22 fevereiro 2018

O relacionamento entre sionismo e Arábia Saudita - Parte II


Se na primeira parte, além de factos históricos, tivemos duas teorias que é difícil demonstrar por falta de dados definitivos, esta segunda parte está baseada unicamente na História e demonstra como o relacionamento entre o sionismo e a casa de Saud, que controla a Arábia Saudita, é muito mais profundo de quanto seria possível supor.

No final de 2014, de acordo com a revista norte-americana Foreign Affairs, o Ministro saudita do petróleo, Ali al-Naimi, afirmou:
Sua Majestade o rei Abdullah sempre foi um modelo para as boas relações entre a Arábia Saudita e outros Estados, e o Estado judeu não é uma exceção.
Recentemente o sucessor de Abdullah, o Rei Salman, expressou preocupações semelhantes às de israel em relação ao crescente acordo entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear deste último. Isso levou os observadores a concluir que israel e o Reino da Arábia Saudita apresentam uma "frente unida" na oposição ao acordo nuclear. Não é a primeira vez que os sionistas e os sauditas se encontraram do mesmo lado da barricada perante um inimigo considerado comum.

E se os hospitais produzissem os remédios?

Cansados da escassez de medicamentos e dos preços elevados, mais de 300 hospitais nos Estados
Unidos decidiram unir-se para criar uma empresa farmacêutica sem fins lucrativos.

Enquanto várias empresas do sector estão a ser investigadas nos Estados Unidos e na União Europeia por tentativas de manipulação do mercado genérico dos medicamentos, uma rede de hospitais nos Estados Unidos anunciou um plano simples quanto aparentemente eficaz: criar uma empresa farmacêutica sem fins lucrativos para a produção de medicamentos genéricos, com o objectivo de combater sobretudo os altos preços impostos pela indústria.

21 fevereiro 2018

O relacionamento entre sionismo e Arábia Saudita - Parte I

Ao falar da actual situação do Médio Oriente, há algumas perguntas às quais não é simples responder,
a mais importante das quais é a seguinte: por qual razão a Arábia Saudita não apoia e ajuda de forma concreta a resistência palestiniana na luta contra israel?

Sabemos que o mundo árabe não é algo monolítico: há fracturas interiores, principalmente entre  a corrente sunita e a xiita. É esta a principal razão oficial do choque entre a Arábia (sunita) e o Irão (xiita). Todavia, os palestinianos são maioritariamente sunitas: não deveria a casa de Saud suportar de forma muito mais concreta o desejo de criação dum Estado autónomo contra o "odiado inimigo" israelita?

E mesmo que a Palestina fosse xiita: não faria mais sentido apoiar os irmãos islâmicos em vez de aliar-se com as forças "infiéis" americanas e hebraicas de israel?  

Podemos dar uma simples resposta pragmática: ao apoiar a causa da Palestina, os sauditas perderiam o apoio de Washington, o principal cliente do petróleo árabe, a verdadeira fonte de riqueza deles. Uma explicação que faz todo o sentido. Mas há uma outra também.

20 fevereiro 2018

Bancos suíços: o dinheiro saudita fica

Mohammad Bin Salman
Notícia extremamente interessante da Suíça: vários bancos helvéticos recusaram o pedido da Arábia Saudita para confiscar e transferir a riqueza dos príncipes sauditas detidos após a purga "real" dos últimos meses, uma purga que tinha sido conduzida sob a direção do Príncipe Herdeiro Mohammad Bin Salman.

Lembramos que no passado Novembro uma centena de figuras influentes da Arábia Saudita, incluindo príncipes, altos oficiais e empresários, tinham sido presos e detidos num hotel de Riad sob o pretexto da luta contra a corrupção. Na verdade, o objectivo de Bin Salman era outro: uma conspiração de Palácio ditada também pelo interesse do príncipe em apropriar-se do dinheiro dos seus possíveis rivais políticos.

19 fevereiro 2018

A Síria não utilizou armas químicas

O que diz o Secretário da Defesa dos Estados Unidos? Diz que não há provas de que na Síria Assad tenha usado armas químicas.

Após muitas narrativas únicas e tendenciosas, Washington finalmente admite que não tem evidências de que Bashar al-Assad tenha usado armas químicas.

A investigação da ONU sobre os factos de Khan Sheikhoun não tem validade científica: realizada não com especialistas no local mas com a ajuda de imagens satelitares e declarações de ativistas ligados à "oposição moderada".

18 fevereiro 2018

Da inteligência


O que é a inteligência? É uma boa pergunta, sobretudo considerando que, até a data, ainda não foi formulada uma definição partilhada por toda a comunidade científica.

Uma tentativa vem de cinquenta e dois reunidos no Mainstream Science on Intelligence, assinada em 1994:
Uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planear, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente académica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere-se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta - 'pegar no ar', 'pegar' o sentido das coisas ou 'perceber' uma coisa.
A inteligência é isso, mas não só isso.
E se não formos capazes de concordar acerca do que é uma coisa, imaginem o que se passa na altura de medi-la. Mesmo assim, os homens pensam nisso há mais de um século.

Parkland & Fort Meade: coincidências, óbvio

Um dia antes do massacre na escola da Florida, outro facto enigmático aconteceu na sede da Agência Nacional de Segurança, a famosa NSA, em Fort Meade, Maryland.

Três homens não identificados lançaram um SUV preto contra a entrada; os guardas dispararam. Algumas pessoas foram levadas para o hospital por lesões, mas, aparentemente, não de armas de fogo. Dos três ocupantes do veículo, dois estão "sob custódia da NSA", o terceiro (o motorista) no hospital.

17 fevereiro 2018

Comunicação de serviço: moderação dos comentários

Causa aumento da actividade de trollagem sou obrigado a introduzir a moderação dos comentários. Lamento, mas a internet é o espelho da sociedade: idiotas nunca faltam.

Duas notas positivas:
  1. hoje haverá alguém feliz. "Epá, que cena meu, consegui que o autor do blog introduzisse a moderação dos comentários, sou o maior!". Realmente és, parabéns.
  2. contrariamente ao que pensava, o blog é limitado mas não ao ponto de passar despercebido. E alguém até fica irritado com isso. Mais uma razão para continuar, não acham?
Para ter uma ideia do que estamos a falar, deixei visível o último comentário do idiota no artigo anterior. Quando o idiota terá migrado para outras bandas, a moderação será novamente eliminada.
Grato pela compreensão.


Ipse dixit.

16 fevereiro 2018

Bangladesh: o arsénico das Nações Unidas



Nos anos '70, as Nações Unidas pediam fundos para um grande projecto: dar água aos habitantes do Bangladesh, já na altura um dos Países mais pobres do planeta. Com a ajuda também do Banco Mundial, o projecto passou do papel para a realidade: milhões de furos foram escavados e a água alcançou as populações. Começou assim o maior envenenamento na história da humanidade, cujas consequências ainda não podem ser determinadas com exatidão.

Até 20 milhões de pessoas em Bangladesh correm o risco de sofrer mortes precoces por causa do envenenamento por arsénico: é este o legado do projecto humanitário pessimamente planeado, que criou uma devastadora catástrofe de saúde pública.

15 fevereiro 2018

Democracia: o sistema de Schumpeter

O que é a Democracia moderna?

A definição dum dicionário online (Dicio):
Governo em que o povo exerce a soberania.
Outro (Priberam):
Governo em que o povo exerce a soberania, directa ou indirectamente.
Vamos ouvir também o antigo Presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln:
Um governo do povo, a partir do povo e pelo povo.
Sim, tudo muito útil, mas procuram algo um pouco mais completo. O constitucionalista Gustavo Zagrebelsky, por exemplo:
A democracia é o contínuo trabalho de destruição das oligarquias que governam o País, com a precisa consciência de que a uma oligarquia destruída seguirá imediatamente a formação de outra, composta por aqueles que destruíram a primeira.
Excelente definição, muito mais próxima da realidade. Mas Zagrebelsky é um jurista: o que pensa um economista, alguém que trata dum sector que demasiadas vezes tem uma influência determinante na condução das políticas nas modernas democracias? Falamos de Joseph Schumpeter.

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