12 maio 2017

O regresso dos Barões Ladrões

John D. Rockefeller (1901)
Tempos difíceis para os defensores do livre mercado e da livre concorrência: um estudo publicado pela Universidade de Cambridge e financiado pelo Conselho Europeu de Investigação, mostra que a retórica do mercado livre, com a famosa "mão invisível" que tudo regula e a concorrência que beneficia o consumidor, não mora por aqui.

Segundo este estudo, 40% das empresas listadas na Bolsa de Valores dos Estados Unidos são controladas por apenas três sujeitos: os fundos BlackRock, Vanguard e State Street.

Estes fundos  têm ativos com um valor total de 11 milhões de milhões de Dólares, três vezes mais do que todos os outros fundos em conjunto.

Segundo o estudo, estas enorme concentração de recursos económicos pode ter um poder oculto para influenciar de forma poderosa toda a economia dos EUA e dobrá-lo para os seus próprios interesses.

"Pode ter um poder oculto". Escreveram mesmo isso. Tens três empresas contra as quais não podes mexer um dedo porque arriscas que te ponham as Bolsas do planeta de pernas para o ar só porque sim, e estes escrevem "pode". É precisa paciência. E muita.

O estudo permanece interessante porque demonstra como a crise que eclodiu em 2008 teve como efeito a criação duma nova forma de Capitalismo, muito parecido com as práticas dos Robber Barons ("Barões Ladrões") do século XIX.

No final dos anos 1800, o termo era utilizado para se referir aos empresários que exploravam práticas de exploração para acumular fortunas. Essas práticas incluíam:
  • controlar recursos nacionais
  • acumular altos níveis de influência no governo
  • pagar salários extremamente baixos
  • esmagar a concorrência através da aquisição de rivais
  • tentar criar monopólios (para aumentar os preços)
  • criar esquemas para vender ações a preços inflacionados para depois destruir as empresas em nome das quais as acções tinham sido emitidas, causando o empobrecimento dos investidores.

Apenas alguns nomes?
  • John Jacob Astor I (imobiliário) – New York
  • Andrew Carnegie (aço) – Pittsburgh e New York
  • James Buchanan Duke (tabaco) – Durham, North Carolina
  • James Fisk (finança) – New York
  • Henry Clay Frick (aço) – Pittsburgh e New York
  • Andrew W. Mellon (finança, petróleo) - Pittsburgh
  • J. P. Morgan (finança) – New York
  • John D. Rockefeller (petróleo) – Cleveland, New York
  • Charles M. Schwab (aço) – Pittsburgh e New York
  • Leland Stanford (comboios) - Califórnia
  • Cornelius Vanderbilt (transportes marítimos, comboios) – New York
Se calhar alguns apelidos são familiares...

A História se repete? Sim, mas com alguns detalhes alterados, pois a vida hoje corre de forma diferente, a tecnologia evoluiu: o poder aprendeu a globalizar-se e a sua influência encontrou novas vias para actuar.


Ipse dixit.

Fonte: Cambridge University - Hidden power of the Big Three? Passive index funds, re-concentration of corporate ownership, and new financial risk (ficheiro Pdf, Inglês)

10 maio 2017

História do Trabalho - Premissa

Vamos hoje começar (talvez) uma série de carácter histórico que tem como objectivo central o mundo
do trabalho. Como chegámos até hoje? Como foi gerido o trabalho ao longo dos últimos dois séculos e meio? De quem o mérito das conquistas dos trabalhadores? Mérito dos sindicados? Ou houve algo mais?

Antes de começar é necessária uma premissa: no fundo do artigo não vão encontrar as fontes porque as fontes são... meu pai!

Explico. Meu pai, António, entrou no mundo do trabalho em Italia muito cedo, nos primeiros anos depois da Segunda Guerra Mundial. Uma época muito diferente da nossa, na qual nem era preciso ir à procura do trabalho, eram as empresas que procuravam os trabalhadores. Quando meu pai entrou para o ramo das telecomunicações, tanto para fazer um exemplo, ao mesmo tempo tinha uma oferta da empresa estadual dos comboios e uma da polícia.

Parece ficção científica, não é? Mas era assim que as coisas funcionavam no boom da reconstrução..

Ao longo dos anos, meu pai melhorou o seu nível de estudo até licenciar-se em Sociologia e Psicologia. Como curiosidade, posso acrescentar que frequentou a Universidade de Trento, na altura a mais "agitada" do País (estamos no final dos anos de '60, início dos '70). Daí saíram figuram que teriam marcado os anos conhecidos como Anos de Chumbo (terrorismo, Brigadas Vermelhas, etc.) e políticos: pessoas com as quais o meu pai teve oportunidade de interagir (tinham todos as mesmas idades, participavam nas mesmas reuniões estudantescas ou manifestações).

Voltando para a carreira: desde cedo meu pai decidiu entrar num sindicato ao qual pertenceu durante muitas décadas, estando focado em particular na segurança do trabalho. Isso permitiu-lhe alcançar níveis importante em âmbito sindical, sendo que ao longo de vários anos ficou como um dos três máximos responsáveis nacionais da segurança no trabalho da Telecom italiana.

Ainda me lembro quando, com 7 anos de idade, participava nas reuniões quase nocturnas onde o meu pai explicava as regras de segurança aos trabalhadores: não poucas vezes as reuniões tinham que acabar mais cedo porque o único miúdo da sala tinha entrado em estado de pré-coma.

Tudo isso para dizer o quê? Para dizer que nos últimos anos meu pai decidiu escrever um livro acerca da história da condição dos trabalhadores. O livro é muito técnico, "maciço", mas eu foquei-me no primeiro capítulo, aquele histórico, onde é possível observar, através da história italiana, aqueles desenvolvimentos que no resto do mundo foram implementados mais ou menos na mesma altura.

E não faltam as surpresas. Quem acham que tomou a primeiras medidas para reduzir o número de infortúnios nas empresas? Os trabalhadores? Os sindicados? Longe, muito longe disso...

E quem falou pela primeira vez dum sistema de protecção para cuidar das mulheres grávidas? Ou dum sistema de reformas/pensões? Mais uma vez: trabalhadores? Sindicados? Mais uma vez: longe, bem longe isso... A História contada não é exactamente aquela que aconteceu.

O trabalho em si é bastante amplo, mesmo tratando-se só do primeiro capítulo, pelo que terei que reduzi-lo para poder limitá-lo e torna-lo apresentável num blog. Mas antes preciso saber se uma coisa destas pode ou não interessar os Leitores de Informaçaõ Incorrecta, porque encher as páginas com algo que me dá um trabalho desgraçado e que vós aborrece não é o máximo da vida, não é? Por exemplo, podem achar que o assunto fique demasiado longe dos tratados pelo blog.

Agradeço pelas respostas 😊


Ipse dixit.

Brasil?

A Sempre Muy Nobre Maria (que agradeço, como é claro) realça o escrito de Ton Paulo, Assessor de comunicação na Faculdade Unida de Campinas, publicado nas suas páginas de Facebook.

Tomo a liberdade de copiar e colar aqui (no fundo pode encontrar a ligação para a página original do Autor).

Não conheço pessoalmente o Brasil (ainda não, pelo menos), só por interposta pessoa ou assistindo aos programas oferecidos pelas televisões brasileiras (propósito: vocês no Brasil têm centenas de canais, todos em português!!!). Muito, muito pouco para ter uma ideia que possa passar duma simples impressão.

Portanto, deixo aos Leitores do Brasil a tarefa de comentar as palavras de Ton Paulo:.

É PM matando favelado e espancando mulher,
é fazendeiro matando índio e fazendo o que quer.
É pastor na casa de Deus pregando ódio e linchamento,
é fanático apoiando isso sem nenhum arrependimento.
É pobre se dizendo 'de direita', achando ser elite,
é deputado indo na TV pra dizer que "homofobia não existe".
É mulher agredida tentando falar sobre o machismo,
é gente raivosa dizendo que isso é "vitimismo".
É estudante espancado em protesto que o povo deveria estar apoiando,
é gente fazendo piada disso, torcendo pela morte dele, rindo, gargalhando.
É travesti sendo linchada com o povo olhando mas sem nada fazer,
é gente dizendo "bem feito, fez por merecer!".
É menor de idade saindo do útero pra prisão,
é gente defendendo chacina, "esse não tem recuperação".
É vice golpista governando, como se isso fosse natural,
é o trabalhador vendo seus direitos sendo extintos,
como se aquilo fosse algo "normal".
É assalariado pobre indo contra sua própria classe,
é patrão gostando disso, já não sentindo falta de um gado que ele manipulasse.
É político chamando negro de "vitimista",
é gente dizendo que isso é opinião, tudo bem ser racista.
É um país afundado no golpe, no preconceito, no ódio, na intolerância.
É um país sem luz no fim do túnel, inundado pela ignorância.

Ipse dixit.

Fonte: Ton Paulo

09 maio 2017

Economia: Nove Leis

No meio de tantos proclamas, promessas, previsões, isso é: no meio de muitos erros económicos, voluntários e não, vale a pena lembrar algumas das leis mais básicas da nossa economia.

"Nossa" porque estas leis são aquelas válidas e utilizadas no nosso actual sistema económico, leis estigmatizadas na assim chamada Escola Austríaca (finais do séc. XIX), cujos princípios foram sucessivamente elaborados e ampliados pela Escola de Chicago (por volta de 1970).

Diferem, portanto, das ideias de outros pensadores e ainda hoje o choque entre seguidores da Escola Austríaca e, por exemplo, da economia keynesiana é forte.

Por enquanto, eis algumas leis que regulam o nosso mercado e que é bom esquecer:

França: ganha Macron



Ipse dixit.

08 maio 2017

O smartphone espia com ultra-sons?

O desejo dos anunciantes (e não só deles...) em saberem o máximo possível sobre o público parece não ter limites, e parecem ser cada vez mais as apps que usam os smartphones para escutar e localizar os seus utilizadores.

Segundo o Bleeping Computer, foram detectadas 234 apps Android, que totalizam vários milhões de downloads, a utilizar os sistemas de identificação por ultra-sons.

Este sistema recorre ao microfone do smartphone para escutar o que se passa, não para escutar aquilo que o utilizador poderá estar a dizer, mas para tentar determinar se o utilizador estará a ver/ouvir um determinado anúncio, ou se estará num determinado local com um determinado beacon (localizador).

Em ambos os casos, a sinalização é feita via códigos sonoros ultra-sónicos, inaudíveis para os humanos, mas que os microfones dos smartphones podem detectar.

Com este método, uma app pode saber que uma pessoa esteve em determinada loja, se esta tiver um desses beacons instalados, sem que a app precise pedir permissões para aceder à localização.
 


No entanto, continuará a ter que pedir a permissão para aceder ao microfone… pelo que, nos casos dos smartphones com versões do Android mais recentes, os utilizadores já poderão impedir esse acesso sem recorrerem à medida mais radical de recusar a instalação da app por completo.

Por outro lado, há também que considerar que estas mesmas apps poderiam facilmente estar a escutar o que os utilizadores dizem… pois será indiferente ter o microfone activo para tentar apanhar os sons ultra-sónicos, ou para apanhar as conversas e demais sons do ambiente.



Ipse dixit.

Fonte: Bleeping Computer via Aberto até de Madrugada

O Experimento Rosenhan

O Experimento Rosenhan foi uma famosa experiência sobre a validade dos diagnósticos psiquiátricos, realizada pelo psicólogo David Rosenhan, nos Estados Unidos, em 1972.

Os resultados foram publicados na revista Science com o título On being sane in insane places ("Sobre estar são em lugares insanos", ver links nas fontes).

O estudo de Rosenhan era dividido em duas partes.

Na primeira Rosenhan utilizou voluntários sãos, definidos como "pseudopacientes", os quais simularam alucinações sonoras numa tentativa de obter a admissão em doze hospitais psiquiátricos de cinco Estados dos EUA; a segunda parte consistiu em pedir às instituições psiquiátricas que tentassem detectar os "pseudopacientes".

O estudo é considerado como uma importante crítica ao diagnóstico psiquiátrico.

07 maio 2017

O juiz e a cannabis

Cannabis em chinês (麻 ou "má")
Esta é a carta aberta que o Procurador do Tribunal de Napoli (Italia) enviou para o diário La
Repubblica.

O Procurador chama-se Henry John Woodcock (apesar do nome é italiano), é conhecido por ter participado em algumas das investigações mais importantes dos últimos anos (como aquela acerca da P4, neta da P2, do caso Silvio Berlusconi ou de tráfego de armas com Al-Qaeda).
Exmo. Director,

nos próximos 5 e 6 de Maio, nas salas do Instituto Italiano de Estudos Filosóficos, vai ser realizada uma conferência patrocinada pela Associação "Not Dark Yet", intitulada "Antes (ao invés) de punir". A manhã de Sexta-feira será dedicada à questão da legalização da cannabis, proposta como uma estratégia para combater a ilegalidade. Eu mesmo vou participar nesta sessão, juntamente com outras figuras proeminentes como Franco Roberti (Procuradoria Nacional Anti-máfia), o senador Benedetto Della Vedova (promotor dum projeto de lei sobre o assunto que tem recolhido muitos consentimentos) e o jurista Fernando Rovira, que ajudou na elaboração da primeira lei, no Uruguai, que regulamentou a venda de cannabis, como uma estratégia específica para combater o tráfico de drogas.

05 maio 2017

Chechénia: entre campos de concentração e propaganda

Pergunta: na Chechénia (ou Chechênia ou Tchechênia ou Tchetchénia) existem campos de concentração
onde os homossexuais são presos, torturados e até mortos?

A denúncia está baseada em dois artigos do diário russo Novaya Gazeta: o primeiro, publicado no passado dia 3 de Abril, afirma que mais de 100 homens acusados ​​de serem homossexuais teriam sido presos pela polícia chechena que reconstruiu os seus relacionamentos através duma aplicação informática pensada para os encontros gay. O diário também afirma que pelo menos três pessoas teriam sido mortas no curso da operação.

Dois dias depois (5 de Abril), a Novaya Gazeta publica o segundo artigo, em que é relata as experiências de três pessoas naquela que é definida como uma "maciça repressão contra chechenos suspeitos de ter uma orientação homossexual": os supostos homossexuais foram sequestrados ilegalmente pela polícia, ridicularizado, humilhados, torturados, violados com objectos e libertados somente após o pagamento de enormes resgates por parte das respectivas famílias.

04 maio 2017

Quais valores? A próxima renegeração


Não poucas vezes, e não desde hoje, a nossa época é posta em relação com aquela vivida durante as últimas décadas do Império Romano. Também hoje há um sensus finis ("um senso do fim"), uma ausência de esperança, colectiva e individual, um cansaço, uma falta de vitalidade, um sentimento de impotência. Estes são clássicos sinais dum mundo em decadência.

Os "bárbaros" estão próximos, muitos já entre nós, como nos tempos imperiais.
Os Godos, os Burgúndios, os Francos, os Vândalos foram capazes de vencer o muito mais poderoso e organizado exército romano, até conquistar a capital, reduzindo a cidade ao nível duma aldeia, com 37 mil habitantes: isso foi possível porque, nos séculos anteriores, o Império e as seus estruturas institucionais e mentais tinham sido erodidas por um conjunto de factores: Cristianismo, corrupção e opulência.

Em vão os imperadores desde Diocleciano tinham tentado, até a última e desesperada tentativa de Juliano o Apóstata, erradicar pelo menos um destes problemas, o Cristianismo, com repressão e violência. O mundo pagão, corrupto até a medula por causa do poder, nada pude fazer contra uma ideologia que carregava dentro de si valores muito fortes e novos: "novos" por assim dizer, pois em parte provinham do judaísmo. Em suma, o Cristianismo era um fenómeno Mediterrânico que não vinha do nada.

03 maio 2017

O melhor navegador 2017

O navegador (também chamado de browser) é o programa essencial para poder aceder à internet.

Lógico, portanto, que seja um instrumento que deve ser escolhido com cuidado: para poder visualizar da melhor forma os conteúdos da web, para que que o processo seja rápido também e para que o browser não se torne um meio nas mãos de terceiro que desejem ter acesso ao nosso computador.

Os navegadores não são todos iguais e aqui foram escolhidos vinte entre os mais difundidos (na versão portátil) e dois que não têm versão portátil mas que estão entre os mais utilizados em absoluto.
A seguir, estes 22 navegadores foram submetidos a uma série de testes para tentar perceber quais fornecem as melhores prestações e, pelo contrário, devem ser evitados.

Os navegadores analisados foram os seguinte:

02 maio 2017

Quem lucra com a emigração?

Pergunta: mas onde encontra o dinheiro um pobre desgraçado que mora no Bangladesh (ou Paquistão, Nigéria, Chad... a escolha é ampla) e que deseja emigrar para o Ocidente?

Resposta: simples, pede um empréstimo a uma das ONG's especializadas em lucrar com as desgraçadas alheias. 

Num País de emigrantes miseráveis (no sentido que nem o dinheiro para sobreviver têm), o "empréstimo de migração" representa um negócio que acontece em plena luz do dia, com ONG's tipo a BRAC: pessoas que são consideradas às margens do desenvolvimento, ficam totalmente integradas no sistema destes serviços financeiros.

Vamos ver mais de perto este exemplo, a BRAC, lembrando de que é apenas uma (provavelmente a mais popular) das ONG's que lucram com o azar das pessoas.

BRAC!

 BRAC tem feito o que poucos outros fizeram.
Conseguiram alcançar sucesso em grande escala,
 trazendo programas de saúde salva-vidas
para os milhões dos mais pobres do mundo.
Bill Gates

BRAC é uma ONG que actua em várias frentes, entre as quais o microcrédito para a emigração.
Originária do Bangladesh, hoje opera não só na Ásia mas também na África, onde, obviamente, faz um óptimo trabalho considerada a vaga de africanos que conseguem chegar até as costas da Líbia e daí à Europa.

Obviamente, a BRAC é uma organização não-governamental que ostenta fins humanitários: na prática, antes das ONG's que transportam os migrantes pelo Mediterrâneo, há a BRAC que fornece o dinheiro para chegar até à beira daquele mar.

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