cinco tribos (por esta razão é também conhecida como "Liga das Cinco Nações"): Mohawk, Oneida, Onondaga, Cayuga e Seneca, estes últimos mais numerosos e mais agressivos.

08 maio 2016

Ignorantes brasileiros

Título provocatório?
Nada disso: não é "Brasileiros ignorantes",  é "ignorantes brasileiros", coisa bem diferente.
Leiam o que se segue, s.f.f.

A ideia era publicar a segunda parte do artigo dedicado ao genocídio dos índios norte-americanos. Depois
reparei que a primeira parte tinha sido gentilmente republicada pelo site GGN, do qual sou regular leitor também.

Os ignorantes e os índios

Eis alguns dos comentários que encontrei, com relativos títulos mas desprovidos de nome dos utilizadores por uma questão de privacidade:

Agora é que tive tempo de ler

Agora é que tive tempo de ler mais desse artigo, e constatar que o genocídio dos indígenas nele tratado serve de pretexto para propaganda antijudaica, afinal. Assim como o artigo sobre Angela Merkel, desse mesmo sítio português, e reproduzido nesta página. Lamentável, pra dizer o mínimo.
Tem faltado "curadoria" aqui no blogue.

07 maio 2016

Donald Trump, o filho da lama

Ontem estive a ver o programa semanal de John Oliver. Aconselho: muito humor, por vezes cáustico (Oliver é inglês mas trabalha nos EUA e teve que adaptar-se), que faz reflectir.

O importante é não esquecer que estamos a ver um programa que faz propaganda política, neste caso Democrata. Portanto, normal um inteiro episódio dedicado a atacar Donald Trump enquanto acerca da simpática Hillary o silêncio é absoluto.

A pergunta é: como é possível que nos EUA votem uma besta ao cubo como Donald Trump?
Porque acerca disso não pode haver dúvidas: é uma besta ao cubo.
Mas boa parte dos Americanos gostam dele.
Faz sentido? Faz, faz...

06 maio 2016

Quatro

Eia quatro notícias fresquinhas fresquinhas que dificilmente podem ser encontradas nos diários.
Não pensem mal: é simples distracção.

Qatar: Síria? Uma nossa invenção, modestamente...

Sheikh Hamad bin Jassim Al Thani
O Sheikh Hamad bin Jassim Al Thani, o ex Primeiro-Ministro do Qatar, disse que a "revolução" da Síria (aquela que provocou a guerra ainda em curso) não foi exactamente uma explosão espontânea de protestos.
Surpresa, espanto & maravilha.

Assim fala o sábio Sheikk:
A eclosão da crise na Síria não foi uma revolução, mas uma luta política internacional. [...] Eu nunca disse isso antes: quando começámos a perturbar o cenário político sírio, estávamos confiantes de que o Qatar teria logo assumido a liderança das operações, em parte devido à relutância dos sauditas de interferir nesse País. Mas depois a situação mudou, a monarquia saudita decidiu intervir directamente e nos pediu para ocupar o banco de trás. Isso levou a uma competição entre nós e eles.
Não faz mal, ora essa. Aliás, a competição é algo bom: motiva e baixas os preços. Sim, neste caso custou entre 200 e 400 mil mortos (até agora), mas sabemos que é difícil contentar todos.

05 maio 2016

Angela Merkel: costas quentes & oportunismo

Quem é Angela Merkel?
Será que todos sabemos donde e como surgiu?
Procuro e eis que o encontro: o velho artigo de Thierry Meyssan. Já tem alguns anos, mas a Merkel ainda lá está, no topo da Europa. Se calhar perdeu um pouco de brilho nos últimos meses, mas é sempre ela, no lugar de chefe. Então vamos ver.

Angela Merkel não se chama Merkel: este é o apelido do primeiro marido, o estudante de Física Ulrich Merkel. O verdadeiro nome é Angela Dorothea Kasner. Por qual razão mudar o apelido? Porque Kasner é de origem judaica. E nem Kasner é o verdadeiro apelido: a família trocou o original Kaźmierczak em 1930 para esconder as origens polacas também.

04 maio 2016

O genocídio dos povos indígenas dos Estados Unidos - Parte I

Como de costume, no dia 27 de Janeiro de cada ano é celebrado o Dia da Memória para comemorar os
judeus deportados e mortos pelo regime nazista.

Facto curioso: é o único "Dia da Memória", apesar dos não poucos exemplos de genocídio ao longo da História. Os meios de comunicação realçam pontualmente o martírio do povo judeu, acusando de anti-semitismo e racismo qualquer pessoa que simplesmente coloque não dúvidas mas perguntas, por exemplo acerca da legitimidade das acções de israel ou da ideologia sionista.

Pelo contrário, outros e mais extensos genocídios foram completamente removidos da consciência comum, ou, pior ainda, justificados de várias maneiras. Para tamanho e método de execução, não é minimamente possível comparar o genocídio dos judeus com aquele dos nativos americanos: apesar das dificuldades em obter números certos, não há dúvidas que desde a chegada dos primeiros europeus até o final do séc. XIX, 50 milhões de nativos morreram por causa das guerras, perda do ambiente onde viviam, mudanças no estilo de vida, doenças. Mas outros estudos apontam para 100 ou até 114 milhões de vítimas.

Deutsche Bank: reciclagem & terrorismo



Nos últimos anos, quando há algo podre no mundo da Finança, eis que aparece ela: a Deutsche Bank.
Antes havia Goldman Sachs e/ou JPMorgan e, de facto, estes aí continuam mas já não estão sozinhos: o banco alemão parece estar decidido a roubar o protagonismo na novela "Os mais podres do planeta".

É que não consegue acabar algo sem pôr a pata na poça, invariavelmente. Quando é que a Bundesanstalt für Finanzdienstleistungsaufsicht (tem um nome assustador mas significa Autoridade de Supervisão Financeira Federal) decidirá dar uma vista de olhos sobre o que se passa no banco? E também sobre o que se passa na Alemanha toda, diga-se...

03 maio 2016

Argentina: até a Democracia, ida e volta

Há quarenta anos atrás, no dia 24 de Março de 1976, iniciava-se na Argentina o terrorismo de Estado
que iria apagar toda uma geração de jovens intelectuais capazes de mudar a fisionomia do País. Trinta mil jovens foram simplesmente "desaparecidos".

As causas devem ser encontradas nas mentes dos executivos das corpotations americanas e europeias que queriam eliminar o surgimento e o propagar-se da consciência social entre os argentinos; o desaparecimento era visto como inevitável pela Igreja Católica, assustada com o fenómeno do clero sul-americano que destacava a inconsistência entre a chamada mensagem do Evangelho e a opressão sofrida pelas franjas sociais menos privilegiadas.

Os seguidores da Teologia da Libertação pensavam que a saída da opressão iria curar as sociedades do Continente, no auge da desordem social; e os movimentos terceiromundistas foram considerados uma perigosa heresia por parte da hierarquia católica. Por esta razão, a Igreja pediu às forças armadas para cancelar os tais movimentos e substituiu-los com as fiéis estruturas da Opus Dei nascida dentro do regime de Franco. Não é uma teoria da conspiração, há documentos judiciais que confirmam isso.

01 maio 2016

Ken Livingstone e a Nova História

Ken Livingstone
Ken Livingstone é um político britânico.

Definido também como Red Ken por via das suas ideias orientadas à Esquerda, é membro do Parlamento, já foi líder do Greater London Council (GLC, um forma de governo local da capital inglesa entre 1965 e 1986) e desde 2000 até 2008 foi Presidente da Autarquia de Londres.

Faz parte do Partido Trabalhista (o Labour Party). Aliás: fazia.

Já não faz porque Red Ken foi expulso do partido. A acusação? A pior que hoje em dia possa atingir um ser humano: anti-semitismo. Uma infâmia que irá pesar sobre o que resta da vida dele e sobre as próximas duas gerações dos Livingstone. Red Ken disse o seguinte: os líderes sionistas dos judeus na Palestina emigraram no início dos anos de '900 e a seguir colaboraram activamente com Hitler.

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